62 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Brugge e Bruxelas

30 de Agosto de 2012

Acabavam os meus dias por Brugge, a cidade encantada!
Como sempre faço, ao deixar uma cidade onde pernoitei, dei uma voltinha por uma zona onde ainda não tinha passado por aqueles dias. Claro que comecei passando na Grand Place, porque a minha rua ía lá ter direitinha!

É tão giro ver uma cidade pela manhã, quando se pode passar com a moto por todos os lados que ninguém diz nada!

Claro que não resisti a tirar uma foto com a minha Magnifica em frente ao grande campanário, para memória futura!

E fui na direção de uma torre fantástica que se vê de todo o lado na cidade, por ruelas e canais sempre lindos!

É encantador o ambiente de beleza que casinhas e canais formam, parece que cada recanto é um cartão postal!

E lá estava a grande torre!

A Onze-Lieve-Vrouwekerk , igreja de Nossa Senhora, é um monumento espantoso de que a gente avista ao longe, de qualquer ponto da cidade, a sua longa e curiosa torre que faz lembrar um foguetão imenso!

Aquela torre, totalmente construída em tijolo, tem 122 metros e faz da igreja o mais alto edifício da cidade e o segundo mais alto do país. Dizem que é a construção mais alta do mundo, integralmente construída em tijolos!

Admirável a beleza do edifício, de tão diferente do que costumo ver!

É uma igreja muito antiga, uma das mais antigas de Brugge, gótica, construída no séc. XII, embora contenha hoje diversos elementos decorativos posteriores

A sua nave foi construída com pedra de Tournai e a sua cor é inconfundível!

Extraordinária construção em tijolo de diversas cores!

O ambiente envolvente é lindo e sereno, como nas histórias de encantar, com aquele mar de luz na manhã!

A igreja é ladeada, em L, por um canal cheio de casinhas encantadoras!

Voltei a apaixonar-me por aquela cidade…

E segui sem parar em lado nenhum, apenas apreciando o prazer de conduzir de manhã, por estradas nacionais cheias de sol e verde, até chegar a Bruxelas!

Claro que eu não podia deixar de passar em Bruxelas!

Pus-me a apreciar os polícias em bicicleta, que havia muitos pelas ruas naquele dia, num trânsito confuso e meio arranca e para, que não me deixava ir para onde queria e, pimba, dei comigo a entrar na Grand Place de moto e tudo!

O que estava a acontecer por ali eram os preparativos para uma grande festa da cerveja!

Os polícias riram-se de mim quando perguntei como sairia dali com a moto, mandaram-me furar pelo meio da confusão e sair pelo outro lado, já que a ruela por onde eu entrara era sentido proibido para sair! Mas afinal o trânsito é proibido na praça e tem sentidos proibidos para sair!?!?

Nunca me tinha imaginado de moto em tal sítio! E lá fui andando devagarinho e pondo o olho e tirando umas fotos, claro!

Também nunca tinha imaginado ver a Câmara de Bruxelas com fraldinhas brancas por baixo!

Aquele edifício é considerado um dos mais belos do país e é fácil de ver porquê! É gótico do início do séc. XV e já esteve quase totalmente em ruinas, assim como toda a praça, quando a cidade foi bombardeada pelos Franceses, um século depois!

A Grand-Place é um espaço extraordinário rodeado por belíssimos edifícios do séc. XVII, mas com histórias anteriores que lhes foram dando origem.

Então, depois de fotografar um pouco da azáfama e confusão no solo, comecei a fotografar por cima de tudo aquilo, e os pormenores ganharam outro valor que não ganhariam em fotos panorâmicas!

Os edifícios da praça têm todos os seus nomes, mas eu só sei o de alguns! Não me dei ao trabalho de os descobrir todos! Sei que este é “la maison des Ducs de Bravant”!

Ao fundo da praça fica um grupo de edifícios de que sei o nome também!

Cá estão eles e chamam-se: Le Renard, Le Cornet, La Louve e Le Sac. Pode-se imaginar facilmente a qualidade de vida que ali se tinha na época, para se construírem tão magníficos edifícios.

