38 – Passeando até à Escócia – De Dijon até Avignon!

30 de Agosto de 2011

Dijon foi sempre uma terra que eu quis conhecer, à força de a ver passar nas minhas andanças e de nunca ter podido parar para visitar! Coisas de quem quer aproveitar todo o tempo para outras terras e esquece as que ficam pelo caminho! Mas desta vez não me escaparia!

Da janela do meu quarto podia ver o pátio do Centro Internacional de Dijon onde pernoitara. Uma pousada a lembrar uma cidade universitária!

O pequeno-almoço era “contabilizado”… não acho muita piada a isso, gosto de comer o que me apetecer, pois é de manhã que carrego as baterias para o dia todo e acordo sempre cheia de fome!

Lá fui toda contente explorar a cidade, muito bonita e pitoresca

Pousei a minha Magnífica mesmo à beirinha desta igreja espantosa! A igreja de Notre Dame de Dijon, um exemplar gótico extraordinário, com uma fachada diferente de tudo o que eu vira até ali!

Uma construção do sec XIII muito bonita!

A igreja fica no centro histórico da cidade, por isso não teria de pegar na moto para o explorar!

As casinhas de madeira estão por todo o lado, perfeitamente integradas em fileiras de construções mais recentes. Em volta da igreja tudo é bonito!

O teatro estava muito giro por aqueles dias! Tinha “peúgas” coloridas enfiadas nas colunas que lhe davam um ar jovial!

A Catedral de Saint Michel, renascentista mas com reminiscências góticas, o que a torna única!

Curioso o buraco sobre o portal que permite olhar por dentro de uma espécie de campânula!

A cidade é tão confusa quanto encantadora, numa mistura de estilos que se justapõem, desde o medieval até aos dias de hoje!

Na Place de la Liberration fica o palácio dos duques de Borgonha, onde funciona o Museu de Belas Artes, a visitar um dia…

Praça Francois Rude no centro da cidade, reorganizada no inicio do século passado, encantadora!

A Route de la Liberté, que leva até à Place de la Liberration, cheia de bandeiras. Gosto tanto do efeito das bandeiras!

E ali à frente estava a feira! O que eu gosto de feiras!

Esta gente tem feira 4 vezes por semana, adicionando o mercado, não sei de que vivem as lojas!

Estava na hora de seguir viagem…

Para voltar a parar em Lyon, uma cidade que não visitava há mais de 15 anos!

Lyon é uma das maiores cidades de França e fica já na zona do Ródano-Alpes, a mesma de Genève e o rio que atravessa a cidade é o mesmo que atravessa Genève!

A Cathédrale Saint-Jean-Baptiste de Lyon estava em obras, nem pude ver a sua fachada!

Ao lado estão as ruínas de uma cidade romana, que foi sendo destruída ao longo do tempo para recuperação da pedra para outras construções.

Pelo meio dos edifícios via-se a Basilique de Fourvière que eu queria visitar, mas apenas depois de ver outras coisas cá em baixo!

A praça da catedral só tinha paisagem para o outro lado, já que esta estava toda embrulhada!

A catedral é muito bonita! Com uma origem Românica foi sendo construída por alguns séculos e adquirindo características do estilo seguinte, o Gótico!

Lá dentro pode-se ver um relógio astronómico muito bonito.

O relógio é do sec XIV e indica a data, a posição da lua, do sol e da terra, assim como as estrelas acima de Lyon. É construído sobre de acordo com o conhecimento da época, que afirmava que o Sol girava em torno da Terra.

Várias vezes ao dia uma série de bonecos mecânicos movem-se e retratam a Anunciação.

A zona onde fica a catedral é muito interessante e pitoresca, é sempre, em qualquer cidade! Cheia de ruínhas estreitas, com cafés e esplanadas e casinhas curiosas, como o Museu das Miniaturas!

Fica no bairro antigo de Saint Jean, chama-se Museu das Miniaturas e Decorações de Cinema e podem-se ver lá dentro mais de 100 miniaturas de cenários e situações quotidianas.

Lyon é a cidade onde os irmãos Lois e Auguste Lumiére inventaram o cinema e algumas destas decorações são das primeiras que se usaram para os primeiros filmes

Cá fora as ruínhas são deliciosas

Fui comer qualquer coisa que, em França, a comidinha vale sempre a pena!

E fui lá acima, finalmente, visitar a Basilique de Notre-Dame de Fourvière.

Aquela basílica é espantosa, desde o local em que está construída, uma colina onde existiu um fórum de Trajano, até à arquitectura do edifício, uma espécie de inspiração bizantina!

É um edifício recente, do fim do sec XIX, grandioso e muito bonito!

