7. Passeando pelos Balcãs… – Sisteron, La Spézia

3 de agosto de 2013

Naquele dia… tirei o dia para andar de moto!

Eu tinha dias destes nos meus planos, em que o que eu queria ver a seguir seria longe, por isso estava preparada para passear, para curtir a paisagem e as curvas da estrada de montanha, mas também para correr um pouco!

São estes dias, e tive alguns nesta viagem, que desentorpecem os meus sentidos e os da motita, depois de voltinhas a baixa velocidade por aqui e por ali.

Mesmo assim faço tudo sem stress, não há-de ser porque o meu destino é mais distante que eu desatarei a correr sem olhar para os lados. Cada dia é percorrido como se fosse o único da viagem, com todo o interesse e prazer de condução e passeio, parando sempre que me apetecer, para ver, fotografar, desenhar ou comer. Se se fizer tarde e chegar ao meu destino durante a noite, tanto pior, o meu Patrick GPS que faça o seu trabalho e me leve à porta de “casa” e se não o souber fazer… logo se verá!

Por isso ainda me dei ao luxo de andar para cima e para baixo no mapa e de tirar algumas fotos de montanha, quando o prazer foi em altitude e curvas alucinantes!

Para mim passear pela montanha, neste caso pelos Alpes, é, só por si, um delicioso encanto! Não precisa de ter nada mais para eu ser feliz!

À luz da manhã é que pude ver direito onde dormira, rodeada por montanhas extraordinárias!

E descobri também que ficava na “Route du Temps”, um nome bem sugestivo para um percurso perto do céu e a tocar o paraíso!

E mais à frente já se via o imenso vale onde se situa o penhasco de Sisteron.

Sisteron, entre a rota da grande produção de fruta e a rota da lavanda!

A cidadezinha não é tão encantadora como eu pensava! Quando a vemos de longe, com o penhasco encimado pela cidadela, temos a sensação de que é toda construída em pedra, com ruelas estreitas e onde os carros não podem entrar… e em parte é!

Mas tem também estradas cheias de carros e movimento e confusão, e as casas são cinzentas e o chão alcatroado ou de cimento!

Não me apeteceu subir até à cidadela, estava muito calor e tinha de subir ainda muito…

A perspetiva da cidade era muito interessante lá de cima. Sisteron, uma cidade cheia de história antiga que se estende desde os romanos, testemunhando todos os grandes momentos históricos do país, por se situar em ponto tão estratégico e de passagem obrigatória para tantos destinos!

Preferi passear-me pelo mercado de rua e deixar explorações mais profundas para uma visita posterior!

Eu queria ir a Castellane e à Gorge de Verdon, mas aquilo estava impossível de povo irrequieto por todo o lado! Tive de me obrigar a deixar para outra vez, quando eu programar passar ali a noite e visitar a garganta de manhã, porque naquele momento era impossível! Por isso amuei e segui até Rougon.

Subi até à aldeiazinha e, ao menos lá, não havia ninguém para além dos locais! Foi um alívio e uma pausa na paz!

Com os montes “rachados” como paisagem, os mesmos que se abrem para Verdon!

Eu tenho mesmo de ir explorar aquilo direito, pois se o rio Verdon é deslumbrante no seu percurso mais banal, nas gargantas deverá ser realmente extraordinário, com as águas turquesa e os penhascos a pique em seu redor!

E seguindo percursos de água logo a seguir fica o Lac de Castillon, provocado por uma barragem e cheio de beleza, com as suas águas turquesa com barquinhos a passear em cima!

E tinha de tratar de atravessar os Alpes para descer para Itália.

Estava numa zona cheia de passos de montanha interessantes, lá fui andando de curva em curva pelo Col d’Allos até aos 2.250m de altitude.

Há momentos em que a gente olha para o caminho percorrido e ele parece que está por todo o lado!

Entrei em Itália por uma das minhas fronteiras preferidas!

Pertinho de Barcelonnette, onde a seguir ao lago muito bonito fica a estrada extraordinária com este aspeto!

Depois vem mais montanha, estamos em Argetera.

E começa a confusão dos vilarejos e aldeolas, sem muito o que ver mas com muito transito e camiões à mistura!

