23 – Passeando pelo Norte de Espanha – Albarracín

20 de Julho de 2011 – continuação

E estávamos definitivamente a caminho de casa, mas claro que até lá chegar havia ainda duas ou três coisas para ver… ok, a bem dizer haveria um mundo delas, mas não havia mais tempo.

Ao chegar a casa eu teria de estar disponível para o serviço de correção de exames nacionais e então depois novo passeio se desenharia!

Era curiosa aquela sensação de fim de viagem que não custa porque outra virá a seguir. Uma sensação que apenas tinha sentido em pequenos passeios, quando a cada um se sucede outro, mas sempre pequenos. Desta vez seria uma viagem grandinha seguida de outra maior! Que coisa mais fixe!

E então a seguir veio Albarracín!

Uma cidade encantadora na encosta de um monte, entre a Serra de Albarracín e os Montes Universales! Olha-se para ela como para uma cascata sanjoanina, com o castelinho no topo!

Não é preciso entrar muito nela para se entender porque foi considerada Património da Humanidade! Tudo por ali é encantador!

A rua passa-lhe por baixo e fiquei a olhar “por onde se entra ali?”

E o encanto começa logo a seguir!

Coitado do Jaky, que voltava a ter de se arrastar encosta acima, calçada abaixo para ver qualquer coisa do local!

Quem tem dificuldade em andar sofre numa viagem mais cultural, porque não basta conduzir moto e siga em frente! Se se quer ver, tem de se caminhar, para além de conduzir!

E Albarracín “dá trabalho” a visitar porque é ingreme, de ruelas estreitas, onde só se pode ver algo caminhando!

E no meio das ruelas intrincadas e estreitas chega-se à praça principal! Toda a cidade espanhola tem uma praça!

Praça onde desembocam uma infinidade de outras ruelas!

As casas que cercam a praça são encantadoras, algumas mesmo vertiginosamente encantadoras, pela forma como se acumulam ao alto, fazendo-nos sentir pequenos!

Coisas giras que se encontram por ali!

E há uma calma, feita de descontração e simpatia, em cada praça espanhola!

Então, depois de uma breve pausa, segui para o castelo! Ele era mais à frente um bocadinho, depois de mais ruelas estreitas ladeadas de casas giras!

Estávamos a chegar a um dos topos da cidadezinha e víamo-la lá em baixo, bem como a muralha do castelo na outra encosta!

Não pude visitar nenhuma igreja nem catedral porque estava tudo fechado!

A hora do almoço e da “siesta” é “sagrada” para aquele povo! Gente sábia!

E cheguei ao castelo!

Do séc. XII e de origem muçulmana, está em restauro, pois tinha chegado quase à ruina. Os degraus denunciam o grande desgaste dos tempos!

E lá de cima tem-se uma perspetiva muito bonita de toda a envolvência, embora o castelo esteja fechado e por isso não podendo entrar, não conseguimos visualizar a paisagem em todas as direções!

A descida fez-se pelo outro lado, porque havia ali uma infinidade de ruelas que eu queria ver!

E não é que há portas à medida das motinhas! Eheheh

Se eu morasse ali teria uma mobilete para ir desde a moto até casa, pois a Pan não circularia facilmente por algumas daquelas ruínhas!!

Eu não conseguia parar de fotografar os recantos, cada um como um postal ilustrado digno de um livrinho de enquadramentos históricos.

E lá tive de me ir embora… depois de um milhão e meio de fotos!

(continua)

22 – Passeando pelo Norte de Espanha – Teruel e os seus Amantes!

20 de Julho de 2011

Embora o que eu mais queria ver nesta viagem já tivesse visto, passear por Espanha é sempre deslumbrante e o encanto manteve-se, mesmo fazendo já o caminho de regresso e aproximando-me do fim.

As estradinhas secundárias, as ruelas por entrecampos que ora atravessam, ora nos levam por entre montes, tornam qualquer passeio pelo país variado e de condução deliciosa!

De repente no meio de nada aparece mais um pequeno pueblo que vou registando com a minha maquina fotográfica, que serve frequentemente de “bloco de notas” em andamento, quando não posso escrever o que quero mas posso fotografar para mais tarde recordar, o que era e onde era, para poder voltar, como Oliete ou as Cortes de Aragón!

