27 – Passeando até à Suiça 2012 – Laufenburg, o Lago dos Quatro Cantões e as termas de Vals

15 de Agosto de 2012

Tirei o dia para não fazer nada de especial, para além de conduzir!

Há sempre dias destes nas minhas viagens: tiro um dia para não conduzir, ou um dia para ficar em casa, ou um dia só para conduzir! Enfim, tiro os dias que me apetecem para fazer o que me apetece e acabo sempre por ver coisas giras, mesmo saindo de casa para não ver nada de especial! 😀

Depois não ver nada é difícil por aquelas bandas pois, mesmo sem se querer, “o que ver” está por todo o lado! Então fiz um desenho louco, de vai e volta no meu mapa!

Primeiro fui numa direção qualquer e atravessei uma terrinha fofinha, com uma porta de entrada em torre, Sempach. Fica na margem do lago Sempachersee onde fica também Sursee que não fui visitar embora saiba que é uma terra interessante!

Esta é uma terra histórica na Confederação Suíça, pois ali se travou uma grande batalha contra os austríacos, lá atrás no séc. XIV, quando a confederação se expandia!

Tem também uma porta em torre para sair!

Segui o meu caminho sem destino, embora tivesse um nome em mente: Laufenburg.

Eu sabia que passaria ali perto dali a dias, mas apeteceu-me ir visitar com calma naquele momento!

Laufenburg era uma terra que eu não conhecia, como há muitas pela Suíça, e que irei cata-las um dia ou outro. E o que me despertou o interesse foi o facto de haver uma homónima na Alemanha e logo ao lado uma da outra!

Deixei a mota na Alemanha e fui procurar onde a cidade deixava de ser alemã e começava a ser suíça!

A entrada faz-se por baixo da própria Rathaus!

E ao chegar-se ao fim da rua aparece o rio Reno e a Suíça e Laufenburg, na outra margem!

Na realidade as duas Laufenburg foram a mesma cidade desde o séc. XIII até 1800, quando Napoleão as dividiu. Hoje ainda, as pessoas sentem-se e vivem como se da mesma cidade e do mesmo país se tratasse!

A ponte velha foi desativada para o trânsito dado que se tornara insuficiente. É uma ponte muito bonita, medieval com esculturas a meio!

E do outro lado do rio, outra Rathaus!

Ruínhas muito bonitas com pormenores deliciosos!

E ninguém diria que passamos de uma cidade para outra e de um país para outro e que voltamos atrás, sem nem a língua mudar!

Na realidade andamos entre Laufenburg pertencente a Baden-Württemberg e Laufenburg pertencente ao Cantão de Aargau!

Decidi voltar para o centro da Suíça passando por Brugg, ainda no cantão de Aargau, onde passa o rio Aar a caminho do Reno!

Brugg é uma cidadezinha muito interessante que fica na confluência de 3 rios: O Reuss, o Aar e o Limmat!

Com ruínhas curiosas de passeios elevados onde as esplanadas têm mais graça!

Comi uma belíssima refeição numa esplanada, com direito a sombra e musica ambiente mesmo a calhar!

De onde estava instalada avistavam-se pormenores curiosos!

E voltei a pegar na moto para dar mais umas voltinhas de condução relaxante, passando pelo lago de Zug.

A Suíça é um país cheio de lagos, alguns deles deslumbrantes, outros mais vulgares, mas todos com os seus encantos particulares e histórias mais ou menos felizes. O lago de Zug é considerado o lago menos limpo do país, devido às zonas de cultivo que vão afetando os rios que o alimentam. É no entanto também um assunto em permanente estudo e cuidado, acreditando-se que a sua situação será revertida a médio prazo, já que as questões ambientais sempre foram de primeira importância para o país. O lago não deixa no entanto de ser muito bonito, com a cidade de Zug a dar-lhe o nome e enriquecer-lhe a paisagem!

E o Zugersee tem recantos encantadores em que ninguém diz que aquelas aguas não são tão limpas assim! Na realidade é preciso ter-se uma ideia do que quer dizer “o menos limpo” para os suíços pois, na realidade, têm padrões de limpeza de aguas mesmo muito elevados!

Mas o lago que eu queria visitar era o Lago dos Quatro Cantões, logo ali a seguir!

