22. Passeando por Marrocos – Tanger

“O meu tempo por Marrocos está a esgotar-se aos poucos, como noutras viagens parece que, de repente, tudo se precipita! Já não há mais aquela sensação de estou longe, estou à descoberta, na traquinice de quem está longe de casa…

Começo a sentir-me perto e a aproximar-me do país, de casa e tudo parece que passou tão rápido!

Sinto que precisava de mais tempo pelo Marrocos profundo, precisava de passear a pé pelas aldeias, demorar-me na contemplação do horizonte, sentar-me umas horas no deserto.

Precisava de desenhar um pouco, de puxar dos meus pincéis e fazer uns sarrabiscos dos locais que mais me fascinaram, precisava… de viver Marrocos mais lentamente!

Ficar sozinha hoje fez-me muito bem, fez-me sentir juntinho a mim! Mesmo imaginando que os outros estão todos juntos a conversar e na grande cavaqueira, estar comigo fez-me reencontrar a minha grande companheira de viagem: eu.”

***

Estávamos no 9º dia de viagem, era dia 24 de Abril…

Espreitei pela janela e reparei que as nossas motitas não estavam sós, o Jorge andava por lá a tratar das coisas dele, mas outras motos se tinham juntado a elas!

Ao chegarmos cá abaixo, constatamos que havia outro grupo de motards no hotel, com uma característica curiosa: eram senhores com uma idade meio avançada!

Gosto sempre de ver motociclistas com idades avançadas, dão-me mais confiança para imaginar que eu poderei também um dia conduzir com uma idade avançada também!

E lá tratamos de partir

Tirei algumas fotos para trás, vi pelo retrovisor que o grupo vinha tão direitinho, que não resisti a fotografa-lo!

O trânsito estava meio atrapalhado por isso apanhamos a auto-estrada. Assim ficamos também a saber como ela é por lá!

E para que ninguém diga que estávamos cansados ou tristes, o povo fez a festa!

Ora veja-se quanta animação!

E chegamos a Tanger. Demos umas voltinhas por lá e encontramos motinhas bem engraçadas, um modelo comum por terras marroquinas!

Atravessamos a cidade, que podia ser uma cidade qualquer do sul de Espanha

E chegamos ao mar

O hotel ficava mesmo ao lado do porto, num quelho, na entrada da Medina.

Mais uma vez fiquei hospedada no topo do hotel! Um senhor carregou a minha mala lá para cima e, qual não foi o meu embaraço, quando ele ficou à espera de uma gratificação e eu não tinha nem um dirham na carteira… ups

O hotel não parecia nada de extraordinário em termos de decoração, mas as salinhas de entrada tinham o seu encanto

Depois encontrei o amigo Diamantino cá fora e fiz dele meu modelo por 2 ou 3 fotos

Continuei a minha exploração do local, que não parecia nada de especial.

Conferi que as motitas estavam bem, lá em baixo.

Quando descobri um recanto que nem parecia pertencer àquela construção!

Maravilhei-me com o pormenor decorativo daquelas paredes, não conseguia deixa de fotografar!

A sala do pequeno-almoço

E as salinhas intermédias, com aberturas no chão, que permitiam olhar para o andar de baixo.

Janelinhas que abriam para corredores com pequenas cúpulas no tecto.

Os tectos…


As cupolas…

E as paredes

Desculpem, não resisti a mostrar o que tanto me fascinou!

21. Passeando por Marrocos – El Jadida

Continuamos a nossa visita à cidade e sua fortaleza. Ali mesmo ao lado ficava o posto da Policia, tão giro!

De vez em quando convinha conferir se o bando estava todo! O 14º elemento (eu) estava atrás da câmara!

Na muralha o cheiro a pão fresco era intenso e apetitoso!
Alguém reparou que naquela portinha, por cima da água, estavam a coser pão!
Que cheirinho delicioso!

Portugal investiu bastante trabalho e esforço na construção e defesa desta fortaleza e depois na sua defesa das investidas marroquinas!

Até se por a andar para o Brasil e deixar tudo ao abandono…

E fui visitar o sítio do pão! De onde vinha aquele cheirinho delicioso, bem dentro da muralha! Diziam os senhores que dali saia o pão para os bascos desde antigamente.

Da janela, que era mais uma porta, o acesso ao mar era efectivamente directo!

Andei a cuscar alguns recantos da Fortaleza.

Alguns com umas perspectivas incríveis!

Um pouco mais de comércio

E saímos da fortaleza

Para nos embrenharmos no comercio atravancado do exterior!

Encontramos uma casa de linhas espectacular! Fiquei maravilhada! Aquilo tudo são tubos de linhas de todas as cores!

