9 – Passeando até à Escócia – de Londres até Eastbourne

12 de Agosto de 2011

Saí bem cedinho de casa. Já que o dia acaba cedo também tem de começar cedo, o único problema é que cedo, sem sol e com nuvens, apetece é ficar em casa… mas lá fui eu para a praia!

Comecei logo por fazer bosta porque não fui a Rochester e era uma cidade que eu “tinha” de ver… fiquei meio amuada quando percebi que a deixara passar, simplesmente partira rapidamente em direcção a Canterbury e “mainada”!

O que vale é que Canterbury é uma cidade muito bonita, tem uma catedral espectacular e o céu estava negro, senão não me iria perdoar tão cedo!

OK, Rochestar ficou na agenda para próxima visita à ilha…

A dificuldade de encontrar onde parar a moto é permanente, em todas as cidades, pelo que me apercebi: ou pago parque ou dou voltas e mais voltas à procura de espaço próprio para motos!

Como sou paciente e não queria gastar as minhas ricas libras nessas coisas, (tinha de as poupar para entrar em todo o lado que queria visitar), lá ia andando de lado para lado à procura.

Perguntava a um polícia que me mandava para outro mais à frente e, com isso, fiquei a conhecer a simpatia dos agentes da autoridade: gente muito prestável, gostei!

Mais uma cidade fofa, património da humanidade!

Cheia de gente comum, misturada com turistas! Dava para ver como é a vida por lá, porque não eram só turistas nas ruas!

A porta da catedral, um dos exemplares mais importantes da era medieval em Inglaterra! Linda!

Passa-se o portal e dá-se com um jardim espaçoso e a magnífica catedral logo ali!

Esta é uma das mais antigas e mais conhecidas igrejas da era cristã, na Inglaterra e a sua origem tem cerca de 14 séculos!

É nestes momentos que eu gosto de estar sozinha e, simplesmente contemplar…

Passeei-me por ali horas, a explorar os recantos mais antigos ainda visíveis e visitáveis… a catedral espreitava por cima…

Quando saí dali “caí “ na actualidade! Ainda bem que a actualidade por ali também um bocado antiga senão seria um choque! Eheh

Sentei-me por ali a comer porcarias, que o é que se encontra para comer, e segui para Hastings.

É bastante comum encontrar nas praias os “Piers”, são uma espécie de pontões sobre o mar, onde funcionam os mais diversos entretenimentos, desde restaurantes, lojinhas de tudo, máquinas de jogo.

O de Hastings ardeu há um ano, depois de ter sido evacuado e esvaziado em 2006 por ter sido considerado inseguro… A população ficou triste e revoltada porque aquilo era histórico, tinha sido construído no século XIX e já foi o centro da animação local com bailes e festas memoráveis… não é só cá que deixam as coisas ao abandono até desaparecerem e depois andarem a ver se é possível a reconstrução!

Hoje ele está assim, abandonado e trancado a 7 chaves e tem sobre ele um grande cartaz que diz “you can save me” e um endereço a seguir para contacto e donativos…

A praia, aquela como outras, tem muros enterrados na areia grossa para que o mar não a leve. Faz um efeito curioso!

Quem gosta de correr na praia faz uma espécie de corrida de obstáculos!

Subi a colina e lá de cima a cidade tinha mais encanto!

Esta colina é histórica pois foi ali que se testaram os primeiros radares!
Há registo de que ali funcionaram moinhos de vento desde o século 14!

Um senhor aproximou-se de mim e perguntou-me se eu não achava aquilo ali lindo!
Claro que disse que sim! Perguntou-me de onde eu era, disse-lhe que era de Portugal e andava a descobrir os encantos do Reino Unido.
“Reino Unido? Que parte?” perguntou ele.
“Todo o Reino Unido!” respondi eu. Ele ficou todo entusiasmado
“Então vai às highlands?”
“Sim, depois de ver tudo até lá.”
“Fantástico, aquilo é lindo, como eu a invejo, gostava tanto de ir lá de moto!”

Pedi um café num restaurante que tem lá em cima e assustei-me com o canecão que me deram! Aquilo tinha uns 30 centilitros de água de lavar as chávenas!