Lucerne fica na berma de um dos lagos mais extraordinários da Suíça, o Lago dos Quatro Cantões. O seu nome deve-se ao encontro dos quatro cantões fundadores da Suíça: Uri, Scwyz, Unterwalden (que hoje é divido em dois: Ibwald e Nidwald, o que faz que o lago seja hoje, afinal dos 5 cantões!) e Lucerna. A grande beleza do lago deve-se às montanhas que o rodeiam e o tornam um lago em fiord! A verdade é que as paisagens nos surpreendem a cada quilómetro percorrido e a gente pára aqui, encosta ali, tira dúzias de fotos e nunca se sente satisfeita, pois a vontade é traze-lo todo para casa! Deslumbrante e apaixonante…

E ele é lindo… e eu fotografei-o até à exaustão!

E mesmo assim sei que deixei muito para fotografar das próximas vezes que lá passar!

Bendita moto que permite parar em qualquer recantozito da estrada e disparar mais uma ou duas fotos onde ninguém poderia parar!

E cheguei a Altdorf, a capital do cantão de Uri, famosa pela lenda de Guilherme Tell e a sua estátua está bem no centro da praça.

Reza a lenda que Guilherme era conhecido pela sua habilidade no manejo da besta.

“Na época, os imperadores da casa de Habsburgo lutavam pelos domínios de Uri e, para testar a lealdade do povo aos imperadores, Herman Gessler, um governador austríaco tirano, pendurou num poste um chapéu com as cores da Áustria, numa praça de Altdorf. Todos os que por lá passassem teriam de fazer uma vénia como prova do seu respeito. O chapéu era guardado por soldados que se certificariam que as ordens do governador eram cumpridas.

Um dia, Guilherme e seu filho passaram pela praça e não saudaram o chapéu. Foram imediatamente presos e levados à presença do governador que, reconhecendo-o, o fez, como castigo, disparar a besta a uma maçã pousada na cabeça do seu filho. Tell tentou demover Gessler, sem sucesso; o governador ameaçava ainda matar ambos, caso não o fizesse.

Tell foi assim trazido para a praça de Altdorf, escoltado por Gessler e os seus soldados. Era o dia 18 de Novembro de 1307 e a população amontoava-se na expectativa de assistir ao desfecho do castigo. O filho de Guilherme foi atado a uma árvore, e a maçã foi colocada na sua cabeça. Contaram-se 50 passos. Tell carregou a besta, fez pontaria calmamente e disparou. A seta atravessou a maçã sem tocar no rapaz, o que fez a população aplaudir e admirar os dotes do corajoso arqueiro.

Ao observar que Guilherme trazia uma segunda seta, Gessler perguntou por que ele a trazia. Tell hesitou. Gessler, apressando a resposta, assegurou-lhe que se dissesse a verdade, a sua vida seria poupada. Guilherme respondeu: “Seria para atravessar o seu coração, caso a primeira seta matasse o meu filho”.”

Guilherme Tell ficou para sempre associado à libertação da Suíça das mãos do império Habsburgo da Austria.

E depois? Era cedo para ir para casa, por isso fui passear para os montes!

Passei no Rundweg Schöllenen, o percurso do Gotthard Pass através do canyon Schöllenen, que é lindíssimo, com paredes íngremes e caminhos rudimentares e sinuosos construídos pelas populações do vale do Urseren, um caminho para eu me dispor a explorar um dia.

É impressionante a facilidade com que a gente perde a noção da dimensão das coisas por ali!

Ao aparecer o comboio é mais fácil entender a dimensão do rochedo, não?

E decidi ir até Vals, não era no meu caminho mas apeteceu-me!

São mais umas estradas de montanha, algumas em terra batida, que estavam a cuidar delas antes que o inverno chegasse e depois de muita ruela em sucessão de SS, lá apareceu a vilazinha! Como dizem por lá: “Vals é a última aldeia no vale, depois é só montanha e céu!”

Depois de tais caminhos nem parece provável encontrar uma vila tão interessante e movimentada! Mas, a principal razão para eu lá ir é a mesma que leva ali tanta gente: As Termas de Vals!

Uma obra do arquiteto Suiço Peter Zumthor, considerado um dos mais importantes arquitetos do mundo! A obra, é um espetáculo! Uma pena que não a tenha podido fotografar por dentro, pois sei que é belíssima!

