23 – Passeando até à Suiça 2012 – Oberalppass / Furkapass / Grimselpass

13 de Agosto de 2012

Naquele dia seguiria para Lucerne, o caminho não é longo como quase nenhum caminho é naquele país! É como se tudo fosse tão perto que em 200 ou 300 km a gente pudesse alcançar meio país! Mas ali todo o percurso é deslumbrante por isso não deverá haver pressa para chegar a lado nenhum!

Então decidi fazer 3 dos Pass que mais gosto por aquelas paragens, em passo de passeio, porque aquelas paisagens são lindas e inspiradoras, sobretudo com todo aquele sol e o céu magnificamente azul!

Despedi-me do meu hotelzinho lindo de montanha

E fiz-me à estrada que é sempre deliciosa e com as bermas “alcatifadas” de relvinha verde

Atravessei o Distrito de Surselva que é lindo e uma das poucas zonas onde se fala o Romanche. Ali perto forma-se o rio Reno com a junção do Vorderrhein e do Hinterrnhein.

O vale do Vorderrhein é deslumbrante!

A estrada parece uma prateleira na encosta escarpada do monte com o paraíso logo ali à nossa direita!

Depois os vales sucedem-se, por vezes a grande altitude.

E chegamos a Oberalppass, sem darmos por ela, na apreciação da estrada e das paisagens!

O Oberalppass é uma estrada fantástica, um alto passo de montanha que faz a ligação entre os cantões de Grisões e de Uri e atinge a bonita altitude de 2046m! É uma estrada extraordinária não apenas por causa das suas agradáveis curvas mas, sobretudo, pelas suas belíssimas paisagens!

Por momentos a gente tem até pena que não seja possível parar a todo o momento para apreciar tudo o que a estrada tem para nos mostrar e, quando a gente pensa que a descida será o fim do prazer, o grande vale de Urseren estende-se aos nossos pés!

Lá em baixo atravessamos Andermatt e continuamos pelo longo vale.

E há um momento, lá por Hospental, em que o Overalppass se transforma em Furkapass!

E do outro lado fica o passo fantástico, o Furkapass, e é desde a sua subida que temos a noção da estrada que acabamos de percorrer!

Há momentos de pausa por aqueles caminhos, quando os veículos são maiores que o espaço da curva!

Ao fundo o Oberalppass deslumbrante depois do grande vale!

E a subida continua e o deslumbramento está de ambos os lados do monte

O Furka Pass é uma estrada que nos permite ter, para além de um grande prazer de condução, o deslumbramento da paisagem.

Sobe a mais de 2400 metros de altitude, com uma série de curvas fechadas e paisagens extraordinárias sobre o maciço de St Gottard e o Vale de Ursen.

Ali se filmou partes do filme de James Bond, Goldfinguer.

De lá de cima pode-se ver o Grimselpass, o terceiro Pass delicioso que iria fazer naquele dia.

E a descida do Frukapass ainda tinha tanta beleza para proporcionar até chegar ao Pass seguinte!

A sua famosa curva “suspensa” fica daquele lado. Lá estava ela.

Por aquelas paragens é por vezes um “não sei se vá, não sei se fique” com tanta beleza que nos rodeia!

Tiro mais umas quantas fotos (repetidas) e sigo o meu caminho, pois então!

Ali está a curva “suspensa” na minha frente!

E os rasgões da estrada na encosta que eu acabava de descer.

O glaciar de Furka ou o glaciar do Rhone.

Há ali uma gruta de gelo que eu visitei há muito tempo, terei de lá voltar um dia, quando as minhas finanças me permitirem fazer visitas (e viagens de comboio também, pois este ano nem pensar!)….

O Grimselpass é um dos meus Pass do coração. Há muito que não lhe dedicava a atenção que queria, mas passeei muito por ali em tempos e este ano quis matar saudades, já que o tempo estava bom e com boa visibilidade!

A última vez que ali passei o topo nem se via, com as nuvens baixas que formavam um chapéu lá em cima!

A estrada que acabara de fazer parecia uma linha num bolso lá em baixo!

Lá em cima mais um ponto de encontro de motards!

O Totesse, um lago simpático e lindo com uma pequena ilhota e o glaciar a espreitar ao fundo,

Um francês, que me viu passar e depois tirar fotos ao lago e à moto, veio-me perguntar se eu não queria que me tirasse uma foto!

