20 – Passeando até à Suiça 2012 – Lago di Resia e alguns Passos!

11 de Agosto de 2012 – continuação

Por ali pela zona não faltam restaurantes, hotéis e cafés desejando as boas-vindas aos motards e por vezes também aos ciclistas. São estradas muito frequentadas pelo povo das duas rodas e há gente que vem de toda a Europa para aquelas paragens para curtir as estradas de montanha!

E realmente eles andam por todos os lados!

E viajam em todo o tipo de motos! Encontrei muita gente a viajar de moto 4!

Mais à frente fica o Lago di Resia, onde eu já andei há 2 anos, vinda do Grossglockner.

Na altura não me apeteceu ir até ao Passo dello Stelvio, vinha da Áustria, era quase o pôr-do-sol, e à Áustria voltei. Mas desta vez era cedo e fui até ao lago que me maravilha, mais uma vez!

Escrevia eu em 2010 a propósito do lago e da torre:

“É surrealista ver-se uma torre de igreja que emerge das águas de um lago e eu não resisti em ir lá ver ao vivo!

O lago de Resia é um lago artificial, como é fácil de imaginar, se fosse natural não teria uma igreja e uma localidade no seu fundo! Ali existiam 2 lagos naturais e uma cidade, Venosta Graun, que foram inundados nos anos 50 com a construção de uma barragem.

Apenas a torre da igreja ficou visível e o efeito é no mínimo surpreendente!”

Dizem que em noites cerradas de tormenta se ouvem os sinos da torre do lago, mesmo tendo estes sido retirados há muitos anos atrás!

De dia e com sol, aquilo é uma animação!

Andava ali um grupo de foliões bem-dispostos a oferecer a versão italiana da ginginha a quem apanhavam a jeito! Estavam por lá muitas motos e muitos motards, mas eles acharam-me piada a mim por eu estar só, pois viram-me chegar sozinha e andar para um lado e para o outro.

Eu já fizera uma filinha de fotos por todo o lado e ia para a moto, quando os ouvi chamar em coro:

“hei, miss Honda!”

– o meu blusão diz Honda nas costas, não havia como ignorar o chamamento! De qualquer maneira eles já vinham na minha direção, de garrafa em punho e copito de plástico em riste!

Fizeram-me uma festa, por entre os olhares divertidos dos presentes que me tiravam fotos e chamaram-me “super donna” por ser a única condutora sozinha que eles tinham visto! 😀

Claro que aproveitei para pedir que me tirassem uma foto para mim também!

A ginja era deliciosa!

Depois lá me consegui escapar enquanto eles foram oferecer ginga a outros motards, e segui o meu caminho!

Passeando pela margem do lago, com o glaciar de Stélvio como paisagem…

Os sinais de boas-vindas a motociclistas continuam por ali fora, com parques de estacionamento especiais para as motos e tudo! Um mundo voltado para nós!

E entrei na Áustria, que se diz Österreich em alemão (muito parecido!), para seguir para a Suíça por outros caminhos diferentes!

Tudo é bonito por ali, afinal é a fama que o Tirol tem e não é por acaso!

Era cedo, por isso fui passear um pouco até Saint Moritz. Eu sei que a cidade é muito mais bonita no inverno que no verão, mas há sempre montras para ver, pessoas e recantos e, claro, o lago! Porque toda a cidade Suíça tem o seu lago ou o seu rio, e há algumas que conseguem ter os dois!

Encontram-se coisas interessantes por ali como a igreja católica de São Carlos.

Ou o Badrutt’s Palace Hotel, construído no séc. XIX e que marcou o início do turismo alpino!

O Hotel Palace tornou-se um marco pela arquitetura da sua característica torre.

Estamos a falar de uma zona onde a cada ano mais de 300 dias são de sol! (há mesmo estatísticas que falam em 322 dias de sol por ano!!)

Por isso, mesmo com neve, as esplanadas são bem-vindas e bem apreciadas! Curioso o pormenor de muitas, mesmo no verão, conservarem as peles sobre os bancos de madeira!

Depois há os pormenores que eu aprecio e que são tão mais interessantes que a cidade no seu todo!

Ali se podem encontrar as lojas e as marcas mais reputadas e a montras são originais! Eu gosto de apreciar o gosto na decoração de montras! Afinal também é uma arte!

