68 – Passeando até à Suíça 2012 – A França – Laon, Paris…

1 de Setembro de 2012 – continuação

A minha entrada e França trazia já consigo o sabor a despedida, a regresso, embora ainda tivesse muitas coisas em mente para ver e uma série de quilómetros para fazer até casa!

A França é um país encantador e os seus encantos são do tamanho do seu grande território, já que cada província, cada região, é única e diferente de todas as outras!

Passear por França é, para mim, um dos grandes prazeres! Ter de a atravessar para começar ou terminar uma viagem, é sempre um encanto!

Passei em Guise onde, na berma da estrada, se encontra o Cimetière Militaire Franco-Anglo-Allemand de Flavigny-le-Petit… as duas grandes guerras separaram aqueles homens, a morte os juntou…

La Desolation… é realmente o sentimento que nos acompanha ao passar por ali!

Não tinha previsto parar em lado nenhum, apenas apreciar e curtir as belas estradas nacionais que atravessam o país, com paisagens deliciosas de perder de vista.

Mas não me contive ao passar em Laon… passara ali ao subir para Brugge e apeteceu-me tanto passar para ver a catedral de Notre Dame de Laon, que desta vez não resisti e fui lá acima numa corridinha! A catedral é uma enormidade lá na parte alta da cidade! A sua dimensão e imponência são visíveis a grande distância, no cimo da colina, parecendo desmesurada perto da envolvência!

Imagine-se de perto!

O tempo não era muito mas seria o suficiente para me encantar com aquela que é uma das mais importantes catedrais do gótico primitivo francês, construída entre os séc. XII e XIII, e chegou intacta até nós, em toda a sua grandiosidade, depois de revoluções e guerras lhe terem passado à porta!

Temos de fazer alguma ginástica para a apanharmos totalmente numa foto!

Lá dentro quase provoca vertigens!

Deslumbrei-me ao vê-la ao vivo…

Aqueles vitrais azuis são espantosos em contraste com a pedra branca!

E lá tive de me forçar a saír dali, ou ainda lá estaria hoje…

A envolvência da catedral é uma zona histórica pitoresca

Quase demasiado “apinhada” para conter uma tão grandiosa construção! Os franceses eram assim, não construíam à dimensão do ser humano, como por cá os portugueses! Construíam mais à dimensão de gigantes, de deuses!

E lá vim por ali abaixo, para seguir o meu caminho, mas sem perder a catedral de vista por muito tempo!

A bem dizer, parece que a colina da catedral é a única elevação por muitos quilómetros em redor!

Quilómetros de terra cultivada, longas searas, moinhos de vento no meio de lado nenhum!!

E por falar em moinhos!

De repente deu-me uma vontade de algo diferente, excitante e surreal, no meio de tanta planície! Como se faz na piscina, tapa-se o nariz e salta-se, eu retive a respiração e mergulhei em Paris!

Atravessar Paris foi a loucura total, depois de tantos quilómetros de condução solitária! Foi um mergulho na loucura da maior cidade da Europa ocidental, que já não estava de férias e por isso estava frenética!

O Moulin Rouge é o segundo ponto turístico mais fotografado da cidade, depois da torre Eiffel, e eu não quis perturbar a estatística e também tirei mais umas quantas fotos, lá à porta!

Ainda passei no Sacré Coeur, mas qualquer ilusão de o visitar por dentro, caiu por terra ao me sentir completamente engolida pelo trânsito e pela multidão! Siga mas é para a frente!

O povo e as bicicletas são como moscardos por aquelas ruas! Até os polícias engrossam a enchente nas suas biclas!

Passei na Catedral de Notre Dame e tirei uma ou duas fotos à minha Magnífica parecidas com as que tirei da última vez que ela lá foi!

Porque visitar a catedral por dentro estava completamente fora de questão já que, contra tudo o que eu esperaria de acordo com outras passagens por ali, tinha fila para entrar!!

Nem pensar em pôr-me em filas! Tirei mais uma ou duas fotos ao belo edifício por fora. A bela catedral que é uma das mais antigas no estilo e que foi eternizada por Victor Hugo.

E deixei Paris para outra altura, em que eu lá decida voltar em Agosto, quando os parisienses estão de férias na costa e deixam o interior mais calmo e vago!

