6.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

– de Sonder Felding até Aalborg, Dinamarca –

5 de agosto de 2019

Foi uma belíssima noite de sono numa casinha de sonho e numa localidade silenciosa! Não há muita coisa que perturbe o meu sono, eu apenas durmo bem onde quer que aterre! Não estava um dia de sol, o que era uma pena, mas se não chovesse já era muito bom! Uma pena não poder contar com um céu azul, fica tudo tão pobre com o céu branco ou cinzento! Ao menos que hajam nuvens revoltas no céu para que não pareça tudo tão doentio!

Depois não importava que estivéssemos no inicio de agosto, estava um frio de rachar la fora! Isso não me impediu de tomar o pequeno-almoço no meu pequeno jardim exterior!

Detesto viajar com muitas tralhas, é sempre aquela complicação ao arrumar tudo na moto. O tempo que eu demorava a pôr tudo no sítio exasperava-me! Que saudades da minha pequena mochila com o essencial e mais nada!

Ora com sol ou sem sol eu iria dar uma voltinha pelo país acima. A coisa que mais me stressa numa viagem com ferrys marcados é que não sou completamente livre de andar à toa. tenho horários para cumprir e nada me pode impedir de chegar a tempo, ou ficarei em terra. e eu tinha de me aproximar do norte para estar no dia 6 à hora certa para embarcar.

Nunca me sinto confortavel em ficar muito longe para que, se tiver algum contratempo, mesmo assim consiga me desenrascar e chegar a tempo. Assim iria calmamente até Ålborg e só amanhã seguiria para Hirtshals.

As igrejas dinamarquesas sempre me atraem, são quase sempre brancas, com uma torre de telhado de duas águas e com o cemitério em redor, que são normalmente belíssimos jardins. E a Sonder Felding Kirke, tão pertinho dali, era um belo exemplo disso.

Eu sempre gostei de visitar os cemitérios que vou encontrando em viagem. Nunca foram sítios que me perturbassem, afinal são sempre um retrato do sitio onde estou e uma forma de saber como cada população trata os seu mortos.

Por aqueles dias, no entanto, entrar em igrejas e cemitérios acabava por reavivar o meu sentimento de luto. No entanto eu tinha de entrar e ver, tudo isso faria parte de minha vida…

E tudo é tão bonito e sereno num local como aquele, afinal os cemitérios dinamarqueses estão entre os mais bonitos que conheço! Não sei quanto tempo passeei por ali, mas bastante, antes de seguir na direção do mar, para leste…

Horsens é uma das grandes cidades da Dinamarca, isso não quer dizer que seja muito grande, considerando que é bem mais pequena do que o nosso Porto, por exemplo.

A quantidade de grafittis que fui encontrando pela cidade!! Alguns bem bonitos por sinal.

Depois há as igrejas de tijolos, que sempre me fascinam! Como a Klosterkirke – ” igreja do claustro ” . Como pode um edifício do século XIII, todo em tijolo, ainda estar de pé e bem, depois de tantos séculos?

O interior apanhou-me de surpresa, esperava que fosse com o tijolo exposto, mas era branco!

No entanto nada a ver com as igrejinhas brancas que se encontram por todo o lado!

Em torno da igreja as casinhas têm ar de serem quase da mesma época que ela! Quem olha a partir do jardim parece que está em cima de um telhado, mas não é mais que o topo do muro revestido por telhas.

Na perspetiva da moto o muro é mais facil de entender. Deve ser curioso viver-se numa rua que vai dar ao jardim de uma igreja daquela envergadura!

Sei lá, deve ser curioso viver numa daquelas casinhas de qualquer maneira!

No centro da cidade fica a Vor Frelsers Kirke – Igreja do salvador – o edificio mais antigo da cidade!

E esta sim, é toda em tijolo exposto no seu interior.

Muito mais encantadora que a outra, para mim pelo menos, que não sou fascinada por barroquices…

Ui, o que eu cairia na consideração da minha professora de Historia da Arte da faculdade, se ela me ouvisse dizer tal coisa! O Barroco é lindo eu é que sou uma incessível! ahahahah

Só faltava o sol na praça em redor…

Encontrei Hans Christian Andersen, o grande escritor dinamarquês, pelas ruas da cidade.

Um belo tributo a um dos grandes escritores daquele país e do mundo!

As ruas de comércio são tão fofinhas, casas baixas em ruas pitorescas.

E os grafittis fantásticos! Já estava a caminho da saída da cidade quando deparei com aquela imagem enorme, travei de repente, pus os 4 piscas e fui ver de perto! Extraordinário!

Bem, siga para Åbyhøj, mas antes de me perder pela cidade tive de parar com calma na Åbyhøj Kirke. Sempre as igrejas a chamar-me a atenção!

Todo o enquadramento da igreja é tão bonito que contornei o espaço por fora, para poder vê-lo em todas as perspetivas.

E o cemitério em redor é simplesmente lindo!

Um jardim lindo como poucos! Quem diria que aquilo tudo é um cemitério?

Um senhor cuidava do jardim/cemitério, viu-me dar a volta por fora dos muros, espreitando, tirando fotos e sarrabiscando uns desenhitos e, quando apareci no “corredor” onde ele estava, chamou-me. Falava perfeitamente inglês, perguntou-me o que eu procurava. Disse-lhe que procurava ver a igreja, e o espaço em volta, de todos os ângulos pois era tudo muito bonito. Ele sorriu com orgulho, contou-me que a igreja foi construida durante a Segunda Grande Guerra, mas que o cemitério era mais antigo, disse-me para entrar na igreja pois estava aberta e era muito simples e bonita. Comentou que o cemitério era um sitio muito bonito para se passear ou fazer um picnic… se ele soubesse o que por cá se pensa sobre passear ou fazer pincis num cemitério… sorri com a ideia!

Agradeci-lhe e fui ver, eu pensara que estava fechada!

Tão bonito!

Se eu fiz um picnic ali? Claro que fiz, tinha mesa e tudo! 😀

Aarhus era logo a seguir. Não vi muitas motos por aquele país acima, mas consegui estacionar a minha Scarlett junto de uma amiga!

Fui guiada pela Aarhus Domkirke, a catedral de Aarhus. Aos poucos ia voltando ao meu normal de entrar em tudo o que era igreja que atraia a minha curiosidade…

É uma igreja católica do século XIV, ainda românica, por isso eu tinha de ver por dentro, ainda por cima também é em tijolo.

É branca por dentro, imponente e bonita como uma catedral deve ser! É dedicada a São Clemente, padroeiro dos marinheiros (não fazia ideia, soube-o lá!)