Tem uma cripta surpreendente, dedicada a St. Jean

Depois sobe-se à catedral em si e é espantosa!

Lá de cima pode-se ver toda a cidade!

Inclusive a esplanada onde eu almoçara e de onde via a basílica!

Lyon foi a capital da Gália no Império Romano e pode-se ver no bairro de Fourvière, um complexo importante de ruínas da época.

com 2 anfiteatros paralelos, um maior e um menos. Aqueles romanos já tinham, ao nosso estilo, “salas paralelas” a funcionar em simultâneo, como os nossos cinemas?

Este (o menor) tem um chão composto por diversos tipos de mármores coloridos vindos de sítios longínquos! Os tipos tratavam-se bem!

E a partir daqui a minha viagem foi feita de recordação…
Engrenei por um caminho que fizera há muitos anos, aquando do regresso da minha primeira grande viagem internacional…

Naquele dia a minha casa era em Avignon, onde eu estivera muitos anos antes, cheia de espanto e alegria por sentir tão de perto a liberdade de explorar o que se me deparava no caminho…

Fim do 25º dia!

37 – Passeando até à Escócia – De Trier até Dijon!

29 de Agosto de 2011

O meu caminho de regresso continuaria rumo a sul, mas não tinha de ser uma viagem sem interesse, por isso continuaria sem fazer vias-rápidas e muito menos auto-estradas. Há tanta coisa para ver e visitar naquele caminho que difícil seria escolher o que ver e fazer!

É esta sensação de liberdade de decisão de última hora, conjugada com o trabalho de casa feito e que me acompanha, que me fascina! Eu faço o que quero como quero! Paro aqui ali e acolá, tiro fotos sem fim ao que me apetece, como quando quero e o que me dá na telha e sigo sem perder tempo! É delicioso viajar assim!

A dormida seguinte seria em Dijon, a terra que chamei da maionese, quando na realidade é da mostarda! Mas até chegar lá havia uma série de sítios onde eu queria passar… alguns deles míticos para mim…

Fui passear para Trier, a cidade que me atraíra tinha tudo para me cativar!

Cheguei ao centro pela Porta Nigra, onde eu vira no dia anterior um parque para motos.

Foi um conforto ter onde por a moto sem stress, depois de tanto tempo sem saber onde a estacionar por terras de sua majestade!

E, pormenor curioso, no parque existe um mapa onde estão assinalados todos os parques para motociclos da cidade! Extraordinários estes alemães!

O sol estava delicioso!

Fui descobrir o Hauptmarkt, que quer dizer “mercado principal“ e é a praça central e uma das maiores da cidade. É muito bonita!

Lá atras da primeira fileira de casas fica a Igreja de St. Gangolf que é a igreja paroquial da cidade.

Entra-se por uma porta entre as casas para o pequeno patio de acesso à igreja.

A construção original era muito mais antiga, esta tem uma base gótica tardia já com decorações barrocas

Embora o barroco não seja o estilo que mais me fascina, tenho de reconhecer que aqueles tectos são muito bonios!

Na praça podem-se ver edificios bem antigos e lindissimos!

Esta é uma das praças mais antigas do país, do sec X, e contem contruções de todas as épocas posteriores: medievais, renascentistas e barrocas

Fui visitar a catedral que tem na sua origem uma antiga igreja do século IV. É a mais antiga igreja da Alemanha, erguida em diversas etapas desde o sec XI até XIV.

Lá dentro os pormenores é que me fascinaram, como o orgão que parecia uma peça decorativa de um trabalho de incrustação minucioso lindissimo!

e o tecto do coro aos “pés“ da igreja.

A igreja em si interessou-me muito mais pelo exterior…

Voltei ao Hauptmarkt, ali ao lado onde tudo se passava!

e que vai dar à Poerta Nigra, lá ao fundo, por uma rua cheia de casas giras

A Porta Nigra é uma construção romana impomente e surpreendente, do sec II!

Foi convertida em igreja no sec XII e manteve essa função durante seculos

Sempre tivera a vontade de a ver por dentro, já que as fotos que chegavam até mim apenas a mostravam por fora

Vista de frente é esta coisa extraordinária!

Não me apeteceu ir explorar os outros vestigios romanos, o rio Mosel atraia-me muito mais

E parti em direcção a sul. Recolhera já por ali ainformações preciosas que procurava sobre o rio que quero explorar e só não o segui logo porque as férias estavam a acabar e eu tinha mesmo de voltar para casa!

Passei por Metz, uma cidade que me desperta todo o interesse pela sua catedral e por ser a capital da região da Lorena, o pomo da discordia entre alemães e franceses por muito tempo.