Na realidade no início de 1980 a comunidade de Vals comprou um hotel falido composto por três edifícios, da década de 1960, e contactou Peter Zumthor para projetar umas novas termas. Se no princípio isso até abalou a estrutura financeira da comunidade, rapidamente o edifício se tornou um sucesso na Suíça e apenas dois anos após a sua abertura, tornou-se um edifício protegido.

Hoje podem-se encontrar fotografias dele em qualquer tipo de revista no país, o nome do arquiteto é bem conhecido para o cidadão comum de Grisões e a vila de Vals está orgulhosamente no mapa, não só da Suíça mas também do mundo!

É curioso a forma como o edifício se integra na paisagem, sem a ferir ou perturbar sequer!

Por baixo do fino relvado a vida pulsa…

quase sem darmos por nada…

Uma pena não poder entrar para fotografar. Teria de ir fazer eu mesma um spa, mas nem assim poderia fotografar, pois o ambiente é quente e húmido lá dentro, nada próprio para uma máquina fotográfica…

E estava na hora de voltar para casa, por mais montes e curvas e uma deliciosa dança do ventre até Lucerne!

Passando de novo um pouco pelo Gottharpass

Embora não o tenha feito totalmente o que o põe na minha agenda para uma futura passagem, pois é um dos Pass do meu coração!

E o pôr-do-sol quase chegava primeiro do que eu a casa!

Fim do décimo sétimo dia de viagem…

25 – Passeando até à Suiça 2012 – O Vale Lauterbrunnen e Grinderwald

14 de Agosto de 2012

Iria ficar 3 dias em Lucerne o que me dava tempo para tudo, até para perder tempo a fazer o que me desse na telha! E o que eu gosto de perder tempo a vaguear sem preocupações de depois ele não chegar para ver tudo!

Comecei por subir o Mont Pilatus, que fica logo ali pertinho da cidade, e que no dia anterior estava coberto por um grande chapéu de nuvem, mas que naquela manhã prometia alguma visibilidade, apesar da névoa matinal sobre o lago!

A névoa acaba sempre por dar um ar de mistério às paisagens e o lago parecia vindo de uma outra realidade.

Enquanto o monte estava bem descoberto e iluminado pelo sol!

As ruínhas são deliciosas pela encosta, ladeadas por relvados imensos.

E o mundo lá em baixo, mágico!

Chama-se frequentemente Lago de Lucerna àquele lago, mas o seu verdadeiro nome é Lago dos Quatro Cantões, mas ele seria assunto para um outro dia quando eu lhe dei a volta!

Naquele dia apenas me passeei pelas encostas para o apreciar ao amanhecer!

E segui por outros lagos, que por ali são frequentes e frequentemente lindos, como o de Lungern que vira ontem a caminho de Lucerne.

E segui para Brienz, uma terrinha muito mimi, com o seu lago espantoso, o Brienzersee.

O lago de Brienz, ou Brienzersee, é um lago lindíssimo de águas cor de esmeralda. As suas margens são íngremes e quase nunca se lhe vê o fundo pois é bastante profundo!

Recebeu o seu nome da aldeia de Brienz, de onde partem passeios de barco ou de comboio para as visitas mais encantadoras ao Oberland Bernense!

Tudo é lindo por ali e a atmosfera é de calma e serenidade, como se o tempo parasse na aldeia onde se fabricam os verdadeiros e únicos relógios de cuco suíços….

Todos os caminhos são bonitos, todos os montes são deslumbrantes, a caminho de Lauterbrunnen.

Lauterbrunnen fica no vale com o mesmo nome, um vale em U, escavado nas montanhas mais impressionantes dos Alpes, entre gigantescas encostas rochosas e picos montanhosos.

Dizem que tem 72 quedas de água, cada vez que lá vou descubro mais uma ou duas até que um dia terei visto todas! 😉

O Vale Lauterbrunnen é uma das maiores áreas de conservação da natureza de toda a Suíça e um “recanto” que venho prometendo a mim mesma explorar mais a fundo, um dia! É que há recantos que eu simplesmente ainda nem sei lá ir, pois conheço-os de comboio, não sei nem se há rua!! 😮

O nome Lauter Brunnen inspira já por si, querendo dizer algo como Fonte Pura ou Muitas Fontes!

E lá estão elas a cair em força por altitudes por vezes de 200 metros, sobre o vale!

Encostas escarpadas que mais parecem muros que ladeiam o vale!

A gente vê as longas linhas brancas pelos penhascos, de águas em queda e sente-lhe o som e a vida, mesmo de longe!

