24. Escandinávia 2017 – De Bergen até Trondheim 1

16 de agosto de 2017

O dia parecia ir melhorar quando acordei, havia mesmo um pedaço de céu azul a espreitar sobre a cidade e eu senti-me encorajada em enfiar-me no meio dos turistas para visitar um pouco mais da cidade!

Mas enquanto tomei o pequeno almoço a coisa foi-se tornando cinzenta! Pus-me lá de cima, do jardim da Pousada de Juventude, a apreciar a cidade ao longe. Um pequeno arco iris se erguia sobre ela, mas o tempo não prometia melhorar. Eu não entendo norueguês, mas as imagens eram explicitas na televisão, prometiam muita chuva mais sobre a zona, e eu não sabia se tinha coragem de voltar a visitar a cidade vestida de astronauta, encher-me de calor e de confusão, como no dia anterior! Por outro lado, o sol estaria logo a seguir, eu podia ver as bolinhas amarelas no mapa da tv!

E enquanto arrumei as minhas coisas na moto e me equipei com os impermeáveis, a chuva ajudou-me a decidir o que fazer a seguir!

Uns senhores, que fumavam abrigados num canto, quiseram tirar-me fotos e eu aproveitei para pedir que me fotografassem com o meu telemóvel. Já que eu nunca me lembro de me auto-fotografar, ao menos que saiba aproveitar quando alguém se oferece para faze-lo!

Bergen fica num sitio muito bonito, os fiords estão logo ali, com lagos de cortar a respiração e paisagens deslumbrantes, por isso pus-me a estudar o mapa e decidi seguir para leste onde a tv prometia sol!

E foi a escolha certa, já que logo a seguir começava o céu azul, com bastantes nuvens como eu gosto, a alegrar as paisagens impressionantes!

Como iria seguir na mesma direção que tomara no dia anterior, escolhi caminhos diferentes. Fui explorando estradinhas de montanha, onde não havia transito nenhum e as localidades eram poucas e reduzidas a 2 ou 3 casas, de quando em quando.

Mas havia natureza com fartura e rios e cascatas!

Impossível seguir sem parar a todo o momento, para olhar em volta e viver cada paisagem digna de um postal bonito de uma qualquer agência de turismo!

Não é preciso procurar coisas bonitas para contemplar, elas estão por todo o lado naturalmente acessíveis a quem passe por ali!

Até as voltas que as estradas dão por ali são fantásticas e bonitas!

Paz por todo o lado, é a memória que ficou para mim!

E quando eu me sentia sozinha num mundo à parte, onde apenas havia estrada, lagos, cataratas e paisagens deslumbrante em redor…

… um lugarzinho aparecia e enchia tudo de mais encanto!

E eu voltava a parar, a ficar um monte de tempo a olhar, explorar e desenhar!

Ok, àquele ritmo eu nunca mais iria chegar ao meu destino, mas que importava se não visse sítios míticos onde toda a gente quer ir, se estava a cruzar caminhos de cortar a respiração pela sua beleza e encanto!

E por vezes era preciso olhar com atenção para poder distinguir onde estavam as casas e as localidades minúsculas, de tão camufladas na natureza.

Oh, os lagos são lindos, são tantos e estão por todo o lado!

E as casinhas com telhados de relva e musgo continuavam a aparecer, nas paisagens mais deslumbrantes!

Então comecei a encontrar as ovelhas.

No meio daquela paisagem deslumbrante, lá estavam elas, esparramadas no meio da rua.

E as meninas nem se mexiam à minha passagem! Lá estavam e lá ficavam, eu que me arrumasse se queria passar!

Deslumbramento total a cada quilómetro!

E quando parecia que a beleza não podia aumentar, os lagos aquietavam-se e formavam espelhos perfeitos, em que o real e o refletido era perfeito!

O tempo que eu demorei a passar por todo aquele paraiso…

As vezes que parei e fiquei apenas a olhar…

O desnível, entre o solo e as paredes vertiginosas que se erguiam em meu redor, quase me faziam vertigens.

Então desemboquei no caminho Flåm, onde eu passara ontem, com os fios de água caindo, lá de cima, das montanhas que formavam paredes dos lados do vale.

Hoje podia ver o fiord com bom tempo…

E era lindo!

