53 – Passeando até à Suiça 2012 – Nürburgring

26 de Agosto de 2012

Por estranho que pareça, quanto mais a viagem avança, maior é a sensação de não ter visto tudo o que queria, a sensação de que deixei para trás tanta coisa fantástica e de que não conseguirei ver tudo o que poderia aproveitar para ver em cada zona onde passo!

De repente o tempo parece tão pouco e tanta coisa que quero ver!

É nesses momentos que me apetece não parar nunca de viajar e continuar eternamente na estrada!

Ao mesmo tempo sinto-me uma desnaturada, que não tem saudades do seu país, apenas da sua gente! É nesses momentos também que eu me deixo levar pelo que a vontade me dita, rapo do computador, ligo-me à net e reformulo percursos e mudo reservas e no dia seguinte parto noutra direção!

Foi o que por aqueles dias fiz e, em vez de seguir para norte… desci para o Luxemburgo!

Segui em direção a uma terrinha pequena e discreta que contem um circuito mítico!

O Autódromo de Nürburgring é um circuito na cidade de Nürburg a pouco mais de 50 km de Koblenz. Tinha estado a falar sobre ele com o dono do Hostel onde dormi e decidi lá passar.

Andei por ali a catar. Na cidadezinha não faltam carros desportivos a alugar para quem quiser participar nos famosos “track days”, do circuito!

O circuito foi construído em 1927 e foi a sede anual do Grande Prémio da Europa de Formula 1 até 2007.

Dei-lhe a volta por fora, ouviam-se máquinas em velocidade, eram motos!

Havia por ali uma série de motos estacionadas, os seus tripulantes deviam ter entrado a pé! Mas aquilo tinha ar de ser longe o suficiente para eu ter de caminhar um bom pedaço, por isso arrisquei ir de moto! O pior que me podia acontecer era mandarem-me para trás! Ninguém mandou e eu segui!

Havia motociclistas por ali a pé, com os capacetes no braço… ficaram a olhar para mim mais a minha motita! Pus-me a ver a corrida!

Não sou pessoa de me pôr muito tempo a ver as motos passar, por isso fui cuscando um pouco por ali

E segui o meu caminho na direção de Luxemburgo, que o dia prometia ser longo!

(continua)

52 – Passeando até à Suiça 2012 – Bonn e Köln

25 de Agosto de 2012 – continuação da continuação

Era cedo, já tinha visto o nque queria e o resto do dia estava por minha conta!

A escolha foi rápida e óbvia, embora repentina! Sempre que passava por “aquelas bandas” e via as placas a dizer Bonn, pensava para mim que da próxima vez teria de lá passar! E foi desta!

Nunca pesquisei se a cidade era bonita ou não, mas era um nome que trazia na mente e, só por isso para mim, valia a pena visita-la.

Afinal é a terra natal de Beethoven e foi a capital da Alemanha ocidental – RFA, durante a divisão do país em República Federal e República Democrática, enquanto Berlim leste era a capital da RDA.

No outro extremo da Marktplatz fica o edifício barroco da rathaus antiga, que assistiu a grandes momentos da cidade, sendo muito danificado durante a guerra. Hoje está lindo depois de restauro profundo e de boa manutenção!

Logo ali ao lado fica a Münsterplatz

e a Catedral, um magnífico exemplar de arte românica no vale do Reno e uma das mais antigas da Alemanha, construída entre os séculos XI e XIII.

Que tem junto, na parte de trás, duas cabeças descomunais “caídas”!

Faz um efeito ver tamanhas cabeças por ali, como se tivessem caído e rolado de 2 monstruosas esculturas! Claro que quis saber a que propósito ali estavam e encontrei quem me narrasse a história!

Na realidade a basílica foi edificada num local sagrado há mais de 2.000 anos, primeiro como um templo romano e depois como uma igreja cristã e santuário para os mártires Cassius e Florêncio.

Reza a história que dois soldados cristãos romanos estacionados na Castra Bonnensia, Cassius e Florêncio, foram martirizados por causa da sua fé.

Então ali foi construído um pequeno santuário/memorial junto dos seus túmulos no século IV, por Helena, mãe do imperador Constantino. Não há sinais desta primeira estrutura, mas as escavações arqueológicas mostraram que a basílica fica no local de um templo romano e necrópole.