Voltei à cidade para continuar o meu caminho pela praia

Todo o caminho é bonito até Eastbourne

O Pier de Eastbourne está em óptimo estado e naqueles dias havia por lá festa com direito a festival aéreo e tudo!

Não sei como é que os aviõesitos não se engadelhavam com as gaivotas!

Era uma animação naquela cidade! Acho que foi a única onde não tive qualquer problema em encontrar onde pousar a minha Magnífica!

O povo vibrava com as habilidades dos aviões!

Fiquei ali uma infinidade de tempo, eu sabia que o tempo que gastasse ali ía fazer falta a seguir, já que às 5,30h tudo fecha, mas que importava, estava tão bem no meio da animação!
Estava sol, ainda por cima! O calor é que não era muito, não vi ninguém de fato de banho, mas também com 12 e 13 graus quem se quer despir, mesmo com aquele sol?

(continua)

8 – Passeando até à Escócia – de Bath voltando para Londres

11 de Agosto de 2011 – continuação

Bath é uma cidade surpreendente!

Como o seu próprio nome indica, a sua tradição é termal, de banhos curativos, de águas milagrosas, daquelas que saem da nascente a altas temperatura e fumegam ao passar.

Por ali andaram os romanos que apreciavam aquelas águas e construíram um complexo termal remarcável, mas parece que a origem da cidade é bem anterior, outros antes deles já tinham apreciado aquelas águas!

Depois de passar o jardim a catedral era mesmo ali ao fundo, mas não fôra a catedral que me atraíra ali!

Ali eram mesmo os banhos romanos o centro da minha atenção!

Todo o complexo está em bom estado de conservação e perdem-se ali umas horas a catar todos os recantos!

Chamo-lhe complexo porque tem todo um conjunto de piscinas, tanques menores e banheiras para tratamentos especializados, desde banhos de relaxamento até banhos curativos.

Aqueles romanos eram mesmo conhecedores das potencialidades de umas termas!

A fonte “milagrosa” ainda jorra hoje a água quente que passa junto aos nossos pés fumegante, pelas canalizações que os romanos construíram há muitos séculos!

As pessoas ficavam ali sentadas na borda da piscina e eu fiz o mesmo!
Acabei por fazer ali alguns desenhos também.

Os romanos faziam ofertas aos deuses atirando moedas para o tanque “the Hot Sacred Spring”

Quando este tanque foi descoberto e escavado muitas dessas moedas foram recuperadas e estão hoje em exposição.

Os visitantes podem hoje fazer também as suas ofertas, pedindo um desejo e o dinheiro será usado na permanente conservação do local.

Coisa gira ver a moedas a brilhar no fundo da água!

Depois de horas a deambular pelos banhos, a ler placas, a tirar fotos, a desenhar e a imaginar como aquilo teria sido… lá fui ver o segundo ponto de interesse da cidade para mim: o rio e a ponte!

O rio Avon desce ali, literalmente, as escadas!

E com que elegância ele o faz!

Por cima dele passamos uma ponte que da rua… parece uma rua! Ao estilo da Ponte Vecchio (sec XIV) em Florença, esta Pulteney Bridge (sec XVIII) é toda ladeada de lojinhas que fazem com que, quem lhe passa em cima, nem se aperceba que está a atravessar uma ponte!

Com isso é uma das 4 pontes ladeadas de comércio no mundo (tenho de descobrir quais são as 2 que me faltam ver!)!

Vista de cima parece uma rua comum!

Fiz um pic-nic rodeada de pombas que me vinham comer à mão, ali num jardim que era um labirinto

e parti para St Alban, queria ver aquela catedral, embora já soubesse que estaria fechada… depois da 5.30h o que é que está aberto naquele país?!

Esta é a 2ª maior catedral do Reino Unido, depois da de Winchester… e a sua nave é a maior de todas… gostava de a ter visto por dentro, sei que é diferente das que tinha visto. Mas nada feito!

Dei por ali uma volta a pé

E fui para Londres passear. Ao menos lá a vida não acaba às 5.30h!

A torre do Big Ben está ali ao lado da estrada o que achei surpreendente, pois pensava que estaria recuado não “à mão” de quem passa na rua!

Big Ben, na realidade não é a torre nem o relógio e sim o sino que pesa uma porrada de toneladas, (12 ou 13 acho eu) porque o relógio chama-se apenas… Tower Clock!

