26. Escandinávia 2017 – Finalmente a Atlantic Road…

17 de agosto de 2017

Havia varias motos no estacionamento do hostel, todas norueguesas, mas não consegui ver os proprietários. Deduzi que estivessem perto de casa e por isso não teriam a mesma excitação que eu, de se levantarem cedo para irem passear. Se bem que nem me levantei assim tão cedo, mas sei lá!

Nem sequer estacionaram as motos perto umas das outras. Talvez não tenham encontrado lugar perto, pois a seguir a um carro estava uma Goldwing e depois de outro estava uma Harley. Mas a que me chamou mais a tenção foi uma motinha sueca de uma senhora sozinha.

Eu tinha-a visto ao pequeno almoço, equipada de motard, mas não deduzi logo que estivesse a viajar sozinha, pois tinha um ar meio desconfortável, como quem não sabe bem onde ir ou espera por alguém. Mas ao vê-la lá fora a preparar-se para partir, tive de meter conversa.

Estava a viajar de Estocolmo até uma cidadezinha, algures a uns 700 quilómetros dali, que não consegui fixar o nome, de onde os seus pais eram oriundos. Todas as suas amigas tinham ficado meio aterrorizadas com a sua iniciativa e os familiares tentaram demove-la, mas ela partiu mesmo assim. Tinha de realizar o seu sonho antes que fosse tarde demais!

Com sessenta e tal anos de idade, aquela era a coisa mais arrojada que fazia na sua vida. Ninguém a podera acompanhar nunca na realização do seu sonho, por isso finalmente ela decidira ir sozinha!

Claro que lhe fui dizendo que, depois de ter saído de casa para ir para norte, o mais provável é que ficasse o vicio e viesse a vontade de ir para sul! Riu-se da minha observação, mas foi perguntando como era viajar pela Europa, se me sentia segura, se me respeitavam como mulher sozinha e se a moto dela aguentaria. Falou-me da Polónia e os seus olhos arregalaram-se quando eu disse que a Polónia era tão pertinho dali!

Sim, creio que se lhe estava a ficar o vicio!

E eram tantas as coisas que eu queria ver por aqueles lados que nem sabia direito em que direção ir! Rapei do mapa e fiz o meu plano:

As paisagens faziam qualquer caminho valer a pena, por isso, independentemente do ponto famoso que fosse ver, eu pararia por tudo e por nada apenas para me maravilhar.

De manhã, quando está bom tempo, as águas são tão quietas que parecem espelhos perfeitos!

Há uma serenidade nas paisagens de um país enorme com pouca população que me encanta!

Os lagos aparecem como pocinhas de água, por todos os lados, sem casas, nem localidades, resorts ou turistas! Havia momentos em que apenas existia eu!

E eu ia parando tantas vezes quantos os quilómetros que fazia!

Então cada vez que via um pequeno aglomerado de casas tinha sempre de registar o momento.

E ao longe, bem pequenininha, lá estava uma das pontes mais famosas do mundo!

“Quando cheguei à Atlantic Ocean Road, havia gente por ali em todo o tipo de transportes, mas havia silêncio também, como se o ambiente absorvesse todos os ruídos. Mesmo o mar estava quieto como um espelho de água. Então parei admirando a ponte que carateriza a famosa estrada e o momento encheu-se de beleza e serenidade. Não era de todo o que eu esperava depois de todas as imagens e filmagens que vira na net e o encanto foi inesperado e total…”

(in Passeando pela Vida – a pagina)

Tudo é muito mais pequeno por ali do que eu imaginava!

A gente anda para lá e, meia dúzia de quilómetros depois, chega à banalidade! Então volta para cá e está no mesmo sitio!

Então só resta apreciar tudo em redor, porque o que os nossos olhos alcançam é muito bonito!

As voltas que eu dei por ali, fotografando de cima da moto em todas as direções e fazendo alguns desenhos também…

É daqueles sítios onde, provavelmente, eu não voltarei, por isso tinha de regista-lo bem!

É claro que eu gostaria de ver aquilo com o mar revolto, mas ele estava bem calminho!

Havia perspetivas em que não parecia sequer um mar!

Embora andassem algumas motos por ali, e houvesse mesmo autocaravanas e autocarros, parece que o único interesse era olharem para a ponte torta, fazerem ali algumas fotos e seguirem caminho, e isso era ótimo pois deixavam tudo por minha conta para explorar!

Parei a moto onde e sempre que quis e andei em redor, sem perturbar ninguém… porque só havia eu por ali!

E finalmente dispus-me a partir para outro destino…

Mais um ferry, mais uma viagem, mais um recanto que eu não podia perder naquelas paragens!

(continua)

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