Cucu!

Enquanto viro e reviro os meus mapas, vou catar mais um pouco à internet e ocupo todo o meu tempo livre nessas procuras, para as minhas próximas viagens… reviver crónicas antigas é muito giro!

Queria lá ir de novo, tenho saudades das viagens, dos caminhos e até do que fui sentindo ao fazer cada crónica…

Vou partir de novo, já em Julho!

Beijucas

24. Passeando por Marrocos – o fim da viagem…

Naquela noite, a última por aquelas terras, juntamo-nos todos no terraço do hotel. Estávamos todos descontraídos e felizes, pelo sucesso da expedição… mas melancólicos pelo seu fim! Espontaneamente, cada um foi dizendo o que lhe ía no coração, depois daqueles dias juntos, e foi muito giro constatar que todos estavam realmente felizes e com vontade de o dizer a toda a gente!

Uns porque não conheciam quase ninguém no grupo e ficaram “presos” a ele; outros porque tinham sido rejeitados noutros grupos e agora até agradeciam o facto, pois assim tinham conhecido tão boa gente; outros ainda porque estavam habituados a viajar sozinhos e tinham tido receio de não ser boa companhia em grupo; outros… que importa? Todos estavam tão felizes e unidos ao grupo que queriam partir rapidamente para outra viagem!

Foi um momento de confissão, de abertura de coração e de compromisso: temos de viajar de novo, seja para onde for!

Pessoalmente… gostei muito do Vitor e da Sandra, um casal simpatia sempre sorridente e amável;

o Carlos e a Paula, sempre na frente, sempre prestáveis e atentos ao que cada um queria fazer a seguir;

o Diamantino e a Maria, ela sempre de olho no que ía comprar a seguir, ele a fazer contas a onde lavar as tralhas, mas sempre bem dispostos e unidos ao grupo;

o Filipe e a Olga, estavam em todas, é para o deserto, é para comer, é para seguir, sem duvida: é para aproveitar tudo!;

o Alberto e a Mila, sempre serenos, sem esquecer umas festinhas a todos os gatos (e eram muitos) que se iam encontrando no caminho!;

o João, sempre bem disposto e “em todas”, mais a sua motinha desportiva, que levou Marrocos na desportiva!;

o Jorge, a quem tudo parecia acontecer, que no fundo foi animando o grupo com as sua peripécias e conclusões obvias, que repetia a cada passo

e por fim o Filipe XX, a moto vassoura, sempre lá, sempre no fim, que ninguém fique esquecido, eu por exemplo, a cada momento que parava para tirar mais umas fotos, enquanto o grupo continuava o seu caminho!

Todos foram indo dormir… eu fiquei mais um bom bocado, enquanto retirava as fotos da maquina e escrevia o texto com que abri esta crónica…

Decidi naquela noite que acabaria de fotografar mal me separasse do ultimo elemento do grupo…
E fui dormir.

Decidi também que não me levantaria cedíssimo para partir rapidamente para casa… gosto de chegar de viagem de noite e não a meio da tarde, por isso dormi sossegada pois partiria apenas às 10 da manhã com o pessoal do Algarve.

25 de Abril de 2011, que forma agradável de festejar o dia, viajando até casa!

O dia amanheceu luminoso, mas eu fui pondo o olho a ver se não estaria vento… como no primeiro dia! Mas do hotel via-se o porto e estava tudo calmo!

Que alegria, a manhã estava serena!

As nossas 3 motinhas estavam sozinhas no parque do hotel, o resto do grupo já devia ir longe!

Seguimos pelos quelhos que saiam da Medina

Dirigimo-nos calmamente ao porto

Do porto podíamos ver o nosso hotel ao longe, na encosta da Medina.

A Medina vista do porto…

A fronteira foi fácil de passar, nada que se comparasse com a trapalhada da entrada!

Na fila de espera para entrar no ferry fizemos amizade com um esloveno que andara a dar uma pequena volta por Marrocos sozinho

A multidão que esperava para entrar no ferry a pé

Achei piada que a placa de boas vindas a quem entrava em Marrocos dizia “Bem-vindo ao vosso pais” e não ao “nosso” (deles)

Voltamos ao ritual de amarrar as motos ao chão para que não caíssem com o movimento do barco

O meu Patrick dizia-me onde estávamos

Instalamo-nos calmamente, já que não seria necessário preencher papeis nem mostrar passaportes como na entrada.