A Tour de la Temple Garnison é visível a grande distancia e promete ser o templo que não é…

ela é, efectivamente, apenas uma torre! Na realidade ela já foi parte de uma igreja neo-gótica do sec XIX, mas depois de Metz ter andado de mão em mão, entre Alemanha e França, a França mandou desmonta-la. Esse trabalho ficou a meio e a torre permanece hoje imponente no meio da cidade, sozinha!

No meio do rio Mosel, que aqui se chama Moselle, le Temple Neuf, um templo protestante em estino neo-românico, do inicio do sec XX, provoca um efeito surpreendente!

A cidade é muito interessante e percorri as suas ruelas em todas as direcções

até ir encontrar a Place d’Armes onde pousei a moto para ir ver a catedral

A catedral de St Etienne é espantosa, em pedra amarela, é uma das maiores de França e tem a maior extensão de vitrais do mundo o que lhe valeu o nome de “la lanterne du Bon Dieu » (a lanterna do bom Deus)!

É linda!

E os seus vitrais estão por todo o lado!

Continuo a achar que quem a vê por fora não prevê o que é por dentro, embora o seu exterior seja bonito!

Voltei ao rio. Muita coisa há para visitar na cidade, mas ela fará parte do meu “Passeando pelo Mosel“ e aí catarei o resto! Eheheh

O rio é encantador em todos os recantos que lhe conheci!

Acho que o vou visitar já no proximo ano!

Continuei o meu caminho e passei em Nancy… mas não gostei da experiencia! O céu estava emcoberto, as voltas que dei foram aborrecidas e a cidade não me inspirou, por isso não perdi ali mais tempo. Um dia visita-la-ei como deve ser e logo se verá se é feia ou se apenas não gostei do que vi!

Mais à frente, na Commune de Dinoze, fica o Cemitério Americano d’Epinal…

Este é um dos 5 Cemitérios-Memoriais Americanos em solo francês e o segundo que visitei, o primeiro foi em 2009 na Normandia…

Ali vive-se uma porção de silêncio e vazio indescritíveis!

5 255 soldados estão ali enterrados num espaço de 22 hectares de terra, o local libertado em 1944 por soldados americanos.

Ali perto um jardineiro satisfez as minhas duvidas de como se corta aquela relva cravejada de cruzes !

Na realidade eles usam um tractor que tem um dispoditivo que faz as laminas contornarem cada cruz !

Numa viagem em que visitei tantos cemitérios antigos, encerrei este tema com um cemitério impressionante e cheio de história. Mais dia menos dia acabarei por visitar os restantes cemitérios militares de França…

Mas as minhas visitas « religiosas » não tinham terminado ainda e a que se seguia era aquela que me fizera descer o país por ali !

Cada um de nós tem os seus sonhos e desejos e eu queria visitar aquele monumento espantoso desde o meu tempo de faculdade, por isso segui para Ronchamp para procurar a Chapelle de Notre Dame du Haut !

Depois de uma subida por uma rua que nada deixava ver para lá das arvores que a ladeavam, deparar com a magnifica capela de Le Corbusier foi o êxtase total!

O interior da capela é impressionante e, embora dissesse algures que era proibido fotografar lá dentro, não resisti !

Le Corbusier foi um arquitecto Suiço considerado um dos arquitectos mais importantes do sec XX, a sua obra é espantosa, de linhas simples e sintéticas, entre dialéticas de cheio-vazio, luz-sombra ou recto e curvo…

Curioso que um artista herege dedique o seu talento a uma obra religiosa que permanecerá historicamente ligada a si !

Naquele local existiu um templo medieval já degradado e que foi arrazado com os bombardeamentos da 2ª guerra, uma placa com uma pomba em cima diz «aqui nesta colina, franceses morreram pela paz»

A capela tem um altar no lado de fora, exactamente no exterior do altar mor de dentro

que dá para o relvado em frente.

Ali de cima da colina pode-se ver a paisagem que inspirou Le Corbusier e que o levou a aceitar projectar um templo religioso daquela beleza e importancia!

Segui o meu caminho cheia de alegria! Tinha realizado mais um sonho!

Fim do 24º dia…

36 – Passeando até à Escócia – O dia dos 4 países!

28 de Agosto de 2011

E chegava o momento de partir, de sair do reino!