Uma coisa a que estou habituada quanto baste é a não querer ver tudo de uma vez e registar o que ficará para uma outra viagem! Naquele momento eu queria estrada, caminho e o meu destino era mais além!

E paisagens e planícies era o que não faltava por aquele caminho para me deliciar!

A caminho de Teruel, Alfambra surge na berma da estrada como um postal ilustrado com elementos inesperados!

Uma ponte sem ponto de partida nem destino, a Puente de la Venta, que nunca funcionou porque atravessaria uma linha, do princípio do séc. XX, que nunca foi ativada! Tornou-se ela mesma uma obra de arte, não apenas pelo seu estilo modernista mas também porque sobre ela se instalou uma obra que a tornou um conjunto artístico intitulada “El Sueño”.

Um Pueblo que poderei vir a catar mais de perto quando volte a passar por ali!

E cheguei a Teruel!

Uma cidade cheia de edificações mudéjares, que a tornam encantadora e a fizeram património da humanidade!

A catedral é um exemplar quase único no estilo mudéjar. No posto de turismo uma maqueta do edifício dava uma ideia da sua dimensão, já que não o visitaríamos naquele momento.

Mesmo ao lado do posto de turismo fica a iglesia de San Pedro de Teruel, outra construção mudéjar do séc XIV. O estilo mudéjar é um estilo artístico/arquitetónico exclusivo da Península Ibérica, desenvolvido durante a idade média até ao renascimento, que mistura os estilos cristão e islâmico.

E é lá que está o Mausoléu dos Amantes de Teruel

Diz a lenda que, no inicio do séc. XIII, Isabel de Segura e Juan Marcilla se apaixonaram perdidamente mas, como o rapaz era pobre, o pai da rapariga nunca o deixaria casar-se com a filha. Então deu-lhe um prazo para fazer fortuna. O rapaz foi tratar de vida mas, quando voltou, no limite do prazo… Isabel estava já casada com outro! Ora o moço, muito infeliz, foi visita-la a sua casa e pediu-lhe um beijo. Ela que não queria ser infiel ao marido negou-lho e ele caiu morto de dor. No dia seguinte, enquanto a população velava o falecido, na iglesia de San Pedro de Teruel, uma mulher coberta de negro aproximou-se e deu um beijo de despedida no falecido e caiu morta a seu lado. Era Isabel que morria também ela de desgosto e os dois foram sepultados juntos.

Esta história percorreu os tempos e chegou aos nossos dias através de canções medievais e peças de teatro barrocas e a verdade é que, lenda ou não, havia registo de onde os amantes teriam sido sepultados, num dos altares da igreja e, ao explorar-se o local, no séc. XVI, foram encontrados 2 corpos juntos, de um casal jovem…

Nos túmulos esculpidos com as suas imagens, as suas mãos estão próximas, mas não se tocam porque o seu amor nunca foi consumado!

A capela onde estão os túmulos é anexa à igreja e já não é a primeira nem a segunda versão de túmulos que eles têm.

Faz um efeito estar na presença de dois túmulos simbolicamente carregados de significado…

Ao mesmo tempo faz pensar num pensamento de alguém que dizia que o amor de Romeu e Julieta foi avassalador, eterno e histórico… porque eles nunca se casaram! Senão teria terminado em inferno! Eheheheh

Estes dois, pelo menos, se se tivessem casado e tido filhos e tal, seriam hoje uns ilustres desconhecidos como toda a população da época!

Percebi, depois de tirar uma foto a cada um dos meninos, pelos buracos dos túmulos, que não era permitido fotografa-los!

Mas já estava, só não deu para focar melhor! E a verdade é que eles estão mesmo lá dentro!

Então fomos visitar a igreja. Ela foi redecorada em estilo modernista neomudéjar no séc. XIX e o efeito é lindo!

Aqueles tetos pareciam repletos de estrelas!

No claustro fica um dos “expositores” usados anteriormente para alojar os amantes. Não sei como, pois a estrutura é estreita e alta! Presumo que eles estivessem de pé!

O claustro é neogótico, pois o verdadeiramente gótico foi demolido, no final do séc. XIX! Não é só cá na nossa terra que se fazem bostas dessas!

E subimos lá acima ao topo da igreja e tudo! A cidade amontoava-se lá em baixo!

A famosa torre, que é a mais antiga de Teruel, do séc. XIII, estava de repente ali ao alcance da minha mão!

