8.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

– navegando… –

7 de agosto de 2019

Como ocupar o tempo quando se tem tanto sem nada para fazer?
Sempre as mesmas pessoas, as mesmas lojas, as mesmas salas, as mesmas paisagens, Acho que fui morrendo de tédio a cada minuto que passava, e os minutos transformaram-se em horas infinitas. Eu li, eu escrevi, eu olhei a minha localização, tudo vezes sem conta, até à insanidade!

E a bolinha azul, que era eu no mar, não se movia quase nada a cava visualização! Só me ocorria que, se houvesse estrada, eu faria aquilo num instante de moto! Eu poderia até fazer tudo num dia…

Fui-me vingando a comer, mas até isso perdia a piada! O pequeno almoço era a coisa mais interessante para comer, com pão fresco de diversas qualidade e todas aquelas coisas que eu gosto!

Lá fora estava um frio de rachar, com direito e vento e humidade com fartura. E tal como eu, muita gente passava por lá a todo o momento, provavelmente, como eu, para não enlouquecer de tédio!

Nada que me impedisse de fazer uns desenhitos…

Então avistaram-se ilhas no telemovel, fiquei tão excitada, estariamos já a passar nas Ilhas Faroé?
Mas não, era ainda o arquipélago das Shetland, a norte da Escócia…

Mais umas horas a passear pelo barco, a desenhar aqui e acolá…
Mas a paciência era pouca, quando já se começa a desenhar pormenores do barco para se passar o tempo…

Quando o barco começa a balançar há sempre gente a enjoar! Isso é terrivel porque, mesmo eu não enjoando no mar, se vir alguém vomitar fico mal disposta e posso enjoar também. Então só me resta sair de perto. Mas às vezes é tanta gente por todo o lado a querer deitar carga ao mar, que só fugino dali, mesmo com frio e vento! Céus, como eu destesto tudo aquilo!
Ao menos o mar é sempre bonito, com os passarocos a animar o momento!

Então elas começaram a aparecer, as Ilhas Faroé!

Confesso que foi uma emoção avistá-las pela primeira vez!

Uma rapariga correu com o seu caderninho para desenhar as primeiras perspetivas das ilhas, mesmo com aquele vento todo, bem na frente do barco!

Ela não levava os materiais mais apropriados para desenhar naquelas circunstâncias, Tinha um estojo com vários lápis que era difícil de usar, e os lápis de cor não eram boa ideia para aquele vento todo. O melhor teria sido usar um pincel com reservatório de água e aguarela, como eu faço. É fácil de manusear e apenas com uma caneta, o pincel e uma caixinha minúscula de aguarelas, o desenho sai rápido.

Não faz sentido ficar ali ao vento e ao frio e desenhar basicamente de memória, pois ela nem conseguia olhar direito para a paisagem.
Eu sou prática, fico de pé, pouso o caderninho na grade, a mão que não desenha segura o livrinho e a caixa de aguarela, a outra faz tudo o resto num instante! Claro que o resultado é simples, não iria ficar ali a vida toda a dar mais pormenor!

E perder o espetaculo que era estar a ver terra depois de tanto mar!

Então começaram a aparecer as casas, estavamos a chegar a Tórshavn!

Ver civilização depois de tantas horas de barco era, no mínimo, emocionante!

O tempo estava cinzento, mas mesmo assim tive tanta vontade de sair! Naquele momento estava a precisar tanto de conduzir!

Podia ver as casinhas vermelhas, de telhado de relva, que compõem o governo feroês, na pequena península de Tinganes.

E do outro lado do ferry via-se o pequeno farol

O porto não é grande, acho que nada é grande naquelas ilhas, mas é muito movimentado!

Ficamos ali muito tempo. Afinal as ilhas são abastecidas pelo ferry, que transporta duzias de camiões com tudo o que é necessário e que não se produz ali. Lembro-me de ver imensos camiões de fruta!

O nosso ferry parecia gigante ali no meio, onde tudo é pequenino!

(Sim, o ferry tinha jacuzzi exterior e o povo usava aquilo com o maior frio, em alto mar!)

Meu Deus, eu já morri e ressuscitei diversas vezes e ainda agora atingi a primeira etapa do caminho até à grande ilha! Não sou uma pessoa ansiosa mas desta vez acho que vou morrer de ansiedade!

E depois de mais uma eternidade, ele moveu-se de novo e nós partimos! Eu tinha curiosidade de ver por onde seguiriamos. Por entre as ilhas? Quais, como?

E foi fascinante! Era uma sensação quase surreal, numa atmosfera tão etérea que eu quis ficar…

Estavamos a passar por entre as ilhas do norte!

Pudesse eu percorrer e contornar todas aquelas ilhas de barco, para poder ver e viver aquela sensação para sempre!

O meu pensamento era, como se percorriam aquelas ilhas se não se via qualquer rua desde o mar? Será que as ruas nunca dão para a água? Serão todas internas, por dentro das ilhas? Seria uma uma pena! Mas é claro que não, eu vira-as em casa ao traçar caminhos, que parvoice!

Apaixonei-me pelas Ilhas Faroé só por as ver passar…

Eu precisava de ficar mais tempo, não tinha a certeza se quando voltasse lá viveria a mesma sensação e isso deixava-me nostalgica…

E veio mais mar, mar alto, sem nada mais para além de mar para ver! Céus, vou morrer de tédio!

Com um pôr-do-sol mixuruca por entre nuvens carregadas. É, eu já percebera que iria ser recebida com chuva no meu destino, embora ainda estivesse tão longe…

O povo também se entretinha a apanhar as melhores perspetivas do que havia em redor, embora não fosse nada de muito extraordinário.