Dali mesmo podia-se ver o London Eye, eu ainda havia de dar uma volta nele, nem que isso custasse uma fortuna!

O edifício do Parlamento tinha uma esquina às escuras, o que era uma pena!

Ali mesmo ao lado fica a Westminster Abbey considerada a catedral mais importante do reino porque lá são coroados os reis… e casou lá o príncipe há tempos!

Não cheguei a vê-la por dentro porque quando chegava a Londres era sempre tarde demais!

Na praça em frente varias pessoas tentavam desesperadas fotografa-la sem conseguirem porque havia pouca luz e o flash não fazia efeito nenhum! Eheheh

Fui comer uma massinha italiana, acompanhada por uma cervejinha espanhola e ser vida por um português… ali pertinho já que o “fish and chips” deles quem quiser que o coma!

Então voltei para a “minha casa em Londres” pelas ruas cheias de movimento num país que já dormia desde as cinco e meia! Viva Londres!

Fim do 6º dia de viagem!

7 – Passeando até à Escócia – de Londres até Stoneheng

11 de Agosto de 2011

“Que maravilhosa sensação, acordar em Londres!

Hoje posso dizer que a minha casa é em Londres! O céu cinzento do lado de fora da janela comprova que estou aqui… não pode haver duvidas, está um nevoeiro do caraças! Viva Londres!

Nem sei o que vou fazer nem para que lado me hei-de virar primeiro! É nestes momentos que eu agradeço a mim própria o tempo que perdi a pesquisar o que há para ver em todos os meus percursos e imprimir o trabalho num livrinho! Agora é só rapar do livro e ver que voltas posso dar e com o que há para ver! Delicia, sou melhor que uma agência de viagens!

A pousada não tem parque e de repente dou um salto da cama “ai a minha motita, na rua toda a noite, com as revoluções que há por aí e eu aqui a sornar na maior calma!”
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Não se passava nada com a moto, podiam-se ver policias a passear pela rua onde ela estava estacionada. Ai que alivio!

Ao pequeno-almoço a televisão estava ligada e pude ver a dimensão da nuvem em cima de Londres e toda a redondeza, cruzes aquilo iria ser chuva para todo o dia. A apresentadora reforça o meu pensamento “chuva até ao fim da tarde”…

Ao mostrar o mapa de toda a ilha podia-se ver que toda a zona leste estaria debaixo de chuva a maior parte do dia, mas para Este nem por isso!

Parti para Este, claro!

Segui para Winchester, uma cidade ali no sul de Inglaterra que já foi capital do reino e tem uma catedral lindíssima!

Aquela catedral espantosa foi começada a construir no sec XI embora só tenha sido concluída alguns séculos depois!

É uma das maiores catedrais inglesas e a gente sente-se pequenina lá dentro!

Monumental e linda!

Aqueles tectos fizeram-me andar tempos infinitos de nariz no ar!

Estava muito perto de Londres e o mau tempo não estava longe, aliás, estava em cima de nós! A cidade perdia a piada com todo aquele cinzento, por isso peguei na moto e fui para mais longe um bocado!

Segui para Salisbury. Mais uma catedral espantosa me esperava ali, a catedral de Saint Mary uma construção com 750 anos!

Hoje é uma catedral anglicana em perfeita utilização para oração e visita-la foi uma agradável surpresa!

Mesmo em frente uma mulher enorme caminha para ela determinada!

Até eu era pequena perto dela!

Lá dentro, alem da beleza da construção, haviam pormenores surpreendentes que me prenderam a atenção por muito tempo e fotos!

Uma fonte silenciosa, um espelho vibrante, ali, bem no meio do caminho… surrealista beleza!

Mergulha-se naquelas águas como num espelho! É espantoso!

Depois daqueles minutos de contemplação das águas tudo é magico!

E de repente, no meio daqueles túmulos centenários, um tumulo muito original!

Havia esculturas deste artista um pouco por todo o espaço o que achei surpreendente e delicioso!

Os claustros da catedral são espantosos! Numa sala ali ao lado está guardado um dos 4 exemplares da Magna Carta, uma espécie de tetravó do constitucionalismo!

Quando cheguei cá fora a minha Magnífica tinha arranjado uma amiga!