Passeia-se depois um pouco em redor, pela Store Tory – a Praça Grande,

O edificio do teatro é um espetáculo, do inicio do secula XX, um belo exemplar de Art Nouveau dinamarquês, uma pena que não pude ver por dentro…

Parei junto ao mar, mas era a Ebeltoft que eu queria ir. Sim, eu estou sempre a parar para ver coisas e para comer e beber! Haja uma bela paisagem e eu paro!

O sol apareceu… ou em fui ao seu encontro?

Ebeltoft é simplesmente encantadora! Eu sei, quase todas as terrinhas dinamarquesas o são, mas esta ficou no meu coração!

As casinhas não são tão coloridas como em Odense ou outras cidades, mas são tão mimis!

A igreja estava fechada, uma pena pois gostava de ver se era em tijolo ou caiada de branco, já que por fora tem as duas cores.

Mas as ruinhas são deliciosas, apesar do paralelo graúdo ser um bocado saltitante para a moto!

Impossivel não parar aqui, ali e acolá, para observar os pormenores!

Oh e a Gamle Rådhus – Antiga Câmara – é linda! Hoje é um museu e eu tive de usar o tradutor para perceber, pois pensei que ainda estava em serviço. É o Museu da Jutlândia Oriental.

Tinha de voltar ao meu caminho para o norte, mas isso não queria dizer que fosse a correr. No caminho ficava Grenå, que valia a pena visitar também. É sempre assim, há sempre mais isto e aquilo que vale a pena visitar, por isso é tão reconfortante viajar com as dormidas marcadas, assim não há qualquer stresse em procurar onde dormir, apenas basta consultar no GPS a hora de chegada e perceber se tenho ou não mais um pouco de tempo para parar de novo, mais uma vez e outra, até chegar a casa!

Parece que aquela gente é como os ingleses, fecham cedo e enfiam-se em casa! As poucas pessoas que andavam na rua quando eu cheguei desapareceram aos poucos e não havia mais ninguem por ali quando fui embora! Teriam medo de mim? ahahahahah

A vantagem de não haver ninguém na rua é que pude andar por onde quis e tirar as fotos que me apeteceu, sem o stress de alguém se sentir invadido por estar nas minhas fotos.

Uma das razões porque nunca fotografo pessoas é por causa da sua sensibilidade. Já me aconteceu de pessoas me verem querer fazer determinada foto e pararem no meu caminho para depois reclamarem que eu as fotografei! A sério?

Um dia, quando eu estava a visitar uma catedral em França, um cromo, vendo que eu estava à espera que ele saísse da frente para eu tirar uma foto geral, parou a olhar para mim. Como ele não saía, eu fiz a foto com ele mesmo e não é que o tipo veio-me mandar apagar a foto porque ele ficou nela sem dar permissão! Oh amigo eu só a apagarei porque o senhor é feio como a merda e isso estraga a minha foto, agora você é que me diva pedir permissão para ficar numa foto minha, ó palerma! Lá se foi embora todo furioso.

OMuseum ØstjyllandParece é um edificio muito bonito. Parece que há varios museus da Jutlândia Oriental, se calhar um em cada terra, será? Este é mais um!

Hobro é uma zona que eu tenho de explorar melhor. para já foi só uma passagem a caminho de outro lugar. A Hobro Kirke estava fechada…

No topo de uma pequena colina, uma constução muito interessante, a parecer um castelinho.

A colina era suficientemente elevada para se poder ver um pouco da cidadesinha lá de cima.

Uma chatice, porque é que os dias não podem ter quinhestas horas e as coisas não podem estar abertas até o amanhcer?

Niguém nas ruas, tudo fechado… será que vou poder comer ao chegar a Ålborg, ou vai estar tudo fechado também?

Nem 6 horas da tarde eram e parecia que havia um recolher obrigatório por ali! Ui, um café aberto no meio do nada?!

Ok Ålborg, vamos lá que o tempo está a ficar ranhoso e eu não quero vestir fatos de chuva!

“A minha casa por hoje, antes de comecar a chover a potes. Esta gente deixa a porta aberta com a chave debaixo de uma pedrinha no topo das escadas para eu entrar e me instalar quando chego! Já ontem foi a mesma técnica. Aqui não há medo dos ladrões!”
(in Facebook)

O tempo estava incerto mas eu não resisti em dar uma volta pela cidade. Afinal eu tinha de comer e de levantar dinheiro para pagar o alojamento.

“Aquele dia em Aalborg, foi cheio de beleza e expectativa! Fui seguindo a arte urbana, de mural em mural, à medida que explorava as encantadoras ruínhas típicas de uma cidade dinamarquesa. Quanta serenidade pode conter um passeio assim! E havia a expectativa, porque dali seguiria para o porto para partir para a Islândia. Mas isso seria apenas no dia seguinte e até lá, Aalborg preencheu todo o meu imaginário e gravou-se para sempre na minha memória.”
(in Passeando pela Vida – a página)

Eu gosto tanto das cidades dinamarquesas, com as casinhas térreas e ruas estreitas, onde a porta da igreja fica a 2 metros de uma casa particular!

Os jardins publicos ficam à porta de casa como se lhe pertencessem

Tudo tão bomitinho e perfeito!

Claro que eu desenhei esta casinha, mas não tenho o diário gráfico onde ele está comigo no momento… 😦

” Cheguei a casa e vim levantar dinheiro para pagar o alojamento e apanhei com uma tromba de água nas trombas! Atravessei toda a avenida, 3 vias para cada lado e refujiei-me aqui, no meio de uma estação de serviço. Lindo serviço, como vou embora agora? A nado? 😉
(in facebook)

Eu sabia que estava a abusar da sorte, mas era o momento de ver um pouco da cidade ou nada veria, e pimba, a chuva apanhou-me com toda a força! Acabei por fazer amizade com o rapaz da estação de serviço e comer qualquer coisa por lá mesmo.

Amanhã era o dia de partir para vários dias de mar…

5.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

4 de agosto de 2019

– de Bremen até Sonder Felding, Dinamarca –

Acordei cheia de gas para seguir viagem, não conseguia ignorar a excitação de voltar à Dinamarca!

Certamente não é o país com mais coisas para ver, mas há uma calma e serenidade nas suas paisagens e cidades, que me deixara saudades desde 2 anos antes, quando subi até ao topo dos paises escandinavos.

Naquela viagem, como pretendia ir muito para norte na Noruega e na Finlandia, explorei mais as ilhas de Fyn e Zelândia, que ficavam no meu caminho, deixando a grande peninsula precisamente para quando fosse até à Islândia, pois sabia que teria de a subir para apanhar o ferry. Então agora estava cheia de vontade de percorrer os caminhos do norte da Peninsula Jutlândia!

