39 – Passeando até à Suiça 2012 – Saint Gallen, Wil e Schaffhausen

21 de Agosto de 2012

A cidade antiga de Saint Gallen é encantadora, cresceu em torno da antiga ermida de Saint Gall e hoje deu origem a uma grande cidade. Mas o que me levou ali foi a Abadia de St Gall e a sua biblioteca que contem livros do séc. IX. Ela própria é uma preciosidade preservada desde a época da Reforma, em que a ira religiosa levou quase à destruição de exemplares únicos dos seus livros!

Mas ela apenas abriria às 10.00 horas, por isso aproveitei para explorar a Abadia que não visitara da minha última passagem pela cidade e que, naquele dia estava aberta!

Esta catedral tem as suas origens em tempos muito remotos, bem anteriores ao século X, sobre a primeira ermida do séc. VIII, e dela nasceu todo o complexo religioso, alterado, acrescentado e restaurado até aos dias de hoje

depois do próprio monge irlandês Gallus se ter instalado naquele local que honraria seu nome que batizaria toda a cidade. Passou pela longa e conturbada história religiosa suíça, tendo-se mantido católica no seio de uma cidade que adotou a reforma, ainda foi atingida pela fúria dos calvinistas… mas foi salva e restaurada posteriormente.

A catedral chega até nós barroca, com tetos extraordinários trabalhados em gesso e afrescos impressionantes.

Aqueles tetos e interiores tornam a catedral um dos mais extraordinários e ricos monumentos barrocos da Suíça!

Não sendo o barroco o estilo que mais aprecio, não posso deixar de me deslumbrar com aqueles tetos!

As linhas curvas e retorcidas tão típicas do barroco estão presentes e provocam sensações quase vertiginosas, por vezes!

Estava na hora de ir visitar a biblioteca…

Tal como eu imaginava não só não era permitido fotografar lá dentro, como nem era permitido levar nada connosco lá para dentro!

Uma filinha de chinelos gigantes em feltro, grandes o suficiente para que os calcemos por cima dos nossos sapatos, esperam os visitantes, para que ninguém entre sequer na sala com os seus sapatos a conspurcar o solo e o ambiente!

A biblioteca vale todo esse ritual!

É apenas uma das mais ricas e mais antigas do mundo e contém 130.000 livros, incluindo manuscritos preciosos como o mais antigo plano arquitetónico conhecido, elaborado em pergaminho!

Embora seja construída em estilo barroco a sua decoração é rococó, outro estilo que não é meu predileto mas que me fascinou naquele ambiente!

Para que se fique registada uma ideia do que ali vi, apenas me resta procurar uma imagem da net:

Por baixo da biblioteca, na cave, existe uma espécie de cripta onde se pode acompanhar a história do local, com vestígios que testemunham séculos de vida por ali vividos!

Ali já era permitido fotografar, justamente quando o que havia para ver não era tão interessante assim!

E acabei a minha visita ao espaço religioso continuando com a visita à cidade antiga, que me encanta sempre!

Dizem que os edifícios do centro da cidade são construídos sobre estacas porque o piso é instável naquela zona. Parece que o St Gall não estava muito preocupado com o chão onde construiu sua ermida, afinal não era para construir uma cidade!

É sem dúvida uma cidade agradável para passear um pouco, sobretudo naquela envolvência histórica!

Então voltei a puxar do mapa e do meu livrinho para decidir onde iria a seguir.

Estava a chegar a hora de sair da Suíça e seguir para Estrasburgo.

Mas a saída da Suíça não tinha de ser apressada! Aliás, eu nunca saio daquele país a correr… acho que o faço sempre olhando para trás e pensando se não devia ficar mais um pouco!

Por isso deixei-me ir e passei em Wil, uma cidadezinha tão simpática que não resisti em ir fazer uma visita!

Na realidade trata-se de uma cidade com mais de mil anos de história! Mas são os seus encantos medievais que a tornam encantadora hoje!

A igreja da cidade, a WilKirche dedicada a Sankt Nikolaus, é uma “coisa” curiosa, com pinturas garridas em vários sítios

como no altar

e nos tetos!

Muito curiosa e bonita!