As duas esculturas são por isso as cabeças dos dois Santos Cassius e Florentius ali decapitados.

A igreja em si, desiludiu-me um pouco, à primeira vista, por causa das luzes pirosas que lhe davam um ar de igrejinha de aldeia com enfeites meio de gosto duvidoso, que dão um ar “de plástico” ao edifício….

Mas depois da gente se habituar às cores fortes de semelhantes luzes, conseguimos ver a construção em si, e essa é bonita!

A cripta fascinou-me muito mais com o seu ar e luminosidade sóbrios e naturais!

A luminosidade da igreja fazia lembrar a luz negra das discotecas, mas vista cá de baixo da cripta, até ficava curiosa!

E a estatua de Helena, que é santa, a mãe do imperador romano. Diz a lenda que ela encontrou a cruz de Cristo em Jerusalém e por isso aparece sempre representada com ela.

Tanta história e tanta igreja dá cá uma fome que tratei de me juntar a mais uma festa, ali mesmo em frente à catedral, para me encher de cachorros e cerveja, no meio da animação popular, que aqueles alemães parece que passam o mês de Agosto em festa!

Quando dei por mim já falava com gente que nem inglês sabia falar direito! Eheheh

Na outra ponta da festa ficava o edifício antigo dos correios com a estátua de Beethoven em frente, erigida aquando da comemoração dos 75 anos do seu nascimento, em 1845, apenas 18 anos depois do seu falecimento…

E era minha obrigação, pelo menos, passar na sua casa, já que ali estava! Já estive na casa de Mozart, em Salzburgo, na de Bach, em Leipzig e agora acrescentaria a de Beethoven, em Bona!

E lá estava a cara do génio pintada numa parede!

E o museu, mesmo na porta ao lado daquela que foi a sua casa durante os primeiros vinte e tal anos da sua vida, até partir para Viena!

A casa é gira e está bem conservada, mas eu não a visitei. Fica para outra vez, pois estava a fechar!


Ora, podia ser tarde para visitar a casa e o museu de Beethoven, mas era cedo para ir para casa, por isso continuei o meu caminho até Köln.

Voltei a Colónia, à catedral que parece que chama por mim e que volto a visitar a cada passo! Esta construção imensa, que na época em que foi concluída “destronou” a catedral de Estrasburgo como edifício mais alto do mundo, possui uma nave extraordinária com 43 metros de altura, contra os 32 da nave da outra catedral!

E são 11 metros mais de grandiosidade e espanto, que me fazem andar por ali de nariz no ar até à vertigem!

Começou a ser construída em 1248 e só foi concluída em 1880, 632 anos depois. Sobreviveu, milagrosamente à violência da II Grande Guerra que quase a derrubou, quando foi bombardeada por 14 vezes, mantendo-se de pé, no meio dos escombros da cidade derrubada!

É verdade que a catedral não ruiu e, se virmos imagens da época, nem dá para entender porquê, já que parece o único edificio de pé, numa cidade em ruinas! 😮

É um dos edifícios góticos mais espantosos que conheço!

Dizem que alberga os restos mortais dos 3 reis magos e, embora já lá tenha ido por diversas vezes, ainda não consegui vê-los! A área está sempre “indisponível para visita! Naquele dia estava a decorrer uma celebração com direito a coros e nem se podia entrar verdadeiramente no espaço principal da igreja. Ou íamos rezar, ou ficávamos na ponta da igreja, do lado de fora dos cordões de proteção, devidamente guardados por padres de vermelho, ou acólitos ou lá o que eram!

Está a ser limpa por partes e tem uma das torres parcialmente empacotada para esse trabalho

Decidi ir passear um pouco para fazer horas e passar pela “casa das bolas”, onde sempre vou comprar 2 bolas de Berlim muito fixes! Já é ritual, a cada vez que ali passo! 😀

E andei por ali a lambuzar-me com as bolas de Berlim, que eu não sou apreciadora de bolos, mas tenho as minhas exceções: como bolas quando vou a Colónia!

A fachada da catedral é vertiginosamente alta e a gente sente-se bem pequenininha cá em baixo!

