32. Escandinávia 2017 – Até Rovaniemi, o dia em que eu caí!

21 de agosto de 2017

(continuação)

De repente eu não queria ir embora!

Eu sabia que a Finlândia era muito menos interessante do que a Noruega e queria ficar mais um pouco!

Mas o meu tempo não é infinito e eu tinha de começar a descer no mapa…

Voltei a percorrer o caminho que me levara ao Cabo Norte, mas com mais lentidão ainda, tentando absorver todas as persptivas possíveis da paisagem.

Toda a serenidade envolvente era ainda mais fascinante do que na subida, apenas porque eu estava a ir embora…

E as Renas eram ainda mais, deviam ter acordado no entretanto e saído para o pequeno almoço!

Vou sempre associar o Cabo Norte e a ilha de Magerøya a toda a serenidade que senti naquele dia

As gaivotas pereciam bolinhas brancas nas encostas das escarpas

E não havia ninguém no mundo para além de mim e da minha moto

Pessoas vivem ali, longe de tudo e de todos, e nem as localidades são feitas de proximidade, como se cada casa se isolasse das outras e cada um cuidasse de si

Os momentos de beleza foram inesquecíveis e ficariam para sempre gravados na minha memória

Quanto tempo fiquei por ali, apenas olhando em redor…

As Renas chegavam-se tão perto que eu quase as conseguia tocar

Como é possível ter-se saudades de um sitio que se acaba de conhecer?

Como é possível já se sentir essas saudades quando ainda se está a sair do local?

Eu sofrera tanto a fazer aqueles caminhos no dia anterior, e agora estava ali, toda enternecida e cheia de pena de ir embora!

Adeus Noruega!

E à medida que me afastava na direção da Finlândia o tempo ia melhorando!

O céu ía ficando mais azul, mas a paisagem ía perdendo o encanto. Eu já sabia que iria ser assim…

Fez-me lembrar quando atravessei os países da ex-União Soviética, quando ia a caminho da Rússia, estrada sem paisagem!

E lá estava a placa a anunciar a entrada no pais, cheia de autocolantes como qualquer sitio onde passam muitos motards!

Eu tinha decidido visitar a Noruega primeiro e só depois ir para a Finlândia precisamente por causa desse “deserto” esperado.

Uma coisa que a vida me ensinou foi a visitar primeiro o que eu tenho mais ânsia de ver e só depois o resto. No caso de algo acontecer, o que eu já vi ninguém me pode mais tirar!

Mas a monotonia seria quebrada em breve!

“Registos de viagem – 9
Entra-se na Finlândia e a estrada não tem fim de monótona, então começam as obras! Quilómetros de estrada sem pavimento, onde são acrescentadas novas camadas de saibro e cascalho para voltar a alcatroar. 20 km disto! E quando já estava a habituar-me ao piso aventura e me aproximo por fim dos trabalhadores, uma máquina começa a trabalhar e um bando de Renas desata a correr para a estrada! Eles assustaram-se com o barulho, eu assustei-me com eles… ser atropelada por Renas estava fora dos meus planos! Correu tudo bem, nem eu nem a Negrita nos magoamos.”

(In Passeando pela vida – a Página)

A sensação de ver uma série de grandes bichos a correr na minha direção foi assustadora, eu não sabia se se desviariam de mim ou saltariam por cima. Acho que algumas saltaram mesmo!

Um dos trabalhadores veio na minha direção, certificar-se de que eu estava bem e ajudar-me a levantar a moto. Eu sei que a moto no chão não parece tão grande quanto ela é e o tipo, que era bem grande, não parecia ter força para me ajudar a levanta-la! Ele simplesmente estava escandalizado por eu andar ali sozinha com uma moto tão pesada e não havia maneira de fazer a força suficiente para a levantar.

Puxe homem, dizia eu, com mais força!

E ele perguntava pelos meus amigos, de onde eu vinha, de onde era e só fazia o barulho de quem puxa, mas a força era nenhuma! Quando finalmente levantamos a moto, quem estava exausta era eu, pois era a única que se esforçara realmente. Enfim! Lá ficaram eles a comentar entre eles e a ver-me ir embora, cheios de espanto…

Eu nunca tinha caído, ou sequer deixado a moto cair, numa viagem, aquela foi a primeira vez que tal me aconteceu! Eu, que stresso quando cruzo com vacas, porque sempre que os bichos são maiores do que eu e a minha moto, me sinto vulnerável, não esperava ser derrubada por renas.

E nada de novo se passou até Rovaniemi, para além da monotonia esperada…

Nunca tive particular desejo de visitar a terra do Pai Natal, mas já que ficava no meu caminho iria lá dormir uma noite. Lá estavam os chalés iluminados à minha passagem, iria lá passar no dia seguinte para dar uma olhada.

O meu hostel era bonitinho e tinha um excelente bar no ré-do-chão. Era tudo o que eu precisava depois de um dia de viagem como aquele.

De alguma forma sentia-me meio triste por estar a regressar com tanta coisa espantosa que deixei por ver, lá para trás…

… mas amanhã eu iria seguir para o sul, onde tudo voltava a ser interessante

 

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