Na praça em frente à igreja fica uma escola e os desenhos e pinturas no chão davam um ar colorido e alegre ao ambiente! Adorei!

Então continuei o meu caminho pelas paisagens cheias de pormenores curiosos

até Schaffhausen, de novo! Afinal as belas cataratas ficavam no meu caminho e eu não resisti a voltar a passar.

Mas desta vez eu cheguei pelo outro lado e visitei-as numa outra perspetiva, a perspetiva cá de cima do castelo!

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Que bem que me soube voltar ali, despedir-me da minha bela Suíça ali…

Fiquei muito tempo em silêncio a saborear o som e o ar fresco que toda aquela corrente de água emanava!

Lá de cima é que se consegue apreciar a força das águas e a luta calculada que os pilotos das embarcações travam para chegar ao rochedo no meio do rio.

Estamos num grande cotovelo do rio Reno!

(continua)

38 – Passeando até à Suiça 2012 – Reichenau, o lago de Konstanz e a cidade..

20 de Agosto de 2012 – continuação

Do outro lado da curva no lago fica Reichenau, uma ilha no lago Konstanz.

O caminho de Reichenau é encantador! Na realidade é um caminho para uma ilha, o que o torna uma estrada no meio das águas. De cada lado da estrada as árvores, grandes e frondosas, tornam o percurso extraordinário, como um caminho de preparação para a ilha monástica, onde os mosteiros, igrejas e conventos são parte do percurso romântico e de interioridade religiosa e histórica.

O Kloster Reichenau, ou Mosteiro de Reichenau, é uma construção lindíssima e um exemplar extraordinário do período carolíngio, a época da alta idade média e de Carlos Magno, lá pelos 2 ou 3 séculos antes do século décimo.

Foi fundado no séc. VIII e foi por muito tempo dos mais importantes na zona até Saint Gallen.

O teto da igreja faz lembrar o interior de uma grande barcaça em madeira!

E os encantos medievais são simples e belos!

Há uma sequência de construções religiosas dignas de visita por ali, tudo catalogado pela Unesco. Mais à frente fica a encantadora Georgskirche, ou kirche st. George,

em restauro por fora mas linda e perfeita por dentro!

A basílica de São Jorge, do ano 900, que se pensa ter sido construída para guardar as relíquias do santo, é um edifício ainda mais belo que o mosteiro de Reichenau, com os seus afrescos surpreendentemente únicos e bem conservados!

Momentos de paz e contemplação também sabem bem numa viagem!

Cá fora, ao lado da Basílica fica o cemitério. É sempre curioso ver como uma população cuida dos seus mortos, mostra muito de um povo!

Logo a seguir fica Konstanz. Eu passei lá em 2010, mas é uma cidade que vale a pena voltar a visitar!

Pensa-se que o seu nome venha do imperador Constâncio Cloro, o imperador romano que lutou ali contra os alamanos.

A Basilica de Konstanz, é chamada também de Basílica Papal, porque ali foi eleito o papa Martinho V no séc. XV.

Por baixo da catedral há vestígios romanos que podem ser visitados, eu limitei-me a espreitar pelos vidros da pirâmide no chão da praça, na berma da catedral!

A catedral é muito bonita, gótica com tantos vestígios anteriores. Já a visitara antes por dentro, por isso agora apenas a torneei por fora!

Continuei ainda pela margem do lago, e de lá, a estrada para Reichenau é visível pelas filas de grandes árvores, como gradeamentos ao longe! Uma perspetiva encantadora do lago de Konstanz!

E fiz um belo picnic ao entardecer em Ematingen, com o lago e o sol como paisagem. A felicidade existe e é nestes momentos que ela é intensa cá dentro de mim!

Depois, de barriguinha cheia, passei por Frauenfeld, uma cidade do cantão de Thurgau, que merecia uma visita mais cuidada, mas ficará para mais tarde, um dia que volte a passar por ali!

A igreja de Sankt Niklas estava fechada, numa cidade esvaziada e em hora de jantar.

Há por ali um castelinho muito bonito, mas também ele ficaria para outra vez!

E fui para casa, que naquele dia era mais uma vez em Saint Gallen!