Ainda fiz amizade com algumas pessoas por ali, sobretudo as mais interessadas na paisagem, por-do-sol, ilhas e por ai fora. Porque muita gente não quis saber de nada, apenas ficara todo o tempo entre os salões e nos camarotes. Como eu os compreendo, a seca era grande por todo o lado!

A sensação boa que o pôr-do-sol trazia era de que amanhã chegaria à Islândia, com chuva ou sem ela!

7.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

– partindo para o mar… –

6 de agosto de 2019

Só de pensar no que me esperava para os próximos dias, já ficava deprimida! Arrumei a minha bagagem de forma a ser fácil retirar as coisas mais necessárias, sem ter de desmontar tudo quando embarcasse, e sentei-me no degrau das escadas a pensar na minha vida. O que iria eu fazer em dois dias e meio no mar? Ler? Escrever? Comer? Definitivamente entediar-me até à morte!

Claro que quando o destino é fantástco, o caminho valerá sempre a pena, mas não, eu não gosto de ficar tanto tempo a olhar para o balão à espera que o caminho passe. Até ali as travessias mais longas que eu fizera, entre o norte de França e a República da Irlanda e entre a Finlândia e a Suécia, não tinham passado as 17 ou 18 horas e eu quase morri de tédio… agora seriam tantas mais…

Não importa, o que tem de ser feito não pode ser evitado! Ainda por cima estava uma bosta de tempo, para que eu não me perdesse pelo caminho e estivesse no porto de Hirtshals a horas! Se a hora do embarque era 11.30h isso queria dizer que eu devia estar lá duas foras antes, 9.30h portanto. É bom que chova mesmo para que eu não me atrase.

Não tenho qualquer srtess em andar de barco, cruzeiro ou ferry. Não tenho medo do mar e não acho que tudo vai afundar só porque eu estou dentro. Stresso sim com o receio de fazer as coisas erradas, não encontrar o cais de embarque, chegar tarde, embarcar no ferry errado, eu sei lá!

Stresso por depender de um transporte que não o meu!

E a verdade é que os meus medos já se realizaram antes, quando errei na reserva para o ferry para a Irlanda e quando cheguei ao porto, não havia reserva nenhuma no meu nome! Lembro-me que o meu coração gelou! Claro que tudo se resolveu, de uma maneira ou de outra, e eu lá embarquei noutro ferry de ultima hora. Mas morri por uns longos minutos!

Desta vez o stress foi encontrar o cais onde a companhia Islandesa operava. Dei voltas e mais voltas, seguindo placas que se contradiziam, murmurando de mim para mim “tem calma que há tempo, é cedo” e acabei por encontrar o cais seguindo camiões com o logotipo da Smyril Line. Eu iria atrás deles até ao fim do mundo para enontrar o cais! E encontrei.

E sim, cheguei a horas de esperar uma eternidade para embarcar! Fiz amizade com um casal de Malta, muito simpático, e um alemão meio atarantado. Ficaram chocados por me verem ali sozinha. Ao tempo que não ouvia a tradicional pergunta: Os teus amigos?

Mas chocada fiquei eu quando o alemão descontraiu, tirou o capacete e começamos a falar! O homem tinha idade para ser nosso pai! 78 ou 79 anos, sozinho a caminho da Islândia, numa moto antiga e pronto para acampar? E tinha a lata de ficar espantado por eu ir sozinha? A sério?

Já tinha feito aquela viagem 15 anos atrás, ao que percebi com a mesma moto, e agora queria reviver a experiência pois não viajara muito nos ultimos anos e tinha de recuperar esse tempo perdido. Em momento nenhum se referiu à idade como um receio ou uma limitação. Eu quero ser assim aos 79 anos…

Ali as motos não são colocadas em linhas próprias, nem são encaminhadas para a frente de todos. Apenas se alinham com os carros até passarem o controle de bilhetes e documentos, como numa portagem ou fronteira. Vamos lá ao arranca – pára- arranca – pára, que é para isso que nos dizem para chegarmos duas horas antes do embarque!

Era este o aspeto do documento da minha reserva.
Sim, ele vai encadernado no meu livro-guia de viagem, é menos um papel à solta na bagagem.

Esperando que do lado de lá da “portagem” haja uma linha para as motos, não estou a ver estacionarem as motos de qualquer maneira, no meio dos carros, numa viagem tão longa!

E sim, do lado de lá uma linha era só nossa e as moto já eram bastantes! Senti-me menos estupida por stressar com embarques, ao perceber que tanta gente madrugara para embarcar ao mesmo tempo que eu! Fiquei feliz por ficar atrás daquelas motos todas, significava que só teria de os seguir sem me preocupar, e que a minha moto ficaria seguramente atrás das deles, o que provavelmente me possibilitaria sair primeiro ao desembarcar! Yess!

Depois com tanto homem por ali, seguramente algum me ajudaria a amarrar a moto, coisa que me custa bastante fazer. Sou muito fragil de mãos, tenho pouca força nos braços e tenho medo de não conseguir fazer as coisas bem, por isso!

Percebi que eu era a unica mulher condutora e mesmo as penduras eram poucas. E tal como eu suspeitara, não havia ninguém a prender as motos, cada um amarrava a sua! Oh valha-me Deus!

O sistema da fivela, que prende as fitas quando têm de ser esticadas, não era nada simples e aqueles homens estavam todos às voltas a tentar entender como prender as suas motos. Como iriam ajudar-me a prender a minha?

Ao meu lado veio pôr-se uma Africa Twin, fiquei contente por ter uma Honda ao lado da minha Honda! Era italiana e tinha uma grande amolgadela na matrícula, parecia que tinha apanhado um tiro na placa, de tão funda era a cova! Ía perguntar o que lhe tinha acontecido, mas o tipo pôs-me um olhar assassino! Ele olhava para mim com um desprezo que me fugiu qualquer vontade de falar. Que foi homem? E ainda por cima olhava insistentemente. Já sei que estou aqui às aranhas com esta porcaria de fitas imundas e fivelas emperradas, mas se não queres ajudar, também não precisas prejudicar!

