25. Passeando pelos Balcãs… – Atenas e Micenas e o passado da nossa civilização!

20 de agosto de 2013

Acrópole é a parte alta de uma cidade, uma zona elevada e importante mas, “A” Acrópole é obviamente a de Atenas!

Fica no centro da cidade, elevada e cheia de construções extraordinárias e cheia de gente a toda a hora! Vai-se subindo e apreciando o que fica para baixo e para os lados como o teatro de Odeão de Herodes Ático

Chega-se à entrada e o povo é aos magotes pelo escadório à espera dos guias!

Estar ali para mim não tem nada a ver com turismo ou curiosidade por pedras famosas e antigas organizadas de forma curiosa… estar ali era como estar num templo, muito para lá do religioso! O templo da nossa antiguidade, da civilização ocidental…

Furei por ali acima, por entre gente que mostrava todo o tipo de interesses menos pelo que nos rodeava a todos… quase uma blasfémia… e ele estava ali à frente, o templo de Erecteion!

E as suas cariátides espantosas a quem dediquei tanto tempo de estudo muitos anos antes, estavam ali tão perto! Se eu pudesse tê-las-ia tocado…

E à direita o imenso Partenon…

O Partenon é aquele símbolo do passado, da cultura, da democracia e da civilização grega que tem de ser visitado… O monumento a Atena e que a ela deve o seu nome, já que albergava em si uma estatua em marfim e ouro da deusa Atena Partenos. Tudo o que eu queria era estar ali sozinha, não foi possível… nunca é! Pois é também um dos monumentos mais visitados no mundo!

Mas por momentos foi como se a multidão se evaporasse, o calor amansasse e o silêncio se sobrepusesse a todo e qualquer ruido! Um passo no passado que tocou fundo as minhas memórias e sonhos de jovem estudante de artes, quando sonhei pela primeira vez ali estar…

é uma sensação estar perante tal obra, onde ainda se pode ver uma pequena parte do frontão, já que o resto foi retirado e está no museu

De repente ninguém mais importava, era como se fosse apenas eu e aquela obra fantástica! Sentei-me no meio das pedras, ali onde ninguém passava por ser mais íngreme e mal jeitoso e desenhei…

Lá em baixo, mais a sul, outro teatro, o Teatro de Dionísio, diz-se que ele foi o berço da tragédia grega!

Do outro lado, ao longe fica o Monte Lycabettus, no meio da cidade, aquele onde eu subira na noite anterior e onde prometera voltar!

E eu queria ficar ali uma eternidade, rodeada de tudo aquilo que me fizera ir ali!

Olhava para os monumentos em todos os ângulos e voltava a dar-lhes a volta, e voltava a sentar-me, e voltava a desenhar…

As cariátides são aquelas colunas em forma de gente que suportam todo o peso do “alpendre” que as alberga! Elas são o expoente máximo da técnica arquitetónica grega e por isso são tão fascinantes!

De repente sentia-me completamente desorientada, como se tivesse caído no mundo real! O calor estava insuportável e as pessoas falavam alto… e eu nem dera quase por ela!

Tinha de ir embora, não havia mais nada a fazer ali

O povo continuava a chegar aos magotes e a escadaria de entrada estava intransitável!

Uma ultima espreitadela lá para cima e segui o meu caminho!

Atenas estava aos meus pés, mas o mais bonito de se ver era o ponto onde eu estava, por isso fui procurar outra perspetiva do quadro geral da cidade!

«E no dia seguinte voltei a subir ao Monte Lycabettus! A visita noturna, no dia anterior, tinha-me fascinado tanto que eu queria ver tudo de novo à luz do dia! E lá estava a Acrópole, no meio de um oceano de casas! O monte é o ponto mais alto da cidade, por isso tudo se passa lá em baixo em seu redor de uma forma fascinante! Fiquei ali em silêncio, pensando na pessoa privilegiada que sou por poder ir indo a cada sítio que sonho e neles viver momentos de paz que tocam a euforia do “eu estou mesmo aqui!”»

Atenas parece não ter fim, nem espaço algum entre todas aquelas casinhas brancas!

O monte Lycabettus é o ponto mais alto da cidade e tem no seu topo uma capelinha do séc. XIX dedicada a S. Jorge.

Ao lado há a tal passagem que eu descera no dia anterior, que é também uma saída do monte e que nos leva a um patamar livre de elementos perturbadores e onde a paisagem é soberba!

E fiz uma foto que seria um postal Maravilhou-me tanto ver a bela Atenas aos meus pés, cheia de vida e encanto que a fotografei e desenhei até à exaustão! Simplesmente não queria sair dali e só vou sossegar quando lá voltar! Foi como estar perante uma personalidade, uma estrela, daquelas que não se encontram sempre e por isso provocam um efeito de contemplação muda… momentos de paz e espanto…

Lá em cima do monte, para alem do restaurante e da capelinha, há um anfiteatro moderno onde se fazem festas!

E desci o morro na direção da Plaka, uma das zonas comerciais e pitorescas da cidade, onde se pode comprar de tudo!

Fui recebida por gente supersimpática que me tratou como uma heroína, na loja onde fui ver bugigangas! Uma loja familiar onde trabalhavam pai, mãe e filho. O filho também tem moto e queria dar a volta à Grécia comigo, pois ainda não tivera coragem de o fazer sozinho!

Acharam que eu era de outro mundo por andar ali de moto, vinda de tão longe sozinha, por isso, segundo eles, se estivéssemos na Grécia antiga dar-me-iam uma coroa de louros pelos meus feitos tão inscriveis e fantásticos (segundo eles), como estamos na atualidade, deram-me uma pulseira em turquesa e um olhito da sorte que me puseram ao peito, para me acompanhar na minha viagem até ao fim, e que nada de mal me acontecesse!

Momentos giros de muita risota e brincadeira!

Ainda embalada pelo bom ambiente na loja assisti a um episódio deplorável que me deixou estupefacta! Mais à frente fica uma igreja muito antiga, dizia uma placa colocada na sua fachada que era a igreja ortodoxa de Santa Catarina e que era do século XI.

Entrei para a ver por dentro, tinha uma fila de bancos a impedir a passagem para a zona dos altares e eu pus-me ali a olhar e ia tirar uma ou duas fotos quando uma fulana abriu a fila dos bancos e foi até ao altar! Um padre veio e tentou expulsa-la.

Os ortodoxos rezam tocando nas figuras, beijam-nas, põem-lhe as mãos, tornam a beijar, beijam de novo as mãos e tocam mais uma vez ou duas as figuras, num ritual repetitivo de beijos e toques. Entendi que não queriam que se fizesse aquilo ali, numa igreja tão antiga, por isso estava bloqueado o acesso aos altares.

Mas o que se passou a seguir ultrapassou os limites do bom senso e da religiosidade! O padre tentou expulsar a mulher e ela não acatou as suas ordens, por isso “pegaram-se” ela insistindo que queria rezar, ele insistindo que ela tinha de sair. Agarrou-a e tentou puxa-la para fora, ela insistiu, começaram a berrar um com o outro e, ele não conseguindo tira-la dali, pôs-se em frente do altar onde ela queria rezar, e ficaram ali os dois a ralhar um com o outro, enquanto ele se encostava às figuras de braços cruzados!

Eu nunca vira tal coisa e desagradou-me demais o ambiente! Que coisa feia, ainda por cima estando por ali turistas e gente estrangeira, como eu, de boca aberta a assistir àquela cena deplorável, dentro de um espaço religioso!

Tirei uma foto de fugida e fui-me embora dali, com uma enorme vontade de dar um par de chapadas a cada um por não se saberem comportar numa igreja…

O ar estava a aquecer rapidamente e eu tinha de decidir onde ia a seguir!

