9.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

– Finalmente a Islândia! –

8 de agosto de 2019

Oh, finalmente amanheceu um novo dia!

A cama não era de todo desconfortavel e eu tenho o habito de dormir bastante quando quero que o tempo passe. Afinal é a melhor forma de não me cansar de tudo e de todos e começar a socar as paredes!
E finalmente era dia 8 e estavamos a chegar a Seyðisfjörður. Não conseguia controlar muito bem a excitação. Eu já sabia que cada centimetro no meu telemovel eram longos minutos no mar, mas de qualquer maneira estava já tão perto!

E sim, ainda faltava um centimetro ou dois para desembarcar…

Tinha de subir ao convés para ver tudo o que pudesse da minha chegada à grande ilha!

Bem a tempo de ver toda a beleza daquele céu, cheio de nuvens inspiradoras.

Senti-me verdadeiramente privilegiada por poder testemunhar tão belo momento!

Ok, é nestes momentos que me dou conta do quanto sou apaixonada pelo mar….

E as perspetivas que fui tendo da Islândia não eram muito diferentes das Ilhas Faroé!

Mas de alguma forma percebia-se que tudo era maior e mais distante. E havia neve nas montanhas! Fantástico!

De alguma forma a paisagem era um pouco assustadora, tão desamparada. E o vento começava a soprar forte. Quão forte pode ser o vento na Islândia?

Estava na hora de ir reunir as minhas coisas para me pôr a andar rapidamente logo que pudesse. As pessoas pareciam muito descontraídas, acho que não se aperceberam que o clima por aqueles lados não é simpático e a metrologia prometia chuva, nevoeiro e vento forte. Tudo junto para alegrar o desembarque!

Eu sou muito prática, se está chuva, frio e vento, eu equipo-me, mesmo correndo o risco de parecer ridicula junto do povo de t-shirt e sapatilhas!

E abriram os porões! Bora lá para o drama de arrumar tudo na moto e desamarra-la. Desta vez alguém me ajudaria pela certa, sem que fosse preciso eu ir procurar ajuda, ou ninguém sairia dali, já que a minha moto estava atrás de várias, mas à frente para sair, isso é que é fixe!

O meu vizinho da AfricaTwin parecia outro, muito simpático e sorridente. Aparentemente aqueles dias no mar tinham-lhe amaciado o humor!

Descobri que não viajava sozinho e a sua pendura era muito simpática, estivemos a conversar um pouco e tudo. Talvez o seu mau-humor ao embarcar fosse porque estavam zangados e fizeram as pases entretanto!

O tempo estava exatamente a bosta que eu esperava quando pisamos terra, mas era tão revigorante voltar a conduzir que não me ralou nada. Claro que eu esperava que mais à frente estivesse um pouco de sol.

Não havia maneira daquela gente se despachar e andar? A principio pensei que estivessem à espera de poderem seguir, mas depois percebi que simplesmente não andavam porque eram lentos a decidir por onde ir! Alguns estavam agora a pôr os fatos de chuva! A sério? A vossa net não funcionou no barco? Provavelmente não, afinal tinha de ser paga e eles não o devem ter feito. Pindéricos!

Acabei por arrancar sozinha, não iria ficar à espera de quem não me pertencia nem decidia nada na minha vida. Eu tinha tanta curiosidade de percorrer aquele país…

Sai-se de Seyðisfjörður e começa-se imediatamente a subir a estrada serpenteante, um pequeno passo de montanha, com curvas bem acentuadas. Ninguém me seguia, nem motos nem carros. Comecei a ficar preocupada, será que me esqueci de fazer alguma coisa? Porque toda a gente demora tanto?

Acho sempre tão giro quando um país é numa ilha e há uma placa a indicar que estamos lá, como se a gente de repente pudesse estar noutro país qualquer!

Eu nunca faço questão de ter companhia, apenas achava estranho, não havendo mais nenhuma saida da cidade, niguém me seguir! Então finalmente vi uns pontinhos ao longe. Afinal aquela gente era apenas muuuuito demorada!

Ali fica a Gufufoss, uma cascata bem bonita que acaba por ser esquecida por quem chega, excitado por seguir viagem e procurar as cascatas mais famosas. mas eu tenho a mania de parar para ver o que ninguém quer ver!

Carros e motos chegavam finalmente junto da minha moto, e tal como eu suspeitava ninguém desceu para ver a cascata de perto.

