20 – Passeando até à Suiça 2012 – Lago di Resia e alguns Passos!

11 de Agosto de 2012 – continuação

Por ali pela zona não faltam restaurantes, hotéis e cafés desejando as boas-vindas aos motards e por vezes também aos ciclistas. São estradas muito frequentadas pelo povo das duas rodas e há gente que vem de toda a Europa para aquelas paragens para curtir as estradas de montanha!

E realmente eles andam por todos os lados!

E viajam em todo o tipo de motos! Encontrei muita gente a viajar de moto 4!

Mais à frente fica o Lago di Resia, onde eu já andei há 2 anos, vinda do Grossglockner.

Na altura não me apeteceu ir até ao Passo dello Stelvio, vinha da Áustria, era quase o pôr-do-sol, e à Áustria voltei. Mas desta vez era cedo e fui até ao lago que me maravilha, mais uma vez!

Escrevia eu em 2010 a propósito do lago e da torre:

“É surrealista ver-se uma torre de igreja que emerge das águas de um lago e eu não resisti em ir lá ver ao vivo!

O lago de Resia é um lago artificial, como é fácil de imaginar, se fosse natural não teria uma igreja e uma localidade no seu fundo! Ali existiam 2 lagos naturais e uma cidade, Venosta Graun, que foram inundados nos anos 50 com a construção de uma barragem.

Apenas a torre da igreja ficou visível e o efeito é no mínimo surpreendente!”

Dizem que em noites cerradas de tormenta se ouvem os sinos da torre do lago, mesmo tendo estes sido retirados há muitos anos atrás!

De dia e com sol, aquilo é uma animação!

Andava ali um grupo de foliões bem-dispostos a oferecer a versão italiana da ginginha a quem apanhavam a jeito! Estavam por lá muitas motos e muitos motards, mas eles acharam-me piada a mim por eu estar só, pois viram-me chegar sozinha e andar para um lado e para o outro.

Eu já fizera uma filinha de fotos por todo o lado e ia para a moto, quando os ouvi chamar em coro:

“hei, miss Honda!”

– o meu blusão diz Honda nas costas, não havia como ignorar o chamamento! De qualquer maneira eles já vinham na minha direção, de garrafa em punho e copito de plástico em riste!

Fizeram-me uma festa, por entre os olhares divertidos dos presentes que me tiravam fotos e chamaram-me “super donna” por ser a única condutora sozinha que eles tinham visto! 😀

Claro que aproveitei para pedir que me tirassem uma foto para mim também!

A ginja era deliciosa!

Depois lá me consegui escapar enquanto eles foram oferecer ginga a outros motards, e segui o meu caminho!

Passeando pela margem do lago, com o glaciar de Stélvio como paisagem…

Os sinais de boas-vindas a motociclistas continuam por ali fora, com parques de estacionamento especiais para as motos e tudo! Um mundo voltado para nós!

E entrei na Áustria, que se diz Österreich em alemão (muito parecido!), para seguir para a Suíça por outros caminhos diferentes!

Tudo é bonito por ali, afinal é a fama que o Tirol tem e não é por acaso!

Era cedo, por isso fui passear um pouco até Saint Moritz. Eu sei que a cidade é muito mais bonita no inverno que no verão, mas há sempre montras para ver, pessoas e recantos e, claro, o lago! Porque toda a cidade Suíça tem o seu lago ou o seu rio, e há algumas que conseguem ter os dois!

Encontram-se coisas interessantes por ali como a igreja católica de São Carlos.

Ou o Badrutt’s Palace Hotel, construído no séc. XIX e que marcou o início do turismo alpino!

O Hotel Palace tornou-se um marco pela arquitetura da sua característica torre.

Estamos a falar de uma zona onde a cada ano mais de 300 dias são de sol! (há mesmo estatísticas que falam em 322 dias de sol por ano!!)

Por isso, mesmo com neve, as esplanadas são bem-vindas e bem apreciadas! Curioso o pormenor de muitas, mesmo no verão, conservarem as peles sobre os bancos de madeira!

Depois há os pormenores que eu aprecio e que são tão mais interessantes que a cidade no seu todo!

Ali se podem encontrar as lojas e as marcas mais reputadas e a montras são originais! Eu gosto de apreciar o gosto na decoração de montras! Afinal também é uma arte!

