7. Marrocos 2012 – Até ao Deserto!

(2 de Abril de 2012 – continuação)

Passar por ali ao lado de tais construções é uma sensação de verdadeiro exotismo!

o palácio parece não ter fim, ali na berma da estrada, a imagem de Ouarzazate!

E lá saímos da cidade rumo ao deserto!

O que me chocou no país foi a facilidade com que aquela gente vive e convive com o lixo! A dada altura a gente pressente a chegada a uma cidade pelo muito lixo que vai encontrando nas bermas da estrada!

A paisagem ia mudando em pormenores decorativos pelas encostas das colinas!

E de repente parece que cheguei à América!

Uma espécie de Grand Canyon marroquino!

De repente eu queria parar em todas as esquinas e tirar um milhão de fotos a cada paragem!

O que vale é que os outros também quiseram parar, senão eu só tiraria fotos de corrida!

Aquilo lá em baixo é fascinante! Grandioso!

A gente arrancava e eu voltava a parar, uma vez e outra!

Porque a cada curva do caminho os penhascos mostravam-se de ângulos mais extraordinários!

E sai uma panorâmica meio enrolada da minha máquina!

E a paisagem vai sempre mudando, com montanha diferente a cada quilómetro e as casinhas no meio de nada!

Parece que encontramos diversos países num mesmo país!

A chuva voltava em força e a gente ancorou na lama da praça central de Agdz, uma terra no meio de nada mas que tinha um sapateiro que socorreu o Rui, mais a sua bota “des-solada”

A minha motita nunca se tinha visto ancorada na lama… mal ela sabia o que a esperava a partir dali!

E cá está o Rui com o pé direito enfiado no sapato provisório enquanto a botita ía dar uma voltinha reparadora

Vendo bem de perto até ficava curioso o conjunto improvável do novo par de calçado!

Fomos ficando por ali a fazer tempo e morder qualquer coisa enquanto a bota não vinha!

O restaurante onde paramos até tinha bom aspeto visto de longe!

Não sei como é que aquela gente ainda conseguia tomar mais e mais chá de menta!

Ali mesmo ao lado estava instalada a cabine telefónica mais estreitinha que eu vira na minha vida! Quem é que caberá ali dentro?

E mais isto e mais aquilo, e pimba, mais chá de menta!

E finalmente a bota regressou ao seu dono, pela mão do seu salvador!

O patrão do rapaz é que fez o preço, não foi caro e foi eficiente! Pois aquela bota ainda fez muita lama, agua e terra depois de ter sido colada e pregada ali! Afinal Marrocos não é o fim do mundo! Fazem-se coisas uteis e em cima da hora, bem feitas! Não é verdade Rui?

Bem com o Rui já muito bem calçado lá seguimos, tínhamos muito maus caminhos para percorrer ainda!

Mas o ar de cada um era de alegria! Quem se queixa de passear à chuva? Desde que seja passear é sempre melhor que trabalhar!

A cada dia passávamos frequentemente por grupos de adolescentes que voltavam das escolas!

Ao longe há sempre pormenores surpreendentes na paisagem, por vezes só parando se pode captar o que se vê! O Rui e o Elísio é que estavam sempre a “levar comigo” que ficava para trás e eles faziam questão de ser os últimos e por minha causa ficavam lá para trás!

Voltamos a atravessar um pouco de Grand Canyon

E como aquelas paisagens me fascinam!

E chegávamos a Almif (acho eu) onde almoçaríamos uma farta refeição de 25 gramas de “steak” em 3 minúsculos pedacinhos, acompanhados de 14 palitos de batata frita, vá lá nem mais um, não fosse alguém sentir-se mal com o estomago demasiado cheio!

Foi aqui o grande banquete! O que prova que o tascoso fumarento de berma de estrada continua a ser a melhor opção para se comer, mesmo que a carne tenha moscas!

Ao menos dei o “gosto ao dedo” e fiz por lá algumas fotos do local com piada!