Mesmo assim os sacanas não partiram sem mim, seguiram sempre atrás, cada vez mais atrás até os perder de vista outra vez.
Na realidade à medida que a gente subia o passo de montanha, a chuva era cada vez mais intensa, o nevoeiro mais cerrado e o vento mais forte. E quando falo de forte, falo de uma ventania totalmente desconhecida para mim, e eu já passei por muito vento nesta vida. Não se via nada, não se conseguia andar muito, apenas ir lutando e subindo.

Cheguei lá acima sozinha e ainda bem, pois a paisagem apanhou-me de surpresa e eu tive de parar.

Foi quando persebi como é um país onde as árvores são raras ou inexistentes!

O meu fascínio estava apenas a começar.

Todos os regos, riachos, rios e poças de água por ali têm nome. Nem sei como os distinguem já que com o degelo devem-se misturar todos, visto que ha tantos!

E a gente só vê ao passar por cima, porque não há declive ou montanha perto para fazer perceber que por ali passa um rio, por baixo de uma estrada plana e uma paisagem lisa!

Eu tinha de pôr gasolina, não há muitas estradas por ali, a bem dizer havia a estrada que eu estava a fazer e era tudo! Não tinha cruzado com nenhum povoado, não vira mais carros, não vira estações de serviço… será que iria ter gasolina com fartura ou iria andar a stressar por todo o país? Para já sabia que havia uma cidadezinha mais à frente, eu vira-a lá em baixo.

A cidadezinha não era mais que um lugarejo, (mais tarde eu perceberia que praticamente todas as cidadezinhas são na realidade lugarejos!) Não foi facil abastecer, a bomba estava em auto-serviço e não dava para abastecer escolhendo os litros e sim o dinheiro. Ora como raios iria eu saber quanto valia aquele dinheiro ou a quantos litros ele correspondia? Escolhi um valor que me pareceu apropriado e constatei que era baixo demais.

Acontece-me sempre isso, quando a moeda do país tem muitos zeros, eu penso sempre que é muito dinheiro, Na realidade 2000Kronur deram para apenas 8,73litros, o que vim a constatar, fazia com que o preço da gasolina por litro não passasse do 1.47€! Surpreendente, pois pensei que a gasolina por lá era mais cara!

Neste entretanto um grupo de mulheres americamas tomou de assalto a minha paz. Ficaram simplesmente fascinadas comigo e com a minha moto. Elas tinham metido conversa comigo na fila da casa de banho, e agora queriam saber tudo sobre mim e tirar fotos junto da moto. Não conseguiam acreditar que eu andava ali sozinha, e como eram todas pequenitas, olhavam para mim cheias de admiração pela minha dimensão e da moto. Fizeram-me comer bolinhos e tudo! Umas queridas!

Sa-se da terrinha e entráva-se de novo no vazio e apesar do vento forte, que ameaçava deitar-me a mim e à moto ao chão, eu não me conseguia impedir de parar e viver cada momento de pura solidão, depois da algazarra do mulherio em meu redor!

Aquele país não se parece com nada que eu vi até hoje! A terra apenas se rasga e passa água, em qualquer lugar, de uma forma deslumbrante por ser tão diferente!

Quando parava tinha de ter o cuidado de pousar a moto de forma que o vento lhe batesse pela direta, para que o descanso a segurasse e ela não tombasse com tanta pressão. A perspetiva de deixar caír a moto ali não era nada amimadora, não se via vivalma por quilómetros!

Então comecei a avistar Mývatn ao longe!

Era surrelal, no meio do frio gélido que se fazia sentir, ver funo sair do chão, Fumarolas enormes, a bem dizer! Eu iria explorar aquele recanto fumarento no dia seguinte, não agora, que me sentia gelada e não me parecia uma boa ideia ir para o meio do calor. Detesto contrastes de temperaturas.

De um lado fica o enorme lago frio, do outro as águas quentes! Isto é realmente a terra do gelo e do fogo! E nas bordas do lago a areia era negra. Como aquilo me fascinou!

A serenidade das fotos é fascinante, inguém imaginaria que o vento era tão forte que se tornava dificil caminhar para tirar algumas fotos!

E lá estava a Goðafoss, que quer diizer “Catarata dos Deuses”. Os nomes de tudo por ali estava a fascinar-me, até porque eu não conseguia pronunciar a maior parte deles!

As cataratas estão no rio Skjálfandafljót que nasce no glaciar Vatnajökull, não é fantástico tentar soletrar estes nomes?