E lá de cima a igreja era linda de se ver!

É sempre giro quando me sinto perto do teto!

As ruelas em redor da igreja são muito estreitinhas, características das urbanizações medievais e anteriores.

Na Plazza de los Amantes estava a decorrer uma animação sobre os diversos casais de amantes, desde os próprios Isabel e Juan, até Romeu e Julieta, passando por Tristão e Isolda ou Cleópatra e Marco António.

Miúdos e graúdos estavam muito animados e atentos ao momento teatral!

E fomos andando para a moto, embora eu ainda fosse pondo o olho por aqui ou por ali!

E tratei de ir embora que o Jaky ficara já “agarrado” à moto pronto para partir!

(continua)

21 – Passeando pelo Norte de Espanha – Barcelona e o Parque Güell de Gaudi…

19 de Julho de 2011 – continuação

E como a cada vez que vou a Barcelona, passei em algumas “capelas”, e porque desta vez levava o Jaky e tudo, que nada conhecia da cidade, passamos no Parque Güell!

Poucas vezes vi aquele parque com pouca gente, parece sempre a “aldeia dos macacos” cheio de gente que teima em nem sair da entrada e fazer-se fotografar junto a todos os bonequinhos revestidos de cacos de cerâmica, como se uma foto sem gente fosse uma coisa a evitar a todo o custo, fazem mesmo filas para se fotografarem junto aos lagartos e fontes e sei lá que mais! Eheheheh

Ir ao Parque Güell será sempre uma animação para mim! O que vale é que enquanto toda aquela gente se mantem na entrada do parque e no patamar superior, o resto vai ficando meio livre para quem quer ver outros pormenores! Como os pavilhões da entrada, edifícios típicos do arquiteto, cheios de pormenores extraordinários. O pavilhão maior era a casa do porteiro e eu não me importava nada de ser porteira daquilo tudo só para viver em tal casa!

Não consigo ficar indiferente aos pormenores que eram, afinal, característica típica do arquiteto!

Da janela vê-se a entrada do parque e o movimento que nele se sente o tempo todo! Aquela escadaria é espantosa, com paredes revestidas a cacos de cerâmica que parecem ter ameias, e medalhas, e brasões!

A escadaria divide-se, volta a juntar-se e a bifurcar-se e nesses meios há as esculturas e as fontes que atraem tenta gente para a fotografia!

Àquela hora ainda não estava muita gente agarrada a elas, mas há horas em que nem as conseguiria ver!

O nome do parque vem do Conde de Güel, Eusebi Güel o principal mecenas de Gaudi e para quem o arquiteto realizou algumas obras bem famosas e que mantêm o nome do Conde, na cidade.

Inicialmente o local era meio desértico, chamava-se mesmo «Montaña Pelada» e foi Güel quem decidiu construir uma urbanização ali, ele queria uma cidade jardim e Gaudi “esculpiu” um jardim na encosta, onde plantou árvores mediterrânicas, por caminhos ladeados de muros ou pilares feitos em pedra local.

Na zona central e principal do parque ele criou um verdadeiro jardim suspenso, ou suportado por pilares, num ambiente quase surreal e absolutamente encantador!

Aquele espaço chama-se Sala Hipostila ou Sala das Cem Colunas, criada para funcionar como mercado da urbanização.

Lembro-me que a primeira vez que ali fui, estavam dois homens, no meio da “colunata”, a tocar guitarra e tambor de aço e a acústica do local tornou aquele momento inesquecível. Sempre que lá volto relembro a música e o ambiente que me acolheu naquele dia!

As colunas têm espaços maiores entre elas, de quando em quando, como se faltasse uma coluna, e nesses espaços os tetos têm medalhões que fazem a união decorativa entre elas, onde devia ter uma coluna e não tem. Estamos a olhar para o nosso teto, cá em baixo, que é o chão da praça superior.

Saimos da “colunata” e, que lindos aqueles telhadinhos dos pavilhões, que parecem de brincar!

Da base das colunas pode-se ver a entrada em enquadramentos planeados pelo arquiteto!

Então contornamos a Sala Hipostila e a perspetiva é original!

E vê-se a cidade e o mar Mediterrâneo lá de cima!

Dali podemos ter também uma ideia da variedade de plantas e árvores que foi plantada ali!