O rio Weisse Lütschine atravessa a cidadezinha e o vale, com as águas brancas típicas dos rios de grande altitude.

E todas as águas se lhe juntam em força!

Por ali tudo é lindo e muito fica para se visitar a cada vez que lá se volta!

Pertinho fica Grinderwald, um alto paraíso de montanha que visito sempre que posso porque a sua beleza é inesgotável!

Um dia tenho de me dispor a subir ao glaciar de Grinderwald, para isso terei de pernoitar uns dias na vila, para caminhar quanto baste por ali acima, por caminhos, escadas e pontes de madeira e ir até ao seu coração!

Desta vez limitei-me a andar pelas ruínhas estreitas das encostas com a minha motita!

E recolher imagens gerais dos topos mais espantosos!

E são caminhos deliciosos de fazer, com cascatas em ruas ingremes e estreitas onde não passaria muito bem um carro por mim!

Autênticos caminhos do paraíso!

(continua)

23 – Passeando até à Suiça 2012 – Oberalppass / Furkapass / Grimselpass

13 de Agosto de 2012

Naquele dia seguiria para Lucerne, o caminho não é longo como quase nenhum caminho é naquele país! É como se tudo fosse tão perto que em 200 ou 300 km a gente pudesse alcançar meio país! Mas ali todo o percurso é deslumbrante por isso não deverá haver pressa para chegar a lado nenhum!

Então decidi fazer 3 dos Pass que mais gosto por aquelas paragens, em passo de passeio, porque aquelas paisagens são lindas e inspiradoras, sobretudo com todo aquele sol e o céu magnificamente azul!

Despedi-me do meu hotelzinho lindo de montanha

E fiz-me à estrada que é sempre deliciosa e com as bermas “alcatifadas” de relvinha verde

Atravessei o Distrito de Surselva que é lindo e uma das poucas zonas onde se fala o Romanche. Ali perto forma-se o rio Reno com a junção do Vorderrhein e do Hinterrnhein.

O vale do Vorderrhein é deslumbrante!

A estrada parece uma prateleira na encosta escarpada do monte com o paraíso logo ali à nossa direita!

Depois os vales sucedem-se, por vezes a grande altitude.

E chegamos a Oberalppass, sem darmos por ela, na apreciação da estrada e das paisagens!

O Oberalppass é uma estrada fantástica, um alto passo de montanha que faz a ligação entre os cantões de Grisões e de Uri e atinge a bonita altitude de 2046m! É uma estrada extraordinária não apenas por causa das suas agradáveis curvas mas, sobretudo, pelas suas belíssimas paisagens!

Por momentos a gente tem até pena que não seja possível parar a todo o momento para apreciar tudo o que a estrada tem para nos mostrar e, quando a gente pensa que a descida será o fim do prazer, o grande vale de Urseren estende-se aos nossos pés!

Lá em baixo atravessamos Andermatt e continuamos pelo longo vale.

E há um momento, lá por Hospental, em que o Overalppass se transforma em Furkapass!

E do outro lado fica o passo fantástico, o Furkapass, e é desde a sua subida que temos a noção da estrada que acabamos de percorrer!

Há momentos de pausa por aqueles caminhos, quando os veículos são maiores que o espaço da curva!

Ao fundo o Oberalppass deslumbrante depois do grande vale!

E a subida continua e o deslumbramento está de ambos os lados do monte

O Furka Pass é uma estrada que nos permite ter, para além de um grande prazer de condução, o deslumbramento da paisagem.

Sobe a mais de 2400 metros de altitude, com uma série de curvas fechadas e paisagens extraordinárias sobre o maciço de St Gottard e o Vale de Ursen.

Ali se filmou partes do filme de James Bond, Goldfinguer.

De lá de cima pode-se ver o Grimselpass, o terceiro Pass delicioso que iria fazer naquele dia.

E a descida do Frukapass ainda tinha tanta beleza para proporcionar até chegar ao Pass seguinte!

A sua famosa curva “suspensa” fica daquele lado. Lá estava ela.

Por aquelas paragens é por vezes um “não sei se vá, não sei se fique” com tanta beleza que nos rodeia!

Tiro mais umas quantas fotos (repetidas) e sigo o meu caminho, pois então!

Ali está a curva “suspensa” na minha frente!

E os rasgões da estrada na encosta que eu acabava de descer.

O glaciar de Furka ou o glaciar do Rhone.