Finalmente voltaria a circular pelo lado certo, finalmente não teria de pensar todo o tempo “vai pela esquerda mulher” “chega-te para a faixa de lá no cruzamento à direita” “cuidado com o «SLOW» ao contrário”… “pelo sim pelo não encosta-te às sebes à esquerda” “ESQUERDA, ESQUERDA!” …

Mas afinal não me apetecia nada voltar… havia tanta coisa para ver que deixara para trás, que só queria um pouco mais de tempo!… mas era hora de partir, tinha o caminho traçado…

Tomei um grande e variado pequeno-almoço, despedi-me do pessoal simpático da pousada, um ambiente ainda mais acolhedor com o sol a entrar pelas janelas.

E fui embora, dar uma última voltinha pela cidade.

Não tinha feito nada do que toda a gente faz quando vai a Londres! Mas não quis partir sem ver de perto um guarda de chapéu peludo!

O Buckingham Palace estava fechado, era cedo e as pessoas amontoavam-se aos poucos junto das grades.

O Wellington Arch, também chamado de ‘Constitution Arch’ em frente ao Buckingham Palace. Dizem que representa a paz no seu carro!

Tirei uma última foto com a minha Magnífica e o Big Bem como fundo, para o álbum dela e segui para Dover. Não valia a pena perder mais tempo a ver o que quer que fosse à pressa. O embarque seria às 11 horas, por isso não iria stressar com corridas.

Desci até à borda do país nas calmas, segui o meu trilho serenamente e posicionei-me para embarcar. Um senhor de Jeep, muito simpático veio oferecer-se para me tirar uma foto junto da moto. E eu lá fiz de modelo.

Logo a seguir um motard, que chegou entretanto ofereceu-se para ser meu fotógrafo também! Aceitei gentilmente (puxa, de repente toda a gente se oferece para me fotografar!) Lá fiz de modelo de novo!

A minha motita foi tratada com todas as mordomias, é o que vale ser-se uma de quatro motos! Se fosse uma multidão delas seria diferente, certamente!

Este ferry que me trouxe era tão confortável como o que me levara!

O dia estava chuvoso e nem me aproximei do convés! Vento e chuva não era o que mais apetecia naquele momento! Mas o azar do mau tempo ainda estava para chegar! E eu que me queixava do tempo em Inglaterra, apanhei a chuva toda em França!

Desembarquei no sítio que já conhecia mas, de repente, tudo parecia surrealista!
Eu contava com tudo menos que iria stressar ao entrar na estrada pela direita! Hesitei, quase parei, o meu cérebro deu um nó e eu não sabia o que estava a fazer! Corri um pouco para chegar até aos carros e seguir atrás deles e tive medo de ficar sozinha na estrada com aquela confusão no meu sótão!

Como podia estar a acontecer tal coisa? Como podia eu, em apenas 18 dias, ter-me habituado tanto à condução pela esquerda, ao ponto de stressar para conduzir pela direita? “acho que os meus alarmes estiveram tanto tempo ligados para eu não fazer bosta a toda a hora que agora não desligam mais!”

Apareceram as rotundas e eu morri de susto em cada uma delas… valha-me Deus, com a porcaria da chuva e do miolo a funcionar ao contrário, ainda me ía matar por ali! Apanhei uma via-rápida, deveria ser mais fácil engrenar na circulação correcta em vias de um sentido apenas. E foi a escolha certa! Cheguei direita a Lile, embora ainda meio baralhada!

Chovia bastante e não me afastei muito do centro, junto da Bolsa Velha, um edifício muito interessante do sec XVII

Logo ali ao lado fica o Teatro Sebastopol e a Câmara de Comércio, na Praça do Teatro, com a sua torre do relógio que toca canções populares a toda a hora!

Dei uma volta pela cidade sem me deter muito nos seus recantos e encantos porque chovia.

Encontrei o rio e a cidadela, que não fui visitar.

Na berma do Rio Vauban.

Há quem viva no rio, não é só em Amesterdão!

Acabei por me por a andar pois a chuva estava a chatear-me mesmo, continuei a descer o país!

Há muito que andava para passar em Luxemburgo e foi desta vez a vez de lá passar.
Luxemburgo é o nome do país, o único Grão-Ducado do Luxemburgo existente, e é também o nome da sua capital. É pequenino mas muito bonito, ainda hei-de visita-lo melhor.

A capital é uma cidade muito bonita, entre dois rios, o Alzette e o Pétrusse.

Do lado da catedral pode-se ver a torre de Plateau Bourbon, do outro lado.

A ponte mais famosa da cidade, a ponte Adolphe, construída de 1900 a 1903, era a maior ponte do género na época. O vão do arco tem 85 metros e a altura máxima é de 42 metros.

Lá em baixo fica o vale do Pétrusse

Andei por ali a passear e atravessei a famosa ponte, claro!

Para ter uma outra perspectiva da cidade, com a catedral de Notre Dame como cenário.

