16. Passeando por caminhos Celtas – tanta chuva, Armagh … Belfast e o Titanic!

10 de agosto de 2014

E a chuva ficou até ao dia seguinte!

Depois de um serão de grande algazarra no hostel, onde meio às escuras no pequeno pátio, montes de hóspedes divertidos foram contando as sua histórias, por entre cerveja e hambúrgueres, a animação perdeu-se de manhã! Fomo-nos amontoando à porta do hostel olhando para um dia cinzento, cheio de chuva e com visibilidade nula!

Um grupo de mochileiros tinha deixado a Calçada dos Gigantes para visitar naquele dia e estavam todos inconsoláveis, pois para norte o tempo estava ainda pior, dizia na meteorologia!

No dia anterior alguém comentara que eu fizera mal em ir logo a correr explorar o norte, devia ter passeado por perto para descansar, pois não havia pressa em ir à Calçada… hoje todos olhavam para mim com um “tu é que fizeste bem!” já que ninguém ali veria mais aquelas paisagens tão cheias de sol como eu vira, apenas no dia anterior!

“Num país de chuva há que saber aproveitar o sol!” respondera eu na noite anterior… acho que aquela gente aprendeu isso comigo naquele dia!

Ora bem, mas eu tinha de decidir o que fazer com tanta chuva! Se para norte estava péssimo e para sul/este a coisa prometia algumas abertas, eu tentei aquele lado, pois então!

Mas as promessas de “abertas” não se viriam a realizar durante o meu caminho, e eu cheguei a Armagh debaixo do mesmo diluvio que estava em Belfast!

Chamam-lhe a cidade das catedrais e, ao chegar, parei junto da primeira igreja que me apareceu aberta. Eu tinha de sair da chuva, era domingo e estava tudo fechado, só me restava enfiar-me numa igreja mesmo!

Apercebi-me que estava por ali muito movimento, dois homens na porta receberam-me com muita simpatia e eu perguntei se podia visitar a igreja. Claro que sim, mas venha por aqui que vou leva-la ao andar de cima onde tem menos gente. Fiquei intrigada onde me levavam, toda empacotada de fato de chuva vestido, cinta por cima para prender toda a roupa, capacete debaixo do braço a pingar para o chão, como toda eu pingava, e o chapéu a pesar já uns 2 kg de água que o ensopavam. Mas lá fui, pelas escadas acima imaginando onde iriam dar!

E escrevia eu na minha página no Facebook nesse dia:

“Hoje o dia acordou com um mau feitio terrível e parece que toda a chuva, que foi ameaçando cair nos últimos dias, decidiu cair hoje, desde muito cedo pela manhã, sem parar! É sempre difícil decidir o que fazer nestas situações, apetece ficar no choco mas, ao mesmo tempo, é uma pena não sair e aproveitar o que se puder! Então peguei na motita e fui até Armagh, a cidade das catedrais, como lhe chamam! Chovia tanto que entrei na primeira igreja/catedral que encontrei, a Presbetyrian Church e foi muito bonito! Fui recebida com toda a simpatia por dois senhores que estavam à porta, estava a começar a celebração e eu pensei que me mandassem embora, mas não, convidaram-me a entrar, conduziram-me ao andar superior. Pensava que era o coro mas, na realidade era um nível superior que rodeava toda a nave e onde outras pessoas acompanhavam a celebração. Fiquei até ao fim e adorei. Tudo o que foi dito e mostrado foi bonito, cheio de humor e alegria, havia miúdos também e o clima era tão simpático. No fim conduziram-me até ao “pastor” (não sei se se chama assim) que me agradeceu a visita e me perguntou se eu me tinha sentido bem. Outras pessoas me cumprimentavam, claramente sabiam que eu não era dali, eu estava cheia de roupa, com fato de chuva vestido e capacete no braço e tudo! Pediram-me para assinar o livro de visitas … uma experiencia para não esquecer!”

