5. Passeando por Marrocos – Chefchaouen

A verdadeira beleza de Marocos começa a seguir!

Neste primeiro dia tudo me surgiu ao espírito, do tipo, que bonita paisagem com construções tão feias, decadentes e inacabadas!

Que pena não haver, aparentemente, um recanto habitado bonito!

Entretanto entramos em Chefchaouen que, até chegarmos à Medina, nada parecia ter de melhor em relação ao que já tínhamos visto… mas aquela Medina é um mundo azul inesquecível…

Tomamos um óptimo pequeno-almoço, que foi sempre a melhor refeição de cada dia

E partimos para uma visita guiada pelo filhote do dono do hotel, pela Medina azul

A cidade em si tem o seu interesse

Mas a Medina é a verdadeira surpresa e a entrada não deixa prever a beleza do interior

Caiam-se as casa de azul, uma mistura de cal com pigmento anil, para afastar os mosquitos.

Não podíamos encontrar melhor cenário para uma foto de grupo!

Também há comércio e também há sujidade, mas com aquele azul magnífico, fica a sensação de limpeza!

Recantos lindissimos e portas pequeninas!!

E as senhoras pintam as casas

E o Jorge foi dar uma ajuda!

As senhoras acharam-lhe muita graça!

Desculpem a quantidade de fotos, mas esta era uma das cidades que eu mais queria visitar em Marrocos e não me desiludiu!

3. Passeando por Marrocos – fim do primeiro dia!

Depois veio a burocracia da alfandega marroquina, onde a autoridade tem de ser respeitada, mas onde às vezes é difícil saber quem ela é, já que qualquer fulano anda por ali, com um cartão pendurado ao peito a preencher papeis e não tem nada a ver com a autoridade!!

Aquilo, em cima da minha motita é o meu pé!… enquanto esperava, pacientemente, que nos mandassem seguir…

E passamos, finalmente! Aquele “v” do Vitor deve ser a festejar o facto: estávamos em Tanger!


Então veio mais vento, mais luta…

Escrevia eu naquela noite:

[i]“ A violência do vento, além de me cansar, stressa-me!

Não suporto a ideia de poder estar a atrasar todo um grupo, mas o vento simplesmente não me deixa andar!

A cada curva do caminho senti-o atacar-me, como um bandido! E a cada curva temi cair!

Puxa, será que Marrocos é todo assim? Serei eu capaz de aguentar 8 dias disto, com o meu cotovelo a doer, cada vez mais, e uma moto enlouquecida pelo vento, nas mãos?

Hoje está vencida a luta… amanhã se verá!”[/i]

Chegamos a Chefchaouen

Fomos recebidos com um chá de menta, que alegrou os ânimos, pois eu nunca me lembrei que o que me atrasava a mim também atrasaria os outros, o vento quando nasce, é como o sol, é para todos!

A casa era modesta mas bastante simpática

Andei a cuscar alguns recantos

E depois foi-nos servido o primeiro jantar de tagine para todos!

Almondegas com ovo escalfado. Gostei bastante!

E tortilha para a amiga Maria que não come carne

Depois era hora de descansar e o dono do Hotel arrumou todo o espaço para que a gente guardasse a motos lá dentro! Foi super simpático!

Assim todos pudemos dormir em paz!

2. Passeando por Marrocos – ainda o primeiro dia

Foi depois de nos encontrarmos todos e de uns simpáticos quilómetros em conjunto que o vento apareceu! E parecia que nos queria levar pelo ar! Este vento que nos acompanharia até Tarifa, durante a travessia e por grande parte do trajecto até Chefchaouen…

A passagem pela fronteira foi o primeiro impacto com o mundo que iríamos visitar!

Algumas ordens contraditórias mas lá pousamos as motos para tartar das papeladas.

E começou o “monta-desmonta-e-anda-só-um –bocadinho”

Houve quem se transformasse imediatamente em Taliban, mas nem por isso conseguiu passar primeiro!