Como todas as cidades, não importa quão cheias de gente sejam, Bremen era toda minha àquela hora da manhã! Pude dar-me ao luxo de percorrer a Marktplatz  como se eu fosse a rainha do lugar!

E o que eu me diverti tirando fotos em todas as direções, com a minha motita bem no meio daquilo tudo!

Então, um senhor muito simpático, que observava a festa que eu fazia sozinha com a minha moto no meio da praça, aproximou-se e perguntou se eu não queria que ele me tirasse uma foto comigo junto da moto!

Claro! Excelente! (e eu a pensar que ele me vinha repreender por estar ali! Estes alemães não param de me surpreender!)

Até consegui tirar fotos junto dos músicos de Bremen sem ninguém por perto! É que no dia anterior era tanta gente em volta, que nem valia a pena tentar chegar perto!

Não sou de selfies, mas sou de tirar fotos à minha motita em todo o lugar! 😀

E lá segui viagem, toda contente porque tinha tido o centro de Bremen por minha conta e todo tempo que quis!

A vantagem de viajar com a máquina fotografica ao peito, é que posso captar coisas que avisto e não tenho hipotese de parar e me aproximar!

Husum era a paragem seguinte. A cidade já fica na porção alemã da Peninsula de Jutlândia e é conhecida como “graue Stadt am Meer” algo como “a cidade cinza à beira mar”.

E o mar estava baixo e tudo estava pousado no lodo!

 “Cada passo numa viagem é feito de tantas emoções e descobertas, que se misturam numa amalgama de memórias apenas deslindada com o percorrer das muitas fotos guardadas. E junto com cada foto vem o momento que aconteceu, como quando cheguei a Husum e fiquei espantada a olhar para o pequeno porto sem água. O meu ar devia ser tão visivelmente surpreendido que um velhote que passava me disse para não ficar preocupada que a água iria voltar, como sempre! Não contive uma gargalhada!”

(in Passeando pela Vida – a página)

E tudo estava como o poeta da terra, Theodor Storm, descrevia no seu poema sobre a Cidade:

Am grauen Strand, am grauen Meer
Und seitab liegt die Stadt;
Der Nebel drückt die Dächer schwer,
Und durch die Stille braust das Meer
Eintönig um die Stadt.

Claro que fui ver o que queria dizer no tradutor:

Na praia cinza, no mar cinza
E de um lado fica a cidade;
A névoa pesa sobre os telhados
E o mar ruge no silêncio
Monótono pela cidade.

Mas a cidade não é só porto e mar, na realidade é encantadora e eu explorei os seus recantos demoradamente.

muitas daquelas casinhas são do século XVI e são tão bonitinhas!

Depois das ruinhas estreitinhas, algumas parecem mesmo caminhos particulares, a Markplatz é enorme, com a sua Tine Brunnen lá no meio. A fonte, do inicio do século passado, é uma das atrações da cidade, com a escultura de Tine, a mulher de um pescador, no topo. Tenho de concordar que, a serem assim, as esposas dos pescadores por ali são muito bonitas! Algo nela me fez lembrar a nossa Padeira de Aljubarrota, o remo que ela tem na mão até me pareceu uma pá do forno! !

E lá estava uma feirinha para eu me regalar a comer fruta e apreciar os gostos do povo!

Ainda dei mais uma olhada aos barcos encalhados, não estava para breve o seu “desencalhamento”, muito antes disso eu já estaria longe!

E segui para a ultima cidadezinha alemã que eu visitaria antes de entrar na Dinamarca: Frensburg

Com recantos e ruelas muito bonitos, mas estranhamente cheia de sapatos penduradas em fios que atravessavam as ruas!

Já ouvi várias teorias sobre o que significam sapatos pendurados no topo das ruas, mas tantos nas mesma rua, acho que só quer dizer que estamos realmente na rua dos sapatos!

Chama-se ao “fenomeno” shoefiti, que junta as palavras Shoe (sapato) e Fiti (grafitti) e tem muitos significados dependendo de onde estão, porque de país para país muda de segnificado:

Sapatos pendurados na rua podem simbolizar tanta coisa:
Podem simbolizar um pacto entre os gangues e a polícia,
Podem demarcar território de tráfico ou de gangues
Podem simbolizar a primeira relação sexual de um jovem,
Podem sinalizar a morte de alguém
Podem ser apenas decoração…

Ali o que querem dizer? Não faço ideia, provavlemente apenas coisa decorativa!

Na mesma rua havia outras intervenções artisticas bem mais interessantes

Como um homem que emerge da parede da casa azul

Lá está ele a espreitar

E dos recantos que descobri e percorri, uma rua era a dos sapatos e outra a das plantas

e das casinhas pequenas

A minha Scarlett era quase do tamanho da rua!

Os espaços da cidade são muito variados, entres os caminhos estreitinhos e as grandes praças

E lá estava a St. Nikolaikirche, a maior igreja do sitio, uma espécie de catedral da cidade.

Desta vez eu iria entrar. Não é comum eu cruzar com tanta igreja sem entrar para espreitar…

Imponente como toda a igreja grande que passa de época para época absorvendo os estilos à medida que vai sendo recomposta desde o século XIV até aos dias de hoje!

Ok, fica decretado que é bonita! Agora vou seguir para norte que tenho uma Dinamarca à minha espera!

E lá estava ela logo a seguir, mas não me pude impedir de parar numa enorme casa de cachorros antes de cruzar a fronteira!

Oh, aqueles cachorros de salcichas enormes e pão minúsculo sempre me apanham de surpreza!

E lá estava a fronteira, sei lá onde, apenas passei pela placa e isso bastava!

Entrei em Kolding de grafitti em grafitti, eu sempre tenho de dar uma olhada, sobretudo em paises onde ainda os apreciei pouco!

A catedral estava fechada. Sankt Nicolai Kirke, mais uma igreja consagrada a São Nicolau, muito popular o santo por ali acima!

E as casinhas pequenas e coloridas continuavam por todos os lados, como eu me lembrava do país!

Ao longe o Koldinghus, o último castelo da peninsula… 11 séculos de castelo…

Aproximei-me para o ver mais de perto, é sempre uma forma de ver as coisas de outro ângulo!

Definitivamente um ângulo diferente!

Não havia vida na rua, claramente a vida por ali adormece cedo!

Apenas eu e a minha motita nos moviamos, o resto era silêncio e ninguém à vista. Puxa, é por isso que gosto tanto da Espanha, onde a vida começa quando todos os outros paises já estão a dormir!

