51 – Passeando até à Suiça 2012 – Burg Eltz

25 de Agosto de 2012 – continuação

Ali perto fica uma das coisas que me levou até Koblenz: o Burg Eltz.

Eu passara lá perto no dia anterior mas não o quis visitar a correr ou vê-lo apenas de longe. Achei que merecia uma visita mais cuidada e sem pressas e foi nas calmas que percorri os trinta e tal quilómetros, de Koblenz até ele!

O Burg Eltz é apenas um dos castelos mais belos da Alemanha e fica na margem do rio Eltz, um afluente do Mosel.

A gente chega ao ponto onde não pode continuar mais, nem de carro nem de moto, e tem de continuar a pé. Não há sinal do dito castelo que, contra o esperado, não está lá em cima de monte nenhum!

Pelo contrário, a gente começa a caminhar e começa a descer! E só depois de ter descido um bom bocado, pela rua íngreme e ladeada de vegetação em que nada se vê, além da rua e das árvores… ele aparece numa curva, lá em baixo!

E está realmente sobre um morro, no fundo do vale! Visão extraordinária!

Há um furgão que faz a descida, para quem quiser pagar 2 €, naquele momento eu agradeci a minha própria forretice de não os ter querido pagar e ter descido caminhando, porque não teria tido esta visão, que nos acompanha à medida que nos vamos aproximando! Tirei meio milhão de fotos, claro!

Parece um castelo de brincar, retirado das histórias de príncipes e princesas!

O castelinho terá a sua origem no séc. XII e foi construído sobre uma colina, tomando-lhe a forma oval!

Embora pareça ali escondido, como os mosteiros, para ficar longe de tudo e de todos, na realidade situava-se, à época, numa rota comercial e num ponto estratégico do vale do Eltz, que permitia controlar e vigiar a idas e voltas pela zona!

Ao longo dos anos e dos séculos foi sendo acrescentado, à medida que a família ía aumentando, dado que ele pertence à mesma família há mais de 800 anos: os condes de Eltz.

O atual proprietário do castelo, o Conde e Edler Herr von und zu Eltz-Kempenich assumiu a tarefa de manter o edifício aberto ao público, de garantir a sua riqueza e de passar o castelo à 34ª geração.

Os pormenores são deliciosos e foram mantidos e restaurados chegando até nós como sempre foram. As gárgulas são espantosas!

Os pátios interiores são vertiginosamente lindos, acumulando como em puzzles cada secção do castelo.

Daquele pátio partem visitas guiadas para o interior do castelo.

Por baixo existe um pequeno museu com joias, armas e objetos do dia-a-dia, testemunhas da história dos costumes do castelo e que eu fui visitando enquanto esperava pela visita em inglês.

Havia muita gente para visitar o castelo, o ultimo grupo a começar a visita foi o meu, pois os outros eram em alemão.

Um grupo de sereias com corpo de baleia esperava pela visita, sensualmente, em gargalhadas sexies e comentários languidos e provocantes.

Surgiu-me na mente que, se elas fossem verdadeiramente sexies, teria sido um espetáculo de sedução mesmo provocante!

Curioso que as mais gordas e desajeitadas eram as mais provocantes, com maquilhagens fortes e atitudes meio escandalosas!

Não se pode fotografar dentro do castelo, embora eu tenha feito algumas fotos discretas.

O tempo estava a ameaçar chuva quando terminei a visita, por isso fui tratar de comer e logo se veria o que faria com o mau tempo.

O castelo ainda é parcialmente habitado, mas a parte visitável é grande e bonita, com direito a café e restaurante e tudo!

E claro, provei mais uma cervejola alemã!

Decidi que não faria o caminho de regresso até à moto a pé! Afinal eu já sabia o quanto aquilo fica cá em baixo e, se para baixo todos os santos ajudam, para cima seria uma estafa!

Por isso esperei que o furgão voltasse, paguei o 2 € e subi aquilo rapidamente, sem me cansar nem me molhar, deixando para trás uma pequena porção linda do paraíso!

(continua)

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50 – Passeando até à Suiça 2012 – Koblenz… onde o Mosel se encontra com o Reno!

