Glasgow – 22 de Agosto de 2011

Já fiz de tudo!

Já dei voltas à cidade…

já dei voltas a Edimburgo…

Hoje fui dar mais voltas às highlands, foi muito giro, pude falar com as pessoas que iam comigo, pude conhecer o condutor do furgão, brincar e rir… mas tinha sido tão mais bonito de moto!

Estou cansada de esperar, da incerteza sobre como vai ser o fim da história, d prisão em que estou!

De repente compreendo onde reside a minha independência! Ela está na capacidade que tenho de sair por onde quero, estar se me apetece, não ir se assim me dispuser!

Essas minhas asas que são rodas, ou rodas que são asas é que me dão esta dimensão que tenho e sinto quando saio do meu canto pelo mundo fora!

É o que vejo sim, o que me faz andar por aí em viagem, mas é também o que eu sou quando estou em viagem o que me faz vir e eu sou o que sou com a minha moto ao meu lado, sem ela tudo perde piada… de tal maneira que apenas aqui estou porque há a hipótese de ela voltar a andar, porque se tivesse de continuar noutro meio de transporte, já teria voltado para casa!

Nunca esperei um dia com tanta ansiedade e apreensão como tenho esperado o dia de amanhã…

que não seja uma espera em vão…

Glasgow – 19 de Agosto de 2011

Como pode isto acontecer com a minha motita?

Depois de tantos quilómetros na maior paz eis que algo lhe falta, algo rebenta dentro dela e ela quer andar mas não pode! Não sei o que falhou nem sei se tomei a melhor decisão ao manda-la arranjar cá, em vez de a fazer transportar par Portugal pela Assistência em Viagem… mas há o problema das condições em que ela seria transportada, há o tempo de espera para que tudo seja resolvido, há o problema de ter de a arranjar de qualquer maneira e há o que teria de pagar para a voltarem a montar para a enviarem para casa!

Há tanto tempo que queria cá vir e agora que estou cá, tudo parece conspirar para me impedir de ir, de ver, de continuar! É a frustração total, como se tivesse uma amiga no hospital, no momento melhor da viagem!

Hoje de manhã comprei um trolley, pus as minhas coisas dentro e fui visitar a cidade, como fazem as pessoas normais que não andam de moto. Foi a melhor coisa que pude fazer, senão teria andado por aí cheia, de sacos e saquinhos às costas! Relaxei! Ainda não sonhava que ela não ficaria a andar hoje!

Depois fiz o quilometro que separa o Hostal do stand Honda Victor Devine, cheia de ilusões, pegar nela, amarrar o trolley no banco de trás e partir sem mais demoras! Mas ela ainda está ligada às máquinas em coma induzido… e assim ficará até virem as peças para transplante!

Voltei ao hostal, havia lugar para mim e cá vou ficar hospedada à espera de novidades…

Espero voltar a partir terça feira…

Espero!

Passeando pela Inglaterra!

Depois de uns bons quilómetros passeando pela Inglaterra uma sensação se mantém, o cinzento do céu e o verde da terra são uma constante!

Ainda não sei muito bem onde Londres falha, mas há qualquer coisa na cidade que me desagrada, essa falta de compreensão e de locais para se parar uma moto, desespera! Se por um lado nos deixam passar por onde queremos, por outro não nos deixam parar! Mas isso acontece um pouco por todo o lado onde passo! Raramente há parques para motos visíveis e, quando tento parar no meio dos carros, não há espaço! Parece que todo o espaço para estacionar é pago ou é privado!

Tive uma sensação parecida na Alemanha, talvez por serem países onde não se pode andar de moto no inverno, não estão preparados para as receber no verão!

O país é lindo, como eu imaginava, por vezes faz lembrar a Suiça, tudo verde, ruínhas estreitas ladeadas por sebes, que levam da cidade até à aldeia, porque parece que toda a cidade tem a sua “fralda” de aldeia! Poucos quilómetros antes e pouco depois tudo são campos e quintas! Basta sair-se um pouco do centro e está-se na “campanha”.

Certamente não seria um país para eu viver, mas seguramente, será um país para voltar a visitar!

E cheguei a Calais!

Cucu!

Estou em Calais, o tempo melhorou e tem estado como eu gosto, com nuvens, céu azul e fresquinho! Hoje fiz mais uma vez uma infinidade de quilómetros o que faz que not total já tenha feito perto de 3000 km.

Há pouco, a 80km daqui, fui gentilmente socorrida por uma menina simpática que me pôs 30€ de gasolina, quando a minha Magnifica já se estava a preparar para morrer de sede! Não havia qualquer bomba aberta e a única que funcionava com cartão só aceitava cartão “bleue”, coisa de francês! Então ela pôs-me gasolina com o cartão dela e eu dei-lhe o dinheiro! Uf…

Amanhã atravesso para o lado de lá! Não me posso esquecer que do lado de lá o comércio ainda fecha mais cedo!
Agora vou dormir…

Beijucas

Esta tudo pronto…

Esta tudo pronto?

Não, não está!

Como de costume demoro a começar a fazer o saco! Stresso toda a gente com o “nunca mais fazes o saco”!

“E se te esqueces de alguma coisa?” “À ultima da hora não sei como consegues raciocinar, quanto mais fazer uma mala para 30 dias!” “Ainda estás aí a olhar para o computador?”

À última da hora nada me esquece, nada falta! Foi sempre assim! Quando preparo tudo com tempo perco a noção do que já está de lado e o que falta pôr!

30 dias? Pois se aqui eu ando sempre com as mesmas roupas, lava-seca-veste-lava-de-novo… porque hei-de stressar com o que vou vestir em 30 dias de viagem! Eu nem vou para uma passagem de modelos!

Preocupação é que não esqueça os carregadores do telemóvel, das baterias da maquina fotográfica, da própria maquina, dos cabos para mp3 e mp4, GPS, computador! O resto? Se faltar há por lá para comprar numa emergência!

Depois o “atordoamento” nunca ajudou ninguém a fazer uma mala!

Desta vez tenho de “racionar” ainda mais a bagagem já que não vou levar a top-case. As Midlands e as Highlands são ventosas e eu não quero andar aos SS só para carregar mais tralhas na mala traseira! Vou para descontrair e não para stressar! E a minha Magnífica parece outra sem o trambolho da mala lá atrás!

Depois o fato de chuva e as botas impermeáveis não podem faltar, não quero molhar-me nem morrer de frio, por isso levo ainda menos roupa de vestir, para levar mais adereços para o clima! Para isto não preciso mesmo de muito tempo, a mala faz-se por si: só vai o que é realmente necessário e pronto!