13 – Passeando até à Suiça 2012 – Grand San Bernad Pass, Aosta

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7 de Agosto de 2012 – continuação

O dia continuava lindo e era tão cedo ainda! Toca a seguir por ali fora, pois iria voltar a subir as montanhas do outro lado!

Lá ao fundo, depois de Martigny, os montes são famosos!

A estrada começa a encaracolar sobre si própria

E sobe-se, rodopia-se e volta-se a subir

Até aos 2473 metros de altitude!

Cheguei ao topo e nem parei no Hospice du Grand St. Bernard, passei o lago, passei a fronteira italiana e segui! Estava a saber-me tão bem a estrada!

Mas acordei para o mundo ao olhar a estrada que me esperava do lado italiano, “que me lembre não há de comer aqui perto para este lado e eu estou cheia de fome!”

Dei meia volta e voltei para trás, tinha de comer primeiro e eu vira uma festa com comida junto da fronteira!

Foi a decisão mais acertada que podia ter tomado! Juntei-me à festa, fiz amizade com um lindo e simpático São Bernardo e tudo!

O cãozinho era um fofinho!

O São Bernardo é uma raça muito antiga que vem desde os Romanos e que os monges do Hospice protegeram e conservaram desde o sec XVII.

O cão tomou o nome do Hospice onde foi treinado para defender o local mas também para salvar pessoas perdidas ou soterradas nas neves. Faziam estes resgates em grupos de 3 ou 4 cães, que aqueciam as vítimas com os seus corpos enquanto um deles ia buscar ajuda humana.

O verdadeiro cão tem o pelo curto (como este), existe uma variação provocada pelo cruzamento com o Terra Nova, com o pelo longo que torna o cão inútil para andar na neve, já que a neve cola ao pelo e o torna demasiado pesado para qualquer missão!

Hoje o cão mais usado nos resgates nos Alpes é o Pastor Alemão, por ser mais pequeno e leve e ter um faro equivalente.

E lá tirei as primeiras fotos ao Hospice do outro lado do lago!

Um grupo muito simpático de italianos e suíços estavam na mais alegre festa, a festa da amizade! Vestidos em trajes de época, dançavam e riam e brincavam com as pessoas! Uma animação!

Havia uma espécie de balcão onde se servia comida. Aproximei-me “Isto é a festa da amizade? E posso ser vossa amiga?” perguntei “claro!” respondeu um dos senhores “então posso comer convosco? Quanto custa?” , “custa quanto quiser dar” respondeu ele.
A comida cheirava divinalmente!

Havia um garrafão em cima do balcão onde tínhamos de por o dinheiro pelo gargalo!

Andava toda a gente atrás de dinheiro para por no garrafão! Lá pus uns 6 ou 7 francos e siga com o tabuleiro recheado!

Aquilo era mesmo bom! O acompanhamento era uma massa tipo polenta que combinava super-bem com a carne estufada!

O vinho era ótimo e à discrição! Estava em grandes garrafas de 1,5l espalhadas por todas as mesas! Ao tempo que eu não bebia vinho! Que bem que me soube!

Eu estava preocupada porque a festa era mesmo à beirinha da fronteira e os polícias viram-me sentar e comer e beber… para depois pegar na moto e seguir o meu caminho! Estava a pensar que eles podiam-me mandar parar e não deixar seguir, quando se juntaram a mim, na minha mesa!

Juntaram-se na minha mesa também os bailarinos, todos bem vestidos e animados!

Fartamo-nos de falar, soube que vinham de Aosta, ali perto em Itália, onde eu queria ir. Foram horas de paleio, risota, comida e bebida, até que tive de me ir embora! Despedi-me com uma fotografia da mesa!

E outra do lago, embora eu soubesse que lá voltaria a passar no regresso de Aosta.

E segui pelo Passo que a partir dali se chama Passo del Grand San Bernardo, pois estamos em Itália

Com o famoso Vale de Aosta a aparecer mais à frente

O calor tornava-se infernal lá em baixo o que tornava a paisagem glaciar mais surrealista!