Em frente da catedral está edificado, como se de uma escultura normal se tratasse, um florão igual aos que estão colocados lá em cima, no topo das torres, e é enorme, conforme se lê nas placas explicativas escritas em todas as línguas sobre a sua base:

Lendo-se a placa percebemos que cada florão mede 9.50 metros de altura por 4.60 metros de largura! Faltava saber quanto pesa… e acho que toda a gente se afastaria das torres, só de imaginar uma coisa de toneladas lá no topo!

Olhamos para ele no chão e custa a crer que os de lá de cima sejam tão grandes!

Então pus-me a tentar apanha-los com a máquina fotográfica!

E lá estavam eles no topo do bico florido! Como terão levado semelhante coisa lá para cima era o que eu gostava de ver!

Voltei à catedral a ver se já podia fazer uma visita aos reis magos…

A celebração estava a acabar e não deixavam passar para trás do altar, onde está o cofre com os ditos senhores!

Seria uma coisa parecida com esta mas muito maior o que eu procurava! Está mesmo atrás do altar-mor…

Mas, mais uma vez não deixavam passar! Ainda não foi desta que eu consegui ver o relicário…

Ainda dei uma olhada à flecha da catedral, estava rodeada de andaimes.
Um dia eu voltarei lá… quando ela estiver totalmente limpa e aí talvez eu possa passar para trás do altar…

Voltei direitinha para Koblenz, que estava a ficar de noite!

Fim do vigésimo sétimo dia…

51 – Passeando até à Suiça 2012 – Burg Eltz

25 de Agosto de 2012 – continuação

Ali perto fica uma das coisas que me levou até Koblenz: o Burg Eltz.

Eu passara lá perto no dia anterior mas não o quis visitar a correr ou vê-lo apenas de longe. Achei que merecia uma visita mais cuidada e sem pressas e foi nas calmas que percorri os trinta e tal quilómetros, de Koblenz até ele!

O Burg Eltz é apenas um dos castelos mais belos da Alemanha e fica na margem do rio Eltz, um afluente do Mosel.

A gente chega ao ponto onde não pode continuar mais, nem de carro nem de moto, e tem de continuar a pé. Não há sinal do dito castelo que, contra o esperado, não está lá em cima de monte nenhum!

Pelo contrário, a gente começa a caminhar e começa a descer! E só depois de ter descido um bom bocado, pela rua íngreme e ladeada de vegetação em que nada se vê, além da rua e das árvores… ele aparece numa curva, lá em baixo!

E está realmente sobre um morro, no fundo do vale! Visão extraordinária!

Há um furgão que faz a descida, para quem quiser pagar 2 €, naquele momento eu agradeci a minha própria forretice de não os ter querido pagar e ter descido caminhando, porque não teria tido esta visão, que nos acompanha à medida que nos vamos aproximando! Tirei meio milhão de fotos, claro!

Parece um castelo de brincar, retirado das histórias de príncipes e princesas!

O castelinho terá a sua origem no séc. XII e foi construído sobre uma colina, tomando-lhe a forma oval!

Embora pareça ali escondido, como os mosteiros, para ficar longe de tudo e de todos, na realidade situava-se, à época, numa rota comercial e num ponto estratégico do vale do Eltz, que permitia controlar e vigiar a idas e voltas pela zona!

Ao longo dos anos e dos séculos foi sendo acrescentado, à medida que a família ía aumentando, dado que ele pertence à mesma família há mais de 800 anos: os condes de Eltz.

O atual proprietário do castelo, o Conde e Edler Herr von und zu Eltz-Kempenich assumiu a tarefa de manter o edifício aberto ao público, de garantir a sua riqueza e de passar o castelo à 34ª geração.

Os pormenores são deliciosos e foram mantidos e restaurados chegando até nós como sempre foram. As gárgulas são espantosas!

Os pátios interiores são vertiginosamente lindos, acumulando como em puzzles cada secção do castelo.

Daquele pátio partem visitas guiadas para o interior do castelo.

Por baixo existe um pequeno museu com joias, armas e objetos do dia-a-dia, testemunhas da história dos costumes do castelo e que eu fui visitando enquanto esperava pela visita em inglês.

Havia muita gente para visitar o castelo, o ultimo grupo a começar a visita foi o meu, pois os outros eram em alemão.

Um grupo de sereias com corpo de baleia esperava pela visita, sensualmente, em gargalhadas sexies e comentários languidos e provocantes.