Giríssimos! Todos em cores brilhantes, acetinadas! Com estas linhas eles fazem aqueles bordados que se vêm nas túnicas!

Eram tantos!

Cá fora era uma feira de rua, parte tradicional, parte produto chinês…

E fomos caminhando pela rua, calmamente, junto ao mar, até ao hotel

Voltamos a passar pelos camelos, que eram dromedários, e eram tão giros e simpáticos! Estavam a fazer mimos uns aos outros.

Acho que o escadote estava ali para, além de me estragar a fotografia, ajudar os turistas a subir para os cavalos, que estavam mesmo ao lado. É que camelo e dromedário senta para a gente subir, mas cavalo não!

Quando chegamos ao hotel o Jorge tinha a moto transformada em estendal e a roupa suja, que ele deixara na moto, estava a arejar! Nunca falte o sentido de humor num grupo de viaja! O Jorge é boa gente, ficou meio espantado meio desnorteado, mas acho que achou tanta piada como nós! eheheheh

Foi só o tempo de recolher a roupa, subir aos quartos e, sem que deixasse de se ver o sol, o céu desabou!

A pequena multidão que se passeava pela esplanada da praia desapareceu como por milagre

E a chuva caiu com toda a força!

Como veio, como foi! Lavou tudo no espaço de meia hora

Fui para o bar petiscar uma série de bugigangas muito interessantes, acompanhadas por uma cerveja deliciosa, fabrico marroquino, chamava-se Casablanca e era parecida com a Heineken.

O povo foi jantar algures mas eu fiquei tão bem! Não havia nada que me tirasse do conforto do hotel!

20. Passeando por Marrocos – El Jadida e a Cisterna Portuguesa

Dia 24 de Abril de 2011…

O meu quarto era muito giro e a casa de banho simpática! Não resisti a tirar umas fotos para a posteridade!

O duche!

Esta ficou desfocada mas não tenho mais nenhuma para mostrar como era o outro lado do quarto: uma salinha de estar, com janelas para fora dos dois lados!

Cá em baixo esperava-me um pequeno-almoço muito bom, como todos durante a viagem, só que este contava com um ambiente privilegiado de puro romance!

Comi tudo e trouxe a tacinha da manteiga… ok, eu sei que isso não se faz, mas ela era tão velhinha e pequenina que não chegou a ser prejuízo para ninguém!

As pessoas inteligentes enchem a barriga ao pequeno-almoço, para terem “combustível” para a viagem! Assim, nem que o almoço seja fracote “barriguinha lá o tem” como dizem na minha terra!

Só mais uma fotozinha ao nosso lindo hotel e partimos!

Chovia quando saímos…

Os carregadores de malas estavam à porta à espera desde as 8.00h embora a gente tivesse dito 9.00h e queriam mais dinheiro para transporta-las. Nos tínhamos pago ida-e-volta no dia anterior, mas quem recebeu o dinheiro ficou com ele e mandou os amigos ver se recebiam outro. Mas não eram más pessoas de todo, senão tinham pedido o dinheiro à porta do hotel ou não carregariam as malas e não foi o que fizeram. Levaram tudo e no fim pediram mais dinheiro… a pobreza por vezes também faz destas coisas!

O céu permaneceu carregado e a chuva não deixou tirar grandes fotos em andamento. Fomos subindo sempre junto ao mar e a paisagem era muito bonita!

Agora eu tinha também uma mão direita muito florida!

As localidades eram cada vez mais parecidas com as do sul de Espanha.

O nosso guia e respectiva co-piloto!

E foi ali que paramos para comer!

Mas ali já não me deixei levar por comidas já feitas! Fui eu mesma escolher e mandar cortar a minha costeleta de vitela e levei-a eu mesma ao assador!

Toda a gente estava animada com pão e triângulos de queijo da Vaca que Ri

Continuo a achar que aquele pão é delicioso! Vou ter saudades, como tenho do pão polaco e austríaco…

O Diamantino já estava com a língua de for a prever o que ia aparecer para o seu repasto!

A minha costeleta estava um pouco grelhada demais, mas estava óptima! Tinha o sabor dos velhos tempos, quando o gado andava no prado…

As azeitonas por lá são óptimas! Algumas bem picantes, por sinal, o que eu aprecio muito!

Os pratinhos de carne que vieram para quem não foi escolher… eram diminutos!

Mas o povo comeu e gostou! Podia era ser mais, talvez!

O pratinho do Diamantino era giríssimo!

A amiga Maria lá teve a sua omeleta do costume! Não estava má!

Apesar de tudo acho que ninguém ficou com fome!