Nunca me dei muito bem a comer numa mesa mais baixa do que o banco em que me sento!

A vantagem de a comida ser menos que pouca é que, embora se perca muito tempo à espera, demora-se menos que nada a comer e a seguir viagem!

E lá fomos passando por mais um e outro oásis

Putos vindos de lado nenhum esperavam que os cumprimentessemos nas bordas da estrada que já ía estando cheia de areia

E de repente… o deserto!

“Avistar as dunas do Saara a partir da estrada, vê-las lá ao fundo, depois do deserto de cascalho negro, em cambiantes de laranjas rosados… foi como avistar um paraíso superior! Como se o deserto fosse uma entidade viva, um ser avassalador que me atraía a si… percorrer todo o cascalho irregular, em ondulações por vezes violentas, foi o menor preço a pagar para chegar com a minha moto Magnífica até ele…”

Teríamos de fazer 8 km pelo cascalho negro até às dunas, onde as motos ficariam no hotel.

Um dia eu prometi à minha motita que nunca mais faria terra batida ou fora de estrada com ela! Ela não nasceu para isso e fica sempre nervosa, um dia atirou-se para o chão e tudo!
Mas ali era a exceção!

Esperamos pelo Jeep que viria buscar as penduras e indicar-nos o caminho. Há que aproveitar o tempo de espera!

Na direção oposta o sol preparava-se para se pôr

O Carlos tinha ido fazer o reconhecimento do caminho e procurar o Jeep desaparecido! Um grande guia!

E lá fomos até à grande duna, a ponta da grande manta que é o Saara! Quando lá chegamos levantava-se uma ventania que fazia o ar encher-se de areia. Coisa ruim para uma máquina fotográfica, mas linda para uma fotografia!

Os Ferraris que nos levariam às tendas já nos esperavam!

Não perdemos muito tempo, o percurso era longo e ajudaria a digerir o resto do almoço minúsculo que tivéramos… santo Deus, se a comida no deserto fosse também uma miséria eu iria morrer de fome! ?

O hotel ia ficando para trás e a hora e meia de caminho começava apenas, a passo de caracol… ok, a passo de camelo!

O grupo mantinha toda a animação de sempre, em 2 grupos de 5 camelos lá se iam trocando piadas de um grupo para o outro!

Os vestígios do sol desapareciam de uma forma muito bonita mas, lá de cima do camelo, é difícil conseguir-se a quietude suficiente para o fotografar sem tremer!

E ficou noite!

Quando chegamos às tendas a comidinha esperava-nos!

Oh quanta alegria! É que depois de almoçar pouquinho, andar de moto e depois de camelo, dá cá uma fome!

E serviram-nos 2 tajines gigantes de frango, deliciosas!

E lá estávamos todos muito contentes a encher-nos de comida!

Lá fora os Tuaregues entoavam canções e tocavam bombos à luz de candeeiros engalanados em caveiras de camelo

E fui para o “meu” quarto dormir!

Os outros ficaram ainda em volta da fogueira, juntamente com outros hóspedes das tendas

Fim do 5º dia de viagem…

6. Marrocos 2012 – Ouarzazate

3 de Abril de 2012

O dia amanheceu meio cinzento e fresquinho. As nossas motitas tinham pernoitado na esplanada coberta e fechada do hotel Marmar, uma delicadeza que a gente aprecia sempre!

É sempre mais fácil arrumar as tralhas na moto quando ela está arrumadinha e abrigadinha!

Aqueles pequenos-almoços com o delicioso sumo de laranja, são imperdíveis!

E não resisti a fazer a mesma brincadeira do ano passado e fotografar a pequena cidade formada pelos porta-chaves dos quartos! Muito giros!

Então fomos até ao centro antigo de Ouarzazate, que eu queria muito visitar desde o ano passado.

(Ouarzazate é chamada a porta do Deserto e fica entre as montanhas e os oasis do vale do Dadès e do vale do Draa.)

