19. Escandinávia 2017 – De Gotemburgo até Oslo

11 de agosto de 2017

A Suécia fora apenas um caminho de passagem e eu seguiria direta para Oslo naquele dia.

A zona da cidade onde eu pernoitara parecia outro mundo, comparado com o que vira da cidade e valia a pena explorar um pouco. Havia um riacho muito bonitinho, com esplanadas e café em redor.

Os patos ainda dormitavam no relvado atrás do hostel, quando eu passeei por ali.

Havia uma sensação, que eu já sentira noutros momentos noutras viagens, que me fazia querer experimentar mais as boas sensações do momento, do que perseguir coisas novas, turísticas e referenciadas em sites de viagens e turistas.

Acho que era o meu lado de paz de sensações únicas e pessoais a apoderar-se das minhas escolhas!

Andei por ali a apreciar o momento único, enquanto o mundo em redor parecia adormecido e quieto como de fosse domingo. E, no entanto, não era!

Eu tinha detestado Gotemburgo no dia anterior, uma cidade confusa, com estradas em obras sem sinalização que ajudasse quem não era dali a mover-se e com um ambiente pouco inspirador. No entanto não queria ir embora sem pelo menos a atravessar e dar uma olhada a duas ou três coisas que tinha em mente. Por isso, antes de seguir para Oslo, voltei para passear um pouco pelo centro.

E de manhã a sensação foi bem melhor, sem confusão, nem muito transito e até com facilidade em parar a moto e apreciar em redor!

A escultura junto ao rio, sobre o cais, é hilariante. Prometheus, em que a cabeça é uma pirâmide, uma referência ao símbolo do fogo, que Prometeu roubou aos deuses para dar à humanidade. O homem é gordo, está nu e parece ir saltar para a água, se calhar para se refrescar do calor do símbolo do fogo que transporta na cabeça!

Apenas faltou um pouco de sol e de céu azul, mas eu tinha de me ir preparando para o mau tempo tão previsível por terras escandinavas!

E segui para Oslo, sem muita vontade de me envolver em terras turísticas até lá, apenas queria paz e estradas sem ninguém!

O movimento na estrada nacional era intenso, por isso fui procurando para estradas secundárias. Ok, não era tão intenso, nem tão rápido assim, mas eu queria deixar a moto rolar sem preocupações com carros nem motos e apreciar a paisagem anónima. Eu tenho destas coisas quando preciso de paz! As estradinhas que fui escolhendo estavam desertas, apenas se viam alguns ciclistas de vez em quando, e nada mais. Exatamente o que eu queria!  E nada do que implicava visitas turísticas me atraiu…

Até porque a simplicidade da vida comum por aquelas terras me estava a atrair muito mais a atenção do que pontos turísticos!

Sentir-me completamente só no meio da natureza sempre me apaixona e consigo ficar tempos infinitos parada a olhar e apreciar cada momento!

As casas parecem todas iguais, saídas de uma mesma fabrica de casas! São quase invariavelmente de madeira e as cores pouco variadas, entre o bordeaux (vermelho escuro), o azul escuro e o amarelo torrado, com frisos e contornos em branco.

E as perspetivas que podia captar de cima da minha moto eram de muito verde, poucas casas….

e lagos que me faziam querer voltar a parar a todo o momento para captar mais um pouco da sua serenidade.

AS localidades ficam frequentemente estre arvores e arbustos e apenas me apercebia de quantas habitações continham pelo numero de caixas de correio, organizadas e fixadas em grandes suportes de madeira com telhado a protege-las.

Também se encontram casa brancas, mas são mais raras.

Registos de viagem – 5
Entrei na Noruega por uma ruínha secundária de aldeia, sem aparato nem ninguém, para além de mim e alguns ciclistas. A estrada principal estava muito rápida, com automóveis e motos desesperados para chegar a Oslo. Eu tenho o dia todo para lá chegar…
Agora estou aqui, no meio de lado nenhum, a comer e a dar nas vistas, com os camponeses a olhar para mim e para a minha moto. Disse que vinha de Portugal, chamaram-me “brave woman”!

(in Facebook)

Do outro lado da fronteira nada era muito diferente. As mesmas cores, as mesmas casas de madeira, a mesma sensação de localidades escondidas atrás de arvores e arbustos.

E as igrejinhas que, não sendo iguais às da Dinamarca, provocavam uma sensação semelhante na paisagem. A igreja de Idd é do século XII, românica portanto, embora seja tão diferente do românico que estamos habituados a encontrar pelo Europa.

