19 – Passeando até à Escócia – Ainda o Yorkshire!

17 de Agosto de 2011 – continuação

A cor púrpura acompanhou-me enquanto eu me aproximava da Baia de Robin Hood. Segundo a lenda Robin Hood tinha ali escondidos os seus barcos para fugir em caso de aperto!

Felizmente ali havia espaço para pousar a minha motita! Depois toca a caminhar e descobrir o lugar.

Ao fundo podia ver-se a praia… uma praia no mínimo original se a compararmos com as nossas praias com areais extensos! Ali tudo é pedra!

Comecei a descer a rua íngreme, onde apenas os carros dos habitante podiam passar e mesmo assim poucos!

A aldeia já foi o refúgio de contrabandistas e dizem que muitas casas têm ainda esconderijos nas paredes e no soalho!

As ruínhas são estreitas e curiosas, nem de bicicleta se pode andar por ali, pois alem do seu declive, muitas delas têm escadas mais à frente ou mais atrás!

Lá em baixo a praia rochosa é fascinante! Pode-se passear por ali, com o devido cuidado e atenção à maré!

Andei por ali uma infinidade de tempo, por quelhos cheios de história e de beleza bem antiga!

Mas acabei por ter de seguir! Fui para Scarborough, apetecia-me continuar a passear pela costa do Mar do Norte!

Foi meio complicado subir a encosta desde o nível do mar, pois as ruínhas eram tão estreitas que me pareciam de um sentido apenas, e como tinham o “SLOW” ao contrário parecia que só davam para descer!

Finalmente lá percebi que podia subir sim! Lá em cima fica o castelo, mas acabei por não o visitar, havia fila e a paisagem fascinou-me mais!

Achei tanta piada ao estacionamento na berma do cemitério em que os carro se seguiam às tumbas!

Depois, continuei junto ao mar, para norte, e encontrei a Whitby Abbey.

O Reino Unido tem a história mais antiga de presença cristã ocidental, como religião formada! E é lá que se encontram as construções religiosas mais extraordinárias também!

Encontra-se ainda a maior quantidade de grandes catedrais em ruínas… as mudanças religiosas e a extinção dos mosteiros foram os grandes responsáveis por esta realidade.

Henrique VIII lixou aquilo tudo!

Havia muita gente para visitar a catedral e o estacionamento era longe e pago… vi-a apenas cá de fora.

Embora seja considerada uma das mais icónicas construções góticas da Inglaterra, nada me convenceu a pagar bilhete e caminhar para caramba até ela… sorry!

“São tantas as abadias em ruínas naquele país que eu vou deliciar-me mais à frente sem caminhar tanto…” pensei eu!

Logo à frente fica o porto de Whitby, que foi tema de pintura para Constable (um grande pintor inglês romântico).

Um dos portos mais pitorescos de Inglaterra, na foz do rio Esk.

O habitante mais famoso da cidade foi o Capitão James Cook!

Achei curioso que o porto estivesse cheio de pessoas, famílias inteiras, que olhavam para a agua.

Miúdos deitados no chão, sentados na berma, agitavam fios para a água. Pessoas adultas tinham comportamentos semelhantes. Percebia-se que pescavam… o quê?

Caranguejos! Recolhiam-nos em baldes com agua, em quantidades monumentais em alguns casos!

O porto é muito giro, claro que me passei por ali horas!

Dizem que são 199 passos até à Igreja de Santa Maria, uma das melhores igrejas anglo-saxãs do país!

É famosa por ter inspirado Bram Stoker para escrever o famoso romance Drácula.

Lá está ela lá em cima

A minha desilusão foi quando percebi que, embora estivesse junto a um porto de pesca, o fish and ships era a mesma bosta de sempre! Lá estava o mesmo cheiro nojento de fritos… subitamente fiquei sem fome alguma…

limitei-me à contemplação do local, meio enjoada e com o estômago às voltas…

e fui para Richmond, na berma do Yorkshire Dales National Park, a ver se encontrava comida decente…

O céu já tinha dado uma volta sobre si e lá estava tudo negro em cima da cidade

Já não havia ninguém nas ruas, eram 6.00 horas da tarde, hora de jantar!!!!

As portas lindas fazem-me parar por vezes só para ver, só para fotografar!

O que vale é que está tudo fechado mas a cidade vai estando “aberta” e assim ando por todo o lado à vontade!

A torre do castelo que, evidentemente estava fechado!