Não consegui resistir, estava tão perto de um local extraordinário (para mim) e eu iria lá, mesmo sofrendo com o enorme calor que se avizinhava… fiz-me à estrada, afinal já estava tão habituada a ele que era mais quilómetro menos quilómetro, certamente não me mataria mais uma escaldadela!

Fiz uma boa parte do trajeto sem luvas só para poder apreciar o presente que recebera! Gosto da cor turquesa e achei muita piada à pulseira! Gente boa, aqueles gregos!

Parei numa terra, lá no estreito braço de terra que une a zona continental àquela espécie de ilha, sem conseguir entender muito bem em que terra estava! Aquela letra grega põe-me grega de todo!

Estava um calor infernal e eu só queria beber água, muita água gelada, por isso parei junto a uma esplanada, sob o olhar atento de uma série de pessoas, pois a moto ficou quase dentro da esplanada! Era o lugar mais fresco na sombra!

Sentei-me numa mesa e o empregado veio atender-me com um imenso copo de água cheio de gelo! Bolas, era o que eu queria, água! Nem sabia mais o que pedir! Acabei por pedir um café, contando que fosse uma bosta qualquer mas sempre ajudaria a manter-me reguila!

Engano meu! O café era delicioso, diria que era mesmo muito parecido com o nosso! Puxa, cada vez gostava mais dos gregos!

Dei uma volta pela terra e percebi que por ali não era só eu que apreciava um bom café!

Por entre esplanadas cheias de gente, havia lojas de tudo, peixarias com um ótimo aspeto e floristas muito bem apresentadas e casas de café com os seus enormes moinhos à porta!

Fiquei ali a apreciar os diversos moinhos nas entradas das lojas de café, uma fulana meteu conversa comigo, tinha-me visto chegar e ficara impressionada porque me achava muito magrinha para poder com a minha moto tão grande! Puxa, e não é que de repente toda a gente me achava magrinha! Eu até já começava a creditar que se calhar até era verdade!

E ela insistia, como é que eu podia com a minha moto com um corpinho assim! Valha-me Deus, eu fui sempre imponente e toda a gente me achava magra de repente?

Então entendi que ela também tinha moto e, como era tão alta como eu mas o dobro de mim, achava que eu não tinha corpo para poder com a moto! Outras pessoas pareciam concordar com ela, mesmo eu dizendo que vinha de Portugal e que era a moto que me trazia às costas e não eu a ela!

A dada altura rematei a conversa com um “mas não seria por ter um cú grande que eu poderia melhor com a moto!”

A fulana pareceu não gostar muito da piada… ok, ela tinha um cú grande, aliás tudo era grande nela, e isso não queria dizer que ajudasse a poder melhor com a moto! Quando vi a sua moto percebi a sua duvida, ele era bem maior e volumosa do que eu e a sua moto era bem menos que a minha!

Segui o meu caminho como quem atravessa o deserto, que por ali é o que o clima e a paisagem lembram. As placas falavam cada vez mais grego e menos língua que se entendesse! Tive de parar junto a uma placa e copiar para o GPS aquela macacada usando o teclado grego (sim, que o meu Patrick é muito inteligente e fala grego!) antes que as placas fossem complicando e eu perdesse o tino ao meu destino! Μυκήνες, não é propriamente a coisa mais fácil de memorizar!

E lá estava ela… Micenas!

Comprei uma garrafa de água gelada e fui subir o morro, doseando a água como quem atravessa o deserto!

«Há coisas que eu preciso ver e que faço os quilómetros que tiver de fazer para lá ir… foi o caso de Micenas, aquele lugar quase sagrado que foi o centro da civilização grega lá pelo segundo milénio antes de cristo. Foi tão importante que deu o nome àquela época histórica: o período micénico. E a porta, o Portal do Leão, é aquela “coisa” imperdível e a construção mais famosa de Micenas. Uma construção fantástica composta por grandes blocos monolíticos, de mais de 3 metros, que suportam a pedra calcárica com duas leoas esculpidas! As horas que eu passei estudando esta “acrópole” na faculdade… e finalmente vi-a!»

Olha-se para ela como para um altar…

E eu fiquei ali, debaixo de um sol tórrido a olhar para o portal! Que coisa esplendida!

O túmulo circular, ou cemitério mais propriamente, tão perfeito e visível…

Aquilo é mesmo solo sagrado da nossa civilização, digno de ajoelhar e rezar como fazia o papa João Paulo II!

Há inclusive uma cisterna subterrânea ali! Não a pude ver porque não tinha luz comigo, uma falta imperdoável, e aquilo desce até 18 metros de profundidade, sem qualquer luz exterior portanto!

Não fui só eu que fiquei à porta!

Anda-se por ali, por entre pedras e caminhos com mais de 3.000 anos! Fez um efeito cá dentro!…

Chega-se à porta norte e ela é feita também de blocos monolíticos de toneladas! Como conseguiam eles erguer tais pedras?

Não conseguia sair dali! Sentava-me nas pedras e olhava em volta como quem vive um momento único e tudo quer gravar na memória!

Voltei finalmente para a porta, a minha água estava a acabar e o calor ameaçava esturricar-me os miolos, apesar do chapéu!

Ainda dei uma volta no museu, onde se podem encontrar imensos artefactos da época, descobertos por ali, bem como uma maqueta do local!

Fui comprar nova garrafa de água gelada e lá estava a minha motita à sombra, que bom, o sol não dera a volta suficiente para a deixar a descoberto, graças a Deus, senão teria sido um suplicio montar e andar!

Fiz-me à estrada a toda a velocidade, pois estava longe do sítio onde iria dormir. Apanhei a autoestrada, que aquele calor todo, mais toda a distância que queria fazer, não inspiravam a passeios demorados!

Passei por motociclistas que corriam para caramba sem capacete! Não consegui entender qual era o prazer de ir a 160km/h sem capacete, arriscando todo o tipo de imprevistos, desde mosquitos e poeiras a bater na cara, até a possibilidade de ser envolvido num acidente sem qualquer proteção para a cabeça! Mas eles lá andavam, com o capacete preso nas traseiras da moto e cabelos ao vento!!

Cheguei a Neos Panteleimonas ao entardecer. O GPS disse-me que chegava ao destino à direita e eu só via casas bonitas e particulares! “Valha-me Deus, lá estás tu desorientado!” Perguntei mais acima numa loja onde ficava o sitio que eu procurava… era exatamente onde o GPS dizia! “Pronto, ok, ganhaste, tu é que tinhas razão!”

Fui recebida por uma senhora supersimpática que se apressou a trazer-me uma cerveja gelada, que eu estava meio desidratada, embora tivesse passado o dia a beber de tudo!

Fui jantar ainda toda molhada do banho no restaurante mais acima! Ui e que bem eu comi!

Os senhores eram muito simpáticos, trouxeram-me imensas coisas boas para comer, pois eu deixei ao seu critério o que eu iria comer, já que não nos entendíamos! Eles perceberam que eu estava faminta e bastava! No fim posaram para uma foto e tudo! O jantar foi uma pechincha, por tudo o que comi, com vinho e café e tudo, paguei 12€! Que bem que soube!

A paisagem era o castelinho em frente, que eu podia ver da esplanada do restaurante onde me fui encher de comida!

E foi o fim do 22º dia de viagem… amanhã iria para Istambul, outro dos grandes destinos desta viagem!