E cheguei a Aosta meio derretida e com a blusa colada às costas. Iria dar uma volta pela cidade mas estava decidida a pôr-me a andar dali antes que caísse para o lado com o calor!

(continua)

12 – Passeando até à Suiça 2012 – Sion – Montanhas e vinhas!

7 de Agosto de 2012

Pois é, quando o dia acorda lindo e eu acordo na Suíça nunca sei muito bem o que me apetece fazer para além de passear para um lado e para o outro! Como sempre que não sei para onde ir, acabei por ir para todo o lado!

O mapa geral do que fiz nesse dia mostra como andei para um lado e para outro mas, a verdade, é que fui ver do que mais bonito se pode ver em 12 horas!

Primeiro fui passear pelo meio das vinhas que se estendem pela encosta dos montes em redor, não apenas de Sion, mas de todo o imenso vale! Por isso é melhor apresentar o mapa por partes!

De lá de cima: Sion com as suas colinas proeminentes acima da cidade.

Parecem duas maminhas ali no meio da planície, bem visíveis numa imagem panorâmica! Deslumbrante o que os caprichos da natureza podem fazer!

As estradinhas entre as vinhas são alcatroadas e muito giras de se fazer. A paisagem então, é qualquer coisa de extraordinário!

Depois engrenei por uma ruela que prometia ser interessante, pelo menos o meu Patrick dizia que era toda aos SS por ali acima! A paisagem começou a mudar e as altas montanhas a aparecer, lá ao fundo! Lindo! Era mesmo isso que eu procurava!

Eu gosto de experimentar os pequenos passos de montanha desconhecidos do turismo, normalmente são ruinhas frequentadas por ciclistas, estreitas e ingremes, e eu gosto disso!

Apetece parar a cada momento para tirar mais uma foto, para usufruir calmamente do momento!

Uma indecisão, por vezes, entre curtir a condução, ou curtir a paisagem! Vai-se tentando fazer as duas coisas!

Escolhi uma outra ruinha e subi! Seguiria pelo Col du Sanetsch até à barragem.

Um caminho muito bonito que só tem um defeito, não ter saída! Por isso somos obrigados a regressar pelo mesmo caminho… isto é, mais ou menos o mesmo caminho!

Finalmente, ao fim de tantos anos a passear pelas montanhas, consegui fotografar uma Marmota! Tão fofinha! Eu já as tinha visto, mas nunca tinha conseguido fotografar uma, pois são irrequietas e rápidas! Desta vez eu fui mais rápida do que ela! 😀

E lá estava o lago provocado pela barragem de Sanetsch.

Achei curioso ainda ter uns farrapinhos de neve na encosta do monte!

Há sempre um rochedo com uma cruz por aquelas terras, se não for no monte é no meio de um lago!

E a bandeira! Num país com tantas fronteiras, às vezes faz jeito a bandeira, para termos a certeza que ainda estamos na Suíça! Ali não era o caso.

Subindo ao topo do monte, logo acima da barragem, vemos a paisagem que fica do outro lado! Há ali um teleférico que leva e traz pessoas de lá de baixo do vale de outro lado. Lindo!

Cá em baixo a minha Magnífica conversava com uma amiga Deauville!

O que eu acho giro é encontrar autocarros que fazem estes caminhos! E é giro também passar por eles e termos ambos de “encolher a barriga” para passarmos! Os condutores de autocarro são supersimpáticos e até saem um pouco da rua, se puderem, para não perturbar quem passa!

Voltei a descer o col, agora mais cuidadosamente para fotografar o caminho e a paisagem. No regresso as curvinhas eram mais visíveis, até foi giro voltar a faze-lo!

Acho sempre mais fácil e interessante fazer um Pass em subida, pois não necessito de usar tanto o travão e a condução é mais equilibrada, mas para fotografar é descendo, sem dúvida, que se fazem os melhores enquadramentos!

Na subida tinha passado por este restaurante giro mas, como estava fechado, segui. Mas na descida não resisti! Tão giro!

E não é só por cá que há terras com nomes curiosos ou bizarros! Ali cheguei a Le Nez, que é o mesmo que dizer que cheguei a O Nariz!
Não sei se era o nariz do monte, ou da terrinha!