É este ponto um dos únicos nas minhas viagens em que eu gosto de apanhar a autoestrada, pois é uma alucinação! Sempre que vou por aqueles lados passo ali da estrada nacional aborrecida para a autoestrada mais louca que se pode desejar! As velocidades variam entre os 80km, nos troços mais lentos e sinuosos, para os 130km/h nos mais rápidos e a gente parece que anda num carrocel, ladeado de paredes, repleto de curvas e com os carros a competir connosco! Adrenalina pura!

E cheguei a La Spézia, onde ficava a minha casa naqueles dias!

E foi o fim do 5º dia de viagem!

20 – Passeando até à Suiça 2012 – Lago di Resia e alguns Passos!

11 de Agosto de 2012 – continuação

Por ali pela zona não faltam restaurantes, hotéis e cafés desejando as boas-vindas aos motards e por vezes também aos ciclistas. São estradas muito frequentadas pelo povo das duas rodas e há gente que vem de toda a Europa para aquelas paragens para curtir as estradas de montanha!

E realmente eles andam por todos os lados!

E viajam em todo o tipo de motos! Encontrei muita gente a viajar de moto 4!

Mais à frente fica o Lago di Resia, onde eu já andei há 2 anos, vinda do Grossglockner.

Na altura não me apeteceu ir até ao Passo dello Stelvio, vinha da Áustria, era quase o pôr-do-sol, e à Áustria voltei. Mas desta vez era cedo e fui até ao lago que me maravilha, mais uma vez!

Escrevia eu em 2010 a propósito do lago e da torre:

“É surrealista ver-se uma torre de igreja que emerge das águas de um lago e eu não resisti em ir lá ver ao vivo!

O lago de Resia é um lago artificial, como é fácil de imaginar, se fosse natural não teria uma igreja e uma localidade no seu fundo! Ali existiam 2 lagos naturais e uma cidade, Venosta Graun, que foram inundados nos anos 50 com a construção de uma barragem.

Apenas a torre da igreja ficou visível e o efeito é no mínimo surpreendente!”

Dizem que em noites cerradas de tormenta se ouvem os sinos da torre do lago, mesmo tendo estes sido retirados há muitos anos atrás!

De dia e com sol, aquilo é uma animação!

Andava ali um grupo de foliões bem-dispostos a oferecer a versão italiana da ginginha a quem apanhavam a jeito! Estavam por lá muitas motos e muitos motards, mas eles acharam-me piada a mim por eu estar só, pois viram-me chegar sozinha e andar para um lado e para o outro.

Eu já fizera uma filinha de fotos por todo o lado e ia para a moto, quando os ouvi chamar em coro:

“hei, miss Honda!”

– o meu blusão diz Honda nas costas, não havia como ignorar o chamamento! De qualquer maneira eles já vinham na minha direção, de garrafa em punho e copito de plástico em riste!

Fizeram-me uma festa, por entre os olhares divertidos dos presentes que me tiravam fotos e chamaram-me “super donna” por ser a única condutora sozinha que eles tinham visto! 😀

Claro que aproveitei para pedir que me tirassem uma foto para mim também!

A ginja era deliciosa!

Depois lá me consegui escapar enquanto eles foram oferecer ginga a outros motards, e segui o meu caminho!

Passeando pela margem do lago, com o glaciar de Stélvio como paisagem…

Os sinais de boas-vindas a motociclistas continuam por ali fora, com parques de estacionamento especiais para as motos e tudo! Um mundo voltado para nós!

E entrei na Áustria, que se diz Österreich em alemão (muito parecido!), para seguir para a Suíça por outros caminhos diferentes!

Tudo é bonito por ali, afinal é a fama que o Tirol tem e não é por acaso!

Era cedo, por isso fui passear um pouco até Saint Moritz. Eu sei que a cidade é muito mais bonita no inverno que no verão, mas há sempre montras para ver, pessoas e recantos e, claro, o lago! Porque toda a cidade Suíça tem o seu lago ou o seu rio, e há algumas que conseguem ter os dois!

Encontram-se coisas interessantes por ali como a igreja católica de São Carlos.

Ou o Badrutt’s Palace Hotel, construído no séc. XIX e que marcou o início do turismo alpino!

O Hotel Palace tornou-se um marco pela arquitetura da sua característica torre.

Estamos a falar de uma zona onde a cada ano mais de 300 dias são de sol! (há mesmo estatísticas que falam em 322 dias de sol por ano!!)

Por isso, mesmo com neve, as esplanadas são bem-vindas e bem apreciadas! Curioso o pormenor de muitas, mesmo no verão, conservarem as peles sobre os bancos de madeira!

