27 – Passeando até à Suiça 2012 – Laufenburg, o Lago dos Quatro Cantões e as termas de Vals

15 de Agosto de 2012

Tirei o dia para não fazer nada de especial, para além de conduzir!

Há sempre dias destes nas minhas viagens: tiro um dia para não conduzir, ou um dia para ficar em casa, ou um dia só para conduzir! Enfim, tiro os dias que me apetecem para fazer o que me apetece e acabo sempre por ver coisas giras, mesmo saindo de casa para não ver nada de especial! 😀

Depois não ver nada é difícil por aquelas bandas pois, mesmo sem se querer, “o que ver” está por todo o lado! Então fiz um desenho louco, de vai e volta no meu mapa!

Primeiro fui numa direção qualquer e atravessei uma terrinha fofinha, com uma porta de entrada em torre, Sempach. Fica na margem do lago Sempachersee onde fica também Sursee que não fui visitar embora saiba que é uma terra interessante!

Esta é uma terra histórica na Confederação Suíça, pois ali se travou uma grande batalha contra os austríacos, lá atrás no séc. XIV, quando a confederação se expandia!

Tem também uma porta em torre para sair!

Segui o meu caminho sem destino, embora tivesse um nome em mente: Laufenburg.

Eu sabia que passaria ali perto dali a dias, mas apeteceu-me ir visitar com calma naquele momento!

Laufenburg era uma terra que eu não conhecia, como há muitas pela Suíça, e que irei cata-las um dia ou outro. E o que me despertou o interesse foi o facto de haver uma homónima na Alemanha e logo ao lado uma da outra!

Deixei a mota na Alemanha e fui procurar onde a cidade deixava de ser alemã e começava a ser suíça!

A entrada faz-se por baixo da própria Rathaus!

E ao chegar-se ao fim da rua aparece o rio Reno e a Suíça e Laufenburg, na outra margem!

Na realidade as duas Laufenburg foram a mesma cidade desde o séc. XIII até 1800, quando Napoleão as dividiu. Hoje ainda, as pessoas sentem-se e vivem como se da mesma cidade e do mesmo país se tratasse!

A ponte velha foi desativada para o trânsito dado que se tornara insuficiente. É uma ponte muito bonita, medieval com esculturas a meio!

E do outro lado do rio, outra Rathaus!

Ruínhas muito bonitas com pormenores deliciosos!

E ninguém diria que passamos de uma cidade para outra e de um país para outro e que voltamos atrás, sem nem a língua mudar!

Na realidade andamos entre Laufenburg pertencente a Baden-Württemberg e Laufenburg pertencente ao Cantão de Aargau!

Decidi voltar para o centro da Suíça passando por Brugg, ainda no cantão de Aargau, onde passa o rio Aar a caminho do Reno!

Brugg é uma cidadezinha muito interessante que fica na confluência de 3 rios: O Reuss, o Aar e o Limmat!

Com ruínhas curiosas de passeios elevados onde as esplanadas têm mais graça!

Comi uma belíssima refeição numa esplanada, com direito a sombra e musica ambiente mesmo a calhar!

De onde estava instalada avistavam-se pormenores curiosos!

E voltei a pegar na moto para dar mais umas voltinhas de condução relaxante, passando pelo lago de Zug.

A Suíça é um país cheio de lagos, alguns deles deslumbrantes, outros mais vulgares, mas todos com os seus encantos particulares e histórias mais ou menos felizes. O lago de Zug é considerado o lago menos limpo do país, devido às zonas de cultivo que vão afetando os rios que o alimentam. É no entanto também um assunto em permanente estudo e cuidado, acreditando-se que a sua situação será revertida a médio prazo, já que as questões ambientais sempre foram de primeira importância para o país. O lago não deixa no entanto de ser muito bonito, com a cidade de Zug a dar-lhe o nome e enriquecer-lhe a paisagem!

E o Zugersee tem recantos encantadores em que ninguém diz que aquelas aguas não são tão limpas assim! Na realidade é preciso ter-se uma ideia do que quer dizer “o menos limpo” para os suíços pois, na realidade, têm padrões de limpeza de aguas mesmo muito elevados!

Mas o lago que eu queria visitar era o Lago dos Quatro Cantões, logo ali a seguir!

Lucerne fica na berma de um dos lagos mais extraordinários da Suíça, o Lago dos Quatro Cantões. O seu nome deve-se ao encontro dos quatro cantões fundadores da Suíça: Uri, Scwyz, Unterwalden (que hoje é divido em dois: Ibwald e Nidwald, o que faz que o lago seja hoje, afinal dos 5 cantões!) e Lucerna. A grande beleza do lago deve-se às montanhas que o rodeiam e o tornam um lago em fiord! A verdade é que as paisagens nos surpreendem a cada quilómetro percorrido e a gente pára aqui, encosta ali, tira dúzias de fotos e nunca se sente satisfeita, pois a vontade é traze-lo todo para casa! Deslumbrante e apaixonante…

E ele é lindo… e eu fotografei-o até à exaustão!

E mesmo assim sei que deixei muito para fotografar das próximas vezes que lá passar!

Bendita moto que permite parar em qualquer recantozito da estrada e disparar mais uma ou duas fotos onde ninguém poderia parar!

E cheguei a Altdorf, a capital do cantão de Uri, famosa pela lenda de Guilherme Tell e a sua estátua está bem no centro da praça.

Reza a lenda que Guilherme era conhecido pela sua habilidade no manejo da besta.