Fim do vigésimo segundo dia de viagem…

37 – Passeando até à Suiça 2012 – O amigo Edwin, Lindau, Meersburg e Birnau

20 de Agosto de 2012

Antes de pensar no que ver ou visitar naquele dia, coloquei o GPS na moto e tratei de lhe obedecer cegamente e deixar que ele me levasse até ao stand/oficina que o Edwin me aconselhara!

Foram quase 60km tentando nem olhar para o lado para não perder tempo e chegar cedo, para me despachar e acabar de vez com a preocupação do travão!

Por momentos duvidei que o caminho estivesse certo pois fui-me afastando de centros e cidades e atravessando montes e planícies, sem ver ambiente de ir encontrar um stand Honda no meio de nada! Mas ele lá estava, quando o meu Patrick murmurou ao meu ouvido “chegando ao destino à esquerda”!

O meu amigo Edwin lá estava à minha espera e foi de grande ajuda para explicar o que a minha Magnífica estava a pedir: pastilhas nos travões da frente e de trás!

O stand não era muito grande mas era simpático e as pessoas atenciosas!

Enquanto cuidavam da minha motita, fomos dar uma voltinha pela zona, um bom pedaço de conversa, embora o meu inglês seja pobre, por falta de vocabulário, para conversar relaxadamente!

Fomos passear para uma zona mística, um recando de natureza onde se encontram pequenos “templos” em madeira com decorações curiosas a lembrar ambientes de culto budista

ou ambientes de culto brasileiro, tipo de uma Iyalorixá – mãe de santo!

A natureza presta-se a ambientes curiosos!

Depois de uma bela passeata e de um simpático 2º pequeno-almoço, na companhia do amigo Edwin, fomos buscar a motita! Estava pronta!

Não pude deixar passar a oportunidade de me fazer fotografar, a mim e à minha Magnífica, junto do Edwin, um grande homem, no verdadeiro sentido da palavra!

Senti-me tão pequenina junto dele! Acho que a Magnífica também! 😀

A motita estava ótima, pronta para rolar, nada me perturbaria mais… era hora de partir!

Despedi-me do amigo Edwin com a promessa de que o seu belo país seria, provavelmente em 2014, o assunto de uma viagem ou, pelo menos, o assunto principal! Nessa altura ele acompanhará parte dela com a sua GSA, uma moto à sua medida: grande e grandiosa!

Era cedo, o dia era longo, nada me impedia de visitar ainda grande parte do que planeara visitar por aquelas bandas! Um dia de sorte, sol e passeio pelo lago de Konstanz!

Lindau fica a uns escassos vinte e poucos quilómetros de Weiler-Simmerberg, a localidade onde ficava a oficina da Honda, por isso seria ainda possível realizar o meu plano inicial de dar a volta ao lago de Konstanz, o Bodensse, só que no sentido contrário ao que projetara!

Por isso, em vez de terminar a volta em Lindau, comecei por ali mesmo!

Lindau é uma cidadezinha numa ilha, no lago de Bodensee. Lindau quer dizer precisamente Linda e o lago de Bodensee não é outro senão o Lago de Konstanz, ou Constancia, que fica na fronteira entre três países: a Alemanha, a Suíça e a Áustria e os três países ainda nem se entendem muito bem sobre como ou onde ficam as suas fronteiras no lago! Lindau fica no estado da Baviera e o seu porto é mítico pela entrada com o marco característico da escultura do leão, de um lado, e o único farol da Baviera, do outro.

A rathaus é um edifício extraordinário, originalmente em estilo gótico e posteriormente renascentista, lindo com as suas pinturas nas duas fachadas, difícil de decidir em que ângulo é mais bonito!

Passeia-se pela ilha como se ela não tivesse fim, pois está recheada de edifícios lindos com fachadas pintadas com imagens e cheia de gente que se passeia calmamente pelas ruas mas, na realidade, é uma ilha bem pequena com menos de um quilómetro quadrado de área!

Pormenores que, quem anda de nariz no ar, vai descobrindo!

A Stadtpfarrkirche St. Stephan, ou igreja evangelista de Santo Estêvão, é linda! De origem românica do séc. XII, comporta em si séculos de modificações, adaptações e reconstruções!

E hoje a sua decoração barroca em estuque é linda e fresca!

