10 – Passeando pelo norte de Espanha – Lièbana, Llanes, Santilllana, Santander

11 de Julho de 2011

Começamos o novo dia com um belo pequeno-almoço. O dia estava lindo lá fora mas a promessa da net e da televisão era de chuva, ou céu encoberto, no mínimo!

A minha Magnífica à porta sem malas parecia tão pequenina!

Saímos em direcção a Potes mais uma vez e acabei por ir ver o mosteiro do Santo Toribio de Lièbana, o beato tão famoso por ali. Um mosteiro românico, fundado no sec VI, que fica apenas a 2 km de Potes, mosteiro onde dizem que está o braço direito da cruz de Cristo… mas estava fechado!

Por ali acima existe um percurso pedonal que leva a capelas de outros 6 santos. O Jaky já olhava de lado: mais caminhadas não! Não, eu apenas subi um pouco para fotografar todo o mosteiro!

Fomos até à capela seguinte mas de moto!

Dali podia-se ver Potes ao fundo, no meio dos montes

Era hora se seguir viagem mas, embora não estivesse nos meus planos, não resisti em passas em Covadonga, afinal o Jaky nunca lá tinha ido… fiz um desvio e lá passei pela milésima vez na catedral…

Acho que já devo ter uma dúzia de fotos iguais a estas!

A catedral Neo-romanica… imponente! Faz sempre um efeito visita-la e fotografa-la!

O nosso amigo Pelayo, cada passo volto cá para o ver!

E cá está a imponente! Desta vez não tinha muita gente na frente como costuma!

Vimos a gruta da rua, essa sempre cheia de povo

E fomos numa fugida ver os lagos que… estavam invisíveis! Uma pena!

Seguimos então para a costa, Llanes era o meu destino

Com a sua esplanada junto ao mar em relva

Uma cidade com um porto de pesca ainda activo e que sempre viveu do mar. Cheia de vestígios medievais quando a armada espanhola partia cheia de deste desta terra! Local histórico e bonito!

Ali se realizou um filme “historia de um beijo”. Encontrei outras cadeiras de realizador a cada local que serviu de cenário a filmes!

Basílica menor de Santa María de la Asunción de Llanes do sec XIII

e a redondeza muito pitoresca!

Os espanhóis gostam à brava de colocar escritos no chão!

Continuando chegamos a San Vicente de la Barquera

Uma cidade cheia de vestígios medievais e cheia de beleza também!

A igreja de nossa Senhora de los Angeles do sec XIII

Por fora difícil de definir…

Por dentro claramente gótica! E muito inspiradora!

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O tempo estava ranhoso e fomos seguindo para Santillana del Mar

Santillana del Mar a terra das 3 mentiras: 1º não é santa, 2º não é plana, 3º não é no mar! eheheh

E fui finalmente visitar La Colegiata de Santa Juliana, uma construção românica do sec XII que ainda não tinha conseguido ver por dentro!

o claustro é impressionante, todas as colunas têm capiteis de trabalhados diferentes!

lá dentro o ambiente é sempre impressionante, um recuar no tempo

E lá estava a Santa Juliana em frente ao altar!

Reza a história que a Santa viveu no século III e era uma jovem que foi martirizada na Turquia, os seus restos mortais foram trazidos para Espanha por monges peregrinos.

A cidadezinha continua como sempre a conheci: cheia de gente mesmo com o tempo a ameaçar chuva!

Seguimos para Santander e acabamos por encontrar um hotel super giro em Cuatro Caminos

Dali fomos até à zona portuária comer marisco… pois, nem só de viagens vive um viajante!

E voltamos a casa com a barriguinha muito bem “aconchegada”!

Fim do sexto dia!

9 – Passeando pelo norte de Espanha – Cain, Gargantas do Cares

10 de Julho de 2011

“Que dias maravilhosos nos têm reservado os Picos! A bem dizer eu nunca apanhei chuva por aqui! Já apanhei neve, mas chuva nunca, pode ser que também não seja desta!

Vejo na televisão que mais à frente está a chover mas, enquanto não chegamos lá, vamos curtindo este tempo magnífico! O “tecto” está um bocado baixo, mas acredito que seja local e que mais para a frente não esteja tão fechado assim o sol. De qualquer maneira o que eu quero ver não está nas altura e sim nas profundezas, por isso vamos ver o que a natureza nos reserva!”

Partimos na direcção de Cain e efectivamente mais à frente as nuvens baixas estavam mais altas e menos serradas, o que permitia ver o céu azul por entre o “fumo” em que elas se transformavam!

E chegamos ao rio Cares. O Jaky ainda não sabia mas eu ia fazer mais uma caminhada… e ele acabou por caminhar também!