Logo a seguir voltei a encontrar o vale de vinha!

E foi por entre o vinhedo que eu fui percorrendo o caminho que me levaria a um outro Pass.

Porque ali pela encosta as paisagens são muito bonitas! Podem-se ver os glaciares e altos picos nevados, ao mesmo tempo que em primeiro plano se vê uma paisagem de verão!

Aquele vinho tem de ser bom, inspirado por tanta beleza envolvente!

E crescendo e amadurecendo, não só nas encostas, mas também nas “paredes” rochosas dos montes! Aquilo é trabalho de alpinistas!

O vinho do Valais, tal como a fruta (alperces) é muito famoso, já provei e gostei!

Vinha e montanha!

(continua)

11 – Passeando até à Suiça 2012 – de Thonon-les-Bains até Sion

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6 de Agosto de 2012

E a manhã estava ruim! Havia nesgas de sol para um lado e nuvens monstruosas para o outro. Quando não há tempo melhor temos de sair com o que temos! A distância que tinha de percorrer não era muito grande, bastava não me perder a visitar muita coisa e chegaria facilmente e cedo a Sion… Acabei por seguir ao sabor do tempo!

Por isso lá fui como as moscas atrás da luz, tentando evitar as nuvens mais negras, mas era certo que iria apanhar uma molha, mais aqui ou mais ali!

Eu costumo dizer que me chateia para caramba andar a passear o fato de chuva pela Europa! Se o levo comigo que seja para usar! E a oportunidade de o voltar a usar aproximava-se a cada quilómetro!

Acabei por passar em Megève, uma cidade alpina que apenas conhecia cheia de neve e de gente famosa. Foi ali, há muitos anos que me cruzei com o George Michael, numa noite cheia de neve e luzinhas, em que parecia que estávamos todos no meio de um filme infantil de Natal!

Desta vez foi a chuva que me recebeu e aquilo tudo era tão diferente sem neve!!

Mal reconheci a praça onde eu já passara de skis nos pés!

Chovia tanto que me enfiei num café e fiquei ali, a tomar café (de litro) e a conversar, esperando que a chuva abradasse… mas tive de seguir mesmo assim ou passaria ali o dia!

A paisagem envolvente seria bem mais bonita se não chovesse, tenho a certeza, pois todas aquelas montanhas são deslumbrantes cobertas de neve, no verão serão forradas a verde e igualmente deslumbrantes!

Acabei por passar em Chamonix e entrar no Valais por Matigny! Nada se via do Mont Blanc, era como se ele tivesse tirado férias e nada houvesse no seu lugar! O longo vale só se tornou visível a partir de uma certa altitude para baixo, quando passei a cortina das nuvens densas para descer para Martigny!

Lá ganhei coragem e puxei da máquina fotográfica, que estava bem escondida dentro do blusão, para tirar uma ou duas fotos!

Mas a chuva não queria mesmo foto nenhuma! Agua e máquinas não dão nunca o casamento perfeito!

Ao ver pingos de água na lente desisti, não valia de nada andar por ali a arriscar afogar uma nova maquina, por isso fui direta à pousada de juventude de Sion disposta a ficar quieta e amuada por lá até a chuva parar!

Pus as minhas coisas a escorrer, puxei do computador e dispus-me a viajar pela net, enquanto o tempo não me permitisse viajar de moto!

E a chuva parou!

Voltei a sair, mais leve e mais bem-disposta!

Sion é a cidade mais antiga da Suíça e um dos locais pré-históricos mais importantes da Europa, pois ali há vestígios de ocupação humana que remontam a 6.200 aC!

Para mim bastava-me ver de perto os seus dois castelos! Na realidade é um castelo e uma basílica fortificada que ficam no topo das duas colinas contiguas, quase no centro da cidade!

Mas eis que voltou a chuva!

A pé não há qualquer problema, fui a um supermercado e comprei um guarda-chuva! Sem fotos é que eu não iria ficar!

E lá fui procurar o caminho para os castelos!

