Londres de novo…

Depois de uma volta alucinante pela Escócia. Precisava de mais tempo e todo o tempo seria pouco! Claro que há sempre o “eu volto cá” mas falta tanto tempo par cá poder voltar!

Há locais que se tornaram míticos para mim, uns apenas pelo nome que se fixou no meu imaginário e sobre ele criou histórias; outros pelas histórias que li; outros ainda pela História que os rodeia! A Escócia reúne tudo isso e muito mais! É quase sagrado aquele solo!

Quis o destino (embora não acredite muito nele) que fosse mesmo às suas portas que a minha Magnífica me abandonasse pela primeira vez na vida! Tenho tanta pena que assim tivesse sido… tenho tanta pena, ao deixar este pais que tanta coisa tivesse ficado por ver e falta tanto tempo para eu poder voltar!

Há momentos em que sinto como se o tempo estivesse contado, como se um dia eu fosse acordar e não poder mais conduzir pelo mundo fora!

Torna-se urgente continuar enquanto a vida mo permite e é tão pouco o muito tempo que tenho!

Tenho de voltar e voltar a esperar até ser livre de novo…

Glasgow – 22 de Agosto de 2011

Já fiz de tudo!

Já dei voltas à cidade…

já dei voltas a Edimburgo…

Hoje fui dar mais voltas às highlands, foi muito giro, pude falar com as pessoas que iam comigo, pude conhecer o condutor do furgão, brincar e rir… mas tinha sido tão mais bonito de moto!

Estou cansada de esperar, da incerteza sobre como vai ser o fim da história, d prisão em que estou!

De repente compreendo onde reside a minha independência! Ela está na capacidade que tenho de sair por onde quero, estar se me apetece, não ir se assim me dispuser!

Essas minhas asas que são rodas, ou rodas que são asas é que me dão esta dimensão que tenho e sinto quando saio do meu canto pelo mundo fora!

É o que vejo sim, o que me faz andar por aí em viagem, mas é também o que eu sou quando estou em viagem o que me faz vir e eu sou o que sou com a minha moto ao meu lado, sem ela tudo perde piada… de tal maneira que apenas aqui estou porque há a hipótese de ela voltar a andar, porque se tivesse de continuar noutro meio de transporte, já teria voltado para casa!

Nunca esperei um dia com tanta ansiedade e apreensão como tenho esperado o dia de amanhã…

que não seja uma espera em vão…

Glasgow – 19 de Agosto de 2011

Como pode isto acontecer com a minha motita?

Depois de tantos quilómetros na maior paz eis que algo lhe falta, algo rebenta dentro dela e ela quer andar mas não pode! Não sei o que falhou nem sei se tomei a melhor decisão ao manda-la arranjar cá, em vez de a fazer transportar par Portugal pela Assistência em Viagem… mas há o problema das condições em que ela seria transportada, há o tempo de espera para que tudo seja resolvido, há o problema de ter de a arranjar de qualquer maneira e há o que teria de pagar para a voltarem a montar para a enviarem para casa!

Há tanto tempo que queria cá vir e agora que estou cá, tudo parece conspirar para me impedir de ir, de ver, de continuar! É a frustração total, como se tivesse uma amiga no hospital, no momento melhor da viagem!

Hoje de manhã comprei um trolley, pus as minhas coisas dentro e fui visitar a cidade, como fazem as pessoas normais que não andam de moto. Foi a melhor coisa que pude fazer, senão teria andado por aí cheia, de sacos e saquinhos às costas! Relaxei! Ainda não sonhava que ela não ficaria a andar hoje!

Depois fiz o quilometro que separa o Hostal do stand Honda Victor Devine, cheia de ilusões, pegar nela, amarrar o trolley no banco de trás e partir sem mais demoras! Mas ela ainda está ligada às máquinas em coma induzido… e assim ficará até virem as peças para transplante!

Voltei ao hostal, havia lugar para mim e cá vou ficar hospedada à espera de novidades…

Espero voltar a partir terça feira…

Espero!

Passeando pela Inglaterra!

Depois de uns bons quilómetros passeando pela Inglaterra uma sensação se mantém, o cinzento do céu e o verde da terra são uma constante!

Ainda não sei muito bem onde Londres falha, mas há qualquer coisa na cidade que me desagrada, essa falta de compreensão e de locais para se parar uma moto, desespera! Se por um lado nos deixam passar por onde queremos, por outro não nos deixam parar! Mas isso acontece um pouco por todo o lado onde passo! Raramente há parques para motos visíveis e, quando tento parar no meio dos carros, não há espaço! Parece que todo o espaço para estacionar é pago ou é privado!

Tive uma sensação parecida na Alemanha, talvez por serem países onde não se pode andar de moto no inverno, não estão preparados para as receber no verão!

O país é lindo, como eu imaginava, por vezes faz lembrar a Suiça, tudo verde, ruínhas estreitas ladeadas por sebes, que levam da cidade até à aldeia, porque parece que toda a cidade tem a sua “fralda” de aldeia! Poucos quilómetros antes e pouco depois tudo são campos e quintas! Basta sair-se um pouco do centro e está-se na “campanha”.

Certamente não seria um país para eu viver, mas seguramente, será um país para voltar a visitar!

E cheguei a Calais!

Cucu!

Estou em Calais, o tempo melhorou e tem estado como eu gosto, com nuvens, céu azul e fresquinho! Hoje fiz mais uma vez uma infinidade de quilómetros o que faz que not total já tenha feito perto de 3000 km.

Há pouco, a 80km daqui, fui gentilmente socorrida por uma menina simpática que me pôs 30€ de gasolina, quando a minha Magnifica já se estava a preparar para morrer de sede! Não havia qualquer bomba aberta e a única que funcionava com cartão só aceitava cartão “bleue”, coisa de francês! Então ela pôs-me gasolina com o cartão dela e eu dei-lhe o dinheiro! Uf…

Amanhã atravesso para o lado de lá! Não me posso esquecer que do lado de lá o comércio ainda fecha mais cedo!
Agora vou dormir…

Beijucas