Fui ver a torre do Plateau Bourbon de perto

Era domingo, estava tudo fechado, por isso segui o meu caminho calmamente.

Grande parte da fronteira ente Luxemburgo e a Alemanha é marcada pelo Rio Mosel, um rio muito extenso e lindíssimo que me anda a cativar há muito tempo e que quero visitar de ponta a ponta um dia destes. É afluente do Reno e é ladeado por cidades e aldeias adoráveis!

Uma das razões que me levou a passar por aquelas bandas foi precisamente o rio!

Por isso ninguém se espante de um dia surgir um “Passeando pelo Mosel” na minha vida!

A outra razão que me levou a passar por ali foi Trier! A mais antiga cidade da Alemanha, fundada pelos romanos e cheia de traços da sua presença!

É também a terra onde nasceu Karl Marx e eu nem pude ignorar o facto pois dei com a casa à primeira voltita pela cidade!

O que me chamou ali foi a “Porta Nigra” uma construção romana do sec III espantosa, baptizada assim por causa das pedras que a compõem enegrecidas pelo tempo. Uma obra extraordinária!

Pousei a motita e fui procurar comida! Passeei-me pela zona histórica e senti-me de novo “em casa”! Havia vida por ali, não tinha mais a sensação de abandono que tantas vezes sentira no Reino Unido, quando mesmo antes do anoitecer, tudo estava já deserto!

Encontrei a catedral Dom St. Peter, que é a mais antiga igreja da Alemanha!

E junto à catedral havia vários pátios com mesas, de onde vinham os sons da animação!

Entrei num, muito simpático, a lembrar os pátios sevilhanos, com diversas mesas, toldes e muitas plantas. Estava um grande grupo numa fila de mesas perto de onde me sentei, cumprimentaram-me alegremente!

Expliquei à menina que não sabia ler a lista e ela trouxe-me uma outra em 4 línguas! Inglês, francês, espanhol e Italiano! Genial!

Pedi cerveja, afinal não estava mais no país onde só há cerveja onde ela não é precisa! Era deliciosa.

A comida era divinal! Era comida a sério! Eu nunca tinha dado tanto valor à cozinha alemã como naquela noite! Tinha arroz e tudo!

Enquanto me deliciava com a comida relembrei passeatas anteriores pelo país e conclui que sempre comi bem na Alemanha! Eu apenas não dava o valor devido porque sempre comi bem em toda a Europa! Agora era diferente: eu vinha de Inglaterra…

O grande grupo que estava ali ao lado saiu e voltou a cumprimentar-me alegremente. Sentia-me tão feliz e “aconchegada”!

Adoro os alemães!

Fui passear mais um pouco pela zona antiga da cidade, a noite estava tão agradável e o ambiente era tão simpático!

No dia seguinte teria de catar aquela zona com calma à luz do dia!

Fim do 23º dia…

35 – Passeando até à Escócia – Uma corrida pelo reino, passando por Chester!

27 de Agosto de 2011

A reformulação da viagem, após a avaria, obrigara-me a deixar um percurso muito longo, no regresso a Londres, para tentar aproveitar ao máximo o tempo que pudesse na Escócia, por isso este dia foi passado quase totalmente a conduzir e fiz 1.050 km até ao meu destino.

Não resisti em partir sem dar uma volta pela zona. O tempo estava chuvoso mas mesmo assim fui dar a volta ao lago mais famoso, em tom de despedida. A vontade de ficar mais um pouco tornou a despedida triste, ainda por cima era bastante cedo e não havia ninguém nas ruas… enfim, todos os ingredientes para uma despedida como convém!

Há vários símbolos e representações do monstro do lago junto ao centro da NessieLand

Havia motards alojados no local, deixei a minha motita junto das deles para ficarem amigas.

Estava tudo a dormir ainda…

Tirei as últimas fotos com o lago como fundo

Fiquei ali a olhar longamente a paisagem, não tinha mesmo vontade nenhuma e partir!

Segui o meu caminho por via-rápida. Tinha muitos quilómetros para fazer não havia tempo para nacionais.

Fiz um grande trajecto atrás de um grupo de 5 motos da polícia, que me fascinou pela coordenação e plena confiança entre si, que demonstravam! Conduziam como se fossem um único veículo, moviam-se sem desfazerem a formação, mesmo quando se tratava de ultrapassar um camião, onde apenas os da direita tinham visibilidade para fazer a manobra! Fascinante forma de conduzir!

A distância entre eles era sempre constante, inclinavam todos exactamente ao mesmo tempo para uma ultrapassagem e nunca desfaziam a formação de 2+2+1! E não circulavam propriamente a velocidade legal! Eu ía a 140km/h, por isso eles iam a mais!

