Desenhos de viagem 3

Budapeste – Agosto de 2010

A famosa Ponte Széchenyi Lánchíd que liga Buda a Peste e é um dos principais símbolos da cidade! É central e está sempre cheia de trânsito! Tive de ir pousar a moto algures e vir a pé vê-la de mais perto. Dizem que Budapeste tem 10 pontes, mas esta é emblemática!

Berlim – Agosto de 2010

A Porta de Brandemburgo, (sec XVIII), fica numa zona interdita ao trânsito, ainda “furei” o sistema e fui até lá de moto, mas acabei por caminhar calmamente depois, para poder fazer pelo menos um desenho, para além das fotos. É imponente e a sensação é de se estar perto de uma personalidade histórica!

Bratislava – Agosto de 2010

Bratislava é uma capital bem pequena e pitoresca, cheia de estátuas pelas ruas que quase se confundem com os transeuntes. Não falta onde sentar e desenhar um pouco!

Pisa – Agosto de 2010

Só ao chegar lá e olhar para aquela torre entendi porque ela não cai! Para além dos esforços e dos métodos e materiais usados para a manterem de pé, ela não se limitou a inclinar! Ela torceu o seu corpo para um lado, o que ajuda a equilibrar um pouco o seu peso! Nascida para inclinar, já que a sua inclinação começou ao mesmo tempo que a sua construção! Fascinou-me!

Santiago de Compostela – Março de 2013

É sempre uma aventura fazer um desenho rápido, à chuva e de um monumento tão extraordinário como a catedral de Santiago! Ok, eu não estava à chuva, estava aninhada na arcada do Paço de Raxoi em frente, do outro lado da Praça do Obradoiro!
Havia peregrinos por toda a arcada e depois até um cãozito se veio aninhar junto de mim! Parecia o circo dos refugiados! É original desenhar assim! Depois a gente habitua-se e sai mais um com mais pormenor e depois outro! Fiz outros a caneta, mas agora vai este!

Escócia – Agosto de 2011

Encontrar o Castelo de Eilean Donan foi como estar perante uma personagem mítica da história, daquelas que a gente apenas vê fotos e imagina à distância de muitos séculos…. Desenha-lo de vários ângulos e em várias técnicas foi uma necessidade …

Inglaterra – Agosto de 2011

Em Durham, uma cidade de origem que quase se perde no tempo, com varias construções património da humanidade, a sua ponte medieval, the Elvet Bridge, encantou-me! Desenhei-a olhando para ela e para uma reprodução pintada que estava exposta num cavalete perto da mesa onde eu estava sentada!

Pensamentos de viagem…

Há uma sensação de limite que me acompanha,

que me faz querer ir a todo o lado quanto antes,

antes que esse limite seja alcançado e eu não possa mais ir!

Há uma sensação de impotência perante o tempo,

que me faz ter consciência do meu próprio limite,

quando eu não puder mais ir,

quando o meu corpo me pesar demais

para eu o poder carregar em cima da minha moto!

(Budapeste – 2010)

25 – Passeando pelo Norte de Espanha – Avila, Salamanca… casa…

21 de Julho de 2011

Passamos o passo de Guadarrama, um dos pontos mais altos da Serra de Guadarrama, onde fica o Alto del León.

Lembro-me que a primeira vez que ali passei, há muitos anos, havia neve e eu fiquei tão assustada que parei e não tinha coragem nem de seguir para a frente nem de voltar para trás! Uma parte de mim dizia “volta” outra dizia “segue”. Então vieram carros no sentido contrário e eu parada na berma em plena subida, olhei para os seus pneus! Não traziam correntes! Enchi-me de coragem e segui. A neve estava apenas acumulada nas bermas e nas zonas onde os carros não haviam passado, fui fazendo pontaria pelos carreiros limpos e fui relaxando, pois a motita não fugia! Lembro-me de ir a conduzir e a rir-me à gargalhada, com a excitação de passar pelo meio da neve sem escorregar, com uma paisagem de cortar a respiração em meu redor!

E chegamos a Avila, uma cidade encantadora que se pode avistar de Los Cuatro Postes, um pequeno santuário ligado a Santa Teresa de Avila.

E lá estava ela, com as suas imensas muralhas!

Eu sabia que não iria ver muito da cidade. Seria para dar uma volta, ver as coisas por alto e decidi naquele momento que, na viagem seguinte que começaria dali a dias, incluiria Avila no meu caminho!

Aquela muralha medieval tem 2,5 km de extensão e de 20 em 20 metros tem uma torre, o que faz 88 torres ao todo!

