2. Rússia 2015

Cucu!

E está em andamento a minha nova aventura

Depois de vários estudos e contributos de amigos mais especialistas do que eu em matéria de design, a minha bonequinha vestiu-se de novo para viajar. E desta vez a sua decoração é toda inspirada na Honda Portugal, que a vai apoiar nesta viagem!

Há uma equipa por trás da minha bonequinha desta vez:

De vermelho: todo o pessoal da Mototrofa;
de branco: o patrão da Honda Portugal
e de preto… eu!

E a decoração final da minha bonequinha ficou assim:

E de pertinho:

Cá em casa é tudo Hondas, 2 motos e um carro, todos juntos a confraternizar, até que a minha menina se vá por mais de um mês e a motita do moçoilo fique sozinha com apenas um enlatado para conversar!

E já foi apresentada a sua novíssima decoração a outras amigas e seus donos!

Acho que toda a gente gostou!

Da Honda Portugal a reação foi muito simpática:

“Olá Bom dia,

Acusamos recepção do seu email que desde já agradecemos.
Parabéns pela decoração e ‘roupagem’ da sua moto que está muito bem.
Diria mesmo com uma imagem ‘muito Honda’ que lhe cai que nem uma luva
Votos de uma boa viagem com muito e bons quilómetros

Cumprimentos”

Estamos felizes, eu e a minha Ninfa!

1. Rússia 2015

No princípio houve um desenho… há sempre um, no princípio!

Tenho um mapa pendurado numa das paredes do meu escritório, um de uma das minhas recentes viagens, porque na porta do grande armário tenho aquele que me acompanhou na minha primeira viagem pela Europa, intocável e a lembrar-me de como foi tão possível realizar aquele sonho, assim todos os outros o serão também.

E nesse mapa, o da minha parede, estão todos os países que eu quero visitar, mais dia, menos dia.

E tudo parece tão possível olhando para ele!

E no Google maps esse primeiro desenho ganhou vida e dimensão, tornando-se em distâncias reais e mensuráveis. Esse primeiro desenho está na base do que realizarei no final, na base de tudo o que surgir a seguir, na minha vida.

Foi este desenho que a Honda Portugal viu e gostou e por ele me vai seguir:

2015 Russia

Inicio de um novo caminho….

Cucu!

Espero que tenham apreciado minimamente a crónica da minha ultima viagem, que se tornou longa e demorada porque outras coisas, algumas relacionadas com viagens, me foram prendendo o tempo e a atenção!

Se a apreciaram, ou se nem a leram, sempre podem voltar a ela e relê-la pois haverá tempo, dado que não haverá próxima crónica!

Sim, haverá próxima viagem, mas não haverá próxima crónica, porque da próxima viagem surgirá um livro… assim, se quiserem saber novidades terão de esperar que ele seja escrito, paginado, impresso e comercializado, e garanto que não se deverão desiludir, considerando que não será um livro de viagens comum.

Ok, nada em mim é muito comum afinal, mas esse livro será à minha maneira, nada terá a ver com uma crónica e será recheado de desenhos, aguarelas e fotografias, a ilustrar “estórias” mais do que história!

Vamo-nos vendo por aí, enquanto desenho a próxima viagem…

42. Passeando por caminhos Celtas – Bulnes… antes de regressar a casa…

1 de Setembro de 2014

E este era o meu ultimo dia de viagem, o dia em que eu iria embora, aquele em que a minha casa, ao fim do dia, seria mesmo em casa.

Há sempre uma vontade de voltar e rever o meu canto, o meu moçoilo, parar e nada fazer para além de apreciar o estar! Mas há sempre também uma enorme vontade de continuar, de seguir explorando, descobrindo. É tão difícil lidar com a sensação de urgência, de necessidade de continuar fora do banal e da rotina do dia-a-dia…

O meu mapa seria o mais simples e menos criativo, como um ponto final pode ser…

Estava fresquinho ali em cima, mas eu tomei o pequeno almoço cá fora, com a minha motita como companhia e a paisagem inspiradora a alegrar a minha despedida!

Sotres estava particularmente solarenga e colorida, o que era uma inspiração para a minha ultima passeata por aqueles montes!

E de novo a estrada serpenteante, desde o topo dos montes, me fez querer continuar a conduzir eternamente pela montanha.

Cabrales lá ao fundo…

Mas eu não iria embora já, eu queria subir até Bulnes antes de partir e, demorasse quanto demorasse, eu iria faze-lo!

Antes de ser construído o funicular, o acesso à aldeia lá em cima era difícil, por caminhos irregulares e nem sempre acessíveis. Mas agora tudo é simples!

