6. Escandinávia 2017 – Atravessando a Espanha até San Martín

29 de julho de 2017

Eu sempre olho para o céu, ele sempre me inspira como se fosse mudando a cada passo do meu caminho e o ultimo pôr-do-sol em Portugal ficaria na minha memória por muitos dias…

Coincidências da minha motita, ao passar a fronteira para Espanha atingiu uma capicua interessante, daquelas que nunca posso deixar de registar e que durante toda a viagem seria a bitola que eu mantinha memorizada para calcular quantos quilómetros tinha feito. Afinal é muito mais fácil memorizar um numero destes do que os 44.237 registados ao sair de casa!

Atravessar a Espanha é sempre uma boa adaptação à viagem, nos primeiros quilómetros em que a gente ainda não sabe se é bom ou mau estar na estrada de novo, sobretudo porque está bastante calor e o sol atesta com força!

E, para quem se questiona porque não vou direta a França e paro sempre em Espanha… eu nunca faço muitos quilómetros nos primeiros dias de uma grande viagem!

Eu sei que a tendência é correr para o mais longe possível, para atravessar a Espanha de uma vez só e chegar rapidamente onde a novidade começa, mas a verdade é que é nos primeiros dias que o corpo se habitua à moto, à estrada e ao acumular de quilómetros, por isso não interessa para nada esgota-lo e depois esperar que os dias seguintes sejam de alegria na estrada, com o rabo pisado, a coluna meio torta e as mãos doridas, de se ter feito demasiados quilómetros no período de adaptação!

Mas isso é apenas a minha opinião e experiência, das muitas viagens e muitos milhares de quilómetros que já fiz por essa Europa fora…

Eu saí de casa depois de muitas voltas dadas, porque como sempre tudo parece acontecer em vésperas de eu partir, mas a mamã do Filipe Marques é uma querida e fez-nos um farnel para vários dias! Por isso era só escolher uma bela sombra para parar, com um café por perto para fornecer a “canha” geladinha, e pronto!

Vilagarcia de Campos apareceu no nosso caminho, com um castelinho na berma da estrada e a praça com tudo o que era preciso!
E, enquanto o rapaz se passeava pela praça ao sol namorando ao telemóvel, eu fui explorando o farnel e enchendo a barriga, que isto de andar de moto faz fome! 😉

O castelinho fica numa rota de castelos que pretendo explorar, mais dia menos dia, mas não naquele dia, em que tinha outros destinos em mente! Por isso eu vou voltar ali!

Eu sempre desenho os meus caminhos de forma a que não seja a maior seca percorre-los e, já que passaria ali perto, tinha de ir até Medina de Rioseco, uma terra histórica na história da Espanha.

E o seu centro histórico é tão pitoresco, com as arcadas com pilares de madeira a criar as perspetivas mais inspiradoras sobre as ruelas estreitas!

Uma coisa que me perguntam muitas vezes é se eu visitei a igreja tal ou este e aquele museu! Honestamente, eu visito muita coisa mas a minha concentração e resistência não me permitem fazer uma viagem tão extensa visitando tudo o que me aparece pela frente! Assim, se as igrejas estão abertas e são de visita gratuita, eu entro, senão olho por fora e sigo! Os museus… numa viagem posso visitar um ou dois, nunca mais! Eu não sou uma maquina de absorver toda a cultura de uma vez!

Ali na zona passa o Canal de Castilla, uma obra espantosa do Século XVII que tem mais de 200 quilómetros de extensão.

claro que eu não o queria ver pelo interesse da engenharia hidráulica empregue e sim pelas perspetivas que ele provoca ao visitante!

Não há mais nada em redor, para além do canal e da imensidão dos campos ondulantes de palha seca, mas esse contrate surreal sempre me apaixona, por isso fui seguindo à procura das perspetivas mais interessantes!

Aquela GTR teve de ter toda a paciência para me seguir na minha procura! eheheheh

Mas se a estrada é boa e a paisagem é inspiradora, nada custa!

E lá estava o ponto que eu procurava, em Ribas de Campos!

Onde as eclusas do Canal de Castilla estão por todos os lados, sobretudo aquela que é a mais espetacular.