O céu estava azul e as nuvens tinham-se afastado mais um pouco, tal como dissera o boletim meteorológico! Eu estava no bom caminho: o caminho do sol! 😉

Ali perto fica Old Sarum! Um nome que me enchia de respeito e curiosidade! Às vezes os nomes antigos têm muito poder sobre mim! Encontrei por lá uma foto aérea do local e a seguir fui vê-lo!

Old Sarum é o lugar mais antigo da região, data de 3.000 ac… é quase solo sagrado, heim?

Ali passaram povos desde os romanos aos saxões. O castelo e a catedral eram do sec I dc.

Aquilo fica no topo de uma colina perto do rio Avon e, no sec XIII decidem demolir tudo e construir a New Sarum mais abaixo, junto ao rio, hoje Salisbury!

No inicio do sec XX descobriu-se o local exacto da catedral por causa das falhas na relva que não crescia direito nas zonas onde estiveram as paredes!

Há um foço em torno do montinho onde ficava o castelo, a catedral ficava cá fora, junto das construções da população.

Dali vê-se Salisbury ao fundo

A nuvem negra tinha voltado. Por lá é sempre assim, num momento está sol e sai tudo para rua para o aproveitar, no momento seguinte está tudo cinzento de novo!

Segui para Stonhenge, ali pertinho.

O trabalho que se tem para se tirar uma ou duas fotos sem ninguém por perto!

Felizmente as pessoas não podem aproximar-se das pedras senão não haveria tréguas e aquilo estaria sempre pilhado de povo!

Como eu imaginava, aquilo é monumental!

Quanto mais antiga é a construção mais silenciosa e solitária deve ser a visita para mim… aquilo estava um inferno de povo!… fui-me embora.

Afinal tinha tanta estrada tipo ruela aos “sobes-e-desces” para fazer e sentir o estômago saltar a cada descida e o coração nas mãos a cada cruzamento!

Fui para Bath!

(continua)

Londres de novo…

Depois de uma volta alucinante pela Escócia. Precisava de mais tempo e todo o tempo seria pouco! Claro que há sempre o “eu volto cá” mas falta tanto tempo par cá poder voltar!

Há locais que se tornaram míticos para mim, uns apenas pelo nome que se fixou no meu imaginário e sobre ele criou histórias; outros pelas histórias que li; outros ainda pela História que os rodeia! A Escócia reúne tudo isso e muito mais! É quase sagrado aquele solo!

Quis o destino (embora não acredite muito nele) que fosse mesmo às suas portas que a minha Magnífica me abandonasse pela primeira vez na vida! Tenho tanta pena que assim tivesse sido… tenho tanta pena, ao deixar este pais que tanta coisa tivesse ficado por ver e falta tanto tempo para eu poder voltar!

Há momentos em que sinto como se o tempo estivesse contado, como se um dia eu fosse acordar e não poder mais conduzir pelo mundo fora!

Torna-se urgente continuar enquanto a vida mo permite e é tão pouco o muito tempo que tenho!

Tenho de voltar e voltar a esperar até ser livre de novo…

Glasgow – 22 de Agosto de 2011

Já fiz de tudo!

Já dei voltas à cidade…

já dei voltas a Edimburgo…

Hoje fui dar mais voltas às highlands, foi muito giro, pude falar com as pessoas que iam comigo, pude conhecer o condutor do furgão, brincar e rir… mas tinha sido tão mais bonito de moto!

Estou cansada de esperar, da incerteza sobre como vai ser o fim da história, d prisão em que estou!

De repente compreendo onde reside a minha independência! Ela está na capacidade que tenho de sair por onde quero, estar se me apetece, não ir se assim me dispuser!

Essas minhas asas que são rodas, ou rodas que são asas é que me dão esta dimensão que tenho e sinto quando saio do meu canto pelo mundo fora!

É o que vejo sim, o que me faz andar por aí em viagem, mas é também o que eu sou quando estou em viagem o que me faz vir e eu sou o que sou com a minha moto ao meu lado, sem ela tudo perde piada… de tal maneira que apenas aqui estou porque há a hipótese de ela voltar a andar, porque se tivesse de continuar noutro meio de transporte, já teria voltado para casa!

Nunca esperei um dia com tanta ansiedade e apreensão como tenho esperado o dia de amanhã…

que não seja uma espera em vão…