6 – Passeando até à Suiça – de Montpellier até Nice… cheia de receios!

*
*

3 de Agosto de 2012

O hotelzinho onde fiquei era muito simpático e o patrão estava mesmo preocupado se eu tinha quem me ajudasse com a moto, senão ele mesmo encontraria um stand da Honda para me levar lá!

Mas não foi preciso, o meu amigo Charles Formosa lá estava à hora marcada, mais a sua Pan, para me acompanhar ao senhor doutor!

Ao princípio a minha motita engasgou um pouco, mas depois parecia que nada se tinha passado no dia anterior! E eu acompanhei o Charles sem qualquer dificuldade!

De repente parecia que iria ver as entranhas à minha moto todos os dias!

E tudo para ouvir a mesma coisa! A moto não tinha nada! Tudo funcionava como um relógio, nem dava para perceber que era uma moto com tantos quilómetros!

Mas a minha preocupação mantinha-se! Que adiantava que ela não tivesse nada na frente de toda a gente se, mal se visse sozinha comigo, começasse a falhar de novo?

Não sabia o que fazer, se seguir para a frente, e continuar a viagem, se voltar para trás e acabar com as inseguranças! E diz-me o “manda-chuva” do stand: “Vá para a frente sem medo! Afinal vai andar em países civilizados, a qualquer momento se a moto falhar, chama a assistência em viagem e vai para casa, não sem antes ter feito pelo menos parte da viagem!”

O Charles era da mesma opinião, aliás ele reforçava a sua ideia de que a Magnífica chegaria ao fim da viagem sim senhor! E eu lá fui…

Já não é a primeira vez que eu tenho planos para explorar a zona da Provença e algo me impede de faze-lo! Começo a pensar que tenho de lá ir direta com a única finalidade de a catar de ponta a ponta ou acho que nunca a conseguirei ver como quero!

Ainda dei umas voltas pela zona industrial de Montpellier e pela entrada da cidade a ver se algo acontecia enquanto estava perto da oficina…

Nada aconteceu, era como se ontem nada tivesse acontecido!

Então apanhei a via-rápida e fui por ali fora cheia de cautelas, como evitar permanecer na faixa de ultrapassagem, pois a moto podia engasgar de vez e deixar-me no meio da rua!

Mas nada disso aconteceu…

Eu não gosto de viajar por autoestradas nem vias-rápidas, por isso acabei por sair em Aix-en-Provence…

A moto estava normal mas eu não me aventurei muito pelo centro! Apenas passei e segui o meu caminho junto ao Mont de Saint Victoire, o monte que Sezanne tanto pintou quando ali viveu!

Não tinha vontade de parar, nem de ver nada, apenas chegar a Nice e ter a certeza que a moto estava bem e que não me abandonaria! A Provença? Não faltarão oportunidades para eu a catar de ponta a ponta!

Cheguei a Nice e enfiei-me na pousada de juventude, que por acaso era bem divertida e com uma paisagem bem bonita!

Fiquei ali a conversar com uns e com outros, pois toda a gente ficava, primeiro surpreendida por eu estar ali de moto, depois por a moto estar partida! Ofereceram-me cerveja, e tive um serão de horas de paleio!

E foi o fim do 5º dia de viagem, com direito a comida japonesa e muita conversa!

5 – Passeando até à Suiça – de Andorra la Vella a Montpellier

2 de Agosto de 2012

É simplesmente delicioso acordar na montanha com o sol alegre e vistoso! Antes de partir para mais longe eu queria ir a Andorra la Vella comprar o meu perfume que deixo sempre para comprar lá pois cá custa o dobro do preço! Depois seguiria pela montanha, sempre por estradinhas secundarias para França.

Não há grande coisa para catar em Andorra la Vella, quando já se passou por lá tanta vez, mas os montes envolventes são muito acolhedores! O meu Patrick (GPS) dizia-me que não faltavam estradinhas aos SS por ali acima e por ali abaixo. E foi assim a minha voltinha matinal! Deliciosa, sem me afastar da cidade

Há gente que tem o privilégio de viver com uma paisagem destas, todos os dias, do lado de fora das suas janelas!

Tal como em todos os Pirenéus, tanto espanhóis como franceses, Andorra tem igrejas românicas lindíssimas!