Segui para Sønder Felding, onde ficava a minha casa naquela noite. E a minha casinha era bem fofinha!

O meu quarto era um miminho, bonito e aquecido, que naquele momento o calor já não era nenhum!

Tive direito à companhia de uma gatinha muito fofa que se chegou a mim como se fossemos velhas amigas.

Sentei-me no meu jardim particular, com vista para a estrada, a beber cerveja e a conversar com a gata, quando apareceu a vizinha. Uma senhora muito simpática que não falava inglês mas tinha muito boa vontade de me fazer companhia. Trouxe-me uma taça de gelado que, embora eu normalmente não aprecie, caiu muito bem com a cerveja! Como não nos entendiamos muito bem, comuniquei com ela da forma que sei quando viro analfabeta, desenhando e mostrando-lhe o meu livrinho de viagem. Ficou visivelmente interessada e encantada!

Ficou muito impressionada com a dimensão da minha moto, afinal ela enchia quase toda a garagem. Não é tão grande assim, a garagem é que é pequena, garanto-lhe que já tive moto maior e já conduzi motos comparativamente gigantes!

Finalmente fui dormir e mostrar ao mundo em que ponto estava o meu galo na testa, que ainda me magoava bastante ao usar o capacete, embora estivesse em franca recuperação. Sorte minha que saro muito rápido qualquer ferimento.

Até amanhã mundo, para mais um pedaço de caminho, a caminho de um barco!


4.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

3 de agosto de 2019

– de Reil até Bremen – Alemanha –

Doeu-me a cabeça durante toda a noite, felizmente eu durmo bem com dores. De manhã a minha testa estava inchada e formara-se uma crosta de sangue seco sobre a ferida. Definitivamente eu tinha de tomar mais cuidado comigo ou poderia comprometer o seguimento da viagem.

É certo que já começa a ser hábito eu dar um tombo ou dois no meu caminho, mas eu sempre acho que posso reverter uma má tradição, ou um dia poderá correr tudo muito mal.

Enfiei o chapéu para ninguém poder ver o estrago que fizera na noite anterior, mas ele ficava justo e magoava-me bastante. Que raio de azar o meu! Mas pôr o capacete revelou-se bem mais doloroso e esse eu não podia evitar!

Era muito cedo quando saí, mas mesmo assim tive direito à companhia da empregada do local que me serviu o pequeno-almoço. Era amiga da dona da vespa, que eu conhecera no dia anterior, e estava cheia de curiosidade para me ver, imaginando que eu devia ser gigante para conduzir uma moto tão grande. Nem eu
sou gigante nem a moto é tão grande, ela é que era minúscula, isso sim! Quis fazer várias fotos junto à moto, eu ainda lhe disse para se pôr na frente ou ninguém a veria nas fotos, mas ela insistiu que queria que se visse a moto toda e como ela era grande. Claro que tirou fotos quando montei e até quando arranquei. E eu parti imaginando que histórias ela contaria sobre uma motociclista muito grande com uma moto gigante! Apenas uma questão de perspetiva, afinal!

Depois da curva, ao fim da rua, voltava-se à esquerda na direção do Rio, e lá estava o infame banco de jardim onde eu esborrachara o rosto na noite anterior. Senti um calafrio a percorrer a minha espinha!

O meu caminho continuaria, mas nem por isso teria de ser a direito e o mais rápido possivel! A vantagem de levar o trabalho de casa feito numa viagem, é que não preciso de passar onde já passei, nem procurar pelo caminho algo interessante para ver. Eu tenho sempre um plano, pois não viajo para trabalhar e passar os serões em volta da internet para decidir por onde ir, não faz de todo o meu estilo. Serão é para relaxar, beber um copo, conviver, sei lá, mas seguramente não para trabalhar!

O Rio Mosel é muito bonito, com as vinhas muito bem alinhadas a perder de vista nas suas margens e com as populações muito bem arrumadas, a aparecer a cada passo, como em postais ilustrados!

Boas memórias vieram de quando percorri todo o rio anos atrás, 2012, era a minha segunda PanEuropean uma criança….

Tudo tão bonito e sereno em redor, fácil de compreender porque tudo aquilo ficou na minha memória até hoje! Um verdadeiro prazer passear juntinho às águas…

Impossivel passar na zona e não fazer uma pequena visita a Bernkastel – Kues! A terrinha é tão bonita que visita-la de novo nunca é demais.

E foi tão bom lá passar desta vez. Não havia quase ninguém nas ruas, o que é uma raridade numa terra tão tusistica e visitada que, normalmente, é impossivel ter-se uma perspetiva decente das suas ruelas sem uma multidão pela frente!

Desta vez até havia gente de menos, o que me apanhou completamente de surpreza!

A forma como as terrinhas vinicolas do Mosel são decoradas e atravessadas por vinhas é encantadora!

E lá estava a famosa casinha, Spitzhäuschen, do tempo em que se construíam as casas estreitinhas no solo e mais largas nos pisos superiores, pois o imposto era pago apenas sobre a área que ela ocupava no chão! Tão bonitinha, não admira que este seja o recanto mais fotografado de Bernkastel – Kues.

Verdadeiramente antiga, como uma casinha saida de uma história dos Irmãos Grimm.

Encostei-me numa esquina em frente e fiz um desenho.

Sim, que ali tudo é tão próximo e em cima, que a esquina em frante fica quase em cima da casa famosa!

Começavam a chegar turistas para verem a casinha e tirarem fotos no local. Quando me pedem para tirar uma foto eu sempre aproveito para me fazer fotografar também.

Definitivamente um recanto encantador

O povo começava a aglomerar-se nas esplanadas para o pequeno almoço no momento em que eu segui caminho. Foi na hora certa que cheguei e na hora certa que parti. da ultima vez que ali estivera, estava tanta gente que nem dava para andar direito, quanto mais apreciar calmamente a terrinha!

Eu tinha uma outra terrinha alemã em mente, há tempos que queria passar por lá, e de repente a Bélgica meteu-se no meu caminho! Confesso que, embora eu tenha um bom sentido de orientação, distraio-me bastante com as paisagens que me cercam quando vou a conduzir, por isso nem sempre tomo total consciência do que vou atravessar a seguir, e cruzar com a placa da Bégica apanhou-me de surpreza!

E bem, já que estava na Bélgica, não podia simplesmente passar sem olhar! Não havia muito para ver em tão curta incursão mas pelo menos uma terrinha chamada Rocherath, prendeu minha atenção, com a sua enorme igreja de Sankt Johannes der Täufer – ou de São João Batista! Estava fechada, uma pena, pois consta que é bonita por dentro também.