Quando tomávamos café passou um carro cheio de mulheres que gritavam! Parecia que iam para a festa, alguém disse que iam para um casamento!

O café estava óptimo! Do melhor que tomei por lá!

E seguimos caminho, agora com o sol como companhia!

E chegamos a El Jadida

A coexistência do europeu e o africano é visível pela costa

Chegamos cedo ao hotel Ibis, pois tínhamos coisas importantes para visitar na cidade!

Se por um lado é curioso encontrar influências europeias assim fora de contexto, por outro lado faz-me pena! Em Marrocos eu queria ver apenas coisas marroquinas!

Então fomos visitar a cidade

Achei piada aos miúdos, o chão devia estar quente!

Achei piada aos camelos, estes eram gordinhos, nada como os do deserto que eram magrinhos

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El Jadida

El Jadida foi fundada pelos portugueses nos inícios do século XVI como entreposto comercial e militar na rota marítima para a Índia. A cidade manteve-se na posse da coroa até 1769, data em que foi conquistada em definitivo pelos marroquinos.

Após a retirada portuguesa, a cidade esteve cinquenta anos abandonada o que lhe valeu a designação de al-Mahdouma (a arruinada). Já no século XIX , o sultão Moulay Abderrahmane reabilitou a cidade que passou a chamar-se El Jadida (a Nova).

Os portugueses partiram para o Brasil onde fundaram uma nova Mazagão!

Este era, para mim, outro dos pontos altos da viagem… e não me desiludiu

Não me consegui conter e tirei uma infinidade de fotos… vou tentar por apenas algumas…

Orson Welles filmou partes do filme Othello nesta sumptuosa cisterna, classificada como património mundial da Unesco em 2004.

A cisterna chegava a conter 2,70m de altura de água

Uma última foto coma minha sombra…

19- Passeando por Marrocos – Essaouira

Desta vez o meu Patrick (GPS) tinha razão, ficou todo baralhado e tentava a todo o custo fazer-nos entrar na Medina!
O que ele não sabia era que não circulam veículos lá por dentro!
Policias super-simpáticos (até me ofereceram peixe do que estavam a comer!) disseram-me que as motos não podiam entrar, teriam de ficar no parque no exterior.
E tivemos de deixar as motitas de “mãos dadas” cá fora.
O hotel era mesmo no coração da Medina.

O pior era carregar as malas lá para dentro! Mas também não foi problema, havia carros para o fazer!

A sensação de ir dormir no interior de uma Medina era de expectativa! Ia espreitando por todas as portas para ver como ela era lá por dentro!

E lá nos fomos embrenhando numa Medina que não se parecia em nada com a de Marrakech!

Airosa e com lojinhas colorida para nos fazer gastar mais uns Dirhams em souvenirs!

E lá no meio estava o nosso hotel lindo! Maison du Sud!

Uma construção cheia de recantos, pátios interiores, escadas e patamares onde se podia ver de cima para baixo e de baixo para cima!

As diversas salas, na penumbra, tornavam-se acolhedoras e quase misteriosas, com luzinhas agradáveis a criar um ambiente simpático, quase misterioso!

Andei por ali a fotografar tudo, vezes sem conta, até me levarem ao meu quarto que ficava lá bem em cima!

Fui subindo, subindo deixando toda a gente pelo caminho!

O que me valeu foi que o senhor do hotel carregou as minhas malas, senão eu teria parado um milhão de vezes pelas escadas acima até chegar… ao terraço!

O terraço era todo meu! Pronto ok, o Filipe Mendonça e a Olga também tinham quarto no terraço, ao lado do meu!

Claro que fui espreitar o que se via para lá do muro!

E lá de cima via-se a rua principal da Medina!

O hotel era lindo e labiríntico!

E cada vez que eu descia ou subia deliciava-me a captar pormenores, recantos, perspectivas!

Olha eu ali!

Todo o grupo adorou o hotel, acho que ninguém se importou mesmo de deixar as motos à entrada da Medina, só para poder usufruir de um espaço tão giro e simpático!

Adorei esta foto! O flash simplesmente fez desaparecer a parede e a jarra ficou pousada em cima de nada!

O povo reunia-se para sair à descoberta da Medina.

E toda a gente fotografou o local até à exaustão!

A chuva voltara entretanto e o povo ía andando de tolde em tolde para se abrigar minimamente!

Como não se podia andar à vontade por causa da chuva, fui pondo o olho às montras e eu que nem gosto de bolos achei estes girinhos, não são?

As ruínhas estreitas chamam-me sempre a atenção e por ali havia muitas!

Olhem-me para aquele arco! Quem passa lá por baixo?

Aí vem o grupo todo testar a altura do dito arco!