Aproveitei a simpática oferta. Ficamos ali um pouco a conversar, ele andava a passear com a esposa e chamou-lhe a atenção eu andar por ali sozinha. A sua surpresa aumentou quando percebeu que eu era de longe e iria seguir para mais longe! Gente simpática!

Temos a sensação de estarmos mais uma vez no topo do mundo!

Ali ao lado há uma estradinha estreita de montanha, de circulação alternada controlada por semáforo, que vale a pena visitar. A gente espera um pouco e vai em paz por ali fora, pois temos 15 minutos para chegar ao outro extremo. Uma vez lá, teremos de esperar pela nossa vez para voltamos.

Só vale a pena faze-la se estiver o tempo limpo pois com muita visibilidade conseguimos ver o coração do glaciar ao longe!

Para lá não estava muito à vontade pois levava um carro atras de mim e cheguei à barragem com poucas fotos. Mas no regresso trataria de não levar ninguém atrás de mim a stressar-me!

O glaciar de Oberaar e o seu lago Oberaarsee é uma das nascentes do rio Aar, o rio turquesa que atravessa Interlaken e a capital da Suíça: Bern.

Não havia ninguém por ali, parece-me que continua a ser um caminho desconhecido da maioria dos turistas! O que foi uma boa noticia para mim! 😉

Um glaciar com mais de 4km e acima dos 2.500 de altitude, que parece ao alcance da nossa mão!

Depois o caminho de regresso a Grimsel foi feito nas calmas a aproveitar bem os 15 minutos que tinha para o fazer!

Apenas havia um carro para fazer o mesmo caminho e eu deixei-o ir à frente. Curioso que também ele circulava bem devagarinho, as pessoas deviam ir lá dentro, como eu, a tirar fotos e a apreciar a paisagem deslumbrante!

O tempo deu-me para tudo, até para fazer 2 pequenos filmes do caminho!

É sempre curioso ver os lagos de montanha turbos e baços, parecendo impossível que aquela agua se venha a tornar azul-turquesa e transparente mais à frente!

A dada altura já se via o Grimselpass a serpentear lá em baixo!

E segui para Lucerna, relaxadíssima e cheia de paz!

Ao chegar ao lago ainda tinha muito tempo pela frente para rever a cidade que, para mim, é uma das mais bonitas da Suíça, mas para muita gente é mesmo a mais bela!…

Os cisnes estavam a tratar do jantar! 😀

(continua)

22 – Passeando até à Suiça 2012 – Guarda, Tarasp e Nauders

12 de Agosto de 2012 – continuação

Havia ali uma aldeia que eu tinha toda a curiosidade em visitar, uma aldeia tão bonita que já ganhou o Prémio Wakker, atribuído pelo Património Suíço à comunidade ou entidade suíça que fez mais e melhores esforços para preservar o património do país.

E claro, o nome “Guarda” também tem a sua piada, para um português!

Guarda, no Engadine Inferior, é uma aldeia tão bonita que recebeu a distinção “de importância nacional”.

Não se pode estacionar na aldeia, há um parque antes de chegar à entrada e depois temos de caminhar… mas aquilo sobe e não é tão perto como isso! Fui espreitar como era e reparei que não havia ninguém estacionado em lado nenhum, apenas nos parques privados…

Voltei ao estacionamento fora da aldeia…

Fiquei ali sem saber o que fazer, honestamente não me apetecia subir a estrada a pé e depois voltar a descê-la! Então vejo passar uma Pan igualzinha à minha e o tipo lá foi todo contente!

Claro que tratei de ir atrás, ver onde ele punha a moto! Entramos na aldeia e ele parou-a num larguito onde eu já estivera. Bem, se ele pode eu também posso, sempre sendo dois nos defendemos melhor!

“no problem“ disse ele, vendo-me olhar para a placa de “proibido estacionar”.

A verdade é que ninguém nos disse nada e foi muito melhor aproveitar o tempo para visitar a aldeia em vez de o gastar na caminhada desgastante até ao parque!

A vantagem de não ser permitido estacionar é que as casinhas estão completamente visíveis, sem carros monstruosos na frente e podemos ver bem as suas pinturas decorativas a fazer lembrar autênticos bordados!

Há ali casas com 500 e 600 anos, lindas!

Uma destas imponentes mansões inspirou Alois Carigiet um artista famoso que ilustrou uma história infantil de grande fama, ao projetar a casa de Schellenursli, numa história infantil criada por Selina Chönz, uma grande escritora suíça.

