29. Escandinávia 2017 – de Bodø até Lyngen…

19 de agosto de 2017

Inicialmente a minha viagem “daria a volta” ali, eu iria explorar a zona de Lofoten e seguiria depois calmamente para Rovaniemi, na Finlândia, para descer o país sem pressas…

Mas então o meu moçoilo começou a questionar-me porque não ia até ao Cabo Norte estando ali tão perto! Não, eu não fazia questão de lá ir acima, nunca foi um sonho meu e o tão perto nem era tão perto assim, mas acabei por acrescentar 1.000 km ao meu caminho e ir até lá!

Essa decisão encurtou todo o meu tempo e Lofoten, que era uma das zonas da Noruega que sempre me atraíra e me fizera ir até ali, acabou por ficar de lado, na minha lista de desejos a realizar, pois naquele dia nem sequer seria possível fazer a travessia e, pelo menos, seguir para norte por lá…

Claro que me fui convencendo que aquele arquipélago não é coisa que se veja de passagem e que, de qualquer maneira, nem que houvesse ferry a funcionar, eu não teria tempo para explorar nem um pouco… e desenhei o meu percurso até Lyngen sem remorsos!

Deixei a minha casinha daquela noite sem ver os meus hospedeiros! Na noite anterior a chave esperava-me na caixa do correio e lá a deixei de novo antes de partir. Ao que me parecia, por ali ninguém tinha vontade de sair da cama!

Na verdade, eu acordei bastante cedo, mesmo tendo-me deitado tarde. É sempre assim, acho que só me custa levantar cedo em tempo de trabalhos!

E não havia sinais de vida em nenhum lado em redor!

Bodø estava tão solitária quanto o parque de campismo onde eu dormira, como se ninguém quisesse acordar naquele dia!

E a natureza em redor estava naquele ponto em que brisa alguma a perturba…

Percebi facilmente que demoraria uma eternidade a chegar ao meu destino naquele dia, as paisagens simplesmente não me deixavam seguir!

Cada quilómetro era um passo no paraíso que me obrigava a parar e a registar ou, pelo menos, fotografar um pouco mais a partir da minha moto em movimento.


Eu precisava de tanto tempo para parar em todo o lado e ficar!

As paisagens eram tão fascinantes quanto simples e relaxantes. Eu simplesmente parava e ficava a olhar em redor sentindo toda a paz que o ambiente emanava.

Os montes com neve estavam tão perto que parecia que as alcançaria sem subir muito!

Hipnotizante!

E via o mar de vez em quando! Eu só o distinguia pela imensidão e quando eu subia um pouco.


Eu teria de o atravessar em Skognes. Por ali não há outra alternativa para seguir para norte, ou passar no ferry ou dar uma volta enorme pela Suécia!

A paisagem ao longe era fascinante!

Havia mais motos a fazer a travessia, mas ninguém se aproximou de mim e, quando eu passava para ir ver a paisagem lá de cima, desviaram o olhar! Quando é assim eu também não falo para ninguém!

Honestamente as paisagens sempre me fascinam mais do que conversas sobre motos!

O ferry ia deslizando por entre as paisagens deslumbrantes, eu tinha quase vontade que a viagem nunca mais acabasse!

O mar parecia um lago. No ponto onde estávamos a atravessar todas as ilhas em redor faziam o mar se aquietar.

Lá de cima do nível superior do barco eu pude ver mais motos atrás dos carros. Havia um motociclista de cabelos brancos, com uma espécie de Can-Am, que tinha ar de um chefe índio.

Toda aquela gente de moto correria pelo ferry fora, assim que ele atracou, e seguiu em velocidade pela estrada fora, como se não houvesse toda aquela beleza para apreciar!

Quis acreditar que estavam familiarizados com a paisagem e por isso ela não era importante na sua viagem, ou seria uma perda enorme não prestar a menor atenção!

Porque tudo era tão lindo por ali!

Percorrer aquela estrada era como percorrer um postal ilustrado infinito e, só por isso, eu não me arrependia de ter continuado para norte!

Quantas vezes parei? Um milhão delas!

“Por vezes divaga-se sobre se a perfeição existe… claro que existe! Basta olhar para a Natureza, como ela se esculpe, se move e se aquieta, em momentos de pura beleza e isso é perfeição! E foi percorrendo momentos e enquadramentos de pura perfeição que eu viajei no verão passado…”

(in Passeando pela Vida – a Página)

Há momentos em que estar sozinha é a coisa melhor que me pode acontecer, porque o silencio é fundamental para que eu viva o que me rodeia em toda a plenitude.

Acho que nem o som da água se fazia sentir!

As pontes por ali são todas iguais e as novas, aparentemente, seguem a mesma estrutura! Pude ver uma em construção. São práticos os noruegueses, assim não têm preocupações com design, nem cálculos nem preços, é tudo mais ou menos a mesma coisa, sem sequer saem aberrações no meio da natureza!

Eu sei que as paisagens vistas daqui parecem todas semelhantes, mas não são e eu não consigo parar de as olhar e colocar mais uma foto e outra!

Então eu estava a chegar a Lyngen, para lá de um grande rasgo na terra, num ponto que chamam de Alpes nórdicos!

Tão bonitinhas as localidades por ali, embora não se relacionem os espaços como numa aldeia de cá.

As casas vão-se alinhando na berma da água, com pequenos ancoradouros de barquinhos miúdos.

A paisagem ao longo do enorme braço de água era linda e democrática: todas as casas a podiam ver, por serem alinhadas e não formarem mais estradas para alem da que eu estava a percorrer!

Quando cheguei ao meu destino havia uma réstia de sol sobre as montanhas, refletido nas nuvens, mas eu sabia que seria o ultimo que veria por algum tempo.

O mau tempo aproximava-se! A pousada de Juventude ficava bem na curva do imenso braço de mar e eu podia ver na minha frente toda aquela água, como se fosse um lago.

Estava bastante frio e eu pude perceber que o dia seguinte não seria fácil, com a chuva a aproximar-se e a temperatura a descer. Eu simplesmente não tirei o equipamento da moto enquanto precisei de vir cá fora!

Havia mais motociclistas instalados no hostel, conheci um casal que estava cheio de frio, mas não o veria mais, pois enfiaram-se no quarto para se aquecerem.

Naquela noite eu jantei bacalhau! Uma espécie de caldeirada de bacalhau em tomate, acompanhada de uma cerveja gelada. No menu pude ler a palavra “bacalao” com a tradução em inglês por baixo “stockfish”. Estava delicioso!

Amanhã, apesar do mau tempo e do frio eu subiria até ao cabo Norte!

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