Ao que parece, aquela zona foi meio arrazada na guerra e a igreja foi construida depois de limpos os escombros da anterior, pelo que percebi, que aquela lingua não é nada facil de ler!

Nos jardins, por trás da igreja, fica a Lourdesgrotte – a Gruta de Lourdes, construida em betão armado, em cumprimento da promessa de um trabalhador por sobreviver à Segunda Grande Guerra.

Rocherath fica no parque natural germano-belga High Fens – Eifel e o tempo que eu andei a passear pelo parque, como se ele nunca mais acabasse! Num instante atravessei um pedaço de história sem contar, que fixe!

Ainda na cadeia montanhosa de Eifel, ficava a cidade que eu queria muito visitar: Monschau

O trânsito é condicionado ali, mas os motociclistas tendem a fazer como eu sempre faço, vão entrando devagarinho até ao centro, pousam as motos por ali e sentam-se nas esplanadas a curtir o momento. Mas eu sabia que todo o percurso era bonito, por isso pousei a moto no parque de estacionamento e fui caminhando, ao som da minha música, apreciando cada passo do caminho. E não me arrependi!

E os recantos que se podem apreciar se a gente caminhar e que não seria possivel apreciar de cima da moto por muito lentamente que se passasse!

E o centro é encantador, com pontes e esplanadas e o rio, que tem um nome muito giro, Rio Ruhr, a passar pelo meio

A cidadesinha fica no meio dos montes e é tão linda quanto antiga, sem grandes alterações à arquitetura tradicional de origem.

“Monschau tem aquela beleza de cidade encantada onde apetece sentar e ficar a olhar, em todo o canto, porque é linda de todas as perspetivas! Mesmo quando os turistas são mais do que as ruas parecem suportar. E no meio de toda aquela gente colorida e semi-despida pelo calor, andava eu, de preto, botas e chapéu, a lembrar o inverno no meio do verão. É sempre uma sensação curiosa, passar e toda a gente olhar, toda a gente se afastar, criando as condições certas para eu captar alguma perspetiva sem ninguém. A Alemanha é linda!”

(in Passeando pela Vida – a página)

Todo o tempo que gastei passeando por ali foi deliciosamente bem aproveitado!

Tomando um lanchinho numa esplanada como eu tanto gosto, depois de quinentas fotos e alguns desenhos!

E lá segui o meu caminho. Queria passar em Freudenberg, milhentas vezes fotografada e apresentada na internet, sempre na sua perspetiva mais espetacular, mas eu queria vê-la por dentro!

Tinha tanta curiosidade de perceber como eram as ruas, as casinhas de perto, os jardins, tudo o que não se vê na net!

E adorei o que vi até chegar à perspetiva mais famosa. Na realidade um senhor me chamou para me dizer onde era o sitio ideal para fotografar a cidade, que por ali não veria nada de especial. Claro que tive de o ilucidar que, para mim, o mais encantador fica onde as pessoas estão, ver de perto como é viver num sitio cheio de beleza de postal ilustrado!

Mas é claro que fui até ao sitio das fotos da praxe, nem fazia sentido estar lá e não subir o morro!

E segui para Bremen, onde ficaria a minha casa por aquela noite.
Aos anos que eu não passava na cidade e que bem me soube voltar a passear pelo quarteirão de Schnoor!

A primeira vez que passeei pelo quarteirão, nem sabia muito bem o que era, apenas tinha a sensação de andar numa aldeia num canto da cidade!

E é um bocado isso mesmo! O Schnoor é o centro do centro histórico de Bremen.

É um antigo bairro de pescadores, feito de ruelas estretinhas, consideradas das ruas mais bonitas do mundo, casinhas pequenitas muito antigas la pelos seculos XV e XVII.

Há ruas que não são mais que caminhos entalados entre as casas onde só podem passar pessoas magras, digo eu!

E logo ali fica a Marktplatz onde tudo fica.

Há sempre uma Marktplatz onde tudo acontece até hoje!

Foi ali que eu decidi jantar!

E como eu gosto de escolher uma bela esplanada, na praça principal, sentar e comer apreciando o movimento do serão!

Tudo é tão bonito quando anoitece e as luzes se acendem!

Será esta a ilustração da experessão “foi tudo com os porcos”?

E fui dormir, que amanhã seguiria para a Dinamarca!

3.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

2 de agosto de 2019

– de Saignelégier – Suíça, até Reil – Alemanha –

O meu quarto ficava nas águas-furtadas do hostel, com uma janelinha inclinada que me proporcionava uma perspetiva simpática da paisagem até onde o tempo matinal, meio nublado, permitia ver. Do outro lado do sótão havia outro quarto com duas fulanas bem bizarras, que ficaram muito ofendidas e se fartaram de reclamar porque o meu quarto era melhor e mais bonito que o delas e com direito a paisagem e tudo, enquanto o delas não tinha nada disso. Valha-me Deus gente que importa? É um quarto para uma noite, não é para viver uma vida, dizia eu. A verdade é que eu ficaria apenas uma noite e elas três… Paciência, é porque me acharam mais simpática que vocês e me quiseram compensar, sei lá!

Giras eram as escadas que levavam até lá acima, o ideal era não se ter muitos sacos para carregar, nem ter os pés muito grandes, para não corrermos o risco de resvalar por ali abaixo. As minhas vizinhas reclamaram também das escadas, não sei se tinham os pés grandes mas os sacos eram muitos e enormes!

Eu tinha tanta coisa para ver naquele dia, iria atravessar mais uma zona cheia de coisas lindas, em que era preciso selecionar para não parar em cada curva do caminho, por tudo e por nada que me aparecesse de bonito. Iria passar pela Rota dos Vinhos da Alsácia, que eu adoro, onde já não passava há alguns anos e seguiria para as margens do rio Mosel. O rio dos vinhos, como eu o conheci há uns anos quando o percorri até se juntar ao rio Rio Reno em Koblenz.

Eu apenas tinha entrado numa pontinha da Suíça e logo a seguir sairia, do tipo, só fui lá dormir! Às vezes acontece-me isso, quando tenho uma direção traçada e procuro dormir por perto do caminho que quero fazer e vou escolhendo os sítios mais bem posicionados e mais baratos. Por vezes estou em zonas de dormidas tão caras que desvio o meu caminho para onde se pode dormir mais em conta. Tem de ser, porque uma viagem de tantos dias com tantas dormidas, não pode ficar em risco pelos preços excessivos. Afinal é só para dormir uma noite a maior parte das vezes, não é para usufruir de um hotel de x estrelas por tempo indeterminado! E no fim acabo sempre por escolher sítios lindos e simpáticos, porque quando se fazem as marcações em casa, há tempo para escolher, ler comentários e decidir, sem ter de o fazer em cima dos joelhos no caminho e pagar o que não cabe no meu orçamento!