E saí do outro lado da cidade, como quem emerge de um mergulho prolongado, completamente revitalizada, depois de fazer uso dos meus dotes de condução mais agressiva e ágil, que já estava a fazer falta à minha motita!

E segui para Orleães, onde ficava a minha casa naquela noite!

Fim do trigésimo quarto dia de viagem!

67 – Passeando até à Suíça 2012 – A Bélgica – Liége, Mons…

1 de Setembro de 2012

Quando eu fiquei até mais tarde no paleio com o pessoal instalado na pousada foi a noite em que os meninos das motos foram para a cama cedo e não nos encontramos de novo! E escolheram mal a noite para ir cedo para a cama, pois estava linda! Fresca, mas linda!

Seria o dia da minha partida da Bélgica, depois de ter satisfeito a minha curiosidade por aquele país que parece tão esquecido de toda a gente e que, afinal, é tão bonito! Tenho consciência de que deixei muita coisa para ver, mas fi-lo a pensar que outras vezes lá passarei e não tenho necessidade de ver tudo de uma vez só! Depois, o que veria eu um dia que ali passe a caminho da Noruega, por exemplo? 😉

O regresso à bela França fez-se em dois ou três passos, que desenhei alegremente no meu mapa!

Mas, como sempre, fui dar uma voltinha por Liege!
Eu já sabia que não era a mais bela cidade da viagem, mas nunca parto sem catar um pouco da cidade que me acolheu!

Uma das esculturas bem conhecidas de Liege “L’Envol” fica na margem do rio…

Liege não é uma cidade muito bonita mas é uma cidade cheia de história e a sua participação heroica na Primeira Guerra Mundial sempre despertou o meu interesse por ela! Às vezes tenho estas coisas, sinto as cidades como se fossem pessoas e Liége foi “quem” frustrou os planos da Alemanha, que planeava atravessar rapidamente a Bélgica, desrespeitando a sua neutralidade, para chegar França! Mas, contra todas as espectativas, a cidade simplesmente não deixou passar os alemães por quase duas semanas, obrigando-os a reforçar os ataques e aumentar os homens, para vencerem a resistência e passar!

Parte da minha visita à cidade foi acompanhada por uma vaca, que tinha uma corneta que mugia e umas tetas cor-de-rosa na barriga e tudo!

O que eu me fartei de rir, sem chegar a perceber o que fazia um homem vestido de vaca, no meio de um grupo de amigos vestidos à civil, pela cidade!

E, enquanto ele mugia por aqui e por ali, os amigos esperavam-no em grande plateia de gargalhadas e aplausos!

Como os pontos de interesse não eram muitos eu andava por ali de moto. Não compensa andar a pé à procura de pontos interessantes numa cidade, quando eles são poucos e dispersos! E apanhei-me numa monta, formando uma composição que me cativou esteticamente! Eu, quase abstrata!

E como nada de novo se apresentava, segui a “norma” habitual, procurar a catedral, pois aí fica o centro histórico… mas só havia mesmo a catedral e pouco mais!

Vá lá, o jardim junto à catedral, não era feio!

E já que não havia muito para ver, fui dar uma olhadela à Cathédral de Saint Paul, gótica do séc. XII e que só foi elevada a catedral no séc. XIX, depois de a anterior catedral, um edifício românico extraordinário, ter sido destruída anos antes, ninguém sabe porquê!

Lá dentro há uma escultura de S. João Batista que, segundo a placa explicativa, esteve numa igreja também desaparecida. A escultura é do séc. XVII, é barroca e, como é típico no barroco, é toda retorcida, panejamentos que esvoaçam e a mãozinha revirada para trás! Será que naquela época um homem seminu com a mãozinha retorcida daquela maneira para trás quereria dizer o mesmo que agora? Certamente que não… espero… 😉

Aqueles tetos são espantosos! Quanto tempo terá demorado a pintar tudo aquilo?

Uma igreja muito bonita, com as luzes da manhã a fazer efeitos coloridos ao atravessar os vitrais!

Ainda dei uma volta mais, passei por outra igreja gótica, a Basilique de Saint- Martin.

Desci de novo até ao rio Meuse

e segui meu caminho passando por Mons, onde tive direito a assistir a um casamento!

Na realidade eu tinha preferido assistir à festa mesmo, que a comidinha é sempre melhor que a cerimónia!