E partimos, com direito a paisagens memoráveis do porto e do mar… a junção de mares! Mediterrâneo e Atlântico!

A cidade moderna de Tanger, ao longe

E a cidade antiga também!

E Espanha que se aproxima!

Chegávamos ao lado de cá… desamarrar as motos…

Passar na alfandega…

Seguimos em direcção a Sevilha, almoçamos antes de lá chegar, com o nosso novo amigo esloveno, que ía até ao Algarve para depois seguir para Lisboa….

A motinha dele junto da minha…

Separei-me deles em Sevilha e segui o meu caminho por Espanha até Vilar Formoso, por caminhos deslumbrantes. Fui jantar à Mealhada, leitão acompanhado de espumante… mas não tirei nem mais uma foto!

A minha/nossa viagem terminara onde me separei dos últimos elementos do grupo, o que se passasse a seguir não faria mais parte e eu não queria acrescentar mais nada àquela viagem!

O que vi depois, foi apenas a serenidade procurada para “desacelerar” daquela expedição fantástica e era isso mesmo que eu precisava até casa…

Dias antes de partir eu tinha escrito no facebook e aqui, no meu blog:

“Porquê Marrocos?

Tinha um amigo, meu afilhado no meu Moto-Clube (de S Mamede de Infesta) que tinha o sonho de ir a Marrocos.
No ano passado pediu-me se eu ia com ele e mais uns amigos que queriam começar a viajar.
Dizia ele que juntávamos a sua protecção (ele era policia) à minha experiencia e iríamos por aí fora.

Chamava-se Sottomayor e faleceu num acidente estúpido de moto sem realizar o seu sonho…

Vou a Marrocos por ele…

O meu amigo já faleceu há uns meses… por isso eu comecei a dizer que ia a Marrocos sozinha, pois não havia ninguém para ir comigo.
Então o João Luis criou um tópico no VdM com o nome: “Vamos a Marrocos Gracinda?” e as pessoas começaram a organizar-se para irem a Marrocos “comigo”!

Nunca tinha dito porque queria tanto ir a Marrocos, quando o continente dos meus sonhos é a Europa…

Deu-me para dizer agora! :-(”

Ao Sottomayor: Missão cumprida, por mim e por ti, amigo!

O meu novo mapa desenhado!

Cheguei a casa depois de:

4450 km

3.200 fotos

830€

10 dias para não esquecer!

O que me faltou?
Tempo para ver mais… tanta coisa que ficou por ver!…

O que sobrou?
Bons momentos de amizade e convívio que me souberam bem, depois de tanto viajar sozinha!

O que valeu a pena?
Tudo, mesmo as refeições menos boas que acabaram por ser recompensadas pela boa companhia!

O que teria dispensado?
O vento ciclónico no sul de Espanha e norte de Marrocos, que me fez ter a sensação de ir cair a cada curva!

O que me apetece dizer ainda?
… tenho de lá voltar!

Beijucas e até à minha próxima viagem!

FIM

23. Passeando por Marrocos – ainda Tanger…

Depois de me perder pelo labirinto de decorações deslumbrantes da ala de restauração do hotel, lá me obriguei a seguir um grupo para visitar a Medina!

Éramos apenas 5, um bom número para andar por ali sem stresses. Um guia colou-se a nós, era um tipo simpático e prestável, com os dentes todos estragados, mas com vontade de nos contar quem eram as casas restauradas e habitadas pelos europeus!

Cada Medina é uma Medina e esta bem diferente das que já viramos!

Uma padaria. Curioso que, nas padaria que visitei, os fornos eram sempre baixos, muito perto do chão!

Mais uma Medina branca! As portas continuavam a despertar-me o interesse, eram sempre diferentes!

O Diamantino parecia que tinha uma luz divina sobre si!

Ruelas estreitinhas onde, por vezes as casa pareciam quase tocar-se!