Também há os recantos pitorescos e as esplanadas cheias de gente, ainda por cima estava calor!

E as esculturas curiosas e variadas!

Cenas de uma cidade descontraída com muito sol e calor!

Mas longe de ser a mais bonita que conheço! Lindo é o lago, que vislumbrava já por entre as casas!

Saint Moritz fica na sequência de vários lagos, o que lhe fica mais perto tem o seu nome ou Lej da San Murezzan, na língua deles!

A seguir fica o lago pequeno de Lej da Champfer que se liga ao lago maior de Silvaplanersee. Mais à frente ainda fica outro lago, o Lej la Segi, mas nem fui mais, ou nunca mais pararia de ver lagos e de os confundir uns com os outros!

Por isso fiquei-me pelo Lej da Champfer, o estreito que o liga ao seguinte e as estradinhas por ali!

Há ali uma casa, quase um castelo, na junção dos lagos, tão bonita!

Um privilégio viver com uma paisagem daquelas, deslumbrante a cada momento do ano, porque no inverno é paradisíaco também!

As ruinhas que ligam cada recanto habitado por ali são muito bonitas

e as pessoas passeiam-se naturalmente de cavalo! Eu também o fiz, no meu cavalo mecânico! 😀

Os cavalos olhavam para mim de lado… a bem dizer eles só podem olhar de lado! Os seus olhos são voltados um para cada lado, logo nunca olham de frente! 😮

E lá estava a junção dos dois lagos! Eu não iria mais para a frente, queria ir ali ao lado cuscar umas coisas.

Um Pass que eu fiz há muito tempo e que queria rever: o Julierpass

Eu já fiz aquilo de bicicleta um dia e de moto anos depois…

E há um lago, lá à frente, artificial, provocado por um dique que a mim sempre me impressionou!

Porque de um lado fica a água e do outro o monte, com casas e campos de cultivo e gente a viver!

Na minha inocência e ignorância, tenho sempre a sensação que um dia aquela agua toda avança o muro de terra, que é o morro, e afogará toda a gente por ali abaixo!

É o Lac de la Marmorera e ali em baixo está uma cidade, a cidade velha de la Marmorera, afogada desde 1954, quando aquilo foi construído…

Ao longe o muro de terra relvado esconde o lago, como se ali apenas existisse uma colina inocente!

E segui meio para trás, para voltar a Monstein pelo Albula Pass, um Pass muito antigo e bonito!

E tive direito ao meu “pedacinho de Escócia” por momentos!

Construído há quase 150 anos, sempre bonito, sempre renovado e transitável! No inverno chega-se a circular por carreiros formados pela neve, com paredes de mais de 3 metros de altura dos dois lados!

No verão é toda esta beleza!

Bergün fica logo a seguir, uma vilazinha deliciosa de origem medieval, com construções cheias de decorações pintadas, comuns por aquela zona.

Parecem casas bordadas!

E fui para casa, que por aqueles dias, e àquela altitude, a temperatura já baixava um bocado à noite!

Em “casa” esperava-me a deliciosa cerveja local, fresca e tomada no fresco do entardecer!

E voltei a jantar um prato delicioso de legumes variados (e não identificados) com queijo gratinado por cima, numa sala acolhedora e quentinha!

Que feliz que eu sou na Suíça…

Fim do décimo terceiro dia de viagem!

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19 – Passeando até à Suiça 2012 – Passo dello Stelvio

11 de Agosto de 2012

Os dias em que estive em Monstein foram dias de ir e voltar, subir e descer, já para não falar no repetir caminhos e observa-los de ângulos diferentes! E o que eu gosto de andar para lá e para cá no topo dos Alpes! E desenhei um 8 no meu mapa! Ou um ∞ (infinito)!

No primeiro dia por minha conta, lá em cima, não dei ordem nenhuma ao GPS e, simplesmente segui o meu instinto e a minha memória para ir onde prometera ao meu moçoilo: até ao Passo dello Stélvio! Há uma série de anos eu fui lá, munida de mapa e muita intuição, desta vez seriam os mesmos meios que eu usaria para lá chegar!

Comecei por seguir pelo Flüelapass, que seria o primeiro do dia. Quando a nossa “casa” é por aquelas bandas não faltam Pass para nos levar e trazer de todo o lado!