É sempre uma sensação curiosa pisar caminhos medievais para mim!

Chegando verdadeiramente ao início das subidas há que decidir se vamos para o château Valère (a basílica), ou para o castelo Tourbillon! Como o castelo me parecia mais uma série de muros e fica atrás da abadia, em relação à cidade, decidi-me pela abadia, o château Valère, que isto de subir a um e depois a outro estava fora de questão! Gosto de ver mas não gosto de subir, que dá-me cabo das pernas e depois custa conduzir!

A meio da subida a chapelle de Tous les Saints, do séc. XIV, linda!

O castelo na outra colina tornava-se numa paisagem muito bonita, com as vinhas pela encosta! Certamente a paisagem vista do castelo não seria tão bonita porque a basílica (deste lado) estava em obras e tinha uma parte envolvida em panos! Por isso eu fiz a boa escolha! 😀

Ao chegar lá acima, em espaço aberto, a paisagem era deslumbrante! Não só porque é linda mas também porque o sol voltava a espreitar por entre as nuvens e provocava o tal efeito que me fascina depois da chuva!

Para trás de mim o castelo e a capela completavam o quadro!

Fiquei ali deslumbrada a deslumbrar-me com o que os meus olhos viam e a minha máquina captava!

Mas ainda não tinha chegado ao topo, a basílica ficava mais acima!

Entrei finalmente nos seus domínios!

A basílica de Valère foi construída entre os séc. XII e XIII como uma igreja fortificada, comuns na época, por isso lhe chamam castelo.

Lá de cima tudo é deslumbrante!

As vinhas, na encosta, com o sol tangente, pareciam resplandecer!

A cidade aos meus pés e o longo vale a seguir!

O aeroporto internacional, mais à frente

A basílica, que não dá para ver de perto pois está embrulhada para obras!

Dentro há uma segunda zona fechada, ouviam-se as pessoas a rezar lá dentro, por isso nem tentei entrar!

Naquele dia o deslumbramento estava cá fora, por isso fui-me embora dali.

O vale é deslumbrante visto de lá de cima, para o outro lado também!

O sol desaparece mais cedo quando estamos entre montes muito altos!

Voltei a descer à cidade que tinha mais 2 ou 3 coisas que eu queria ver…

para além dos caminhos pitorescos típicos de uma cidade medieval!

Como a Cathédrale de Notre-Dame du Clavier, uma construção lindíssima que tem origem lá pelo séc. VIII, numa pequena igreja carolíngia posteriormente alterada no séc. XI, e chega até nós com as proporções e beleza góticas, mantendo o campanário românico.

Logo ao lado fica a Eglise de Saint-Theodule, também gótica, muito menos interessante mas cheia de história, já que é dedicada ao primeiro bispo de Sion, lá pelos anos 500, que abençoa as vinhas do Valais!

Tinha umas esculturas de plástico, ou fibra de qualquer coisa, à porta que davam um ar bizarro ao conjunto!

Em redor das duas igrejas fica o centro histórico e as ruelas mais estreitinhas

Deve ser curioso viver-se sobre um canal! Por aquelas terras é mais ou menos comum, dado que tem de se escoar as águas do degelo!

E fui para a pousada, onde a paisagem era uma casa no meio da vegetação. Se alguém me dissesse que vivia numa casa cor-de-laranja com venezianas roxas eu pensaria que era louco, mas afinal até fica bem o conjunto!

Bebi uma Super Bock, que na Suíça é mais barata que muitas outras cervejas (e melhor), e fiz amigos para conversar e passar parte do serão!

Fim do oitavo dia de viagem..

10 – Passeando até à Suiça 2012 – Thonon-les- Bains, Genève

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5 de Agosto de 2012 – continuação

A ponta norte da Route des Hautes Alpes eu já conhecia por isso andei por ali a inventar pois há diversas possibilidades de ruas a escolher. Claro que eu escolho sempre as mais estreitas, menos concorridas e longe de tudo! Gostos!

Percorrer sem pressas estradinhas cheias de curvas que nos levam de terrinha em terrinha e de monte em monte é delicioso!