Depois há os pormenores que eu aprecio e que são tão mais interessantes que a cidade no seu todo!

Ali se podem encontrar as lojas e as marcas mais reputadas e a montras são originais! Eu gosto de apreciar o gosto na decoração de montras! Afinal também é uma arte!

Também há os recantos pitorescos e as esplanadas cheias de gente, ainda por cima estava calor!

E as esculturas curiosas e variadas!

Cenas de uma cidade descontraída com muito sol e calor!

Mas longe de ser a mais bonita que conheço! Lindo é o lago, que vislumbrava já por entre as casas!

Saint Moritz fica na sequência de vários lagos, o que lhe fica mais perto tem o seu nome ou Lej da San Murezzan, na língua deles!

A seguir fica o lago pequeno de Lej da Champfer que se liga ao lago maior de Silvaplanersee. Mais à frente ainda fica outro lago, o Lej la Segi, mas nem fui mais, ou nunca mais pararia de ver lagos e de os confundir uns com os outros!

Por isso fiquei-me pelo Lej da Champfer, o estreito que o liga ao seguinte e as estradinhas por ali!

Há ali uma casa, quase um castelo, na junção dos lagos, tão bonita!

Um privilégio viver com uma paisagem daquelas, deslumbrante a cada momento do ano, porque no inverno é paradisíaco também!

As ruinhas que ligam cada recanto habitado por ali são muito bonitas

e as pessoas passeiam-se naturalmente de cavalo! Eu também o fiz, no meu cavalo mecânico! 😀

Os cavalos olhavam para mim de lado… a bem dizer eles só podem olhar de lado! Os seus olhos são voltados um para cada lado, logo nunca olham de frente! 😮

E lá estava a junção dos dois lagos! Eu não iria mais para a frente, queria ir ali ao lado cuscar umas coisas.

Um Pass que eu fiz há muito tempo e que queria rever: o Julierpass

Eu já fiz aquilo de bicicleta um dia e de moto anos depois…

E há um lago, lá à frente, artificial, provocado por um dique que a mim sempre me impressionou!

Porque de um lado fica a água e do outro o monte, com casas e campos de cultivo e gente a viver!

Na minha inocência e ignorância, tenho sempre a sensação que um dia aquela agua toda avança o muro de terra, que é o morro, e afogará toda a gente por ali abaixo!

É o Lac de la Marmorera e ali em baixo está uma cidade, a cidade velha de la Marmorera, afogada desde 1954, quando aquilo foi construído…

Ao longe o muro de terra relvado esconde o lago, como se ali apenas existisse uma colina inocente!

E segui meio para trás, para voltar a Monstein pelo Albula Pass, um Pass muito antigo e bonito!

E tive direito ao meu “pedacinho de Escócia” por momentos!

Construído há quase 150 anos, sempre bonito, sempre renovado e transitável! No inverno chega-se a circular por carreiros formados pela neve, com paredes de mais de 3 metros de altura dos dois lados!

No verão é toda esta beleza!

Bergün fica logo a seguir, uma vilazinha deliciosa de origem medieval, com construções cheias de decorações pintadas, comuns por aquela zona.

Parecem casas bordadas!

E fui para casa, que por aqueles dias, e àquela altitude, a temperatura já baixava um bocado à noite!

Em “casa” esperava-me a deliciosa cerveja local, fresca e tomada no fresco do entardecer!

E voltei a jantar um prato delicioso de legumes variados (e não identificados) com queijo gratinado por cima, numa sala acolhedora e quentinha!

Que feliz que eu sou na Suíça…

Fim do décimo terceiro dia de viagem!

19 – Passeando até à Suiça 2012 – Passo dello Stelvio

11 de Agosto de 2012

Os dias em que estive em Monstein foram dias de ir e voltar, subir e descer, já para não falar no repetir caminhos e observa-los de ângulos diferentes! E o que eu gosto de andar para lá e para cá no topo dos Alpes! E desenhei um 8 no meu mapa! Ou um ∞ (infinito)!

No primeiro dia por minha conta, lá em cima, não dei ordem nenhuma ao GPS e, simplesmente segui o meu instinto e a minha memória para ir onde prometera ao meu moçoilo: até ao Passo dello Stélvio! Há uma série de anos eu fui lá, munida de mapa e muita intuição, desta vez seriam os mesmos meios que eu usaria para lá chegar!