Já que não teria direito a comer nadinha na festa, aproveitei a azafama do vai e volta dos funcionários e dos convidados para explorar a rathaus/câmara, onde se iria realizar a cerimónia!

Lá vinha a limusine com a noiva! O momento certo para eu me infiltrar!

A câmara é um edifício gótico lindíssimo que eu não contava poder visitar por dentro, pois a visita só é permitida para grupos e com guia e eu fui sozinha e sem ninguém!

Logo à entrada, depois de uma salinha tipo vestíbulo, fica a sala dos casamentos!

Lá em cima fica, entre outras salas, a Salle Gothique, linda!

E ao descer estava o casamento a entrar na Salle des marriages!

A noiva era gordinha, devia ser por isso que precisava de um carro tão grande para a transportar! 😉

Depois há um túnel que passa por baixo da câmara e leva ao Jardin du Maïeur

O casamento continuava lá dentro, deve ser giro casar num edifício tão extraordinário!

Em frente a minha Magnífica tinha já um bando de amigas a seu lado!

Ainda andei por ali a dar uma volta, pois a Grand Place é sempre bonita em todas as cidades, e Mons não é exceção!

Mais à frente fica a Collégiale Sainte-Waudru, que me fez parar, pela sua imponência! É gótica, iniciada no séc. XV e nunca terminada!

Achei tanta graça à gárgula embrulhada e amarrada, lá em cima! Coitada, se se mexe enforca-se!

Os edifícios góticos belgas, chamados góticos Brabant, são de uma imponência diferente! Parecem sólidos, quase fortalezas!

Lá dentro está o Relógio-da-morte! Ainda fiquei a olhar para ele a ver se entendia como funcionava ou se me dizia algo de vida ou morte mas, pelo que percebi é simbólico apenas!

E lá ficou a Collégiale, imponente como um bloco de granito!

Segui o meu caminho e saí da Bélgica!

A França encantadora seguia-se no meu caminho, com estradas de prazer à minha espera!!

(continua)

66 – Passeando até à Suíça 2012 – A Bélgica – Bouillon, Durbuy e Coo

31 de Agosto de 2012 – continuação da continuação

Bouillon em português chama-se Bolhão e, embora se escreva com um “o” faz-me sempre lembrar o nosso mercado do Bulhão no Porto! Em francês quer dizer caldo, sim, caldo de sopa mesmo!

Deu-me a preguiça e a saudade junto àquele rio, a viagem estava a acabar e eu queria continuar! Então decidi passar momentos de paz e natureza… eu não sabia quando voltaria a viajar e o peso dessa incerteza fez-se sentir ali! Não quis ver castelo nem cidade, apenas rio e verde!

A cidade é conhecida como a “pérola do Vale Semois” e tem um castelo medieval mas eu fiquei-me pelo rio. Fiz um pic-nic meio à chuva, num banco de jardim, a ver os pescadores a esconderem-se da chuva nos carros, para depois voltarem às suas canas, quando ela parou!

Eu tinha o chapéu e o guarda-chuva, não havia porque fugir da chuva, “pic-niquei” muito bem debaixo dela!

A Pont de Cordemoy permite enquadramentos extraordinários com o rio e as margens verdes! Foi a minha paisagem por horas…

E porque a ponte me fascinava ainda passeei por ali calmamente! Chamam-lhe ponte gótica mas foi construída em 1935, por isso será neogótica!

O castelo estava lá ao fundo a “olhar para mim” mas eu só o queria ver por fora!

E o sol voltou alegrando grandemente o meu dia… e o das vaquinhas também!

Não falta onde acampar ou pousar uma roulotte por ali, num local privilegiado!

E lá acabei por subir até ao castelo, apenas para ver como era a paisagem cá de baixo, vista lá de cima e lá estava a ponte gira!

E a encosta do castelo numa perspetiva gira!

Andava por ali tudo cheio de miudagem, uma excursão escolar de garotos pequenos que, por aqueles dias, as aulas já tinham começado por lá para os pequenitos!

O castelo não me conseguiu seduzir para eu o visitar! A bem dizer eu preciso de ter disposição para fazer uma visita guiada porque, na realidade, não gosto! Não gosto de ter de ouvir o que me querem dizer, nem de andar ao ritmo de todo um rebanho de pessoas, nem de não poder fazer muitas perguntas, pois nem toda a gente quer saber o mesmo que eu! Sou muito rápida nas minhas visitas e quando há um guia, tudo é lento e ao seu ritmo!