Cá está a casa da Guarda de Alois Carigiet:

E cá está a casa real que o inspirou:

Mas não faltam por ali casas espantosas e inspiradoras! Eu própria queria lá ficar a desenhar algumas!

É curioso que a maior parte das casas tem pintada na decoração das paredes a data em que foi construída e depois a data em que foi restaurada!

A língua oficial de Guarda é o Romanche, mas dá para entender o que diz na pintura:

«Fabricha – 1650» – deverá ser o ano de construção e
«Renova 1973 – 1979» – deverá ser o período de tempo que demorou o restauro!

E lá estava a minha Magnífica de namoro pegado com a Pan do austríaco! Curioso que a cor prata na Pan European é a mais banal por cá, mas não pela Europa! De tanta Pan que vi, apenas 2 eram da cor da minha e uma foi esta!

Dei mais uma voltinha pela zona mas a seguir fica uma outra aldeia muito menos interessante, Bos-Cha, com as ruas em terra batida, por isso só andei enquanto o alcatrão era bom, depois voltei para trás, pois não me apetecia andar em malabarismos!

E voltei a atravessar Guarda, com mais umas fotos tiradas em andamento, pois é impossível passar sem querer fotografar!

E lá estava ela, vista do topo do morro que lhe serve de encosta!

E a ruínha tão agradável de fazer de moto e tão desanimadora para fazer a pé! Eheheh

Mais à frente O Schloss Tarasp, um castelo encantador do séc. XII, no topo de um penhasco que, embora seja alto, fica aninhado entre as altas montanhas alpinas que o rodeiam.

O castelo é visível desde todo o lado, até que uma montanha se entreponha, e eu brinquei contornando todo o vale em seu redor para o apreciar de todos os ângulos possíveis, porque na envolvência, ele é ainda mais extraordinário!

Estamos no Baixo Engadine, um longo e belíssimo vale rodeado pelas montanhas de Engadine, ali nasce e passeia-se o rio Inn, que vai buscar a sua água ao Piz Bernina, lá acima dos 4.000 metros de altitude! Depois segue para a Áustria onde atravessa a famosa e bela cidade de Innsbruck, antes de seguir para Baviera, na Alemanha.

É uma sensação tão curiosa sentir-me no meio de tanta beleza e tão perto de mais e mais beleza!

E na minha volta ao vale o castelinho estava sempre na paisagem, deslumbrante!

Na encosta em frente fica Ftan, uma aldeia muito bonita também com mais casinhas bordadas com pinturas lindíssimas!

E segui para a Áustria de novo! Porque na Suíça a gente nunca sabe quando será melhor sair do país para chegar melhor ao país!

Mas ali eu queria mesmo dar uma vista de olhos a um caminho e a uma cidadezinha de ski!

Nauders e o seu castelinho!

A cidadezinha está muito próxima das fronteiras com a Italiana e com a Suíça e por isso foi o ponto de passagem em fuga de muitos oficiais nazis no fim da Segunda Guerra! A fuga dos “heróis”!

O Schloss Naudersberg, um castelinho do Sec XIII domina a povoação!

Eu adoro ver um castelo numa paisagem deslumbrante de montanha!

Não é o castelo em si que eu quero visitar, normalmente, quero apenas fotografa-lo no seu meio!

E para isso às vezes faço muitos quilómetros até encontrar o que procuro!

E voltei para a Suíça.

Fazendo o caminho do Festung de Nauders, um forte construído no séc. XIX para proteger a zona, já que se tratava de uma rota comercial e internacional de 3 países. Hoje funciona ali um museu militar que estava fechado!

O que me chamou a atenção ali foi a arquitetura bizarra! Ainda por cima a rua passa-lhe quase em cima, nem dá margem para muito estacionamento!

Este foi o dia dos motociclistas simpáticos, os viajantes, que andavam na estrada para ver e visitar e fiz boa parte do caminho de regresso a Monstein com estes dois casais como companhia!

Aquela foi a segunda Pan prata que vi na viagem! Por isso vi as 2 no mesmo dia, até ali e depois dali só as vi de todas as cores inimagináveis por cá, incluindo amarelo, vermelho, verde vivo e azul!

O céu estava a fechar-se prometendo chuva, na hora certa em que eu chegava a casa!

Fim do décimo quarto dia de viagem!

21 – Passeando até à Suiça 2012 – Passo del Bernina e la Diavolleza!