25 de Agosto de 2012

Não tinha nada para fazer naquele dia, apenas deambular por onde me desse na telha! E isso é que é fixe!

Tinha uma cidade completamente desconhecida para explorar, o dia estava uma bosta meio cinzenta, mas não seria impedimento para eu catar umas coisitas por ali!

Na realidade um dia dá para fazer muito mais do que deambular por uma cidade e pelo dia fora fui desenhando de improviso o destino das minhas explorações, com calma e sem grandes ambições!

E fiz uma linha quase reta no mapa!

Eu dormira na margem do rio Reno, do outro lado é que se passava o que eu queria ver!

Descobri que o vocalista do grupo Modern Talking nasceu em Koblenz! Eheheh

Lá fui dar a volta para passar para o outro lado do rio, caminhando depois até ao jardim que queria ver!

Encontrei no jardim3 blocos do muro de Berlim! Acho que há “muro de Berlim” por toda a Alemanha!

Estas três partes do Muro estão agora dedicadas às “vítimas da separação”.

E lá estava o que eu queria ver! O Deutsche Eck!

É em Koblenz que os rios Mosel e Reno se encontram, na realidade o nome da própria cidade deriva do termo latino “Confluentia” que se refere a esse encontro entre rios!

A sensação de estar no vértice da união dos rios é inversa à de estar na proa de um navio, pois as águas ganham velocidade afastando-se de nós!

O ponto onde os rios se juntam chama-se Deutsche Eck, que quer dizer “Esquina Alemã” e nesse ponto ergue-se um monumento colossal ao Kaiser Wilhelm I.

Uma inscrição cheia de significado foi gravada na base da escultura:

“Nimmer wird das Reich zerstöret, wenn ihr Einig seid und treu”
(o Império nunca será destruído, se você for unido e leal).

O monumento original foi destruído pelos bombardeamentos da 2ª Guerra Mundial e no seu lugar hasteou-se uma bandeira alemã por muito tempo até que um casal, cidadão de Koblenz, doou o monumento atual, cópia do que foi destruído na guerra, apenas há cerca de 20 anos…

Aquela águia de asas abertas impressionou-me! Como pode uma pedra ter tanta vida!

Ali ao lado fica a St Kastor Basilika, um exemplo lindíssimo da arquitetura românica da zona!

Foi construída no séc. XII contendo elementos de construções anteriores e alberga os restos mortais do santo que é padroeiro da cidade, o São Castor. Os tetos parecem bordados!

E os jardins envolventes lindos! Os monges e padres sempre souberam cuidar da beleza dos seus recantos!

Passeando pelo centro histórico da cidade fiz amizade com um motard muito simpático, mais o seu sidecar!

Logo ali fica o Mittelrhein Museum, mas o que me impressionou foi o edifício medieval, gótico tardio do séc. XV, mas totalmente diferente do que estamos habituados a ver! Foi mais tarde renovado já em estilo barroco, mas continuou adorável! Aliás na praça Florinsmarkt os edifícios são todos bonitos e diferentes!

Como a Florinskirche, ou igreja Florim, protestante construída em estilo românico, com alterações posteriores, mas sempre espantosa!

Curioso o pormenor de se pintarem as paredes e as colunas imitando pedra! Não deveriam ser mesmo de pedra?

A mesma imitação de pedra continua no exterior do edifício a toda a volta!

As traseiras dos edifícios criam ruelas encantadoras, ainda bem! Eu nunca entendi como alguém pode projetar uma casa linda pela frente e monstruosa pela traseira, mas é o que não falta no nosso país, como se a ruas de trás não tivessem o direito de serem bonitas!

Depois a zona antiga contínua pitoresca e simpática por uma rede de ruelas giras!

Até encontrar mais uma enorme igreja, a Liebfrauenkirche, que é o mesmo que dizer Igreja de Nossa Senhora, fácil de ver! 🙂

Uma igreja católica do séc. XIII, que já foi a igreja paroquial da cidade é considerada uma obra-prima da arquitetura medieval do Médio Reno!