Esta Igreja de São Miguel de Engolasters é das mais conhecidas de Andorra, é românica do sec XII e é super “mimi”! Muitas das pinturas e murais destas igrejas pirenaicas estão no Museu da Catalunha em Barcelona, incluindo as desta igreja. Foram retirados para que não se deteriorassem mais e no seu lugar foram colocadas réplicas, por isso as igrejas não estão despidas!

Mais acima um bocado fica o lago de Engolasters, um lago muito bonito que fica lá em cima a mais de 1600 metros de altitude!

A gente vê as placas e vai subindo e vai-se questionando se há mesmo um lago no topo do monte! E há mesmo!

E forma um autêntico espelho de agua!

O comércio estava aberto quando desci do monte, por isso foi só comprar o perfume e seguir o meu caminho. Segui para França por Espanha por estradas cheias de paisagens e pormenores lindíssimos!

Belver de Cerdanya lá ao fundo!

Segui um pouco pela Route des Cols que, como o nome indica, é de subir e descer, curvar e chorar por mais!

E segui para Villefranche-de-Conflent, que eu queria visitar desde que passei por ali, no ano passado ao regressar da Escócia, e vi uma autêntica romaria de gente às portas da cidade!

A cidade muralhada é medieval e está muito bem conservada. Foi construída em mármore rosa e foi sendo restaurada e mantida ao longo dos séculos.

Acima da cidadela fica o Fort Libéria, que não visitei… uma coisa que eu aprendi é que não se sobem longas escadarias em viagem ou será muito duro conduzir depois, com os músculos espalmados!

No interior das muralhas há um ambiente de férias! Muitas lojinhas de tudo, muitos turistas e as ruas cheias de gente!

Há recantos que se têm de visitar sem ninguém ou não se conseguirá ver o que o local é, para além dos turistas por todo o lado!

Ainda dei umas voltas por terras próximas, mas nada se aproxima do encanto de Villefranche, por isso segui para onde o interesse me levava!

Continuava por “caminhos de Santiago” e o Monasterio de San Miguel de Cuixá é um exemplar fantástico neste percurso, desde a idade média!

Azar dos azares… estava fechado! Então dei-lhe a volta, comi dos pêssegos do seu pomar, estavam meio verdes mas eu gosto assim! E tirei fotos do exterior, pois então! 😀

As aldeias na encosta do monte sempre prendem a minha atenção!

Enquanto eu me dirigia para Limoux atravessando a Retenue de Vinça, uma represa que proporciona imagens interessantes!

A ideia é sempre sair dos caminhos cheios de carros e gente, normalmente as alternativas são deliciosas ruas estreitinhas com paisagens para mais tarde recordar!

Esta é uma imagem do paraíso, para mim, quando ando em viagem!

E cheguei a Limoux, uma cidade que eu tinha curiosidade de conhecer desde 2009, quando perdi o meu GPS e vim de Carcassonne até Andorra comprar outro. O nome Limoux estava por todo o lado, mas eu não tinha condições de pensar sequer em visitar a cidade!

Desta vez tirei as dúvidas, é uma cidade interessante sim! Com a sua Pont Neuf do Séc. XIV sobre o rio Aude, muito bonita!

E a catedral, ou Igeja de Saint Matin do sec XII, muito bonita, embora enfiada no meio de um transito que devia passar mais longe…

Achei piada à grande pia de agua benta, que fiquei sem saber se não seria a pia batismal, dada a sua grande dimensão!!

O que mais me arrelia quando tento fazer uma panorâmica de uma cidade é o facto de haver sempre uma grua a lixar tudo!

E segui para Carcassonne que conheço bem e sabia que ficava ai bem perto!

Estava muito calor e eu não me quis meter pela cidadela cheia de gente!

Preferi explorar novas perspetivas das longas muralhas que envolvem a cidade e proporcionam enquadramentos lindíssimos e o rio Aude!

Nesta altura o calor já era muito, não se estava bem em lado nenhum, havia muita gente por todo o lado e tudo o que me apetecia era andar para arrefecer, mas a motita começou a querer falhar!

A princípio pensei que era apenas impressão minha, já no caminho me parecera senti-la desacelerar em andamento, mas logo a seguir não se sentia mais nada! Mas desta vez parecia que algo a iria impedir mesmo de andar!