E la entramos e amarramos as motitas


Mas a parte melhor estava para vir, na fronteira do lado de Marrocos

1. Passeando por Marrocos – o primeiro dia

Cucu!

Em Tanger, ainda, eu escrevia umas linhas, como tantas outras escrevi durante a viagem, e alguém sugeriu que fossem essas linhas o inicio da minha crónica… E porque não começar pelo que sentia na ultima noite em terras de Marrocos?

E escrevia eu:

“Estou quase de regresso, apenas uns 900 e tal quilómetros me separam de casa, será a ultima etapa.

Neste momento estou sentada na esplanada do hotel Continental, em Tanger. Todo o grupo já foi dormir, mas eu tardo em dar por terminada a minha incursão por Marrocos…

Algumas coisas me desiludiram, muitas coisas me agradaram e uma infinidade delas me maravilharam neste país! Houve um momento em que pensei com os meus botões “isto não tem nada a ver comigo” ou “só por ti, Sottomayor, estou a passar por isto” quando o vento era tão forte que eu pensei por diversas vezes, me ía atirar ao chão…

Mas o paraíso estava mais além, sempre mais espectacular, sempre mais surpreendente!

Uma cidade azul, umas horas no silêncio do amanhecer no deserto, uma cordilheira aos meus pés, uma Medina espantosa e outra e outra ainda … um grupo de motos amigas em meu redor!

Houve um momento em que disse que não deveria cá voltar, o que levava era suficiente para a memória. Hoje não tenho mais a certeza!

Se calhar voltarei mais cedo do que cheguei a pensar!

Tenho tanta pena que o meu amigo não tenha podido ver o que os meus olhos viram… nem viver o que o meu coração viveu!

De repente nem sei como poderei fazer uma crónica desta viagem! Mas sei que tenho de faze-la, para que nada se perca no tempo… vou faze-la nem que seja pouquinho a pouquinho e demore um mês a termina-la!

Adeus Marrocos e até à próxima!”

Mas a epopeia começou assim:

Os preparativos começaram cedo, as histórias que fizeram cada um de nós juntar-se e formar este grupo são diversas, mas uma constante se manteve: todos queriam ir a Marrocos!

E a viagem começou, para uns mais cedo do que para outros: Eu, o Jorge, o João e o Filipe, com direito a comité de despedida na área de serviço de Santo Ovideo

No dia 15 os primeiros 4 viajantes e respectivas motas partiram do norte, descendo o país até Lisboa, onde foram recolhidos simpaticamente pela Paula, Carlos e pais que, alem de nos darem guarida, ainda nos deram de jantar!

Mas a verdadeira viagem começaria no dia seguinte! Eram que horas? 5.00 da matina? 5.30h? Que importa, para a festa não ha perna manca!

Logo ali à frente começamos a juntar mais gente ao grupo: o Vitor e a Sandra!

E a seguir o Alberto e a Mila, que o restante povo era do Algarve e só se juntaria a nós mais tarde um pouco, já por terras de Espanha

(Continua amanhã que a net está a empatar!…)

Hoje, o dia seguinte…

O mundo é tão diferente depois do regresso de uma viagem! Então depois de regressar de Marrocos, é verdadeiramente um contraste!

Curiosamente não tenho assim tanta vontade de comer e beber o que lá não tive! Ontem, quando me apresentaram o leitão suculento e apetitoso, não reagi logo. A primeira sensação foi de “não sei se me apetece assim tanto!” depois o apetite veio e soube-me muito bem!

Volto a ter a sensação de que não pertenço aqui, de que devia continuar em viagem… Tudo parece estranho, não apenas pelas diferenças óbvias de culturas, entre o dia de ontem e o dia de hoje, mas porque é bom andar lá fora!

Hoje ao pegar na moto para ir trabalhar, a vontade de partir era tão forte que nem havia cansaço, nem vontade de ficar!

Tenho de ancorar até Agosto, custe o que custar!