Chegamos à muralha

E, depois de ruelinhas tão estreitas e íngremes, havia espaço para um grande largo!

Se se olhasse com atenção, com olhos que maquina fotográfica não tinha, podia-se ver Espanha lá ao longe!

O nosso guia tirou-nos uma foto deixando a sua assinatura na sombra própria!

Seguimos à procura de mais umas lojinhas, pois faltava comprar ainda algumas recordações para os amigos. Ficou provado que uma Pan tem uma bagageira infinita! A do Diamantino parecia esticar, à quantidade e dimensão de cada compra que a amiga maria foi fazendo por terras de Marrocos!

Encontramos um bar ZERO!

No meio destes caminhos íngremes, com degraus à mistura, circulavam motorizadas!

Curioso que no meio do branco predominante, encontravam-se recantos de cores acentuadas! Vermelhos…

amarelos…

ou vermelhos e amarelos!

Então chegamos a uma casa, que não era mais que uma porta no fundo de um quelho estreito, onde o guia dizia que íamos ver Tanger todinha… não se entendia como! Até entrarmos numa loja descomunalmente grande para o aperto das ruas envolventes e começarmos a subir uma escada que parecia nunca acabar!

E vimos a Medina toda sim senhor!

À porta da loja um senhor perguntou-se se eu não queria que ele me tirasse uma foto ali, eu disse que sim e ele tinha jeito para a coisa!

Depois fomos visitar uma botica gira!

Ali podia-se comprar todo o tipo de especiarias, ervas, chás, sabonetes, pós e “lasquinhas de qualquer coisa! Coisa mais linda!

E chegamos às lojinhas

Depois estava na hora de comer qualquer coisa! Encontramos um restaurantezinho bem perto do hotel, muito giro e limpo

Tinha menu e a comida era boa. Foi uma boa despedida da cozinha marroquina!

A minha tagine de vitela estava deliciosa!

Parece que a comida de todos estava boa!

O dono do restaurante era simpático e parecia-se bastante com o avô cantigas! Eheheh

22. Passeando por Marrocos – Tanger

“O meu tempo por Marrocos está a esgotar-se aos poucos, como noutras viagens parece que, de repente, tudo se precipita! Já não há mais aquela sensação de estou longe, estou à descoberta, na traquinice de quem está longe de casa…

Começo a sentir-me perto e a aproximar-me do país, de casa e tudo parece que passou tão rápido!

Sinto que precisava de mais tempo pelo Marrocos profundo, precisava de passear a pé pelas aldeias, demorar-me na contemplação do horizonte, sentar-me umas horas no deserto.

Precisava de desenhar um pouco, de puxar dos meus pincéis e fazer uns sarrabiscos dos locais que mais me fascinaram, precisava… de viver Marrocos mais lentamente!

Ficar sozinha hoje fez-me muito bem, fez-me sentir juntinho a mim! Mesmo imaginando que os outros estão todos juntos a conversar e na grande cavaqueira, estar comigo fez-me reencontrar a minha grande companheira de viagem: eu.”

***

Estávamos no 9º dia de viagem, era dia 24 de Abril…

Espreitei pela janela e reparei que as nossas motitas não estavam sós, o Jorge andava por lá a tratar das coisas dele, mas outras motos se tinham juntado a elas!

Ao chegarmos cá abaixo, constatamos que havia outro grupo de motards no hotel, com uma característica curiosa: eram senhores com uma idade meio avançada!

Gosto sempre de ver motociclistas com idades avançadas, dão-me mais confiança para imaginar que eu poderei também um dia conduzir com uma idade avançada também!

E lá tratamos de partir

Tirei algumas fotos para trás, vi pelo retrovisor que o grupo vinha tão direitinho, que não resisti a fotografa-lo!

O trânsito estava meio atrapalhado por isso apanhamos a auto-estrada. Assim ficamos também a saber como ela é por lá!

E para que ninguém diga que estávamos cansados ou tristes, o povo fez a festa!

Ora veja-se quanta animação!

E chegamos a Tanger. Demos umas voltinhas por lá e encontramos motinhas bem engraçadas, um modelo comum por terras marroquinas!