Entra-se naquela espécie de autocarro em degraus…

E sai-se lá em cima, junto da aldeia!

Uma pequena placa anuncia o nosso ponto de chegada!

“Bulnes (La Villa), como aparece designada na placa que nos recebe quando chegados ao pueblo vindos do funicular, é uma aldeia encantadora a mais de 600 metros do nível do mar, com a montanha gigantesca a servir de paisagem e protecção! E, para lá da montanha que fica mesmo em cima, fica o Naranjo de Bulnes, imponente, como uma entidade que tudo vê, tudo observa, lá em cima. Este pequeno pueblo já foi o mais isolado de toda a Espanha mas agora conta com o funicular que se tornou uma ponte tão pratica e bem-vinda, para turistas, alpinistas e habitantes. E foi nele que eu subi até ao paraíso. A calma e a paz tomou conta de mim mal cheguei lá acima, e a vontade era de ficar, caminhar, escrever, desenhar… fechar os olhos e reter para sempre aquela sensação. Subi um pouco o monte, nunca poderia ir até ao Naranjo, mas podia ficar lá em cima mais um pouco, no meio de vacas e riachos e ruídos feitos de silencio como só a natureza sabe fazer…”

(in Passeando pela vida – a página)

A aldeia é um encanto, com ruinhas estreitinhas e casinhas que parecem de brincar!

Passeei por ali sem qualquer pressa, afinal as coisas bonitas não têm tempo para ser apreciadas!

Pormenores que enchem de encanto o que já é encantador!

Tem ali mesmo, na berma do riacho, um restaurante lindo e eu decidi que iria almoçar ali. Seria o meu local de despedida da aldeia e da viagem, depois eu iria para casa contente e com uma belíssima memória!

Mas antes eu iria subir o monte!
Não muito, mas iria subir enquanto me apetecesse subir, para ver e ficar um pouco pelo caminho a apreciar o momento!

As perspectivas da aldeia eram sempre encantadoras, sobretudo quando me afastava e ela ia ficando para trás… lá para baixo…

O caminho é empedrado, o que facilita a sua descoberta no meio da vegetação e a sua escalada.

Mas à medida que ia subindo ele ia ficando cada vez mais torto e escavacado! Alguém andava a revirar as pedras que o calcetavam!

A subida ingreme valia a pena, pela paisagem que ia proporcionando e pela paz do silêncio que me permitia experimentar.

Sentava-me na berma do caminho e olhava em volta. Havia casitas pela encosta, refúgios ou apenas casebres de armazenamento de materiais, que tornavam o enquadramento perfeito!

Fiz zoom e percebi que eram mesmo casinhas habitadas!

Eu não tinha água nos meus pinceis de reservatório, uma falha minha que não os enchera lá em baixo, mas podia ouvir o restolhar da água por ali. Se a água fosse limpa poderia enche-los com água da montanha!

Lá estava ela! Não era muita, podia-se ver que o pequeno lago habitualmente suportaria muito mais água, mas o verão ia adiantado por isso já se perdera muita!

E sim, era bem limpa e sem impurezas! Eu podia encher os meus pinceis sem temer que alguma poeira entupisse a passagem da água do reservatório para o pincel em si!

Ora com os pinceis prontos já podia fazer umas aguarelas simples por ali!

Então eu vi de novo o Naranjo!

E enquanto olhava para ele um avião completou o quadro com uma linha branca. Que coisa bonita!

O pico é verdadeiramente impressionante!

Ouvia chocalhar perto de mim, no meio do silêncio da montanha, uma vaquinha pastava placidamente.

Vaquinhas de alta montanha que escalam os caminhos e lhes reviram as pedras! Entendi de repente quem dava cabo do caminho que eu vinha percorrendo!

Ouviam-se chocalhos mais em baixo e mais alem, havia vacas a pastar por ali sem que eu entendesse de onde vinham ou para onde iam!

E as suas pegadas de repente tornavam-se tão obvias por entre as pedras do caminho!

Comecei a descida, não tinha interesse em ir muito mais longe pois não iria caminhar até ao pico nem voltaria para Sotres por ali. Eu iria voltar a Bulnes, comer e descer o funicular!

Varias grupos de pessoas começavam a subir quando eu estava já a descer. Deviam ficar intrigados questionando-se de onde vinha eu de chapéu e blusão debaixo do braço, quando todos os que encontrei subindo iam equipados com roupas próprias para caminhar!

E, tal como decidira à chegada, fui almoçar, tudo aquilo a que tenho direito por aquelas terras, onde se come tão bem!

As mesas na esplanada são encantadoras, com flores por perto e o riacho a correr ao lado.