E no meio, bem em frente da Camara (hotel de ville) fica a Maison du Roi, em gótico flamejante do séc. XV, que nunca foi casa de rei nenhum! Na realidade foi construída no lugar de um mercado de pão e acabou por ser usada pelo Duque de Brabante, o mesmo do palácio do outro lado da praça, e daí o nome… embora o homem não fosse rei!

Hoje funciona lá um museu que ainda hei-de visitar, onde estão as mais de 600 vestimentas do “Maneco mijão” como eu chamo ao “Manneken pis”. Aquilo por lá deve ser como o nosso Menino Jesus da Cartolinha, que toda a gente teima em vestir e encher de roupinhas!!

E lá fui eu, mais a minha motita, visitar o puto mijão mais famoso do mundo!

Não se sabe muito bem de onde vem a ideia da escultura e por isso foram aparecendo histórias, mas uma das razões porque é tão famosa é devido ao facto de ter sido repetidamente roubada e até destruída. Já foi roubada 7 vezes desde que foi fundida pela primeira vez em 1619!!

Há várias lendas sobre o miúdo e dizem que lhe vestem roupas diferentes de acordo com a previsão do tempo que é exposta num placard na grade, mas eu devo ter azar, vou sempre no verão, com sol e calor e o puto está sempre nu!

E o povo amontoa-se a olhar para ele e a tirar fotos! Eheheh

Ele é tão pequenino que se não for toda aquela gente ali a olhar, passa despercebido!

E como estamos na terra do chocolate e da bolachas waffles belgas, não podia faltar a publicidade com o puto!

Por acaso àquela hora ainda não estava muito calor e o cheiro não incomodava… ainda… porque da última vez que ali estive, deu-me náuseas…

Não aprecio chocolate mas acho piada ao que fazem com ele!

Depois fui dar uma volta pela cidade, vê-la de outros ângulos e descobrir coisas diferentes! E encontrei a igreja de Notre Dame du Sablon, mais uma igreja gótica…

muito bonita e que me chamou a atenção porque o moderno altar-mor deve ter sido lá colocado por um pedreiro estrábico!

Ora veja-se se alguém que não seja vesgo ou estrábico colocaria o dito altar de lado! Não seria suposto estar centrado? Ou faz parte da nova tendência decorativa assimétrica?!

Porque não há um livro de reclamações numa igreja? Se se presta um serviço público devia ser obrigatório, assim eu podia ter escrevinhado que o altar está de lado e que quem o lá pôs, provavelmente precisaria de óculos! Não?

Pelo menos as pendurezas no teto estão centradas e não estragam a beleza do conjunto de vitrais!

Já o escultor da Nossa Senhora, junto ao altar, devia ser meio míope ou de baixa visão, a considerar pela carantonha feia da Senhora….

Há tanta Nossa Senhora feia naquela terra que cheguei a pensar que foram todas feitas pelo mesmo escultor!

A igreja é bonita e uma das muitas que a cidade exibe!

O dia estava lindo e as pessoas eram giras nas ruas!

(continua)

61 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Lier, Antuérpia e Sint Niklaas

29 de Agosto de 2012 – continuação

Voltei à estrada, por nacionais e secundárias. As casinhas na berma das ruas valem a pena o percurso, como as casas com telhados em colmo!

Lier é uma cidadezinha interessante

com a rathaus e o seu campanário a parecer uma igreja!

Logo ali fica o rio… aliás em Lier passa-se uma “guerra de rios” que se juntam e formam um novo rio, que se vai juntar a outro mais à frente para formar um novo ainda! Xi!

Na realidade em Lier forma-se o rio Nete, da confluência de 2 rios: o Grote Nete e o Kleine Nete! Depois ele segue pela zona de Duffel e vai-se juntar a outro rio, o Dijle e formam assim o rio Rupel! Muita água corre por aquelas bandas!

Mas eu tinha era fome, por isso andei a espreitar uma boutique de comidinha (e tinha tanta e com tão bom aspeto!) e decidi comprar o meu “tacho” e pic-nicar no jardim! Que fixe!

Ao fundo da rua da comidinha fica a Gummaruskerk, isto é a igreja de São Gummarus, o padroeiro da cidade.