E fui vendo tudo pelo exterior!

Não foi desta vez, nem da seguinte, que fiquei o tempo necessário na cidade para explorar as muralhas, mas cada coisa a seu tempo!

Aquilo tem uns quilómetros de encanto para passear!

O Jaky nem descia da moto para tirar fotografias, apenas se retorcia e fotografava! Eheheheh

A Basílica de San Vicente era um dos locais a visitar na próxima passagem na cidade, sem dúvida!

Logo ali fica la Puerta de San Vicente, que leva à catedral, mais à frente, no interior da muralha.

A Catedral del Salvador de Ávila é extraordinária e é considerada a primeira catedral gótica do país! E eu não visitaria naquele dia…

Paga-se para visitar e não justificaria pagar para a visitar a correr, por isso ficou também na minha agenda para a próxima visita à cidade!

Ainda dei uma pequena voltinha pelas ruelas circundantes.

E mais à frente encontrei o porco, que tinha ar de ser o namorado da nossa Porca de Murça!

Os bordados de pedra dos topos da catedral podiam-se ver por cima das casas.

E fui embora, que o Jaky ficara boa parte do tempo agarrado à moto enquanto eu serandava por ali…

O que eu catei um mês mais tarde aparece na minha crónica da Escócia em:

https://gracindaramos.wordpress.com/2011/11/19/41-passeando-ate-a-escocia-de-avila-ate-avis/

E seguimos para Salamanca, porque era preciso comer qualquer coisa e comer numa cidade linda é sempre mais inspirador!

A Plaza Mayor de Salamanca foi considerada a maior da Europa em 2005.

Logo ali ao lado começam as ruelas com esplanadas e era para aí que a gente tinha de ir para comer.

Não faltariam oportunidades para visitar a cidade, pelo menos para mim que passo por lá com alguma regularidade!

Enchemos a barriga e seguimos para Portugal!

Era a primeira vez em muitos anos e muitas viagens que eu não sentia nostalgia ao encerrar uma viagem! Era também a primeira vez que eu chegava a casa para esperar um curto período de tempo e voltar a partir! Era ainda a primeira vez na minha vida que, a uma viagem “pequena”, em quilómetros e distância, se seguiria uma longa e distante!

Por isso voltar ao meu país com tanta coisa por ver, numa viagem que ficou demasiado cara para o percurso que foi, significou o início de algo maior e mais à minha medida!

10 dias depois, no dia 6 de Agosto de 2011, eu estava a partir para uma viagem de 28 dias até à Escócia!

FIM

24 – Passeando pelo Norte de Espanha – La Ciudad Encantada de Cuenca!

20 de Julho de 2011 – continuação da continuação

Logo a seguir entramos no Parque Natural de la Serrania de Cuenca. Não fui procurar a nascente do Tejo nem nada. Não faltarão oportunidades para eu o fazer com calma e sem medo de caminhar o que for preciso para lá chegar. Naquele dia apenas aproveitaria para ver o que levava em mente, sem tentar fazer tudo de uma vez!

Entramos na serrania de Cuenca e o embalse de la Toba surge à nossa esquerda como um lago de águas azuis dos Alpes!

E chegamos à Ciudad Encantada… um local que eu queria visitar há tempos!

Na realidade não se trata propriamente de uma cidade e sim de um lugar cuja origem se perde no tempo, onde as pedras foram esculpidas pelo vento, pela chuva e pelo gelo, há mais de 90 milhões de anos!

Entre pedras corroidas e de forma periclitante, como “el Torno Alto”

árvores que nascem em pedras, rachando-as para crescerem,

até imensas massas gigantescas, como “los Barcos”

As pedras gigantescas parecem, por vezes, ameaçar cair sobre nós e todas têm nomes, de acordo com as formas sugestivas que têm!

Há algo de cogumelo gigante em alguns pedregulhos!

São cerca de 3 quilómetros de deslumbramento e espanto!

Nesgas estreitas deixam-nos passar por entre gigantes pedregosos!

Buracos bizarros permitem passagem por sítios inimagináveis, basta vergarmos as costas!

Há momentos em que parece que nos passeamos por cenários de filmes de ficção científica!

Seguramente que lá irei voltar um dia, para explorar mais atentamente cada pedregulho e cada caminho!

A paisagem que percorremos a seguir tem o efeito de nos trazer suavemente ao mundo real, porque ainda é espantosa mas mais próxima do comum!

E a minha Magnifica completou os primeiros 1.000 km acima dos 200.000! Momento a registar!

Por paisagens lindas!

E foi o fim do décimo quinto dia…