As gargantas do rio Cares são dignas de se visitar mas para isso é preciso caminhar e valem bem a caminhada!

O percurso começa com uma pequena represa bem curiosa e segue por percursos escavados na encosta do monte

A agua “ziguezagueia” de uma forma curiosa pela saída da represa

depois é só seguir o percurso escavado e apreciar o que a natureza tem de melhor por ali para nos mostrar!

Ali mesmo, ladeando todo o percurso existe um canal fantástico!
Fiquei com a vontade de, numa próxima vez que ali volte, fazer o percurso pelo canal num bote de borracha! Seria rápido e confortável, para além da perspectiva diferente que me proporcionaria! Eheh

Por vezes o canal afasta-se do percurso e até corre mais abaixo do que este! Como um túnel paralelo em nível diferente!

E o Rio Cares lá no fundo, correndo entre penhascos que o ladeiam a pique

Almoçamos ali mesmo, boa comidinha e bom vinhinho! O Jaky que nunca bebia começava a gostar do “acompanhamento”!

Um restaurante simpático com as motitas mesmo em frente

Que por aquela altura já tinham feito uma amiga e tudo!

Voltamos a partir para mais um passeio deambulante por terras de profunda beleza!

Voltamos a Potes, porque ficava no caminho de “casa”

E embora o Jaky já não pudesse mais com os pés eu ainda fui visitar a Torre del Infantado do sec XV ali no centro da cidade

Lá de cima a paisagem é interessante, como eu costume dizer, numa cidade quando se sobe normalmente vê-se sempre algo de interessante!

La dentro podia-se visitar uma exposição muito interessante que representa “O Cosmos do Beato de Liébana”

De ver e ler tanta publicidade ao dito beato fui ver quem foi e é história muito antiga! O homem morreu em 789! E era um pensador que escreveu comentários importantes referentes a escrituras e ao próprio Santiago de Compostela, O Santo foi um revolucionário e a sua fama manteve-se até hoje!
As coisas que eu descobri!

E lá fomos para casa comer, beber e conversar, que é o que se ganha quando não se viaja sozinha!

Fim do quinto dia!

8 – Passeando pelo norte de Espanha – Fuente Dé, Potes, Riaño, Cangas de Onis

09 de Julho de 2011

Esta foi finalmente uma noite bem dormida!

O conforto de um quarto não tem preço e este nem foi caro! Ironicamente tive de manter a janela aberta durante a noite pois o quarto estava quente demais para mim! Não há fome que não dê em fartura!

Depois de um belo pequeno almoço, (sim, nem a comida faltou neste paraíso) estávamos tão perto de Fuente Dé que fomos até lá. Pelo caminho e logo ali a seguir ficava a pequena aldeia de Pido, onde se fabrica bom queijo.

Fui até lá ver como era. Foi aqui que o pé faltou ao Jaky e tombou para o lado pela primeira vez. A simpatia das pessoas foi notável, um grupo de excursionistas veio imediatamente em seu socorro, embora já não fosse necessário, eu cheguei primeiro.

Pido é uma aldeia muito pequena e característica, adorei as portas e janelas que por lá encontrei

Encontramos uma estrutura para ferrar cavalos e tudo, ou seria para vacas?
O bicho coloca-se ali debaixo do telhado onde tem 4 suportes em madeira para ele apoiar a perna dobrada e assim permitir ferrar a pata! Engenhoso!

Seguimos para Fuente Dé. Embora o “tecto” estivesse baixo, em nuvens serradas subia-se e dizia-se que valia a pena!

E subimos, e andamos com a cabeça literalmente nas nuvens!

Mais uma caminhada pelo topo dos montes, onde ainda havia alguns vestígios de neve

Por aqueles montes há caminhantes por todos os lados. O mesmo acontecia em Somiedo. Aquela gente dedica-se a fazer quilómetros e quilómetros a pé de monte em monte!

Estávamos no mundo das aves mais do que no dos homens!

Quando de repente me apercebo que não tenho a chave da moto comigo!
Oh pânico dos diabos! Onde deixei a chave? Deixei-a cair ou abandonei-a na moto?
Toca a voltar rapidamente para trás e quando eu ando, ando rápido!
Estava a dita chave à minha espera enfiada na fechadura da mala da moto… sem comentários…
Vi o teleférico do Jaky cruzar-se com o meu que já partia de novo…

Fomos curar o stress para Potes, que também não fica longe!

Por ali fala-se muito do Beato de Leabana e fui ver o que havia sobre ele

Descobri copias impressionantes de livros medievais iluminados, coisa que eu tanto procurei no nosso pais e não encontrei em consulta, ali não faltavam!

