12. Passeando por Marrocos – Ouarzazate

Mais uma noite bem dormida, mais uma vez uma mala para fazer e cá em baixo, mais um óptimo pequeno almoço nos esperava e muita animação, a animação de quem quer ver mais!

Os porta-chaves dos quartos eram muito giros! Curioso como se liga tanto aos pormenores!

Juntando vários, fiz uma Ouarzazate pequena ! Gira!

O grupo era fantastico! À hora marcada estava tudo pronto, pequeno almoço tomado, malas cá em baixo, motas prontas e toca a andar! Nunca se esperou por ninguem!

E “bora” lá ver a cidade!

O Museu do Cinema

E os viajantes todos, mais as respectiva montadas!

Claro que depois fomos fazer umas comprinhas… aliás… fomos negociar umas comprinhas!

Eu nem sou uma compradora compulsiva, mas a realidade é que apetece trazer montes de coisas giríssimas que lá há, para casa!

11. Passeando por Marrocos – chegando a Ouarzazate


“O Marrocos profundo foi uma surpresa permanente!

As casa, quase sem janelas, confundem-se com a paisagem, tudo parece ter a cor da terra, dos montes, do chão… À primeira vista não há nada, só depois se começa a vislumbrar algum pormenor, quando o olhar se habituou…

Por vezes, apenas num olhar, conseguem-se reunir “no mesmo postal” um pouco de quase tudo o que há para ver: deserto, planícies cheias de beleza, montanhas únicas e árida e montanhas nevadas!

É certamente um país de contrastes, em termos de paisagens!”

Continuamos o nosso caminho. Curioso como se fazem murais nas paredes, aqui era uma estação de serviço, que nem estava ainda pronta, mas já tinha as paredes pintadas!

E estávamos a chegar a Ouarzazate, a Hollyood do deserto.

Estas construções são deliciosas, se estivesse sozinha tinha parado um milhão de vezes para fotografar umas e outras e outras ainda! Lindas!

Ouarzazate é mais uma cidade das mil e uma noites e o que se vê na net não faz justiça ao que lea é!

Um dia que eu lá volte, tenho de me lembrar que quero ficar ali um dia inteiro, pelo menos!

Desta vez as motos não ficaram dentro do hotel, mas quase! Ao lado da porta era tudo nosso, em cima do passeio, onde podia estar uma esplanada!

O hotel era novo e o meu quarto era giro!

Tinha uma vista simpática sobre aquela zona da cidade!

Do meu duche podia ver a cidade!

Depois fomos jantar, os famosos “couscous” que eu adoro!

Discutia-se sobre “os coucous prestam ou não prestam”…

A verdade é que, normalmente prestam e são muito bons, mas ali… nem por isso! Os meus estavam óptimos, pois fui das primeiras a servir-me… Os meus amigos Diamantino e o Filipe é que não acharam muita piada…

10. Passeando por Marrocos – as Gargantas do Todra

Depois daquela experiência maravilhosa nas dunas, adormeci como uma anjinho, no caminho de regresso ao hotel! Ainda bem que assim foi, pois eu não gosto nada de andar de carro e por aqueles caminho (trilhos) aos SS no meio de lado nenhum com uns saltos à mistura, eu iria enjoas se não tivesse adormecido!
O meu pretendente (era um tipo engraçado e brincalhão) ainda correu um pouco atrás da minha motita para vir comigo!

Serviu para toda a gente se rir um bocado e iniciar mais um dia de viagem em boa disposição!

De repente sentia-me no meio de um filme, com as tendas dos nómadas ali mesmo à beirinha!

E havia poços e movimento por ali. Turistas que espreitavam, acho que as pessoas são bem recebidas!

Foi quando não pude evitar de para e tirar umas fotos com as minha Magnifica junto da areia!

Que bem que ela ficou!

Parece mesmo que está nas dunas, mas está apenas na estrada junto da areia

O nosso “moto vassoura”, que parava cada vez que eu parava também teve direito a foto!

Depois de quilómetros e quilómetros de burros e borregos a pastar vimos camelos a pastar!