Impressionante por dentro, quando estava à espera que ela fosse toda em pedra, como o seu exterior e como grande parte das construções românicas… ela é pintada!

E os seus tetos também parecem bordados! A cada país seus hábitos!

Depois passeei-me por ali, há pela zona estatuas castiças, caricaturando personagens típicas da cidade, como o policia, a vendedora, ou o rapaz do tambor, muito giros e bonacheirões!

Os edifícios são bonitos e decorados com relevos pintados e balcões trabalhados!

Entrei na zona comercial e fui comprar umas botas. Estava tudo em saldos e as minhas já me saiam dos pés, para alem das solas gastas! Tantos dias a caminhar gastaram muito, mas o montar e desmontar da moto, rodando sobre o pé esquerdo, rapou-me quase totalmente a meia-sola da bota esquerda! 😮

A Igreja Católica do Sagrado Coração, está situado no cruzamento das estradas principais e na azáfama do centro de compras.

Surgiu com a expansão da cidade para fora do núcleo medieval, no séc. XIX, quando se tornou necessária a criação de novas paróquias. Foi construída nos primeiros anos do séc. XX em estilo neo-românico. Queria tê-la visto por dentro, mas estava fechada! 😦

Depois peguei na motita e fui procurar o caminho para o topo da encosta. Há ali um teleférico e eu podia tê-lo apanhado e subido direta, mas tem muito mais piada andar a catar o caminho e ver tudo o que houver para ver! Lá em cima ha um grande espaço aberto, que demora imenso a percorrer caminhando, pela sua dimensão! O que vale é que já estava de botas novas e até apetecia caminhar! 🙂

E lá estava o miradouro todo moderno! É que do chão nada se vê lá para baixo, já que há arvores que impedem a visão!

E lá estava a confluência!

Foi uma sensação curiosa aquela visão…

O Deutsches Eck teve um impacto forte para mim! Simbologias e histórias que me chamam a atenção e quando chego aos locais, fico hipnotizada por eles!

Pus o zoom da minha máquina à prova e apanhei o Guilherme, o Grande

Lá em cima, no enorme jardim onde eu estava, coisas giras se encontram!

A caminho da minha motita que estava toda entretida no paleio com as outras!

E parti para outras explorações fora de Koblenz…

(continua)

49 – Passeando até à Suiça 2012 – Passeando pelo Rio Mosel…

24 de Agosto de 2012 – continuação

Tudo é interessante de ver numa viagem, sobretudo o que desconhecemos, por isso deixar Estrasburgo teve tanto de “triste” como de regresso à aventura!

Dali seguiria para o rio Mosel!

Desde a viagem do ano passado, quando passei em Trier vinda da Escócia, que tinha este rio em mente! Como eu dizia na crónica “ninguém se espante se um dia surgir um «Passeando pelo Mosel» na minha vida!” e pronto, era o que eu ía a caminho de fazer!

Isso faria um longo caminho até ao início da rota dos vinhos do Rio Mosel e depois, uma filinha de pequenas terras vinhateiras!

Logo a seguir não pude deixar de registar uma terra com o nome do meu moçoilo! Não é toda a gente que tem uma terra com o seu nome: Filipesburgo (em português)!

Logo à frente um grande trambolho era transportado, escoltado por um segurança em moto amarela que me fez uma festa!

Ficou ali à conversa comigo e eu a ver o mostrengo a aproximar-se!
Queria saber de onde eu vinha, que potencia tinha a minha moto, onde estavam os meus amigos e até fez pose para a foto! Muito simpático e deslumbrado por eu andar ali sozinha (mal ele sabia ao tempo que eu andava por ali e por acolá!)

E lá vinha a coisa gigante que fazia lembrar uma lata de cerveja monstruosa!

Quilómetros acima no mapa, lá cheguei ao belo rio! O Mosel é um dos maiores afluentes do Rio Reno, com 545km de extensão.

O rio é espantoso pelas curvas que desenha em todo o seu percurso, pelas suas encostas forradas de vinha e pelas aldeias e castelos edificados ao longo de todo o seu caminho e em ambas as margens!
Na realidade ele passa por 3 países: França, Luxemburgo e Alemanha. Mas eu seguiria apenas o seu percurso por terras alemãs.