A princípio apenas tirei o chapéu e fiquei ali, de pé, com o capacete na mão, mas as pessoas olhavam para mim e faziam-me sinal para eu me sentar. E foi o que fiz, pousei o capacete e o chapéu na beira da janela e fui-me sentar junto das pessoas e o que era para ser uma visita rápida tornou-se num experiencia simpática e curiosa! A minha primeira visita a uma igreja presbiteriana, com direito a assistir a uma celebração e tudo!

Quando terminou a celebração pude fotografar o que quis, com direito a cumprimentos simpáticos das pessoas, que não mostraram qualquer estranhamento nas minhas vestes e os comentários eram do tipo “Bloody rain for a biker!”

E o raio da chuva estava lá, no mesmo sítio quando saí, horas depois! Bem só restava procurar um sítio para me refugiar, um café, outra igreja, sei lá! Não estava dia para passear e tirar fotos, isso já dera para entender, o tempo não melhoraria!

Então encontrei a catedral de Saint Patrick, a católica, pois há outra protestante com o mesmo nome.

Ela fica numa colina destacada, com um lindo relvado em degraus, com uma magnífica escadaria a subir aquilo tudo. Estava aberta, toca a subir por ali acima.

A catedral é deslumbrante! Foi construída entre o final do séc. XIX e o início do séc. XX em estilo neogótico, para substituir a anterior catedral medieval dedicada ao mesmo Saint Patrick, mas que fora tomada pela igreja da Irlanda, aquando da reforma religiosa. Por isso a cidade tem 2 catedrais, o que contribui para o seu cognome!

E a igreja é linda, embora haja vozes discordantes que se referem aos melhoramentos e alterações que sofreu ao longo dos anos 80 e 90, em que muita coisa foi alterada, como o altar original! Como não vi antes não sei avaliar… mas gostava de ver como era esse altar neogótico que foi retirado…

Quando olhei para o teto, ricamente trambalhado, não consegui evitar de percorrer todo o espaço, não apenas a nave, de nariz para o ar, a olhar!

Lá fora chovia copiosamente e o ambiente dentro da catedral era tão descontraído e acolhedor, que eu fiquei por ali uma infinidade de tempo, até sentir vertigens de tanto olhar para cima!

Por cima da porta não há uma rosácea, tão característica das igrejas góticas, há uma grande janela que, ao fazer contraluz, se torna muito interessante, com os anjos a fazer efeito de sombra chinesa! Desenhei aquilo, está algures num livrinho que tenho de procurar!

O ambiente de uma grande igreja sempre me fascina, sobretudo quando ninguém me perturba nem me questiona e me deixam estar por ali, com a música nos ouvidos e os livrinhos para desenhar! Ok, pronto, não sou só rato de cemitérios a catar tumbas, também sou rato de igreja a catar altares!

O inferno molhado continuava lá fora…

Armagh aos meus pés, é a cidade menos populosa da Irlanda do Norte, a segunda da irlanda e a quarta de todo o Reino Unido! Não se nota nada, com aquele temporal nem que houvesse por ali a maior multidão a viver, não se notaria, pois estaria tudo fechado em casa! Só um maluco como eu é que sairia à rua!

Eu podia ver a catedral se Saint Patrick, a medieval, no topo da outra colina em frente.

“Será que vale a pena «nadar» até lá para a ver?

Oh pá, molha por molha, já que estás na rua mesmo vai lá, pois então!

A igreja tem origem no séc. V e foi o próprio St. Patrick, o tal, o primeiro santo da Irlanda, que colocou a primeira pedra para a sua construção!

Ela foi destruída e reconstruida 17 vezes ao longo da sua história e hoje há nela muita coisa bem posterior às suas primeiras características românicas.

Achei tanta piadinha às almofadas de ajoelhar que tive de experimentar uma, era fofinha!