Voltei-lhe as costas e mandei-o catar-se.

Não tentei mais, aquilo não funcionava, a fivela não corria, larguei tudo e fui pedir ajuda a um dos homens da empresa, que andava por ali a orientar as motos. Foi simpático o rapaz e veio prender a minha querida Scarlett, todo dedicado. Ficou surpreendido por eu estar sozinha, parece que não é muito comum, quando há mulheres condutoras, viajam em grupo com outras motos, logo eu era uma raridade! Sério? Elas hão-de vir, não se preocupe! Acabou por descobrir que a fivela da minha fita estava estragada e por isso eu nunca conseguiria fazê-la correr!

Estás a ver óh otário da AT, esta coisa está avariada não sou eu que sou azelha!

Acabei por ser das primeiras a ter a moto pronta e sair do porão! Dali até partirmos ainda demoraria um bom tempo, ainda estavam a embarcar os camiões noutro porão e os carros só entrariam depois. E a sensação de “isto nunca mais acaba” aumentou dentro de mim, ali mesmo!

O raio do barco não tinha fim e demorei a orinetar-me pelos corredores.

Acabei por perceber que o porão das motos era o Deck 4 e que eu dormiria abaixo da minha moto, no Deck 2 e que o Deck 3 não existia ou não era da nossa conta. talvez máquinas, porão de embarque comecial, sei lá!

Quando se marca a viagem do ferry é obrigatório marcar também um lugar numa couchete ou um camarote, simplesmente não existe hipotese de viajar em cadeirão, como noutros ferries que eu conhecera antes. E está certo, não faz qualquer sentido as pessoas viajarem sentadas em cadeirões, como quem viaja de autocarro! As couchetes são pequenas e cabe uma série de pessoas nelas. Achei que me ia sentir claustrofobica ali dentro, é sempre essa sensação que tenho. Mas até é engraçado e não é nada sufocante. Só estavamos 3 mulheres instaladas ali, por isso não faltava espaço e ar.

Arrumei o meu canto e larguei as tralhas na minha cama. O que é suposto eu fazer a seguir? Então senti-o move-se! PARTIMOS!

Nem sei como passou tanto tempo desde o embarque, que eu nem me dei conta! E estava na hora do almoço, que estava incluido no meu bilhete!

Eu só iria para as Ilhas Faroé no regresso da islândia, mas já fui provando a sua cerveja.

Gostei bastante! Eu achava que devia aproveitar a cerveja enquanto a tinha, imaginando que não deveria encontra-la facilmente na grande ilha. E como eu estava certa!

Ainda bem que não me esforcei por encontrar e comprar um mapa da Islândia, porque ali no barco eram de borla, pouco importava se eram de verão ou inverno, servia!

Eramos cerca de 600 pessoas a viajar, não sei onde estavam, mas graças a Deus não tive de levar com elas todas no meu caminho o tempo todo.

Começou o tédio absoluto! Nada para fazer, sempre a mesma coisa em meu redor, ler, escrever, desenhar, comer beber, por mais 60 horas….

Não sei quantas vezes filmei o mar, mas foram muitas vezes, mesmo sabendo que ele era tudo o que eu veria pelos proximos dias, sempre igual… ou parecido!

6.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

– de Sonder Felding até Aalborg, Dinamarca –

5 de agosto de 2019

Foi uma belíssima noite de sono numa casinha de sonho e numa localidade silenciosa! Não há muita coisa que perturbe o meu sono, eu apenas durmo bem onde quer que aterre! Não estava um dia de sol, o que era uma pena, mas se não chovesse já era muito bom! Uma pena não poder contar com um céu azul, fica tudo tão pobre com o céu branco ou cinzento! Ao menos que hajam nuvens revoltas no céu para que não pareça tudo tão doentio!

Depois não importava que estivéssemos no inicio de agosto, estava um frio de rachar la fora! Isso não me impediu de tomar o pequeno-almoço no meu pequeno jardim exterior!

Detesto viajar com muitas tralhas, é sempre aquela complicação ao arrumar tudo na moto. O tempo que eu demorava a pôr tudo no sítio exasperava-me! Que saudades da minha pequena mochila com o essencial e mais nada!

Ora com sol ou sem sol eu iria dar uma voltinha pelo país acima. A coisa que mais me stressa numa viagem com ferrys marcados é que não sou completamente livre de andar à toa. tenho horários para cumprir e nada me pode impedir de chegar a tempo, ou ficarei em terra. e eu tinha de me aproximar do norte para estar no dia 6 à hora certa para embarcar.

Nunca me sinto confortavel em ficar muito longe para que, se tiver algum contratempo, mesmo assim consiga me desenrascar e chegar a tempo. Assim iria calmamente até Ålborg e só amanhã seguiria para Hirtshals.

As igrejas dinamarquesas sempre me atraem, são quase sempre brancas, com uma torre de telhado de duas águas e com o cemitério em redor, que são normalmente belíssimos jardins. E a Sonder Felding Kirke, tão pertinho dali, era um belo exemplo disso.

Eu sempre gostei de visitar os cemitérios que vou encontrando em viagem. Nunca foram sítios que me perturbassem, afinal são sempre um retrato do sitio onde estou e uma forma de saber como cada população trata os seu mortos.