Eu afastava-me já da cidade quando ela começou a soluçar! “Valha-me Deus! Querem ver que vou ficar sem moto? ” Eu dava-lhe um pouco de embraiagem e ela não ia abaixo, mas logo a seguir engasgava de novo! Parei junto ao um grupo de polícias que estava numa sombra a monitorizar um radar (pois, isso também há lá por todos os lados!) perguntei por uma oficina Honda. Para a frente não haveria nada, teria de voltar para Carcassonne.

Indicação de uns e de outros, um senhor numa estação de serviço deu-me um mapa e fez nele o desenho do percurso até à Honda, do outro lado da cidade “vá depressa que aquilo fecha cedo!”
Lá encontrei o que procurava e cheguei a tempo!

A moto não tinha nada! A única coisa que podia ser era impureza na gasolina. “mantenha o deposito cheio e reze para que seja apenas água, porque se for impureza, vai voltar a engasgar!

Mal enchi o depósito, deixou logo de falhar! Milagre, siga para Montpellier!

Já nem parei em mais lado nenhum, apenas para pôr gasolina, pois não deixei mais o deposito chegar sequer a meio… mesmo assim, ao chegar a Montpellier, voltou a soluçar, cada vez mais, cada vez mais forte até ir abaixo à porta do hotel onde iria dormir aquela noite!

“Obrigada fofinha, já que tinhas de ir ao menos fizeste-o no momento certo, já não fico por aí stressada na rua!”

Em Montpellier eu iria encontrar-me com o meu amigo Charles, que acompanhou algumas das minhas crónicas no meu blogue, sobretudo a de Marrocos. Como eu não podia mais ir até casa dele, veio ele até ao meu hotel. Fui jantar a sua casa, conhecer a sua esposa que tão simpaticamente cozinhou para nós. Amanhã iriamos à Honda ver o que a Magnifica tinha. Ele tem uma Pan igual, não haveria problemas, estava entre amigos!

Fim do quarto dia de viagem

3 – Passeando até à Suiça – Saint Jean-Pied-de-Port – Lourdes – Jaca

*
*

31 de Julho de 2012

Foi só ao segundo dia que eu comecei a relaxar um pouco! A motita parecia-me bem, não havia porque não fazer os caminhos que sempre gosto de fazer em viagem! Gosto de estradas secundárias, ruelas e caminhos, desde que tenham um piso razoável, que a minha Magnífica é desenrascada mas não é uma Trail!

Então engrenei pelos Pirenéus como tinha planeado, havia por ali uma ou duas coisas que eu queria ver desta vez! Digo desta vez porque outras vezes lá passei e deixei muito o que ver ainda!

Eu gosto das ruinhas onde quase só caibo eu e a minha motita!

E cheguei a Saint Jean-Pied-de-Port, uma cidadezinha muito pitoresca e acolhedora, que já foi a capital da província Basca da Baixa Navarra!

Em Saint Jean Pied de Port, convergem as três grandes vias do Caminho de Santiago no território francês, de Paris, Le Puy e de Vecelay (Chemin de Saint-Jacques des Pyrénées-Atlantiques) e isso é visível pelo centro de apoio e pela igreja de Nossa. Senhora.

Da ponte sobre o rio Nive, junto à torre da fortificação, a paisagem é muito bonita

Logo ali ao lado estavam duas esbeltas senhoras… por momentos eu teria pegado em qualquer uma delas e seguido caminho! Mas só me restava continuar com a minha Magnifica mutilada, pois então!

Esta foi a primeira cidade “fofinha” que visitei nesta viagem, que foi recheada delas!

Aquilo estava cheio de gente, não sei como consegui tirar fotos sem ninguém! Acho que estava tudo a ir para as esplanadas encher-se de cerveja, pois estava muito calor!

Eu também fui, mas tirei as minhas fotos antes! Eheheh

E depois de uma bela cerveja fresquíssima (estava gente ao meu lado a por gelo na cerveja! Nunca tal tinha visto!) segui pela montanha, ali mesmo ao lado os caminhos são super acolhedores!

As vaquinhas andavam por todos os lados! Uma coisa que me stressa um pouco! Nem quero imaginar o que seria de mim se uma embirrasse com a minha Magnífica!

Mas isso nunca aconteceu! Ainda vem que a minha motita é silenciosa, assim nem chegou a assustar ninguém à sua passagem!