A muralha da Medina é visível da rua, como uma fortaleza!

E na frente da rua, a Kasbah de Taourirt…

La Kasbah de Taourirt é uma das mais belas construções arquitetónicas da cidade. É incontornável, impossível de ignorar, porque se impõe como uma fortaleza!

Esta construção bérbere impressiona pela sua massa enorme cheia de detalhes decorativos e pitorescos. Ela é semelhante a um grande castelo de areia do deserto!

Este ano eu não poderia deixar de a visitar… acho até que tirei esta foto igualzinha à do ano passado! Visitamo-la com um guia todo catita, meio ator de cinema (segundo ele dizia) e que contou uma série de pormenores sobre a história do local e sobre Marrocos e sua história e costumes. Foi giro!

A Kasbah de Taourirt servia de palácio ao Pacha de Marrakech, Thami el Glaoui, que se insurgiu contra o rei Mohammed V quando Marrocos era um protetorado francês.

Os pormenores das torres são lindíssimos !
Dizem que os materiais e técnicas de construção usados naqueles « castelinhos de terra » é ecológica, está a ser estudada e planeia-se o seu uso noutros pontos do planeta, pois não deixa resíduos por isso não destrói o ambiente em seu redor ! Espantoso heim ?

E o guia dispunha-se a contar-nos histórias por horas a fio, e a gente até as ouviria se não tivesse metade do grupo à porta à nossa espera !

Então o Pacha tinha 4 mulheres e uma infinidades de filhos, por isso o palácio tinha de ser grande e organizado. Ter muitas mulheres era sinal de grandeza económica, pois ele tinha de as sustentar, a elas, aos filhos e a todos os empregados necessários para manter toda a vida da Kasbah em ordem! E ainda há quem se queixe de ter de aturar uma mulher ou um marido !

As janelas são em baixo porque as mulheres passavam a vida sentadas e aninhadas no chão e assim poderiam ver facilmente para fora !

E por elas viam o resto do palácio e a Medina ao fundo, também de casas de barro!

Taourirt é o nome da aldeia onde foi construída a la Kasbah. Esta aldeia foi fundada no sec XII e a Medina chegou até nós habitada e pode ser visitada!

Até o ninho da cegonha é bizarro!

Ora veja-se de perto! Parece que tem vários andares não?

Os pormenores da Kasbah são lindíssimos vistos de perto! Tão simples e tão imponentes!

Os interiores foram restaurados e ainda se podem ver tetos trabalhados em madeira de cedro.

E desculpem-me, mas fiquei encantada com alguns recantos e pormenores!

Acho que aquela gente andava sempre aninhada, pois todas as portas são pequenas e baixas!

A forma como se sustenta um primeiro andar numa casa de barro também me aguçava a curiosidade!

Tanto Ouarzazate e a sua Kasbah de Taourirt, como a Kasbah deAït Benhaddou, são Património da Humanidade reconhecido pela Unesco e ambas fazem parte da Cidade do Cinema e foram cenário de diversos filmes!

E fomos visitar a Medina medieval!

Curioso o pormenor das “caleiras”, tubos que afastam a água das paredes das casa, para que estas não se dissolvam com o cair continuo da agua! E mesmo assim as paredes são fortificadas em todo o possível percurso das águas que possam cair conta elas! Muito giro!

Na praça central preparam-se para lavar um grande tapete! As casas não têm condições para estas lavagens!

Ali ao lado, a farmácia de produtos naturais. Dizia o guia que, com o preço elevado dos medicamentos, os povos continuavam a recorrer a medicina tradicional!

Ali vende-se de tudo: chás, poções, pós, pigmentos, pedras, sabões e eu sei lá que mais!

Andamos por ali literalmente a cheirar uma série de frascos!

Acho que o Luis cheirou algo que não devia e transformou-se num deles!!

Curiosos os pormenores da vida na Medida, homens mais novos cuidam dos homens mais velhos! Ali faziam a barba a um velhote!