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Fui brincar um pouco pelo Col des Aravis que não tinha ninguém!

Mas havia muita humidade no ar e eu temi pela minha novíssima máquina fotográfica, por isso não tirei muitas fotos!

Andava por perto de Annecy e Megève, uma cidade ficava-me à esquerda e outra à direita! Ambas são bonitas mas decidi não ir a nenhuma! Eu queria mesmo chegar ao lago…

Há uns castelinhos por ali que são um encanto na paisagem e eu segui de um para outro.

O Chateau Fèodal D’Avulli é simplesmente delicioso, um castelinho do Sec XII que apetece fotografar até à exaustão!

Fica em Brenthonne e funciona como restaurante! A mim bastava-me olha-lo de todos os ângulos e fotografa-lo, já que visitar estava fora de questão.

Tem à entrada do seu jardim um par de guerreiros em topiária engraçados!

E é lindo!

Mais à frente ficava Thonon-les-Bains, onde eu passaria a noite e o castelo de Ripaille, onde viviam os Duques da Saboia.

Os domínios de Rippaille são um importante sítio histórico, que já esteve abandonado mas foi totalmente restaurado há 2 seculos e hoje é esta beleza de construção, com restaurante a funcionar e os domínios a visitar!

Mais à frente, um outro castelo encantador ainda, no Parc Municipal de Montjoux, o castelo de Montjoux, mesmo na beira do lago!

São lindos e adoráveis estes castelos por serem tão diferentes dos nossos e do que estamos habituados a ver por cá!

E segui até Genève, passando por Yvoire, aquela cidade encantadora na margem francesa do Lac Leman, porque passando perto não consigo deixar de lá entrar!

Esta pequena aldeia medieval fortificada está classificada como uma das aldeias mais bonitas de França e também no concurso promovido pelo pais para as aldeias e cidades mais floridas!

A verdade é que é tão florida, colorida e bonita que até parece irreal!

E tem também o seu castelinho!

O lago, que parece uma piscina de tão limpo, e os patinhos a embelezar o ambiente!

Tudo parece perfeito por ali! Só peca por ser um local muito visitado e estar sempre cheio de gente o que me tem sempre impedido de visitar o jardim dos 5 sentidos, que diz quem já visitou, é um miminho!

A primeira perspetiva que tive da aldeia, há muitos anos quando tinha chegado a Genève havia poucos dias, foi esta, a partir do ancoradouro, pois fui até lá num cruzeiro no lago. E tudo me pareceu irreal de tão belo! Hoje continuo a sentir o mesmo, cada vez que lá passo!

Foi em Yvoire, há muitos anos, que eu comprei o meu segundo chapéu, nesta chapelaria “Chapeaux à gogo” que quer dizer algo tipo “chapéus a granel”!

Pormenores giros que se encontram por lá, coisas que vou vendo, coisas que ainda não tenha visto!

Não falta onde deixar a motita por ali, com direito a tratamento vip!

Segui então para Genève…

É sempre aquela sensação voltar à cidade, as ruas, o trânsito, os pormenores cheios de sentido…

Fui visitar velhos amigos, velhos recantos da minha história…

O tempo estava a escurecer e a pôr-se negro, uma pena porque eu queria ver o pôr-do-sol no lago, com todo o encanto que já assistira tantas vezes…

Voltei ao “meu jardim” como faço sempre… gosto de terminar o dia ali, mesmo sem sol, mesmo com pingos de chuva, gosto!

Não voltaria a Genève durante esta viagem…

Fim do sétimo dia de viagem

9 – Passeando até à Suiça 2012 – La Haute route des Alpes – Col du Galibier

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5 de Agosto de 2012

O dia amanheceu meio solarengo, meio enevoado e pingão. É verdade, isso acontece a cada passo nas altas montanhas. Naturalmente que o lado solarengo chamava muito mais alto por mim mas, azar dos azares, era pelo lado pingão que eu devia seguir! Ainda pensei em contrariar o percurso mas eu teria de ir apanhar a chuva de uma maneira ou de outra, não adiantava dar uma volta maior, por caminhos menos bonitos!