E logo ali, ao fim da rua, ficava a França e a Alsácia, que coisa fantástica!

A bela aldeiazinha de Hirtzbach, estava deserta, um privilégio que me permitiu andar para trás e para a frente sem ninguém me incomodar! Não é a terrinha mais famosa da Alsácia, por isso provavelmente nunca se encheria de turistas, digo eu que não esperei para ver!

Os pormenores as casinhas eram verdadeiramente encantadores. Essa é uma carateristica que eu aprecio nas aldeias francesas, cada pessoa procupa~se por embelezar o que é seu e com isso toda a aldeia fica linda!

No centro da aldeia um enorme jardim, com ar de rio florido, torna tudo mais mais extraordinário! As voltas que eu dei em redor, quer de moto quer a pé, para apreciar cada casinha, de travejamento exterior, de que eu tanto gosto!

Cada uma mais encantadora que a outra, autenticos miminhos que parecem saidos de contos infantis de princesas e gnomos!

E sim, andei mesmo em volta a apreciar tudo!

Mesmo os trabalhos dos alunos instalados nos jardins publicos e rotundas me fizeram parar mais à frente em Illfurth , porque eram perfeitos.

Oh céus, por este andar nunca chegarei ao fim da viagem, mas eu tenho de parar para ver de perto! Simplesmente um espanto de trabalhos!

Enfim lá cheguei a Mulhouse, ainda cedo, nem sei como pois vim parando por todo o lado. E, claro, tive de parar para ver os murais… é sempre assim!

Quando me perguntam afinal o que eu gosto de ver numa viagem, é sempre dificil fazer a lista!

Gosto de paisagens agrestes, montes e vales, mas também gosto de mar; gosto de história e arquitetura, mas também gosto de artesanato e arte urbana; gosto de desenhar e fotografar tudo para mais tarde recordar, mas também gosto de não o fazer e deixar passar; gosto de experimentar a comida local e regional, mas também gosto de comer umas sandocas e outras “porcarias” na berma da estrada; gosto de me sentir só e independente, mas também gosto de conviver e conhecer gente… gosto de tudo o que apetecer fazer e ver, enfim!

Desde que percorri de fio a pavio a Rota dos Vinhos da Alsacia que Mulhouse ficou na minha lista, porque não passei por lá e não o tinha feito até agora.

E a cidade não me desapontou. Não havia muita gente e eu pude passear em redor calmamente. Encontrei um pequeno mercado na na Place de la Réunion. Eu adoro mercados e feiras, é uma boa forma de andar no meio dos locais e perceber como “funcionam”, o que vendem o que compram, sei lá!

E gosto de comprar fruta nestes locais e passear comendo.

Um dia terei de lá voltar só para visitar a catedral/igreja por dentro. Não sei como consegui chegar ali tão cedo que ela ainda estava fechada…

 O Templo de Saint-Étienne, (não lhe devo chamar catedral porque é protestante?) é calvinista, mas já foi católica, como todas estas igrejas antigas, Também já foi românica, agora é neogótica… enfim, valia a pena visitar…

A bem dizer as atrações turisticas estavam todas fechadas, mas não houve qualquer stress, não faltarão oportunidades para voltar a passar lá.

Na Place de la Réunion fica também a antiga Câmara de Mulhouse, um edificio lindissimo renascentista em arenito vermelho, que mais parece um escultura gigante. Fez-me lembrar as câmaras das cidades belgas, que são sempre monumentos a observar de perto.

Eu vou sempre parar a apreciar pormenores de arte nas ruas…

Da Rota dos vinhos da Alsacia eu tinha de selecionar uma ou duas aldeias para rever, estava fora de questão parar em muitas (ou todas como fiz da vez que percorri toda a rota) e estava fora de questão também não parar em nenhuma!

Por isso, embora tivesse a certeza de que haveria muita gente por lá, decidi passar em Eguisheim, porque é linda e porque comi lá uns pães de queijo que me ficaram na memória e eu queria voltar a experimentar!

Estacionei a moto na rua principal, não queria ficar muito longe das casas que vendiam o famoso pão, nem de todas as atrações que queria rever! Ok, eu sei que não é permitido a turista parar ali, mas eu já sou da casa… ou não?

Passaram policias e não disseram nada, apenas apreciaram a moto… ok, vamos dar uma voltinha a pé.

A terrinha é linda em todos os seus recantos e felizmente não estava tão cheia de gente como eu esperava! Uma sorte!

“A Route des Vins d’Alsace sempre atrai minha atenção e eu acabo por voltar a passar para reviver mais um pouco da sua beleza. Eguisheim deve ser uma da terrinhas mais bonitas da route e das mais visitadas também, está sempre cheia de gente que se passeia para cima e para baixo nas suas ruinhas bonitas ladeadas por encantadoras casas de travejamento exterior, em cores vibrantes e pormenores antigos. Pousei a minha moto bem no meio da população e a Place du Château Saint-Léon era logo ali. Uma bela pausa para descansar e lanchar um delicioso pão de queijo, antes de seguir viagem para norte.”
(in Passeando pela Vida)

Tão bom passear calmamente sem tropeçar em mil pessoas…

Espera-se apenas um poucquinho e não aparece ninguem nas fotos!

Em Riquewihr ja havia mais gente, mas nada que me impedisse de passear em paz e apreciar de novo a beleza do local.

Realmente tudo é lindo por ali como eu me recordava ser. É daquelas zonas que vale a pena visitar quando se passa perto, quanto mais não seja para se tomar um copo de vinho numa esplanada, acompanhado de um belo Bretzel!

Os desenhos que eu já fiz por ali em tempos! Lembro-me de me encostar a qualquer canto e registar os belos pormenores. Desta vez não me apeteceu. Fiquei-me pelas fotos, muitas fotos, e pelos lanchinhos. Algo me dizia que tinha de aproveitar bem enquanto encontrava facilmente os petiscos que aprecio, antes de chegar ao ponto mais complicado da viagem onde encontrar o que comer poderia ser uma aventura…

Seguiria para o Mosel, onde ficava a minha dormida ,apreciando o que encontrasse no meu caminho. Saint-Quirin foi uma das terrinhas desertas que encontrei.