Então entrei no Túnel de Lærdal, desde Aurland até Lærdal, por mais de 24 quilómetros.

“Depois de passar pelo Túnel Vallavik, com as suas rotundas azuis a tornar a experiência meio surreal, veio o Túnel de Lærdal… Percorrer um túnel não é a coisa mais interessante que existe para se fazer de moto, mas aquele é apenas o túnel rodoviário mais longo do mundo! Exatamente 24 quilómetros e meio de escuridão! Mas não, no meio da monotonia e escuridão, começa-se a vislumbrar um ponto de luz diferente ao fundo e uma ilha de luz e cor nos espera, a cada 6 quilómetros. Não andava por ali muita gente, mas todos os veículos que la passam param, há espaço para isso, e os efeitos inspiradores em redor despertam qualquer condutor mais cansado e fazem desejar que haja muitas mais ilhas assim, apenas para voltar a reviver a sensação.”

(in Passeando pela Vida – a Página)

 

O túnel é comum, entra-se e fica tudo igual a qualquer outro, até se vislumbrar uma luzinha azul ao fundo. A cada 6 quilómetros um espaço amplo se abre para que os viajantes possam parar e descansar e esse espaço é iluminado em tons fortes de azul de uma forma cativante.

E é claro que eu parei em todas aquelas ilhas azuis e me diverti fotografando em redor!

E não era a única a faze-lo! Pararam carros, autocaravanas, autocarros e todos quanto passavam por ali!

Ao chegar ao fim, lá estava a placa que informavam dos 24.5km de extensão que eu acabava de percorrer.

Um dia vou ter de voltar ali para fazer o caminho da montanha. Ele é muito mais extenso, com curvas fantásticas e paisagens impressionantes, mas desta vez eu simplesmente não podia fazer tudo, e como o percurso a fazer era longo eu tinha de aproveitar fazer o caminho mais rápido!
Mas as coisas fantásticas para ver para a frente eram tantas que não importava as que ficavam para trás por ver!

Agora eu estava junto da Estrada do Rei em Galdane, Lærdal

A Estrada antiga tem trajetos impressionantes, íngremes e acidentados, percorrendo montes e vales.

E as cascatas caem ao lado e correm para o rio de corrente forte.

Do lado do rio, a estrada que percorro é impressionante também, com o forte som da água a ecoar de forma quase ensurdecedora!

E as casinhas parecem de brincar na encosta, como casinhas de brincar.

Vêem-se vestígios de caminhos e pontes de madeira arruinadas. A vontade era segui-los e desvendar as montanhas históricas que eles percorrem, mas não havia condições!

Percursos de Borgund…

Onde pequenas localidades se tornaram em pequenos museus ao ar livre, testemunhando modos de construir e viver de outros tempos.

E lá estava ela, a bela igreja de Borgund!

“Chegar perto da igreja de madeira de Borgund foi uma sensação fantástica, afinal estar junto de uma construção com mais de 8 séculos é sempre impressionante! Dizem que foi construída no século XII e que não sofreu alterações nem adaptações em toda a sua existência. É das mais bem preservadas das 28 igrejas de madeira da Noruega e a sensação é de que ela é mais que uma igreja, é uma entidade, como uma alma antiga que se mantem solida e acolhedora, numa paisagem que a enquadra e valoriza com a serenidade e a paz da natureza!”

(in Passeando pela Vida – a Página)

Linda em todos os ângulos!
Não a visitei por dentro, apenas andei por ali, observando-a calmamente e registando, na maquina, no livrinho de desenho e na memória, tudo o que pudesse!

Quanto tempo estive ali? Uma eternidade e ficaria ali uma segunda eternidade se pudesse… mas tinha de seguir para norte…

A Nacional Scenic Route Valdresflye me esperava a seguir, uma das estradas mais bonitas que percorri até hoje…

(continua)

 

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2 thoughts on “24. Escandinávia 2017 – De Bergen até Trondheim 1

  1. Olá Amiga!
    Só agora escrevo nesta tua viagem, mas sou uma seguidora assídua e sabes, estou deslumbrada por tudo que partilhas!
    Tua escrita é muito cativante e as imagens são maravilhosas!
    Obrigada por nos ofereceres as tuas memórias!
    Aguardo a continuação!
    Um beijinho! ❤

  2. Pingback: Gracinda Ramos | Correio do Porto

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