12 de Agosto de 2012

O dia amanhece sempre fresco por aquelas paragens, a gente sai de casa e esbarra com uns 10 ou 11 graus que nos fazem acordar de vez, se o pequeno-almoço não o conseguiu fazer definitivamente!

Havia meia dúzia de coisas a catar ainda por ali e, como os dias são ainda longos, fiz um desenho meio bizarro no mapa, de tanto vai e volta e torna a subir e a descer!

Pouco me importa se o desenho é lindo e ordenado, desde que eu faça o que me apetece e consiga ver o que me dá na telha!

Comecei por visitar um pouco mais de Monstein, que é como eu faço cada vez que estou vários dias no mesmo sítio: visito um pouco a cada dia!

No dia anterior tinha havido uma festa na aldeia e havia carros de cerveja estacionados pela rua. É sempre curioso fazer uma festa junto a uma fábrica de cerveja, adivinhem o que mais se bebeu por ali!

Há uma igrejinha logo a seguir ao hotel, muito bonita, com uma torre bem tradicional por ali. A Alte Kirche, (ou igreja velha) É uma igreja do séc. XVI ligada ao culto evangélico, que hoje é usada para reuniões e eventos na aldeia.

As flores são presença em todas as aldeias e cidades e na verdade conferem aos locais muito encanto e beleza!

As casas têm frequentemente bancos e cadeiras à porta porque, tal como algumas das nossas aldeias, dá-se muito valor ao sentar à porta a apreciar a tarde e a conversar!

E as paredes exteriores das casas mais antigas e típicas são revestidas com escamas de madeira. Era o caso do Hotel Ducan onde eu estava hospedada.

A igreja nova, Neue Kirche de finais do séc. XIX, fica logo ali à frente e é a que se vê de longe, quando nos aproximamos, pois fica na berma da encosta.


Ali deve morrer pouca gente, pois o cemitério é bem pequenino! Seria de pensar em ir viver para lá só por isso, não?

A água brota gelada das fontes, ao ponto de quando enchemos uma garrafa de agua, esta fica embaciada com a diferença de temperatura, tal como se a tivessemos tirado do frigorifico! Não é de admirar que se ponha tudo a refrescar nas fontes, como barris de cerveja!

E desci o monte… que aqui é um “descer para cima” já que Davos é também bastante alta.

Se Davos é a cidade mais alta da Europa com os seus 1.560m de altitude, Monstein não será a aldeia mais alta com os seus 1.620m?!

E fui até Davos para conhecer o meu amigo do Face, António da Silva, que me mandara mensagem no dia anterior a perguntar quando passaria por Davos!

“Davos? Eu estou aí à porta!”

Lá o conheci, a ele (o da esquerda) e ao Paulo Basilio (na foto) e o António Mendes (a tirar a foto).

Gente portuguesa, ainda por cima vindos de perto da terra onde vivo! E foi preciso ir tão longe conhece-los! Boa gente!

Lá estão os 3 junto da minha Magnífica, para memória futura de gente que conheci em viagem e conto encontrar por terras lusas, mais dia, menos dia!

Depois da conversa possível, pois eles não estavam por lá a passar férias, atravessei Davos, com os seus pormenores interessantes!

E fui passear. É curioso constatar que há quem tenha como trabalho conduzir autocarros nos Pass de montanha! É a coisa mais comum cruzar com autocarros a percorrer uma estrada toda “engelhada” de montanha!

Voltei a subir Flüelapass, que já era quase a avenida de minha casa, para ir para Bernina Pass e seu glaciar!

As neves eternas espreitam-nos por cima dos montes, por entre as arvores e eu queria vê-las de perto!

O Bernina Express passava por caminhos perto dos meus e acompanhei o comboio até a sua linha se afastar de mim.

“Não há praticamente nenhum topo de montanha na Suíça onde não se possa chegar facilmente de comboio. Cerca de 670 comboios e funiculares permitem o acesso aos mais maravilhosos recantos nas montanhas. Alguns em funcionamento há mais de 100 anos. O comboio é o meio de transporte mais utilizado para viajar pelo país e alguns fazem percursos considerados dos mais bonitos do mundo!”

E o Passo del Bernina não é exceção, mas chegar lá de moto é, sem dúvida, muito mais interessante!

O ponto alto do Pass é interessante, com o glaciar a espreitar logo ali em cima, o lago esbranquiçado e as vaquinhas a pastar. Encontrei uma vaca em stress que mordia tudo o que encontrava!