Mas eu também não sou pessoa para fazer uma corrida sem parar e havia ali uma cidade a meio do caminho que eu queria muito visitar. Tinha-me distraído na subida com outras coisas, mas não a podia deixar passar na descida!

Tinha de passar em Chester, uma cidade histórica lindíssima, a meio do país, cheia de ruínhas e casas medievais espantosas. Ali fica a loja mais antiga do mundo a funcionar desde o sec XI, não a encontrei…

Pedi a um polícia, junto da câmara da cidade, que me dissesse onde podia pousar a minha motita, pois não tinha tempo a perder a dar voltas e voltas à procura de um lugar!

E fui explorar a cidade, comer qualquer coisa e deliciar-me com tudo o que havia ali para ver!

A cidade tem imensos edifícios de paredes de madeira que remontam aos tempos de Tudor.

Uma terra encantadora onde apetece ficar uns dias!

Cada volta que se dá revela mais um recanto encantador!

A catedral deixou-me a pena de não a poder visitar, não teria tempo de o fazer!

Uma construção que vem desde o sec XI, mistura os estilos Românico e Gótico e é linda….

The Eastgate Clock, é o relógio mais fotografado da Inglaterra, depois o Big Ben! Está no sitio onde ficava a entrada da fortaleza romana que ali existiu.

Claro que fui procurar o caminho que me levasse lá acima!

O relógio diz ele próprio de que ano é, nem tive de perguntar a ninguém!

Lá de cima a vista sobre a rua com o mesmo nome: The Eastgate streat, para um lado

e para o outro

ali ao lado fica uma casa do ano 1395!!

Então continuei a minha viagem em direcção a Londres, sempre por via-rápida, apreciando o mesmo país que eu visitara por nacionais, dias antes, e o interesse era diminuto, perto que eu sabia que existia por ali para ver!

A minha vontade de sair e engrenar por uma ruela qualquer era grande mas fui-me contendo, nunca mais chegaria a Londres se me pusesse a explorar ruelas…

Lá fui tirando umas fotos de quando em quando, ao ver passar construções em feno nas bordas dos terrenos! Vi vários castelos feitos de fardos de feno mas foi um urso que me espantou!

Um urso construído em fardos de feno não é obra de qualquer um! Espantoso!

Lá cheguei a Londres cheia de fome (o meu estado natural, eheheh) e fui directa ao Ace Café, com a ideia no franguinho com batatas que lá comera “milhares” de dias antes!

Estava por lá uma animação! Um evento que reunia carros e motos antigos

O franguinho estava óptimo e a cerveja deliciosa!

Depois lá fui espreitar a festa, para lá de um carro da polícia, no palco, onde dois tipos imitavam o Blues Brothers acompanhados por uma série de fulanas de chapéu. Alguém sugeriu que eu fosse lá para o meio já que também tinha chapéu!

Ok dancem vocês que eu já trago uma “milena” de quilómetros no corpo!

Acabei a noite a conversar lá fora com uns motards muito simpáticos que queriam saber de onde eu vinha “eu venho da Escócia!” pois, mas de que país era eu? “há, sou portuguesa” e tinha vindo de Portugal com a moto no ferry? “não, fiz por terra tudo o que pude!” mas isso dava para aí uma porrada de quilómetros! “claro, aí é que está a piada!” e onde estavam os meus amigos? “os meus amigos?! Estão em Portugal porquê?” puxa eu tinha vindo sozinha? Não tinha medo? “o vosso país não é um país seguro?” sim claro “então de que devo ter medo?”…

Um dia querem vir à concentração dos Piguinos, não se sentiam atraídos por Faro por ser muito quente e eles não estão habituados ao calor, além de ser muito longe do ferry…

Fui finalmente para o hostel, uma casa giríssima que eu já conhecia de ter passado à porta quando estivera em Londres dias antes.

Casa gira, pessoal super simpático e ambiente muito agradável!

Sentei-me de pernas para o ar num grande sofá e liguei-me à net de borla, a falar com o mundo!

Fim do 22º dia de viagem…

34 – Passeando até à Escócia – Ilha se Skye… passeando pelo paraíso!

26 de Agosto de 2011

“Precisava de tanto tempo mais para explorar este paraíso!

Todo o tempo do mundo seria pouco para eu poder ver o que esta terra tem para me mostrar… há uma infinidade de paisagens inesperadas, de castelos lendários, de lagos misteriosos, que me chamam e eu não posso ir!

Tenho de decidir para que lado, para que universo vou, porque apenas me resta 1 dia, quando eu precisava de tantos!