A paisagem foi mudando lentamente

Onde há água há verde!

Apenas um fio de água separa o deserto do oásis!

A paisagem é cada vez mais montanhosa e diferente

Chegavamos às Gorges de Todra… o Atlas alto, um paraíso para o todo-o-terreno certamente, mas um paraíso para quem não pode ir mais longe também!

Aquilo é tão grandioso que eu nem sabia bem como captar toda a dimensão da paisagem!

As construções, simplesmente parecem casinhas de brincar perto da dimensão do “pedregulho”!

E a água que corre, límpida e rápida… contínua!

Vem desta “pocinha” que não é alimentada por riacho algum!

Simplesmente a água surge debaixo para cima, enchendo-a permanentemente! A nascente não será longe!

E sentimo-nos ali, nas entranhas do mundo, embora estejamos a uma altitude considerável!

Tomamos uns sumos refrescantes, para limpar o pó das gargantas. Em Marrocos todo o sumo de laranja é bom!

Estavam sempre a chegar jeeps e motos, cheias de pó!

Não falta quem venda qualquer coisa por ali, recordações ou mesmo tapetes e materiais de grande dimensão

E seguimos viagem…

Há burrinhos tão pequenos por ali que até custa a crer que possam com toda a carga!

E fomos almoçar, que isto de viajar faz fome!

Não se comeu mal! Pelo menos eu gostei bastante!

O restaurante que tão bem nos acolheu e que, logo a seguir, estava a receber mais motociclistas

A vilazinha era curiosa! Tinha uma série de paredes pintadas, o que era bem agradável para quem passava!

Murais bem pintados e limpos! Ninguém os vandalizara! Lá não existe a mania do “gosto muito mas tenho de estragar”!

9. Passeando por Marrocos – Nascer do Sol no Deserto

Começamos a pensar ir ver o sol nascer e se depressa o pensamos mais depressa o fizemos! O que custou mais foi levantar da cama às 3,30h, mas tudo bem. Parece que o despertador foi o mesmo para todos, pois chegamos todos bem na hora.

Depois de um caminho que nenhum de nós conseguiu vislumbrar no meio de nada e de luz nenhuma chegamos onde havia gente!

O nosso guia, que no dia seguinte me quereria comprar com uma série de camelos

Mas nada disto era visível aos nossos olhos tal era a escuridão! Apenas o flash das maquinas nos iam mostrando o que nos rodeava!

E a lua lá em cima meio encoberta

Será que o céu ia estar encoberto e não veríamos o sol nascer?

Sentimos as nossas montadas aproximarem-se na escuridão, vi-as apenas numa ou noutra flashada

São simpáticos os bichinhos, sentam-se para a gente montar, o nosso guia explicava como se fazia, mas uma coisa é ver outra é fazer… outra ainda é conseguir equilíbrio lá no topo quando o camelo se levanta!

Claro que há sempre quem pareça ter nascido em cima de um camelo, só para ns fazer sentir desajeitados e medrosos!

A sensação de caminhar em cima de um camelo… bem não eram camelos, eram dromedários, porque só tinham um bossa… então, a sensação de caminhar em cima de um dromedário, no meio da escuridão da noite, tendo apenas como ponto de luz uma lua meio encoberta é surreal!

Chegamos ao ponto, que para nós era mais uma vez no meio de nada, onde paramos. Subimos à duna bem alta e sentamo-nos no topo, lá bem no vértice onde ela volta a descer vertiginosamente. Os nómadas sentaram-se perto de nos.

Apenas um falava francês e tirou-nos uma fotografia, sentadinhos como putos lá em cima

Eu também lhe tirei uma a ele

E o sol nasceu para nós!

E quando o sol nasce e se faz luz… de repente percebemos que não estamos sós!

Nada sós mesmo!

Ele há gente, dromedários, jeeps, hotéis e tendas….

O deserto está cheio de gente!

E conseguimos ver, pela primeira vez a real cor da areia!

Tenho de mostrar os nossos amigos de dia, pois eram tão giros!