Ao chegar a Bernkastel-Kues somos recebidos pelo castelo em ruinas no topo de uma colina forrada de vinha.

Mas fôra a cidadezinha medieval que me chamara ali!

Bernkastel-Kues é uma cidade com mais de 700 anos, famosa pelos seus vinhos.

As casinhas de travejamento exterior lembram o quanto a arquitetura da Alsácia é influenciada pela arquitetura alemã!

A Praça do Mercado Medieval é linda, cercada por casas bem conservadas, com os seus travejamentos exteriores que as tornam encantadoras! A Rathaus renascentista construída em 1608, à direita na foto é linda e diferente!

A “Spitzhäuschen”, ou “Casa Pontiaguda”, do séc. XV, é muito conhecida e visitada

É fácil de imaginar como me deliciei a passear-me por ali!

Depois o Mosel continuava na berma do meu caminho, com as vinhas que parecem forrar todas as encostas que o ladeiam!

Em Traven-Trarbach a porta que dá acesso à ponte é do séc. XIX, em arquitetura “romântica” com elementos de Arte Nova, aliás, as construções “Art Nouveau” são comuns ao longo do rio, testemunhas da riqueza que o comércio de vinho deu à região durante o séc. XIX.

Claro que andei para lá e para cá a ver a “coisa” de todos os ângulos!

Depois veio Enkirch…

e Zell, sempre terras que vivem do vinho e da vinha, desde o tempo dos romanos!

Passeei-me por ali, num ambiente em que toda a gente parecia ter saído à rua para beber um copito de vinho!

Mesmo antes de lá chegar eu já sabia da existência desta “casinha de bonecas” que é uma casa particular bem original! Uma casa do Arquiteto Walter Andre que é conhecido pelos seus edifícios orgânicos de poupança e recuperação de energia.

Não me surpreenderia se o proprietário fosse um criador de histórias infantis! 😀

Bullay, logo a seguir

Onde encontrei vários motociclistas acampados num terreno junto ao rio! Curioso como era tão cedo e já estavam abancados junto às tendas, com motos e bagagem como quem já está pronto para pernoitar!

Os enquadramentos que o rio proporciona são lindos, apenas faltou um pouco de sol e céu azul!

Em Bremm fica uma das curvas fantásticas do rio, um “U” bem apertado, que faz qualquer barco “retorcer-se” para dar a volta!

E a seguir Cochem, uma cidade linda e cheia de festa por aqueles dias!

Depois de subir o rio Mosel chega-se a Cochem e lá em cima da colina, bem na berma do rio e da cidade, o Castelo Imperial, impressionante, assim declarado pelo rei Konrad III em 1151. Um castelo que andou um pouco de mão em mão, entre alemães e franceses, acabou destruído e abandonado até ao séc. XIX, quando foi restaurado por um industrial berlinense. Hoje é um imponente marco histórico sobranceiro à cidade, o seu orgulho e o prazer dos visitantes! Por momentos fica-se ali a olhar para ele, como se de um cenário se tratasse. Deslumbrante!

Mas eu estava cheia de fome e tinha de tratar de comer! Cheirava a salsichas assadas e o meu estomago roncou! Puxa, ao tempo que eu não comia! Comprei um cachorro com uma salsicha quatro vezes maior que o pão!

Foi uma luta, tive de puxar do canivete suíço e corta-la aos pedaços para tentar que ela coubesse mais ou menos no pão! Era divinal! Afinal estava na terra das salsichas e não muito longe da cidade onde dizem que nasceram: Frankfurt!

Fui caminhando enquanto lutava com a salsicha e o pão, por ruelas que levavam a um ambiente que se pressentia no ar.

Pois é, eu nem sei alemão, mas pelas imagens de cartazes e pelo ambiente não era difícil entender que havia ali uma festa do vinho!

E na Praça do Mercado lá estava toda a gente e aqueles alemães sabem fazer a festa! O que eu me diverti naquela tarde no meio daquela gente animada!