É difícil a decisão… quando me apetece decidir ficar!

Felizmente está sol, senão eu iria lamentar amargamente a sensação de perda que trago comigo desde Glasgow!

Tenho de ir para a ilha de Skye, não posso passar sem lá ir, e tudo o resto ficará na minha consciência como um peso como “aquilo que eu não pude ver”!

Um dia eu vou cá voltar e vou querer rever tudo o que vi, mas vou trazer comigo o tempo todo que preciso para explorar o mundo inteiro que não vi!”

+++

Estava sol e eu decidi ir para a ilha de Skye…

Decidi que, independentemente do tempo que tinha, não iria correr! Iria demorar todo o tempo que precisasse para visitar a ilha à minha maneira.

Skye é uma ilha lindíssima, agreste e pouco habitada, cheia de paisagens deslumbrantes e estradinhas bonitas de percorrer e eu fui ver tudo isso, sem mais nenhum objectivo na cabeça!

Valeu a pena!

Tudo valeu a pena, desde o momento em que saí do hostel, pois o percurso entre o Great Glen e a Skye Bridge (a ponte que liga a Escócia à ilha) é simplesmente deslumbrante!

Não conseguia progredir no caminho porque parava a todo o momento, tal era a beleza da paisagem!

“puxa, se o caminho é assim como será a ilha?” pensava eu a cada passo “será que já cheguei à ilha e nem dei por ela?!” lembrei-me em alguns momentos, considerando a fama de beleza da ilha, eu não imaginava muita coisa mais bonita do que estava a ver por ali!

O Great Glen, onde fica o Loch Ness, fica lá mais atrás, por baixo das nuvens!

E a paisagem parecia um cenário quase artificial, até para mim que estava lá, quanto mais agora, vendo-a na fotografia!

O loch Cluanie

Parei junto a uma berma cheia de montinhos de pequenas pedras! Não entendi o que era nem porque alguém os tinha feito! Julgo que foram feitos por muitas pessoas que ali vão ou passam, mas não entendi porquê! Não havia nada nem ninguém por perto que mo explicasse! Intrigante!

Cheguei ao loch Duich, já um lago de mar.

Logo ali fica o Lochalsh , um outro lago-mar que separa a ilha do pais em si.

Apenas “rolar” por aquelas estradas é já um deslumbramento! Tal como o Glen Coe, a montanha ali é surpreendente!

Eu costumo dizer que cada montanha, cada cordilheira, tem a sua personalidade. Podem até ser parecidas, mas há uma alma diferente que as distancia e as torna únicas!

Por isso Pirenéus, Picos da Europa, Alpes, até podem ser aparentemente “parentes”, mas são bem diferentes! Ali acontece o mesmo, até parecem os montes do Glen Coe, até fazem lembrar algumas paisagens verdejantes dos Alpes centrais da Suiça, mas não são! Sente-se!

A maré do lago estava baixa e a cor da turfa que deixava para trás era espantosa e fazia um efeito surpreendente!

O sol foi uma bênção naquele dia!

Graças a ele e ao céu azul, todas as fotos que tirei ficaram simplesmente espantosas!

E digo uma bênção porque estou a falar de um país que, por ano, não tem mais que uns 48 dias de sol! Isto é, mais de 80% do tempo é de chuva!

Eu tive a sorte de viver vários dias de sol, e um deles, foi este!

De repente ao longe vislumbrei um dos castelo que eu queria tanto ver! O Eilean Donan Castle, do sec XII, foi a casa do Clan Macrae, é hoje o castelo mais fotografado da Escócia.

Não o fui visitar. Na realidade eu nunca o quis visitar, apenas o queria ver e fotografar na sua paisagem, no seu ambiente!

Passei ali uma infinidade de tempo a satisfazer o meu desejo de o fotografar! Tirei umas dúzias de fotos! Eheheh

E lá fui seguindo o meu caminho, meio relutante, de tal maneira me senti bem ali…

A ponte de Skye é apenas um pouco mais à frente e entrei na mítica ilha…

A ilha tem diversos lagos, que não são mais do que braços de mar que entram nela. São os Sea-loch.

Cada milha que andava era mais uma milha de paraíso…

Ali ao fundo os rochedos afiados e escarpados a que chamam os “the old man of storr”

A estrada segue junto à costa e não é difícil acercarmo-nos das escarpas e dos pontos mais interessante a pé!

Pela dimensão das pessoas no topo esquerdo da foto pode-se sentir a dimensão do morro!

Skye, como toda a Escócia, é para ser visitada lentamente, docemente, sem correria, apenas deixar deslizar a moto suavemente por ali.