24. Passeando pelos Balcãs… – No coração da antiguidade – a deusa Atenas

19 de agosto de 2013

Aquela era a minha última oportunidade de passear mais um pouco por Meteora… eu nunca consigo deixar um local que me fascina sem voltar a passear um pouco por ele! E foi o que fiz, em tom de despedida, voltar a conferir todo o encanto dos últimos dias!

A minha cinta estava a apertar muito longe do velcro já, ao ponto de não “agarrar” e abrir-se facilmente! Bem, dali a nada estaria com as medidas das modelos esqueléticas, se não me aplicasse mais um pouco a tentar recuperar o meu peso! Estava a beirar os 66kg, que era pouco para mim e o meu 1.75m de altura, que não queria saber de magrezas para nada e tinha uma moto que pesava quase 5 vezes mais do que eu, para comandar!

Na realidade o efeito do excesso de calor, que me acompanhava há demasiado tempo desta viagem, estava a fazer-se sentir há alguns dias, com a tensão arterial a ficar baixa e os músculos a ressentirem-se, em cãibras e brecas que me atacavam até os dedos das mãos! Nada que um pouco de magnésio não resolvesse e siga para a luta!

A minha Ninfa lá estava em despedidas com a sua amiga dos últimos dias! Aquela moto não saiu dali durante os 3 dias que lá estive! Não pude deixar de pensar que “quem tem burro e anda a pé, mais burro é!” eheheh

E fui passeando, muito devagar, apreciando pela ultima vez aquele cenário envolvente de irrealidade!

Fiquei a olhar para o Mosteiro de Agia Tríada, ou Mosteiro da Santíssima Trindade.

Sem dúvida o mais impressionante pela sua localização, sempre usado como ex-libris do complexo… eu não o visitara e, de repente pensava “irei embora sem o ver?”

Eu tinha de descer da rua até ao funco para depois começar a subir o enorme penedo! O calor já estava a apertar mas, mesmo assim, eu fui! “Nah, não vou embora sem lá ir, que se lixe!”

Ali foi rodado o filme de James Bond “For your eyes only” e ninguém vai a Meteora sem o ir visitar!

Reza a história que os monges não acharam muita graça a todo o aparato das filmagens e tentaram boicotar os trabalhos fechando-se dentro dos mosteiros e pondo as suas roupas a secar penduradas no exterior, para “enriquecer” o panorama! Este mosteiro é um dos mais difíceis de alcançar com os seus 150 degraus, que sobem de forma ingreme, por um caminho escavado na parede de pedra do enorme rochedo isolado.

O caminho é “roubado” ao penedo, num meio túnel que sobe até lá acima e as perspetivas da redondeza que se vão vislumbrando valem bem o esforço!

A entrada neste mosteiro foi a mais “desinteressada”, o guardião não era monge, era um rapaz vestido como todos nós e não stressou nada em verificar o que eu fazia, “vista uma saia e boa visita” mais nada!

Por isso foi na maior descontração que visitei aquilo tudo e tirei fotos e tudo, “na boa”!

Aproveitei para pôr uma série de velinhas pelos meus amigos, pela minha família, pela minha viagem, por todos os viajantes e por aí fora, que eu adoro brincar com velinhas e aquelas eram particularmente interessantes, fininhas e giras, era só acender e espeta-las na areia!

Claro que fui pondo uma moeda por cada vela! Não tinham preço, mas tive o cuidade de pôr apenas moedas brancas! 😀

Assim como de Kalampaka se pode ver claramente o penedo do mosteiro, lá de cima a cidade é a paisagem!

Achei curioso que na ponta do penedo há uma cruz branca com um montinho de moedas aos pés! Acho que quando não há fontes ou lagos, as pessoas poem as moedas onde puderem!

Para o outro lado, apenas com uma olhadela 4 ou 5 mosteiros eram visíveis!

Desta vez custou-me ir embora! Eu ficaria ali mesmo, no mosteiro, por uns dias, de boa vontade!

Na torre do mosteiro podia-se ver o sistema de elevador de tempos idos! Imaginei-me a ser descida dentro da rede de corda e a ideia animou-me! Não me importaria nada, só para não ter de fazer todo o esforço para voltar para moto!

E era hora de sair dali! Oh valha-me Deus, a perspetiva era linda mas desmotivante! Estava tanto calor para descer e voltar a subir montes e degraus!

Quando finalmente cheguei à moto, depois de uma transpiradela que me fez ter vontade de voltar ao hostel e tomar um belo banho, tinha uma surpresa à minha espera!

Embora eu tivesse estacionada a moto numa nesga, entre a guia da rua e o muro, num sitio onde ninguém mais poderia estacionar, pois ficaria meio no meio da rua… um carro tinha-se posto na frente dela, tão perto que eu não conseguiria sair, pois a rua era inclinada e eu não tinha força para a puxar para trás! M%&$$#da!

Não havia vivalma por ali! Será que eu teria de esperar que sua excelência acabasse a visita para vir tirar o carro para eu sair? Que desânimo!

Então um carro aproximou-se, um carro todo velho e amassado com um fulano que cantava aos berros lá dentro, e parou! Fui-lhe bater ao vidro! “please, help me!”

O homem ficou a olhar para mim, estava a desfolhar papeis, parece que ía ao mosteiro tratar de negócios! Expliquei-lhe que precisava que me empurrasse! Saiu do carro e olhou para ver o que é que eu queria que ele empurrasse!

“Me??? No!!!” exclamou escandalizado com a moto! “too big, too big!”

Oh homem, um carro é mais big que a minha moto e qualquer homem o empurra! Peguei-o pelo braço e puxei-o até à moto “come on, you can do it!”

Só depois entendi o seu pânico! Ele pensava que eu era a dona do carro e queria que ele tirasse a moto para eu sair! Quando eu montei e expliquei onde ele devia pôr as mãos, na frente da moto para empurrar e a moto recuar, ficou paralisado a olhar para mim “Too big for you! You are too slim for it!”

Oh homem empurra que eu posso com ela, não te preocupes, raios!

E finalmente ele lá empurrou, puxa parece que não havia maneira de o convencer! Agradeci muito e fui embora, podia vê-lo pelo retrovisor, no meio da rua a olhar! Ele iria superar o choque e o espanto e voltar à sua vida normal, certamente!

Meteora ficou no meu coração e eu vou lá voltar um dia, para percorrer caminhos e trilhos e ver os mosteiros mais rudimentares e primitivos que estão longe dos turistas e das pessoas que não conhecem a zona. Há muito mistério e beleza única para desvendar por ali!

Parei em Trikala para tomar qualquer coisa fresca, junto ao rio, onde parece que toda a gente vai!

Também não apetecia afastar dali, como se apenas a visão da agua refrescasse um pouco os miolos!

A estátua de Asclepius, o deus da medicina, está ali no meio do rio, tão feiinha!

Fiz ali um belíssimo pic-nic, enquanto apreciava quem ia e vinha! Muita gente olhava para mim, como se eu fosse um ser bizarro! E não era por eu estar a fazer nada que eles não estivessem a fazer também! Acho que era o meu aspeto que lhes atraia a atenção, o chapéu espantava muitas pessoas por ali! Então eu sorria e dizia “hello!” e as pessoas sorriam também!

E ainda fiz amizade com uns polícias giros que vieram falar comigo, queriam saber se eu era inglesa! Não, sou portuguesa mesmo!

Consegui tirar-lhes uma foto quando se afastaram! Estavam sempre rodeados de gente o que me fez sentir que eram queridos de toda a gente, ou então era por serem giros mesmo! eheheh

E segui pelo mapa abaixo, por caminhos longe de autoestradas ou vias rápidas, trilhando estradinhas deliciosas, não fosse a altíssima temperatura que insistia em acompanhar os meus dias!