E foi um momento refrescante no nosso caminho, com temperaturas a esturricar um pouco a mioleira!

Então entramos na província da Cantábria, onde dormiríamos naquela noite.

A Espanha tem estas coisas espantosas, num momento é tudo plano e quente, e no momento seguinte tudo muda, muda-se de paisagem, sobrem-se montes, a temperatura desce e é como se fosse outro país! Uma delicia!

San Martín é uma aldeia minúscula, daquelas que eu adoro, sem turistas aos magotes por todo o lado, onde a gente pode parar e estar em paz! E tem um albergue com perspetivas muito bonitas sobre um jardim bem cuidado e o monte lá ao fundo.

Um ambiente muito inspirador para relaxar.

Havia outra moto no local, uma Crossruner, as nossas meninas não dormiriam sozinhas aquela noite!

E o pátio era inspirador, para conversas ao anoitecer, com uma cerveja gelada a acompanhar…

… e românticos momentos de namoro ao telemóvel, claro! 😉

Amanhã seguiremos para França…

5. Escandinávia 2017 – O inicio de uma grande viagem…

Olá mundo!

Há algum tempo que eu não faço uma cronica, afinal escrever um livro não é a coisa a que mais estou habituada na vida e foi uma tarefa que me ocupou a mente e a vida por muito tempo! Mas quando uma viagem é extensa e marcante é importante regista-la, para que os momentos mais intensos e relembrados não façam desaparecer da mente as pequenas histórias e os pequenos encantos.

Por isso, depois de 3 anos volto a relembrar cada passo de um caminho que conclui apenas há, literalmente, meia dúzia de dias. Espero que quem me acompanhou desvende o que não mostrei nem contei, a cada linha que escreva e a cada foto que publique, e se realize um pouco, pois no fundo fizeram parte da viagem ao estarem comigo a cada ligação ao mundo que fui fazendo.

Ao contrario do habitual, decidi muito cedo onde iria e cedo tratei das reservas de dormidas. Os meus destinos eram caros, eu não sou rica e reservar tarde encareceria substancialmente a viagem. Efetivamente, pelo facto de fazer as reservas no inicio de fevereiro, consegui que o total pago não excedesse os 950 €, o que, sendo bastante acima do que costumo pagar noutros destinos, não ultrapassou o que eu poderia despender.

A bagagem este ano foi maior, tinha de contar com o frio e a chuva, e levar roupa para o calor e para o frio implica muita disciplina na escolha. Senti-me verdadeiramente chic ao levar pijama de calções e blusa e pijama de leggings e camisola! E que jeito me fizeram os dois!

No fim tinha de caber tudo na moto, não gosto de levar coisas amarradas no banco, fico sempre com a sensação de que alguém vai mexer, o vento vai levar, sei lá! Claro que no caminho acabo por ir prendendo lá atrás o fato de chuva e coisas que me vão incomodando nas malas, mas isso será mais para a frente, ao sair de casa tem de estar tudo dentro das malas!

O meu moçoilo não me conseguia apanhar quieta numa foto! 😀
Claro que eu não parto de animo leve, eu sei que vou ter saudades dele, que a cada vez que algo corra menos bem vou precisar do seu conforto, que terei saudades da sua voz, mas isso não é uma ancora ao meu lugar! Como dizia Saint-Exupéry, “não há longe nem distancia para aqueles que se amam”, ou então o mundo seria uma imensa prisão!

Uma ultima foto ao conta-quilómetros da minha moto, para que possa ir controlando os quilómetros feitos. Os meus planos e cálculos apontavam para perto dos 20.000km, o que poderia implicar ultrapassa-los e isso sempre me preocupa um bocado. É sabido que eu não gosto de fazer revisões fora, não gosto que me mexam na moto, e por isso os 20 mil quilómetros são aquela barreira que eu não gosto de ultrapassar… e a moto já levava 2.000km feitos..