E o povo fica por ali sentado nos bancos adoçados aos muros, revestidos de cacos de cerâmica. O chão da grande praça é em terra batida e a água é drenada pelo interior das colunas, por baixo, até uma cisterna que a armazena para a rega do parque.

Depois das visitas daqueles dois dias e que me haviam levado a Barcelona, o dia estava feito, por isso foi pegar na moto e rolar sem pensar, apenas curtir a estrada e a condução, embora não me pudesse “esticar” muito porque para o Jaky andar a 120km/h era dar uma “boa aceleradela”. Por isso foi placidamente que passamos na praia para tomar uma bebida fresca e curtir uns momentos de paz ao sol.

A minha Magnífica fez logo uma amiga grande!

E fomos dormir a Andorra… Não, não o país! Andorra cidade espanhola que fica na província de Teruel! É no mínimo curioso depois de andar para longe de uma Andorra chegar a outra!

Fomos muito bem recebidos pelas pessoas que se fascinaram com as motos! A minha Magnifica encheu os olhos pela grande dimensão e por ser conduzida por mim! Foi um momento agradável em que os miúdos se aproximavam e os pais não sabiam o que fazer. Deu para tirar fotos e tudo e as pessoas perceberem que nós eramos boa gente!

O hotelzinho ficava logo ali na praça onde paramos e o senhor teve o cuidado de nos arranjar quartos virados para a frente para que a gente não ficasse muito longe das nossas motitas! Simpático!

Tivemos um belo jantar com oferta de digestivo e tudo. Gente boa!

E foi o fim do décimo quarto dia!

20 – Passeando pelo Norte de Espanha – Barcelona e a Sagrada Família de Gaudi

19 de Julho de 2011

Acordei de manhã determinada a que não haveria nada que me impedisse de visitar a Sagrada Família, nem que eu tivesse de passar o dia todo à porta à espera para entrar!Mas era cedo e embora já houvesse fila quando lá chegamos não seria para demorar muito tempo a entrar.

Era a 5ª ou 6ª vez que visitava a grande igreja. Desde a primeira vez que lá passei, e ela tinha apenas as paredes exteriores de pé e todo o seu interior era um enorme estaleiro em terra batida, cheio de materiais de construção, gruas e equipamentos semelhantes, que eu quis acompanhar a obra e tenho-o feito com espaços longos entre as visitas, para sentir mais a evolução dos trabalhos.

Depois que o Papa a consagrou em Novembro de 2010, eu decidi que estava na hora de lá voltar e vê-la sem todos os andaimes dos ultimos tempos no seu interior!

Conhecido apenas como Sagrada Família, o Templo Expiatório da Sagrada Família é deslumbrante! A grande obra-prima do arquiteto catalão Antoni Gaudi, a que ele dedicou grande parte da sua vida, começou por ser um edifício neogótico, pensado por um outro arquiteto, mas acabou por se tornar às suas mãos um edifício espantoso, o símbolo mais extraordinário da arquitetura modernista espanhola e um templo onde tudo é pensado em simbologias de formas, estruturas e luminosidades únicas! Dizem que só estará completo em 2026, quando se comemorará o centenário da morte do grande génio que a concebeu!

E quando entrei o paraíso era logo ali…

Os tetos são sustentados por colunas inspiradas em troncos de árvores que se abrem em galhos espiralados no topo e a distância provocada por toda aquela dimensão faz parecer que o topo está tão perto do céu!

Vertigens que me obrigam a sentar e, sem conseguir tirar os olhos do topo, fico hipnotizada!

Estou no centro do transepto e aquele teto fantástico cruza em cima de mim, lá no alto.

Só me lembro de ficar a olhar para um teto cheia de espanto assim quando visitei a capela Sistina, mas desta vez a hipnose era mais intensa, desta vez o meu êxtase foi bem maior!

O altar fica ali, rodeado de luz e aberturas, com a imagem de Cristo Crucificado pendurado, no meio do vazio, com uma filinha de luzes que o rodeiam… tão leve!

E a nava central é cruzada pelo transepto multiplicando o efeito de cúpula e infinito lá em cima!

Simplesmente não se consegue deixar de ficar ali a olhar para o teto…

Gaudi deixou construída uma “pequena” parte do templo, se pensarmos na dimensão que ele terá quando concluído! Hoje tenta-se completar a obra o mais de acordo com os seus projetos, embora se tenha de criar muita coisa que foi perdida durante a guerra civil e a segunda guerra, incêndios e perdas acidentais do género.