Eu sabia que ir a Atenas por uma curta passagem seria penoso para mim, porque é um destino e toda uma envolvência que quero visitar há demasiado tempo para apenas passar e seguir, mas não pude evitar faze-lo, levando em mente o que queria ver e fazer desta vez e planear depois o que fazer numa futura visita organizada já para tudo explorar!

É a minha forma de não lamentar o que eu não puder ver sem ficar por lá perdida tentando ver tudo!

Encontrei na Grécia os ciganos que estava à espera de encontrar na Roménia, não é irónico?

E, diga-se de passagem estragavam muito da paisagem que os rodeava com toda a imundice que espalhavam em seu redor!

Fui sempre andando por ruelas, conhecendo o aspeto menos “civilizado” do país, como eu gosto de fazer!

E cheguei à capital sem parar em lado nenhum, que o calor era pouco inspirador para paragens!

Fui recebida num hostel tão simpático e acolhedor que o ar fresco lá dentro apenas me inspirava a não sair mais.

Fiz amizade com o cachorro de serviço e tudo, entre cervejas frescas deliciosas e muita conversa com a rececionista, que me deu todas as indicações que eu queria, sobre como organizar uma visita ao país, indo também de ilha em ilha e onde deixar a moto para o fazer, que era uma das coisas que eu procurava saber em Atenas!

Quando o tempo arrefecia um pouco, saí para a cidade. Era tarde para visitar a Acrópole, por isso andei por ali, de esplanada em esplanada, apreciando o espetáculo e saboreando o delicioso café daquelas gentes, que é tão bom como o nosso!

Atenas está cheia de vestígios do seu passado grandioso, como o Estádio Panathinaiko, uma coisa com capacidade para 80.000 pessoas!!! Aqueles gregos eram loucos! Foi construído mais de 500 anos antes de Cristo, totalmente em mármore branco!

Já esteve em ruinas e foi restaurado no final séc. XIX aquando da realização dos primeiros jogos olímpicos da era moderna. Voltou a ser usado nos últimos jogos olímpicos em Atenas em 2004.

E andei por ali a vaguear, por solo sagrado para quem aprecia história e mito…

Ao tempo que eu sonhava ir a Atenas… e continuo a sonhar!

Subi ao Monte Lycabettus.
As voltas que eu dei para lhe encontrar a estrada, porque as ruas são íngremes, fazendo como que prateleiras quando se chega à rua de cima, e parecia que a moto bateria com a “barriga” no chão ao passar da ruela que subia para aquela a que ia dar! Tudo isto de noite, sem GPS a conduzir-me e sem ter a certeza de estar a fazer sentidos proibidos!

Lá em cima há um enorme espaço que estava cheio de carros, com famílias inteiras a curtir a paisagem, e jovens com música e tudo, num ambiente simpático, mas onde apena eu estava sozinha!

Senti todos os olhos pousados em mim, quando eu pensei que passaria ali despercebida, momentos de paz e contemplação!

Então comprei umas bugigangas para comer e beber numa roulotte que há ali e fui subir até ao ponto mais alto do monte onde há uma capelinha do séc. XIX e uma paisagem deslumbrante sobre a cidade!

Passa-se por um restaurante/café muito interessante e chega-se à capelinha, estava por ali muita gente também, num ambiente simpático.

Em que as pessoas tentavam desesperadamente tirar fotografias umas às outras com a cidade como cenário de fundo, sem entenderem que não era possível com os equipamentos básicos que tinham, já que com flash apanhavam as pessoas e o fundo negro, sem flash ficava tudo tremido, sem gente nem fundo que se aproveite! Eheheh

Ao lado da capela há uma descida, que é também a outra saída do monte, se a descermos um pouco, com cuidado pois os gregos adoram pavimentos em mármore e aquela treta escorrega para caramba, mesmo com o chão seco, chega-se a um patamar onde Atenas nos enche os sentidos…

Oh a Acrópole ali no meio provocou uma sensação…

Ali sim, fiquei em silêncio, não estava mais ninguém além de mim e soube tão bem….

E fui para casa, era o fim do meu 21º dia de viagem…

23. Passeando pelos Balcãs… – Fui brincar para a montanha!

18 de agosto de 2013

Naquele segundo dia por Meteora eu decidi passear pela montanha ali perto!

Estava muito calor mas, mesmo assim, eu decidi ir! Apenas cometi um pequeno erro, fui passear de calções e o sol escaldante foi desenhando zonas vermelhas nas minhas pernas, ao mesmo tempo que toda a moto parecia escaldar, ao ponto de eu escaldar um tornozelo na carenagem! Dizem que a Pan European aquece, eu nunca dei por ela, o que aqueceu foi mesmo o sol, ao ponto de os plásticos se tornarem perigosos para as minhas pernas brancas e frágeis, que não viam o sol há vários anos!

Comecei por dar uma volta pela redondeza porque simplesmente não me podia impedir de ir sempre ver mais um pouco! Trikala fica ali aninhada junto dos grandes rochedos de Meteora e as casas vão até eles subindo por ruelas íngremes que vão até eles!

Rochedos que parecem paredes enormes, por vezes!

Fui-me afastando, com vontade de ir e de ficar, com aquele paraíso a afastar-se de mim no horizonte! “tenho de voltar cedo para passear por ali logo!” prometi a mim própria!

Logo a seguir comecei a subir, podia ver no GPS uma estrada convidativa e segui por ela! Tudo era tão bonito em meu redor que tive a certeza de que escolhera algo de bonito para fazer!

E começou ali mais uma epopeia com as benditas vacas! Detesto cruzar com bichos que são maiores e mais pesados do que eu mais a minha moto juntas!

A rua era um espanto! Retorcia-se como uma linha num bolso, subindo em curvas espirais encantadoras!

Se aquilo fosse na França ou na Suíça, teria por todo o lado placas a dizer “coll de qualquer coisa” e se fosse na Itália teria também em cada curva uma placa com o número da curva! Como era na Grécia não tinha nada e estava cheia de surpresas! Nem eu imaginava quantas até elas começarem a aparecer!

Ficava como fico em cada passo de montanha que faço, entre o sigo curtindo a estrada ou paro para tirar umas fotos?!

Mas rapidamente percebi que parar a cada curva seria o mais aconselhado, à medida que as tais surpresas foram começando a aparecer!

É que o aspeto irrepreensível da estrada era tão enganador, que ninguém podia prever que a cada passo ela simplesmente tivesse desaparecido e fosse substituída por grandes buracos, ou longos pedaços de terra batida, sempre posicionados em curvas estratégicas e insuspeitas!

Estava em grande altitude e algo destruíra parte da estrada! Ele como que caíra pelo monte abaixo em algumas zonas e outras preparavam-se para cair também!

A minha motita está longe de ser uma trail, mas lá se vai desenrascando se o piso não for terrível e, como a paisagem era deslumbrante, eu lá fui seguindo, esperando que os buracos não fossem tão grandes que me fizessem ter de voltar para trás!

Havia demasiados pedaços de estrada a ameaçar resvalar pelo monte abaixo a qualquer momento!

“Sem problema! Um carro pesa muito mais do que a minha moto e, se eles passam aqui, não há-se ser comigo que a estrava vai cair!” – este deve ser o pensamento dos que arriscam e caem pelos buracos, mas eu lá segui animada por ele!

Enquanto eu fui tirando fotos é porque a coisa não estava nada má!

Mas a verdade é que ia olhando para as curvas em cotovelo cá de cima a ver em que estado estavam! E, claro, foi-se o encanto de curvar “à matador” com o panorama!