Naquela terra ninguém pode engordar muito, ou não passará em algumas portas e ruelas!

Estava na hora de ir embora pois o dia não acabaria ali!

(continua)

5. Marrocos 2012 – Aït-Ben-Haddou, a cidade dos filmes!

(1 de Abril de 2012 – continuação)

E a viagem continuou!
Foi só pegar nas motitas e regressar à estrada!

Atravessar a trapalhada de trânsito de Marrakech

E seguir por estradas e caminhos cheios de coisas curiosas para ver, a caminho de Ouarzazate.

Em qualquer curva do caminho a paisagem é deslumbrante!

Embora as nuvens negras não nos largassem nem um momento!

E pimba, um pouco mais de chuva!

Acabamos por perceber que os modestos 21 graus que tínhamos tido em Marrakech eram o pouco e ultimo calor que teríamos por muito tempo, já que começávamos a subir o Atlas e para cima é cada vez mais frio! Já para não falar da chuva que, tocada a vento, se estava a tornar uma chatice! A melhor maneira de superar aborrecimentos é parando para comer, pois então!

Parecíamos adolescentes a brindar com sumo de laranja!

Comemos umas tajines deliciosas!

A Ângela estava com tanto frio que se foi aconchegando com a minha extraordinária camisola térmica da Bering (deixa-me fazer publicidade a ver se ganho alguma coisa!)

A bem dizer estava toda a gente com frio, mas não havia mais camisola para emprestar! Eheheh

E continuamos a nossa subida! No ano passado quando passamos ali no sentido contrário, foi muito mais fácil fotografar! Este ano até estava difícil de ver, quanto mais fotografar!

Vislumbramos um pouco de neve no topo dos montes mais altos, mas a chuva não a parecia deixar fixar-se muito tempo!

As paisagens são imperdíveis por ali e eu só tinha pena que a chuva não me permitisse fotografar mais à vontade!

Podiam-se ver pequenos recantos aninhados no sopé dos montes lindos!

Havia momentos em que quase parava para fotografar, outros em que tinha de parar mesmo!

Até que toda a gente parou também! Foi quando estiveram a negociar pedras e pedrinhas, daquelas pretas por fora e super-coloridas por dentro!

Outros acabaram por encontrar o wc mais bonito das suas vidas!

Outros aproveitaram para brincar um pouco para a foto!

Outros brincavam mesmo tirando fotos!

As negociações duraram um bom bocado!

Foi uma animação e acabamos por ir todos embora cheios de pedrinhas, mas não pedrados!

E as paisagens sucediam-se deslumbrantes!

Com casinhas periclitantes na berma da estrada!

Paragem para abastecer, que o Tonica já levava a motita alimentada a vapores!

E fomos descobrir um recando do paraíso que no ano passado apenas vimos ao longe ao passar!

Os pequenos pormenores da paisagem até lá já são lindos!

Mas o destino era mesmo Aït-Ben-Haddou, uma cidade fortificada no Alto Atlas, muitíssimo antiga e onde foram rodados diversos filmes.

Eu tinha de ver aquilo tudo com calma!

O grupo estava cansado e apenas 3 viajantes me acompanharam na visita à cidade, mas comprometi-me a fotografar tudo para mostrar!

A cidadezinha cresceu do outro lado do rio Ounila, que é afluente do rio Ouarzazate, de onde se pode ver a aldeia na colina em frente.

As lojinhas são rusticas no caminho do rio

E lá estava Aït-Ben-Haddou, a cidade fortificada, onde foram filmados diversos filmes conhecidos, entre eles: Lawrence da Arábia, A Múmia, Gladiador, Alexandre e Príncipe da Pérsia.

A travessia do rio é feita por caminhos muito curiosos!

Sacos de areia fazem o “caminho das pedras” que não seriam tão seguras e imoveis naquele lugar!

Visto da ponte/caminho o rio tem o seu encanto exótico!