Também há os recantos pitorescos e as esplanadas cheias de gente, ainda por cima estava calor!

E as esculturas curiosas e variadas!

Cenas de uma cidade descontraída com muito sol e calor!

Mas longe de ser a mais bonita que conheço! Lindo é o lago, que vislumbrava já por entre as casas!

Saint Moritz fica na sequência de vários lagos, o que lhe fica mais perto tem o seu nome ou Lej da San Murezzan, na língua deles!

A seguir fica o lago pequeno de Lej da Champfer que se liga ao lago maior de Silvaplanersee. Mais à frente ainda fica outro lago, o Lej la Segi, mas nem fui mais, ou nunca mais pararia de ver lagos e de os confundir uns com os outros!

Por isso fiquei-me pelo Lej da Champfer, o estreito que o liga ao seguinte e as estradinhas por ali!

Há ali uma casa, quase um castelo, na junção dos lagos, tão bonita!

Um privilégio viver com uma paisagem daquelas, deslumbrante a cada momento do ano, porque no inverno é paradisíaco também!

As ruinhas que ligam cada recanto habitado por ali são muito bonitas

e as pessoas passeiam-se naturalmente de cavalo! Eu também o fiz, no meu cavalo mecânico! 😀

Os cavalos olhavam para mim de lado… a bem dizer eles só podem olhar de lado! Os seus olhos são voltados um para cada lado, logo nunca olham de frente! 😮

E lá estava a junção dos dois lagos! Eu não iria mais para a frente, queria ir ali ao lado cuscar umas coisas.

Um Pass que eu fiz há muito tempo e que queria rever: o Julierpass

Eu já fiz aquilo de bicicleta um dia e de moto anos depois…

E há um lago, lá à frente, artificial, provocado por um dique que a mim sempre me impressionou!

Porque de um lado fica a água e do outro o monte, com casas e campos de cultivo e gente a viver!

Na minha inocência e ignorância, tenho sempre a sensação que um dia aquela agua toda avança o muro de terra, que é o morro, e afogará toda a gente por ali abaixo!

É o Lac de la Marmorera e ali em baixo está uma cidade, a cidade velha de la Marmorera, afogada desde 1954, quando aquilo foi construído…

Ao longe o muro de terra relvado esconde o lago, como se ali apenas existisse uma colina inocente!

E segui meio para trás, para voltar a Monstein pelo Albula Pass, um Pass muito antigo e bonito!

E tive direito ao meu “pedacinho de Escócia” por momentos!

Construído há quase 150 anos, sempre bonito, sempre renovado e transitável! No inverno chega-se a circular por carreiros formados pela neve, com paredes de mais de 3 metros de altura dos dois lados!

No verão é toda esta beleza!

Bergün fica logo a seguir, uma vilazinha deliciosa de origem medieval, com construções cheias de decorações pintadas, comuns por aquela zona.

Parecem casas bordadas!

E fui para casa, que por aqueles dias, e àquela altitude, a temperatura já baixava um bocado à noite!

Em “casa” esperava-me a deliciosa cerveja local, fresca e tomada no fresco do entardecer!

E voltei a jantar um prato delicioso de legumes variados (e não identificados) com queijo gratinado por cima, numa sala acolhedora e quentinha!

Que feliz que eu sou na Suíça…

Fim do décimo terceiro dia de viagem!

19 – Passeando até à Suiça 2012 – Passo dello Stelvio

11 de Agosto de 2012

Os dias em que estive em Monstein foram dias de ir e voltar, subir e descer, já para não falar no repetir caminhos e observa-los de ângulos diferentes! E o que eu gosto de andar para lá e para cá no topo dos Alpes! E desenhei um 8 no meu mapa! Ou um ∞ (infinito)!

No primeiro dia por minha conta, lá em cima, não dei ordem nenhuma ao GPS e, simplesmente segui o meu instinto e a minha memória para ir onde prometera ao meu moçoilo: até ao Passo dello Stélvio! Há uma série de anos eu fui lá, munida de mapa e muita intuição, desta vez seriam os mesmos meios que eu usaria para lá chegar!

Comecei por seguir pelo Flüelapass, que seria o primeiro do dia. Quando a nossa “casa” é por aquelas bandas não faltam Pass para nos levar e trazer de todo o lado!