Do outro lado da praça fica o Museu Municipal, a “Haus zum Cavazzen”, uma construção impressionante com pinturas extraordinárias nas paredes!

Lindau visita-se calmamente a pé, por ruelas e recantos cheios de encanto!

Com paragem estratégica para refrescar um pouco, que o calor aperta! Afinal estamos ou não no país da cerveja?! E que boa que era! 😉

Ali encontrei os chapéus mais caros da viagem! É verdade, um chapéu igual ao meu chegava a custar mais de 200€! Foi quando pensei em comercializa-los por lá, dado que o meu foi comprado no Porto muitíssimo mais barato!

E tratei de pegar na minha motita e seguir caminho, que o lago é grande e cheio de coisas que eu queria ver!

Voltei a passar no belo porto

E segui passeando pela margem do lago que já visitara em 2010, mas deixara tanto para ver! E voltei a deixar muito para outra visita!

Logo ali à frente fica Meersburg, uma cidadezinha encantadora, como tudo parece ser na borda daquele lago!

Com uma história riquíssima que vem desde tempos remotos, cheia de construções perfeitamente preservadas, a cidade teve sua primeira fortaleza construída por volta do século VII.

Sem ter ainda regressado bem ao nosso tempo, depois de visitar Lindau, voltei rapidamente ao passado ao visitar Meersburg!

A cidadezinha tem duas zonas a parte baixa (Unterstadt) e a parte alta (Oberstadt) que são pedonais e estão ligadas por duas escadas e uma rua íngreme.

E realmente é a pé que se conhece melhor cada recanto de tão encantadora cidade!

Dá-se a volta e apetece recomeçar de novo!

Um mimo de cidade fofinha e linda, onde a água das fontes é fresca, quase gelada, como quem a tira do frigorifico, percorrida por pessoas simpáticas e sorridentes, como num cenário perfeito de uma história infantil!

E as casinhas medievais perfeitamente conservadas, pareciam quase impossíveis!

Lá acabei por deixar a cidadezinha para trás, ou iria passar lá o resto das minhas férias sem nem dar por ela!

Ao passear-me pela margem do lago, logo a seguir a Meersburg, por entre vinhas em paisagens deslumbrantes sobre o lago, com a “Ilha das Flores” de Mainau no horizonte, fica a Basílica de Birnau, uma construção extraordinária do séc. XVIII.

Embora o barroco não seja o estilo que mais aprecio, não podia deixar de a visitar, porque é linda e espantosa!

Um mundo decorativo vibra em cima de nós, em tetos trabalhados em gesso e pintados em afrescos como telas, quase fotográficas!

Um local que tenho de voltar a visitar, quando a Alemanha for o destino exclusivo da minha viagem e a ilha de Mainau um dos grandes locais a explorar.

(continua)

36 – Passeando até à Suiça 2012 – Weiherschloss, Schaffhausen e Stein Am Rhein

19 de Agosto de 2012 – continuação

Detesto ter de pensar muito bem onde vou a seguir, mas foi o que tive de fazer a cada paragem, para tentar não fazer caminhos difíceis com conduções exigentes que me obrigassem a usar muito os travões!

O facto de ser domingo, naquele país, pode ajudar um bocado, pois não há tanto trânsito nas ruas, logo trava-se menos! 😀

Logo ali a seguir, a pouco mais de 8km fica o Château de Bottmingen, um dos castelinhos suíços mais fofinhos!

O Château de Bottmingen (Weiherschloss) é um castelinho delicioso do séc. XIII que foi restaurado posteriormente em estilo barroco, no séc. XVIII.

Funciona hoje como restaurante com serviço agradável e pratos deliciosos, a considerar pela lista variada! É o único castelo do cantão que tem foço, que lhe confere um ar romântico e pitoresco, com uma esplanada sobranceira às águas! Apetece comer ali!

Como não o poderia fazer, porque era muito cedo, contornei-o fotografando-o e, ao passar pelo seu interior, fui simpaticamente cumprimentada pelos empregados que preparavam a esplanada e punham as mesas para o almoço, pois essas coisas fazem-se cedo. Um bonito e acolhedor espaço e ainda por cima histórico!