Por isso tirei umas fotos cá para baixo e fui-me embora!

Passei por Durbuy, com o seu jardim de topiaria, publicitado a quilómetros, mas que já estava fechado quando passei!

A terrinha é simpática para se passear a pé, pernoitar lá, num qualquer hotel romântico… É frequentemente considerada como a cidade mais pequena do mundo, embora não se tenha muita certeza! Que é pequena é, pois eu dei uma volta e sai do outro lado!

Estava na hora de voltar para Liege, mas ainda passei por Coo, por caminhos cheios de encanto!

Eu sabia que Coo tinha umas cataratas interessantes, bem pertinho da população, e não é que ao chegar as ouvia mas não as via!

Só depois percebi que estava em cima delas! Eu teria de descer para as poder ver! Um recanto de lazer muito interessante com caminhos curiosos e parque de diversões… que estava fechado, claro!

E lá estavam elas!

A Cascade de Coo, são as cataratas mais importantes do país! Têm 15 metros de altura e são espetaculares!

A rua principal passa-lhe exatamente por cima !

O parque de diversões fica mesmo ali, com carroceis, cafés, esplanadas e uma ponte coberta!

Tirei mais uma ou duas fotos e fui para casa!

Apreciando ainda a beleza do rio Amblève, ali onde se fazem também desportos náuticos mais radicais!

E o sol ainda veio fazer-me companhia até Liege!

Foi o fim do trigésimo terceiro dia de viagem!

65 – Passeando até à Suíça 2012 – A Bélgica – Dinant

31 de Agosto de 2012 – continuação

O tempo estava a puxar para ficar uma bosta, mas em viagem não se escolhe tempo para sair! Aliás eu não escolho nunca o tempo para sair de moto, já que saio todos os dias, quer chova ou faça sol!

Por isso só me restava seguir para Dinant ou ficar encolhida na pousada em Liege a ver coisa nenhuma! É claro que passei em Liege, porque ficava no meu caminho, e segui para Dinant, uma cidade que me andava a chamar a atenção pelas imagens imponentes da sua catedral descomunal junto do penhasco!

A aproximação à cidade faz-se passando pela fenda deixada entre o penhasco e uma agulha de pedra.
Há uma lenda sobre aquela agulha enorme que se formou ali, sobre um cavaleiro e um cavalo mágico que, ao fugir de Carlos Magno saltou do penhasco, deu uma patada na escarpa e ela abriu-se formando aquela agulha. A verdade é que os carros mais largos têm de passar com cuidado por ali!

Mais à frente fica a cidade, uma pena que não estivesse sol! Estacionei do outro lado do rio Meuse para observar melhor o conjunto monumental que a imponente catedral faz no conjunto urbanístico, com o alto penhasco atrás! Lindo!

A catedral é dedicada a Notre Dame está tão próxima do penhasco, que é encimado por uma cidadela, que quase se confunde com ele! Temos a sensação de que o topo da sua torre chega lá acima ao forte! Realmente é um conjunto memorável!

Atravessa-se depois a ponte cheia de saxofones decorados em honra de uma série de países, julgo que todos os países da Comunidade Europeia!

Saxofones porque afinal não nos podemos esquecer que Dinant é a terra natal de Adolph Sax, o senhor que inventou o saxofone no séc. XIX, e assim até entendemos melhor o nome do instrumento! 😀

claro que a bandeira portuguesa me saltou logo aos olhos, no meio de todas as outras!

Lá estava ela entre os saxofones de dois países que não eram o nosso!

O nosso estava mais à frente e, como seria de esperar, estava decorado com o mapa mundi, fomos representados como navegadores!

O rio é o mesmo que passa em Maastricht, só que em flamengo chamam-lhe Mass! Passa também em Liege! É grande para caramba, quase 1000 quilómetros de rio!

E lá estava a catedral com a sua torre encimada por uma espécie de coruchéu, que parece um chapéu!

Aquela catedral já sofreu de tudo! Já foi vítima da destruição de sucessivas invasões, guerras e incêndios que frequentemente varreram a cidade destruindo tudo em seu caminho.

A primeira igreja foi construída no início do séc. XII, depois foi um “bota abaixo” e reconstrói, desde desabamentos do penhasco atrás, que levavam consigo parte da construção, que originou a construção gótica, até a destruição da cidade por Carlos, o Temerário, que destruiu tudo e atirou os seus habitantes ao rio!