Olhando para trás…

O rio é largo, e novo caminho de sacos de areia leva-nos ao outro lado

A cidade fortificada (ksar) na realidade é composta por castelinhos a que chamam kasbahs feitos de terra, isto é de barro cru!

Estas casinhas, que chegam a ter mais de 10 metros de altura, são feitas de barro, misturado com água e palha moída, secos ao sol em moldes de madeira!

Algumas torres mostram bem a erosão do tempo e da chuva sobre o barro

Mas se pensarmos que estamos numa cidade fundada no seculo VIII temos de admitir que o material é bem mais resistente do que pode parecer à primeira vista!!

Fiquei deslumbrada em todo o meu percurso pelas ruelas ingremes da aldeiazinha…

Até os gatos parecem condizer com o tom das paredes e do chão!

Acho que o João, o Elísio e a Ângela também estavam a gostar da visita!

Lá de cima a paisagem era deslumbrante! Podia-se ver as duas partes da cidade atravessadas pelo rio e o oásis verde a perder de vista…

Há uma ponte lá em baixo, que liga a cidade nova à aldeia antiga, mas o caminho da areia é muito mais giro!

Pertinho de mim eu estudava como eram construídas as casas e os muros! Além de palha usam também as camas para dispersar a agua nas bermas dos muros!

E os pormenores decorativos que dão todo o encanto às torres ligeiramente inclinadas.

O que me estava a custar ir embora dali!

Então levantou uma ventania e eu não fiquei mais para trás! O pó daria cabo da máquina fotográfica se eu não tivesse cuidado!

E lá seguimos o nosso caminho, agora sim para Ouarzazate!

Voltamos a ficar no hotel Marmar, o mesmo do ano passado, e ainda se lembravam de nós! Tal como no ano passado pedimos uma ajuda para encontrar um restaurante para jantarmos e desta vez jantamos bem e num sítio giro! Tivemos direito a boleia de carro em 2 grupos e tudo!

No restaurante tivemos também direito a ambiente simpático e tratamento vip!

E direito a chapeuzinho e tudo!

A música ao vivo também não faltou!

Mas a verdade é que a vida do homenzinho era muito mais interessante que a sua cantoria!

A comidinha era do melhor! Tanto as tajines

como os couscous!

O regresso foi feito caminhando e apreciando a cidade à noite!

E foi o fim do 4º dia de viagem!

4. Marrocos 2012 – A Medina de Marrakech!

1 de Abril de 2012

No dia seguinte soubemos, logo ao pequeno-almoço, que o Leonardo não estava nada bem! Tinha levado a moto até ao hotel no dia anterior, tinha dormido bem durante a noite, até se mexer e sentir a dor no ombro!

Trazia o braço ao peito e percebia-se facilmente que não poderia continuar a viagem connosco! Uma pena!

Fiquei agradada com sua tranquilidade, do Leonardo e da Mila, dada a situação desagradável em que se encontraram de repente, mas a verdade é que a forma como se encara uma situação pode tornar menos penosa a sua resolução! Eles iriam acionar a Assistência em Viagem, o Carlos e a Paula ficaram com eles para os apoiarem naquele momento, enquanto o restante grupo partia para explorar a Medina de Marakech.

Estávamos instalados no mesmo hotel do ano passado, lá de cima podia ver a piscina que não tinha visto no ano anterior!

E lá fomos para a Medina!

Fomos recebidos com a maior azafama logo no exterior, com uma série de pessoas a passar em todas as direções!

Mas o carrinho do pão é que me encheu as medidas!

Atenção que aquele pão é uma delícia! Quero lá saber porque sítios ele anda, comi-o sempre em abundancia!

Eu gosto muito da Medina de Marrakech! É giríssimo atravessá-la, cheia de movimento, de gente de todo os tipo e com todo o tipo de produtos em venda!

O que me fascina naquela Medina é a diferença de ambientes que de repente se vive!