As paisagens são deslumbrantes!

Aqui eu andava a testar a luminosidade do ambiente e as aberturas da máquina, por isso há céus meio pálidos e outros um pouco intensos demais!

E lá estavam mais vaquinhas no monte!

Nesta viagem vi vaquinhas de 7 ou 8 nacionalidades diferentes! Curioso que me parece que falam todas a mesma língua: língua de vaca, será?

Conheço-a estufada com puré e gosto muito!

Mesmo com as vacas por perto não resisti a parar por ali, no meio de nada, com ninguem à vista e fotografar e desenhar e estender-me na erva… é tão bom sentir a liberdade de nada fazer, apenas curtir o momento!

Mais à frente eram as ovelhas, taaaantas! Aqui na zona onde vivo chamam-lhes “mecas”! eheheheh

Não sei como não desmaiavam com o calor e toda aquela “roupa” em cima! Curioso, será que as ovelhas desmaiam?!

E as paisagens sucedem-se sempre fascinantes!

Decidi ir passear por Lourdes, era muito cedo para ir para casa e eu queria lá ir, por isso não deixei para o dia seguinte, embora fosse passar lá perto…

Fui por caminhos “travessos” e cheguei lá apanhando a Basílica de um angulo diferente! Gostei muito!

Como em Fátima o recinto está sempre cheio de gente!

O sítio onde se queimam as velas parece um crematório de tanta coisa que arde ao mesmo tempo!

“Cette lumière prolonge ma prière”

“Esta luz prolonga a minha oração”

Ali se juntam, num único conjunto, três construções próximas da Gruta de Lourdes: a Basílica da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário e a da Cripta.

A minha paciência nunca me deixou ficar na fila para me aproximar da Nossa Senhora… ok, da sua estátua!

Ao longe o conjunto é imponente!

Desta vez visitei a Basílica do Rosário, que fica mesmo cá em baixo junto ao recinto.

Das vezes que lá passei, ou estava fechada, ou reservada a doentes!

E fui-me embora para Jaca, que já me apetecia afastar de tanta gente!

Ainda ponderei ir lá acima ao Château-Fort… mas não fui, não me apetecia caminhar mais!

Fui mas é para casa, encher-me de comida, beber uma litrada de agua, que o calor seca a gente!

Naquela noite a minha casa era em Jaca!

Fim do segundo dia de viagem…

39 – Passeando até à Escócia – De Avignon até Ordino!

31 de Agosto de 2011

Não tinha o destino marcado, isto é, não tinha dormida marcada para a noite seguinte, por isso simplesmente fui dar uma volta pela cidade e depois iria descer pelo mapa abaixo e decidir pelo caminho onde iria ficar!

Avignon… a primeira vez que ali passei foi apenas pelo nome! Lembrava-me a obra de Picasso “Les demoiselles d’Avignon”e fui lá apenas por isso! Afinal este nome evoca uma das obras mais notáveis e importantes do pintor, que marca o inicio de um novo estilo (o cubismo), viola todas as regras e leis da representação figurativa até à data e é verdadeiramente espantosa…

Avignon… é uma cidade cheia de história, verdadeiramente surpreendente e algo misteriosa pela diferença! As ruas são ruelas intrincadas, cheias de sentidos proibidos que nos fazem realmente circular pelo centro histórico!

De repente encontra-se uma praça com um monumento qualquer, depois de se sair, como uma rolha, de uma infinidade de ruinhas! Encontrei a Torre de Saint Jean, ali sozinha no meio da praças apertada entre os edifícios. A torre é o que resta dos vestígios de uma antigo convento dos Hospitaleiros de Saint-Jean-de-Jerusalém, do sec XVI.

E anda-se por ali, de ruela em ruela, até se encontrar outra “clareira” no meio do pouco espaço que cada quarteirão tem!

Então encontrei o Palácio dos Papas!

Avignon foi durante muitos anos a residência dos Papas, a cidade, aliás, foi propriedade da Igreja de Roma e dos Papa durante vários séculos!

O Palais des Papes é um edifício espantoso! Só é uma das maiores e mais importantes construções góticas da Europa!

A praça em frente é descomunal perto do aperto de toda a cidade!

Ao lado fica a Catedral de Notre Dame dés Doms, com origem no sec XII

O conjunto é verdadeiramente monumental! Tenho de me dispor a passar ali uma tarde e visitar tudo por dentro!