Metade do seu encanto foi-se com as remodelações, mas é ainda uma igreja muito interessante!

É por fora que ela conserva mais da sua “raça”!

E por falar em cá fora… a chuva não desarmava nem por nada!

Parei apenas um pouco na cidade, aquela cruz na berma da estrada não me deixou indiferente, afinal Irlanda do Norte também é Irlanda e também é celta!

E ao lado um mural, pois, a Irlanda do Norte é toda destas coisas! Ainda lá hei-de voltar com tempo para explorar e conhecer todos os murais possíveis, que são mais que muitos pelo país todo!

Quando o meu mp3 deixou de funcionar e começou a mostrar mensagens bizarras no seu visor, eu percebi o quando a humidade estava a afetar o meu dia!

Então amuei e voltei para Belfast sem nem olhar mais para o lado! Não valia a pena ir mais longe, nem valia a penar parar em lado nenhum, a chuva era tão serrada e o tempo estava tão húmido, que só pegava na máquina fotográfica e a lente ficava toda embaciada!

Por isso decidi ir-me meter dentro de um espaço onde eu pudesse ficar o resto da tarde sem me chatear mais!

E sim, fui visitar o Tinatic Centre! Como eles dizem, fui visitar “the birthplace of Titanic”

Escrevia eu no meu facebook naquele dia:

“O temporal não me deu paz todo o santo dia, lixei o meu mp3 com a chuva e tudo! Então amuei e fui-me enfiar no Titanic! Parece que estou a fazer o maior sucesso por aqui, não falta quem se ofereça para me tirar fotos! eheheheh

Bem, acho que vou comprar mais cerveja que esta bosta de tempo está a deprimir-me!”

Muito tempo depois os estaleiros Harland and Wolff voltaram à vida com o centro Titanic no local rebatizado de “Titanic Quarter” em 2001.

A construção é impressionante e faz justiça aos grandes gigantes marítimos que foram ali construídos, lembrando 4 proas de grandes navios. Estava chuva, uma pena, porque aquele imenso edifício merecia um céu deslumbrante por trás! Faz um efeito visitar um local onde tanta gente trabalhou arduamente por tempo demais, para que o produto do seu trabalho fosse a morte de tanta outra gente também…

O interior do edifício é espaçoso e acolhedor, com uma atmosfera entre o ambiente de feira provocado pelos turistas ruidosos, e o ambiente solene deixado pela história que o local encerra…

Para além dos objetos da época expostos, são recriados ambientes e sensações para permitirem aos visitante entender um pouco da dimensão e condições de trabalho no estaleiro ali montado na época.

Mapas, planos, projetos, desenhos, fotos e tantas outras coisas fazem-nos reviver uma das histórias mais conhecidas no mundo!

Ah, e maquetas também, como aquela que mostra como era o estaleiro antes de começar a construção do grande barco.

Há mesmo um percurso, numas gondolas suspensas, que nos levam numa viagem cheia de voltas e reviravoltas pela obra, onde se pode ver como os homens trabalhavam sem quaisquer condições, ou equipamento próprio.

E o lançamento do barco é feito virtualmente num recato, onde a cadeia de corrente em tamanho real é impressionante, e cobre todo o espaço ladeado de vidro, sobre o real local do lançamento na época!

Por muito que a gente veja e leia, ali tem-se mais a noção da verdadeira dimensão das coisas….

O fim da história já todos o conhecemos há mais de um século…

Cá em baixo há uma cafetaria e um restaurante, onde se podem comer coisas interessantes, o que foi muito útil para ganhar coragem para voltar para a chuva!

E não pude deixar de dar uma volta pelo espaço do estaleiro, hoje chamado de “Titanic Quarter”

E ver o edifício de todos os ângulos

E a minha bonequinha também teve direito a uma foto junto do grande título!

E fui para casa, que de chuva já tinha levado a minha dose para me pôr a inventar mais e foi o fim do 13º dia de viagem!

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