Depois, no meio de tudo o que se vende, há uns espaços “à parte”!

Logo ao lado volta-se ao real, com burricos e tudo!

Encontram-se mulheres vestidas de todas as formas, até as cobertas até aos dentes!

Ao lado de outras vestidas de ganga e iguaizinhas às nossas de cá!

Chagamos à mesquita, a Koutoubia! A grande mesquita e maior edifício da cidade!

Achei muita piada os pombos enfiados em todas as reentrâncias da parede da Mesquita!

Os pormenores decorativos do edifício são curiosos! Aliás, os pormenores decorativos fascinam-me naquele país, onde as casa podem estar todas velhas, todas podres ou meio inacabadas, às vezes até sem pintar, mas têm sempre uns requintes decorativos aqui ou ali que até destoam por vezes!

Essa constatação levavam-me a comparar essa realidade com um mulher feia, velha, suja e mal vestida, mas que põe rímel nos olhos!!!

As portas decoradas e recortadas… espera aí, tem gente na frente!

Deixa ver de perto quem é! Grande par, Tonica e Ângela, tão queridos!

Andamos ali a inspecionar a Mesquita em todos os ângulos, já que visita-la estava fora de questão.

E cá estamos nós, o grupo desfalcado de 4 elementos!

Em volta da Mesquita não falta espaço, a contrastar com o aperto da Medina!

A praça Jemaa El Fna fica logo ali ao lado e fomos até lá! É a praça onde tudo acontece e tudo se pode encontrar!

Motos, motinhas e biclas é coisa que não falta por ali

A questão que eu punha era parecida com a que pus em Amesterdão: se seu pousasse ali a minha mobilete como a iria reconhecer no meio de tantas?!

E chegamos à praça!

Àquela hora da manhã o movimento ainda não é caótico, mas já se encontram uma série de coisas interessantes!

O Elísio não resistiu a ver se era possível alguém enforcar-se com uma cobra!

Os bichinhos eram simpáticos, giros e inofensivos!

E o homem não fazia ideia de com que se metia a negociar o preço da “voltinha na cobra”!

É que o Elísio regateia para caramba, para depois dar uma gorjeta maior do que o preço que paga!

O Luis andava simplesmente fascinado com o sumo de laranja natural lá da terra! Voltou a falar dele por diversas vezes ao longo da viagem! E tinha razão, pois era divinal!

A Ângela foi brincar de vendedora e que bem que ela ficava ali no meio!

Eu passaria uns dias ali em Marrakech! Gosto daquilo, desde o ano passado!

Com todas as tralhas que ali se vendem

Os cheiros, sabores e cores!

E os pormenores cheios de requintes decorativos, como as portas que tanto me fascinam!

Ao lado do caos, a ordem na apresentação dos que se tem para vender!

Os pormenores do que se oferece.

E o caos de novo!

Aquela Medina é um mundo de emoções fortes!

Estava a ver que a emoção mais forte do dia seria quando me vendessem por objetos de latão, já que ali não havia camelos, quando o Elísio teimou em convencer o moço de que eu era não sei quê a não sei quem e tinha uma moto não que mais!

Tudo se vende por ali!

Nunca resisto a espreitar nos pátios e de vez em quando encontro um giro, nem sempre cheio de sucata!

E estava na hora de voltar ao hotel.

Não sem por o olho a tudo com que me cruzo!

Quando chegamos ao hotel a moto do Leonardo esperava à porta que a viessem buscar… era o fim de viagem para ela e seus ocupantes!

E nós prepararmo-nos também para partir, sem nem nos despedirmos deles pois estavam no hospital por aquela hora.

(Continua)

3. Marrocos 2012 – de Tanger a Marrakech

1 de Abril de 2012

Era dia dos enganos mas não foi por engano que acordamos em Tanger!

Uma das boas regras de viagem é comer tudo aquilo a que se tem direito ao pequeno almoço, pois a gente não sabe nunca a que horas vai voltar a comer! Claro que há sempre a hipótese de fazer umas sandocas com o que houver para levar para morder em qualquer paragem!