Uma igreja gótica de entre os séc.s XIV e XVI, que não visitei por dentro porque estava fechada e porque me apetecia mais comer que visitar igrejas!

Mas certamente é muito bonita por dentro, a considerar pela sua beleza exterior!

Toda a cidade belga que se preze tem uma Grote Markt, isto é uma Grand Place, tal como as espanholas têm uma Plaza Mayor!

E era na Grote Markt que a minha Magnífica estava a chamar as atenções!

Umas senhoras ficaram estupefactas quando eu me aproximei dela e me prepararei para partir!
“Trop grande, trop lourd!!” (demasiado grande, demasiado pesada!) diziam elas!
“Pas de probleme, medames!” (sem problema, minhas senhoras) respondia eu! Eheheheh

“Vous êtes une diva!” diziam elas apontando para a montra mais à frente! Fartei-me de rir, mas não deixei de tirar uma foto ao passar na dita montra!

E foi no meio do trânsito mais intenso que cheguei a Antuérpia, a segunda maior cidade da Bélgica e o maior centro de comércio de diamantes do mundo!

(Para se ter uma ideia, 50% dos diamantes lapidados e 80% dos diamantes brutos são comercializados ali para o mundo.)

Antuérpia era aquela cidade que eu queria visitar apenas pelo nome! Porque desde sempre este me despertou a atenção, talvez apenas pela sua sonoridade…

Cheguei à Groenplaats… uma praça que tem uma história curiosa! Até ao séc. XVIII ali era o principal cemitério da cidade, então, quando a cidade estava sob o domínio austríaco o imperador mandou retirar o cemitério para fora da cidade e construir no seu lugar uma grande praça. Daí o nome "Groenplaats", que quer dizer “praça Verde”!

E é uma praça toda animada, com montes de gente sentada nos bancos enfileirados, ao sol!

Depois começam as ruínhas mais estreitas e chega-se à catedral, com uma escultura muito interessante que lembra os pedreiros construtores do edifício!

Mesmo à porta estava esta “coisa” monstruosa e minúscula! O homem devia ser quase um anão, mal me chegava ao ombro!

E lá estava ela imponente e linda!

A Catedral de Notre Dame, gótica dos séculos XIV e XV, é o maior templo da Bélgica, com uma flecha de quase 122 metros. Está em restauro e naquele dia estava fechada…

Paciência! Logo ali fica a Grote Markt com a rathaus do séc. XVI, linda!

Esta Câmara Municipal é muito importante na arquitetura porque foi construída num estilo inovador na época, contendo ainda vestígios do gótico tardio (o estilo anterior) em partes do edifício. Na realidade foi o primeiro edifício a ser construído em estilo renascentista! A obra do seu arquiteto Cornelis de Vriendt viria a influenciar outras construções pela Flandres!

A Grote Markt, em Antuérpia, é uma praça extraordinária rodeada por lindíssimos edifícios do séc. XVI, alinhados, com as suas centenas de janelas a fazerem padrões.

A fonte de Brabo, em frente à rathaus, honra a origem da cidade, que segundo a lenda foi libertada pelo soldado romano Brabo, que matou o gigante Antigoon que aterrorizava os habitantes e marinheiros que passavam pelo rio Escalda, cobrando metade dos seus bens pela passagem. Quando o “imposto” não era pago ele cortava as mãos aos desobedientes! Um dia Brabo navegava pelo rio e recusou-se a pagar e desafiou Antigoon para um duelo. Venceu-o, cortou-lhe a cabeça e a mão e atirou para o rio e é nesta atitude que é representado hoje nesta escultura!

Gostei bastante da cidade e da sua animação, com gente por todos os lados mas sem que isso significasse qualquer tipo de stress!

Mais à frente, na praça Hendrik Conscienceplein, fica a St Carolus Borromeuskerk uma igreja barroca impressionante, construída no séc. XVII.

Grande parte da igreja, incluindo a fachada e torre, foi projetada por Rubens.

Os confessionários são espantosos! Apeteceu-me tanto entrar e sentar ali!