As pessoas a ir buscar comida de carro… enquanto estive ali foram uma infinidade delas! Buscar pacotes de peixe frito e batatas fritas, claro…

E sentei-me numa esplanada, sozinha, e comi um franguinho que estava delicioso. Acho que única escolha por lá é peixe frito ou frango… eu comi sempre frango.

Não sabem o que é um toalhete, nem sequer sabem o que é limpar a mesa antes de pousar o prato…

Lá me fiz ao caminho de novo. Parecia que ia anoitecer a qualquer momento, mas não era verdade, ainda era cedo, só anoiteceria lá para as 8.35 h, disse-me o meu Patrick.

O rio Swale e o castelo lá em cima.

Finalmente o sol começava a querer desaparecer e eu a sair debaixo da nuvem negra…

Havia sempre uma ponta de céu azul por trás de todas as nuvens cinzentas que se cruzaram comigo!

Passei por Ripon, com a sua catedral espantosa, fechada.

Depois vi uma placa e fui atrás…

Havia ali uma abadia algures! Fechada, claro, mas nunca se sabe se se pode ver de fora! Vale a pena tentar, com aquelas ruínhas tão fofinhas e tanto sol a ajudar, porque não?

E lá estava ela ao fundo! The Fountains Abbey & Studley Royal.

Aquilo é Património Mundial e descobri que merecia uma visita… pelo que investiguei, são as mais extensas e espantosas ruínas românicas do pais… tenho de lá voltar!

Se fosse em Espanha, aquilo fechava às 8.00 horas da noite e quem estivesse dentro poderia demorar ainda um bom bocado a acabar a visita!

Agora sim, estava a anoitecer!

E fui para casa, que naquele dia era em Leeds

Fim do 12º dia de viagem…

18 – Passeando até à Escócia – Passeando pelo Yorkshire

17 de Agosto de 2011

Tinha planeado uma volta completamente diferente para aquele dia, muito diferente da que me apeteceu dar!

No fim do dia não sabia se estaria muito contente com a decisão ou muito desiludida, mas parti… A vantagem de se viajar sozinha é esta mesmo, na hora posso fazer tudo diferente do planeado e pronto! Eu tinha estudado várias “coisas” no Yorkshire mas lá, com toda a informação que fui recolhendo em panfletos e brochuras, deixei-me levar pela intuição. Eu sei que ficaram coisas para ver, coisas que toda a gente diz que são incontornáveis, mas as que descobri eram lindas também!

Comecei o dia passeando um pouco pela cidade. Leeds pertence já ao condado de West Yorkshire, não era a cidade que mais queria ver mas, já que ali estava…
E afinal tem os seus encantos!

Leeds Civic Hall na Millennium Square, achei muita piada ao relógio “esticado” para fora

Fica ali de lado do edifício, todo dourado, muito bonito!

O Town Hall, a câmara municipal da cidade, um edifício do sec XIX.

Ali ao lado uma escultura de Henry Moore, junto a the Leeds City Art Gallery. É sempre uma emoção tocar numa obra deste escultor…

E segui para York, uma das mais antigas cidade de Inglaterra, foi fundada pelos romanos e capital do império durante alguns anos!

A porta da cidade tem a sua piada! Uns passam por dentro outros por fora!

A cidade é um mimo! Toda ela encantadora, cheia de casinhas medievais que parecem casinhas de brincar!

Cada recanto é cheio de encanto! Ao lado desta lojinha, mercearia, há uma porta…

Uma porta for a do comum! Quase passa por porta de casa, mas é, na realidade, uma porta para um pátio/jardim! Claro que entrei para ir ver!

Merchant Adventurers hall, um museu que foi um dos edifícios mais importantes da cidade medieval!

Trata-se de construções do sec XIII !

A cidade é cheia de ruínhas estreitas e encantadoras, onde o turista se mistura com o cidadão comum!

Os quilómetros que eu caminhei por aquelas ruínhas, sem conseguir ir embora, nem parar de tirar fotografias!

As lojinhas parecem tiradas dos filmes!

Algumas bem tortinhas, mas a funcionar sem qualquer problema!

E lá fui visitar a cathedral! A maior catedral gótica do norte da Europa!