Surgiu-me na mente que, se elas fossem verdadeiramente sexies, teria sido um espetáculo de sedução mesmo provocante!

Curioso que as mais gordas e desajeitadas eram as mais provocantes, com maquilhagens fortes e atitudes meio escandalosas!

Não se pode fotografar dentro do castelo, embora eu tenha feito algumas fotos discretas.

O tempo estava a ameaçar chuva quando terminei a visita, por isso fui tratar de comer e logo se veria o que faria com o mau tempo.

O castelo ainda é parcialmente habitado, mas a parte visitável é grande e bonita, com direito a café e restaurante e tudo!

E claro, provei mais uma cervejola alemã!

Decidi que não faria o caminho de regresso até à moto a pé! Afinal eu já sabia o quanto aquilo fica cá em baixo e, se para baixo todos os santos ajudam, para cima seria uma estafa!

Por isso esperei que o furgão voltasse, paguei o 2 € e subi aquilo rapidamente, sem me cansar nem me molhar, deixando para trás uma pequena porção linda do paraíso!

(continua)

50 – Passeando até à Suiça 2012 – Koblenz… onde o Mosel se encontra com o Reno!

25 de Agosto de 2012

Não tinha nada para fazer naquele dia, apenas deambular por onde me desse na telha! E isso é que é fixe!

Tinha uma cidade completamente desconhecida para explorar, o dia estava uma bosta meio cinzenta, mas não seria impedimento para eu catar umas coisitas por ali!

Na realidade um dia dá para fazer muito mais do que deambular por uma cidade e pelo dia fora fui desenhando de improviso o destino das minhas explorações, com calma e sem grandes ambições!

E fiz uma linha quase reta no mapa!

Eu dormira na margem do rio Reno, do outro lado é que se passava o que eu queria ver!

Descobri que o vocalista do grupo Modern Talking nasceu em Koblenz! Eheheh

Lá fui dar a volta para passar para o outro lado do rio, caminhando depois até ao jardim que queria ver!

Encontrei no jardim3 blocos do muro de Berlim! Acho que há “muro de Berlim” por toda a Alemanha!

Estas três partes do Muro estão agora dedicadas às “vítimas da separação”.

E lá estava o que eu queria ver! O Deutsche Eck!

É em Koblenz que os rios Mosel e Reno se encontram, na realidade o nome da própria cidade deriva do termo latino “Confluentia” que se refere a esse encontro entre rios!

A sensação de estar no vértice da união dos rios é inversa à de estar na proa de um navio, pois as águas ganham velocidade afastando-se de nós!

O ponto onde os rios se juntam chama-se Deutsche Eck, que quer dizer “Esquina Alemã” e nesse ponto ergue-se um monumento colossal ao Kaiser Wilhelm I.

Uma inscrição cheia de significado foi gravada na base da escultura:

“Nimmer wird das Reich zerstöret, wenn ihr Einig seid und treu”
(o Império nunca será destruído, se você for unido e leal).

O monumento original foi destruído pelos bombardeamentos da 2ª Guerra Mundial e no seu lugar hasteou-se uma bandeira alemã por muito tempo até que um casal, cidadão de Koblenz, doou o monumento atual, cópia do que foi destruído na guerra, apenas há cerca de 20 anos…

Aquela águia de asas abertas impressionou-me! Como pode uma pedra ter tanta vida!

Ali ao lado fica a St Kastor Basilika, um exemplo lindíssimo da arquitetura românica da zona!

Foi construída no séc. XII contendo elementos de construções anteriores e alberga os restos mortais do santo que é padroeiro da cidade, o São Castor. Os tetos parecem bordados!

E os jardins envolventes lindos! Os monges e padres sempre souberam cuidar da beleza dos seus recantos!

Passeando pelo centro histórico da cidade fiz amizade com um motard muito simpático, mais o seu sidecar!

Logo ali fica o Mittelrhein Museum, mas o que me impressionou foi o edifício medieval, gótico tardio do séc. XV, mas totalmente diferente do que estamos habituados a ver! Foi mais tarde renovado já em estilo barroco, mas continuou adorável! Aliás na praça Florinsmarkt os edifícios são todos bonitos e diferentes!

Como a Florinskirche, ou igreja Florim, protestante construída em estilo românico, com alterações posteriores, mas sempre espantosa!