Infelizmente, a maioria do interior de mármore e 39 pinturas do teto de Rubens e outros artistas da época foram destruídos por um incêndio em 1718… hoje é assim

Eu nem sabia que Rubens tinha projetado parte de uma igreja!

E voltei para a minha motita, por ruínhas com coisas muito curiosas!

Para vir encontrar junto ao rio Escalda o castelo Het Steen (A pedra), a construção mais antiga de Antuérpia. Começou a ser construído em 1200 e passou por diversas mudanças, reformas e demolições. Hoje funciona lá o museu marítimo.

Foi com este castelo que se “construiu” a lenda do gigante Antigoon e do soldado romano Brabo e lá está o gigante numa escultura inspiradora, antes de levar uma tareia do romano e de ficar sem mãos!

Desta lenda e deste castelo surge o brasão da cidade:

Ainda dei uma vista de olhos pelo interior do castelo.

Há momentos em que parece um castelinho de brincar, com uma vista para a cidade interessante!

Estava lá dentro a decorrer uma atividade com miúdos e eu pus-me a andar, que farta de miúdos ando eu o ano todo! 😀

Estava a chegar um grupo de turistas que tinha ido visitar a cidade naquelas coisas curiosas de 2 rodas! Um dia vou-me meter a andar naquilo numa cidade qualquer a ver como é! Eles pareciam muito divertidos!

Despedi-me da cidade e segui caminho para Sint Niklaas!

Por ruas secundárias ladeadas por casinhas deliciosas onde apetecia mesmo viver!

Sint Niklaas quer dizer São Nicolau, esse mesmo, o do Natal!

E na Grote Markt, que lá também há uma e também é grande…

está o santinho em frente à rathaus, um edifício do séc. XIX muito interessante!

Uma escultura do 1997.

Achei piada ao cesto dos presentes com as crianças dentro!

E estava na hora de ir para casa.

As ruas secundárias naquele país parecem todas feitas naquela espécie de lajes de cimento, como as pistas dos aeroportos! E o aborrecido são as junções que fazem um “trec…. trec…. trec” ao passarmos por cima! Uma pena porque as paisagens mereciam sossego na condução!

A minha casa seria ainda em Brugge por aquela noite… Brugge com os seus moinhos junto aos canais, à medida que nos aproximamos da cidade!

E entra-se serenamente na cidade

Com as pontes levadiças que Van Gogh tanto representou nas suas pinturas, embora na Holanda!

Não há muitos fins de tarde tão bonitos como naquela cidade!

Pousei a minha Magnifica no seu recanto, onde dormiria mais uma noite, e fui confraternizar com o povo da pousada, que o dia fora longo e apetecia conversar, comer e beber!

E foi o fim do trigésimo primeiro dia de viagem…

60 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Laarne, Leuven e Mechelen

29 de Agosto de 2012

Era o meu 3 dia de explorações por aquelas bandas, peguei no mapa e desenhei um percurso composto de cidades que há muito queria conhecer, mais algumas coisas que me apareceram pela frente e outras ainda que nem valeram a pena parar!

Mas tudo é fantástico quando se anda na estrada por conta própria e completamente ao nosso gosto!

Uma coisa que gosto sempre de ver e saber é como vivem as pessoas! Não dentro de suas casas, mas em termos urbanísticos e arquitetónicos, como são as casas no campo, como são as estradas nacionais, o que têm de cada lado?

E descobri casas lindíssimas por todos os caminhos que fiz!

Segui para Laarne onde sabia que havia um castelinho do séc XII giro que eu queria ver de perto, e lá estava ele!

O Kastel Van Laarne que… estava fechado naquele dia! Descobri lá que só está aberto à quinta e ao domingo!

Eu queria vê-lo porque ele é um dos mais bem preservados castelos com fosso da Bélgica.

Como estava fechado poupei os 7€ e andei a passear pelos seus domínios, porque o portão estava aberto e ninguém me impediu de entrar!

O castelo foi alterado no séc. XVII, quando perdeu o seu ar defensivo, e preserva hoje características dessa época.

Nas antigas dependências de carros hoje funciona um restaurante, que áquela hora estava fechado.

Mas do seu jardim pode-se ver o castelo rodeado pelo fosso, que é um lago!