Havia uns balcões todos enfeitados onde as pessoas estavam a pedir vinho! Ora era mesmo o que me estava a faltar para acompanhar o cachorrão!

A gente comprava o copinho de 2dl por 1.20€ e depois cada vez que o enchia pagava 1€. Tinham 5 vinhos à escolha, desde o mais doce até ao mais seco. Escolhi o do meio, nem muito doce nem muito seco, para nem enjoar nem me agredir o estomago! E era divinal!

Então a música subiu de tom, havia 2 grupos que se tocavam à vez, um mais maltrapilho, outro mais compostinho em uniformes iguais, mas os dois de partir o côco a rir!

Apesar dos seus trajes coloridos e apalhaçados, tocavam bem e cantavam também!

Então entrava o segundo grupo, todo em uniformes iguais e tocando igualmente bem e animadamente!

Por esta altura eu já ía no 2º cachorro e no 2º copito de vinhinho (também era tão pequenino o copito!)

Começaram a meter-se comigo, não os entendia, mas acho que foi porque eu andava de um lado para o outro a rir-me, a fotografar e a comer, pelo menos o homem parecia que queria comer o meu delicioso cachorro! eheheheh

Fui buscar o meu último copito de vinho

As pessoas eram tão simpáticas que não me apetecia sair dali!

Ainda dei uma voltita pela cidade, mas nem pensar em ir visitar o castelo! Ele estará lá quando eu voltar um dia certamente!

E fui-me sentar numa outra praça, junto ao rio, a curtir a festa e a boa disposição, que era minha também!

Lá estava a minha Magnífica na berma da estrada, com o castelo que não visitaria lá em cima! Que se lixe, já bastam as obrigações do tempo de trabalho! Em férias a única obrigação que levo comigo é a de me divertir e fazer o que me apetecer!

Só muito tempo depois é que me decidi continuar o caminho, calmamente e sem preocupações!

Em Treis-Karden voltei a parar, apetecia-me passear um pouco a pé e encontrei uma igreja linda, onde estavam a preparar uma outra festa do vinho! Aquela gente não perde tempo! 😀

A igreja era diferente de tudo o que vira e as senhoras, muito simpáticas, foram acender as luzes para eu a ver melhor!

Continuo a achar os alemães muito simpáticos, contra tudo o que ouço muita gente dizer!

Depois veio Schleuse-Müden, onde toda a gente parecia ter ido para a festa de Cochem, pelo menos não havia vivalma em lado nenhum!

E fui passear para o meio da vinha, encosta acima! Achei tão giro o caxo de uvas desenhado no chão, indicando o caminho do vinho e da vinha!

O que eu gosto destes caminhos! Fiz uma pequena coleção de percursos vinícolas só nesta viagem: França, vários na Suíça e agora Alemanha!

Alken lá ao fundo, uma das cidades mais antigas do vale do Mosel, habitada desde 450 aC pelos Celtas! Lá em cima da encosta o castelo de Thurant, do séc. XII que tenho de visitar um dia, que vá para aqueles lados!

Na cidadezinha de Gondorf, passa-se por baixo do Castelo do príncipe Von der Leyen, do séc. XII. É, na verdade a estrada nacional passa-lhe por baixo, fazendo ele de túnel!

Claro que andei ali para trás e para a frente! É que ele tem uma primeira “porta”, por onde entramos no seu espaço interior e depois tem uma segunda por onde saímos! Curioso!

E o sol abriu finalmente, dando às vinhas uma cor deslumbrante! Tal como os suíços e os portugueses do Douro, os alemães trabalham a vinha até ao topo das encostas mais íngremes! Parece que até as paredes dão vinho para quem sabe “da poda”!

E segui para Koblenz, onde ficava a minha casa naquele dia!

Fim do vigésimo sexto dia de viagem!

48 – Passeando até à Suiça 2012 – Estrasburgo e a bela catedral!

24 de Agosto de 2012

Estrasburgo é uma cidade adorável e que eu adoro!

Uma cidade que não me canso de visitar a cada vez que passo perto!