Ali há 2 lagos, o Schottensee, maior, e o Schwarzsee, mais pequeno. Faria diversas vezes este pass, por isso não havia necessidade de fotografar muito, logo da primeira passagem!

Depois engrenei noutro Pass, o Pass dal Fuorn

Estava no meu caminho, e cheguei a Santa Maria Val Müstair, uma terrinha muito bonita e cheia de motociclistas que circulavam em todas as direções!

Escolhi a ruinha que me levaria por bonitas paisagens, ninguém veio pelo “meu caminho” por isso segui sozinha, monte acima!

Eu não queria fazer o Pass dello Stélvio de baixo para cima, por isso não fui dar a volta que todos davam. Preferi fazer a Via Humbrail, um “passinho” de montanha, com parte do piso em terra batida, cheio de curvas que sobem pelo meio de uma paisagem deslumbrante e sem ninguém por perto!

É melhor não me distrair muito a tirar fotos e a conduzir, num piso “areado”! Mais à frente há alcatrão e, se a memória não me engana, boas perspetivas para fotografar o “passito”!

E lá cheguei ao alcatrão, sem ninguém à vista! Acho que toda a gente faz o mesmo percurso, por isso fiz bem em fazer o “meu” sozinha! Eheheh

Com direito a paisagens, montes e espetáculo de beleza exclusivos, só para mim!

E naquela passeata, sem quase se dar conta, atingem-se os 2500 metros de altitude!

E logo a seguir aparece a placa do Passo famoso, vê-se logo pela quantidade de autocolantes acumulados na placa, a fama da rua!

Como sempre havia muitas motos por ali, muita gente a tentar tirar fotos junto das placas, muitas lojinhas de todo o tipo de bugigangas, a lembrar uma zona de peregrinação!

Claro que não neguei nenhuma foto famosa à minha Magnífica! Ela tinha o direito de ter documentada a sua presença ali! 😀

E o Passo esta logo ali, mal se começa a descer a rua… imponente!

Muita gente o observava e fotografava, uns já o tinha feito, outros iriam faze-lo.

Bem, fui buscar a moto, junto das t-shirts e dos bonecos de peluche, canequitas e postais, não iria ficar ali eternamente em contemplação!

A sensação ao olhar aquela estrada fantástica é de que ela é meio impossível de existir e de fazer! Tal como nas fotos, lá é difícil entender como “funciona”!

A primeira vez que fiz o passo, fi-lo subindo e quando cheguei lá acima, tive a sensação de que não vira nada! Por isso voltei a desce-lo para ver a paisagem, pelo menos, e é verdade, é muito mais deslumbrante descendo!

E só na descida conseguimos ver partes da estrada que fica escondida na “parede” abaixo de nós!

O glaciar está ali tão pertinho, o que torna o percurso ainda mais fantástico!

Aquela estrada sem ninguém seria o paraiso para a minha Magnífica e para mim!

Mas havia gente a stressar nas curvas e o pior é que não eram motos, senão a gente ultrapassava e pronto! Era um carro que parava em cada curva e depois fazia-a por parcelas!

Lá fui aproveitando a deixa para tirar fotos, cada vez que parávamos todos para ele fazer a curva!

Mas a dada altura aquilo estava a lixar a curtição a todos os que íamos atrás dele! Por isso aproveitei uma saída e fui fazer tempo para que aquela “coisa” se fosse embora! Curioso que uma série de motociclistas fizeram o mesmo que eu! Eheheh

E foi da maneira que consegui fotografar o Passo visto de baixo!

Passado um bom par de minutos não havia mais engarrafamento de estrada, e lá continuei a descida!

O Glaciar de Stelvio está num parque natural com o mesmo nome.

O meu Patrick desenhava a sequência de curvas e chamava a estrada pelo nome.

Na curva 48 há um recanto e um riacho em escada!

E cheguei cá abaixo… na berma da rua está uma casa cheia de tralhas e bugigangas curiosas e coloridas, parei para tirar uma ou duas fotos

O homem da casa veio logo, armado em cowboy, pedir-me um euro para eu tirar fotos!

“no tintendo!” já criei em palava única e resulta sempre! 😀

E segui para o Passo Resia, pois havia mais coisas que eu queria rever!

(continua)

18 – Passeando até à Suiça 2012 – Alpes, Davos e Monstein…

10 de Agosto de 2012 – continuação

No meu caminho ficava Viamala-Schlucht! Ok, ficava porque eu quis que ficasse!