Acho que o seu grande boi a tinha abandonado ou lhe tinha posto um par de chifres e ela mastigada a frustração! Há as vacas loucas e as vacas passadas!

E o deslumbramento estava por todo o lado!

Logo ali fica Livigno e, para quem quer mais Stelvio, começa mais à frente a subida para Bormio.

Livigno é uma cidade que fica aninhada e isolada, em filinha, entre montes durante grande parte do ano o que a faz não se reger pelas leis nacionais e não ter iva! Dai o meu espanto ao ver os preços da gasolina! Ninguém acredita que num país onde os preços da gasolina 95 andam pelos 1.78 haja um recanto nos Alpes em que custa apenas 1.164! Mas é mesmo verdade! A pena que eu tive de não ter o depósito vazio!

A cidade é comprida pelo vale alongado.

Ainda fui passear um pouco para os montes para gastar gasolina… mas tive de voltar mesmo com o depósito a meio e enche-lo mesmo assim.

Encontram-se muitas motos e motociclistas pelas ruas e, de entre todos, cruzei com um casal giríssimo, que viajava em 2 motos, cada um transportando um filho à pendura! Adorei! Só não tirei fotos porque não tenho feitio para seguir as pessoas e eles seguiam em sentido contrario ao meu!

Mais tarde viria e cruzar com um outro casal semelhante, em que apenas as crianças eram mais novitas.

Os motards são bem-vindos por ali!

Passeei mais um pouco, porque a montanha é sempre fascinante para se conduzir uma moto

E voltei ao Passo del Bernina pois queria visitar o seu glaciar de perto!

Ali na redondeza há 2 ou 3 teleféricos, mas eu não iria subir mais do que um, por isso embarquei no que me levaria ao Diavolezza, que sobe dos 2.093 m (onde deixei a motita) até aos 2.978 m de altitude (onde fica o glaciar)

Sempre gostei muito de andar de teleférico, então quando aquelas paisagens estão todas brancas é uma sensação de verdadeiro êxtase, subir ao glaciar!

Lá em cima fica um restaurante simpático que apoia caminhantes, no verão e skiadores, no inverno!

Lá fora as pessoas comem e descansam ao sol, que é quente, embora a temperatura do ar seja fria. É uma sensação parecida com a do inverno, quando tudo é branco, o ar é gélido, o ar condensa-se quando falamos e no entanto o sol é quente e esturrica-nos a pele!

e depois do “patamar” em pedras soltas, onde a esplanada se instala… la Diavolleza espreita…

Caminhantes amontoam pedritas aqui e ali, em montículos maiores e menores e eles ficam ali, na berma do declive até a neve voltar a cair e tudo cobrir…

A sensação é que não há maquina que consiga registar toda a imensidão que é aquele mundo branco, com o seu rio estático, de neve que parece querer descer o monte…

Escrevia eu, ainda em viagem, na minha pagina “Passeando pela vida”:

“O glaciar de Bernina, la Diavolezza… numa foto panorâmica, pois não há outra forma de mostrar toda a sua grandiosidade!

Conheci diversos glaciares, sempre no inverno para fazer ski, mas ir até eles em pleno agosto é… avassalador! Há um pulsar por trás do silêncio das neves eternas, como se uma “alma aquosa” se mantivesse acordada, enquanto a grande entidade dorme! Ouve-se mesmo um leve restolhar de água longínquo vindo do mar de gelo e quase ficamos à espera que ele se mova…

Ele absorve todos os ruídos, como o deserto e uma paz absoluta se apodera de mim…”

Nenhum ruido chega até mim, desde a esplanada, como se não houvesse lá ninguém!

Não sei quanto tempo fiquei ali, mas foi muito!

Até finalmente ganhar coragem para me afastar e descer ao mundo real…

Há lagos que se formam com o desaparecimento das neves e a gente quase perde a noção da sua dimensão, no meio de tanta imensidão!

Mas, se olharmos com mais cuidado, a setinha vermelha aponta uma tenda “igloo” na borda do lago, e a setinha branca aponta uma filinha de varias pessoas que percorrem o caminho.

Outro lago mais abaixo, o mesmo que já fotografara na subida…

“Quando os glaciares se sucedem e se tornam paisagem acessível, o paraíso parece que desceu à terra ou que nós ascendemos ao paraíso! Lá, no topo dos Alpes, com o glaciar de Bernina a encher-me os olhos e o coração, eu acreditei no paraíso mais uma vez!