Uma cidade que conjuga o antigo e o moderno de forma encantadora, cheia de simbolismo, por ter sido por tanto tempo centro de discórdia e divisão entre dois países, é hoje símbolo da união entre os povos europeus, albergando em si a sede do parlamento europeu!

A sua catedral… bem, a Cathédrale Notre-Dame-de-Strasbourg é um monumento à beleza gótica, por muitos considerada a mais bela catedral do mundo!

Parece que fica ali, quase entalada entre os prédios, mas na realidade o seu espaço envolvente é amplo e cheio de vida durante todo o verão e animação em tempos frios de inverno.

A rua em frente, a Rue Mercière, é ladeada por lojas e cafés, com montras cheias de doces coloridos e dos famosos biscoitos de manteiga, com as mais variadas e coloridas decorações.

E ela lá está, imponente, vermelha e linda! Eu também a considero a mais bela que conheço…

Mas ela não é apenas espantosa por fora, lá dentro reside grande parte do seu espanto! Na realidade ela tem uma nave extraordinária com 64m de comprimento e 32 m de altura!

Dizem que foi inspirada na catedral de Saint-Denis, mas certamente apenas no interior, porque no exterior é muito mais bela que a dita catedral!

Foi construída entre 1240 e 1275 em estilo gótico francês puro. Impossível não se ficar em êxtase perante a dimensão e beleza da construção!

O órgão parece um joia gigantesca lá em cima! É verdadeiramente gótico, do séc. XIV, e surpreende pelas suas cores vivas e a sua decoração extraordinária!

Anda-se ali para trás e para a frente e todas as perspetivas são espantosas e sentimo-nos pequenos perante tamanha dimensão!

Ao lado do altar fica o Pilar dos Anjos com o Relógio Astronómico atrás. Naquele dia estava fechada a grade e não pude chegar perto!

O relógio gigante marca os anos bissextos, os equinócios, a hora solar, os meses do ano, os signos do zodíaco, os dias da semana, as fases da Lua, calcula as festas móveis e os eclipses da Lua e do Sol, exibe ainda um planetário de Copérnico e as horas são marcadas com grande precisão!

Os vitrais são espantosos!

E a rosácea extraordinária!

A fachada é considerada uma obra-prima do gótico e é magistralmente decorada com milhares de figuras em pormenores que lembram o filigrana!

Vitor Hugo refere-se a ela como uma “gigantesca e delicada maravilha”.

Até 1874 foi a edificação mais alta do mundo, com 142 metros de altura, sendo ultrapassada, nessa altura, pela catedral de Colonia que demorou 6 séculos a ser concluída.

Ainda não tive a coragem para subir lá acima… afinal são 326 degraus, como subir a mais de vinte andares! Só o farei um dia que fique o tempo suficiente na cidade para recuperar os músculos das pernas para poder voltar a conduzir! 😀

Em dias de céu limpo a catedral é visível ao longo das planícies da Alsácia e pode ser vista desde a Floresta Negra, do outro lado do Reno.

Na Place de la Cathédrale, ali ao lado, fica a maison Mammerzell, um dos edifícios medievais mais famosos e mais bem conservados da cidade. Um dia gostaria de dormir ali… mas a diária é caríssima para uma pessoa apenas! Terei de levar o meu moçoilo comigo, pois o preço para dois é quase o mesmo que para um! 😮

E a beleza arquitetónica continua por ali!

O centro histórico de Estrasburgo é como uma ilha cercada pelo rio Ill que torna tudo deslumbrante!

Depois segue-se por ruas “normais” que nos levam para fora daquele paraíso… custa-me sempre ir embora quando visito Estrasburgo!

(continua)

47 – Passeando até à Suiça 2012 – Colmar, Eguisheim e o amigo Miguel Bacalhau!

23 de Agosto de 2012 – o fim do dia…

Eu tinha ficado de, ao visitar Colmar, conhecer o meu amigo do Facebook Miguel Bacalhau, mas ainda bem que não tinha marcado o dia antes com ele, pois tinha pensado passar no dia anterior, quanto tudo aconteceu, desde tretas com a moto até tretas com a máquina fotográfica!