Havia gente do outro lado a comer sandes e eu não tive inveja nenhuma delas, pois o meu menu prometia ser bom!

A minha ultima refeição de viagem era composta por entradas de patê com tostas e vinho! Trouxeram-me uma garrafa inteira de vinho só para mim!!!

Depois uma bela fabada asturiana!

E foi só aí que me lembrei de fazer uma (tão na moda) selfie!

A seguir veio carne com batatas. Valha-me Deus, aquela gente não parava de me trazer comida!
E por fim ainda tive direito a sobremesa e café e não me apetecia andar, só rolar…

Não sei quanto tempo fiquei ali a curtir uma barriga cheia de comida, até que me obriguei a levantar da mesa e ir embora!

O funicular fica por ali, no meio dos montes…

E desci sozinha, àquela hora as pessoas queriam subir, não descer!

E fiz-me à estrada, sem vontade de parar em lado nenhum!

Afinal se eu tinha de voltar para casa, que fosse logo, não valeria a pena andar a catar as proximidades, pois essas eu cato a qualquer momento!

Cheguei a casa cedo, o moçoilo esperava-me na garagem para me dar as boas-vindas e me tirar as ultimas fotos da viagem.

A minha motita, mais uma vez, portou-se muito bem nesta viagem, sempre fiel e amiga, agora ficaria sem malas a dormir na sua casa depois de mais de um mês de estrada.

E eu cheguei ao meu escritório a tempo de ver o pôr-do-sol na minha janela…

E foi o fim do ultimo dia de viagem…

Cheguei a casa depois de:

34 dias
16.500 km
15.600 fotos
850 litros de gasolina
1.250.50 € em gasolina
629 € em dormidas
244€ Ferrys
Despesa total: 2.615.48 €

O que me faltou?
Um pouco mais de tempo para explorar tanta beleza que tive de deixar para trás!

O que sobrou?
Encantamento ao percorrer terras antigas cheias de lendas e vestígios de um passado que me fascina, como é o celta.

O que valeu a pena?
Tudo valeu a pena, porque depois das chuva os céus são lindos e límpidos e as nuvens da Escócia contrastam de uma forma deslumbrante esse azul…

O que teria dispensado?
Alguns momentos de frustração que a chuva provocou, quando começou a interferir com o mp3 e com a maquina fotográfica!

O que me apetece dizer ainda?
Esta viagem foi deslumbrante e variada o suficiente para ter deixado uma sensação de que ficou muito para ver!

Adeus e até ao meu próximo regresso à estrada!

41. Passeando por caminhos Celtas – Passeando pelos Picos da Europa

31 de agosto de 2014

Eu queria tanto ficar ali por muitos dias…

O albergue fica no extremo do penhasco onde fica o pueblo, acima dos 1000 metros de altitude e com o precipício tão perto quanto deslumbrante. Podem-se ver algumas casas da aldeia mais à frente e apetece ficar, relaxar, aproveitar o tempo para escrever um pouco, talvez desenhar…

Mas não dava mais, eu tinha de partir, o mês de agosto estava a chegar ao fim e no dia seguinte eu iria para casa. Felizmente o tempo ajudava, com um sol radioso e uma temperatura amena, que desceria a pique ao anoitecer, mas tudo bem.

A cada vez que passo eu visito os Pico da Europa e, à semelhança do que faço em sítios onde passo muitas vezes, escolho uma parte diferente para passear e, desta vez, a minha estadia em Sotres tinha como intensão levar-me a reviver caminhos que não fazia há tanto tempo! Há tanto tempo que ainda os fiz de Africa Twin, percorrendo trilhos e catando caminhos cheios de beleza.

Sem uma trail eu não poderia meter-me por trilhos, mas podia explorar ruelas em caracol a pique que eu conhecia e era o que eu estava determinada a fazer: levar a minha motita até ao topo dos montes e rever picos que são para mim “velhos amigos”.

E sem querer ir muito longe, apenas me deixando ir, a quantidade de coisas que eu veria naquele dia!

No albergue estava alojado um motard que meteu conversa comigo na noite anterior. Era espanhol, já não me lembro de onde, e não queria ir a lado nenhum, não gostava de nada do que eu gosto, não via interesse nas coisas que me moviam e apenas viera até ali para fazer quilómetros.

Fiquei a vê-lo preparar-se para partir, imaginando o que eu faria naquele dia se tivesse a moto dele à minha disposição!

Eu não tinha pressa nenhuma, tinha o dia inteiro para passear e a minha motita leve e sem tralhas para me acompanhar, tudo o que eu precisava para ser feliz!

Apenas o caminho desde Sotres até ao mundo real cá em baixo já era um deslumbramento em cada curva!