Não sei onde andava toda a gente, afinal nem era domingo nem nada! É um contra-senso, se está muita gente é uma chatice, se não está ninguém é uma tristeza. Enfim, a verdade é que se aprecia tudo melhor sem ninguém em redor!

Como os pormenores encantadores nos jardins das casinhas particulares.

Viajar a solo tem este encanto, a gente está consigo mesma, não pede nada a ninguém, não se preocupa com ninguém, pára e faz como quer, quando quer…

E as coisas que me fazem parar, provavelmente, não fariam parar mais ninguém. A paz, por exemplo!

Ainda parei em Sarralbe, antes de chegar ao Mozel. Não visitei a enorme igreja, embora fosse ela quem me fez parar.

A Eglise Saint-martin é gotica em tem na sua frente a Porte d’Albe, os restos da muralha da cidade.

Ok, desta vez dei uma olhada por dentro

A terrinha é simpatica, deserta, mas simpática. Acho que tudo nesta viagem conspirou para eu me ir habituando à solidão da Islandia!

A Alemana era logo a seguir, 3 países de uma vez, isso porque passei ao lado do Luxemburgo e não entrei!

E eu estava cheia de vontade de rever os caminhos do Mozel. Pelo que me lembrava, as paisagens eram deslumbrantes e as localidades cheias de gente e animação, com bom vinho a acompanhar!

E estava lá tudo à minha espera!

Habituada a passear pelo Douro, fico sempre fascinada com zonas vinicolas tão parecidas e tão diferentes!

A minha dormida era em Reil, Alemanha. Eu já lá estivera e sabia que era uma aldeia muito bonita, por isso fiz questão de chegar a tempo de explorar um pouco ainda de dia.

Os pormenores sempre me chamam a atenção e me fazer cair na gargalhada de vez em quando!

Os vizinhos do hostel se encarregaram de alojar a minha motita num recanto entre as suas casas, Muito simpáticos os alemães!

E fui passear e procurar onde jantar, claro, que nem só de sandocas vive esta mulher!

Havia coisas interessantes por ali!

Mas definitivamente a minha moto cativou as atenções! Fiz amizade com uma tailandesa a viver em Rail, que conduzia uma belíssima Vespa! Fascinou-se pela minha motita e ficou tão feliz quando eu disse que adorava Vespas e que já tinha tido 2 mais pequenas que a dela. Momento giro.

Toda feliz lá foi ela à sua vida na sua motita bem simpática!

E eu continuei o meu passeio. Fui até à margem do rio apreciar toda a sua beleza enquanto anoitecia. Fiquei a ouvir musica e a curtir o local até ficar de noite e, quando voltei a subir para o jardim na berma da estrada, apanhei a luz das casas de frente. Os meus olhos estavam habituados à escuridão e eu fiquei encandeada, pus o pé e não havia chão…

E como numa Via Sacra, caí pela primeira vez!

Eu sempre caio nas minha viagens, já começa a ser normal, mas daquela vez foi assustador! Porque ao perceber que iria cair, porque não via o degrau, pus a mão para me proteger, mas havia um banco de jardim na minha frente. Instintivamente virei a cabeça de lado e bati com o testa com toda a força no dito branco. Se eu não tivesse virado a cabeça… teria esmagado o nariz…

Fiquei atordoada por momentos, sem entender muito bem o que me tinha acontecido, afinal eu nada via, apenas a escuridão e o vulto negro contra o qual batera a cabeça. E quando levei a mão à testa, estava molhada…

Oh céus, sangue que corre, aquilo não era apenas um galo, era uma ferida aberta, bem na zona onde pousava o limite do capacete…

Fui dormir, o meu galo cantaria ao amanhecer, seguramente….

2.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

1 de agosto de 2019

– de Decazeville – França, até Saignelégier – Suíça –

Quando me perguntam se ainda há o que ver por esta Europa que eu tanto exploro, eu lembro-me sempre da quantidade de coisas incríveis que ainda não vi e que sei que existem…

Aquele dia não seria diferente! Embora eu estivesse a atravessar de novo o sul de França, que eu já percorri vezes sem conta, havia tanta coisa incrível para ver no meu caminho que eu tinha de selecionar. É sempre assim, sempre fica tanto o que ver para as vezes seguintes que passar perto. E voltei a andar para trás e para a frente em busca de pequenos encantos que sei que existem.

Embora me irrite um pouco ter de deixar a moto e caminhar para encontrar o que quero ver, eu sabia que Conques valia esse esforço. Obviamente, o ideal para mim é ir com a moto até ao centro da cidade ou aldeia que quero explorar e só depois caminhar. Mas ali não é possível. A entrada está vedada ao trânsito de veículos não autorizados e só me restava descer até lá ao fundo.

A vantagem é que o caminho permite captar diversas perspetivas e enquadramentos fantásticos da aldeia.

A aldeia é tão bonita que apetece ficar lá por dias, caminhar, explorar recantos, comer numa esplanada e desenhar!

“Tenho saudades de me encostar a uma parece para me proteger do sol enquanto descanso um pouco da caminhada! Subir e descer ruelas por entre construções antigas e lindas, é do mais bonito que se pode fazer, mesmo cansando, mesmo suando, com o sol a incidir e a aquecer. Mas é o que fica na memória, o prazer que foi, para além do cansaço e do calor, esse calor que me faz tanta falta, num ano em que quase só tive direito a frio! Na realidade tenho saudades do sol e pronto!”
(in Passeando pela Vida -a Página)

É um dos pontos fortes de passagem do caminho de Santiago Francês e havia peregrinos por lá. Apenas consegui fotos sem ninguém porque era cedo até para eles e os que já andavam na rua estavam concentrados nos cafés a tomar o pequeno-almoço.

É verdade, eu sou muito madrugadora em viagem. Não uso despertador, apenas acordo e saio para a rua, sejam que horas forem. Por isso os meus dias parecem enormes!

“Vivo tanto numa viagem que tudo parece longínquo no fim, como se se tivesse passado noutro ano, noutra época, noutra encarnação! Então começo a rever as fotos e tudo volta de repente… estava frio à sombra, o típico frio da manhã quando passeamos por entre o casario antigo de uma aldeia rodeada de montes, eu sentei-me num degrau e fiquei quieta, a sentir a atmosfera do local. Não havia turistas, apenas alguns peregrinos do caminho de Santiago, e eu desenhei, como se tivesse todo o tempo do mundo, porque é assim que eu sinto um local que me apaixona….”
(in Passeando pela Vida – a Página)

Percebo que não sou normal quando constato que acordo antes dos devotos peregrinos para passear!