Rapei do mapa e… não me apetecia passar em Zurich, tenho lá passado varias vezes nos últimos anos e nem é uma cidade que eu goste particularmente, por isso passei antes por Baden a caminho de Schaffhausen!

Baden recebeu-me em festa, e digo “recebeu-me”, porque as pessoas ficaram muito preocupadas porque eu não tinha lugar para estacionar por causa do centro histórico estar fechado ao transito e houve quem pedisse à policia para me deixar pôr a mota num cantinho da festa.

Baden tem a ver com termas e as águas por ali são as melhores do país, pela sua riqueza em minerais. A bem dizer o seu nome quer exatamente dizer “termas” e é mesmo uma das mais antigas do país, vinda lá do tempo dos romanos, quando se chamava Aquae Helvetiae.

Acabei por me deliciar mais com a panorâmica geral da cidade do que com a confusão das suas ruelas cheias de gente em festa!

Segui para Schaffhausen, uma cidade que sempre me fascina, com as suas cataratas esplendidas!

As cataratas ficam numa terrinha que se chama Neuhausen am Rheinfall, mesmo ao lado de Schaffhausen. As cataratas são surpreendentes pela sua força e extensão, são as maiores da Europa ocidental!

O Reno em fúria enche a atmosfera de água e é a água que tudo cheira por ali!

Barquinhos partem para a visita ao rochedo no meio das cataratas. Mais uma vez não fiz essa visita, ficará para uma outra vez que ali passe!

Desde sempre que estas cataratas impressionam quem as visita até Turner (o grande pintor impulsionador do impressionismo) as pintou quando as visitou!

O rochedo no meio da queda é tão forte quanto frágil, no meio de todo o turbilhão da corrente! Parece que, mais dia, menos dia, será levado por ela, há séculos que parece!

Eu iria lá voltar ainda de passagem durante esta viagem. Impulsos a que não consigo resistir!

Schaffhausen, a cidade propriamente dita, fica logo ali ao lado, uma cidade de origem medieval, cheia de construções extraordinárias, memórias de diversas épocas até aos dias de hoje!

Foi lá que fui almoçar! Achei curioso um bebé que teimava em gatinhar para a rua pedonal, e os pais apenas o acompanhavam, sem se preocuparem com o facto de ele se sujar. E o miúdo ficava tão feliz nas suas explorações!

Passeei um bocado pela cidade antiga, estava bastante calor e não apetecia sofrer muito em longas explorações!

O castelo do séc. XVI olhava-me lá de cima mas eu não podia apanhar mais calor e caminhar! Só aguento bem o calor a conduzir!

Ali a uns escassos vinte e tal quilómetros fica uma cidadezinha que me estava a interessar muito mais explorar! Uma cidade linda e cheia de recantos espantosos, pintura, arquitetura e ambiente, tudo parece perfeito em Stein Am Rhein!

A cidade fica no ponto onde o rio Reno deixa o lago de Constança para voltar a ser ele mesmo!

O centro medieval está muito bem preservado mantendo a estrutura antiga de ruas. As portas da cidade estão lá, embora a antiga muralha da cidade seja composta por casas.

A parte medieval da cidade é exclusivamente pedonal, o que ajuda a preservar o bom estado das habitações e permite apreciar calmamente os muitos edifícios medievais pintados com belos afrescos.

Cada uma daquelas casas merece uma longa apreciação, pelas obras que têm pintadas em si!

Ali eu esqueci o calor! Apenas me deslumbrei com os pormenores!

Um casal de motards que me vira chegar, pois estacionei a minha moto perto da deles, meteu conversa comigo. Estavam curiosos para saber de onde eu vinha e se andava por ali mesmo sozinha. Simpáticos. Eram da zona, por isso acharam que eu era a supermulher por vir de tão longe passear para ali sozinha!

Ali ao lado a miudagem aproveitava a ponte para saltar para o rio, que era o que o calor inspirava a fazer!

Depois fui até à margem do rio onde havia uma festa da cerveja local, bem animada e simpática!

Paguei um copo e encheram-mo várias vezes! Tive de dizer “chega” ou teria de passar ali a noite! Eheheh

A festa animaria à noite, diziam eles, por isso a beber era naquele momento que estava pouca gente! Diga-se que com o calor que estava apetecia mesmo beber a tarde toda!