Curioso o pormenor de se pintarem as paredes e as colunas imitando pedra! Não deveriam ser mesmo de pedra?

A mesma imitação de pedra continua no exterior do edifício a toda a volta!

As traseiras dos edifícios criam ruelas encantadoras, ainda bem! Eu nunca entendi como alguém pode projetar uma casa linda pela frente e monstruosa pela traseira, mas é o que não falta no nosso país, como se a ruas de trás não tivessem o direito de serem bonitas!

Depois a zona antiga contínua pitoresca e simpática por uma rede de ruelas giras!

Até encontrar mais uma enorme igreja, a Liebfrauenkirche, que é o mesmo que dizer Igreja de Nossa Senhora, fácil de ver! 🙂

Uma igreja católica do séc. XIII, que já foi a igreja paroquial da cidade é considerada uma obra-prima da arquitetura medieval do Médio Reno!

Impressionante por dentro, quando estava à espera que ela fosse toda em pedra, como o seu exterior e como grande parte das construções românicas… ela é pintada!

E os seus tetos também parecem bordados! A cada país seus hábitos!

Depois passeei-me por ali, há pela zona estatuas castiças, caricaturando personagens típicas da cidade, como o policia, a vendedora, ou o rapaz do tambor, muito giros e bonacheirões!

Os edifícios são bonitos e decorados com relevos pintados e balcões trabalhados!

Entrei na zona comercial e fui comprar umas botas. Estava tudo em saldos e as minhas já me saiam dos pés, para alem das solas gastas! Tantos dias a caminhar gastaram muito, mas o montar e desmontar da moto, rodando sobre o pé esquerdo, rapou-me quase totalmente a meia-sola da bota esquerda! 😮

A Igreja Católica do Sagrado Coração, está situado no cruzamento das estradas principais e na azáfama do centro de compras.

Surgiu com a expansão da cidade para fora do núcleo medieval, no séc. XIX, quando se tornou necessária a criação de novas paróquias. Foi construída nos primeiros anos do séc. XX em estilo neo-românico. Queria tê-la visto por dentro, mas estava fechada! 😦

Depois peguei na motita e fui procurar o caminho para o topo da encosta. Há ali um teleférico e eu podia tê-lo apanhado e subido direta, mas tem muito mais piada andar a catar o caminho e ver tudo o que houver para ver! Lá em cima ha um grande espaço aberto, que demora imenso a percorrer caminhando, pela sua dimensão! O que vale é que já estava de botas novas e até apetecia caminhar! 🙂

E lá estava o miradouro todo moderno! É que do chão nada se vê lá para baixo, já que há arvores que impedem a visão!

E lá estava a confluência!

Foi uma sensação curiosa aquela visão…

O Deutsches Eck teve um impacto forte para mim! Simbologias e histórias que me chamam a atenção e quando chego aos locais, fico hipnotizada por eles!

Pus o zoom da minha máquina à prova e apanhei o Guilherme, o Grande

Lá em cima, no enorme jardim onde eu estava, coisas giras se encontram!

A caminho da minha motita que estava toda entretida no paleio com as outras!

E parti para outras explorações fora de Koblenz…

(continua)

49 – Passeando até à Suiça 2012 – Passeando pelo Rio Mosel…

24 de Agosto de 2012 – continuação

Tudo é interessante de ver numa viagem, sobretudo o que desconhecemos, por isso deixar Estrasburgo teve tanto de “triste” como de regresso à aventura!

Dali seguiria para o rio Mosel!

Desde a viagem do ano passado, quando passei em Trier vinda da Escócia, que tinha este rio em mente! Como eu dizia na crónica “ninguém se espante se um dia surgir um «Passeando pelo Mosel» na minha vida!” e pronto, era o que eu ía a caminho de fazer!

Isso faria um longo caminho até ao início da rota dos vinhos do Rio Mosel e depois, uma filinha de pequenas terras vinhateiras!

Logo a seguir não pude deixar de registar uma terra com o nome do meu moçoilo! Não é toda a gente que tem uma terra com o seu nome: Filipesburgo (em português)!

Logo à frente um grande trambolho era transportado, escoltado por um segurança em moto amarela que me fez uma festa!