Por aqueles dias, no entanto, entrar em igrejas e cemitérios acabava por reavivar o meu sentimento de luto. No entanto eu tinha de entrar e ver, tudo isso faria parte de minha vida…

E tudo é tão bonito e sereno num local como aquele, afinal os cemitérios dinamarqueses estão entre os mais bonitos que conheço! Não sei quanto tempo passeei por ali, mas bastante, antes de seguir na direção do mar, para leste…

Horsens é uma das grandes cidades da Dinamarca, isso não quer dizer que seja muito grande, considerando que é bem mais pequena do que o nosso Porto, por exemplo.

A quantidade de grafittis que fui encontrando pela cidade!! Alguns bem bonitos por sinal.

Depois há as igrejas de tijolos, que sempre me fascinam! Como a Klosterkirke – ” igreja do claustro ” . Como pode um edifício do século XIII, todo em tijolo, ainda estar de pé e bem, depois de tantos séculos?

O interior apanhou-me de surpresa, esperava que fosse com o tijolo exposto, mas era branco!

No entanto nada a ver com as igrejinhas brancas que se encontram por todo o lado!

Em torno da igreja as casinhas têm ar de serem quase da mesma época que ela! Quem olha a partir do jardim parece que está em cima de um telhado, mas não é mais que o topo do muro revestido por telhas.

Na perspetiva da moto o muro é mais facil de entender. Deve ser curioso viver-se numa rua que vai dar ao jardim de uma igreja daquela envergadura!

Sei lá, deve ser curioso viver numa daquelas casinhas de qualquer maneira!

No centro da cidade fica a Vor Frelsers Kirke – Igreja do salvador – o edificio mais antigo da cidade!

E esta sim, é toda em tijolo exposto no seu interior.

Muito mais encantadora que a outra, para mim pelo menos, que não sou fascinada por barroquices…

Ui, o que eu cairia na consideração da minha professora de Historia da Arte da faculdade, se ela me ouvisse dizer tal coisa! O Barroco é lindo eu é que sou uma incessível! ahahahah

Só faltava o sol na praça em redor…

Encontrei Hans Christian Andersen, o grande escritor dinamarquês, pelas ruas da cidade.

Um belo tributo a um dos grandes escritores daquele país e do mundo!

As ruas de comércio são tão fofinhas, casas baixas em ruas pitorescas.

E os grafittis fantásticos! Já estava a caminho da saída da cidade quando deparei com aquela imagem enorme, travei de repente, pus os 4 piscas e fui ver de perto! Extraordinário!

Bem, siga para Åbyhøj, mas antes de me perder pela cidade tive de parar com calma na Åbyhøj Kirke. Sempre as igrejas a chamar-me a atenção!

Todo o enquadramento da igreja é tão bonito que contornei o espaço por fora, para poder vê-lo em todas as perspetivas.

E o cemitério em redor é simplesmente lindo!

Um jardim lindo como poucos! Quem diria que aquilo tudo é um cemitério?

Um senhor cuidava do jardim/cemitério, viu-me dar a volta por fora dos muros, espreitando, tirando fotos e sarrabiscando uns desenhitos e, quando apareci no “corredor” onde ele estava, chamou-me. Falava perfeitamente inglês, perguntou-me o que eu procurava. Disse-lhe que procurava ver a igreja, e o espaço em volta, de todos os ângulos pois era tudo muito bonito. Ele sorriu com orgulho, contou-me que a igreja foi construida durante a Segunda Grande Guerra, mas que o cemitério era mais antigo, disse-me para entrar na igreja pois estava aberta e era muito simples e bonita. Comentou que o cemitério era um sitio muito bonito para se passear ou fazer um picnic… se ele soubesse o que por cá se pensa sobre passear ou fazer pincis num cemitério… sorri com a ideia!

Agradeci-lhe e fui ver, eu pensara que estava fechada!

Tão bonito!

Se eu fiz um picnic ali? Claro que fiz, tinha mesa e tudo! 😀

Aarhus era logo a seguir. Não vi muitas motos por aquele país acima, mas consegui estacionar a minha Scarlett junto de uma amiga!

Fui guiada pela Aarhus Domkirke, a catedral de Aarhus. Aos poucos ia voltando ao meu normal de entrar em tudo o que era igreja que atraia a minha curiosidade…

É uma igreja católica do século XIV, ainda românica, por isso eu tinha de ver por dentro, ainda por cima também é em tijolo.

É branca por dentro, imponente e bonita como uma catedral deve ser! É dedicada a São Clemente, padroeiro dos marinheiros (não fazia ideia, soube-o lá!)

Passeia-se depois um pouco em redor, pela Store Tory – a Praça Grande,

O edificio do teatro é um espetáculo, do inicio do secula XX, um belo exemplar de Art Nouveau dinamarquês, uma pena que não pude ver por dentro…

Parei junto ao mar, mas era a Ebeltoft que eu queria ir. Sim, eu estou sempre a parar para ver coisas e para comer e beber! Haja uma bela paisagem e eu paro!

O sol apareceu… ou em fui ao seu encontro?

Ebeltoft é simplesmente encantadora! Eu sei, quase todas as terrinhas dinamarquesas o são, mas esta ficou no meu coração!

As casinhas não são tão coloridas como em Odense ou outras cidades, mas são tão mimis!

A igreja estava fechada, uma pena pois gostava de ver se era em tijolo ou caiada de branco, já que por fora tem as duas cores.

Mas as ruinhas são deliciosas, apesar do paralelo graúdo ser um bocado saltitante para a moto!

Impossivel não parar aqui, ali e acolá, para observar os pormenores!

Oh e a Gamle Rådhus – Antiga Câmara – é linda! Hoje é um museu e eu tive de usar o tradutor para perceber, pois pensei que ainda estava em serviço. É o Museu da Jutlândia Oriental.