Depois de uma volta labiríntica pela cidade chega-se ao rio onde fica a ponte de Avignon que é afinal a Pont de St. Benezet, do sec XII

As muralhas da cidade, bem conservadas, construídas na época em que os Papas se mudaram para a cidade.

Depois engrenei pelos caminhos mais improváveis que encontrei, a França profunda é encantadora!

Até chegar a Narbonne, mais uma cidade onde eu passara muito tempo antes e que não chegara a conhecer direito… linda, com o seu Canal de la Robine a fazer risca ao meio!

Aproveitei para me encher de comida boa de novo! Ah aqueles mexilhões são uma delicia!

A cidade é simpática mas fecha as estações de serviço ao almoço!!!
Fui a 2 e à 3ª nem pensei mais, pedi a uma senhora muito simpática que me pusesse 30€ d’essence na barriguita da minha motita! Eu não iria espera 2 horas que aquilo abrisse! 😉

Narbonne fica já na província de Langdoc tem uma história cheia de estórias interessantes e está ligada a um canal surpreendente, que quero explorar um dia destes num “Passeando pelo Canal du Midi”! eheheh

Para já contentei-me em visitar o Palais des Archevêques e a Catedral,

o acesso à catedral faz-se pelo palácio

A Cathédrale St-Just-et-St-Pasteur do sec XIII

Esta é mais uma cathedral que se visita em silêncio…

Engraçado que as pessoas não faziam barulho, mesmo quando estavam a conversar à porta!

A Place de l’Hôtel de Ville em frente ao Palácio tem um pedaço de ruína romana no centro!

e voltei à estrada ainda a decidir para onde iria!

Ao ver os montes chegarem, no entanto, não tive mais duvidas de onde queria ir! Iria passear pelos Pirenéus e dormir em Ordino, no Hotel dos meus amigos!

O que eu gosto de passear pela montanha!

O tempo ameaçava chuva, eu vesti o fato e nada me perturbaria! Enquanto há visibilidade não há mau tempo que perturbe um passeio pela montanha!

Pas de la Casa apareceu então ali ao lado, ainda uns dias antes ali estivera! Já vai sendo habito passar por lá todos os anos, mas desta vez foram duas e seguidas!

Então decidi ir pelo Col de Ordino, que já queria fazer da última vez que ali passara, mas a configuração da rua não era inspiradora para principiantes! Agora que estava sozinha é que era o momento certo!

E sobe-se, sobe-se e passa-se por cima de todo o caminho que se faz normalmente!

E as paisagens são muito mais interessantes por ali!

E fui recebida amigavelmente num ambiente simpático e acolhedor, onde quero voltar brevemente…de novo!

Jantei divinalmente e bebi um vinho óptimo, que me acompanhou pelo serão!

Fim do 26º dia de viagem!

38 – Passeando até à Escócia – De Dijon até Avignon!

30 de Agosto de 2011

Dijon foi sempre uma terra que eu quis conhecer, à força de a ver passar nas minhas andanças e de nunca ter podido parar para visitar! Coisas de quem quer aproveitar todo o tempo para outras terras e esquece as que ficam pelo caminho! Mas desta vez não me escaparia!

Da janela do meu quarto podia ver o pátio do Centro Internacional de Dijon onde pernoitara. Uma pousada a lembrar uma cidade universitária!

O pequeno-almoço era “contabilizado”… não acho muita piada a isso, gosto de comer o que me apetecer, pois é de manhã que carrego as baterias para o dia todo e acordo sempre cheia de fome!

Lá fui toda contente explorar a cidade, muito bonita e pitoresca

Pousei a minha Magnífica mesmo à beirinha desta igreja espantosa! A igreja de Notre Dame de Dijon, um exemplar gótico extraordinário, com uma fachada diferente de tudo o que eu vira até ali!

Uma construção do sec XIII muito bonita!

A igreja fica no centro histórico da cidade, por isso não teria de pegar na moto para o explorar!

As casinhas de madeira estão por todo o lado, perfeitamente integradas em fileiras de construções mais recentes. Em volta da igreja tudo é bonito!

O teatro estava muito giro por aqueles dias! Tinha “peúgas” coloridas enfiadas nas colunas que lhe davam um ar jovial!