Ficou ali à conversa comigo e eu a ver o mostrengo a aproximar-se!
Queria saber de onde eu vinha, que potencia tinha a minha moto, onde estavam os meus amigos e até fez pose para a foto! Muito simpático e deslumbrado por eu andar ali sozinha (mal ele sabia ao tempo que eu andava por ali e por acolá!)

E lá vinha a coisa gigante que fazia lembrar uma lata de cerveja monstruosa!

Quilómetros acima no mapa, lá cheguei ao belo rio! O Mosel é um dos maiores afluentes do Rio Reno, com 545km de extensão.

O rio é espantoso pelas curvas que desenha em todo o seu percurso, pelas suas encostas forradas de vinha e pelas aldeias e castelos edificados ao longo de todo o seu caminho e em ambas as margens!
Na realidade ele passa por 3 países: França, Luxemburgo e Alemanha. Mas eu seguiria apenas o seu percurso por terras alemãs.

Ao chegar a Bernkastel-Kues somos recebidos pelo castelo em ruinas no topo de uma colina forrada de vinha.

Mas fôra a cidadezinha medieval que me chamara ali!

Bernkastel-Kues é uma cidade com mais de 700 anos, famosa pelos seus vinhos.

As casinhas de travejamento exterior lembram o quanto a arquitetura da Alsácia é influenciada pela arquitetura alemã!

A Praça do Mercado Medieval é linda, cercada por casas bem conservadas, com os seus travejamentos exteriores que as tornam encantadoras! A Rathaus renascentista construída em 1608, à direita na foto é linda e diferente!

A “Spitzhäuschen”, ou “Casa Pontiaguda”, do séc. XV, é muito conhecida e visitada

É fácil de imaginar como me deliciei a passear-me por ali!

Depois o Mosel continuava na berma do meu caminho, com as vinhas que parecem forrar todas as encostas que o ladeiam!

Em Traven-Trarbach a porta que dá acesso à ponte é do séc. XIX, em arquitetura “romântica” com elementos de Arte Nova, aliás, as construções “Art Nouveau” são comuns ao longo do rio, testemunhas da riqueza que o comércio de vinho deu à região durante o séc. XIX.

Claro que andei para lá e para cá a ver a “coisa” de todos os ângulos!

Depois veio Enkirch…

e Zell, sempre terras que vivem do vinho e da vinha, desde o tempo dos romanos!

Passeei-me por ali, num ambiente em que toda a gente parecia ter saído à rua para beber um copito de vinho!

Mesmo antes de lá chegar eu já sabia da existência desta “casinha de bonecas” que é uma casa particular bem original! Uma casa do Arquiteto Walter Andre que é conhecido pelos seus edifícios orgânicos de poupança e recuperação de energia.

Não me surpreenderia se o proprietário fosse um criador de histórias infantis! 😀

Bullay, logo a seguir

Onde encontrei vários motociclistas acampados num terreno junto ao rio! Curioso como era tão cedo e já estavam abancados junto às tendas, com motos e bagagem como quem já está pronto para pernoitar!

Os enquadramentos que o rio proporciona são lindos, apenas faltou um pouco de sol e céu azul!

Em Bremm fica uma das curvas fantásticas do rio, um “U” bem apertado, que faz qualquer barco “retorcer-se” para dar a volta!

E a seguir Cochem, uma cidade linda e cheia de festa por aqueles dias!

Depois de subir o rio Mosel chega-se a Cochem e lá em cima da colina, bem na berma do rio e da cidade, o Castelo Imperial, impressionante, assim declarado pelo rei Konrad III em 1151. Um castelo que andou um pouco de mão em mão, entre alemães e franceses, acabou destruído e abandonado até ao séc. XIX, quando foi restaurado por um industrial berlinense. Hoje é um imponente marco histórico sobranceiro à cidade, o seu orgulho e o prazer dos visitantes! Por momentos fica-se ali a olhar para ele, como se de um cenário se tratasse. Deslumbrante!

Mas eu estava cheia de fome e tinha de tratar de comer! Cheirava a salsichas assadas e o meu estomago roncou! Puxa, ao tempo que eu não comia! Comprei um cachorro com uma salsicha quatro vezes maior que o pão!

Foi uma luta, tive de puxar do canivete suíço e corta-la aos pedaços para tentar que ela coubesse mais ou menos no pão! Era divinal! Afinal estava na terra das salsichas e não muito longe da cidade onde dizem que nasceram: Frankfurt!