Tinha de voltar ao meu caminho para o norte, mas isso não queria dizer que fosse a correr. No caminho ficava Grenå, que valia a pena visitar também. É sempre assim, há sempre mais isto e aquilo que vale a pena visitar, por isso é tão reconfortante viajar com as dormidas marcadas, assim não há qualquer stresse em procurar onde dormir, apenas basta consultar no GPS a hora de chegada e perceber se tenho ou não mais um pouco de tempo para parar de novo, mais uma vez e outra, até chegar a casa!

Parece que aquela gente é como os ingleses, fecham cedo e enfiam-se em casa! As poucas pessoas que andavam na rua quando eu cheguei desapareceram aos poucos e não havia mais ninguem por ali quando fui embora! Teriam medo de mim? ahahahahah

A vantagem de não haver ninguém na rua é que pude andar por onde quis e tirar as fotos que me apeteceu, sem o stress de alguém se sentir invadido por estar nas minhas fotos.

Uma das razões porque nunca fotografo pessoas é por causa da sua sensibilidade. Já me aconteceu de pessoas me verem querer fazer determinada foto e pararem no meu caminho para depois reclamarem que eu as fotografei! A sério?

Um dia, quando eu estava a visitar uma catedral em França, um cromo, vendo que eu estava à espera que ele saísse da frente para eu tirar uma foto geral, parou a olhar para mim. Como ele não saía, eu fiz a foto com ele mesmo e não é que o tipo veio-me mandar apagar a foto porque ele ficou nela sem dar permissão! Oh amigo eu só a apagarei porque o senhor é feio como a merda e isso estraga a minha foto, agora você é que me diva pedir permissão para ficar numa foto minha, ó palerma! Lá se foi embora todo furioso.

OMuseum ØstjyllandParece é um edificio muito bonito. Parece que há varios museus da Jutlândia Oriental, se calhar um em cada terra, será? Este é mais um!

Hobro é uma zona que eu tenho de explorar melhor. para já foi só uma passagem a caminho de outro lugar. A Hobro Kirke estava fechada…

No topo de uma pequena colina, uma constução muito interessante, a parecer um castelinho.

A colina era suficientemente elevada para se poder ver um pouco da cidadesinha lá de cima.

Uma chatice, porque é que os dias não podem ter quinhestas horas e as coisas não podem estar abertas até o amanhcer?

Niguém nas ruas, tudo fechado… será que vou poder comer ao chegar a Ålborg, ou vai estar tudo fechado também?

Nem 6 horas da tarde eram e parecia que havia um recolher obrigatório por ali! Ui, um café aberto no meio do nada?!

Ok Ålborg, vamos lá que o tempo está a ficar ranhoso e eu não quero vestir fatos de chuva!

“A minha casa por hoje, antes de comecar a chover a potes. Esta gente deixa a porta aberta com a chave debaixo de uma pedrinha no topo das escadas para eu entrar e me instalar quando chego! Já ontem foi a mesma técnica. Aqui não há medo dos ladrões!”
(in Facebook)

O tempo estava incerto mas eu não resisti em dar uma volta pela cidade. Afinal eu tinha de comer e de levantar dinheiro para pagar o alojamento.

“Aquele dia em Aalborg, foi cheio de beleza e expectativa! Fui seguindo a arte urbana, de mural em mural, à medida que explorava as encantadoras ruínhas típicas de uma cidade dinamarquesa. Quanta serenidade pode conter um passeio assim! E havia a expectativa, porque dali seguiria para o porto para partir para a Islândia. Mas isso seria apenas no dia seguinte e até lá, Aalborg preencheu todo o meu imaginário e gravou-se para sempre na minha memória.”
(in Passeando pela Vida – a página)

Eu gosto tanto das cidades dinamarquesas, com as casinhas térreas e ruas estreitas, onde a porta da igreja fica a 2 metros de uma casa particular!

Os jardins publicos ficam à porta de casa como se lhe pertencessem

Tudo tão bomitinho e perfeito!

Claro que eu desenhei esta casinha, mas não tenho o diário gráfico onde ele está comigo no momento… 😦

” Cheguei a casa e vim levantar dinheiro para pagar o alojamento e apanhei com uma tromba de água nas trombas! Atravessei toda a avenida, 3 vias para cada lado e refujiei-me aqui, no meio de uma estação de serviço. Lindo serviço, como vou embora agora? A nado? 😉
(in facebook)

Eu sabia que estava a abusar da sorte, mas era o momento de ver um pouco da cidade ou nada veria, e pimba, a chuva apanhou-me com toda a força! Acabei por fazer amizade com o rapaz da estação de serviço e comer qualquer coisa por lá mesmo.

Amanhã era o dia de partir para vários dias de mar…

5.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

4 de agosto de 2019

– de Bremen até Sonder Felding, Dinamarca –

Acordei cheia de gas para seguir viagem, não conseguia ignorar a excitação de voltar à Dinamarca!

Certamente não é o país com mais coisas para ver, mas há uma calma e serenidade nas suas paisagens e cidades, que me deixara saudades desde 2 anos antes, quando subi até ao topo dos paises escandinavos.

Naquela viagem, como pretendia ir muito para norte na Noruega e na Finlandia, explorei mais as ilhas de Fyn e Zelândia, que ficavam no meu caminho, deixando a grande peninsula precisamente para quando fosse até à Islândia, pois sabia que teria de a subir para apanhar o ferry. Então agora estava cheia de vontade de percorrer os caminhos do norte da Peninsula Jutlândia!

Como todas as cidades, não importa quão cheias de gente sejam, Bremen era toda minha àquela hora da manhã! Pude dar-me ao luxo de percorrer a Marktplatz  como se eu fosse a rainha do lugar!

E o que eu me diverti tirando fotos em todas as direções, com a minha motita bem no meio daquilo tudo!