Por aqueles dias eu li num blogue de um motociclista brasileiro, Lineu Vitale, a seguinte frase e, depois de um sorriso aberto, tive de concordar com ele:

“Se você se comportar e for um bom motociclista, cuidar bem da sua moto, trocar o óleo no tempo certo e ajudar seus companheiros de viagem, quando você morrer vai para os Alpes como recompensa.”

E voltei à estrada fantástica!

(continua)

20 – Passeando até à Suiça 2012 – Lago di Resia e alguns Passos!

11 de Agosto de 2012 – continuação

Por ali pela zona não faltam restaurantes, hotéis e cafés desejando as boas-vindas aos motards e por vezes também aos ciclistas. São estradas muito frequentadas pelo povo das duas rodas e há gente que vem de toda a Europa para aquelas paragens para curtir as estradas de montanha!

E realmente eles andam por todos os lados!

E viajam em todo o tipo de motos! Encontrei muita gente a viajar de moto 4!

Mais à frente fica o Lago di Resia, onde eu já andei há 2 anos, vinda do Grossglockner.

Na altura não me apeteceu ir até ao Passo dello Stelvio, vinha da Áustria, era quase o pôr-do-sol, e à Áustria voltei. Mas desta vez era cedo e fui até ao lago que me maravilha, mais uma vez!

Escrevia eu em 2010 a propósito do lago e da torre:

“É surrealista ver-se uma torre de igreja que emerge das águas de um lago e eu não resisti em ir lá ver ao vivo!

O lago de Resia é um lago artificial, como é fácil de imaginar, se fosse natural não teria uma igreja e uma localidade no seu fundo! Ali existiam 2 lagos naturais e uma cidade, Venosta Graun, que foram inundados nos anos 50 com a construção de uma barragem.

Apenas a torre da igreja ficou visível e o efeito é no mínimo surpreendente!”

Dizem que em noites cerradas de tormenta se ouvem os sinos da torre do lago, mesmo tendo estes sido retirados há muitos anos atrás!

De dia e com sol, aquilo é uma animação!

Andava ali um grupo de foliões bem-dispostos a oferecer a versão italiana da ginginha a quem apanhavam a jeito! Estavam por lá muitas motos e muitos motards, mas eles acharam-me piada a mim por eu estar só, pois viram-me chegar sozinha e andar para um lado e para o outro.

Eu já fizera uma filinha de fotos por todo o lado e ia para a moto, quando os ouvi chamar em coro:

“hei, miss Honda!”

– o meu blusão diz Honda nas costas, não havia como ignorar o chamamento! De qualquer maneira eles já vinham na minha direção, de garrafa em punho e copito de plástico em riste!

Fizeram-me uma festa, por entre os olhares divertidos dos presentes que me tiravam fotos e chamaram-me “super donna” por ser a única condutora sozinha que eles tinham visto! 😀

Claro que aproveitei para pedir que me tirassem uma foto para mim também!

A ginja era deliciosa!

Depois lá me consegui escapar enquanto eles foram oferecer ginga a outros motards, e segui o meu caminho!

Passeando pela margem do lago, com o glaciar de Stélvio como paisagem…

Os sinais de boas-vindas a motociclistas continuam por ali fora, com parques de estacionamento especiais para as motos e tudo! Um mundo voltado para nós!

E entrei na Áustria, que se diz Österreich em alemão (muito parecido!), para seguir para a Suíça por outros caminhos diferentes!

Tudo é bonito por ali, afinal é a fama que o Tirol tem e não é por acaso!

Era cedo, por isso fui passear um pouco até Saint Moritz. Eu sei que a cidade é muito mais bonita no inverno que no verão, mas há sempre montras para ver, pessoas e recantos e, claro, o lago! Porque toda a cidade Suíça tem o seu lago ou o seu rio, e há algumas que conseguem ter os dois!

Encontram-se coisas interessantes por ali como a igreja católica de São Carlos.

Ou o Badrutt’s Palace Hotel, construído no séc. XIX e que marcou o início do turismo alpino!

O Hotel Palace tornou-se um marco pela arquitetura da sua característica torre.

Estamos a falar de uma zona onde a cada ano mais de 300 dias são de sol! (há mesmo estatísticas que falam em 322 dias de sol por ano!!)

Por isso, mesmo com neve, as esplanadas são bem-vindas e bem apreciadas! Curioso o pormenor de muitas, mesmo no verão, conservarem as peles sobre os bancos de madeira!