Estava na hora de almoçar e não podíamos querer melhor sitio para o fazer. Encontramos um restaurantezinho tão giro que me fartei de o fotografar.

Comemos muito bem e bebemos ainda melhor… lá tivemos de dar uma caminhada para podermos voltar a conduzir!

Seguimos contornando completamente o Parque natural dos Picos

É simplesmente delicioso vaguear por aquelas estradinhas serpenteantes!

Encontrei velhos amigos em locais já antes visitados


Passamos em Riaño, eu tinha curiosidade de rever aquele lago, provocado por um embalse. Lindíssimo naquele dia com todas aquelas nuvens a decorar o céu magnífico!

Pormenores de uma cidadezinha com os seus encantos

E a sua igreja Romanica

Um cenário sempre impressionante, impossível não tirar um monte de fotos por ali…

E continuamos o nosso caminho em direcção a Cangas de Onis. Não era minha intenção visitar mais uma vez a cidade, até porque estava cheia de gente

Mas não resisti a ir ver a ponte romana (que afinal é medieval) mais de perto.
Fico sempre impressionada com a ignorância das pessoas, um grupo de portugueses atravessava a ponte e uma fulana dizia que deviam alcatroar aquele chão!

Ali em baixo estava um casal, ele a posar para ela e ela a posar para ele, com a ponte de fundo, porque ninguém sabe tirar fotos a monumentos sem um “palhaço” na frente! Por fim lá entenderam que eu não os queria nas minhas fotos…

Voltamos a casa para jantar e descansar, foi um dia cheio de beleza!

Fim do quarto dia!

7 – Passeando pelo norte de Espanha – Cudillero, Aviles, Picos da Europa

08 de Julho de 2011

“Não, esta noite o frio não me vai apanhar!

Já ontem o devia ter feito, mas o frio era tanto que me impedia de sair do meu saco-cama e ir tratar de me aquecer! Hoje vou apanha-lo eu de surpresa, vou levar comigo para a “cama” uma garrafa de agua quente, pelo menos enquanto durar o quentinho eu durmo como um anjinho!

Continuo a detestar ter de rastejar para ir para a cama!

Continuo a detestar andar de joelhos dentro da tenda, a remexer as minhas coisas meio às escuras com a lanterna nos dentes que aponta sempre para o sítio errado.

Continuo a achar que viver e sentir a natureza não implica ter de dormir dentro dela!

Esta experiência apenas servirá para eu comprovar que a minha forma de viajar, com dormidas marcadas em pousadas de juventude, é que continua a ser a mais apropriada para mim!

A partir de amanhã vou procurar sempre dormidas em hostais ou no que quer que encontre para dormir, garantido!”
*****

Esta noite dormi quentinha!

Enchi uma garrafa de água com água quente e pu-la dentro do saco-cama, voltei a dormir vestida e nada me tirava ali de dentro, se a cama não fosse tão dura eu tinha dormido como um passarinho, mas não teve mal.

O dia estava mais luminoso de manhã, percebi que a temperatura não tinha descido tanto como na noite anterior mas mesmo assim o Jaky parece que gelou na tenda a o lado, logo a minha garrafa de água quente foi o que me salvou a noite!

Da minha tenda viam-se os montes altos e o sol azul! Que belo dia para passear!

Da janela da recepção que era também o café/bar/restaurante ali do sitio o sol da manhã

Os bungalows do parque eram como as casinhas típicas ali da zona, organizadas numa pequena zona de ruinhas de terra e erva.

E seguimos para norte, para a costa para visitar uma ou duas terrinhas antes de entrar nos Picos da Europa

Cudillero era o meu destino, uma cidadezinha que me vinha despertando o interesse e que não me desiludiu!

Ao olhar para ela lembrei-me de uma cascata de São João! Linda!

O museu do mar ali no meio, no antigo Mercado do peixe

tudo é pitoresco naquela terrinha

Toda a encosta, repleta de casinhas pode ser percorrida por ruinhas inacessíveis a quem não possa usas escadas. Em qualquer recanto há um caminho que leva a outro nível de mais casas.

E acabei por encontrar a famosa “casa da tia” afinal existe mesmo! Eheheh

Da igeja a perspectiva da cidadezinha é surpreendente!

Apetecia sentar e ficar!

Mas tínhamos de seguir, ainda pudemos apreciar a beleza da costa ali na zona

E seguimos para Aviles, outra cidade costeira bem simpática

Com o seu casco antigo medieval e uma igreja com 8 séculos!

Como em todas as cidades medievais que percorremos as arcadas estão por todo o lado

Andava-se por ali como quem visita uma cidade criada para ser apreciada!

Depois de uma terrinha como Aviles, Gijón não apetecia visitar.