Pertinho fica a estátua de Constantino o Grande, no local onde ele foi proclamado Imperador de Roma no ano 306 dc, diz a inscrição: “Próximo a esse local Constantino o Grande foi proclamado Imperador Romano em 306. O seu reconhecimento das liberdades civis de seus súbditos cristãos e sua conversão à fé estabeleceu as bases da religião da cristã ocidental”

Em frente, do outro lado da praça está uma coluna romana encontrada em escavações

E continuei a passear por aquelas ruínhas pitorescas e deliciosas, cheias de pormenores curiosos! Aquilo é mesmo uma pessoa! Um homem estátua lilás!

Até o tempo ajudou a cidade a mostrar-se mais apaixonante aos meus olhos! Estava sol e o céu azul!!

Adorei a cidade, quis lá ficar o dia todo! E foi então que me apeteceu partir noutra direcção que não a inicialmente planeada! Lera algo sobre o North York Moors National Park e foi para lá que segui!

Passei por um castelo muito bem sinalizado na estrada e, quando os encontrei… alem de estar em propriedade privada, tinha apenas dói muros periclitantes de pé! Era o Castle Howard.

Depois uns viajantes italianos fizeram-me companhia por alguns quilómetros até chegarmos ao Moors.

Aí eu não quis saber mais de companhias, aquilo era tão bonito que fui passear lá para o meio!

As pessoas abandonavam os carros e iam caminha pelos caminhos no meio do infinito púrpura, eu lá fui furando mais a Magnifica por onde podia!

Estes “Moors” são a maior extensão de Urze do país! Eu nunca tal tinha visto por isso, para mim, foi a maior extensão de urze, de cheirinho bom, de cor linda e intensa e de boas ruínhas cheias de “sobes-e-desces”, de paraíso!

Lá no meio, depois de uma descida bem acentuada, encontrei a North Yorkshire Moors Railway Station, uma estação que é um regresso ao passado, com os seus comboios a vapor!

A estação foi aberta em 1836, depois foi desactivada em 1965, pois tornara-se obsoleta. Foi reaberta em 1973 e tornou-se na grande atracção turística da zona! Apanhando-se o comboio pode-se passear por vilazinha e aldeias da regiam, como se se recuassem uns anos na história!

A redondeza é muito bonita e a zona estava cheia de gente que esperava para ver os comboios fumegantes

Depois ainda fiz mais uma infinidade de caminho pelos Moors, alias tudo o que visitei por ali ficava ao lado, ou acima, ou à esquerda e tinha aquela cor como paisagem!

Apanhei um pequeno raminho de urze que viajou comigo até casa… manteve a cor até hoje e o perfume também…

(continua)

17 – Passeando até à Escócia – De Worcester até Leeds!

16 de Agosto de 2011 – Continuação

Em Worcester voltei a perder-me na exploração dos recantos e encantos da catedral do sec XII, linda, com um nome gigantesco: Catedral da Igreja de Cristo e a Bendita Virgen Maria de Worcester.

Considerada uma das mais bonitas catedrais de Inglaterra, comporta os túmulos reais de King John e Prince Arthur e tem vitrais vitorianos únicos.

A catedral foi poupada de ser destruida por Henrique VIII, durante reforma Inglesa, por ter dentro a capela de seu irmão: O memorial ao príncipe Arthur, em homenagem a Arthur Tudor

E uns tectos remarcáveis!

Os espelhos são frequentes em igrejas e catedrais em Espanha, para mais fácil contemplação dos tectos, mas já os vi em Itália também e agora em Inglaterra. É sempre curiosa esta perspectiva do tecto!

A cripta, por baixo do altar-mor, é anterior ao edifício principal, sec X, já que a história da catedral começa muito antes do actual edifício, no sec VII.

Ainda são visíveis vestígios dos edifícios anteriores

Então segui para Stratford-upon-Avon. Esta cidade com um nome tão curioso é a cidade natal de William Shakespeare!

Depois de umas quantas voltas meio desesperantes, à procura de um sitio para pousar a minha Magnífica, lá consegui entrar na rua tipo praça principal, onde se situa a casa onde o homem nasceu.

Somos recebidos pela estátua de um bobo com a famosa frase do poeta/dramaturgo: “the fool doth think he is wise but the wise man knows himself to be a fool”

Logo a seguir está a casa do homem

Com a respectiva fila de pessoas à espera para fazerem de palhaços na frente da casa para a foto! E levantavam a mão e apontavam para a casa ou para a placa, ridículos mas felizes!

Depois do jardim fica a casinha das recordações

Em frente fica a loja “The Nutcracker Christmas Shop” onde podem comprar enfeites de Natal todo o ano!