Percebo também como me transformo em viagem! Normalmente canso-me muito, por tudo e por nada, a minha tenção baixa cobra-me qualquer esforço que faça, deixando-me exausta tão facilmente. No entanto, assim que me faço à estrada, a minha resistência vai aumentando e me vou transformando numa autentica maratonista!  

A Église Abbatiale Sainte-Foy – Abadia da Santa Fé, é uma enormidade no meio de uma aldeia cheia de casinhas pequenas e ruelas estreitas! É românica e tem quase mil anos de história. Infelizmente estava fechada e eu não esperaria que abrisse… uma boa razão para voltar a passar lá, porque é linda e eu tenho de a ver por dentro.

É, tenho de voltar a passar em Conques com mais tempo, ficou a vontade de explorar os montes em redor e captar outras perspetivas do local. Talvez da proxima vez que passe perto lá vá, se não estiver a caminho de um destino tão distante como o que tinha por aqueles dias…

Verrières apareceu-me no caminho como um cenário, do outro lado de um pequeno rio, como se tivesse sido posta ali para embelezar e não para se viver!

“Cada vez que eu digo que percorro todo o caminho desde minha casa até ao sitio mais longínquo que quero alcançar, a exclamação que mais oiço é do aborrecimento que pode ser atravessar países e zonas por onde já passei tanta vez! E, no entanto, sempre há tanto o que ver e explorar a cada passagem, como se os caminhos nunca fossem realmente esgotados, porque a beleza não tem fim e os recantos nunca serão totalmente conhecidos! Como o sul de França, que é tão grande e tão cheio de pequenas populações encantadoras como um país inteiro! Desta vez passei em Verrières, e a perspetiva da aldeiazinha era como um quadro pintado ao alcance do meu olhar. O orgulho das pessoas que conversavam por ali foi visível, cumprimentando-me e incentivando-me a entrar e percorrer as ruelas com a minha moto. E ficaram a olhar enquanto eu manobrava para atravessar a ponte, sem deixar de comentar como a moto era linda e eu era “une femme courageuse””
(in Passeando pela Vida – a Página)

Realmente a moto parecia gigante nas ruelas e junto das casinhas pequenas. Tudo uma questão proporção!

terrinha era pequenita, mas tinha um castelinho com a porta aberta para quem quisesse espreitar!

“São tantas as comunas que ladeiam o rio Lot que eu quero conhecer que, a cada vez que passo por ele, tento visitar mais uma ou duas. Desta vez passei por Espalion, com as suas casinhas antigas debruçadas sobre o rio, em cenários de encanto. Sentei-me por e a sensação foi de saudade de tantas outras explorações do belo país e a vontade era de continuar passeando por ele explorado todas as suas belezas. Tudo tão bonito por ali…”
(in Passeando pela Vida)

Como eu gostava de poder viajar por mais tempo, um mês de cada vez é tão pouco para explorar tudo o que quero….

Passeei em redor, de uma ponte até à outra, porque havia coisas que eu queira ver. Entre as duas pontes as calquières guardam memórias antigas dos curtumes na região, casinhas com varandas de madeira sobre o Lot!

E segui para Estaing. Já lá tinha passado a caminho da Rússia, mas é daqueles sitios onde apetece ficar, por isso voltar a passar nunca é demais!

Já desenhei ali, mas não resisti a captar um novo momento. A moto estava estacionada no sitio ideal para registar uma nova perspetiva e uma nova memória!

Acho que por ali toda a terrinha que se prese tem o seu proprio castelo!

As estradas estavam cheias de gravilha negra, podia sentir as pedrinhas a tilintar por dentro dos para-lamas da moto, e questinava-me se na Islândia a sensação seria semelhante àquela. Gracejava no facebook “Frio e gravilha negra por todo caminho… acho que já estou na Islândia e nem dei por ela!!!! 😉

Nem eu imaginava, naquele momento, como seria parecido, mas muito mais perigoso e assustador do que apenas pedrinhas que subiam pelos para-lamas a moto acima…

O Lot ecanta-me a cada vez que cruzo com ele, um rio que já prometi a mim mesma percorrer de ponta a ponta, porque ele é lindo e porque está rodeado de sitios encantadores, aldeiasinhas e castelos medievais.

E eu sempre paro vezes sem conta quando cruzo com ele, para explorar mais um pouco ou, simplesmente, para fazer um picnic!

Ainda daria tempo de passar em Ternand, uma aldeia no topo de um morro, feita de casinhas de pedras douradas.

Ao tempo que eu queria passar ali! Mas não esperava ser a unica estranjeira a passear por lá! A bem dizer apenas encontrei habitantes locais, coisa rara numa terrinha tão bonita que eu temia estar mesmo cheia de turistas!

A cor ocre das pedras era tão fascinante como eu imaginava pelas fotos da internet, e os promenores deliciosos!

A sensação era que toda a aldeia estava ali para mim, eu podia demorar o tempo que quisesse apreciando o que quisesse pois não havia ninguém a perturbar a minha exploração. Apenas um ou outro habitante local passava aqui ou ali, de resto estava todo ao meu dispor para apreciar e desenhar!

Oh, e os pormenores eram deliciosos por vezes! As gargalhadas que eu dei com o aviso do “gato bizarro”! Ahahahahah

E na verdade encontrei alguns gatos bizarros, que me olharam com aquele ar de desprezo tão seu carateristico, e que eu adoro e me faz sempre sorrir!

O meu dia estava a chegar ao fim e eu tinha de seguir viagem, pois a minha dormida ainda era distante, algures na fronteira suíça, por isso tive de deixar os gatos e os desenhos para trás.

É nestes momentos que tenho de controlar a minha vontade e deixar de parar em todo o lado, para seguir o meu caminho. Ao fim de mais uma série de quilómetros encontrei a fronteia Suíça e a minha dormida seria logo a seguir. Eu sempre tenho de levar as minhas motos até lá, nem que seja por meia duzia de quilómetros.

Do tipo “vês Scralett, foi por causa deste país que eu comecei a viajar pela Europa de moto!”

E para me aquecer o coração (e o estomago) o hostel tinha restaurante e o restaurante tinha “moules/frites” yessss

As tradições criam-se e uma que eu criei foi comer mechilhões com batatas fritas em todas a viagens que faço! Costuma ser em França, mas se for na Suiça, na Bélgica ou na Rússia, (yess, também os encontrei lá) serve perfeitamente!

A motita dormiu na rua, juntinho da esplanada, bem onde a parei quando cheguei…

Eu e ela fizeramos mais de 800km naquele dia, estava na hora de descansarmos as duas.
Até amanhã Scarlett…