Ali há 2 lagos, o Schottensee, maior, e o Schwarzsee, mais pequeno. Faria diversas vezes este pass, por isso não havia necessidade de fotografar muito, logo da primeira passagem!

Depois engrenei noutro Pass, o Pass dal Fuorn

Estava no meu caminho, e cheguei a Santa Maria Val Müstair, uma terrinha muito bonita e cheia de motociclistas que circulavam em todas as direções!

Escolhi a ruinha que me levaria por bonitas paisagens, ninguém veio pelo “meu caminho” por isso segui sozinha, monte acima!

Eu não queria fazer o Pass dello Stélvio de baixo para cima, por isso não fui dar a volta que todos davam. Preferi fazer a Via Humbrail, um “passinho” de montanha, com parte do piso em terra batida, cheio de curvas que sobem pelo meio de uma paisagem deslumbrante e sem ninguém por perto!

É melhor não me distrair muito a tirar fotos e a conduzir, num piso “areado”! Mais à frente há alcatrão e, se a memória não me engana, boas perspetivas para fotografar o “passito”!

E lá cheguei ao alcatrão, sem ninguém à vista! Acho que toda a gente faz o mesmo percurso, por isso fiz bem em fazer o “meu” sozinha! Eheheh

Com direito a paisagens, montes e espetáculo de beleza exclusivos, só para mim!

E naquela passeata, sem quase se dar conta, atingem-se os 2500 metros de altitude!

E logo a seguir aparece a placa do Passo famoso, vê-se logo pela quantidade de autocolantes acumulados na placa, a fama da rua!

Como sempre havia muitas motos por ali, muita gente a tentar tirar fotos junto das placas, muitas lojinhas de todo o tipo de bugigangas, a lembrar uma zona de peregrinação!

Claro que não neguei nenhuma foto famosa à minha Magnífica! Ela tinha o direito de ter documentada a sua presença ali! 😀

E o Passo esta logo ali, mal se começa a descer a rua… imponente!

Muita gente o observava e fotografava, uns já o tinha feito, outros iriam faze-lo.

Bem, fui buscar a moto, junto das t-shirts e dos bonecos de peluche, canequitas e postais, não iria ficar ali eternamente em contemplação!

A sensação ao olhar aquela estrada fantástica é de que ela é meio impossível de existir e de fazer! Tal como nas fotos, lá é difícil entender como “funciona”!

A primeira vez que fiz o passo, fi-lo subindo e quando cheguei lá acima, tive a sensação de que não vira nada! Por isso voltei a desce-lo para ver a paisagem, pelo menos, e é verdade, é muito mais deslumbrante descendo!

E só na descida conseguimos ver partes da estrada que fica escondida na “parede” abaixo de nós!

O glaciar está ali tão pertinho, o que torna o percurso ainda mais fantástico!

Aquela estrada sem ninguém seria o paraiso para a minha Magnífica e para mim!

Mas havia gente a stressar nas curvas e o pior é que não eram motos, senão a gente ultrapassava e pronto! Era um carro que parava em cada curva e depois fazia-a por parcelas!

Lá fui aproveitando a deixa para tirar fotos, cada vez que parávamos todos para ele fazer a curva!

Mas a dada altura aquilo estava a lixar a curtição a todos os que íamos atrás dele! Por isso aproveitei uma saída e fui fazer tempo para que aquela “coisa” se fosse embora! Curioso que uma série de motociclistas fizeram o mesmo que eu! Eheheh

E foi da maneira que consegui fotografar o Passo visto de baixo!

Passado um bom par de minutos não havia mais engarrafamento de estrada, e lá continuei a descida!

O Glaciar de Stelvio está num parque natural com o mesmo nome.

O meu Patrick desenhava a sequência de curvas e chamava a estrada pelo nome.

Na curva 48 há um recanto e um riacho em escada!

E cheguei cá abaixo… na berma da rua está uma casa cheia de tralhas e bugigangas curiosas e coloridas, parei para tirar uma ou duas fotos

O homem da casa veio logo, armado em cowboy, pedir-me um euro para eu tirar fotos!

“no tintendo!” já criei em palava única e resulta sempre! 😀

E segui para o Passo Resia, pois havia mais coisas que eu queria rever!

(continua)