Depois há os pormenores que eu aprecio e que são tão mais interessantes que a cidade no seu todo!

Ali se podem encontrar as lojas e as marcas mais reputadas e a montras são originais! Eu gosto de apreciar o gosto na decoração de montras! Afinal também é uma arte!

Também há os recantos pitorescos e as esplanadas cheias de gente, ainda por cima estava calor!

E as esculturas curiosas e variadas!

Cenas de uma cidade descontraída com muito sol e calor!

Mas longe de ser a mais bonita que conheço! Lindo é o lago, que vislumbrava já por entre as casas!

Saint Moritz fica na sequência de vários lagos, o que lhe fica mais perto tem o seu nome ou Lej da San Murezzan, na língua deles!

A seguir fica o lago pequeno de Lej da Champfer que se liga ao lago maior de Silvaplanersee. Mais à frente ainda fica outro lago, o Lej la Segi, mas nem fui mais, ou nunca mais pararia de ver lagos e de os confundir uns com os outros!

Por isso fiquei-me pelo Lej da Champfer, o estreito que o liga ao seguinte e as estradinhas por ali!

Há ali uma casa, quase um castelo, na junção dos lagos, tão bonita!

Um privilégio viver com uma paisagem daquelas, deslumbrante a cada momento do ano, porque no inverno é paradisíaco também!

As ruinhas que ligam cada recanto habitado por ali são muito bonitas

e as pessoas passeiam-se naturalmente de cavalo! Eu também o fiz, no meu cavalo mecânico! 😀

Os cavalos olhavam para mim de lado… a bem dizer eles só podem olhar de lado! Os seus olhos são voltados um para cada lado, logo nunca olham de frente! 😮

E lá estava a junção dos dois lagos! Eu não iria mais para a frente, queria ir ali ao lado cuscar umas coisas.

Um Pass que eu fiz há muito tempo e que queria rever: o Julierpass

Eu já fiz aquilo de bicicleta um dia e de moto anos depois…

E há um lago, lá à frente, artificial, provocado por um dique que a mim sempre me impressionou!

Porque de um lado fica a água e do outro o monte, com casas e campos de cultivo e gente a viver!

Na minha inocência e ignorância, tenho sempre a sensação que um dia aquela agua toda avança o muro de terra, que é o morro, e afogará toda a gente por ali abaixo!

É o Lac de la Marmorera e ali em baixo está uma cidade, a cidade velha de la Marmorera, afogada desde 1954, quando aquilo foi construído…

Ao longe o muro de terra relvado esconde o lago, como se ali apenas existisse uma colina inocente!

E segui meio para trás, para voltar a Monstein pelo Albula Pass, um Pass muito antigo e bonito!

E tive direito ao meu “pedacinho de Escócia” por momentos!

Construído há quase 150 anos, sempre bonito, sempre renovado e transitável! No inverno chega-se a circular por carreiros formados pela neve, com paredes de mais de 3 metros de altura dos dois lados!

No verão é toda esta beleza!

Bergün fica logo a seguir, uma vilazinha deliciosa de origem medieval, com construções cheias de decorações pintadas, comuns por aquela zona.

Parecem casas bordadas!

E fui para casa, que por aqueles dias, e àquela altitude, a temperatura já baixava um bocado à noite!

Em “casa” esperava-me a deliciosa cerveja local, fresca e tomada no fresco do entardecer!

E voltei a jantar um prato delicioso de legumes variados (e não identificados) com queijo gratinado por cima, numa sala acolhedora e quentinha!

Que feliz que eu sou na Suíça…

Fim do décimo terceiro dia de viagem!

19 – Passeando até à Suiça 2012 – Passo dello Stelvio

11 de Agosto de 2012

Os dias em que estive em Monstein foram dias de ir e voltar, subir e descer, já para não falar no repetir caminhos e observa-los de ângulos diferentes! E o que eu gosto de andar para lá e para cá no topo dos Alpes! E desenhei um 8 no meu mapa! Ou um ∞ (infinito)!

No primeiro dia por minha conta, lá em cima, não dei ordem nenhuma ao GPS e, simplesmente segui o meu instinto e a minha memória para ir onde prometera ao meu moçoilo: até ao Passo dello Stélvio! Há uma série de anos eu fui lá, munida de mapa e muita intuição, desta vez seriam os mesmos meios que eu usaria para lá chegar!