E segui para Leuven, que em português se diz Lovaina! Uma cidade universitária com um centro histórico muito interessante e que eu queria ver de perto! Estão a construir uma espécie de grande passagem inferior no meio da rua/praça principal!

Diz-se que a universidade de Leuven é a mais antiga universidade católica do mundo ainda em funcionamento, lá estudou “o nosso” Damião de Góis!

Logo ali à frente está o “Fonske” o estudante que jorra, (dizem eles) ciência para a cabeça! A mim pareceu-me mais cerveja, a considerar pela espuma que aquilo fazia!
Depois estamos na cidade berço de uma das maiores cervejeiras do mundo, na terra da Stella Artois!

A Catedral em gótico tardio, do séc. XV dedicada a Sint-Pieters é mais bonita vista de trás do que de frente!

Porque na realidade a sua torre sineira nunca foi acabada, depois de diversos azares, colapsos e falta de fundos para completar a obra, o que a faz parecer incompleta… e é!

Por dentro é a beleza gótica!

Na Grote Mark – Grand Place, a animação é constante, embora seja muito mais intensa em época de aulas, já que os alunos universitários aumentam a população da cidade, como acontece por cá em Coimbra, por exemplo!

E aí fica o edifício mais espantoso: a Rathaus da cidade!

Um edifício gótico lindíssimo, do séc. XV, que demorou 30 anos a construir e é considerado um dos edifícios mais belos em gótico tardio da Europa e uma das Câmaras mais famosas do mundo! Embora siga pormenores de outros modelos, como a de Bruxelas, não tem nenhuma torre alta.

É linda e impõe-se sobre tudo o que existe na praça!

Tenho de reconhecer que fiquei deslumbrada! Sentei-me numa esplanada e fiquei a admira-la longamente!

A universidade e a extraordinária biblioteca ficaram para uma próxima visita, segui para a minha motita. Nunca tenho a pretensão de ver tudo o que há para ver, prefiro ver bem o que me apetece no momento!

E voltei à estrada, para apreciar o que me fosse aparecendo até Mechelen!

Que também tem uma catedral gótica ou a Sint-Romboutskarhedraal, do séc. XV e também com a sua torre incompleta!

Lá dentro tem diversos elementos posteriores, tanto decorativos como estruturais, depois de destruições, pilhagens e quase demolição, a reconstrução introduziu elementos barrocos importantes.

E mantem-se imponente com a mistura resultante!

A sua torre parece decepada mas é bem visível pela sua grande dimensão, mesmo incompleta, pois tem 97 metros e comporta quase 100 sinos!

Na Grote Mrakt estavam a desmontar os restos do que devia ter sido uma grande festa!

E é lá que fica mais uma Rathaus extraordinária! Esta mistura 3 estilos: o gótico do séc XV, o gótico tardio e um “remate” barroco!

Uma cidade curiosa que não precisa de muito tempo para ser visitada!

E voltei a pegar na motita para seguir para Lier!

(continua)

59 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Brugge, a encantadora!

28 de Agosto de 2012 – continuação da continuação!

Brugge é um cidade encantadora onde apetece passear a pé, tirar umas fotos, parar numa esplanada, sem pressas, apenas apreciando o momento!

Uma cidade onde eu viveria feliz, porque é linda e é perto de tantas outras coisas lindas!

Uma cidade muito antiga e que é cidade há quase 900 anos, cheia de história e histórias pela história fora!

Para além de canais ela tem também lagos e parques e muitas zonas verdes como o Kon Astridpark!

Que tem até direito a uma grande igreja! Aliás parece que igrejas é o que não falta na cidade!

Dizem que Brugge é a Veneza do Norte, por causa dos muitos canais que cruzam a cidade… mas que me perdoe quem é fan de Veneza, mas Brugge tem coisas em que é mais bonita!

Permanentemente cheia de turistas, tem para oferecer todo o tipo de atrações turísticas e culturais!

A praça da Municipalidade é um dos centros da cidade com a sua Câmara gótica do séc. XIII, a mais antiga da Flandres.

Dizem que tem, na sua fachada, alternando com as 6 janelas, 48 nichos com estátuas!