As ruas são estreitas por vezes e é preciso parar para deixar passar.
No outro extremo da ilha, ali logo depois de contornar a ponta e começar a voltar para cá, fica o The Skye Museum of Island Life, inaugurado em 1965, com o objectivo de preservar uma aldeia de cabanas de colmo, cada uma retratando, tão perto quanto possível, as condições existentes na ilha no final do século XIX …

Há muito poucas casas destas na ilha, por isso acho que o objectivo deste pequeno museu é louvável!

É curioso ver de perto como as coisas eram feitas e preservadas antigamente, como a forma de acondicionar o colmo e prende-lo com redes e pedras!

Dentro das casinhas pode-se ver como eram as mobílias e os utensílios domésticos e de trabalho da época.

Seguindo por uma ruínha estreita, logo à frente fica um cemitério histórico que fui visitar. O Cemitério Kilmuir é histórico por uma série de tumbas medievais que lá se podem ver, diferentes de tudo.

Mas o que faz este cemitério ser famoso é o jazigo de Flora MacDonald, que viveu no sec XVIII e ficou na história como uma heroína porque ajudou Charles Edward Stuart, conhecido por “Bonnie Prince Charlie”, quando este tentou reclamar o trono de Inglaterra. Não foi bem sucedido e Flora foi presa na Torre de Londres. Mais tarde foi libertada e emigrou para a América, mas foi morrer à sua terra, onde é até hoje aclamada pela sua coragem.

Diz-se que no seu funeral estiveram presentes 3.000 pessoas (uma enormidade para uma ilha tão deserta ainda hoje) e que estas pessoas beberam 300 litros de whisky, há que afogar a dor!

É curioso descobrir nos locais, sem contar, pormenores desconhecidos da história que se conhece!

Segui ainda a matutar na história que lera, por uma ruela única no meio de nada, longe da também estreita estrada nacional que fizera até ali. Gosto de explorar ruínas e ali então, era sempre um prazer e uma descoberta.

Quando voltei a encontrar a estrada nacional, de repente havia carros parados, assim sem mais nem para quê!

Só depois de observar melhor é que percebi o motivo: estava tudo a ver as vacas peludas!

Continuei o meu caminho pelo outro lado da ilha.

Até encontrar a Estrada que me levasse para a outra parte norte da ilha, a oeste, lá onde fica o Dunvegan Castle, o castelo do chefe do Clan Macleod!

Diz-se que é o castelo mais antigo habitado continuamente na Escócia e tem sido o reduto dos chefes do clã há quase 800 anos!

Tem os interiores bem conservados, cheios de retratos de família e pertences dos habitantes de outras épocas…

e jardins muito bonitos.

O castelo fica na margem do Loch Dunvegan, um lago-mar, de onde se pode partir de barco para ver as focas.

Não fui ver as focas, visitei o castelo e os jardins, andei por ali uma infinidade de tempo e continuei o meu caminho.

Ao fundo o Munro Blaven de Torrin, espantoso – Munro é um mote com mais de 3.000 pés de altitude.

Um dia vou explorar melhor aquele recanto do paraíso…

Aventurei-me um pouco por caminhos bem mais interessantes…

Mas de repente eu só tinha fome, dei-me conta de que não almoçara ainda! Eram quase 5.300h!

Fui para Portree e acabei por pedir o famoso fish and chips … não estava bom nem mau, (eles não temperam nada, nem o peixe nem as batatas e depois põem aqueles potinhos com molhos para a gente disfarçar a falta de gosto da comida!) mas com a fome que tinha qualquer coisa servia para eu comer!

E foi hora de…

Portree, não é bonita nem é feia! É a capital da ilha, tem uma paisagem envolvente bonita e mais nada!

Voltei para a estrada, havia ainda muita coisa lindíssima para ver!

Regressava para o Great Glen com a ideia de dar uma volta pelo Loch Ness

Todos os caminhos são deslumbrantes por ali, basta a gente perder-se um pouco por lá e simplesmente passear! Encontrei uma das raras casas típicas da ilha e tudo!

Mas de repente o tempo deu uma volta sobre si e mudou de forma drástica e o céu desabou sobre mim!

Só tive tempo de meter a maquina fotográfica dentro do blusão e seguir pelo meio do temporal que saiu nem eu sei bem de onde!

Refugiei-me no hostel e já não fui a mais lado nenhum, tinha esgotado o meu dia de sorte, era melhor não abusar!

Da janela do meu quarto ainda vi o tempo melhorar qualquer coisa, mas já não me apetecia sair de novo!

O céu estava baixo de qualquer maneira e o tempo gélido!

Fim do 21º dia de viagem!