Comecei por seguir pelo Flüelapass, que seria o primeiro do dia. Quando a nossa “casa” é por aquelas bandas não faltam Pass para nos levar e trazer de todo o lado!

Ali há 2 lagos, o Schottensee, maior, e o Schwarzsee, mais pequeno. Faria diversas vezes este pass, por isso não havia necessidade de fotografar muito, logo da primeira passagem!

Depois engrenei noutro Pass, o Pass dal Fuorn

Estava no meu caminho, e cheguei a Santa Maria Val Müstair, uma terrinha muito bonita e cheia de motociclistas que circulavam em todas as direções!

Escolhi a ruinha que me levaria por bonitas paisagens, ninguém veio pelo “meu caminho” por isso segui sozinha, monte acima!

Eu não queria fazer o Pass dello Stélvio de baixo para cima, por isso não fui dar a volta que todos davam. Preferi fazer a Via Humbrail, um “passinho” de montanha, com parte do piso em terra batida, cheio de curvas que sobem pelo meio de uma paisagem deslumbrante e sem ninguém por perto!

É melhor não me distrair muito a tirar fotos e a conduzir, num piso “areado”! Mais à frente há alcatrão e, se a memória não me engana, boas perspetivas para fotografar o “passito”!

E lá cheguei ao alcatrão, sem ninguém à vista! Acho que toda a gente faz o mesmo percurso, por isso fiz bem em fazer o “meu” sozinha! Eheheh

Com direito a paisagens, montes e espetáculo de beleza exclusivos, só para mim!

E naquela passeata, sem quase se dar conta, atingem-se os 2500 metros de altitude!

E logo a seguir aparece a placa do Passo famoso, vê-se logo pela quantidade de autocolantes acumulados na placa, a fama da rua!

Como sempre havia muitas motos por ali, muita gente a tentar tirar fotos junto das placas, muitas lojinhas de todo o tipo de bugigangas, a lembrar uma zona de peregrinação!

Claro que não neguei nenhuma foto famosa à minha Magnífica! Ela tinha o direito de ter documentada a sua presença ali! 😀

E o Passo esta logo ali, mal se começa a descer a rua… imponente!

Muita gente o observava e fotografava, uns já o tinha feito, outros iriam faze-lo.

Bem, fui buscar a moto, junto das t-shirts e dos bonecos de peluche, canequitas e postais, não iria ficar ali eternamente em contemplação!

A sensação ao olhar aquela estrada fantástica é de que ela é meio impossível de existir e de fazer! Tal como nas fotos, lá é difícil entender como “funciona”!

A primeira vez que fiz o passo, fi-lo subindo e quando cheguei lá acima, tive a sensação de que não vira nada! Por isso voltei a desce-lo para ver a paisagem, pelo menos, e é verdade, é muito mais deslumbrante descendo!

E só na descida conseguimos ver partes da estrada que fica escondida na “parede” abaixo de nós!

O glaciar está ali tão pertinho, o que torna o percurso ainda mais fantástico!

Aquela estrada sem ninguém seria o paraiso para a minha Magnífica e para mim!

Mas havia gente a stressar nas curvas e o pior é que não eram motos, senão a gente ultrapassava e pronto! Era um carro que parava em cada curva e depois fazia-a por parcelas!

Lá fui aproveitando a deixa para tirar fotos, cada vez que parávamos todos para ele fazer a curva!

Mas a dada altura aquilo estava a lixar a curtição a todos os que íamos atrás dele! Por isso aproveitei uma saída e fui fazer tempo para que aquela “coisa” se fosse embora! Curioso que uma série de motociclistas fizeram o mesmo que eu! Eheheh

E foi da maneira que consegui fotografar o Passo visto de baixo!

Passado um bom par de minutos não havia mais engarrafamento de estrada, e lá continuei a descida!

O Glaciar de Stelvio está num parque natural com o mesmo nome.

O meu Patrick desenhava a sequência de curvas e chamava a estrada pelo nome.

Na curva 48 há um recanto e um riacho em escada!

E cheguei cá abaixo… na berma da rua está uma casa cheia de tralhas e bugigangas curiosas e coloridas, parei para tirar uma ou duas fotos

O homem da casa veio logo, armado em cowboy, pedir-me um euro para eu tirar fotos!

“no tintendo!” já criei em palava única e resulta sempre! 😀

E segui para o Passo Resia, pois havia mais coisas que eu queria rever!

(continua)