Podia ver a linha desenhada pela estrada pelos montes fora, numa paisagem deslumbrante e só desejava que ela fosse transitável para mim!

Muitas curvas desfeitas e manhosos depois, entre ambientes lindíssimos, apareceu lá em baixo uma povoação! Quando vejo uma aldeia penso sempre que a estrada estará melhor a partir dali, afinal serve quem lá mora! Essa ideia animou-me “Boa, vão se acabar os pedaços de estrada ruins e será sempre boa estrada depois!”, mas claro que estava enganada!

A povoação era servida por ruas que mais pareciam caminhos privados, calcetados com pedaços de mármore e eu nem sabia por onde ir, temendo dar comigo a entrar pela porta de uma casa qualquer!

Então acabaram as fotos! O que quer dizer que a coisa ficou bem mais negra!

Dei comigo a passar numa rua muito a pique no meio do povoado! Não sabia se devia seguir ou voltar! Perguntei a uns senhores se podia seguir por ali abaixo! Acenaram-me que sim apontando o caminho com as mãos! E foi horrível!

A rua era tão íngreme que tinha uma espécie de degraus 15cm, tudo em mármore, e fazia curvas e tudo! Não havia como inverter a marcha, só me restava descer aquilo tudo! A moto saltitava de degrau em degrau e eu apenas agarrava o guiador com toda a força para que a roda da frente não abanasse! Se eu caísse ali tenho a certeza que a moto continuaria a deslizar por ali abaixo até bater numa curva ou noutra mais abaixo! Foi então que eu me levantei seguindo de pé para que a moto saltitasse livre do meu peso, para que não batesse com nada no chão!

Então quando eu pensava que estava a chegar ao fim da aventura e que nada de pior podia aparecer, a ruela desapareceu e deu lugar à maior buracada, com direito a terra solta, com cascalho à mistura e tudo!

“valha-me Deus, que eu tenho de seguir para a frente custe o que custar!”

Na realidade naquele momento não poderia voltar para trás pois não me meteria a subir os degraus com a moto, isso era certo! Cheguei ao fim do povoado e o caminho piorava a cada curva, descendo a pique. Estava tão cansada de dominar uma moto de 320kg, debaixo de um sol escaldante, que arranjei maneira de parar um pouco, mesmo com a moto a deslizar pelo cascalho. Uma série de pedrinhas rolaram por ali abaixo empurradas pela travagem da moto!

E tirei uma foto ao fundo do penhasco!

Já se via o alcatrão lá em baixo! Oh maravilhosa visão!

Eu entendi que estava num parque natural perto de Pramanta, mas não consegui entender mais nada! Não há forma de entender grego!

E passei o rio Aqueloo, aquele que já foi venerado como espirito do deus Aqueloo!

A beleza continuava e a estrada não melhorava!

Com quilómetros de estrada em cascalho solto!

E pontes de metal que pareciam autoestradas no meio de tanto pó, escorregadelas e derrapagens na areia!

Cheguei a Arta sem qualquer vontade de visitar o que quer que fosse! A cidade estava deserta e eu morta de cansaço! Meti-me na única esplanada a funcionar e quase desfaleci de prazer ao saborear uma cerveja tão gelada que quase me partia os dentes!

Eu sei que a cidade tem os seus encantos e a redondeza é digna de visita, mas naquele momento eu só queria voltar para Meteora e arrefecer os miolos!

E foi o que fiz, mandei o meu Patrick (GPS) pensar por mim e levar-me rapidamente para Trikala pela autoestrada mais próxima!

Só ao voltar avistar os grandes penedos no fim da rua despertei de uma condução em piloto automático, estava a chegar de novo ao meu paraíso!

A senhora de casa voltou a trazer-me um belíssimo prato de frutos variados, frescos e descascados, que me souberam pela vida, acompanhados pelo resto do vinho gelado que sobrara do dia anterior!
OH, as energias voltaram-me logo, à medida que o tempo arrefecia finalmente um pouco!

E voltei a sair! Tinha de ir ver uma última vez os penhascos ao pôr-do-sol!

Desta vez ainda vi o mosteiro de St George ”Mandelas” encrustado na parede de rocha

É destes mosteiros que os monges não saem facilmente! Alguns não sairão mais até ao fim dos seus dias, pois nem têm mais condições de escalar aquilo!

Era tão reconfortante passear por ali, e voltar a fotografar tudo de novo, pois não se consegue andar por ali sem se tirar um milhão de fotos!

Andavam por ali uma série de “navetes” a passear turistas que paravam nos pontos estratégicos para as pessoas poderem ver o pôr-do-sol! Algumas pessoas pareciam fazer mais festa à minha moto do que à paisagem!

Voltei a encontrar o senhor do dia anterior! Andava de novo na sua motoreta a passar por ali, parava a cada mosteiro, fumava um cigarro, falava um bocado comigo e voltava a encontra-lo no seguinte!

Há brincadeira giras que se fazem por ali, como estacionar a motita num local especial!

Ou apanhar-me a mim e a ela num enquadramento curioso!

E o sol pôs-se e eu fui embora! Tinha sido um dia lindo mas difícil, tinha de comer para repor energias!

No restaurante já me recebiam como se fosse da casa, afinal era a 3ª noite que eu lá ia jantar!

O patrão até me levou a visitar o espaço

Porque estava muito calor e ele estava no assador! Só de olhar para o fogo até me sentir mal!

E foi o fim do 20º dia de viagem…

22. Passeando pelos Balcãs… – Meteora… what a beautiful day!

17 de agosto de 2013

Foi por Meteora que fui ali!

Foi por ela que eu reservei 3 noites em Trikala!

“Μετέωρα, ou Meteora,, foi um dos destinos impulsionadores desta viagem! Uma sequência de mosteiros ortodoxos “pendurados” no ar, em grandes blocos de pedra que parecem sair verticalmente do chão, simplesmente deslumbrante! Desde a primeira vez que deparei com uma imagem de Meteora que eu quis cá vir. A princípio pensei que eram apenas imagens manipuladas, arte digital, daquela que faz cenários fantásticos para filmes, mas não, é mesmo real! Hoje visitei 2 mosteiros já, amanhã continuarei a explorar… acho que nunca me cansarei de fotografar isto tudo de todos os ângulos!”

Lembro-me de estar a escolher o hostel para pernoitar e encontrar aquele em que fiquei e ficar deslumbrada pelas fotos que apresentava no site. “Certamente que isto é tudo mentira, devem ter ido tirar as fotos mais abaixo para pôr aqui e só quando lá chegar é que vou ver o que aquilo é mesmo!”. O preço era demasiado baixo para me darem tanto, pensava eu!

Mas a verdade é que, mesmo de noite, quando ali cheguei, eu pressentia a presença dos enormes blocos, no escuro, logo ali! Mesmo sendo muito grandes tinham de estar suficientemente próximos para eu lhes sentir o perfil tão acima do horizonte!

O meu quarto, como todos os do hostel, não dava para um corredor interno como seria previsível, e sim para um terraço que contornava a casa. E, especialmente o meu, ficava voltado para o lado mais bonito da cidade e para o lado mais largo do terraço também, onde havia flores e cadeiras e tudo!

Quando sai a porta… Meteora encheu o meu horizonte de espanto!

A minha motita tinha-se instalado junto de uma amiga que lhe fez companhia durante as 2 noites seguintes.

Curiosamente os donos da moto não saiam nela! Diz-se de Mateora, como de outras cidades no mundo, que ela deve ser visitada a pé mas, mesmo eu andando muito a pé para visitar uma cidade, continuo a dizer que há distancias que se fazem muito melhor de moto!