Então, um senhor muito simpático, que observava a festa que eu fazia sozinha com a minha moto no meio da praça, aproximou-se e perguntou se eu não queria que ele me tirasse uma foto comigo junto da moto!

Claro! Excelente! (e eu a pensar que ele me vinha repreender por estar ali! Estes alemães não param de me surpreender!)

Até consegui tirar fotos junto dos músicos de Bremen sem ninguém por perto! É que no dia anterior era tanta gente em volta, que nem valia a pena tentar chegar perto!

Não sou de selfies, mas sou de tirar fotos à minha motita em todo o lugar! 😀

E lá segui viagem, toda contente porque tinha tido o centro de Bremen por minha conta e todo tempo que quis!

A vantagem de viajar com a máquina fotografica ao peito, é que posso captar coisas que avisto e não tenho hipotese de parar e me aproximar!

Husum era a paragem seguinte. A cidade já fica na porção alemã da Peninsula de Jutlândia e é conhecida como “graue Stadt am Meer” algo como “a cidade cinza à beira mar”.

E o mar estava baixo e tudo estava pousado no lodo!

 “Cada passo numa viagem é feito de tantas emoções e descobertas, que se misturam numa amalgama de memórias apenas deslindada com o percorrer das muitas fotos guardadas. E junto com cada foto vem o momento que aconteceu, como quando cheguei a Husum e fiquei espantada a olhar para o pequeno porto sem água. O meu ar devia ser tão visivelmente surpreendido que um velhote que passava me disse para não ficar preocupada que a água iria voltar, como sempre! Não contive uma gargalhada!”

(in Passeando pela Vida – a página)

E tudo estava como o poeta da terra, Theodor Storm, descrevia no seu poema sobre a Cidade:

Am grauen Strand, am grauen Meer
Und seitab liegt die Stadt;
Der Nebel drückt die Dächer schwer,
Und durch die Stille braust das Meer
Eintönig um die Stadt.

Claro que fui ver o que queria dizer no tradutor:

Na praia cinza, no mar cinza
E de um lado fica a cidade;
A névoa pesa sobre os telhados
E o mar ruge no silêncio
Monótono pela cidade.

Mas a cidade não é só porto e mar, na realidade é encantadora e eu explorei os seus recantos demoradamente.

muitas daquelas casinhas são do século XVI e são tão bonitinhas!

Depois das ruinhas estreitinhas, algumas parecem mesmo caminhos particulares, a Markplatz é enorme, com a sua Tine Brunnen lá no meio. A fonte, do inicio do século passado, é uma das atrações da cidade, com a escultura de Tine, a mulher de um pescador, no topo. Tenho de concordar que, a serem assim, as esposas dos pescadores por ali são muito bonitas! Algo nela me fez lembrar a nossa Padeira de Aljubarrota, o remo que ela tem na mão até me pareceu uma pá do forno! !

E lá estava uma feirinha para eu me regalar a comer fruta e apreciar os gostos do povo!

Ainda dei mais uma olhada aos barcos encalhados, não estava para breve o seu “desencalhamento”, muito antes disso eu já estaria longe!

E segui para a ultima cidadezinha alemã que eu visitaria antes de entrar na Dinamarca: Frensburg

Com recantos e ruelas muito bonitos, mas estranhamente cheia de sapatos penduradas em fios que atravessavam as ruas!

Já ouvi várias teorias sobre o que significam sapatos pendurados no topo das ruas, mas tantos nas mesma rua, acho que só quer dizer que estamos realmente na rua dos sapatos!

Chama-se ao “fenomeno” shoefiti, que junta as palavras Shoe (sapato) e Fiti (grafitti) e tem muitos significados dependendo de onde estão, porque de país para país muda de segnificado:

Sapatos pendurados na rua podem simbolizar tanta coisa:
Podem simbolizar um pacto entre os gangues e a polícia,
Podem demarcar território de tráfico ou de gangues
Podem simbolizar a primeira relação sexual de um jovem,
Podem sinalizar a morte de alguém
Podem ser apenas decoração…

Ali o que querem dizer? Não faço ideia, provavlemente apenas coisa decorativa!

Na mesma rua havia outras intervenções artisticas bem mais interessantes

Como um homem que emerge da parede da casa azul

Lá está ele a espreitar

E dos recantos que descobri e percorri, uma rua era a dos sapatos e outra a das plantas

e das casinhas pequenas

A minha Scarlett era quase do tamanho da rua!

Os espaços da cidade são muito variados, entres os caminhos estreitinhos e as grandes praças

E lá estava a St. Nikolaikirche, a maior igreja do sitio, uma espécie de catedral da cidade.

Desta vez eu iria entrar. Não é comum eu cruzar com tanta igreja sem entrar para espreitar…

Imponente como toda a igreja grande que passa de época para época absorvendo os estilos à medida que vai sendo recomposta desde o século XIV até aos dias de hoje!

Ok, fica decretado que é bonita! Agora vou seguir para norte que tenho uma Dinamarca à minha espera!

E lá estava ela logo a seguir, mas não me pude impedir de parar numa enorme casa de cachorros antes de cruzar a fronteira!

Oh, aqueles cachorros de salcichas enormes e pão minúsculo sempre me apanham de surpreza!

E lá estava a fronteira, sei lá onde, apenas passei pela placa e isso bastava!

Entrei em Kolding de grafitti em grafitti, eu sempre tenho de dar uma olhada, sobretudo em paises onde ainda os apreciei pouco!

A catedral estava fechada. Sankt Nicolai Kirke, mais uma igreja consagrada a São Nicolau, muito popular o santo por ali acima!

E as casinhas pequenas e coloridas continuavam por todos os lados, como eu me lembrava do país!