Assim combinei, finalmente, na noite anterior, entre a recuperação de fotos do cartão e o amuo de ter ficado sem gasolina para dar mais uma voltita, que estaria em Colmar ao fim da tarde! E assim foi! Depois de um dia cheio como um ovo, de coisas lindas e experiências fantásticas!

Ao chegar à cidade fui recebida pela Estátua da Liberdade em ponto pequeno. Uma curiosa homenagem da cidade a Frederic Auguste Bartholdi, o autor da escultura original, oferecida à América pelo governo francês em 1886. O artista nasceu em Colmar e a escultura comemora o centenário da sua morte!

Depois, como sempre que desconheço a organização de uma cidade, dirigi-me à catedral, pois é em torno dela que uma cidade se desenvolve, por isso é sempre por lá que começa o centro histórico!

A catedral é uma Collegiale consagrada a Saint Martin, ou o nosso São Martinho! É um belíssimo edifício em estilo gótico com alguns elementos românicos ainda, construído entre os séculos XII e XIV em grês amarelo.

Muito bonita no interior, cheia de vitrais extraordinários.

A pia batismal ocupa um lugar de destaque, no altar-mor! Coisa curiosa, dado que normalmente fica à entrada!

Toda a zona é encantadora, com as casinhas de travejamento exterior, as “maisons à colombages” medievais.

Seguindo o rio Lauch, quando ele é quase apenas um pequeno canal, passamos pelas ruinhas mais encantadoras e as casas mais bonitas.

E chegamos à Petite Venise, um quarteirão do paraíso, que deve o seu nome ao alinhamento de casinhas medievais pelas margens do rio.

Tudo parece perfeito e belo por ali!

Nem faltam as esplanadas na berma do rio, nem os barquinhos a passear!

Mas havia uma outra cidadezinha que eu queria visitar e teria de o fazer antes de me ir encontrar com o meu amigo ou não poderia visita-la mais nesta viagem! Por isso fui numa corrida até Eguisheim!

Uma das comunas mais bonitas que visitei na Route, cheia de pormenores e recantos encantadores!

E de gente também! Gente que passeava por aquelas ruinhas de encantar calmamente, como se fizesse parte delas!

Adoro aqueles traçados medievais extraordinários que resultam em ruelas com casinhas ao meio como a casinha da Rue du Rempart.

Casas que são quase tão estreitinhas como paredes!

Tirei mais um milhão de fotos e lá fui encontrar-me com o Miguel Bacalhau, junto à catedral de Colmar, e lá estava ele mais a sua “amante” (como ele lhe chama) a sua V-Strom!

Primeiro abancamos ali mesmo numa esplanada para uma cervejola e depois bora lá buscar as meninas!

E não é que a sua menina fez birra e não quis andar?! O que vale é que há sempre um amigo por perto, ou a passar, para ajudar, pois eu não tinha nem jeito nem força para empurrar a miúda!

E o amigo empurrou e a motita não pegou!

Então o amigo montou na sua própria moto e fez um “empurranço moto-moto”, coisa que eu nunca tinha visto, mas o certo é que funcionou!

Ora siga para casa para conhecer e jantar com a família Bacalhau!

Lá em casa esperava-me gente muito simpática! O amigo do meu amigo, o João, o feliz proprietário de uma Africa Twin!

Para acompanhar a conversa foram umas minis cá da nossa terra, geladinhas e inspiradoras, enquanto o amigo Miguel punha fim à cegueira parcial da minha Magnifica, que já vinha com um olho fechado há mais de uma semana! E que jeito que aquela nova luz me fez durante o resto da viagem!

Claro que nos pusemos na frente da motita, para a foto, para não se ver o grande estalo que ela levara na cara!

E a Sandra, a simpática esposa do Miguel, que fez um delicioso jantar para a gente, muito bem regado com uma garrafinha de vinho alentejano, Monte Velho!

Conversamos animadamente até às tantas, veio chuva e trovoada e a conversa continuou, até que por fim lá tive de ir embora e cheguei a casa, que ainda era em Estrasburgo, sem apanhar chuva!

E foi o fim do vigésimo quinto dia de viagem