32. Passeando por caminhos Celtas – Londres!…

23 de agosto de 2014

Tirei o dia para ver Londres!
Melhor, para ver o que não tinha visto de Londres, porque a cada vez que ali passar terei sempre coisas novas para explorar.
Só assim uma cidade nunca perderá o interesse para mim… Eu não estava hospedada muito longe do centro, mas não poderia deixar a moto onde estava, tinha hora marcada para poder ficar estacionada, até às 8.00h da manhã. Por isso peguei nela e foi para o centro. As motos ainda são os veículos que mais facilmente podem circular pela cidade, todos os outros têm bastantes restrições.

Eu gosto muito de conduzir pela cidade, andar no meio do trânsito, mesmo que seja caótico. Gosto de ver como funciona a cidade, como se comportam as pessoas, como vestem, o que fazem pela manhã…

Era fim-de-semana, a cidade encher-se-ia de turistas e de gente a passear, porque quando está sol, não há inglês que se prese que não venha para a rua aproveitar o sol e o céu azul!

Naquele dia eu iria encontrar-me com um amigo do Facebook a viver em Londres no Ace Café, por isso passei por lá a ver se ainda sabia o caminho, não fosse à última da hora perder-me na noite e não dar com ele!

Entrei.

Não havia muita gente por lá, mas havia a gente suficiente para um ambiente simpático.

Quando saí, um casal observava atentamente a minha moto, conferia os autocolantes e apreciava-a de todos os ângulos. Eram galegos e fizeram-me uma festa! Fizemos uma festa todos a bem dizer! Eles entendiam muito bem o português, como galegos que eram, e ficaram muito felizes por descobrir que a moto era mesmo portuguesa e a condutora uma mulher!

Os presentes olhavam divertidos para nós os 3 sem entenderem a nossa conversa mas percebendo a nossa alegria. Aproveitei para tirar umas fotos com a moto em frente ao café, que das últimas vezes que lá estivera não conseguira por ser de noite!

Claro que não faltou quem me tirasse fotos a mim também junto da moto! Fantástico! Eu, que nunca fico nas fotos, ao menos que tenha uma foto junto da moto no Ace Café para a posteridade!

As motos estão por todos os lados na cidade e eu lá me fui arriscando a levar com uma multa nos olhos por fotografar de cima da minha!

Havia coisas que eu queria ver na cidade que ainda não tinha visto! Há sempre afinal! Como a Westminster Cathedarl! Porque da Westminster Abbey não falta assunto é famosa pelos eventos reais que lá se realizam, é anglicana e faz uma diferença de 9 séculos em relação à Catedral, que é católica e bem mais recente. A Abadia é do séc. XI para a Catedral do séc. XX.

O edifício é muito bonito, todo em tijolo vermelho no exterior e, no interior, cheia de mosaicos impressionantes. Estava a realizar-se um casamento e não era permitido andar muito pelo interior, por isso limitei-me a dar uma volta lá por dentro…

Impressionante!

Tentei tomar atenção à celebração, acho sempre piada ouvir as mesmas orações em línguas diferentes! Eram em tudo iguais às nossas!

As capelas laterais dedicadas a diversos santos são tão impressionantes quanto a nave principal!

Havia ali um parvo qualquer que chamava a atenção de todos os que entravam para não se aproximarem da frente da igreja por causa do casamento, claro que para estar à porta a ser indelicado com quem entrava, não podia andar atrás de quem passeava, por isso deve ter tido vários ataques do coração a cada vez que eu ia mais um pouco até à frente! Mas quando as pessoas são estúpidas comigo eu tendo a ser um bocado indiferente às suas ideias… sorry!

Em frente fica uma construção imensa em vidro, um centro comercial que, não sendo nem fechado nem ao ar livre, proporciona perspectivas interessantes da sua arquitectura de vidro. Curiosamente não é permitido fumar ali, embora não seja um espaço fechado.

A bem dizer o Reino Unido anda a tomar medidas drástica contra o tabaco, já que está a tratar de legislar a proibição de fumar mesmo dentro de automóveis particulares! Um dia não se poderá fumar nem dentro da própria casa…

E fui passear para o centro, onde tudo se passa e onde está tudo o que um turista quer ver! Olhando de longe por cima da multidão e da trapalhada, podia-se ver logo um pouco de tudo!

As voltas que eu dei até conseguir parar a moto sem transgredir nada! Nessa procura de um lugar passei por uma moto de emergência médica. O homem ficou a olhar para mim e eu voltei a temer levar com uma multa por o estar a fotografar de cima da minha moto, mas ele não veria a minha matrícula e estava demasiado ocupado para me registar… digo eu! Eu simplesmente não podia ficar indiferente, ainda por cima a moto era uma Pan European prima da minha! Linda!