Depois a catedral voltou a ser destruída na primeira guerra e, mal tinha sido reconstruida, voltou ao chão durante a segunda…se juntarmos a isto tudo a história de água que por ali existe, a cada vez que o rio transborda e alaga tudo, temos de ter uma grande admiração e respeito pelo edifício, como se de uma pessoa heroica se tratasse!

E ela é diferente e única!

Única por dentro e por fora!

Mesmo ao lado há um teleférico para subir até ao forte, no topo do penhasco. Com o tempo chuvoso não apetecia estar a vestir o fato de chuva para ir dar a volta pela estrada, subi direta pelo teleférico e, já que o bilhete incluía a visita ao forte, iria também visita-lo!

E mesmo sem sol as perspetivas da cidade sucediam-se espantosas!

Lá em cima um velhote simpático esperava os visitantes para fazer a visita guiada. Foi uma agradável surpresa porque ele era muito engraçado e falava varias línguas, por isso entendia-se perfeitamente tudo oque explicava! Fiquei a saber imenso sobre a história da cidade e do país!

A “Citadelle” tem origem no séc. XI e fica a 100 metros de altitude, sobre o Rocher Bayard, com uma vista única sobre toda a Cidade.

Então de um terraço voltamos a ver a cidade, numa perspetiva extraordinária!

E o rio

Coisas curiosas que estão no forte: estes barrotes suportaram a primeira ponte de Dinant construída pelos monges no séc. XI. Foram retirados da água em 1952, o que quer dizer que estiveram submersos 900 anos! E ainda a gente acha que a madeira apodrece rapidamente com a água!

A outra curiosidade que adorei, foi uma réplica de uma trincheira bombardeada, isto é, criaram ali o ambiente de uma trincheira que ficou toda torta, depois de receber umas bombas em cima!

Quando o senhor explicou aquilo eu pensei que iriamos ver mais um recanto com bonecos a exemplificar o que se passaria na situação. Mas o que me/nos esperava era algo curioso!

Ao criarem a trincheira bombardeada e torta para um lado, criaram na realidade uma ilusão optica, em que a gente tenta andar direita e não consegue, porque tudo está torto!

Agarramo-nos às paredes e aos corrimões como tolinhos e parece que vamos cair mesmo assim!

Na realidade a nossa posição vertical fica comprometida pois tentamos forçar-nos a andar paralelos às paredes que estão inclinadas!

Foi uma alucinação! Então fecho os olhos e saio dali, porque com os olhos fechados não vejo a casa torta por isso ando direita! Mantenho-me facilmente na vertical e fico a rir-me e a apreciar a figurinha de tolinhos dos outros a tentarem andar inclinados como a trincheira! Uma experiencia que só experimentando se percebe a baralhação que é para o cérebro!

A guerra passou por ali e há lá em cima mais um cemitério militar!

E voltei a descer o teleférico!

E segui para Bouillon, que também tem um castelo mas, honestamente, não me apetecia ver mais fortes, nem castelos nem cidadelas!

Por isso olhei para ele cá de baixo mas fui mas é fazer um pic-nic que o tempo estava ligeiramente melhor e eu queria mas era paz e paisagem!

Na margem do rio Semois havia um clima tão agradável que decidi ficar-me por ali.

(continua)

64 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Maastricht e a livraria Selexyz Dominicanen

31 de Agosto de 2012

No dia seguinte a minha Magnifica tinha feito varias amigas!

Soube depois que os cavaleiros das outras meninas tinham ficado bom tempo a inspecionar a minha motita, queriam saber quem eu era, mas tal não foi possível porque eles deitavam-se muito tarde e levantavam-se igualmente tarde, por isso nunca nos cruzamos! Eram ingleses e deviam ter muita vontade de correr os bares até às tantas, enquanto os meus interesses eram outros, o que provocou sempre o desencontro!

Ali pertinho de Liege fica Maastricht! Há tanto tempo que eu tinha curiosidade de visitar a terra do tão famoso tratado de 1992! Foi daqueles nomes que, de tão repetido, ficou na minha memória para visita futura, salvaguardando sempre a hipótese de ser uma cidade sem qualquer interesse ou beleza!