Este dizia “hello”

este mastigava chiclete

este apenas me olhou de lado e nada disse

Este era o meu, já tínhamos conversado tudo na viagem

Este não quis conversa comigo!

e pusemo-nos a andar. O meu dromedário parecia uma avestruz visto de cima!

Aqueles ali somos nós!

Eles andam pela crista da duna, em filinha!

As minhas vizinhas de trás

E eu, como não podia auto-fotografar-me, fotografei a minha sombra e do meu bichinho!

Aqueles “riscos” na areia, são tubos que transportam agua para o deserto onde os nómadas vivem.

E as dunas eram fabulosas…

E a areia acaba e começa o “cascalho” assim, como se de uma manta se tratasse!

Se eu não tivesse ido ao deserto naquela noite teria perdido um pedaço precioso de paraíso…

8. Passeando por Marrocos – Atlas Médio até Erfoud

Escrevia eu em viagem:

“O Atlas…nada do que pesquisei antes me preparou para o que estou a ver e a viver!
Fala-se de uma cordilheira e tal… quantas cordilheiras já vi e percorri? O Atlas não tem nada a ver com nenhuma e por vezes parece-se com todas! O Atlas ficará na minha memória pela sua beleza insólita, onde o deserto é tão diferente e variado em relação ao que eu tinha imaginado!
De repente começamos a passear sempre acima dos 1500metros de altitude e não se sente, não se imagina tal, se não fosse o meu Patrick dizer-mo, nem tal me passaria pela cabeça!
E o deserto está cheio de gente! No meio de lado nenhum há um grupo de homens a conversar, varias manadas de burros, borregos ou camelos a pastar, miúdos a brincar!
Aquela sensação de que o deserto é um vazio de areia, cascalho e horizonte não é totalmente certa… porque certamente há sempre alguém por ali! Uma “mobilete” que se arrasta na estrada infinita, uma bicicleta decrépita… as casas não podem ser longe!
Então no horizonte, uma linha verde se vislumbra, no solo! Tiro fotos, será uma miragem? À medida que nos vamos aproximando a linha verde torna-se num sulco, longo e gigantesco, uma fenda capaz de albergar um oásis aparentemente infinito! Um rio de palmeiras, serpenteia entre os montes a perder de vista e a vida pulula lá em baixo! Terrenos cultivados, casas e quintais, ruínhas e pessoas… há tanta vida no deserto!
E depois de tanta aridez aquele verde é tão mais verde!”

E de repente, no meio do silêncio da vastidão da paisagem, entramos numa terrinha cheia de gente!

Os nomes das cidades (vilas ou aldeias?) aperece frequentemente escrito na encosta de um monte

As estradas não estavam em muito mau estado, mas houve momentos em que a erosão arrastou terra e cascalho para o asfalto

Nada que os valentes viajantes não conseguissem ultrapassar e me ajudassem a passar também! Obrigada Carlos!

Depois foi o momento de para abastecer estômagos

Ali ninguém pode ser muito esquisito! Às vezes os aspecto das coisas nem corresponde ao seu sabor…

mas aquela caçoila já devia estar no lixo há anos!

Também estamos a falar de um povo prático que faz das dificuldade facilidades! Ainda não entendi como eles conseguem transportar todo o tipo de animais lá em cima das carripanas, com tralhas e pessoas à mistura!

E continuava o paraiso!

Um rio implica uma localidade, vida movimento

e começa-se a ver, lá ao fundo, uma linha verde…

e começam a parecer palmeiras e verdura

e um Oasis de perder de vista!

Os nómadas recebem os viajantes nas suas tendas, são simpáticos e conversadores.

Gosto da tenda! Dormiria confortavelmente lá uma noite!

As motitas lá fora

O conforto cá dentro

A atmosfera não estava limpa nem nitida, o ar não estava carregado, no entanto… o que turvava o horizonte era areia!

E o sol converteu-se num ponto luminoso para além da nuvem…

E chegamos ao hotel no inicio de uma tempestade de areia!

Começou o sonho de ir ver o nascer do sol nas dunas…