É o caso ali, as estradas são boas, as paisagens são deslumbrantes, toda a montanha parece envolver-nos em qualquer ponto do percurso, depois é só parar a moto e caminhar!

E os mosteiros começam a aparecer no topo de qualquer penedo gigantesco!

Meteora, dizem que quer dizer “no meio do céu” e eu acrescentaria e “brotado da terra”!

Ali se pode encontrar o maior complexo de mosteiros cristãos, apenas superado por outro complexo religioso, também na Grécia, no Monte Atos, onde eu terei de ir um dia destes!

Na realidade, reza a história que os primeiros mosteiros se foram instalando em cavernas e reentrâncias nas rochas, lá pelo séc XI. Os monges eremitas queriam mesmo ficar longe do mundo e conseguiram-no! Na realidade eles queriam defender-se da ocupação otomana e ali ninguém os poderia alcançar!

Foram construídos posteriormente mais de 20 mosteiros e hoje 6 deles são visitáveis:

1- Megálos Metéoros (Grande Meteoro ou Mosteiro da Transfiguração),
2- Varlaam,
3- Ágios Stéphanos (Santo Estêvão),
4- Ágia Tríada (Santíssima Trindade),
5- São Nicolau Anapausas
6- Roussanou.

Destes 6 visitei 3… que aquilo de escalar escadas dá cabo das pernas à gente e no fim eles acabam por ser meio semelhantes!

Fui visitar o Grande Meteoro, fica mesmo no fim da rua e pareceu-me que não tinha de escalar muitos degraus!

Claro que me enganei, pois o facto de haver uma entrada direta da rua, não impede que se tenha de descer o monte onde estamos, para escalar aquele em que o mosteiro está!

Os monges têm “elevador moderníssimo" para entrarem diretos no mosteiro, mas é só para eles e para todas as mercadorias e tralhas que um mosteiro precisa para se manter! Nós, povo comum curioso, temos de penar para lá chegar! É justo, afinal ninguém nos chamou lá!

Antigamente este acesso direto era feito por redes grossíssimas de corda que eram içadas por roldanas desde a torre dos mosteiros, e por ali subia e descia tudo, inclusive pessoas!

É que os pilares de rocha chegam a ter quase 600 metros de atura a pique!

O mais encantador da subida é a perspetiva que se vai tendo sobre outros mosteiros, que vão aparecendo por entre as escarpas, revelando-se como visões extraordinárias! Só por isso já vale a subida!

Ao lado do Grande Meteoro fica o Varlaam, que não visitei mas que fotografei e desenhei até à exaustão!

À entrada de cada mosteiro existem saias, tipo avental, daquelas que se amarram à cintura, para as mulheres vestirem. A principio não entendi, pois se eu nem de calções estava, o que teria de tapar com as saias?

Um monge simpático só me dizia “ponha-a, é melhor!” e repetia aquilo talvez porque não sabia dizer mais! As saias até eram bonitas e frescas, nem a sentia mais depois de vestida! Eram de seda preta com bolinhas brancas! Não perdi a oportunidade de pedir a alguém que me tirasse uma foto, tinha de registar o momento “griff” da minha visita!

Lá de cima a paisagem é sempre deslumbrante, com o vale contornado pelos blocos de pedra e Trikala lá em baixo!

O mosteiro vizinho perfeitamente visível, mais abaixo, por entre pedras a pique!

Os mosteiros não são completamente visitáveis, porque estão em funcionamento, por isso há ali gente a viver, como num condomínio fechado, onde tudo se faz e muita coisa se produz!

O único sítio onde não se pode tirar fotos é nas igrejas mas, claro, a gente quando tem oportunidade sempre capta uma ou outra perspetiva da coisa, porque são muito bonitas e totalmente pintadas no interior!

Se fizessem um hotel ali o ambiente seria muito agradável e, seguramente, teria muitos hospedes!

Há no Metoron um museu com coisas militares, incluindo imagens das grandes guerras e fardas da época.

Acho sempre curioso ver fardas militares com saias! Não sei como eles se arranjavam a manobrar uma saia plissada daquelas em tempo de guerra!

O mosteiro é grande e cheio de recantos com representações religiosas em que as caras dos santos parecem todas iguais! Deviam estar sempre mal dispostos quando posavam para o mosaico!

Ali havia tudo o necessário para se viver, desde campo cultivado até cozinha perfeitamente apetrechada para cozinhar!

Com direito a ossário e tudo!
Quando vi a placa não entendi o que iria ver! Um cemitério ali?

“O Mosteiro do Grande Meteoron foi o primeiro mosteiro que visitei em Meteora! Uma construção do séc. XIV e um dos poucos que se podem visitar hoje. Desce-se do nível da rua, onde eu deixei ficar a moto, e começa-se a subir a escada encravada na rocha até ao mosteiro que fica no penhasco em frente. Foi uma sensação extraordinária entrar ali, como quem entra numa imagem há muito idealizada na cabeça! Num recanto encontrei uma placa que dizia “ossuary”! Então espreita-se pela abertura, numa porta antiga e robusta de madeira, e lá estão eles! Ossos e crânios arrumados, como livros, em estantes! Curiosa sensação estar perante tal vestígio do passado!”

Na torre pode-se visitar o local de carga e descarga, quando tudo isso se fazia por roldanas e redes de corda que tudo transportavam!

A operação tinha este aspeto vista de fora, naquele “saco” de rede subia e descia gente também!

Tudo muito bonito ali em cima, podia passar ali uns tempos sem sair, apenas a relaxar, numa estadia muito "zen", fotografando em todas as direções e desenhando todo o tempo!

Aquele padre era ortodoxo e vinha da Roménia! Toda uma camioneta de romenos andava a passear por ali comigo. Quando saímos fizeram uma festa ao encontrarem o meu meio de transporte e ainda ficaram mais contentes quando disse que iria seguir a minha viagem até à terra deles!

Até palmas bateram!

“Vais-te apaixonar pela Roménia!” diziam todos “After seeing Romania with your own eyes you will be in love with my country forever!” dizia o monge… e tinha razão!

E segui pela rua que liga todos os mosteiros visitáveis, parando aqui e ali para ver cada um nos seus melhores ângulos!

Lá de cima podem-se ver mais do que os 6 em visita, estão por todos os lados, encavalitados nas rochas que chegam a parecer dedos apontados para o céu!

Cá mais abaixo podia ver o Grand Meteoron, que acabara de visitar e o Varlaam, que fotografara vezes sem conta!

E a estrada lá em baixo, que passa por todo o lado! Pensar que quem visita os mosteiros a pé tem de a fazer subindo, indo de mosteiro em mosteiro, subir degraus e mais degraus e depois voltar caminhando, por uma infinidade de quilómetros de caminho!

Há rochas estrategicamente posicionadas onde toda a gente vai e onde toda a gente pede que lhe tirem fotos, com aquela paisagem como fundo! Tirei fotos a uma infinidade de pessoas que me pediam e, claro, aproveitei e também me tiraram a mim!

Ao fundo, por entre o limite dos rochedos, vê-se Kalabáka, a cidade mais próxima, com o Mosteiro de Agia Tríada, que serviu de cenário ao filme de James Bond, sobre a grande pedra da esquerda!

Só de olhar para ele foi-se a vontade de o visitar! Nem a fama e a história me fazia querer subir todo aquele enorme rochedo para ir lá acima… mas acabaria por me render e não partir sem lá ir, não naquele dia… mais tarde!

Naquele dia fui visitar o único mosteiro de mulheres de entre os 6, o Ágios Stéphanos.