Viamala é uma garganta monumental pela sua espetacularidade! As paredes estreitas chegam a proporcionar autenticas nesgas de 300 metros de profundidade!

Aquilo fica perto de Thusis, no percurso do Reno na zona, e é digno de uma visita!

Aquelas coisinhas azuis à direita da foto, são carros! A minha motita estava lá também. Por ali se vê a dimensão do abismo!

A tradução para o nome é de “mau caminho” e, se olharmos bem para o desfiladeiro, entendemos bem porque lhe chamaram assim!

O caminho é conhecido desde a época dos romanos e já presenciou e participou em momentos altos na história da zona!

Eu pus-me a olhar para a profundeza daquilo e para a pequena multidão que se aglomerava para fazer o percurso e decidi ver “por fora” e um dia faze-lo na totalidade!

Uma daquelas promessas que faço a mim mesma, durante uma viagem, e que tempos depois me fazem sair de casa para as cumprir! 😀

E segui para Monstein passando por Tiefencastel, uma terrinha deliciosa que fica tão bem nas fotografias com o vale verde e os montes ao fundo! Postal ilustrado!

Os castelinhos nos montes dão um ar tão romântico quanto misterioso à paisagem! Mais tarde eu iria aproximar-me para ver alguns de perto e tirar fotos tipo agencia de viagens! 😉

Entretanto alcancei um grupo de motociclistas italianos muito bem ordenado e simpático, no meu caminho, que andava a apreciar as belezas do país vizinho!

A verdade é que aquela zona é digna de visita por toda a beleza que proporciona ao nosso olhar!

Com a Ruine Belford, um castelo medieval do séc. XII a despertar o imaginário!

E os montes a imitar tão bem um cenário pintado!

Cheguei a Monstein, a aldeia onde se produz uma deliciosa cerveja, com o seu nome, na fábrica de cerveja a maior altitude da Europa!!

A minha escolha de Monstein para passar 3 noites não foi casual! Na realidade, não achando eu Davos uma cidade bonita, procurei uma localidade tipicamente alpina para pernoitar e viver o espirito da zona!

Encontrei Monstein, localizada a 1620 m de altitude numa vertente do monte voltada ao sol, no vale de Landwassertal, rodeado de picos impressionantes, lindas pastagens alpinas e extensa floresta por todos os lados!

O hotel Ducan apresentava-se nas fotos como um postal habitável! Um chalé em madeira, cheio de flores nas janelas, com esplanada e terraço pitorescos e barato! E era mesmo tudo isso, para além da grande simpatia dos funcionários e de, na realidade, ainda ser mais “mimi” do que nas fotos!

Pousei as tralhas e fui dar uma volta à aldeia, que é pequenina mas cheia de vida!

Na realidade ainda apresenta as características inconfundíveis de uma aldeia típica dos Alpes. Casinhas, espigueiros, celeiros e cabanas são construídas em madeira, alguns têm mesmo o teto em telhas de madeira tradicionais e são forradas com pequenas escamas também em madeira.

Ali começam trilhos de percursos e caminhada que, no inverno serão caminhos para esquiadores!

Ainda me aventurei por alguns caminhos onde apenas caberia eu e a minha motita!

Era cedo para jantar, por isso ainda fui dar uma vista de olhos a ver se Davos continuava na mesma ou se tinha mudado muito! Não mudou o suficiente para eu gostar mais dela do que de costume! O mais bonito que tem é o lago, do outro lado da cidade!

Aqueles caminhos são sempre interessantes de fazer, com Schmitten a embelezar o regresso a Monstein!

Iria passar ali varias vezes ao dia, nos dias seguintes, sem perder nunca a vontade de fotografar a aldeia!

Decidi voltar para o hotel e jantar lá! Não me apetecia de todo andar de lado para lado à procura de um sítio para comer!

E o jantar foi uma agradável surpresa! A sala do restaurante era linda, os empregados simpáticos e a comida deliciosa!

Pedi um prato vegetariano, pois não me apetecia nem carne nem peixe e serviram-me um prato lindo e aromático. A princípio pensei que se tinham enganado, pois o prato que eu pedira era composto por queijo, lá da terra, com batatas e legumes, mas o que veio parecia-me peixe!
Embora ao comer o sabor fosse agradável mas indeterminado!

