http://ramosgracinda.wordpress.com/

Lá vou actualizando o meu 2º blog, “Pintando pela vida” em:

http://ramosgracinda.wordpress.com/

Beijucas

Arte actual

 

 

O artista actual confronta-se com um problema que põe em causa uma definição do que é a arte. A partir do momento que, no inicio do século, se abolem todos os sistemas de significação em que a politica, a religião, a ciência são questionadas quanto à sua veracidade em termos de conceptualização e interpretação da realidade, deixa de haver uma “autoridade” em termos de retenção da verdade e como fio condutor de toda a esfera cultural, para se estabelecer uma espécie de crise de valores para os quais cada qual adianta as suas opções, os seus juízos de valor, no fundo a sua própria realidade.

 

Se, à partida, a esfera cultural é questionada invertem-se os termos dos conceitos de verdade, passando agora pela necessidade de reformulação das suas próprias premissas.

 

A racionalidade do homem é, pela primeira vez, posta em termos de dúvida, o que significa uma crise da razão e consequentemente a dissolução das certezas absolutas.

 

A consciência acerca da realidade é agora, não um todo possível tornado consciente, mas uma multiplicidade de “formas” sobre as quais o indivíduo especula e oscila.

 

É quando os movimentos contestatários, de que o movimento feminista é um exemplo, reivindicam o direito ao seu reconhecimento enquanto elemento activo e integrante do seio das sociedades, surgem novas formas de alteridade, passando a esfera social a ter em conta novos dados adquiridos pela integração dos mesmos no funcionamento em todas as esferas da sociedade.

 

A individualidade reafirmada através da forma de consciência do seu próprio eu (do individuo), determina um aprofundamento do conhecimento que tem em conta o individuo como uma totalidade, em que a acção é determinada pelo seu próprio psíquico, o superego e o ego ou parte consciente. É a acção destes dois elementos conjugados que interfere no campo das actividades humanas. É a fragmentação total, quer ao nível do indivíduo, quer ao nível da sua actividade produtiva, quer ao nível dos conceitos.

 

QUESTIONA-SE O DISCURSO E A LINGUAGEM

 

Isto tudo para dizer que o conceito de arte oscila assim, entre os pressupostos históricos e a nova abordagem do objecto. As vanguardas de que os Dadas são exemplo reclamam a morte da arte numa atitude face à derrocada das ideologias históricas.

 

As suas altitudes pretendem uma concretização do que teoricamente defendem, elevando simples objectos do quotidiano a categorias estéticas. Uma vez mais o próprio sistema absorve este tipo de altitudes, integrando-os e tornando-os obsoletos.

 

A burguesia adquire esses objectos, o que, em si, constitui a atribuição de um valor inerente à própria arte.

 

O que se fez ao longo destas décadas foi, precisamente, tentar encontrar um sentido para a arte e todas as vanguardas, através dos seus movimentos representados por certas individualidades, tentam responder a esse impasse.

 

Os Dadas, os Neo-Dadas, o Expressionismo Abstracto, a Nova Abstracção, Minimal, a Land-Art, os Action-Painting, os Happenings, são todos eles respostas através de caminhos próprios, à crise de significação. Responder ao que é a arte, qual o seu papel, o que constitui objectos estéticos é, todavia, uma questão que se foi transformando ao longo do tempo.

 

Os materiais a utilizar, os suportes, os temas, as construções de processos, são sempre suportados pelo conjunto de teorias mais ou menos simplistas acerca da criatividade. O que está sempre subjacente a estas atitudes é a tentativa de resgate às possibilidades da arte.

 

O Sr Joseph Beuys, que quando a mim é um artista total, uma vez que passa um pouco por todos esses movimentos artísticos, aponta que toda a gente é artista, o que significa dizer que tudo o que o Homem produz é arte ou vice-versa.

 

Partindo da ideia de que a matéria caótica é transformada, ordenada resultando em objectos de arte.