Difícil seguir quando o que apetece é parar e fotografar cada pedaço de caminho!

Então, de entre as ruinhas sem pavimento, lá apareceu a que eu queria, estreitinha, cheia de curvas e com um piso aceitável para a minha bonequinha poder subir!

Era a estrada do paraíso!

Com uma sequência extraordinária de curvas em cotovelo a inspirar a condução!

Então eu vi-o!

Parei a moto mesmo ali e fiquei a aprecia-lo!

Ao tempo que eu não via o Naranjo de Bulnes e lá estava ele, imponente e tão visível como poucas vezes está!

Sentei-me na moto e desenhei…

Ali acima fica um mirador. É tão bom caminhar por tão impressionantes caminhos sem um milhão de turistas a perturbar o silêncio!

Como um altar onde se pode venerar a natureza, é o que aquele, e outros miradores por ali são!

Deslumbrante!

“O Urriellu Picu, ou Naranjo de Bulnes, é aquele pico extraordinário no coração dos Picos de Europa que se impõe, como se de gente se tratasse, sobre nós! Majestoso, não é o ponto mais alto daqui da montanha, mas é seguramente o mais mítico. E basta olhar para ele para se entender porquê. Fiquei ali a olha-lo como se fosse a primeira vez que o via. A montanha sempre tem esse efeito sobre mim. Tenho de o rever amanhã, antes de me ir embora, em tom de despedida.”

(in Passeando pela vida – a página)

Simplesmente não conseguia tirar os olhos dele!

E voltei a desenhar!

Que tempo inspirador estava! Um céu azul intenso sempre inspira para fotografar e desenhar!

Inspiração para explorar caminhos duvidosos mas que a minha bonequinha ainda vai conseguindo fazer!

E quando se vai aos Picos há sempre um ou dois pontos de passagem obrigatória!

Covadonga, uma rápida passagem, só para ver se está tudo no mesmo sítio!

Pelayo, o primeiro rei das Asturias, a quem chamam o primeiro rei de Espanha!

Ainda espreitei na igreja mas é proibido fotografar e quando me proíbem de fotografar a vontade que tenho é de voltar as costas e sair, e foi o que fiz!

“Diz a lenda que Nossa Senhora de Covadonga ajudou Rei Don Pelayo a vencer os mouros que atacavam e dominavam o norte de Espanha com um exército muito superior ao seu. Pela sua fidelidade e fé, Pelayo recusou-se a submeter-se e estava condenado a ser vencido, quando a terra tremeu e se abriu e engoliu boa parte do exército inimigo! Ele foi coroado rei das Astúrias, o primeiro e o seu quartel-general durante os tempos conturbados de guerras foi a gruta “suspensa nos rochedos”, onde hoje está a capelinha da Senhora de Covadonga. Olhando da rua, a capela ela lá em cima, numa reentrância escavada na montanha escarpada e vê-se o movimento permanente das pessoas que fazem filas para a visitarem e rezarem. Ali começou a reconquista da Península Ibérica aos Mouros, estávamos no início dos anos 700, bem antes da nossa nacionalidade!”

(in Passeando pela vida – a página)

Outro ponto de visita obrigatória é Cangas de Onis, com a sua igreja tão característica e o monumento a D. Pelayo na frente!

Ali não havia impedimento a fotografias. Eu nunca entendo muito bem porque não é permitido fotografar o interior de determinadas igrejas, parece que uma foto rouba algo ao monumento! Desde que não se use flash, nada se perde numa foto!

A igreja é recente, de meados do séc XX, e é consagrada a Nuestra Señora de la Asunción.

E logo ali fica o mercado que estava cheio de vida e de coisas boas!

Oh, o que eu me fartei de comer por ali enquanto catava todos os recantos e bancadas! Aquela espécie de empadas e bôlas de carne e de tudo, acompanhadas por uma boa cerveja, com uns pedacinhos de queijo que me iam oferecendo para eu provar, foi uma alegria!

Depois veio a ponte, tinha de vir! Incontornável a visita! Não sei quantas vezes já a visitei, nem quantas vezes já subi ali acima, mas naquele dia eu estava particularmente interessada em ficar um pouco junto dela.

Acontece-me frequentemente ao chegar a casa sentir que devia ter aproveitado mais um momento e, ao voltar a passar, corrijo o erro! E foi o que fiz, sobretudo porque queria fazer alguns desenhos e, da última vez que ali estive não estava sozinha, por isso não pude faze-lo!

De cima da ponte a paisagem é interessante! Ninguém imagina que a ponte é tão alta e que se consegue ver tão longe lá de cima!