Atravessamos a cidade, que podia ser uma cidade qualquer do sul de Espanha

E chegamos ao mar

O hotel ficava mesmo ao lado do porto, num quelho, na entrada da Medina.

Mais uma vez fiquei hospedada no topo do hotel! Um senhor carregou a minha mala lá para cima e, qual não foi o meu embaraço, quando ele ficou à espera de uma gratificação e eu não tinha nem um dirham na carteira… ups

O hotel não parecia nada de extraordinário em termos de decoração, mas as salinhas de entrada tinham o seu encanto

Depois encontrei o amigo Diamantino cá fora e fiz dele meu modelo por 2 ou 3 fotos

Continuei a minha exploração do local, que não parecia nada de especial.

Conferi que as motitas estavam bem, lá em baixo.

Quando descobri um recanto que nem parecia pertencer àquela construção!

Maravilhei-me com o pormenor decorativo daquelas paredes, não conseguia deixa de fotografar!

A sala do pequeno-almoço

E as salinhas intermédias, com aberturas no chão, que permitiam olhar para o andar de baixo.

Janelinhas que abriam para corredores com pequenas cúpulas no tecto.

Os tectos…


As cupolas…

E as paredes

Desculpem, não resisti a mostrar o que tanto me fascinou!

21. Passeando por Marrocos – El Jadida

Continuamos a nossa visita à cidade e sua fortaleza. Ali mesmo ao lado ficava o posto da Policia, tão giro!

De vez em quando convinha conferir se o bando estava todo! O 14º elemento (eu) estava atrás da câmara!

Na muralha o cheiro a pão fresco era intenso e apetitoso!
Alguém reparou que naquela portinha, por cima da água, estavam a coser pão!
Que cheirinho delicioso!

Portugal investiu bastante trabalho e esforço na construção e defesa desta fortaleza e depois na sua defesa das investidas marroquinas!

Até se por a andar para o Brasil e deixar tudo ao abandono…

E fui visitar o sítio do pão! De onde vinha aquele cheirinho delicioso, bem dentro da muralha! Diziam os senhores que dali saia o pão para os bascos desde antigamente.

Da janela, que era mais uma porta, o acesso ao mar era efectivamente directo!

Andei a cuscar alguns recantos da Fortaleza.

Alguns com umas perspectivas incríveis!

Um pouco mais de comércio

E saímos da fortaleza

Para nos embrenharmos no comercio atravancado do exterior!

Encontramos uma casa de linhas espectacular! Fiquei maravilhada! Aquilo tudo são tubos de linhas de todas as cores!

Giríssimos! Todos em cores brilhantes, acetinadas! Com estas linhas eles fazem aqueles bordados que se vêm nas túnicas!

Eram tantos!

Cá fora era uma feira de rua, parte tradicional, parte produto chinês…

E fomos caminhando pela rua, calmamente, junto ao mar, até ao hotel

Voltamos a passar pelos camelos, que eram dromedários, e eram tão giros e simpáticos! Estavam a fazer mimos uns aos outros.

Acho que o escadote estava ali para, além de me estragar a fotografia, ajudar os turistas a subir para os cavalos, que estavam mesmo ao lado. É que camelo e dromedário senta para a gente subir, mas cavalo não!

Quando chegamos ao hotel o Jorge tinha a moto transformada em estendal e a roupa suja, que ele deixara na moto, estava a arejar! Nunca falte o sentido de humor num grupo de viaja! O Jorge é boa gente, ficou meio espantado meio desnorteado, mas acho que achou tanta piada como nós! eheheheh

Foi só o tempo de recolher a roupa, subir aos quartos e, sem que deixasse de se ver o sol, o céu desabou!

A pequena multidão que se passeava pela esplanada da praia desapareceu como por milagre

E a chuva caiu com toda a força!

Como veio, como foi! Lavou tudo no espaço de meia hora

Fui para o bar petiscar uma série de bugigangas muito interessantes, acompanhadas por uma cerveja deliciosa, fabrico marroquino, chamava-se Casablanca e era parecida com a Heineken.

O povo foi jantar algures mas eu fiquei tão bem! Não havia nada que me tirasse do conforto do hotel!