54 – Passeando até à Suiça 2012 – Luxemburgo e Verdun… o campo de batalha…

26 de Agosto de 2012 – continuação

Luxemburgo é um país surpreendente que ainda hei de catar devidamente um dia destes. Naquele dia eu apenas queria dar uma volta pela cidade de Luxemburgo, que conhecia apenas de passagem e sabia que tinha encantos que mereciam ser visitados!

Como a catedral de Notre-Dame, do início do séc. XVII, num estilo gótico tardio já com elementos renascentistas.

Estava em missa, mas ninguém impedia as pessoas de entrarem e admirarem a construção.

A igreja é muito bonita, sendo já uma mistura de estilos contem elementos decorativos curiosos que não existiram se fosse apenas gótica.

Muito bonita e eu ainda não a tinha visto por dentro por a ter encontrado sempre fechada!

Depois andei pela zona antiga da cidade, que circunda a catedral. Uma zona muito animada e cheia de turistas, o que contrastava com a última vez que ali estivera e que não havia vivalma na cidade!

Luxemburgo é uma cidade encantadora com o mesmo nome do país de que é capital e lá, na zona baixa da cidade, fica o também encantador Chemin de la Corniche, um percurso pedestre, conhecido como “a varanda mais bonita da Europa”. Era lá que eu queria ir!

Passeia-se por ali, por caminhos ora escavados nas rochas, ora pela borda do rio Alzette ao longo das muralhas da cidade velha e das fortificações construídas pelos espanhóis e austríacos no século XVII.

Lá em baixo no vale de la Corniche a perspetiva do desnível é deslumbrante, enquanto se passeia por entres as casas de pescadores de outros tempos.

Cá em baixo fica o Grund, um dos distritos de Luxemburgo, que se divide em duas zonas sendo a outra a zona alta da cidade.

A Abadia de Neumünster domina a paisagem, cá em baixo. Inicialmente românica, mas depois de diversas destruições e reconstruções, chega até nós numa mistura de estilos!

No “meio” entre o Grund e a cidade alta, fica uma série de cavernas, caminhos escavados e as Casemates, que são património da Humanidade, cá de baixo podem-se ver as aberturas nas rochas.

Enquanto as pessoas se apinhavam lá em cima nos percursos e nas casemates, eu passeei-me cá em baixo, completamente só no sossego da margem encantada do rio Alzette.

A abadia é também um centro cultural e ainda tive direito a visitar os seus claustros e uma belíssima exposição de fotografia de viagem!

Voltei a subir à cidade alta, porque o meu fascínio estava lá em baixo e de outra perspetiva é sempre encantador!

De cima podia ver os caminhos que percorrera cá em baixo na margem do rio e a abadia e o centro cultural.

Adorei a cidade vista desta perspetiva! Valeu a pena dar a volta ao meu caminho e passar por lá!

Mas o meu objetivo ao desviar-me não era apenas este destino… havia algo que eu queria ver ainda, mais à frente e num contexto completamente diferente!

Há 2 anos andei a passear por campos de batalha da Segunda Grande Guerra, desta vez andaria por campos de batalha da Primeira: Verdun!

Ainda parei em Esch-sur-Alzette, pois sabia que lá existia uma catedral espetacular… mas estava fechada!

A cidade é bonita e uma das maiores do país, mas o tempo estava uma bosta, o ambiente sombrio e desértico e eu deixei para visitar noutra altura… coisas que me dão!

A minha Magnífica a espreitar para mim por trás de uma arvore! 😀

Peguei nela e segui para o sol e para a guerra…

A Batalha de Verdun foi uma batalha terrível, entre franceses e alemães, que durou quase todo o ano de 1916.

Andar por ali teve em mim um efeito próximo do que teve visitar Auschwitz… cheira a morte, quase 100 anos depois e os monumentos, marcos, lapides e todo o tipo de memórias de morte, multiplicam-se por quilómetros e quilómetros da área que foi o grande campo de batalha…

Aldeias “destruídas” na batalha são relembradas em capelas e placas…

Fiquei chocada quando, ao seguir as placas que indicavam uma aldeia destruída e ao chegar lá…

Tudo fora reduzido a placas e a espaços nus por entre a relva… como se cada casa desaparecida tivesse dado lugar a terra queimada onde nada nasce, nada cresce!

E tudo é silêncio por ali ainda hoje!

Na época calculava-se que tivessem morrido mais de 700.000 homens, entre franceses e alemães…

O que faria uma média de 70.000 mortos por cada mês de guerra…

Numa batalha que foi a mais longa e a mais sangrenta daquela guerra e de toda a história militar!

Hoje pensa-se que o número de mortos foi mais elevado que o estimado na época… para mais 250.000…

O Ossuário está em restauro, bem como o extenso cemitério militar… não entrei no Ossuário…

“A batalha de Verdun – 21 de Fevereiro – 18 de Dezembro 1916, 300 dias e 300 noites de combates ferozes, terríveis. 26.000.000 obuses disparados pela artilharia, sendo 6 obuses por metro quadrado, milhares de corpos mutilados, cerca de 300.000 soldados franceses e alemães considerados desaparecidos.”

“O ossuário mantém dentro de si os restos de soldados mortos no campo de batalha, a fim de preservar sua memória.”

Ali ao lado fica um monumento para os soldados muçulmanos que morreram na batalha.

Por todo o lado é frequente encontrarmos zonas de relvado ondulado que são trincheiras, espaços ocos, onde os homens se protegiam…

E o Fort de Douaumont, o maior da região de entre os 38 fortes construídos nos últimos 25 para proteger a linha fronteiriça numa área de 40km em redor de Verdun… era novo quando começou a batalha de Verdun…

Ao entrar ali percebe-se que ser soldado não era muito diferente de se ser prisioneiro!

500 homens viviam ali, por baixo de terra, sem grandes condições e numa guerra permanente, já que os ataques alemães eram intensos!

A “Tourelle de 155mm”

As casas de banho…

e uma cidade subterrânea e húmida…

e podia-se descer mais pelo abismo!

Os lavatórios, cheios de estalactites do tempo e da humidade!

Ao fundo a capela…

Atrás da cruz branca estão os corpos de 400 soldados franceses e 30 alemães mortos no forte…

O ambiente torna-se pesado, não pelo cheiro ou pela humidade, pois curiosamente não cheira a nada nem sequer à humidade! É a história que pesa no coração da gente!

Cá fora estava sol e subi ao topo do forte, que não é muito alto…

E por ali se entende o ondulado da relva, sabendo o que está por baixo!
As Tourelles…

Furos de balas nas carapaças das Tourelles…

Ainda passei por outra aldeia destruída, Vaux…

E fui-me embora, por entre mais memoriais e mais lápides de mais trincheiras…

Até só ver cemitérios de quando em quando…

Depois foi o vazio e a imensidão e fui andando, ainda com o coração oprimido pela viagem ao passado, tão presente ali…

Uma paisagem infinita e infinitamente bela serena-me sempre o coração e naquele momento era tudo o que eu precisava!

E parei para dormir em Troyes…

E foi o fim do vigésimo oitavo dia de viagem… sem conseguir evitar de falar e mostrar tanto de um dia que me ficou para sempre na memória… sorry!