Ao longe o Koldinghus, o último castelo da peninsula… 11 séculos de castelo…

Aproximei-me para o ver mais de perto, é sempre uma forma de ver as coisas de outro ângulo!

Definitivamente um ângulo diferente!

Não havia vida na rua, claramente a vida por ali adormece cedo!

Apenas eu e a minha motita nos moviamos, o resto era silêncio e ninguém à vista. Puxa, é por isso que gosto tanto da Espanha, onde a vida começa quando todos os outros paises já estão a dormir!

Segui para Sønder Felding, onde ficava a minha casa naquela noite. E a minha casinha era bem fofinha!

O meu quarto era um miminho, bonito e aquecido, que naquele momento o calor já não era nenhum!

Tive direito à companhia de uma gatinha muito fofa que se chegou a mim como se fossemos velhas amigas.

Sentei-me no meu jardim particular, com vista para a estrada, a beber cerveja e a conversar com a gata, quando apareceu a vizinha. Uma senhora muito simpática que não falava inglês mas tinha muito boa vontade de me fazer companhia. Trouxe-me uma taça de gelado que, embora eu normalmente não aprecie, caiu muito bem com a cerveja! Como não nos entendiamos muito bem, comuniquei com ela da forma que sei quando viro analfabeta, desenhando e mostrando-lhe o meu livrinho de viagem. Ficou visivelmente interessada e encantada!

Ficou muito impressionada com a dimensão da minha moto, afinal ela enchia quase toda a garagem. Não é tão grande assim, a garagem é que é pequena, garanto-lhe que já tive moto maior e já conduzi motos comparativamente gigantes!

Finalmente fui dormir e mostrar ao mundo em que ponto estava o meu galo na testa, que ainda me magoava bastante ao usar o capacete, embora estivesse em franca recuperação. Sorte minha que saro muito rápido qualquer ferimento.

Até amanhã mundo, para mais um pedaço de caminho, a caminho de um barco!


4.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

3 de agosto de 2019

– de Reil até Bremen – Alemanha –

Doeu-me a cabeça durante toda a noite, felizmente eu durmo bem com dores. De manhã a minha testa estava inchada e formara-se uma crosta de sangue seco sobre a ferida. Definitivamente eu tinha de tomar mais cuidado comigo ou poderia comprometer o seguimento da viagem.

É certo que já começa a ser hábito eu dar um tombo ou dois no meu caminho, mas eu sempre acho que posso reverter uma má tradição, ou um dia poderá correr tudo muito mal.

Enfiei o chapéu para ninguém poder ver o estrago que fizera na noite anterior, mas ele ficava justo e magoava-me bastante. Que raio de azar o meu! Mas pôr o capacete revelou-se bem mais doloroso e esse eu não podia evitar!

Era muito cedo quando saí, mas mesmo assim tive direito à companhia da empregada do local que me serviu o pequeno-almoço. Era amiga da dona da vespa, que eu conhecera no dia anterior, e estava cheia de curiosidade para me ver, imaginando que eu devia ser gigante para conduzir uma moto tão grande. Nem eu
sou gigante nem a moto é tão grande, ela é que era minúscula, isso sim! Quis fazer várias fotos junto à moto, eu ainda lhe disse para se pôr na frente ou ninguém a veria nas fotos, mas ela insistiu que queria que se visse a moto toda e como ela era grande. Claro que tirou fotos quando montei e até quando arranquei. E eu parti imaginando que histórias ela contaria sobre uma motociclista muito grande com uma moto gigante! Apenas uma questão de perspetiva, afinal!

Depois da curva, ao fim da rua, voltava-se à esquerda na direção do Rio, e lá estava o infame banco de jardim onde eu esborrachara o rosto na noite anterior. Senti um calafrio a percorrer a minha espinha!

O meu caminho continuaria, mas nem por isso teria de ser a direito e o mais rápido possivel! A vantagem de levar o trabalho de casa feito numa viagem, é que não preciso de passar onde já passei, nem procurar pelo caminho algo interessante para ver. Eu tenho sempre um plano, pois não viajo para trabalhar e passar os serões em volta da internet para decidir por onde ir, não faz de todo o meu estilo. Serão é para relaxar, beber um copo, conviver, sei lá, mas seguramente não para trabalhar!

O Rio Mosel é muito bonito, com as vinhas muito bem alinhadas a perder de vista nas suas margens e com as populações muito bem arrumadas, a aparecer a cada passo, como em postais ilustrados!

Boas memórias vieram de quando percorri todo o rio anos atrás, 2012, era a minha segunda PanEuropean uma criança….

Tudo tão bonito e sereno em redor, fácil de compreender porque tudo aquilo ficou na minha memória até hoje! Um verdadeiro prazer passear juntinho às águas…

Impossivel passar na zona e não fazer uma pequena visita a Bernkastel – Kues! A terrinha é tão bonita que visita-la de novo nunca é demais.

E foi tão bom lá passar desta vez. Não havia quase ninguém nas ruas, o que é uma raridade numa terra tão tusistica e visitada que, normalmente, é impossivel ter-se uma perspetiva decente das suas ruelas sem uma multidão pela frente!

Desta vez até havia gente de menos, o que me apanhou completamente de surpreza!

A forma como as terrinhas vinicolas do Mosel são decoradas e atravessadas por vinhas é encantadora!

E lá estava a famosa casinha, Spitzhäuschen, do tempo em que se construíam as casas estreitinhas no solo e mais largas nos pisos superiores, pois o imposto era pago apenas sobre a área que ela ocupava no chão! Tão bonitinha, não admira que este seja o recanto mais fotografado de Bernkastel – Kues.

Verdadeiramente antiga, como uma casinha saida de uma história dos Irmãos Grimm.