Segui o meu caminho muito mais fresca e relaxada, depois de paleio e cerveja a gente sente-se sempre bem!

Mais à frente encontrei o único incêndio da viagem! Foi uma coisa que me chamou a atenção, com tanto calor que se fazia sentir por todo o lado, nada ardia! E este único incêndio era num armazém, por isso nem era provocado pelo calor!

Ainda passei em Appenzell, apenas para matar saudades.

O cantão de Appenzel está cheio de curiosidades, uma delas é o facto de estar completamente rodeado pelo cantão de Saint Gallen! Uma ilha no meio do outro cantão! Outra curiosidade é o seu Landsgemeinden, uma assembleia democrática ao ar livre, onde toda a população tem de participar sob pena de poder ser multada, e onde se delibera o que é importante para o cantão bem como que o vai governar! Democracia direta, onde o povo tem rosto e quem o governa também! Vêm-se e conhecem-se uns aos outros olhos-nos-olhos!

E fui para Saint Gallen, não me apetecia catar mais… nem conduzir mais, nem travar mais!

Lá da pousada de juventude eu podia ver a Catedral que me levara a voltar aquela cidade.

Eu contactara, na noite anterior, com o meu amigo alemão do Facebook, o Edwin, que vive perto daquela zona da Suíça, a pedir-lhe ajuda para encontrar uma oficina Honda na Alemanha, para trocar as pastilhas de travão.

Ele enviara-me 2 endereços para eu escolher o que me parecesse mais próprio. Perguntava-me se a moto poderia circular até uma das oficinas ou se precisava que ele me viesse buscar.

Escrevinhei o endereço da oficina no GPS e ele reconheceu-o, grande Patrick!

Não seria preciso virem-me buscar, eu iria lá ter pelo meu Patrick, o Edwin iria ter comigo. Faz sempre jeito ter alguém que fala inglês comigo e alemão com os alemães! Eheheh

Grande Edwin, iria conhece-lo amanhã!

Fim do vigésimo primeiro dia de viagem!

35 – Passeando até à Suiça 2012 – Basel, Dornach e o Goetheanum

19 de Agosto de 2012

O dia seguinte foi de preocupação, o que estragou um pouco o que queria ver e fazer! Isto de não conduzir à vontade é ruim e, quando nos dizem para não travarmos, parece que de repente travamos mais do que nunca e por tudo e por nada!

O meu destino era Saint Gallen, por caminhos cheios de beleza, mas nem sabia o que fazer, se seguir direta, se dar umas voltinhas inocentes e visitar recantos que trazia no meu “livrinho das saudades”.

Optei pelo “meio-termo”: nem ir direta, nem catar demasiado, e deixar na agenda coisas lindíssimas, que não poderia ver, para uma próxima passagem no local. Acho que foi a boa opção pois, no final, o dia resultou muito bonito!

O hostel era muito bonito e o pequeno-almoço cheio de requintes! É o momento em que me encho sempre de comida! Acordo com vontade de comer de tudo e é o que faço sempre, pois durante o dia a vontade de comer nunca é muita! Pudera, com a barriga cheia e a cinta apertada nem há tempo para sentir fome!

Não fiz uma visita exaustiva a Basel, implicaria muito “pára-arranca” e isso stressar-me-ia por causa dos travões, por isso fui até um ponto central, perto do que queria ver, e parei ali.

Uma das coisas que me irrita na Suíça são os milhares de fios dos autocarros elétricos! Lixam a paisagem toda, ao ponto de fazer quase redes de fios por cima de nós! Ecológico mas aborrecido para caramba!

A caminho da Rathaus extraordinária da cidade passei na Elisabethenkirche, uma igreja fantástica em estilo neo-gótico, que consegue ter a torre mais alta que a da catedral de Basel! Um edifício do séc. XIX lindíssimo… infelizmente estava fechada, era muito cedo!

Não estava fácil aproximar-me do ponto onde queria parar, porque havia ruas cortadas e sinais de festa, mais propriamente cinema ao ar livre!