Fui caminhando enquanto lutava com a salsicha e o pão, por ruelas que levavam a um ambiente que se pressentia no ar.

Pois é, eu nem sei alemão, mas pelas imagens de cartazes e pelo ambiente não era difícil entender que havia ali uma festa do vinho!

E na Praça do Mercado lá estava toda a gente e aqueles alemães sabem fazer a festa! O que eu me diverti naquela tarde no meio daquela gente animada!

Havia uns balcões todos enfeitados onde as pessoas estavam a pedir vinho! Ora era mesmo o que me estava a faltar para acompanhar o cachorrão!

A gente comprava o copinho de 2dl por 1.20€ e depois cada vez que o enchia pagava 1€. Tinham 5 vinhos à escolha, desde o mais doce até ao mais seco. Escolhi o do meio, nem muito doce nem muito seco, para nem enjoar nem me agredir o estomago! E era divinal!

Então a música subiu de tom, havia 2 grupos que se tocavam à vez, um mais maltrapilho, outro mais compostinho em uniformes iguais, mas os dois de partir o côco a rir!

Apesar dos seus trajes coloridos e apalhaçados, tocavam bem e cantavam também!

Então entrava o segundo grupo, todo em uniformes iguais e tocando igualmente bem e animadamente!

Por esta altura eu já ía no 2º cachorro e no 2º copito de vinhinho (também era tão pequenino o copito!)

Começaram a meter-se comigo, não os entendia, mas acho que foi porque eu andava de um lado para o outro a rir-me, a fotografar e a comer, pelo menos o homem parecia que queria comer o meu delicioso cachorro! eheheheh

Fui buscar o meu último copito de vinho

As pessoas eram tão simpáticas que não me apetecia sair dali!

Ainda dei uma voltita pela cidade, mas nem pensar em ir visitar o castelo! Ele estará lá quando eu voltar um dia certamente!

E fui-me sentar numa outra praça, junto ao rio, a curtir a festa e a boa disposição, que era minha também!

Lá estava a minha Magnífica na berma da estrada, com o castelo que não visitaria lá em cima! Que se lixe, já bastam as obrigações do tempo de trabalho! Em férias a única obrigação que levo comigo é a de me divertir e fazer o que me apetecer!

Só muito tempo depois é que me decidi continuar o caminho, calmamente e sem preocupações!

Em Treis-Karden voltei a parar, apetecia-me passear um pouco a pé e encontrei uma igreja linda, onde estavam a preparar uma outra festa do vinho! Aquela gente não perde tempo! 😀

A igreja era diferente de tudo o que vira e as senhoras, muito simpáticas, foram acender as luzes para eu a ver melhor!

Continuo a achar os alemães muito simpáticos, contra tudo o que ouço muita gente dizer!

Depois veio Schleuse-Müden, onde toda a gente parecia ter ido para a festa de Cochem, pelo menos não havia vivalma em lado nenhum!

E fui passear para o meio da vinha, encosta acima! Achei tão giro o caxo de uvas desenhado no chão, indicando o caminho do vinho e da vinha!

O que eu gosto destes caminhos! Fiz uma pequena coleção de percursos vinícolas só nesta viagem: França, vários na Suíça e agora Alemanha!

Alken lá ao fundo, uma das cidades mais antigas do vale do Mosel, habitada desde 450 aC pelos Celtas! Lá em cima da encosta o castelo de Thurant, do séc. XII que tenho de visitar um dia, que vá para aqueles lados!

Na cidadezinha de Gondorf, passa-se por baixo do Castelo do príncipe Von der Leyen, do séc. XII. É, na verdade a estrada nacional passa-lhe por baixo, fazendo ele de túnel!

Claro que andei ali para trás e para a frente! É que ele tem uma primeira “porta”, por onde entramos no seu espaço interior e depois tem uma segunda por onde saímos! Curioso!

E o sol abriu finalmente, dando às vinhas uma cor deslumbrante! Tal como os suíços e os portugueses do Douro, os alemães trabalham a vinha até ao topo das encostas mais íngremes! Parece que até as paredes dão vinho para quem sabe “da poda”!

E segui para Koblenz, onde ficava a minha casa naquele dia!

Fim do vigésimo sexto dia de viagem!