Depois Gijón é uma cidade que eu já visitei varias vezes, por isso segui para entrar nos Picos da Europa por cima.

Esta foi a 4ª vez que a minha Magnifica foi aos Picos e de cada vez que lá vai tento entrar por sítios diferentes!

E acabamos por ficar hospedados no Hostal Ramoña que o meu amigo Vitor sugeriu na sua crónica! 😉

Bonito, simpático e barato!

Fim do terceiro dia!

6 – Passeando pelo norte de Espanha – Parque Natural de Somiedo

07 de Julho de 2011

“Esta noite morri de frio!

Não há nada mais desconfortável e desanimador do que adormecer fria e acordar gelada. Os meus pés simplesmente tornaram-se pedras de gelo!

Não imagino a temperatura que está lá fora mas aqui dentro da tenda está um frigorifico a tender para arca congeladora. Mesmo assim não consigo sair de dentro do saco cama, como se ele me protegesse de alguma coisa. Só de pensar em ir tomar banho, ter de me despir, sim porque acabei por dormir vestida tal era o frio ontem à noite…

Foi uma noite para esquecer, realmente, acordei vezes sem conta com mais um pouco de frio acutilante a debicar-me os pés, o nariz, todo o rosto…

Já não basta ter de rastejar para a “cama” ainda tenho de passar por isto?

O dia está solarengo mas o frio nem me deixa aprecia-lo!”

******

Acabei por me levantar, tomar um banho bem quente e vestir toda a roupa que podia, com a minha magnífica camisola térmica a culminar o conjunto, comecei finalmente a aquecer… raios partam o frio!

A minha motita dizia que estavam 6 graus às 8.30h da manhã, do que se depreende que a temperatura da noite terá sido ainda mais baixa… raios partam a ideia de acampar!

O parque de campismo fica lá em cima na montanha, para descermos até Pola de Somiedo temos de fazer uma descida de sucessivos cotovelos e seguindo por ali fora, é tudo montes, tudo paisagens incríveis, tudo pueblos típicos!

Então mais à frente ficam os lagos

Era para lá que eu queria ir!

E todo o caminho é digno de se fazer e refazer pela beleza que comporta!

Chegados ao alto de La Farrapona as motitas têm de esperar e a gente… de caminhar!

Dali podíamos ver a última parte do caminho que tínhamos feito de moto, só não podíamos ver o que iríamos fazer a pé!

Foi logo ali que o Jaky começou a sofrer com a caminhada. As botas não eram as mais apropriadas e a sua falta de preparação fê-lo sofrer um pouco. Mas seria também o inicio da adaptação ao ritmo de viagem! Acho que acabou por ir melhorando a sua resistência e tudo! Grande Jaky!
E chegamos ao 1º lago que é logo ali!

O lago de la Cueva, lindo! Eu simplesmente não conseguia parar de o fotografar!

Mas eu sabia que havia mais 2 lagos por aquele caminho e continuei a subir. A minha resistência em marcha baseia-se no ritmo do meu passo, não posso por isso caminhar muito devagar ou não andarei muito. O Jaky teria de ir ficando para trás e eu ir andando!

O caminha era íngreme e o piso irregular e cheio de pedras soltas, mas nada que matasse a gente! E cheguei ao 2º lago.

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O trilho continuava mas era mais um desgaste no meio da pedra e vegetação rasteira do que realmente um trilho!

Pare chegar ao 3º lago, o lago de Calabazoba, quase tão bonito como o primeiro, mas bastante mais sombrio!

Olhava para trás e o Jaky parecia uma pulga junto da imensidão da montanha envolvente! Somos pequenos junto da grandiosidade da natureza…

Havia um 4º lago que eu queria ver… mas era demasiado distante para impor esse esforço. Terei de lá voltar para o ver…

Depois foi o regresso ao parque, pelos pueblos que encontrávamos. Almoçamos em Saliencia, um pueblo muito fofinho e comemos super-bem para retemperar as energias!

Na esplanada do Albergue La Saliencia, onde almoçamos, um casal português cumprimentou-nos! São aqueles que estão sentados junto da porta!

Demos uma voltinha pela terrinha pitoresca para digerir o farto almoço e o vinhinho delicioso…

Encontramos um estendal de ursinhos bem curioso e tudo! Eheheh

E as casinhas típicas da zona, com o telhado em colmo

Não faltava nada nem um riacho cantarolante de aguas transparentes!

E seguimos para Pola de Somiedo para voltarmos ao parque.

Este frigorifico é bastante usado por aquelas bandas!

Pormenores dali da zona, uns sapatinho tão engraçados!

E o nosso parque, que com a caminhada apetecia sentar e descansar…

Fim do segundo dia!