As minhas vizinhas de quarto diziam que era muito mais interessante que Liege, por isso fui dar uma olhada! Afinal é uma das cidades holandesas mais antigas!

Fui recebida pela Basílica de St. Servatius, uma construção basicamente românica com mistura de estilo gótico. Estava fechada e tive pena pois deve ser bonita e diferente lá por dentro, depois é a mais antiga da Holanda que tem a sua origem lá pelo séc. III, com remodelações e reconstruções posteriores em pedra até ao aspeto atual… merecia mesmo uma visita!

Achei curioso o portal que leva para o pátio! Em cada país os estilos adquirem características únicas!

Do outro lado fica a igreja de St. Janskerk, gótica do séc. XIII, uma igreja protestante com uma torre vermelha. Dizia num placard “The Church of England” St Jean Maastricht, que é o seu nome em inglês, claro!

Faltou um pouco de sol para apreciar calmamente o ambiente sereno que sentia por ali!

Por entre as igrejas chega-se à Praça Vrijthof, que não tinha ninguém mas exibia vestígios de festa!

O ambiente mantinha-se sereno, como se toda a gente estivesse noutro lugar, já que por ali não havia quase ninguém à vista! Ou então estava tudo a dormir depois da festa que eu não vi!

também era muito cedo para festas por isso ía aproveitando para catar um pouco a cidade velha.

As ruínhas são deliciosas por ali, percorri diversas, todas bonitas, estreitas, limpas e pitorescas!

Aquilo prometia vir a ter um ambiente animado mais à tarde!

E cheguei ao rio Maas que atravessa a cidade.

Andei mais umas ruelas

e encontrei onde toda a gente se ia juntando, embora àquela hora da manhã o movimento ainda estivesse a começar!

Eu adoro feiras! Então em cidades desconhecidas é que eu gosto, pois mostra muito do que é um povo! Ali o povo era animado! A princípio ficavam a olhar para mim, diga-se de passagem que eu nem a cinta tirara, nem as luvas, apenas pusera o chapéu e andava por ali armada numa espécie de guerreira bizarra, já que uso a cinta por fora do blusão, para não me massacrar a pele!

Depois eu sorria, disparava uma foto e dizia “Good Morning”! E as pessoas sorriam também!

A dada altura eu também já dizia “Guten Morgen”, pois me parece que é parecido com o “bom dia” flamengo! 😀

A feira passava-se mesmo em frente à rathaus da cidade, o edifício do séc. XVII presidia a tudo ao fundo!

Aquela era uma feira muito parecida com as nossas e quase me senti em casa!

Achei um piadão à feirante gordinha e bonacheirona numa escultura lá no meio da confusão!

Então cheguei a uma igreja que me encheu todas as medidas! Entrei ali e nunca mais quis sair!

Uma Igreja gótica do séc. XIII linda…

Mas na realidade é a Selexyz Dominicanen e está instalada na igreja desde 2006! A livraria mais bonita do mundo, dizem eles e eu concordo que é uma das mais bonitas que conheço!

A Selexyz é uma das maiores cadeias de livrarias da Holanda e resolveu inovar ao abrir uma das suas filiais numa antiga catedral dominicana com 7 séculos, bem no centro de Maastricht.

No altar funciona o café e a galeria de arte!

E os tetos e as paredes estão ali, ao alcance da mão, do olhar, por entre livros!

De um lado da nave fica a escadaria, com elevador incluído, que nos permite subir por 3 níveis de estantes, até tão perto do teto!

E lá de cima pode-se ver melhor como ficou o altar, com o barzinho montado, onde as pessoas se podem sentar em torno de uma mesa em forma de cruz! Lindo!

Eu nunca tinha estado tão perto do topo de um edifício gótico e fascinei-me!

Simplesmente não conseguia ir embora, nem parar de fotografar!

Espreitei em todos os ângulos…

e deslumbrei-me!

Tenho de reconhecer que, se existisse uma coisa destas no Porto, provavelmente passaria lá os meus dias!

E voltei a passar pela Praça Vrijthof para ir buscar a minha motita.

Pormenores de uma casa de instrumentos musicais!

E sempre que vejo um chapeleiro não resisto a ir espreitar!

Mas não tinha nada do meu agrado!

E lá estava a minha motita à minha espera! O tempo piorava e eu pus-me a andar, com uma livraria na memória!

(continua)