Eu iria explorar aqueles lados a seguir, o Camin da la Reina, depois de explorar melhor a redondeza da ponte!

Aos pés da ponte há rochas com fartura para a gente passear, que estão frequentemente repletas de gente a fazer poses para a fotografia, com a ponte como cenário de fundo. Típico!

“Chamam-lhe ponte Romana mas ela denuncia traços posteriores, pode ser uma remodelação/reconstrução de uma ponte anterior e daí venha o seu nome! A Puente Romano de Cangas de Onís é como que o ex-libris da cidade, impossível passar e ficar indiferente! Da última vez que lá passei dei-me ao requinte de a viver bem de perto, passei-lhe por cima, desci ao rio Sella, passeei-me por baixo, pelos rochedos acessíveis, e admirei os seus encantos em todos os ângulos. É uma ponte admirável num ambiente encantador!”

(in Passeando pela vida – a página)

Mas eu queria ir para o outro lado, o lado que ninguém vê e onde ninguém quer ser visto!

O Rio Sella é muito bonito ali, tal como eu me lembrava e tal como eu precisava!

Sentei-me e ali fiquei, primeiro sem fazer nada, apenas a apreciar os encantos da envolvência…

A ponte vista deste lado é muito mais encantadora do que do outro, porque não se vê ninguém, aos magotes lá em cima a espreitar para a fotografia. Deste lado ela está só e linda!

Procurei um sítio menos frontal, gosto de ver as coisas em ângulos inspiradores…

e desenhei!

Fiquei ali tanto tempo, fiz vários desenhos, comi o resto das empadas e do queijo, acabei coma cerveja e só depois é que me fui embora.

O Camín de la Reina tem origem num caminho romano e deve o seu nome à Rainha Isabel II que o percorreu um dia a caminho de Covadonga! Começa logo a seguir à ponte e passa por 2 ou 3 pequenos povoados muito fofinhos!

E fui eu andando, parando e desenhando mais um pouco, aqui e ali!

Eu adoro aqueles espigueiros!

O rio, sempre encantador acompanha boa parte do percurso, tendo até uma central eléctrica algures numa encruzilhada, entre o voltar à estrada principal e o continuar pelo monte acima.

Claro que eu continuei pelo monte acima!

E quase pelo monte abaixo também, com a rua a desfalecer aqui e ali!

Que importa se as ruas têm saída ou se eu vou ter de voltar para trás a qualquer momento? Importa o que eu vou vendo e vivendo!

Então segui para Riaño que aquele embalse sempre me fascina!

“Eu nunca tinha visto o Embalse de Riaño tão vazio, talvez porque passe por aqueles sítios sempre no início da primavera e desta vez era já o fim do verão. Não sei! Mas a sensação foi de inteira novidade! A água era mais baixa, os montes eram mais altos e aquele leve toque de desolação provocado pelo vazio conferiu àquele reencontro um sabor de espanto, que não seria de esperar considerando a quantidade de vezes que já ali estivera antes. É sempre assim, nada está realmente visto para sempre, há uma emoção em cada visita que a faz ser única de novo!”

(in Passeando pela vida – a página)

Riaño é sempre um pueblo encantador, com os montes impressionantes como pano de fundo, esmo se o embalse está em baixo!

E a ponte, de repente, parecia tão alta! Uma sensação curiosa ver tudo de novo e ser como se fosse tudo novo!

O regresso a casa não tinha de ser pelo meso sitio, por isso atravessei o parque natural em direcção a Caín. Eu não iria até lá, mas iria curtir uma paisagem extraordinária e diferente do que vira durante o dia!

Tão relaxante passear pela montanha, tão gratificante sentir todas as variações de temperatura, todas as nuances dos odores da terra! Tão gratificante tudo por ali…

Era ali que eu viraria para casa…

“Não há nada que perturbe a serenidade de uma estrada de montanha, quando não há mais ninguém a percorrer o mesmo caminho que eu. E não há duas montanhas semelhantes, mesmo quando elas se erguem em altos muros de pedra bruta, a pique, a partir do chão, há algo no que vejo e sinto que me leva para os Alpes, algo que me traz para os Picos. E eu passeava por caminhos de Caín, como quem passeia pela primeira vez pelo paraíso, mesmo sendo caminhos tão conhecidos, tão já percorridos. Há sempre algo de novo na beleza, algo nunca visto, que faz com ela valha a pena reviver e revisitar…uma vez e outra…”
(in Passeando pela vida – a página)

E cheguei a casa que naquela noite seria ainda em Sotres…

E foi o fim do… penúltimo dia de viagem… amanhã eu iria para casa, para minha casa!