Só à 3ª ou 4ª garfada é que percebi que aquilo não era peixe e sim queijo! Uma delícia, porque o queijo embora panado, não derretera nem ficara enjoativo, pelo contrário, era fofo e… espantoso!

Adorei!

Fim do décimo segundo dia de viagem

17 – Passeando até à Suiça 2012 – de Lugano a Davos passando pelo Sant Bernardino Pass

10 de Agosto de 2012

Estava na hora de sair do Tecino e seguir para Davos, mais propriamente para Monstein, onde passaria 3 dias. Davos está longe de ser uma cidade bonita, embora também não seja feia de todo! O seu encanto reside, não da sua beleza como cidade, mas sim na sua envolvência! Por ser a cidade mais alta da Europa é rodeada por montes e estradas serpenteantes e Cols e Pass de fazer perder a cabeça! E os que não ficam perto de si, também não ficam longe, porque naquele país parece que tudo é perto de tudo!
Segui então alegremente para uma das minhas zonas preferidas na Suíça!

Claro que pelo caminho havia muita coisa que eu queria ver! Bellinzona, por exemplo! Afinal eu andara ali pela redondeza e deixara a capital do Ticino para visitar à partida para Davos!

Uma cidade com 3 castelos, o que a torna única e o seu conjunto o mais espantoso dos Alpes! O que fica mesmo no centro da cidade, o Castelgrande é o mais antigo dos 3, estava fechado aquela hora da manhã, mas podia-se ver a cidade a partir da sua muralha!

Andei por ali a cuscar um pouco… O castelo é do séc. X e XI e é mesmo grande, mas eu só o veria da encosta do outro monte.

A cidade cá em baixo é cheia de encantos e recantos!

O Palazzo Cívico, a câmara local, um edifício do início do séc. XX

Muito bonito por fora, com a sua torre

mas ainda mais bonito por dentro, com um pátio interior a lembrar um claustro!

A Igreja de Collegiata dei Ss Pietro e Stefano, que não me apeteceu visitar! (às vezes acontece-me sobretudo quando se trata de igrejas posteriores ao séc. XV… e está é do séc. XVI!)

Ao lado da Collegiata existe uma ruinha que sobe, sobe até ao castelo Montebello, mas a coisa seria muito mais interessante indo pela estrada aos SS de moto! 😀

e lá estava o segundo dos 3 castelos!

Não se paga para visitar este castelo, apenas se entra e anda-se por onde se quiser!

A paisagem a partir das ameias é muito bonita e permite ter uma ideia mais geral do “Castelgrande”, lá em baixo!

Duas torres são bem visíveis, a Torre Nera de 28m e a Torre Bianca de 27m, sobressaindo no meio do recinto muralhado!

Em ambos os castelos funcionam hoje museus! Deixei o castelo de Montebello

E segui para cima, para o castelo Sasso Corbaro e de lá pude ver o castelo de Montebello na sua totalidade! É sempre de uns que se vêm melhor os outros!

E como o Sasso Corbaro é o ultimo não havia mais nível superior para o ver!

Mas de lá podia ver toda a cidade de Bellinzona!

E pronto, estava na hora de continuar. Embora Bellinzona fique junto ao maciço de St Gottard eu não iria fazer o Pass, não me apetecia desviar do meu caminho para fazer a estrada, embora por momentos me tenha passado pela cabeça faze-lo…

Por aqueles dias andavam muitos militares nas ruas de moto, 2 a 2, de colete laranja!

E foi nessa sequência que apanhei a minha Magnífica na Cama!

E logo à frente encontrei a Sorte, o que foi uma alegria para mim, depois dos dias de azar que vivera antes da partida! 😀

As paisagens rurais por ali são simplesmente deliciosas e apetece parar a cada quilómetro para tirar mais uma foto!

E vai-se subindo e os montes vão espreitando!

E não há o que lamentar por não se ter feito um Pass, pois haverá logo outro mais à frente à nossa espera!

Com direito a lago e tudo! O Lago Dosso em Sant Bernardino Pass!

E o Pass continua cheio de beleza!

Todo enrodilhado pelo monte acima!

Lindo e delicioso de fazer, de curva em curva!