A cidade tem casinhas muito giras e um ambiente cheio de vida e turistas

A biblioteca pública é uma delicia que apetece visitar!

Comi, numa esplanada em frente da casa do poeta, o scone mais seco e sensaborão que se possa imaginar! O que vale é que trazia varias porcarias para por dentro! Alem disso o café era de meio litro, porque eu pedi “curto”, senão seria de litro…

Paguei uma fortuna pelo lanchinho, mas desfrutei bem do local!

Fui seguindo por ruínhas ladeadas de casas muito bonitas e antigas, à medida que saia da cidade para continuar o meu caminho subindo o país…

Para mim, é mais importante encontrar estas casinhas anónimas, parar, fotografa-las, aprecia-las, do que seguir directa para a cidade seguinte…

As casas Tudor enchem-me os olhos, desde as mais simples às mais elaboradas!

Cheguei a Warwick, infelizmente tarde demais para visitar o Lord Leycester Hospital…

O Lord Leycester Hospital não é nem nunca foi um hospital! A palavra “hospital” é usada com o seu sentido mais antigo que se referia a uma instituição de caridade que alojava e cuidava pessoas necessitadas, enfermas ou idosas.

O Hospital é um grupo histórico de construções em madeira que datam sobretudo do final do século XIV agrupadas em torno do Portal Românico com a Chantry Chapel do século XII por cima.

No reinado da rainha Elizabeth I tornou-se um lugar de repouso para antigos guerreiros e suas esposas. Permanece até hoje como uma instituição de caridade independente fornecendo um lar para ex-militares e suas esposas.

Os senhores que estavam na porta e na recepção comunicaram-me que já estava fechada às visitas, mas foram muito simpáticos e convidaram-me a visitar o jardim!

Escondido atrás dos edifícios antigos fica o Master’s Garden, um pequeno jardim encantador!

Como eu gostava de ter visitado aquelas casas por dentro…

O castelo também estava fechado… fiquei triste, ainda andei ali pelo rio a passear um pouco.

Mas acabei por seguir para Leeds, onde fiquei hospedada numa cidade universitária muito simpática, composta por diversos edifícios, tipo condomínio fechado para estudantes! Com direito a porteiro, recepção e portão automático!

A minha Magnífica ficou mesmo ao lado da porta do meu edifício.

Tinha sido recebida em Leeds com uma chuveirada monumental e agora estava sol… Uma pena, era de dia e já não se podia visitar mais nada!

Fim do 11º dia!

16 – Passeando até à Escócia – De Bristol até Hereford!

16 de Agosto de 2011

Comecei o dia dando uma volta pela cidade. O céu estava mais uma vez cinzento… às vezes questionava-me se aquele país não terá um índice elevado de depressões! Havia momentos em que eu me sentia meio apática, como se fosse eternamente fim do dia, mesmo quando era ainda de manhã!

Viver naquele cinzento todo, com uma bosta de comida e as bebidas alcoólicas meio racionadas… acho que acabava por deprimir!

Sentei-me ali na escadaria da igreja de St Mary Redcliffe a comer mais uma vez pão com coisas… fartei-me de comer porcarias por lá!

Esta igreja gótica tem 8 séculos e é espantosa! Imponente mas não é a catedral de Bristol, essa fica mais abaixo um bocado. Foi considerada pela Rainha Isabel como a mais bela igreja paroquial de Inglaterra!

Já vi catedrais menos impressionantes que esta igreja!

A própria catedral de Bristol não é muito mais bonita!

Fui andando pela cidade e cruzando com alguns macacos giros! Eu já tinha visto vacas pintadas, uma iniciativa que chegou cá a Portugal também, também já tinha visto galos de Barcelos gigantes pintados, nas ruas de Barcelos, desta vez vi gorilas!

E lá encontrei a catedral, que tem um nome quase tão grande como ela: The Cathedral Church of the Holy and Undivided Trinity! Ou seja Catedral Igreja da Sagrada e Indizível trindade! Achei particular piada ao “indizível”! Um construção de origem Românica hoje predominantemente Gótica, como acontece com praticamente todas as catedrais que visitei naquele país!

A Abbey Gatehouse, já foi o portal da catedral

O College Green, um grande jardim semi-circular, onde ficam uma série de edifícios públicos. Aqui é a Council House.

A catedral ao fundo do College Green

Depois sobre-se a Park Street e lá em cima fica a universidade de Bristol com a sua torre the Wills Memorial Building! Uma construção do sec XIX que é um memorial a um grande benfeitor da universidade e que é considerada uma das ultimas construções de Neo-Gótico da Inglaterra!