Este ano, à semelhança do ano passado, o meu amigo Filipe Marques iria partir de férias na mesma altura que eu e, como é um tipo despreocupado, bem-disposto e boa companhia, voltou a acompanhar-me nos primeiros dias de viagem. Um dia eu disse que nunca mais ninguém viajaria comigo, depois de algumas más experiências com pessoas invasivas que não iriam a lado nenhum por conta própria, mas seguiram comigo tentando impor a sua vontade a vedetismo. Mas também já tive boas experiências, como quando a minha amiga Antónia me acompanhou até à Suíça e Itália, por isso nem sempre posso dizer não, quando quem me acompanha pode até enriquecer a viagem com bom humor e bom ambiente.

Claro que, certamente, verem um homem acompanhar-me deverá gerar as fantasias mais criativas que se possa imaginar, mas a verdade não deixa de ser verdade porque as pessoas se põem a fantasiar.

Então a primeira paragem foi em Bragança, para um ultimo repasto bem português e para que ele se juntasse a mim.

E seriam esta “peste” e a sua Kawasaki GTR a minha companhia nos próximos 9 dias.

Até amanhã em Espanha…

3. Escandinávia 2017 – Parti o meu porquinho!

Cada vez que olho para o meu mapa e para tudo o que me proponho fazer e ver nesta viagem, stresso um pouco!

E a única forma de conseguir começar a ter uma ideia do que tenho e do que posso fazer é sempre partir o porquinho e ver o que consegui amealhar.

Este porquinho nasceu na viagem passada quando os amigos do Moto Clube os Feras de Monção mo deram.

Tinha menos do que eu precisava, mas mais do que eu esperava!

Por isso as coisas vão-se compor até à minha partida 😀

E o meu mapa está mais bonito agora a cores!

A minha verde é a linha de ida e a vermelha a linha de regresso 😉

 

2. Escandinávia 2017

Esta será a viagem mais cara da minha vida…

Um pormenor que é uma enormidade, quando tudo custa tanto a superar, despesas extra, pagamentos extra, insegurança extra, mas uma viagem que se fará contra tudo o que teima em impossibilita-la…

A vida ensinou-me que há momentos em que tenho de arriscar, ou nunca conseguirei realizar os meus sonhos mais básicos! Era nos momentos de maior penúria que Salvador Dali dava as maiores gorjetas e isso não tem de ser visto como um ato de inconsciência, vejo-o mais como um ato de coragem e encorajamento pessoal, quando arriscamos tudo para animarmos o nosso ânimo.

Assim acontece comigo…

Nunca fui aos países escandinavos porque tudo é caro lá para cima, mas depois veio a crise, o governo começou a ratar fortemente o meu vencimento, eu comecei a perder capacidade de economizar e a perceber que podia ter lá ido há muito tempo atrás, quando afinal ainda tinha capacidade de poupar!

A evolução das coisas tem sido cruel, porque afinal não é evolução, é regressão!
Então eu vou, antes que nunca mais o possa fazer!

Será uma viagem meio apertada, em que a gasolina para a moto será a minha primeira prioridade, porque eu tenho de ir e voltar. O resto que se lixe, porque o que eu viver ninguém mo retirará nunca mais!

Fiz o que estava ao meu alcance para tornar as coisas menos pesadas e marquei as dormidas muito cedo, para que não se esgotassem as menos caras, por isso era inicio de fevereiro quando já estava tudo pronto: caminho traçado e reservas confirmadas.
Como fazer agora para esperar pacientemente até julho chegar e terminar, para eu partir?

E as paragens serão 26 e serão assim, ao longo do meu caminho:

1. San Martin – Espanha
2. Saloujour – França
3. Annecy – França
4. Interlaken – Suíça
5. Nuremberga – Alemanha
6. Hamburgo – Alemanha
7. Føllenslev – Dinamarca
8. Gotemburgo – Suécia
9. Oslo – Noruega
10. Evjemoen – Noruega
11. Bergen – Noruega
12. Trondheim – Noruega
13. Bodø – Noruega
14. Lyngseidet – Noruega
15. Honningsvåg – Noruega
16. Rovaniemi – Finlândia
17. Helsínquia – Finlândia
18. Turku – Finlândia
19. Estocolmo – Suécia
20. Copenhaga – Dinamarca
21. Amesterdão – Holanda
22. Karlsruhe – Alemanha
23. Bourg-Saint-Pierre – Suíça
24. La Croix-Valmer – França
25. Girona – Espanha
26. Navarrete – Espanha
Casa – Portugal