Há arquitetos catalães que defendem que a obra não devia ser concluída para não adulterarem a vontade e o projeto inicial de Gaudi…

Mas, pessoalmente, acho que se há elementos básicos suficientes para se concluir a obra, será melhor conclui-la do que ficar com um resto inacabado de uma obra que entraria facilmente em ruina por causa da exposição aos elementos!

O coro está previsto para suportar coros de 1500 de pessoas! Na realidade ele circunda boa parte do templo como uma imensa varanda!

A nave central ainda não tem os vitrais todos concluídos, mas já é digna de se ver e os efeitos de luz são bonitos mesmo assim!

Apaixonei-me por este templo desde o primeiro momento em que o vi ao vivo e volto a apaixonar-me a cada visita!

Os vitrais já colocados provocam jogos de luzes de cores quentes e frias que prendem o olhar! São espantosos!

O jogo de colunas e luzes e cores é deslumbrante e eu quis ficar ali o resto do dia a olhar…

Cá fora a fachada da Natividade é a mais antiga e aquela que foi construída por Gaudi. Está previsto que entre em restauro quando toda a igreja estiver completa.

Ali são representadas cenas do nascimento de Cristo e toda a fachada parece uma enorme escultura!

Como o arquiteto sabia que não conseguiria construir todo o templo no seu tempo de vida decidiu construir toda uma fachada que desse um rosto ao seu trabalho e incentivasse a continuação da construção. Por isso escolheu a fachada da Natividade por ser mais agradável para a população. E por isso eu acho que está certo concluir a obra pois seria essa a sua vontade!

Por a fachada da Natividade ser contemporânea de Gaudi e a fachada da Paixão ser de construção posterior e porque a segunda é bem menos “trabalhada” e em linhas muito geométricas, há quem pense que esta foi adulterada durante a construção recente! Mas os desenhos originais do arquiteto testemunham que ela é como deveria ser!

As maquetas dos interiores, das colunas, das cúpulas e até das torres estão disponíveis para visita no museu do templo.

E até se pode prever como irá ficar a “porta principal” da igreja! Porque as fachadas já existentes são as laterais! Está neste momento em construção a fachada da Glória e pode-se ver na maqueta como ela será!

Os estudos de Gaudi sobre o “comportamento” na natureza para construção das suas estruturas arquitetónicas pode-se perceber pela maqueta feita de fios e pesos, pendurada no teto, que mostra como é a curva natural das coisas! As tais curvas hiperbólicas que ele sempre usa!

E passamos por baixo da maqueta dos tetos da igreja e quase nos sentimos lá!

Volto à fachada da Paixão dedicada à condenação e morte de Cristo, por isso Gaudi a criou austera, retilínea e fria…

Mesmo as esculturas são geometrizadas, acentuando o frio e triste de cada cena…

Uma visita carregada de sensações, cheia de emoções e repleta de enquadramentos fantásticos em milhares de fotos que me provocam sensações ainda hoje, ao olhar para elas!

Já está marcada a proxima visita para daqui a uns 2 ou 3 anos para ver como vão as obras, já que a ultima vez que lá fui foi em 2008! 😉

(continua)

19 – Passeando pelo Norte de Espanha – Barcelona e a Casa Batlló de Gaudi…

18 de Julho de 2011 – continuação

Apenas a quinhentos metros da Casa Milá, no mesmo Passeig de Gràcia, fica a magnifica casa Batlló, com ares de dragão revestido de azulejo e paredes retorcidas em decorações fantásticas!

Esta casa é a remodelação de um edifício anterior e que o proprietário confiou a Gaudi e que foi executada quase em simultâneo com a Casa Milá, entre 1904 e 1906. Mais de um século depois ainda espanta tantos olhos, imagine-se na época!

Na cidade a casa é conhecida como “la casa de los huesos”- casa dos ossos, devido à sua decoração exterior, sobretudo os balcões com pilares ósseos; “la casa de las máscaras”- casa das máscaras, devido à semelhança das varandas com crânios, “la casa de los bostezos”- casa dos bocejos, porque parece que se abrem bocas e olhos na fachada ou “la casa del dragón”- casa do dragão, porque há um dorso escamoso sobre ela, que desperta o imaginário mais fantasioso! Deslumbrante!