E lá estava, agora sim, a Westminster Abbey, a famosa!

“A Westminster Abbey é aquela construção que é quase uma personagem na história do Reino! Ali se coroam, se casam, se enterram os monarcas! Pertinho do parlamento e do famoso Big Ben, é um apontamento de história antiga que se visita com todo o respeito. Andei por ali como quem passeia por uma imagem de televisão ou um postal ilustrado, não fossem as muitas pessoas que perturbavam o clima cénico do espaço. A construção é gótica, do séc. XI, e está cheia de túmulos! A quantidade de gente que ali está enterrada enchia um cemitério convencional. Quando me questionarem como não me incomoda passear num cemitério, eu perguntarei como não incomoda passear numa catedral medieval cheia de túmulos? Não se pode fotografar lá dentro, mas eu roubei uma ou duas fotos… apenas para registar o momento! A catedral é linda e é como um grande livro de história, que se conta a cada passo que se dá pelo seu interior…”

(in Passeando pela vida – a página)

A gente leva o áudio-guia e vai catando por ali, no meio de uma multidão de turistas, sem poder apreciar cada recanto como seria desejado… uma pena!

Ao menos nos claustros ninguém nos impede de fotografar e, claro, não faltam turistas frenéticos a tentar subir nos parapeitos e nos muros para tirar fotos, como se estar no chão não fosse coisa boa para a foto…

À saída ainda roubei uma foto do Trono de Eduardo, o Confessor. King Edward’s Chair, o trono onde todos os reis britânicos são coroados desde o séc. XII.

É sempre estranho passar-se por cima do tumulo de uma grande personalidade, como Winston Churchill, para se entrar e sair de um local…

Na fachada de uma catedral gótica é comum encontrarem-se figuras, como na catedral de Notre Dame de Paris com a sua Galeria dos Reis. Ali as figuras representam os mártires do século XX, aos quais se juntam a Verdade, a Justiça, o Perdão e a Paz, em formas humanas, uma simbologia que pretende abarcar todos mártires que continuam a existir a todo o momento, pelo mundo fora

“Eu estive tanto tempo dentro da Westminster Abbey, ouvi todas as histórias e explicações do áudio-guia, fui e voltei, “roubei” alguma fotos e deliciei-me! Quando saí era já dos últimos visitantes e as pessoas saiam diretas para o portão que se fecharia a seguir, mas eu queria ver mais um pormenor ali ao lado. Junto do muro, no chão, no pátio que se forma aos pés da catedral, uma discreta mas lindíssima homenagem a quem morreu inocente, vítima de opressão, violência e guerra… Muitas pessoas passaram sem ver e tentavam fotografar através das grades da parte de fora do muro. Há pormenores que me prendem a atenção, mais que alguns grandes monumentos…”

(in Passeando pela vida – a página)

O céu continuava lindo cá fora e as perspectivas da fachada da catedral ficavam deslumbrantes em contraste com o céu azul! Eu tinha de aproveitar aquela luz e cor para ver a redondeza!

Que lindo dia para passear e para desenhar! Eu tinha de ir ver as coisas do outro lado do Tamisa e, quem sabe, tentar desenhar um pouco, se não estivesse tudo cheio de turistas!

Londres é linda com sol!

O Big Ben é impressionante! Foi construído no séc. XIX em estilo neogótico e foi baptizado com o apelido do ministro das obras publicas que ordenou a sua construção! Curioso, se fosse baptizado com o nome do homem chamar-se-ia Benjamin, como levou a alcunha ficou Big Ben até hoje! eheheheh

E lá estava ele em contraluz, visto do outro lado, mesmo por cima da ponte!

Curiosamente a torre tem vindo a inclinar com o tempo, sendo hoje de meio metro no topo em relação à base. Parece que não é nada de preocupante nem nada que a faça vir a ficar parecida com a torre de Piza, mas como se desconhece a razão, há que investigar, não vá ela aumentar o ritmo de inclinação que já leva e que é, segundo dizem, de quase 1 milímetro por ano.

Fui atravessando a Westminster Bridge e olhando para o perfil do parlamento magnífico! O sol e as nuvens criam enquadramentos verdadeiramente dramáticos e impressionantes!

Do outro lado, ao longe o London Eye, que não visitaria, afinal já lá estivera da última viagem ao país!