Comecei por seguir pelo Flüelapass, que seria o primeiro do dia. Quando a nossa “casa” é por aquelas bandas não faltam Pass para nos levar e trazer de todo o lado!

Ali há 2 lagos, o Schottensee, maior, e o Schwarzsee, mais pequeno. Faria diversas vezes este pass, por isso não havia necessidade de fotografar muito, logo da primeira passagem!

Depois engrenei noutro Pass, o Pass dal Fuorn

Estava no meu caminho, e cheguei a Santa Maria Val Müstair, uma terrinha muito bonita e cheia de motociclistas que circulavam em todas as direções!

Escolhi a ruinha que me levaria por bonitas paisagens, ninguém veio pelo “meu caminho” por isso segui sozinha, monte acima!

Eu não queria fazer o Pass dello Stélvio de baixo para cima, por isso não fui dar a volta que todos davam. Preferi fazer a Via Humbrail, um “passinho” de montanha, com parte do piso em terra batida, cheio de curvas que sobem pelo meio de uma paisagem deslumbrante e sem ninguém por perto!

É melhor não me distrair muito a tirar fotos e a conduzir, num piso “areado”! Mais à frente há alcatrão e, se a memória não me engana, boas perspetivas para fotografar o “passito”!

E lá cheguei ao alcatrão, sem ninguém à vista! Acho que toda a gente faz o mesmo percurso, por isso fiz bem em fazer o “meu” sozinha! Eheheh

Com direito a paisagens, montes e espetáculo de beleza exclusivos, só para mim!

E naquela passeata, sem quase se dar conta, atingem-se os 2500 metros de altitude!

E logo a seguir aparece a placa do Passo famoso, vê-se logo pela quantidade de autocolantes acumulados na placa, a fama da rua!

Como sempre havia muitas motos por ali, muita gente a tentar tirar fotos junto das placas, muitas lojinhas de todo o tipo de bugigangas, a lembrar uma zona de peregrinação!

Claro que não neguei nenhuma foto famosa à minha Magnífica! Ela tinha o direito de ter documentada a sua presença ali! 😀

E o Passo esta logo ali, mal se começa a descer a rua… imponente!

Muita gente o observava e fotografava, uns já o tinha feito, outros iriam faze-lo.

Bem, fui buscar a moto, junto das t-shirts e dos bonecos de peluche, canequitas e postais, não iria ficar ali eternamente em contemplação!

A sensação ao olhar aquela estrada fantástica é de que ela é meio impossível de existir e de fazer! Tal como nas fotos, lá é difícil entender como “funciona”!

A primeira vez que fiz o passo, fi-lo subindo e quando cheguei lá acima, tive a sensação de que não vira nada! Por isso voltei a desce-lo para ver a paisagem, pelo menos, e é verdade, é muito mais deslumbrante descendo!

E só na descida conseguimos ver partes da estrada que fica escondida na “parede” abaixo de nós!

O glaciar está ali tão pertinho, o que torna o percurso ainda mais fantástico!

Aquela estrada sem ninguém seria o paraiso para a minha Magnífica e para mim!

Mas havia gente a stressar nas curvas e o pior é que não eram motos, senão a gente ultrapassava e pronto! Era um carro que parava em cada curva e depois fazia-a por parcelas!

Lá fui aproveitando a deixa para tirar fotos, cada vez que parávamos todos para ele fazer a curva!

Mas a dada altura aquilo estava a lixar a curtição a todos os que íamos atrás dele! Por isso aproveitei uma saída e fui fazer tempo para que aquela “coisa” se fosse embora! Curioso que uma série de motociclistas fizeram o mesmo que eu! Eheheh

E foi da maneira que consegui fotografar o Passo visto de baixo!

Passado um bom par de minutos não havia mais engarrafamento de estrada, e lá continuei a descida!

O Glaciar de Stelvio está num parque natural com o mesmo nome.

O meu Patrick desenhava a sequência de curvas e chamava a estrada pelo nome.

Na curva 48 há um recanto e um riacho em escada!

E cheguei cá abaixo… na berma da rua está uma casa cheia de tralhas e bugigangas curiosas e coloridas, parei para tirar uma ou duas fotos

O homem da casa veio logo, armado em cowboy, pedir-me um euro para eu tirar fotos!

“no tintendo!” já criei em palava única e resulta sempre! 😀

E segui para o Passo Resia, pois havia mais coisas que eu queria rever!

(continua)