E no topo do Pass um outro lago nos espera, lindo e a grande altitude: O Laghetto Moesola!

E estava no cantão de Grisões, o cantão maior do país e o único onde se falam 3 línguas, para além de ser um dos mais bonitos da Suiça! As línguas que ali se falam são, o alemão, o italiano e o romanche (uma língua muito antiga que deriva do latim).

Já gora os cantões que compõem a confederação Suíça são 26, já que há quem pense que são 3 ou 4 de acordo com o numero de línguas que se fala no país! A prova é que num cantão apenas como os Grisões se falam 3 línguas!

E toca a descer do outro lado, pois o Pass continua por ali abaixo, delicioso!

O aspeto dele na imagem do GPS era lindo!

Mais à frente o lago de Sufnersee espera-nos, mais uma barragem lindíssima!

(continua)

15 – Passeando até à Suiça 2012 – de Sion a Lugano passando pelo Simplon Pass

8 de Agosto de 2012

Era hora de seguir para outro pouso, naquele dia iria de Sion para Lugano, onde passaria os dois dias seguintes.

Cá para nós o Ticino nunca foi a zona Suíça que eu mais gostei! De facto a zona alemã é, sem dúvida a mais bonita do país, (também é a maior), depois é a francesa e a italiana é a seguinte. Claro que isto é a minha opinião e, a cada vez que me passeio pelo Ticino algo acaba por reforçar a minha ideia!

Claro também que isto não quer dizer que aquela zona seja feia, longe disso! É lindíssima, as pessoas são simpáticas e assemelham-se aos italianos, não apenas na língua!

Claro que a caminho de Lugano fui dando uma vista de olhos a algumas coisas lindas que se encontram no caminho!

Começando pela despedida da cidade de Sion e as ultimas fotografias à sua paisagem!

Depois voltei a subir os montes, que é o que mais gosto de fazer por ali!

As estradas de montanha são deliciosas de fazer e ainda por cima têm paisagens lindas, por isso não há como evitar ir fazer mais uma ou outra!

E, já agora, encontrar recantos de paraíso que sabia estavam por ali! Como a barragem de Moiry, o seu lago e o glaciar!

A barragem tem 148 m de altura, pode-se ver a imponência do seu muro! Foi concluída em 1958, dando origem a um lago lindíssimo!

O lago tem uma área de 1400 m ² e fica a uma altitude de 2.249 m, isto é, acima da nossa Serra da Estrela! A sua profundidade máxima é de 120 m.

De lá de cima do muro pode-se ver a estrada para um lado e o lago para o outro.

A estrada que nos leva até lá, entre os montes, sempre a subir e a curvar, fica bem lá em baixo!

As águas do lago são de um azul turquesa que parece artificial, mas a cor deve-se à quantidade extraordinária de calcário concentrada nela!

Olhando para as margens quase perdemos a noção da dimensão daquilo, até vermos uma pessoa no meio das pedras e percebermos como tudo é grande! Alguém vê o pescador?

Ok, eu fiz um zoom com a máquina. Está ali, vêm-no agora? 😀

E o glaciar de Moiry espreita lá ao fundo!

Era lá que eu queria ir a seguir, não sem antes dar uma olhada ao lago visto no sentido contrario, com o muro da barragem ao fundo.

Não importa de que ângulo se olhe as aguas, elas mantêm a sua cor espantosa! E se chovesse e o céu estivesse cinzento, a cor manter-se-ia!

O riacho que alimenta o lago e vem desde o glaciar é branco.

E a agua por lá também! Como se ainda não fosse filtrada e ainda não se tivesse convertido em turquesa!

E lá está ele, um glaciar de 5km de extensão! As pessoas caminham até ele e ao seu refúgio a Cabane de Moiry, que fica a mais de 2800m de altitude!

Também ali perdemos a noção da dimensão das encostas mas, se observarmos as pessoas que caminham por elas até ao glaciar, podemos ter uma melhor noção!

Eu não sou de grandes caminhadas, sobretudo por ali que é um caminhar sem fim, que não é para quem quer fazer mais coisas no mesmo dia! Mesmo assim ainda dei uma boa volta aos lagos, por caminhos quase invisíveis!

Apreciei as florinhas alpinas e tudo, embora nunca tenha avistado a famosa edelweiss!

Um senhor seguia-me pelo trilho, mas com tanta dificuldade que comecei a ficar preocupada se ele não iria cair nos calhaus!