Do outro lado do Reno a catedral vermelha chamava a atenção! Era para lá que eu queria ir!

Aquele Reno é um rio que tenho de percorrer de ponta a ponta, um dia… desde a nascente nos Alpes suíços, até à sua chegada ao Mar do Norte, depois de passar por 6 países: Suíça, Áustria, Liechtenstein, Alemanha, França e Holanda!

Dei a volta e fui até à Marktplatz, onde o edifício de arenito vermelho domina visualmente toda a envolvência!

Uma construção do séc. XVI espantoso onde hoje funcionam o Grande Conselho – legislativo e o Conselho de Governo – executivo, bem como os serviços do Parlamento do cantão.

Não há qualquer dúvida da data de construção do edifício, pois está escrevinhada numa varanda! A segunda data deverá ser a do seu restauro, que naquele país gostam de registar também!

As paredes são deslumbrantes em torno do pátio interior! Fica-se por ali de nariz no ar a apreciar!

Basel foi a única grande cidade que eu não conheci enquanto vivi na Suíça! Lembro-me que quando a Confederação organizou o passeio para os bolseiros visitarem a zona, eu não pude participar, pois estava em exames, que nas Belas Artes nunca são nas mesmas datas dos da Universidade, vá-se lá saber porquê.

Depois nunca lá fui pelos meus próprios meios (bicicleta + comboio) porque havia sempre algo mais chamativo e mais perto para eu visitar! Por isso conheci-a apenas anos depois, quando regressei à Suíça de moto!

A praça, cá fora, estava deserta e era o momento certo para a visitar, sem carros por todos os lados!

Pertinho da Marktplatz fica a Catedral, vai-se mais facilmente a pé que de moto, pois a volta que se dá é enorme!

A catedral é um edifício espantoso, também em arenito vermelho, sobressai na paisagem da cidade pelas suas torres e telhados de telhas coloridas!

Foi construída entre o séc. XI e o séc. XVI, entre estilo românico tardio e gótico!

Esta catedral, como outras no país, nasceu Católica e acabou Protestante, como se mantem até hoje! Mas a transição foi violenta e um duro golpe para o seu património artístico!

Entre 1528 e 1529 muitas das suas obras foram destruídas, crucifixos e estuas de santos e da virgem foram esmagados pela população que a invadiu para destruir tudo o que fosse imagem, inspirados pelo reformador Ulrich Zwingli, que recusava a adoração de Deus pelas imagens!

Os capelães defenderam a catedral que acabou por ser despojada das suas imagens e assim se mantem até hoje.

Pertinho de Basel, em Dornach, fica o Goetheanum! Um edifício que é uma escultura onde se pode entrar!

Na realidade é a sede mundial do Movimento Antroposófico, fundado por Rudolf Steiner, que o apresentava como “um caminho para se trilhar em busca da verdade que preenche o abismo historicamente criado desde a escolástica entre a fé e a ciência!”

A obra arquitetónica é também de Steiner e é considerada uma verdadeira obra-prima da arquitetura expressionista do século 20. A libertação de alguns elementos tradicional da arquitetura, obtendo estruturas orgânicas, provoca no observador as mais diversas emoções. A cor, usada no interior do edifício em nuances e efeitos que se alteram ao longo da subida da escadaria colorida e no interior dos auditórios, é surpreendente e proporciona enquadramentos inesperados! Uma obra de arte que se pode percorrer por dentro!

As escadas, quase orgânicas, sobem em tons quentes que vão arrefecendo até chegar ao azul, lá em cima!

Lá em cima, onde o patamar já é amarelo, a maqueta de todo o sítio, onde figura o Goetheanum e as pequenas casas em formas orgânicas e florais que aparecem perfeitamente integradas na paisagem.

Lá de cima podia ver a minha motita à minha espera no pátio!

As entradas para os auditórios estavam fechadas, o que foi uma pena, pois sei que eles são de cortar a respiração!

Ao visitarmos este edifício somos levados a pensar que é uma construção moderna e recente, futurista mesmo!

Mas na realidade foi construído nos anos 20 do século passado! Os Suíços são muito reputados em artes e arquitetura, não é por acaso!

As outras construções do complexo completam o conjunto de forma digna e encantadora!

(continua)