Há ali uma gruta de gelo que eu visitei há muito tempo, terei de lá voltar um dia, quando as minhas finanças me permitirem fazer visitas (e viagens de comboio também, pois este ano nem pensar!)….

O Grimselpass é um dos meus Pass do coração. Há muito que não lhe dedicava a atenção que queria, mas passeei muito por ali em tempos e este ano quis matar saudades, já que o tempo estava bom e com boa visibilidade!

A última vez que ali passei o topo nem se via, com as nuvens baixas que formavam um chapéu lá em cima!

A estrada que acabara de fazer parecia uma linha num bolso lá em baixo!

Lá em cima mais um ponto de encontro de motards!

O Totesse, um lago simpático e lindo com uma pequena ilhota e o glaciar a espreitar ao fundo,

Um francês, que me viu passar e depois tirar fotos ao lago e à moto, veio-me perguntar se eu não queria que me tirasse uma foto!

Aproveitei a simpática oferta. Ficamos ali um pouco a conversar, ele andava a passear com a esposa e chamou-lhe a atenção eu andar por ali sozinha. A sua surpresa aumentou quando percebeu que eu era de longe e iria seguir para mais longe! Gente simpática!

Temos a sensação de estarmos mais uma vez no topo do mundo!

Ali ao lado há uma estradinha estreita de montanha, de circulação alternada controlada por semáforo, que vale a pena visitar. A gente espera um pouco e vai em paz por ali fora, pois temos 15 minutos para chegar ao outro extremo. Uma vez lá, teremos de esperar pela nossa vez para voltamos.

Só vale a pena faze-la se estiver o tempo limpo pois com muita visibilidade conseguimos ver o coração do glaciar ao longe!

Para lá não estava muito à vontade pois levava um carro atras de mim e cheguei à barragem com poucas fotos. Mas no regresso trataria de não levar ninguém atrás de mim a stressar-me!

O glaciar de Oberaar e o seu lago Oberaarsee é uma das nascentes do rio Aar, o rio turquesa que atravessa Interlaken e a capital da Suíça: Bern.

Não havia ninguém por ali, parece-me que continua a ser um caminho desconhecido da maioria dos turistas! O que foi uma boa noticia para mim! 😉

Um glaciar com mais de 4km e acima dos 2.500 de altitude, que parece ao alcance da nossa mão!

Depois o caminho de regresso a Grimsel foi feito nas calmas a aproveitar bem os 15 minutos que tinha para o fazer!

Apenas havia um carro para fazer o mesmo caminho e eu deixei-o ir à frente. Curioso que também ele circulava bem devagarinho, as pessoas deviam ir lá dentro, como eu, a tirar fotos e a apreciar a paisagem deslumbrante!

O tempo deu-me para tudo, até para fazer 2 pequenos filmes do caminho!

É sempre curioso ver os lagos de montanha turbos e baços, parecendo impossível que aquela agua se venha a tornar azul-turquesa e transparente mais à frente!

A dada altura já se via o Grimselpass a serpentear lá em baixo!

E segui para Lucerna, relaxadíssima e cheia de paz!

Ao chegar ao lago ainda tinha muito tempo pela frente para rever a cidade que, para mim, é uma das mais bonitas da Suíça, mas para muita gente é mesmo a mais bela!…

Os cisnes estavam a tratar do jantar! 😀

(continua)

22 – Passeando até à Suiça 2012 – Guarda, Tarasp e Nauders

12 de Agosto de 2012 – continuação

Havia ali uma aldeia que eu tinha toda a curiosidade em visitar, uma aldeia tão bonita que já ganhou o Prémio Wakker, atribuído pelo Património Suíço à comunidade ou entidade suíça que fez mais e melhores esforços para preservar o património do país.

E claro, o nome “Guarda” também tem a sua piada, para um português!

Guarda, no Engadine Inferior, é uma aldeia tão bonita que recebeu a distinção “de importância nacional”.

Não se pode estacionar na aldeia, há um parque antes de chegar à entrada e depois temos de caminhar… mas aquilo sobe e não é tão perto como isso! Fui espreitar como era e reparei que não havia ninguém estacionado em lado nenhum, apenas nos parques privados…

Voltei ao estacionamento fora da aldeia…

Fiquei ali sem saber o que fazer, honestamente não me apetecia subir a estrada a pé e depois voltar a descê-la! Então vejo passar uma Pan igualzinha à minha e o tipo lá foi todo contente!