E são momentos mágicos como este que me fazem sentir uma privilegiada por vezes, quando o mundo em meu redor se silencia por completo e eu me deslumbro com um cenário de paraíso, como se ele fosse criado para mim e ninguém mais existisse para além dele e eu!

Peguei no meu livrinho panorâmico e desenhei…

A tinta-da-china era a técnica que mais me inspirava para captar aquele contraluz espantoso, que recortava o edifício do palácio de Westminster contra um céu luminoso e fantástico! O problema era só que ela demora um bocado a secar e havia gente demais perto de mim. Peguei no outro livrinho e desenhei de novo mas num enquadramento mais próximo! Escrevia eu no meu Facebook:

“Desta vez eu passeei tão calmamente por Londres que me fartei de desenhar, mas os desenhos em silhueta foram os que mais gostei de fazer, as nuvens inspiradoras provocavam este tipo de enquadramentos, quer na máquina fotográfica quer nos meus livrinhos. Encostava-me ao muro na berma do Tamisa, pousava nele o meu livrinho de folhas demasiado longas para me permitir desenhar decentemente em cima dos joelhos e, com a caneta e o pincel, o perfil do parlamento e do Big Ben aparecia tão facilmente, que apetecia fazer uma dúzia de pinturinhas semelhantes, em cada perspetiva da paisagem. As pessoas aproximavam-se para ver o que eu estava a fazer, umas vezes eu afastei-me, mas outras deixei-as ver e voltei a ter clientes para comprar as minhas mini-obras! Ahahahah”

Não, não vale comparar os desenhos com as fotos que eu não sou uma máquina fotocopiadora!

E por aquela ponte a gente pode ver tudo! Desde uma fulana que tirou a roupa toda, ficando em biquíni para uma foto com o Big Bem como fundo (claro que era gira senão não o faria, ainda por cima nem estava calor nenhum!) até casamentos, cheios de convidados, noivos e fotógrafos a tentar apanhar os melhores enquadramentos por entre o meio dos turistas aos milhares!

E a infinidade de fotos que eu fui tirando por ali!

Até chegar à estátua de Ricardo coração de leão!

“Junto ao Palácio de Westminster, fica a estátua de Ricardo I. Um belíssimo enquadramento para o rei tão querido e lembrado, tanto no Reino como na França, onde viveu a maior parte do tempo em que estava quieto e não andava em batalha. Um herói eternamente respeitado, que mesmo antes de ser rei, era já conhecido e respeitado como Ricardo Coração de leão, o título que o identifica na escultura equestre. As casas do Parlamento servem-lhe de cenário e as grades de protecção, que têm todo o ar de provisórias, mas estão ali em serviço perante, para ordenar as longas filas de visita ao edifício, não deixam ninguém aproximar-se da estátua, uma pena para quem a quer ver de perto, uma sorte para quem a quer ver sem ninguém por perto.”

(in Passeando pela vida – a página)

O palácio estava fechado… terá de ficar para uma próxima visita à cidade!

Aquilo parece uma igreja! Na realidade aquele palácio é um dos parlamentos mais míticos, maiores e mais espantosos do planeta! Por isso eu terei de lá voltar para o ver por dentro!

Dizem que tem 1.000 salas e 100 escadarias! Ui! O estilo gótico dá-lhe aquele ar de catedral impressionante, foi reconstruído, ou construído, dado que o anterior fora destruído pelo fogo e este foi feito de raiz, no séc. XIX, mas a sua fama e importância faz parecer que sempre existiu!

Não resisti a desmontar da moto rapidamente, enquanto esperava que as pessoas passassem na passadeira e tirar uma foto à minha Ninfa com o coração de Londres como fundo!

E fui passear por aquela que é uma das maiores cidades da Europa! A 3ª, dizem!

Há muito que a London bridge deixou de me impressionar, desde que a vi pela primeira vez e percebi o quanto ela fica aquém do que as imagens me transmitiam!

Mas atravessa-la é sempre uma sensação única. Até porque não há outra igual!

E estava na hora de ir até ao Ace Café, onde eu começara o dia e onde o acabaria!

Mas não foi lá que jantamos. O simpático casal Jose Garcia e a Silvia levou-me até ao Centro Galego de Londres!

Onde pude matar saudades da comidinha e da cerveja galega que é muito boa!

O movimento do restaurante/bar é bem ao estilo ibérico, nada british! Eheheh

A minha motita ficara no Ace Café, com aquela gente a questionar-se se eu a teria simplesmente abandonado ali! Quando a fui buscar não havia lá ninguém.

Os londrinos não são tão noctívagos como nós!

E fui para casa, que naquele dia ainda seria em Londres, e foi o fim do 26º dia de viagem.

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