Eu por sistema não faço sandocas, por uma razão: só tenho fome quando as não faço nem levo comigo! Quando me dedico a faze-las é para andarem aos trambolhões no fundo da mala até ao dia seguinte, o que é um desperdício de comida!

Todo o hotel que se prese, em Marrocos, tem o seu cantinho exótico, é só uma questão de procura-lo! Não importa o estilo da receção, nem dos quartos, o oásis marroquino, cheio de requintes decorativos, almofadas e tapetes existe sempre! Se não existir ao público existirá, seguramente, em privado, para os grandes senhores de lá, não disponível ao reles turista!

E este hotel não era exceção! Foi só dar uma voltinha e voilá, estava a entrar no mundo árabe!

Curiosa a forma como normalmente estes recantos contrastam com o resto do hotel!

Ora vejamos isto com luz:

Depois o resto é banal, mas aqueles recantos são sempre de procurar e explorar!

Ora vamos lá atestar as barriguinhas das motos que Marrocos está a chamar por nós!

Ali até dá gosto encher o depósito! Ao tempo que eu não o fazia por menos de 30 €!!!!
Com a gasolina a 1.05 €, os 29 litros da minha Magnífica nem custam a sustentar!

Tanger moderna de passagem a caminho de outros destinos….

E um bocado de autoestrada, que o destino é longe para caramba e a gente quer chegar lá de dia!

Quanta alegria!

Ainda aquela gente não sabia que aquilo era sol de pouca dura, nem quanta chuva nos esperava!

Do outro lado, depois de sair da autoestrada, começava a variedade de paisagens, climas e horizontes!

“Marrocos é um país de encantos, beleza e contrastes impressionantes e imprevisíveis! Perdemo-nos pelos seus montes e penhascos, encontramo-nos nas suas praias e costa, voltamos a descobrir o infinito nas suas planícies verdejantes, pontilhados de vermelho…
Tudo muda a cada curva do caminho, tudo espanta e surpreende!”

As fotos que eu tiraria por ali se tivesse mais tempo…

A contrastar com a serenidade da paisagem… um monte de motos e de gente animada!

Ok, aquilo era uma espécie de lição de árabe em que os meninos tinham de aprender a ler “STOP”…

E não é que todos conseguiram ler?! Lindos meninos!

Enquanto os senhores responsáveis decidiam a rota a tomar!

As localidades, populações ou aldeias (não sei como designar um lugarejo minúsculo!!) têm sempre uma estrada ao meio, tipo travessia triunfal, por vezes em mau estado, cheia de terra e com bordas enlameadas!

Os animais passeiam-se frequentemente na berma das estradas, mesmo das autoestradas, e por vezes atravessam-se no caminho de quem passa!

O almoço faz-se na berma das estradas dos lugares, onde tudo o que podemos comer está à vista!

Tajines de qualquer coisa, frango, borrego, vaca, almondegas ou legumes (aquelas nem sei de que eram)

Pronto, uma tajine é isto: batatas, legumes e uma das carnes que enumerei acima (porco NUNCA!)

Pode-se também comer carne assada na brasa! E podemos escolhe-la ali mesmo ao lado!

O assador é da superfície comercial, por isso está tudo pertinho!

O pão delicioso está mesmo mo meio do espaço e é só servir!

Só temos de escolher o que queremos

Comemos um misto de vaca e borrego D E L I C I O S O!

Vê-se pelas caras risonhas que tinham todos sido conquistados pelo estômago!

Depois foi levantar a âncora e continuar, pois o caminho ainda ia longo!

Quando se fala que o burro está em extinção eu não entendo qual? É que por lá há:
Burros, asnos, jericos e mulas por todos os lados!

Embora fazendo um percurso de “toca a andar” vêm-se coisas curiosas a toda a hora! Há que ter técnica para fotografar em andamento!

