19 – Passeando até à Escócia – Ainda o Yorkshire!

17 de Agosto de 2011 – continuação

A cor púrpura acompanhou-me enquanto eu me aproximava da Baia de Robin Hood. Segundo a lenda Robin Hood tinha ali escondidos os seus barcos para fugir em caso de aperto!

Felizmente ali havia espaço para pousar a minha motita! Depois toca a caminhar e descobrir o lugar.

Ao fundo podia ver-se a praia… uma praia no mínimo original se a compararmos com as nossas praias com areais extensos! Ali tudo é pedra!

Comecei a descer a rua íngreme, onde apenas os carros dos habitante podiam passar e mesmo assim poucos!

A aldeia já foi o refúgio de contrabandistas e dizem que muitas casas têm ainda esconderijos nas paredes e no soalho!

As ruínhas são estreitas e curiosas, nem de bicicleta se pode andar por ali, pois alem do seu declive, muitas delas têm escadas mais à frente ou mais atrás!

Lá em baixo a praia rochosa é fascinante! Pode-se passear por ali, com o devido cuidado e atenção à maré!

Andei por ali uma infinidade de tempo, por quelhos cheios de história e de beleza bem antiga!

Mas acabei por ter de seguir! Fui para Scarborough, apetecia-me continuar a passear pela costa do Mar do Norte!

Foi meio complicado subir a encosta desde o nível do mar, pois as ruínhas eram tão estreitas que me pareciam de um sentido apenas, e como tinham o “SLOW” ao contrário parecia que só davam para descer!

Finalmente lá percebi que podia subir sim! Lá em cima fica o castelo, mas acabei por não o visitar, havia fila e a paisagem fascinou-me mais!

Achei tanta piada ao estacionamento na berma do cemitério em que os carro se seguiam às tumbas!

Depois, continuei junto ao mar, para norte, e encontrei a Whitby Abbey.

O Reino Unido tem a história mais antiga de presença cristã ocidental, como religião formada! E é lá que se encontram as construções religiosas mais extraordinárias também!

Encontra-se ainda a maior quantidade de grandes catedrais em ruínas… as mudanças religiosas e a extinção dos mosteiros foram os grandes responsáveis por esta realidade.

Henrique VIII lixou aquilo tudo!

Havia muita gente para visitar a catedral e o estacionamento era longe e pago… vi-a apenas cá de fora.

Embora seja considerada uma das mais icónicas construções góticas da Inglaterra, nada me convenceu a pagar bilhete e caminhar para caramba até ela… sorry!

“São tantas as abadias em ruínas naquele país que eu vou deliciar-me mais à frente sem caminhar tanto…” pensei eu!

Logo à frente fica o porto de Whitby, que foi tema de pintura para Constable (um grande pintor inglês romântico).

Um dos portos mais pitorescos de Inglaterra, na foz do rio Esk.

O habitante mais famoso da cidade foi o Capitão James Cook!

Achei curioso que o porto estivesse cheio de pessoas, famílias inteiras, que olhavam para a agua.

Miúdos deitados no chão, sentados na berma, agitavam fios para a água. Pessoas adultas tinham comportamentos semelhantes. Percebia-se que pescavam… o quê?

Caranguejos! Recolhiam-nos em baldes com agua, em quantidades monumentais em alguns casos!

O porto é muito giro, claro que me passei por ali horas!

Dizem que são 199 passos até à Igreja de Santa Maria, uma das melhores igrejas anglo-saxãs do país!

É famosa por ter inspirado Bram Stoker para escrever o famoso romance Drácula.

Lá está ela lá em cima

A minha desilusão foi quando percebi que, embora estivesse junto a um porto de pesca, o fish and ships era a mesma bosta de sempre! Lá estava o mesmo cheiro nojento de fritos… subitamente fiquei sem fome alguma…

limitei-me à contemplação do local, meio enjoada e com o estômago às voltas…

e fui para Richmond, na berma do Yorkshire Dales National Park, a ver se encontrava comida decente…

O céu já tinha dado uma volta sobre si e lá estava tudo negro em cima da cidade

Já não havia ninguém nas ruas, eram 6.00 horas da tarde, hora de jantar!!!!

As portas lindas fazem-me parar por vezes só para ver, só para fotografar!

O que vale é que está tudo fechado mas a cidade vai estando “aberta” e assim ando por todo o lado à vontade!

A torre do castelo que, evidentemente estava fechado!

As pessoas a ir buscar comida de carro… enquanto estive ali foram uma infinidade delas! Buscar pacotes de peixe frito e batatas fritas, claro…

E sentei-me numa esplanada, sozinha, e comi um franguinho que estava delicioso. Acho que única escolha por lá é peixe frito ou frango… eu comi sempre frango.

Não sabem o que é um toalhete, nem sequer sabem o que é limpar a mesa antes de pousar o prato…

Lá me fiz ao caminho de novo. Parecia que ia anoitecer a qualquer momento, mas não era verdade, ainda era cedo, só anoiteceria lá para as 8.35 h, disse-me o meu Patrick.

O rio Swale e o castelo lá em cima.

Finalmente o sol começava a querer desaparecer e eu a sair debaixo da nuvem negra…

Havia sempre uma ponta de céu azul por trás de todas as nuvens cinzentas que se cruzaram comigo!

Passei por Ripon, com a sua catedral espantosa, fechada.

Depois vi uma placa e fui atrás…

Havia ali uma abadia algures! Fechada, claro, mas nunca se sabe se se pode ver de fora! Vale a pena tentar, com aquelas ruínhas tão fofinhas e tanto sol a ajudar, porque não?