E segui caminho para as Midleands. Uma placa na berma da estrada fez-me seguir Gloucester, a placa dizia que havia lá uma catedral património!

Valeu a pena ir vê-la! Um belo exemplar com uma história de mais 10 séculos!

Dentro tem uma grande carpete circular com o desenho de um labirinto ao estilo do que a catedral de Chartres, em França, tem incrustado no chão.

Pelo que me apercebi a “tradição” dos labirintos no chão das catedrais não chegou a Inglaterra, só os conheço em França mesmo!

Os tectos da catedral são espantosos, é uma coisa que ninguém pode esquecer numa catedral, apreciar detalhadamente o seu tecto!

Esta catedral tem ainda, no seu interior, outras curiosidades, como alguns túmulos importantes e históricos. O túmulo do rei Eduardo II do sec XIV, um rei fútil e fraco mas com direito a um túmulo lindíssimo!

Do outro lado está outro túmulo de outro homem controverso, o filho de Guilherme o Conquistador: Robert Curthose – Duque da Normandia – o Cruzado que devia ter sido rei. Mas não foi porque não o quiseram e porque não era bom governante! Rei foi o seu mano mais novo Henry Beauclerc.

Os claustros são lindíssimos! Aqueles tectos põem a gente de nariz no ar ao dar a volta toda!

A falta que fez ali um céu azul e uns raiozinhos de sol!

O antigo portal do recinto da catedral, hoje incrustado nas casas, St Mary’s Gate, é do sec XIII

O tempo que eu me demorei por ali a passear!

E as portas, continuam a fascinar-me!

Lá tive de me obrigar a seguir caminho, ou ficaria ali o dia todo!

Voltei a apanhar as estradinhas mais pitorescas, rolando suavemente por entre campos e quintas, apreciando o que de mais genuíno pudesse encontrar!

Logo à frente cheguei a Hereford e voltei a parar, só um pouco!

Já estava no País de Gales! Hereford tem uma catedral muito interessante… mas limitei-me a passear um pouco junto ao rio! The Wye Bridge, uma ponte do século XV sobre o rio Wye, já teve a sua dose de destruição e reconstrução!

Não me apeteceu ir até à catedral… eu sei que é linda, cheia de história e tal… mas não fui!

Segui para Worcester e lá havia mais uma catedral para ver, lindíssima!

Anda não fiz a conta às catedrais que visitei… mas foi uma filinha delas! Fiquei a saber que são 43 as catedrais Inglesas, por isso só me resta fazer a lista das que me faltam ver e voltar lá!

(continua)

15 – Passeando até à Escócia – Passeando pela campanha inglesa até Bristol!

15 de Agosto de 2011

Tinha grandes planos para este dia mas o azar não quis que eu concretizasse o que planeara fazer!

Desde que comprara o meu Patrick que constatara que ela trazia o endereço da Garmin Europa gravado, isso despertou-me a curiosidade porque mesmo quando tentava apaga-lo ele aparecia de uma forma residual, se assim se pode dizer, mais tarde, a cada actualização!

Constatei também que a Garmin ficava no caminho que pretendia fazer! Então decidi lá passar.

Fica na zona industrial da cidade de Marchwood, que acabei por nem ver com as voltas que o GPS me fez dar!

Encontrei numa vitrina um troféu do Trans Portugal de 2011

O meu Patrick espantou olhos por lá, nunca tinham visto um GPS tão gasto! Mas como está fora da garantia o que me ofereciam era menos vantajoso que arranja-lo cá, por isso despedi-me e pus-me a andar. E foi então que a coisa começou a correr meio torto pela primeira vez!
Queria seguir para Exeter, a umas cento e poucas milhas dali, quando o GPS começou a recalcular… recalcular… recalcular…

O ecrã mantinha-se branco, apenas o velocímetro e o mp3 iam trabalhando. E eu ia seguindo sem ligar muito ao caminho, pois o GPS iria dizer-me a qualquer momento vire aqui ou vira ali!

Mas ele nunca o disse!

Parei, desliguei-o, abri-o, tirei a bateria… e nada! “queres ver que este estúpido avariou?” a minha preocupação não era o caminho, se há coisa que não perco de vista é o mapa do caminho! O meu problema eram as dormidas que ele tinha memorizado!