É inspirador passear por ali, não haja duvida!

Mas lá me decidi a descer o monte e continuar o meu caminho!

Porque quando tudo é bonito apetece ficar em todo o lado, mas não faltarão oportunidades de lá voltar!

As aldeias nas encostas dos montes são sempre tão bonitas e os chalés tão arrumadinhos, todos para o mesmo lado!

Parece que olham para nós, lá de cima, de um anfiteatro!

A estrada d’Anniviers é muito bonita!

E termina numa descida deliciosa até ao grande vale, numa sequência de curvas linda, que nos faz descer em SS como que de degrau em degrau! As árvores não nos deixam ver todo o percurso, mas houve um momento em que não resisti e encostei a moto à berma e apanhei o ziguezague em que eu seguia! Adoro passear pelos Alpes!

Eu tinha pensado ir até Zermat e visitar o Mont Cervin (ou Matterhorn, em alemão) mas “perdera-me” pelo Moiry e o tempo já não era muito. Ainda fui até Tach, a 5 km de Zermatt, depois não poderia passar com a moto, apenas de táxi ou comboio.

Era ali que eu gostaria de embarcar no comboio e ir até ao Mont Cervin, como fazia quando ia skiar, em tempos… mas era já muito tarde, dado que a viagem, passeio e regresso demora um bocado…

Prometi a mim mesma que da próxima vez farei todo o Glassier Express, uma das viagens de comboio mais bonitas do mundo… e cara também!

Ao longe via-se um pouquinho do glaciar mais famoso da Suíça…

Dei uma voltinha por Tach, uma terrinha que nunca tinha merecido uma visita minha! Apenas passava e seguia para Zermatt!

E eu que gosto tanto das casinhas rurais e de armazenamento de materiais agrícolas e cereais daquelas terras, já para não falar nos chalés lindíssimos que por ali há!!

E lá segui, pelo Simplon-Pass para Lugano que, por ali, é mais fácil aceder atravessando terras italianas do que dar a volta por terras suíças!

Este Pass não é nada difícil nem cheio de curvas acentuadas! O que o torna especial, são as paisagens lindíssimas e a altitude a que chegamos sem nos darmos conta!

Parece que estamos a passear por um livro de postais alpinos, daqueles que se compram só com imagens extraordinárias!

E lá estava no Pass, com partes cobertas que nos fazem ver o mundo por uma janela!

O rasgão provocado pelo Pass na encosta da montanha parece quase uma linha reta!

E a sua águia gigante, construída em grandes blocos de pedra, a marcar na memória de quem passa o Pass onde passa!

Adoro águias!

Depois é o deslumbramento dos Alpes a cada curva!

Próximo do cume do Simplon Pass pode-se avistar o Hospício Stockalpers, fundado por monges agostinianos em 1235, reconstruído e ampliado em 1666 e restaurado novamente em 1968. É imponente lá em baixo!

Cá para nós eu acho que os monges já andavam de moto de pau e por isso faziam os Hospícios sempre no topo dos Pass que hoje são tão famosos pelas gasadas que eles davam por ali abaixo!

Depois do fresquinho do Simplon Pass, veio o calor infernal de terras italianas e do Ticino! Quase morri! Lembro-me que ao passar em Ascona sentir um brisa fresca deliciosa e, ao olhar para o termómetro da moto ele acusava 30º! Dá para imaginar, se 30º são frescos, as temperaturas que eu já apanhara em cima!

Nem o lago me acalmou a mioleira esturricada!

Não parei em lado nenhum, quase nem tirei fotos, tudo o que eu queria era saír daquele verdadeiro inferno! Tudo o que eu queria era um banho, uma bebida fresca e uma sombra…

E cheguei a Lugano, onde me escondi na pousada de juventude, até começar a anoitecer e a baixar a temperatura! Uf…

Bendita noite, bendito lago, bendita frescura!

Pus-me a passear quase pelos quintais das casinhas na encosta, estava uma temperatura amena e eu sabia que, se no dia seguinte estivesse o mesmo calorão daquele dia, eu não iria ter paciência para ver nada, pois só há uma coisa que eu gosto de fazer com tanto calor que é conduzir! Parar, nem pensar e então caminhar, nunca!

Fim do décimo dia de viagem…