E pronto, chegou a chuvada mestra! Até a lente da máquina se encheu de agua, valha-me Deus ( ou Ala?)

E ela caia com tanta força que nos fomos enfiar de filinha no túnel de lavagem de automóveis de uma estação de serviço que providencialmente apareceu no nosso caminho!!

Oh a minha querida máquina encheu-se de lagrimas!

Desculpem lá! Lavar o carro com esta chuva, nem pense, vá dar uma volta que a chuva lava, agora é a nossa vez de ficar aqui dentro!

E lá continuamos o caminho todos embrulhados em impermeáveis, como rebuçados em celofane!

Havia sinais de festa por todas as terrinhas em que passávamos! Bandeiras de Marrocos e imagens do rei! Havia também tendas destas por muitos sítios!

Disseram-me que fora o presidente que passara ali! Ainda perguntei se tinha sido o rei, pois a cara dele estava por todos os lados! mas não, foi o presidente mesmo! Ainda vou estudar a coisa para entender como eles têm rei e presidente ao mesmo tempo!!!!

Há zonas em que as populações são todas parecidas ao chegar! Com os seus motociclos de 3 rodas que tudo transportam, em ruas por vezes bem ruins!

O povo estava a apreciar o caminho, a considerar pelos rostos bem-dispostos!

Lá se iam vislumbrando umas nesgas de sol de vez em quando!

As ruas começavam a ser originais, apenas uma pequena nesga de alcatrão ao centro! Quando alguém passava pela gente tinha de por parte do rodado na terra ou a gente iria borda fora!

Mas aquela gente é simpática e saia da faixa para a gente não ter de o fazer!

E encontrei algo curioso: uma ponte de terra batida esburacada! Fenomenal, heim?

Os bichinhos na berma da estrada já estavam a stressar um pouco!

E lá continuamos o nosso caminho apreciando o que a paisagem de melhor nos apresentava!

Quando chove e depois o céu se abre, imagens fantástica nos surgem, com a atmosfera límpida e os raios de sol a fazer a natureza brilhar!

E a natureza apresenta-se esplendida! Heim?

logo a seguir, um pouco mais de chuva

E chegamos ao nosso destino!

Depois de uma trapalhada para chegar a consenso sobre onde e como deixar as motos no largo do lugarejo, a polícia dizia para deixar as motos arrumadas num canto e se deixássemos guardião lhe pagar!
Mas se a polícia estava ali para quê pagar ao guardião?

Deixamos, pagamos e fomos mas é ver o que ali nos levara!

“Les Cascades d’Ouzoud – a água cai de forma impressionante fazendo vários ressaltos até ao desfiladeiro, numa altura de mais de 100 metros! É na primavera que elas estão mais fantásticas e, por aqueles dias de chuvas intermináveis, tinham reservado para nós um espetáculo de beleza e água abundante. De repente uma nuvem se erguia até nós, cá em cima, vinda das águas batidas lá no fundo. Um recanto belíssimo no Alto Atlas, mesmo ali a nordeste de Marrakech”

Então fomos dar a volta para vermos aquele espetáculo natural de outro angulo!

Para o outro lado vê-se o seguimento do curso de água, que passa debaixo da montanha onde estávamos.

E as montanhas em frente

E as cataratas em toda a sua grandiosidade vistas de frente!

Percebe-se melhor a sua dimensão quando comparamos com as construções no cimo do monte lá ao fundo!

O percurso para o miradouro está repleto de lojinhas de tudo!

E pronto, era hora de seguir para Marrakech, que ficava a cerca de 150 km e anoiteceria em breve!

Infelizmente as coisas correriam menos bem no percurso de subida depois das cataratas e um cão atravessou-se no caminho do Leonardo, sem que ele se conseguisse desviar a tempo…

Ainda fomos jantar à Medina, à praça de Jemaa el-Fna… mas eu não tirei mais nenhuma foto naquela noite…

Fim do 3º dia de viagem!