Ainda hesitei em voltar para trás, com tanto quilómetro percorrido nunca tal lhe acontecera, provavelmente iria começar a trabalhar a qualquer momento… mas acabei por voltar para trás. Tarefa complicada quando se fizeram uns 7 ou 8km sem olhar direito para o caminho! Mas pude comprovar que o meu sentido de orientação é bem mais infalível do que poderia imaginar! Fui lá ter direitinha!

Espanto geral! O dito tinha-se desconfigurado sem que ninguém conseguisse explicar como aquilo acontecera! Fizeram-lhe um reset, voltaram a configura-lo e lá voltamos à estrada, com um atraso monstruoso… percebi logo que não conseguiria ir até onde queria… a Cornualha iria ficar para trás…

Com um tempo daqueles fiquei triste… mas não valia a pena correr, por isso lá fui seguindo para Exeter, apreciando calmamente o céu magnifico e a paisagem.

Já que não dava para ir tão longe quanto eu queria fui seguindo por ruínhas e ruelas pois aí é que se encontra o país profundo!

Ao chegar a Exeter começou a chover! O tempo é tão incerto naquele país! Almocei junto à catedral que tinha uma torre em obras.

A catedral é espantosa, dedicada a São Pedro, mais uma catedral que tem o seu estilo inicial românico e o aspecto final gótico.

A chuva não afastou as pessoas das esplanadas, As pessoas apenas se juntavam mais e pronto!

E eu fiz o mesmo! Eu estava melhor que eles, até tinha o blusão vestido!

Havia inclusivamente casais de namorados sentados no relvado debaixo das árvores que se deixaram lá ficar!

A chuva aparece a todo o momento, mas eu não queria vestir o fato de chuva, por isso dei uma voltita a ver se passava.

Acabei por seguir para Brixham, uma cidadezinha costeira a que chamam de Riviera Inglesa, com céu cinzento, mas sem chuva!

Meti-me pelos quelhos mais a minha Magnifica. Os velhotes, surpreendidos perguntavam-me onde eu queria ir, “quero ver o que a vossa terra tem!” respondi eu, “ah, então vá por aí a cima que, não vai dar a lado nenhum, mas é bonito ver cá para baixo!” Tão queridos!

E eu lá fui subindo e tirando fotos

A catedral fica lá no “2º andar”, estava fechada.

Achei que a cidade fazia mais lembrar Cudilero, no norte de Espanha, onde estivera um mês antes, do que a Riviera!

Lá de cima realmente a paisagem era inspiradora!

Só faltava um céuzinho azul ali…

Do outro lado do porto a vista não era menos bonita!

Ali em cima voltaram a perguntar-me se eu viera de moto desde a Polónia… “não, mas vim de Portugal!”…

As ruínhas estreitas são, frequentemente de 2 sentidos, o que stressa qualquer português habituado a espaço ou sentido único! Enquanto as palavras pintadas no chão são legíveis a coisa vai!

O pior é quando a coisa aparece de pernas para o ar! Ficava a olhar, “a rua é tão estreita, será que vou ao contrário? Será que é só de um sentido?”

A primeira ver que vi “MO7S” escrito no chão, assim num repente, não entendi o que queria dizer! “MOTS” pensei eu, “será que se refere a motos? Mas não é assim que eles escrevem motos!”

Logo a seguir, um carro dirigiu-se a mim, bem de frente e tirou-me qualquer duvida “m**da que vou ao contrário!”

A partir daí quando via “SLOW” ao contrário punha-me a medir a largura da rua, a ver se era mesmo de 2 sentidos!

Então meti-me pelo Dartmoor National Park, “já que não vou até à pontinha da ilha, vou-lhe ver as entranhas!”

As quintas são lindas e estão por todo o lado

Uma coisa que me fascinou naquele país foram as igrejas e catedrais com os cemitérios em volta! Não acho minimamente tenebroso, acho simplesmente lindo, um ambiente calmo e cheio de serenidade!

As ruinhas continuava a ser de 2 sentidos… embora só coubéssemos eu e a minha Magnifica nelas!

Um pormenor muito curioso nos jardins das casas e nos campos de cultivo é que os muros, naquela zona, são feitos de terra relvada! Tanto os baixinhos e rapadinhos…

Como os altos e cheios de plantas!

É espantoso passear por ali!

E cheguei a Bristol, literalmente, pelo meio dos campos! Foi um caminho lindo de fazer, só tive pena de não ter tido mais tempo…

Fim do 10º dia de viagem…