Claro que tratei de ir atrás, ver onde ele punha a moto! Entramos na aldeia e ele parou-a num larguito onde eu já estivera. Bem, se ele pode eu também posso, sempre sendo dois nos defendemos melhor!

“no problem“ disse ele, vendo-me olhar para a placa de “proibido estacionar”.

A verdade é que ninguém nos disse nada e foi muito melhor aproveitar o tempo para visitar a aldeia em vez de o gastar na caminhada desgastante até ao parque!

A vantagem de não ser permitido estacionar é que as casinhas estão completamente visíveis, sem carros monstruosos na frente e podemos ver bem as suas pinturas decorativas a fazer lembrar autênticos bordados!

Há ali casas com 500 e 600 anos, lindas!

Uma destas imponentes mansões inspirou Alois Carigiet um artista famoso que ilustrou uma história infantil de grande fama, ao projetar a casa de Schellenursli, numa história infantil criada por Selina Chönz, uma grande escritora suíça.

Cá está a casa da Guarda de Alois Carigiet:

E cá está a casa real que o inspirou:

Mas não faltam por ali casas espantosas e inspiradoras! Eu própria queria lá ficar a desenhar algumas!

É curioso que a maior parte das casas tem pintada na decoração das paredes a data em que foi construída e depois a data em que foi restaurada!

A língua oficial de Guarda é o Romanche, mas dá para entender o que diz na pintura:

«Fabricha – 1650» – deverá ser o ano de construção e
«Renova 1973 – 1979» – deverá ser o período de tempo que demorou o restauro!

E lá estava a minha Magnífica de namoro pegado com a Pan do austríaco! Curioso que a cor prata na Pan European é a mais banal por cá, mas não pela Europa! De tanta Pan que vi, apenas 2 eram da cor da minha e uma foi esta!

Dei mais uma voltinha pela zona mas a seguir fica uma outra aldeia muito menos interessante, Bos-Cha, com as ruas em terra batida, por isso só andei enquanto o alcatrão era bom, depois voltei para trás, pois não me apetecia andar em malabarismos!

E voltei a atravessar Guarda, com mais umas fotos tiradas em andamento, pois é impossível passar sem querer fotografar!

E lá estava ela, vista do topo do morro que lhe serve de encosta!

E a ruínha tão agradável de fazer de moto e tão desanimadora para fazer a pé! Eheheh

Mais à frente O Schloss Tarasp, um castelo encantador do séc. XII, no topo de um penhasco que, embora seja alto, fica aninhado entre as altas montanhas alpinas que o rodeiam.

O castelo é visível desde todo o lado, até que uma montanha se entreponha, e eu brinquei contornando todo o vale em seu redor para o apreciar de todos os ângulos possíveis, porque na envolvência, ele é ainda mais extraordinário!

Estamos no Baixo Engadine, um longo e belíssimo vale rodeado pelas montanhas de Engadine, ali nasce e passeia-se o rio Inn, que vai buscar a sua água ao Piz Bernina, lá acima dos 4.000 metros de altitude! Depois segue para a Áustria onde atravessa a famosa e bela cidade de Innsbruck, antes de seguir para Baviera, na Alemanha.

É uma sensação tão curiosa sentir-me no meio de tanta beleza e tão perto de mais e mais beleza!

E na minha volta ao vale o castelinho estava sempre na paisagem, deslumbrante!

Na encosta em frente fica Ftan, uma aldeia muito bonita também com mais casinhas bordadas com pinturas lindíssimas!

E segui para a Áustria de novo! Porque na Suíça a gente nunca sabe quando será melhor sair do país para chegar melhor ao país!

Mas ali eu queria mesmo dar uma vista de olhos a um caminho e a uma cidadezinha de ski!

Nauders e o seu castelinho!

A cidadezinha está muito próxima das fronteiras com a Italiana e com a Suíça e por isso foi o ponto de passagem em fuga de muitos oficiais nazis no fim da Segunda Guerra! A fuga dos “heróis”!

O Schloss Naudersberg, um castelinho do Sec XIII domina a povoação!

Eu adoro ver um castelo numa paisagem deslumbrante de montanha!

Não é o castelo em si que eu quero visitar, normalmente, quero apenas fotografa-lo no seu meio!

E para isso às vezes faço muitos quilómetros até encontrar o que procuro!

E voltei para a Suíça.