Encostei-me numa esquina em frente e fiz um desenho.

Sim, que ali tudo é tão próximo e em cima, que a esquina em frante fica quase em cima da casa famosa!

Começavam a chegar turistas para verem a casinha e tirarem fotos no local. Quando me pedem para tirar uma foto eu sempre aproveito para me fazer fotografar também.

Definitivamente um recanto encantador

O povo começava a aglomerar-se nas esplanadas para o pequeno almoço no momento em que eu segui caminho. Foi na hora certa que cheguei e na hora certa que parti. da ultima vez que ali estivera, estava tanta gente que nem dava para andar direito, quanto mais apreciar calmamente a terrinha!

Eu tinha uma outra terrinha alemã em mente, há tempos que queria passar por lá, e de repente a Bélgica meteu-se no meu caminho! Confesso que, embora eu tenha um bom sentido de orientação, distraio-me bastante com as paisagens que me cercam quando vou a conduzir, por isso nem sempre tomo total consciência do que vou atravessar a seguir, e cruzar com a placa da Bégica apanhou-me de surpreza!

E bem, já que estava na Bélgica, não podia simplesmente passar sem olhar! Não havia muito para ver em tão curta incursão mas pelo menos uma terrinha chamada Rocherath, prendeu minha atenção, com a sua enorme igreja de Sankt Johannes der Täufer – ou de São João Batista! Estava fechada, uma pena, pois consta que é bonita por dentro também.

Ao que parece, aquela zona foi meio arrazada na guerra e a igreja foi construida depois de limpos os escombros da anterior, pelo que percebi, que aquela lingua não é nada facil de ler!

Nos jardins, por trás da igreja, fica a Lourdesgrotte – a Gruta de Lourdes, construida em betão armado, em cumprimento da promessa de um trabalhador por sobreviver à Segunda Grande Guerra.

Rocherath fica no parque natural germano-belga High Fens – Eifel e o tempo que eu andei a passear pelo parque, como se ele nunca mais acabasse! Num instante atravessei um pedaço de história sem contar, que fixe!

Ainda na cadeia montanhosa de Eifel, ficava a cidade que eu queria muito visitar: Monschau

O trânsito é condicionado ali, mas os motociclistas tendem a fazer como eu sempre faço, vão entrando devagarinho até ao centro, pousam as motos por ali e sentam-se nas esplanadas a curtir o momento. Mas eu sabia que todo o percurso era bonito, por isso pousei a moto no parque de estacionamento e fui caminhando, ao som da minha música, apreciando cada passo do caminho. E não me arrependi!

E os recantos que se podem apreciar se a gente caminhar e que não seria possivel apreciar de cima da moto por muito lentamente que se passasse!

E o centro é encantador, com pontes e esplanadas e o rio, que tem um nome muito giro, Rio Ruhr, a passar pelo meio

A cidadesinha fica no meio dos montes e é tão linda quanto antiga, sem grandes alterações à arquitetura tradicional de origem.

“Monschau tem aquela beleza de cidade encantada onde apetece sentar e ficar a olhar, em todo o canto, porque é linda de todas as perspetivas! Mesmo quando os turistas são mais do que as ruas parecem suportar. E no meio de toda aquela gente colorida e semi-despida pelo calor, andava eu, de preto, botas e chapéu, a lembrar o inverno no meio do verão. É sempre uma sensação curiosa, passar e toda a gente olhar, toda a gente se afastar, criando as condições certas para eu captar alguma perspetiva sem ninguém. A Alemanha é linda!”

(in Passeando pela Vida – a página)

Todo o tempo que gastei passeando por ali foi deliciosamente bem aproveitado!

Tomando um lanchinho numa esplanada como eu tanto gosto, depois de quinentas fotos e alguns desenhos!

E lá segui o meu caminho. Queria passar em Freudenberg, milhentas vezes fotografada e apresentada na internet, sempre na sua perspetiva mais espetacular, mas eu queria vê-la por dentro!

Tinha tanta curiosidade de perceber como eram as ruas, as casinhas de perto, os jardins, tudo o que não se vê na net!

E adorei o que vi até chegar à perspetiva mais famosa. Na realidade um senhor me chamou para me dizer onde era o sitio ideal para fotografar a cidade, que por ali não veria nada de especial. Claro que tive de o ilucidar que, para mim, o mais encantador fica onde as pessoas estão, ver de perto como é viver num sitio cheio de beleza de postal ilustrado!

Mas é claro que fui até ao sitio das fotos da praxe, nem fazia sentido estar lá e não subir o morro!

E segui para Bremen, onde ficaria a minha casa por aquela noite.
Aos anos que eu não passava na cidade e que bem me soube voltar a passear pelo quarteirão de Schnoor!

A primeira vez que passeei pelo quarteirão, nem sabia muito bem o que era, apenas tinha a sensação de andar numa aldeia num canto da cidade!

E é um bocado isso mesmo! O Schnoor é o centro do centro histórico de Bremen.

É um antigo bairro de pescadores, feito de ruelas estretinhas, consideradas das ruas mais bonitas do mundo, casinhas pequenitas muito antigas la pelos seculos XV e XVII.

Há ruas que não são mais que caminhos entalados entre as casas onde só podem passar pessoas magras, digo eu!

E logo ali fica a Marktplatz onde tudo fica.

Há sempre uma Marktplatz onde tudo acontece até hoje!

Foi ali que eu decidi jantar!

E como eu gosto de escolher uma bela esplanada, na praça principal, sentar e comer apreciando o movimento do serão!

Tudo é tão bonito quando anoitece e as luzes se acendem!

Será esta a ilustração da experessão “foi tudo com os porcos”?

E fui dormir, que amanhã seguiria para a Dinamarca!