Vestiam de negro, embrulhadas quase até aos olhos, pareciam islâmicas e eram antipáticas! Não pude evitar o sentimento de que eram mulheres “ressabiadas” mas se calhar fui injusta! Repetiram-me vezes sem conta que tinha de vestir uma saia, e eu a vesti-la! "já entendi! abre os olhos, estou a vesti-la não vês?"

O bilhete para visitar qualquer dos mosteiros é de 3€ e vale o dinheiro, se bem que devia ser descontado o esforço da subida no preço do dito!

Como as meninas eram antipáticas e nos tratavam como se fossemos usurpadores do que era seu, como se algum visitante fosse invadir o seu espaço, que afinal elas tinham posto ao dispor da nossa visita, não tive qualquer preconceito em “roubar” as fotos que quis! Elas bem berravam para toda a gente “No photo, no photo!” mas eram burras demais para perceberem que há maquinas que não usam flash e não fazem barulho, como a minha, e só chateavam os inocentes que nem faziam menção de tentar fotografar, deixando-me em paz, mais à frente!

O calor era imenso ali em cima! Cheguei a ter pena das “monjas” porque eu desmaiaria se andasse toda embrulhada em panos pretos! Até dei um desconto ao seu mau-feitio, pois se até os gatos se enfiavam dentro das fontes!

Kalabáka lá em baixo!

E foi onde fui a seguir, visitar a Igreja Bizantina da Assunção da Virgem, do séc. XI!

Sempre tive curiosidade de visitar estas igrejas e aquela estava ali, encostada à montanha, sem ninguém a enche-la de confusão!

Mais uma vez não era permitido fotografar, mas a senhora confiou que se eu tentasse fotografar ouviria a máquina…

De longe a visão de Kalabáka com Meteora sobre si é deslumbrante!

E fui para casa, que tinha todos os atrativos num dia de mais de 40º graus de calor, a começar pela paisagem e seguindo pela simpatia das pessoas!

O meu terraço tinha esta paisagem incrível!


Por isso comprei uma garrafa de vinho e uma série de bugigangas de que gosto muito e fui-me instalar no maior conforto a saborear o paraíso!

Para minha surpresa a dona do hostel “adotou-me” e trouxe-me um belo prato de fruta fresca, entre figos, melão e pêssego! Que coisa deliciosa acompanhada com um vinho da zona delicioso!

Naquele dia eu pesei-me!

Descobri uma balança no quarto e… tinha perdido 7 quilos!

Aquela viagem estava a retirar de mim mais do que devia! Eu simplesmente não podia continuar a perder tanto peso porque, naturalmente, não era gordura o que eu estava a perder! Estava no 19º dia de viagem e ninguém perde 7 quilos em 19 dias! Eu estava a perder tudo e com isso acabaria por perder também massa muscular!

Relembrei a minha alimentação nos últimos tempos e percebi que, mesmo comendo bem, não o fazia com a regularidade necessária, tinha passado dias a beber de tudo e a comer menos do que devia, porque o calor faz isso à gente!

Ficou decidido que iria comer para a mundial naquela noite, pois então!

Entardecia e eu fui subir de novo a montanha para ver aquilo tudo ao pôr-do-sol!

Os rochedos estratégicos estão sempre cheios de gente ao entardecer, não era só eu que queria ver o sol pôr-se!

Um grego, emigrante na França, andava por ali com a sua motinha e encontrava-o a cada vez que parava para ver mais um ângulo da paisagem! Falávamos em francês e voltávamos a encontrar-nos no mosteiro seguinte! Dizia ele que o português e o grego eram povos muito parecidos e que nunca vira uma moto portuguesa por ali! Voltaria a estar com ele no dia seguinte, a ver o pôr–do-sol de todos os ângulos e a partir de todos os mosteiros!

Com uma estrada daquelas quem quer andar por ali a pé?

E fui-me encher de comida, como tinha prometido a mim própria!
Voltei ao restaurante simpático onde jantara no dia anterior. Comi divinalmente com direito a tudo incluindo um ambiente supersimpático de esplanada,

e a Ninfa à porta! Que mais se pode querer da vida?

E foi o fim do 19º dia de viagem!

21. Passeando pelos Balcãs… – 4 países num dia… de Montenegro até à Grécia!

16 de agosto de 2013

E chegava o momento de seguir para um dos grandes destinos desta viagem!
Há sempre um ou dois destinos que me direcionam numa viagem, esses que ditam para que lado ir, e este era na Grécia, o que me faria atravessar 2 países para lá chegar! Por isso naquele dia eu faria quase 700 km por 4 países: Montenegro, Albânia, Macedónia e Grécia!

Embora tivesse uma longa distância para percorrer não me sentia nada preocupada nem pressionada! Há dias assim, em que o calor é mais aflitivo do que os quilómetros e aquele dia prometia ser quente de novo. Lembro-me que durante a noite molhei diversas vezes o meu lenço para limpar o rosto e o pôr sobre a cabeça, como se faz quando as pessoas têm febre, porque o calor era muito e eu sentia-me febril, mesmo com o ar condicionado ligado!

Começava a achar que nunca me livraria do sofrimento do calor e tratava mas era de me mentalizar para ele, como um tropa se prepara mentalmente para uma missão dura!

À hora que me levantei ainda apetecia andar por ali a passear, em redor do hostel, enquanto o pequeno-almoço era preparado!

O edifício é voltado para o rio, que fica do outro lado do caminho que é privado do hostel.

Constatei que andava a passear “pelo quarto de dormir” de uma série de caminhantes que dormiam ao relento, no relvado da berma do caminho do hostel! Constatei também que ali se dá guarida a todo o tipo de viajantes, entre mochileiros que dormiam ali na relva, caravanistas parqueados logo a seguir e gente como eu, muito mais comodista que preferi pagar 20€ e dormir duas noites numa cama de casal fofa, num quarto enorme, com televisão e ar condicionado!

E segui o curso do rio Moraca na direção do Skadarsko jezero, pois a fronteira com a Albânia fica lá pelo meio do lago!

Ao passear-me por ali ficava fascinada com o estado natural em que o rio se conserva, ninguém diria que estamos na capital de um país com uma paisagem destas!

E lá estava o lago Escútare ou Skadarsko jezero, o maior dos Balcãs, que é alimentado pelas águas rio Moraca e desagua no mar Adriático através de um outro rio.

A ruínha que escolhi para ir até ele era, no mínimo, original! Irregular, cheia de altos e baixos, areias e cascalho, de quando em quando, mas cheia de encanto também!

As perspetivas que ia tendo do lago eram encantadoras àquela hora da manhã, ainda com as brumas matinais a encher tudo de encanto!

A estrada nacional parecia uma autoestrada em comparação com a estradinha ziguezagueante que eu fizera!

Cheguei à fronteira da Albânia já a circular num autêntico inferno! O termómetro da moto não deixava de piscar nos 50º, o que queria dizer que não conseguia contar mais do que isso!
Eu já levava o lenço enfiado no vão do vidro para poder limpar a cara, no arranca e pára para passar a fronteira.

E o lago continua pela Albânia!

O lixo pelo chão começa logo ali, a 50 metros da fronteira, veja-se quando parei para ler o mapa do país na berma da estrada!

A estrada parecia uma reta sem fim com construções isoladas, muitas em mau estado e uma série de bombas de gasolina abandonadas, até chegar a uma cidade… uma população… um lugar, sei lá! Sei que era cheio de lixo, confusão…

A fazer lembrar uma cidade marroquina, com burros estacionadas na berma da estrada e tudo!
Nem parei, o calor era infernal, o ambiente cheio de pó e trânsito, de tal maneira que nem parei e poucas fotos tirei.