Ao lado fica a Basilique du Saint-Sang – Basílica do Sangue Sagrado, um santuário românico do séc. XII. Diz a lenda que o Sangue Sagrado de Cristo foi trazido de Jerusalém para a cidade!

E as rendas!
As rendas são património preservado!

Desde o século XV, quando Charles V da Bélgica decretou que a renda deveria ser ensinada nas escolas e conventos das províncias belgas, que as técnicas rendeiras, além de não se perderem, se foram aperfeiçoando e tornando ex-libris de cidades, aldeias e do próprio país!

Rendas que já fizeram e dominaram a moda ao longo da história, como durante o renascimento.

A renda típica de Brugge é a renda de bilros, que é rara e acarinhada porque só pode ser feita artesanalmente! A mais procurada é a “Toveressesteek” – “Ponto de Feiticeira”, que requer entre 300 a 700 bobinas (bilros), e deve ser mesmo necessário ter poderes mágicos para não baralhar aquilo tudo e fazer uma rodilhice de fios!

Por vezes encontramos rendeiras que trabalham à entrada da porta de casa, para que os transeuntes possam apreciar a técnica!

E volta-se sempre à Grote Markt – Grand Place…

Já tinham retirado a bancada da frente do Campanário, já não haveria mais concerto de carrilhão!

Não iria voltar a comer mexilhões! Apetecia-me encher a barriga de porcarias, por isso fui à procura de uma casa de batatas fritas, onde toda a gente compra pacotões de batatas com molhos para comer sentados pelos muros na berma do canal!

Só faltava localizar o tal canal!
Era logo ali à frente!

Huuuum, há dias em que só uma coisa desta me serviria de jantar! Batatas fritas e espetadas! Delicia!

E então com o “Rozenhoedkaai” – O Cais do Rosário, como cenário, tudo estava perfeito! Aquele canal é o mais fotografado e desenhado da cidade!

Segui para mais uma voltinha pela cidade, até ficar noite!

Porque há recantos lindos por todos os lados, basta apenas passar e apreciar!

A vantagem é que se passeia por ali como por Amesterdão! Pode-se andar por todo o lado, pelo menos de moto, encostar e disparar mais uma foto, sem que ninguém stresse com a gente!

Na realidade estamos muito perto da Holanda e há pormenores que nos fazem pensar que até estamos lá!

Há diversas portas da cidade, esta é numa ponte muito bonita! Não passa trânsito ali, há um pino no meio do caminho, mas a minha motita passou!

A cidade é quase totalmente cercada pelo rio, o que faz com que este sirva de foço nas entradas antigas da cidade!

Então vi que o sol estava a preparar-se para se pôr em efeitos de laranjas e nuvens muito bonitos e saí um pouco da cidade na sua direção!

E vivi mais um momento de paz, deslumbrando-me com ele, antes de voltar para a pousada de juventude e me encher de cerveja com o povo!


E foi o fim do trigésimo dia de viagem!

58 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Oudenaarde e Gent!

28 de Agosto de 2012 – continuação

Fiz a curva no mapa e segui para Oudenaarde, uma cidade pequena que já foi grande na produção de tapetes! Uma cidade antiga com uma história longa e antiga, cheia de altos e baixos.

Fui recebida pela Sint-Walburgakerk, ou colegiada de St Walburga, uma igreja dedicada à padroeira da cidade! Uma igreja gótica do séc. XII, com um “chapéu” barroco no topo do campanário!

Pousei a minha Magnífica logo por trás da igreja e não tardou a fazer uma amiga igual a si! Senti um pouco de vergonha e pena por ela, pois estava mutilada, ao lado de uma menina lindinha e limpinha… mas depois pensei que não havia porque se envergonhar, já que a sua vida fora cheia e rica e isso cura qualquer orgulho ferido!

O que eu procurava era a belíssima Camara Municipal lá do sítio! Um edifício em gótico flamejante construído no séc. XVI. É nestes casos que os estacionamentos deviam ser arrumados para a periferia, mas na Bélgica encontraria muitos mesmo “em cima” dos monumentos, impedindo muitas vezes a completa visualização dos edifícios mais bonitos da cidade!