“Na época, os imperadores da casa de Habsburgo lutavam pelos domínios de Uri e, para testar a lealdade do povo aos imperadores, Herman Gessler, um governador austríaco tirano, pendurou num poste um chapéu com as cores da Áustria, numa praça de Altdorf. Todos os que por lá passassem teriam de fazer uma vénia como prova do seu respeito. O chapéu era guardado por soldados que se certificariam que as ordens do governador eram cumpridas.

Um dia, Guilherme e seu filho passaram pela praça e não saudaram o chapéu. Foram imediatamente presos e levados à presença do governador que, reconhecendo-o, o fez, como castigo, disparar a besta a uma maçã pousada na cabeça do seu filho. Tell tentou demover Gessler, sem sucesso; o governador ameaçava ainda matar ambos, caso não o fizesse.

Tell foi assim trazido para a praça de Altdorf, escoltado por Gessler e os seus soldados. Era o dia 18 de Novembro de 1307 e a população amontoava-se na expectativa de assistir ao desfecho do castigo. O filho de Guilherme foi atado a uma árvore, e a maçã foi colocada na sua cabeça. Contaram-se 50 passos. Tell carregou a besta, fez pontaria calmamente e disparou. A seta atravessou a maçã sem tocar no rapaz, o que fez a população aplaudir e admirar os dotes do corajoso arqueiro.

Ao observar que Guilherme trazia uma segunda seta, Gessler perguntou por que ele a trazia. Tell hesitou. Gessler, apressando a resposta, assegurou-lhe que se dissesse a verdade, a sua vida seria poupada. Guilherme respondeu: “Seria para atravessar o seu coração, caso a primeira seta matasse o meu filho”.”

Guilherme Tell ficou para sempre associado à libertação da Suíça das mãos do império Habsburgo da Austria.

E depois? Era cedo para ir para casa, por isso fui passear para os montes!

Passei no Rundweg Schöllenen, o percurso do Gotthard Pass através do canyon Schöllenen, que é lindíssimo, com paredes íngremes e caminhos rudimentares e sinuosos construídos pelas populações do vale do Urseren, um caminho para eu me dispor a explorar um dia.

É impressionante a facilidade com que a gente perde a noção da dimensão das coisas por ali!

Ao aparecer o comboio é mais fácil entender a dimensão do rochedo, não?

E decidi ir até Vals, não era no meu caminho mas apeteceu-me!

São mais umas estradas de montanha, algumas em terra batida, que estavam a cuidar delas antes que o inverno chegasse e depois de muita ruela em sucessão de SS, lá apareceu a vilazinha! Como dizem por lá: “Vals é a última aldeia no vale, depois é só montanha e céu!”

Depois de tais caminhos nem parece provável encontrar uma vila tão interessante e movimentada! Mas, a principal razão para eu lá ir é a mesma que leva ali tanta gente: As Termas de Vals!

Uma obra do arquiteto Suiço Peter Zumthor, considerado um dos mais importantes arquitetos do mundo! A obra, é um espetáculo! Uma pena que não a tenha podido fotografar por dentro, pois sei que é belíssima!

Na realidade no início de 1980 a comunidade de Vals comprou um hotel falido composto por três edifícios, da década de 1960, e contactou Peter Zumthor para projetar umas novas termas. Se no princípio isso até abalou a estrutura financeira da comunidade, rapidamente o edifício se tornou um sucesso na Suíça e apenas dois anos após a sua abertura, tornou-se um edifício protegido.

Hoje podem-se encontrar fotografias dele em qualquer tipo de revista no país, o nome do arquiteto é bem conhecido para o cidadão comum de Grisões e a vila de Vals está orgulhosamente no mapa, não só da Suíça mas também do mundo!

É curioso a forma como o edifício se integra na paisagem, sem a ferir ou perturbar sequer!

Por baixo do fino relvado a vida pulsa…

quase sem darmos por nada…

Uma pena não poder entrar para fotografar. Teria de ir fazer eu mesma um spa, mas nem assim poderia fotografar, pois o ambiente é quente e húmido lá dentro, nada próprio para uma máquina fotográfica…

E estava na hora de voltar para casa, por mais montes e curvas e uma deliciosa dança do ventre até Lucerne!

Passando de novo um pouco pelo Gottharpass

Embora não o tenha feito totalmente o que o põe na minha agenda para uma futura passagem, pois é um dos Pass do meu coração!

E o pôr-do-sol quase chegava primeiro do que eu a casa!

Fim do décimo sétimo dia de viagem…

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10 thoughts on “27 – Passeando até à Suiça 2012 – Laufenburg, o Lago dos Quatro Cantões e as termas de Vals

  1. Adorei imenso , obrigado pelo seu contributo.
    É que estou para ir trabalhar no cantão de aargau (Baden), tenho pena mas não conheço o local.
    Procuro informações via net mas são poucas.

    14 de outubro. de 2012 às 19:25

    PS: se alguém souber de mais informações sobre Baden agradecia que me enviasse um mail…..obrigado

  2. Obrigada eu!
    Voltei a passar por aquelas bandas mais à frente, mas informação sobre como viver e trabalhar lá é mais delicado do que passear! Ha sites que falam do assunto, não sei se os conheces! mas acho não deverá haver nada especificamente relacionado com essa zona!

  3. Pronto…. já tou quase decidido a fazer só Suiça…. Depois destes relatos, tou parvo como é que um país tão pikinino tem tanta paisagem linda, tanta estrada boa, tanto de tudo e tão arranjadinho…. pena ser tanto caro…. 😦

    • Pois vale a pena juntar uns trocos e passar lá uns belos dias de estrada e paisagem sim!
      Não é barato mas também não leva ninguém à falência, a menos que durmas em hotéis caros e comas em bons restaurantes!
      Já vi gente ir para destinos bem mais económicos e gastar muito mais dinheiro em menos tempo do que eu gastei!
      Beijucas

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