Chovia, fazia um frio de morte e a humidade no ar era imensa. Andavam algumas pessoas por ali, mas eu sentia-me só no mundo!

Ainda fiz um desenho ou dois, mas as aguarelas não secavam e o próprio papel estava humido. Não bastava o dia chuvoso, o spray que toda aquela água emanava era imenso!

As pessoas andavam por ali cheias de capotes e sacos plásticos no pés. Eu usava o fato de chuva por cima de um monte de roupa e as minhas botas de caminhada na neve, impermeaveis, e estava precisar de chegar a casa, fosse ela o que fosse, para me aquecer!

Havia um pouco de neve no topo dos montes, nem sei como não havia mais, afinal estava um frio de morrer!

E lá estava Akureyri, onde eu iria montar a minha tenda pela primeira vez!

Otimo, estava a precisar imenso de me aquecer e de descarregar a moto. Detesto andar cheia de tralhas atrás de mim!

Os islandeses não gostam nada que os turistas acampem em qualquer lado. Na realidade há parques de campismo por todo o país, por isso nem há necessidade de dormir no meio de lado nenhum, sem direito a banho quente e eletricidade!

E eu também não gosto de dormir onde calha, por isso pesquisei em casa onde estavam os parques nos caminhos que queria fazer, para não andar por lá à procura.

E o parque estava quase todo por minha conta! Dividido em quarteirões relvados, com casa de banho perto, não me faltaria nada! Curiosamente, embora o parque fosse elevado em relação à cidade, era abrigado nem sei por o quê e o vento quase não se fazia sentir ali! Uf, que alivio!

Não acampei muitas vezes na vida, mas acampei as suficientes para perceber um bocado do assunto. Ali havia árvores e arbustos, um luxo depois de um caminho enorme de estradas carecas, por isso o vento não seria tão forte como eu vinha imaginando até lá chegar. Mesmo assim achei melhor chegar-me à sebe do lado que vinha o vento e montei a minha casa.

10 minutos e a tenda estava montada, mais 10 e estava tudo pronto lá dentro! É o que dá conhecer bem a nossa casa, saber como monta-la, e ter uma bomba eletrica para encher o colchão!

O parque era muito bonito, com um lago no meio e com vista para a cidade, lá em baixo. Ainda era cedo e o dia prometia ser longo, por isso não resisti a ir lá abaixo!

Queria apreciar como eram as escolas

saber como eram as casas

como eram as lojas

se havia hipermercados

e, claro, como eram as igrejas!

As igrejas por lá são muito interessantes, quer as antigas, e eu tinha duas ou três para ver, quer as modernas, como esta!

E o sol tinha chegado, finalmente, o que me inspirou bastante!

A cidade tem os seus murais curiosos e os seus recantos interessantes

A rua principal da cidade tem os seu encantos, mas o que eu queria mesmo era comer!

Oh, adorei os doendes gigantes, tive de ir vê-los de perto e mostra-los à minha motita!

estava na hora de voltar para minha casa, mesmo que o dia não parecesse ir terminar nunca!

O parque já não estava mais vazio, o meu quarteirão estava cheio de gente estacionada agora!

Ainda registei o momento para a posteridade. Que raio de horas eram que nunca mais era noite, afinal?

Eu durmo bem com luz, durmo bem em qualquer lugar, durmo bem com barulho também. Estiquei-me dentro da tenda e adormeci. Naquele dia o Raul Gomes iria ligar-me para falar comigo, em direto, para a Motard FM e eu a dormir como um passarinho.

O toque do telemóvel acordou-me e foi a conversa mais agradavel que eu podia esperar, depois de tantos dias sem estabelecer uma conversa de jeito, estava a fazer falta.

Passava da meia noite quando sai da tenda para arejar as ideias… e a noite ainda era dia! Não era o sol da meia noite, mas era um dia invulgarmente grande!

3 thoughts on “9.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

  1. Viagem top O vento forte também é um dos meus receios quando ando de Mota Este verão vou optar também pela tenda 😉

    Inviato da iPhone

    >

    • Eu gosto pouco do vento, mas com esta moto ele costuma sentir.se bem menos do que com a PanEuropean, que era mais fechada do que esta. Ali, no entanto, ele era infernal, e levava a minha moto para onde eu não queria que ela fosse. Era uma luta que chegava a ser perigosa. Foram os ventos mais fortes e dificeis de vivi até hoje!

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