Segui para Shkodër que, apesar de ter uma “entrada” igualmente desordenada e desarranjada, tem um centro bem fofinho, perto da mesquita!

Eu estava a precisar muito de beber algo fresco e aquele ambiente foi o meu oásis!

Oh, quase me deixei desfalecer numa esplanada tão confortável, agarrada a uma enorme copada de sumo de laranja fresquíssimo!

A mesquita fica num jardim entre a zona trapalhona e a zona turística!

Foi esta cidade que deu o nome ao Lago Escútare que também é
“Skadar” “Shkodër” “Shkodra” dependendo da língua em que é pronunciado!

E segui pelos montes com o rio como paisagem!

Uma pena o lixo por todos os lados, mesmo quando não há casas por perto, ele está lá! O que destoa profundamente com a beleza das paisagens!

Parece que por aquelas terras a água tem sempre cores extraordinárias e quase irreais!

A minha ideia não era propriamente “catar” o país e sim ver como ele é, como são as paisagens, as pessoas, o ambiente! Porque se trata de um dos países mais pobres da Europa, onde grande parte da população é camponesa, e não existe muita informação sobre ele!

Encontrei ciganos, que me acenaram adeus quando parei para fotografar os seus cavalos a pastar selados, como se fossem partir a qualquer momento!

E recantos decrépitos, abandonados e cheios de lixo também…

Na berma das estradas viam-se tendinhas montadas com telhado de folhas de milho, onde miúdos assavam massaroca para vender aos transeuntes e, sobretudo, aos turistas.

Por aquela altura eu já estava morta de sede há umas horas, mas não havia nada onde comprar o que quer que fosse. Até que vi um larguinho na berma da estrada com uma fonte, onde uma série de pessoas lavava as mãos. Não resisti, dei meia volta e fui até lá, peguei na minha garrafa de água, há muito vazia e fui enche-la na fonte. Aquelas mulheres ficaram todas a olhar para mim, lavavam as mãos e a cara com sabonete que estava pousado na berma da fonte, que tinha a forma de dois golfinhos entrelaçados.
Quando olhei para a água dentro da garrafa, que desilusão, era turba!

Voltei-me para as senhoras e perguntei mais por gestos do que por palavras, se aquela água não se podia beber!
Responderam-me todas em coro “no, no, Bar, Bar!” apontando para o bar que ficava logo ali ao lado. Bolas, eu não tinha lekë, como iria pagar a água?

Fui até à moto, tratar de tirar o capacete e buscar euros a ver se conseguia comprar água! Estava eu nessa operação quando uma senhora vem do bar com uma garrafa de água gelada e ma oferece! Fiquei espantada! Fiz o gesto de quem pergunta quanto é, ela respondeu-me com um gesto amplo, com as mãos abertas, significando “nada”.

As pessoas em redor olhavam com satisfação, pelo menos sorriam para mim e para ela! Abri ali mesmo a garrafa e bebi quase metade, a água era deliciosa!

Agradeci mais uma vez, disse adeus àquelas pessoas tão simpáticas e segui o meu caminho tão satisfeita e enternecida “há gente tão boa por este mundo!”

As ruas que fiz eram pavimentadas mas parecia que tinham aluído, olhava-se de repente e não havia buraco algum, mas ao passar era necessário contornar pedaços literalmente engelhados de alcatrão!

Tal como na Bósnia vêm-se pequenos altares na berma das estradas, em honra de mortos em acidentes de viação!

Já andava atenta às estações de serviço há um bom pedaço, tentando encontrar alguma com o sinal de cartão de crédito, quando encontrei uma mandei abastecer e… quando fui pagar não aceitava cartão nenhum! Oh raios partam o azar! Claro que acabei por pagar em euros ou não sei como seria! O homem deu-me o troco em lekë, e eu que estava a sair do país fiquei com um nota para gastar!

Mais uns quantos quilómetros e estava a chegar à fronteira com a Macedónia. Bem, agora que tinha dinheiro fui mas é beber qualquer coisa antes de sair do país.

Pedi cerveja e água e ainda bem que não pedi mais nada porque um senhor que estava lá sentado numa mesa pagou tudo o que pedi! Puxa, aqueles albaneses são todos boas pessoas? Fui-me sentar numa mesa enquanto toda a gente olhava para mim com uma curiosidade simpática, já que sorriam para mim!

Ao despedir-me disse adeus a toda a gente e recebi um caloroso adeus com direito a acenos e tudo, enquanto alguns vinham até à porta ver-me partir!

Tenho de voltar à Albânia!

Logo a seguir à fronteira acaba o lixo por todos os lados!

A Macedónia foi também um país que apenas atravessei, estava demasiado calor para eu parar aqui e ali, mas deu para ver que é um país lindo que terei que visitar mais demoradamente um dia que volte àqueles lados.

Desta vez parei apenas em Ohrid, com o seu lago que prometia alguma frescura no inferno de calor que eu vinha a atravessar há horas!

Ohrid é a cidade maior na borda do lago com o seu nome. Ohrid, que em português é Ácrida, é uma cidade turística e simpática que só consegui visitar depois de parar junto ao lago e molhar os pés e as mãos e quase enfiar a cabeça dentro dele! Por momentos até a visão da água me pareceu quente, por momentos pensei que não seria capaz de me afastar dali para seguir para a Grécia. Fiquei ajoelhada na berma do cais, como os islâmicos fazem quando rezam, as mãos na água e a cabeça mais baixa que o corpo. A tensão arterial equilibrou e só então fui ver o povo, passear pelas ruas e beber algo bem fresco.

A cidade estava cheia de gente que se passeava com todo aquele calor! Nos jardins tem estátuas de tipos cabeçudos com ar de filósofos. Não consegui perceber quem eram porque a escrita deles é inteligível! Nem o abecedário é parecido com o nosso!

As pessoas comiam gelados sofregamente, eu limitava-me a carregar comigo uma garrafa de água… tenho sempre a sensação de que o gelado por ser doce me deixará ainda mais cheia de cede!

Achei curiosos os altares deles, ortodoxos, cheios de imagens e velinhas!

Quando voltei ao lago estava cheio de ondulação! Be diferente de quando eu chegara!

E voltei a enfiar os pés na água…

e deitei-me um pouco no jardim à sombra, com as pernas das calças todas molhadas e com uma enorme vontade de não me mexer nem mais um passo…

Mas o tempo iria começar a arrefecer um pouco e, animada por essa ideia, lá arranjei coragem para seguir o meu caminho até Trikala na Grécia, que ficava ainda a uma infinidade de quilómetros!

Se eu fico preocupada quando vejo uma vaca a olhar fixamente para mim, imagine-se o que sinto quando vejo uma manada a correr na minha direção!

A minha aventura com as vacas gregas apenas estava a começar! Elas lá passaram a trote por mim, o que não me impediu de parar e pôr o descanso à moto! Nunca confiar em bichos que são maiores que eu e a minha motita!

Cheguei tarde a Trikala mas, só lá é que entendi o quanto era tarde! É que eu não tinha reparado que a hora da Grécia é igual à de Istambul, o que quer dizer 2 horas mais tarde que aqui, e eu pensava que era só uma hora a mais!

Fui comer a um restaurante logo acima do hostel e fui tão bem recebida e servida que iria lá voltar nas noites seguintes.

Fui dormir, pressentindo os montes gigantescos em torno de mim. de repente a vontade que a manhã chegasse rápido era muita, mesmo sabendo que iria sofrer de novo com o calor, eu queria muito ver o que me envolvia naquele que foi um dos destinos impulsionadores desta viagem!

E foi o fim do 18º dia de viagem!