Se havia duvidas quanto à sua real dimensão basta ver! Todos nós éramos grandes demais para passar por ali sem nos baixarmos!

Mesmo a Mila, que era a mais pequenina, teve de se baixar pois os barrotes de sustentação ainda eram mais baixos que o arco de entrada!

Toda a gente vergou a mola para passar!

Uns mais do que outros!

E continuamos por quelhos e ruelas bem giros!

As portas continuam a fascinar-me e aquelas além de giras eram baixinhas!

A Medina branca e azul…

Chegamos à muralha do Castelo Real de Mogador construído pelos portugueses no inicio do século XVI! Essaouira já se chamou Mogador

Toda aquela artilharia é portuguesa!


Ali as gaivotas não fogem da gente, não devem estar habituadas a ser mal tratadas, senão fugiriam!

Perto da gaivota estava um passaroco dos nossos! Eheheh

Havia outros passarocos dos nossos muito interessados em espreitar para o interior da muralha!

E foi aqui, na portinha dentro do arco, que voltei a tatuar outra mão!

A amiga Maria já tinha feito o negócio quando cheguei, e já se tinha tatuado também!
Desta vez aproveitei para fotografar a operação, já que em Marrakech não o pudera fazer, quando me tatuavam a mão esquerda, pois era de noite!

Ha quem lhe chame pintura mas, na realidade, aquilo não é uma pintura, é uma tatuagem: Henna.

A Henna é usada em momentos festivos. Quando casam, as noivas tatuam as mãos e os pés em sinal de boa sorte

A Henna é uma mistura feita a partir de folhas secas e moídas da planta de Henna, com óleo de eucalipto e sumo de limão.
A Henna preta é resultado de uma mistura química.

Isso quer dizer que a minha primeira tatuagem (castanha) era natural, e a segunda (preta) era química!

Algumas das tatuagens das meninas do grupo!

Depois andamos a negociar peixe para o jantar! É preciso paciência e perseverança para se negociar peixe variado para tanta gente!

Escolhemos a tenda que tinha o peixe mais fresco e foi uma luta: Lulas, Chocos, Robalo, Dourada, Camarão Tigre, Lagostins, Lagosta… mais isto mais aquilo… 20 € por pessoa e foi um encher a barriga!

Ali mesmo em frente ao mar!

Alem das tendas do peixe também havia as tendas dos sumos, primorosamente enfeitadas com as cascas dos citrinos! Laranjas e toranjas, normais e sanguíneas, que bom aspecto!

E as gaivotas que pareciam de plástico, de tão branquinhas e quietinhas que estavam!

Entre o negócio do peixe e o jantar ainda houve tempo para umas cervejolas frescas que vieram mesmo a calhar

Ali mesmo, com a baia de Essaouira como paisagem!

E fomos jantar!

Um rodízio do mar, foi o que foi o nosso jantar!

Um ambiente romântico… de comilões…

Lagosta para todos, só faltou mesmo um pouco de maionaise e um vinhinho branco geladinho!

E foi um fim de dia, de barriga cheia

E cafezinho numa esplanada, fez-me falta o nosso café por lá… como em todas as minhas viagens faz!

Chichi cama, que a nossa casa era logo ali!

18- Passeando por Marrocos – até Essaouira

Era dia 22, o 7º dia de viagem… hora de partir para mais uma etapa…

mas não seguimos caminho sem antes ir visitar uma pequena jóia de Marrakech

O Jardim Majorelle de Yves Saint Laurent

O jardim foi desenhado pelo pintor francês Jacques Majorelle em 1919.
Depois da sua morte ficou meio abandonado até que o casal Pierre Bergé e Yves Saint Laurent o comprar, em 1980 e o reestruturar.

Hoje o jardim é um recanto repleto de cactos, bambus, buganvílias, entre outras plantas, que contrastam com as construções, pintadas de cores extremamente fortes.

As plantas que povoam o jardim compõem uma rara colecção vegetal que representa os 5 continentes!

A cor intensa do edifício principal faz a cor do céu parecer pálida!

Após a morte de Yves Saint Laurent, o jardim é administrado pelo seu então companheiro, Pierre Bergé.

Então sim, depois da visita, estava na hora de partir

A minha mão estava gira!

A chuva não deixou que se registassem pormenores do caminho, e chegamos a Essaouira!

Almoçamos num restaurante mesmo no porto, mas a cidade chamava para ser visitada!

Aqueles barquinhos azuis estavam a chamar-me a atenção desde que saí de casa!

Eu não sabia era que lá no local eles eram bem mais interessantes que nas imagens que tinha visto na net!

A cidade ao fundo… a cidade que também já foi portuguesa!
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