 

(Continua)

 

A arte e a cidade

Somos hoje obrigados a viver e conviver com um grande e progressivo grau de proximidade. Esta realidade põe-nos questões novas, impomo-nos uns aos outros independentemente da nossa vontade e, no entanto, estamos por vezes tão próximos e tão distantes! Tão rodeados de gente e tão sós! Lutamos pelas reformas menos tardias, pela redução do tempo de trabalho e de serviço, para depois ficarmos perdidos no tempo, sem saber o que fazer com ele…

Hoje os espaços culturais são tão importantes como os espaços de habitação ou de trabalho, a cidade não é feita só para comprar e vender, ou ser usada, é fundamentalmente feita de inserções sociais que enseja uma multiplicidade de práticas colectivas, sendo a actividade estética uma delas.

A cidade não é apenas uma estrutura externa a seus habitantes, é produzida por eles também, e hoje há cada vez mais a preocupação de devolver a cidade aos seus habitantes.

Depois de terem experimentado um grande processo de privatização do espaço público, através de projectos imobiliários privados, de barreiras que impedem o acesso igualitário de todos, condomínios fechados cercando áreas públicas, há um trabalho de recuperação do espaço público para quem o habita, frequenta ou visita.

Assim assistimos hoje à remodelação de jardins e praças transformando-os em espaços amplos retirando-lhes as barreiras arquitectónicas e o ruído visual. Espaços que não servem mais apenas para olhar e apreciar, mas para usar, usufruir, com condições, privilegiando a animação de rua, o ajuntamento espontâneo ou organizado do publico. Espaços vivos na cidade que não se quer morta.


O que é arte afinal?…

Hoje, com a condição de trazer a assinatura de um grande artista, um par de botas vale o mesmo que Shakespear e tudo em conformidade: Uma BD que combina uma intriga palpitante com belas imagens, vale o mesmo que o Romano de Nabokol, o que as Lolitas têm vale o mesmo que a Lolita; um slogan publicitário eficaz, vale o mesmo que uma melodia de Ruke Ellington; um bom jogo de futebol vale o mesmo que um bailado de Pina Baush; um grande costureiro vale o mesmo que Manet, Picasso e Miguel Ângelo. O futebolista e o cenógrafo, o pintor e o costureiro, o escritor e o visualizador, são, com o mesmo direito CRIADORES!

A instauração desta equivalência, que se faz com base num ecletismo que se apoderou de toda a sociedade, conduz à situação inédita e paradoxal de se conceber a cultura, não como um instrumento de emancipação, mas como aquilo de que afinal é preciso libertar-se, num momento em que tudo se transforma em cultura. Só um gesto pode não o ser: o de recusar tal designação ao que quer que seja e então, quando o rio da cultura se torna ele mesmo cultura, a vida, como o pensamento, perde todo o significado…

Pintar e pensar…

Quer a arte seja figurativa ou não, quer ela seja conceptual, minimal, figuração livre, bad-painting; quer ela apreenda o ready-made ou quer ela jogue com as técnicas da visualização, a obra pretende sempre mostrar o combate do artista contra a matéria que desafia qualquer inscrição no domínio do sentido.

Cada técnica ordena-se à volta do mesmo esquema. O instrumento técnico está incorporado aos materiais que trata, ele prolongou o olho, a mão, o gesto, sem grande dificuldade, sendo a finalidade do trabalho, da obra a mesma – a arte, sem ou com instrumento técnico…

Pintar como quem respira… uma necessidade incontrolável, indescritível… Como pode algo inanimado dar tanta vida, dialogar?

O negro contem a resposta a tudo o que quero dizer. Profundo, limpo, puro… como se fosse possível, tudo encaixa, tudo se harmoniza, suavemente com toda a agressividade que contem! Volume, espaço profundo. Vida …

A luz é o fundamental, tudo gira em seu redor.

(Como se pode permanecer eternamente na escuridão? Confundir pequenos clarões ilusórios com luz?)

Até o preto depende dela, tudo absorve e permanece negro intocável. Tudo conflui para o negro. O negro tudo possui… o negro permanece!

Transcendo-me… não consigo apanhar as pontas…

Olho para o que sai das minhas mãos e não me acho capaz de continuar… É tão longe, tão fora, tão único que tenho medo de me perder e não conseguir lá voltar!

Tenho saudades de mim, de quando as formas flúem sem sofrimentos…