Mas os noruegueses são esquisitos! Para lá de um cemitério perfeitamente alcatifado de fofa relva verdejante, ficava a igreja e junto a ela, bem ao sol sem ninguém por perto…

estava um caixão branco! Porque raio fica um morto ali abandonado, sem funeral que o acompanhe até ser enterrado? Não entendi muito bem o costume daquela gente!

A arquitetura dos locais sempre me atrai a atenção e por ali os celeiros têm formas curiosas, com base na arquitetura antiga que se manteve até hoje.

Sente-se por todo o lado a baixa densidade populacional do país, e isso é muito gratificante, como se a paz estivesse por todos os lados!

Estava a atravessar Halden e a vontade de ver gente não era nenhuma!

Tomei por ali um café, mas ele ia piorando e qualidade à medida que eu ia subindo no mapa. Pior em sabor e em efeito, pois nem servia para me despertar um pouco!

Aparentemente só nas cidades se usam outras cores para pintar casas

Embora as cores de todos os outros locais se mantenham ali também. Aqueles amarelos tornam tudo tão acolhedor que a vontade era entrar nas lojinhas todas!

Coisas curiosas que se encontram por ali, como bicicletas que sobem postes de iluminação!

Oslo era mais para cima e havia mais gente a ir para lá. Eu sempre me fascino com motos supercarregadas! Nem quero imaginar a trabalheira que seria descarregar aquela bagagem toda, montar a tenda e no dia seguinte voltar a arrumar tudo na moto!

Moss é aquele paraíso entre mar e lago com paisagens esplendidas de casas de sonho na margem da água!

E pronto, lá parei mais uma eternidade de tempos, enquanto saboreava o momento, como se a Noruega acabasse ali mesmo e não houvesse mais nada para ver!

Distrai-me a atirar migalhas de pão aos patos e a curtir um tempo maravilhoso que inspirava a ficar, afinal as historias de mau tempo por aquele país faziam-me querer aproveitar todos os momentos de sol, antes que a chuva me encontrasse!

Comer pizza num país nórdico, soa parecido com comer fish and chips no Porto!

Há sempre uma serenidade nas cidades pequeninas que me agrada sempre. É bom encontrar gente nas ruas, nos sítios onde vou, mas a paz dos residentes sempre me apaixona muito mais, que a agitação dos turistas!

Sai-se da cidade e volta-se a não encontrar os lugarejos, a não ser pelas caixas do correio perto da estrada!

Tenho vindo a encontrar os músicos de Bremen em cada sitio? Depois de os ver em Riga, encontrei-os perto de Oslo! Acho que o único sitio onde não cheguei a vê-los foi exatamente em Bremen! Tenho de ir lá procura-los um dia destes!

E assim que cheguei a Oslo a minha vontade foi de voltar para um caminho sem ninguém! A cidade estava cheia de gente!

A catedral, um edifício do séc. XVIII, era dos poucos espaços sem gente, por isso foi que me enfiei para sair do meio da multidão.

Claro que o meu refugio não foi totalmente inocente, dentro dos muros da igreja havia uma simpática esplanada, por isso não me faltaria nada, nem sequer o que beber no entretanto!

E a Igreja é bonita e diferente!

Mas eu não passaria ali o resto do meu dia. Já que tinha de enfrentar a multidão que fosse a ver algo que me interessasse particularmente.

Por isso fui até ao Parque Vigeland 

O parque é uma das maiores atrações da cidade, ao todo são mais de 200 estátuas de pedra, bronze ou ferro fundidos criadas por Gustav Vigeland, o mais importante escultor do país.

“Uma das coisas que eu queria ver em Oslo era o jardim das esculturas de Gustav Vigeland, e consegui chegar antes do pôr-do-sol! São mais de duzentas e o parque é lindo, o maior do mundo dedicado a um só artista. Só por esta visita já valeu a pena vir até aqui.”

(in Facebook)

é muito interessante todo o parque e as esculturas, embora sejam muitas, merecem ser observadas uma a uma!

O menir no centro do espaço, é totalmente revestido a corpos nuns. Muito bem concebido!

E do ponto mais alto, pode-se ver todo o parque e parte da cidade ao longe

O sol preparava-se para ir embora e deixava perspetivas ainda mais bonitas com a sua luminosidade rasante.

No dia seguinte iria explorar um pouco do sul do país!

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