Era o meu dia de sorte! Não havia qualquer fila para entrar na casa!

O Jaky não quis ir visitar, são coisas que não interessam a toda a gente, mas nada me impediria de ir visitar a casa, esperasse quem quisesse! Não hesitei, comprei o bilhete e lá fui eu!

Nos interiores tudo é pensado e projetado com cuidados decorativos extraordinários, tão característicos de Gaudi e do modernismo Catalão, uma variação da art nouveau .

O grande balcão visto do interior é tão extraordinário como visto do exterior!

Lá em baixo o Jaky esperava na seca, enquanto eu me deliciava cá dentro! Como pode alguém ficar à porta de tal construção, sem nem ter curiosidade de a ver por dentro, deixando ela adivinhar a sua beleza pela fachada extraordinária que exibe?

O teto da sala do grande balcão é ondulado em espirais e exibe um candeeiro de teto que produz efeitos de luz muito bonitos!

Há coisas que parecem tão recentes que até põem a gente em dúvida “isto foi feito quando mesmo?”

E sai-se para o pátio da traseira, por portas tão extraordinárias como se fossem principais!

O pátio faz a gente esquecer que está lá atrás, no meio das traseiras de todos os edifícios que para ali dão, de costas para nós, portanto!

E lá está a casa de costas!

Uma coisa que me tira do sério é o descuido que muitos arquitetos manifestam com as traseiras do edifícios que projetam! Como pode um edifício lindíssimo ter uma traseira miserável se a gente também vive com outras perspetivas do mundo, que não a frente de tudo? Porque têm de sujeitar uma população a viver com as traseiras horrorosas dos edifícios que lhes viram as costas?

É um pormenor que admiro em Gaudi, todas as perspetivas de um edifício têm os seus encantos, até as traseiras, até os telhados!

E as grades? As grades fascinaram-me!
Uma versão lindíssima do arame farpado, transformado em belas facas e navalhas, próprias para a conjuntura atual de assaltos e ladroagem, que fariam os ladrões terem de treinar para faquires para passa-las! eheheh

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O interior do edifício é “oco” em dois profundos pátios interiores, como sempre Gaudi gosta de usar para fornecer luz natural aos interiores.

O efeito é lindo e misterioso!

Tinha de continuar a subir. Boa parte do edifício está fechado a visitas pois é usado para reuniões, seminários e convenções, mas vai-se subindo e vendo o que está a visita.

Na realidade a casa deixou de pertencer à família Batlló depois da guerra civil, quando serviu de reduto a uma série de refugiados. Naquela época sofreu graves danos e nos anos noventa foi restaurada pelos novos proprietários que a abriram a aluger como salas de congressos e reuniões e posteriormente ao público como visitas guiadas por áudio-guia.

Chega-se ao topo do edifício e ao dorso do dragão!

Lá está ele!

Pormenores que eu queria tanto ver de perto, sem imaginar que lhes poderia mesmo tocar!

Ali dentro daquele aglomerado de chaminés fica o recanto da água! E a gente entra e sente a água em nosso redor. Uma espécie de fonte no centro irradia sensações aquosas que se refletem no teto concavo…

Os reflexos movem-se como se a água luminosa irradiasse reflexos de movimento no teto! Uma sensação refrescante e inesperada!

E desci para o interior do edifício em curvas parabólicas que lembram, tal como na casa Milà, o interior de um ser gigantesco adormecido!

Enquadramentos quase lunares!

Perspetivas alucinantes…

a caminho da saída…

A espetacular fachada não deixa ninguém indiferente e faz transeuntes pararem para olhar a qualquer hora do dia.

Há leituras e interpretações das sensações que o edifício provoca em quem o observa mais atentamente! Fala-se da fachada escamosa em múltiplos tons e um telhado com a aparência de um dragão, a cruz de quatro braços em cima de uma torre cilíndrica que surge do telhado que poderia representar o punho de uma espada e as colunas com aspeto de ossos, as varandas metálicas que lembram crânios, levaram a ligações populares à lenda de São Jorge, santo padroeiro da Catalunha.

No final da visita o áudio-guia agradece aos visitantes porque é graças ao dinheiro que pagamos que permitimos que a casa se mantenha perfeita e linda para quem vier a seguir!

Adorei!

Fim do décimo terceiro dia de viagem…