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7 de Agosto de 2012 – continuação
O dia continuava lindo e era tão cedo ainda! Toca a seguir por ali fora, pois iria voltar a subir as montanhas do outro lado!
Lá ao fundo, depois de Martigny, os montes são famosos!
A estrada começa a encaracolar sobre si própria
E sobe-se, rodopia-se e volta-se a subir
Até aos 2473 metros de altitude!
Cheguei ao topo e nem parei no Hospice du Grand St. Bernard, passei o lago, passei a fronteira italiana e segui! Estava a saber-me tão bem a estrada!
Mas acordei para o mundo ao olhar a estrada que me esperava do lado italiano, “que me lembre não há de comer aqui perto para este lado e eu estou cheia de fome!”
Dei meia volta e voltei para trás, tinha de comer primeiro e eu vira uma festa com comida junto da fronteira!
Foi a decisão mais acertada que podia ter tomado! Juntei-me à festa, fiz amizade com um lindo e simpático São Bernardo e tudo!
O cãozinho era um fofinho!
O São Bernardo é uma raça muito antiga que vem desde os Romanos e que os monges do Hospice protegeram e conservaram desde o sec XVII.
O cão tomou o nome do Hospice onde foi treinado para defender o local mas também para salvar pessoas perdidas ou soterradas nas neves. Faziam estes resgates em grupos de 3 ou 4 cães, que aqueciam as vítimas com os seus corpos enquanto um deles ia buscar ajuda humana.
O verdadeiro cão tem o pelo curto (como este), existe uma variação provocada pelo cruzamento com o Terra Nova, com o pelo longo que torna o cão inútil para andar na neve, já que a neve cola ao pelo e o torna demasiado pesado para qualquer missão!
Hoje o cão mais usado nos resgates nos Alpes é o Pastor Alemão, por ser mais pequeno e leve e ter um faro equivalente.
E lá tirei as primeiras fotos ao Hospice do outro lado do lago!
Um grupo muito simpático de italianos e suíços estavam na mais alegre festa, a festa da amizade! Vestidos em trajes de época, dançavam e riam e brincavam com as pessoas! Uma animação!
Havia uma espécie de balcão onde se servia comida. Aproximei-me “Isto é a festa da amizade? E posso ser vossa amiga?” perguntei “claro!” respondeu um dos senhores “então posso comer convosco? Quanto custa?” , “custa quanto quiser dar” respondeu ele.
A comida cheirava divinalmente!
Havia um garrafão em cima do balcão onde tínhamos de por o dinheiro pelo gargalo!
Andava toda a gente atrás de dinheiro para por no garrafão! Lá pus uns 6 ou 7 francos e siga com o tabuleiro recheado!
Aquilo era mesmo bom! O acompanhamento era uma massa tipo polenta que combinava super-bem com a carne estufada!
O vinho era ótimo e à discrição! Estava em grandes garrafas de 1,5l espalhadas por todas as mesas! Ao tempo que eu não bebia vinho! Que bem que me soube!
Eu estava preocupada porque a festa era mesmo à beirinha da fronteira e os polícias viram-me sentar e comer e beber… para depois pegar na moto e seguir o meu caminho! Estava a pensar que eles podiam-me mandar parar e não deixar seguir, quando se juntaram a mim, na minha mesa!
Juntaram-se na minha mesa também os bailarinos, todos bem vestidos e animados!
Fartamo-nos de falar, soube que vinham de Aosta, ali perto em Itália, onde eu queria ir. Foram horas de paleio, risota, comida e bebida, até que tive de me ir embora! Despedi-me com uma fotografia da mesa!
E outra do lago, embora eu soubesse que lá voltaria a passar no regresso de Aosta.
E segui pelo Passo que a partir dali se chama Passo del Grand San Bernardo, pois estamos em Itália
Com o famoso Vale de Aosta a aparecer mais à frente
O calor tornava-se infernal lá em baixo o que tornava a paisagem glaciar mais surrealista!
E cheguei a Aosta meio derretida e com a blusa colada às costas. Iria dar uma volta pela cidade mas estava decidida a pôr-me a andar dali antes que caísse para o lado com o calor!
(continua)
Olá Gracinda!
Está fantástico este dia . Fantástica a tua crónica.
Continuação de boa escrita!
Beijinho
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