Por isso dei por ali umas voltas, retive a respiração e mergulhei! Iria ver o Lago Leman ainda naquele dia…

A cidade de Briançon é muito bonita de apreciar de longe, com o forte sobre uma colina mais elevada e a cidadela mais em baixo, parece um cenário!

Uma pena os fios, sei lá de quê, que estragam um enquadramento destes!

Ao longe o conjunto da “ville Haute”, o forte do castelo, o forte des Salettes e o forte des Têtes.
Com uma longa história de guerra e defesa da fronteira francesa, passou por momentos históricos fortes, desde a idade média, passando pelas guerras mundiais e chega aos nossos dias como cidade de ski e desportos de inverno e cheia de monumentos únicos e classificados!

E segui para o lado do tempo ruim, para o col du Galibier, esperando que a chuva não fosse tanta que me impedisse de ver e fotografar um pouco…

Então comecei a encontrar uma infinidade de motos! Parece que de repente toda a gente ia para onde eu ia!

Depois entendi… era domingo e o povo tinha tirado o dia para ir correr para ali! Ultrapassei e fui ultrapassada diversas vezes por esta moto bizarra, que era mais uma moto de 4 rodas do que verdadeiramente uma moto 4! O tipo devia ficar muito incomodado sempre que eu ia à frente dele pois esforçava-se para caramba para voltar a vir-se meter na minha frente! Por vezes obrigou-me mesmo a travar para ele entrar!

Não me lembro nunca de me ter sentido tão pressionada por outros motociclistas para os deixar passar para o espaço à minha frente onde por vezes não cabia ninguém… detestei a sensação! Não sei se era por eu ser a única moto com um “P” atrás, ou se era por ser mulher, ou se era por a minha Magnifica ser a única no seu estilo/tamanho por ali… só sei que detestei!

Um dos que me apertou, ao ponto de quase me tocar na roda da frente, encontrei-o no chão umas curvas mais à frente! No final da aventura, contando com os 2 acidentes do dia anterior, tinha passado por 6 motos viradas de pernas para o ar, 2 das quais com pendura incluída… Ainda bem que a estrada valia a pena ou ter-me-ia arrependido de a ter feito naquele dia!

Então encontrei a chuva! E foi ela que afastou todo aquele “mosquedo” de mim! (obrigada São Pedro) De repente vi-me sozinha na estrada, apenas eu e alguns carros, as motos iam ficando paradas aos grupos aqui e ali, já não havia mais heróis capazes de se meterem à minha frente? Não, porque chovia bastante, o vento era forte e eu aproveitei para seguir em paz!

E constatei uma triste realidade para um(a) motociclista, que os automobilistas eram muito mais cuidadosos e atenciosos para mim do que todos aqueles motards! Faziam o esforço por se chegar para a beirinha cada vez que eu me aproximava, davam-me pisca a mandar-me passar e tudo! Veio-me diversas vezes à mente aquelas tretas que circulam no Facebook de que motociclista é boa pessoa, é solidário, é amigo, segue códigos de conduta, é irmão… é muitas vezes reles, mal criado e arrogante, cá e lá… infelizmente! E foram os enlatados os melhores colegas de estrada que podia ter tido por ali!

E segui na maior paz, apesar da chuva e dos trovões em cima de mim, é que o São Pedro não parava de me tirar fotografias, eu bem via os flashes!

Cheguei lá acima sozinha! Havia lá um ciclista acampado, alguns carros e a minha Magnífica!

Ninguém na longa e ziguezagueante rua! Não havia mais heróis!

Por muito tempo apenas se via um carro aqui e outro ali e a paisagem era linda!

É tão bonito quando para de chover e o sol volta, a estrada brilha e o céu fica límpido!

As esculturas em feno são comuns, a cada ano vejo-as pelas estradas Francesas, os camponeses são artistas!

Passei em Valloire mas nem parei! Aquilo estava cheio de motos paradas por causa da chuva e eu já estava fartinha de motos e habilidades!

Só voltaria a parar quando chegasse ao lago Leman…

(continua)