Alguns recantos encantadores são muito antigos por ali!

E fui andando para Gent, uma cidade que há muito queria visitar!

Gent é uma cidadezinha medieval encantadora onde tudo parece ficar no mesmo lugar! Dá-se a volta e encontra-se mais e mais coisas!

A Catedral de St Baaf nasce sobre uma primeira construção em estilo românico mas é renovada posteriormente em estilo gótico!

Curioso o jogo de cores de pedra que é usado no interior!

Na praça em frente as casas são deliciosas e perfeitamente enquadradas no conjunto!

Mais à frente, do outro lado da praça, fica o Beffroi, um campanário do séc. XIV que possui um carrilhão de 44 sinos conhecidíssimo nos Paises baixos!

É uma das três torres no centro histórico de Gent, com as da Catedral e da Igreja de Saint Nicolas logo a seguir!

E a seguir lá estava a Sint-Niklaaskerk que é o mesmo que dizer a Igreja de Saint Nicolas ou São Nicolau!

A igreja é um dos maiores e mais antigos edifícios da cidade e foi construído com pedra azul de Tournai. Diz-se que o seu estilo é “gótico de Tournai”!

Uma pena os fios dos trolleys por todo o lado a traçar os enquadramentos!

Depois há o rio Leie, com ar de canal, que atravessa a cidade e onde as pessoas se passeiam de barco ou a pé, ou ainda se sentam a curtir um solzinho da tarde que foi o que eu fiz também!

Ali é a Graslei, a área movimentada de comércio com edifícios remarcáveis, testemunhas da riqueza do local, ainda hoje!

E tudo parece ter sido desenhado para combinar com o que já existia por ali, em paisagens encantadoras e enquadramentos perfeitos!

E na outra margem do rio, e no extremo da ponte de Sint-Michiel, fica a Sint-Michielskerk, que é o mesmo que dizer Igreja de São Miguel, e que me atraía grandemente!

Algo de descomunal e exótico me atraiu, porque eu não vejo todas as igrejas que me aparecem pela frente! Apenas as que me atraem!

A construção, em gótico tardio, tem elementos posteriores muito importantes, devido aos diversos reveses e recuperações que sofreu, depois de incêndios, abandono, pilhagens e destruições deliberadas que quase levaram à sua demolição!

O interior é grandioso e os jogos de cores, entre a pedra e o tijolo, são harmoniosos e fazem pensar no que se teria perdido com o desaparecimento do edifício!

Pus-me a olhar para uma nossa Senhora que achei curiosa pela simplicidade e contraste com a parede de tijolo…

e fiz amizade com um senhor que estava ali sentado a desenha-la! Gosto muito de ver gente a desenhar, por isso pus-me ali no paleio com ele e ainda fiz uns sarrabiscos também!

E com a treta esqueci-me de fotografar a obra de Van Dyck que está lá numa parede, como se fosse um quadrozito de um habilidoso qualquer… apenas uma obra de um dos maiores pintores do barroco flamengo!

E voltei para o centro da cidade, do outro lado do rio.

Porque será que as grandes igrejas negras perecem mais colossais que as outras?

A minha Magnífica lá estava, discretamente encolhida junto com a biclas… a espantar olhos! Perguntaram-me pela centésima vez se estava tudo bem comigo, já que a moto estava partida…

Peguei nela e nem o castelo fui ver. Eu sei que o castelo de Gent é digno de uma visita, mas não me apeteceu, em contrapartida estava era a apetecer-me passear pelas ruínhas secundárias e ver o que passasse na minha frente, enquanto me dirigia para Brugge de novo, que já tinha saudades da bela cidade!

A perfeita imagem do paraíso, para mim, é encontrar ruínhas destas quando estou cansada da cidade!

Fui seguindo até Ooidonk, atrás de umas coisas e de outras, e encontrei um castelinho/palácio que me pareceu irreal à primeira vista!

Um dia vou passar pela zona e irei visita-lo por dentro, está na agenda! Mas naquele dia limitei-me a “roubar” enquadramentos!

E voltei para Brugge, aquela cidade que não me canso de visitar e onde é sempre um prazer passear!

(continua)