E lá estava ela ao fundo! The Fountains Abbey & Studley Royal.

Aquilo é Património Mundial e descobri que merecia uma visita… pelo que investiguei, são as mais extensas e espantosas ruínas românicas do pais… tenho de lá voltar!

Se fosse em Espanha, aquilo fechava às 8.00 horas da noite e quem estivesse dentro poderia demorar ainda um bom bocado a acabar a visita!

Agora sim, estava a anoitecer!

E fui para casa, que naquele dia era em Leeds

Fim do 12º dia de viagem…

18 – Passeando até à Escócia – Passeando pelo Yorkshire

17 de Agosto de 2011

Tinha planeado uma volta completamente diferente para aquele dia, muito diferente da que me apeteceu dar!

No fim do dia não sabia se estaria muito contente com a decisão ou muito desiludida, mas parti… A vantagem de se viajar sozinha é esta mesmo, na hora posso fazer tudo diferente do planeado e pronto! Eu tinha estudado várias “coisas” no Yorkshire mas lá, com toda a informação que fui recolhendo em panfletos e brochuras, deixei-me levar pela intuição. Eu sei que ficaram coisas para ver, coisas que toda a gente diz que são incontornáveis, mas as que descobri eram lindas também!

Comecei o dia passeando um pouco pela cidade. Leeds pertence já ao condado de West Yorkshire, não era a cidade que mais queria ver mas, já que ali estava…
E afinal tem os seus encantos!

Leeds Civic Hall na Millennium Square, achei muita piada ao relógio “esticado” para fora

Fica ali de lado do edifício, todo dourado, muito bonito!

O Town Hall, a câmara municipal da cidade, um edifício do sec XIX.

Ali ao lado uma escultura de Henry Moore, junto a the Leeds City Art Gallery. É sempre uma emoção tocar numa obra deste escultor…

E segui para York, uma das mais antigas cidade de Inglaterra, foi fundada pelos romanos e capital do império durante alguns anos!

A porta da cidade tem a sua piada! Uns passam por dentro outros por fora!

A cidade é um mimo! Toda ela encantadora, cheia de casinhas medievais que parecem casinhas de brincar!

Cada recanto é cheio de encanto! Ao lado desta lojinha, mercearia, há uma porta…

Uma porta for a do comum! Quase passa por porta de casa, mas é, na realidade, uma porta para um pátio/jardim! Claro que entrei para ir ver!

Merchant Adventurers hall, um museu que foi um dos edifícios mais importantes da cidade medieval!

Trata-se de construções do sec XIII !

A cidade é cheia de ruínhas estreitas e encantadoras, onde o turista se mistura com o cidadão comum!

Os quilómetros que eu caminhei por aquelas ruínhas, sem conseguir ir embora, nem parar de tirar fotografias!

As lojinhas parecem tiradas dos filmes!

Algumas bem tortinhas, mas a funcionar sem qualquer problema!

E lá fui visitar a cathedral! A maior catedral gótica do norte da Europa!

Pertinho fica a estátua de Constantino o Grande, no local onde ele foi proclamado Imperador de Roma no ano 306 dc, diz a inscrição: “Próximo a esse local Constantino o Grande foi proclamado Imperador Romano em 306. O seu reconhecimento das liberdades civis de seus súbditos cristãos e sua conversão à fé estabeleceu as bases da religião da cristã ocidental”

Em frente, do outro lado da praça está uma coluna romana encontrada em escavações

E continuei a passear por aquelas ruínhas pitorescas e deliciosas, cheias de pormenores curiosos! Aquilo é mesmo uma pessoa! Um homem estátua lilás!

Até o tempo ajudou a cidade a mostrar-se mais apaixonante aos meus olhos! Estava sol e o céu azul!!

Adorei a cidade, quis lá ficar o dia todo! E foi então que me apeteceu partir noutra direcção que não a inicialmente planeada! Lera algo sobre o North York Moors National Park e foi para lá que segui!

Passei por um castelo muito bem sinalizado na estrada e, quando os encontrei… alem de estar em propriedade privada, tinha apenas dói muros periclitantes de pé! Era o Castle Howard.

Depois uns viajantes italianos fizeram-me companhia por alguns quilómetros até chegarmos ao Moors.

Aí eu não quis saber mais de companhias, aquilo era tão bonito que fui passear lá para o meio!

As pessoas abandonavam os carros e iam caminha pelos caminhos no meio do infinito púrpura, eu lá fui furando mais a Magnifica por onde podia!

Estes “Moors” são a maior extensão de Urze do país! Eu nunca tal tinha visto por isso, para mim, foi a maior extensão de urze, de cheirinho bom, de cor linda e intensa e de boas ruínhas cheias de “sobes-e-desces”, de paraíso!

Lá no meio, depois de uma descida bem acentuada, encontrei a North Yorkshire Moors Railway Station, uma estação que é um regresso ao passado, com os seus comboios a vapor!

A estação foi aberta em 1836, depois foi desactivada em 1965, pois tornara-se obsoleta. Foi reaberta em 1973 e tornou-se na grande atracção turística da zona! Apanhando-se o comboio pode-se passear por vilazinha e aldeias da regiam, como se se recuassem uns anos na história!

A redondeza é muito bonita e a zona estava cheia de gente que esperava para ver os comboios fumegantes

Depois ainda fiz mais uma infinidade de caminho pelos Moors, alias tudo o que visitei por ali ficava ao lado, ou acima, ou à esquerda e tinha aquela cor como paisagem!

Apanhei um pequeno raminho de urze que viajou comigo até casa… manteve a cor até hoje e o perfume também…

(continua)