17 de Agosto de 2011 – continuação
A cor púrpura acompanhou-me enquanto eu me aproximava da Baia de Robin Hood. Segundo a lenda Robin Hood tinha ali escondidos os seus barcos para fugir em caso de aperto!
Felizmente ali havia espaço para pousar a minha motita! Depois toca a caminhar e descobrir o lugar.
Ao fundo podia ver-se a praia… uma praia no mínimo original se a compararmos com as nossas praias com areais extensos! Ali tudo é pedra!
Comecei a descer a rua íngreme, onde apenas os carros dos habitante podiam passar e mesmo assim poucos!
A aldeia já foi o refúgio de contrabandistas e dizem que muitas casas têm ainda esconderijos nas paredes e no soalho!
As ruínhas são estreitas e curiosas, nem de bicicleta se pode andar por ali, pois alem do seu declive, muitas delas têm escadas mais à frente ou mais atrás!
Lá em baixo a praia rochosa é fascinante! Pode-se passear por ali, com o devido cuidado e atenção à maré!
Andei por ali uma infinidade de tempo, por quelhos cheios de história e de beleza bem antiga!
Mas acabei por ter de seguir! Fui para Scarborough, apetecia-me continuar a passear pela costa do Mar do Norte!
Foi meio complicado subir a encosta desde o nível do mar, pois as ruínhas eram tão estreitas que me pareciam de um sentido apenas, e como tinham o “SLOW” ao contrário parecia que só davam para descer!
Finalmente lá percebi que podia subir sim! Lá em cima fica o castelo, mas acabei por não o visitar, havia fila e a paisagem fascinou-me mais!
Achei tanta piada ao estacionamento na berma do cemitério em que os carro se seguiam às tumbas!
Depois, continuei junto ao mar, para norte, e encontrei a Whitby Abbey.
O Reino Unido tem a história mais antiga de presença cristã ocidental, como religião formada! E é lá que se encontram as construções religiosas mais extraordinárias também!
Encontra-se ainda a maior quantidade de grandes catedrais em ruínas… as mudanças religiosas e a extinção dos mosteiros foram os grandes responsáveis por esta realidade.
Henrique VIII lixou aquilo tudo!
Havia muita gente para visitar a catedral e o estacionamento era longe e pago… vi-a apenas cá de fora.
Embora seja considerada uma das mais icónicas construções góticas da Inglaterra, nada me convenceu a pagar bilhete e caminhar para caramba até ela… sorry!
“São tantas as abadias em ruínas naquele país que eu vou deliciar-me mais à frente sem caminhar tanto…” pensei eu!
Logo à frente fica o porto de Whitby, que foi tema de pintura para Constable (um grande pintor inglês romântico).
Um dos portos mais pitorescos de Inglaterra, na foz do rio Esk.
O habitante mais famoso da cidade foi o Capitão James Cook!
Achei curioso que o porto estivesse cheio de pessoas, famílias inteiras, que olhavam para a agua.
Miúdos deitados no chão, sentados na berma, agitavam fios para a água. Pessoas adultas tinham comportamentos semelhantes. Percebia-se que pescavam… o quê?
Caranguejos! Recolhiam-nos em baldes com agua, em quantidades monumentais em alguns casos!
O porto é muito giro, claro que me passei por ali horas!
Dizem que são 199 passos até à Igreja de Santa Maria, uma das melhores igrejas anglo-saxãs do país!
É famosa por ter inspirado Bram Stoker para escrever o famoso romance Drácula.
Lá está ela lá em cima
A minha desilusão foi quando percebi que, embora estivesse junto a um porto de pesca, o fish and ships era a mesma bosta de sempre! Lá estava o mesmo cheiro nojento de fritos… subitamente fiquei sem fome alguma…
limitei-me à contemplação do local, meio enjoada e com o estômago às voltas…
e fui para Richmond, na berma do Yorkshire Dales National Park, a ver se encontrava comida decente…
O céu já tinha dado uma volta sobre si e lá estava tudo negro em cima da cidade
Já não havia ninguém nas ruas, eram 6.00 horas da tarde, hora de jantar!!!!
As portas lindas fazem-me parar por vezes só para ver, só para fotografar!
O que vale é que está tudo fechado mas a cidade vai estando “aberta” e assim ando por todo o lado à vontade!
A torre do castelo que, evidentemente estava fechado!
As pessoas a ir buscar comida de carro… enquanto estive ali foram uma infinidade delas! Buscar pacotes de peixe frito e batatas fritas, claro…
E sentei-me numa esplanada, sozinha, e comi um franguinho que estava delicioso. Acho que única escolha por lá é peixe frito ou frango… eu comi sempre frango.
Não sabem o que é um toalhete, nem sequer sabem o que é limpar a mesa antes de pousar o prato…
Lá me fiz ao caminho de novo. Parecia que ia anoitecer a qualquer momento, mas não era verdade, ainda era cedo, só anoiteceria lá para as 8.35 h, disse-me o meu Patrick.
O rio Swale e o castelo lá em cima.
Finalmente o sol começava a querer desaparecer e eu a sair debaixo da nuvem negra…
Havia sempre uma ponta de céu azul por trás de todas as nuvens cinzentas que se cruzaram comigo!
Passei por Ripon, com a sua catedral espantosa, fechada.
Depois vi uma placa e fui atrás…
Havia ali uma abadia algures! Fechada, claro, mas nunca se sabe se se pode ver de fora! Vale a pena tentar, com aquelas ruínhas tão fofinhas e tanto sol a ajudar, porque não?
E lá estava ela ao fundo! The Fountains Abbey & Studley Royal.
Aquilo é Património Mundial e descobri que merecia uma visita… pelo que investiguei, são as mais extensas e espantosas ruínas românicas do pais… tenho de lá voltar!
Se fosse em Espanha, aquilo fechava às 8.00 horas da noite e quem estivesse dentro poderia demorar ainda um bom bocado a acabar a visita!
Agora sim, estava a anoitecer!
E fui para casa, que naquele dia era em Leeds
Fim do 12º dia de viagem…