A Catedral de Saint Michel, renascentista mas com reminiscências góticas, o que a torna única!

Curioso o buraco sobre o portal que permite olhar por dentro de uma espécie de campânula!

A cidade é tão confusa quanto encantadora, numa mistura de estilos que se justapõem, desde o medieval até aos dias de hoje!

Na Place de la Liberration fica o palácio dos duques de Borgonha, onde funciona o Museu de Belas Artes, a visitar um dia…

Praça Francois Rude no centro da cidade, reorganizada no inicio do século passado, encantadora!

A Route de la Liberté, que leva até à Place de la Liberration, cheia de bandeiras. Gosto tanto do efeito das bandeiras!

E ali à frente estava a feira! O que eu gosto de feiras!

Esta gente tem feira 4 vezes por semana, adicionando o mercado, não sei de que vivem as lojas!

Estava na hora de seguir viagem…

Para voltar a parar em Lyon, uma cidade que não visitava há mais de 15 anos!

Lyon é uma das maiores cidades de França e fica já na zona do Ródano-Alpes, a mesma de Genève e o rio que atravessa a cidade é o mesmo que atravessa Genève!

A Cathédrale Saint-Jean-Baptiste de Lyon estava em obras, nem pude ver a sua fachada!

Ao lado estão as ruínas de uma cidade romana, que foi sendo destruída ao longo do tempo para recuperação da pedra para outras construções.

Pelo meio dos edifícios via-se a Basilique de Fourvière que eu queria visitar, mas apenas depois de ver outras coisas cá em baixo!

A praça da catedral só tinha paisagem para o outro lado, já que esta estava toda embrulhada!

A catedral é muito bonita! Com uma origem Românica foi sendo construída por alguns séculos e adquirindo características do estilo seguinte, o Gótico!

Lá dentro pode-se ver um relógio astronómico muito bonito.

O relógio é do sec XIV e indica a data, a posição da lua, do sol e da terra, assim como as estrelas acima de Lyon. É construído sobre de acordo com o conhecimento da época, que afirmava que o Sol girava em torno da Terra.

Várias vezes ao dia uma série de bonecos mecânicos movem-se e retratam a Anunciação.

A zona onde fica a catedral é muito interessante e pitoresca, é sempre, em qualquer cidade! Cheia de ruínhas estreitas, com cafés e esplanadas e casinhas curiosas, como o Museu das Miniaturas!

Fica no bairro antigo de Saint Jean, chama-se Museu das Miniaturas e Decorações de Cinema e podem-se ver lá dentro mais de 100 miniaturas de cenários e situações quotidianas.

Lyon é a cidade onde os irmãos Lois e Auguste Lumiére inventaram o cinema e algumas destas decorações são das primeiras que se usaram para os primeiros filmes

Cá fora as ruínhas são deliciosas

Fui comer qualquer coisa que, em França, a comidinha vale sempre a pena!

E fui lá acima, finalmente, visitar a Basilique de Notre-Dame de Fourvière.

Aquela basílica é espantosa, desde o local em que está construída, uma colina onde existiu um fórum de Trajano, até à arquitectura do edifício, uma espécie de inspiração bizantina!

É um edifício recente, do fim do sec XIX, grandioso e muito bonito!

Tem uma cripta surpreendente, dedicada a St. Jean

Depois sobe-se à catedral em si e é espantosa!

Lá de cima pode-se ver toda a cidade!

Inclusive a esplanada onde eu almoçara e de onde via a basílica!

Lyon foi a capital da Gália no Império Romano e pode-se ver no bairro de Fourvière, um complexo importante de ruínas da época.

com 2 anfiteatros paralelos, um maior e um menos. Aqueles romanos já tinham, ao nosso estilo, “salas paralelas” a funcionar em simultâneo, como os nossos cinemas?

Este (o menor) tem um chão composto por diversos tipos de mármores coloridos vindos de sítios longínquos! Os tipos tratavam-se bem!

E a partir daqui a minha viagem foi feita de recordação…
Engrenei por um caminho que fizera há muitos anos, aquando do regresso da minha primeira grande viagem internacional…

Naquele dia a minha casa era em Avignon, onde eu estivera muitos anos antes, cheia de espanto e alegria por sentir tão de perto a liberdade de explorar o que se me deparava no caminho…

Fim do 25º dia!