Fazendo o caminho do Festung de Nauders, um forte construído no séc. XIX para proteger a zona, já que se tratava de uma rota comercial e internacional de 3 países. Hoje funciona ali um museu militar que estava fechado!

O que me chamou a atenção ali foi a arquitetura bizarra! Ainda por cima a rua passa-lhe quase em cima, nem dá margem para muito estacionamento!

Este foi o dia dos motociclistas simpáticos, os viajantes, que andavam na estrada para ver e visitar e fiz boa parte do caminho de regresso a Monstein com estes dois casais como companhia!

Aquela foi a segunda Pan prata que vi na viagem! Por isso vi as 2 no mesmo dia, até ali e depois dali só as vi de todas as cores inimagináveis por cá, incluindo amarelo, vermelho, verde vivo e azul!

O céu estava a fechar-se prometendo chuva, na hora certa em que eu chegava a casa!

Fim do décimo quarto dia de viagem!

21 – Passeando até à Suiça 2012 – Passo del Bernina e la Diavolleza!

12 de Agosto de 2012

O dia amanhece sempre fresco por aquelas paragens, a gente sai de casa e esbarra com uns 10 ou 11 graus que nos fazem acordar de vez, se o pequeno-almoço não o conseguiu fazer definitivamente!

Havia meia dúzia de coisas a catar ainda por ali e, como os dias são ainda longos, fiz um desenho meio bizarro no mapa, de tanto vai e volta e torna a subir e a descer!

Pouco me importa se o desenho é lindo e ordenado, desde que eu faça o que me apetece e consiga ver o que me dá na telha!

Comecei por visitar um pouco mais de Monstein, que é como eu faço cada vez que estou vários dias no mesmo sítio: visito um pouco a cada dia!

No dia anterior tinha havido uma festa na aldeia e havia carros de cerveja estacionados pela rua. É sempre curioso fazer uma festa junto a uma fábrica de cerveja, adivinhem o que mais se bebeu por ali!

Há uma igrejinha logo a seguir ao hotel, muito bonita, com uma torre bem tradicional por ali. A Alte Kirche, (ou igreja velha) É uma igreja do séc. XVI ligada ao culto evangélico, que hoje é usada para reuniões e eventos na aldeia.

As flores são presença em todas as aldeias e cidades e na verdade conferem aos locais muito encanto e beleza!

As casas têm frequentemente bancos e cadeiras à porta porque, tal como algumas das nossas aldeias, dá-se muito valor ao sentar à porta a apreciar a tarde e a conversar!

E as paredes exteriores das casas mais antigas e típicas são revestidas com escamas de madeira. Era o caso do Hotel Ducan onde eu estava hospedada.

A igreja nova, Neue Kirche de finais do séc. XIX, fica logo ali à frente e é a que se vê de longe, quando nos aproximamos, pois fica na berma da encosta.


Ali deve morrer pouca gente, pois o cemitério é bem pequenino! Seria de pensar em ir viver para lá só por isso, não?

A água brota gelada das fontes, ao ponto de quando enchemos uma garrafa de agua, esta fica embaciada com a diferença de temperatura, tal como se a tivessemos tirado do frigorifico! Não é de admirar que se ponha tudo a refrescar nas fontes, como barris de cerveja!

E desci o monte… que aqui é um “descer para cima” já que Davos é também bastante alta.

Se Davos é a cidade mais alta da Europa com os seus 1.560m de altitude, Monstein não será a aldeia mais alta com os seus 1.620m?!

E fui até Davos para conhecer o meu amigo do Face, António da Silva, que me mandara mensagem no dia anterior a perguntar quando passaria por Davos!

“Davos? Eu estou aí à porta!”

Lá o conheci, a ele (o da esquerda) e ao Paulo Basilio (na foto) e o António Mendes (a tirar a foto).

Gente portuguesa, ainda por cima vindos de perto da terra onde vivo! E foi preciso ir tão longe conhece-los! Boa gente!

Lá estão os 3 junto da minha Magnífica, para memória futura de gente que conheci em viagem e conto encontrar por terras lusas, mais dia, menos dia!

Depois da conversa possível, pois eles não estavam por lá a passar férias, atravessei Davos, com os seus pormenores interessantes!

E fui passear. É curioso constatar que há quem tenha como trabalho conduzir autocarros nos Pass de montanha! É a coisa mais comum cruzar com autocarros a percorrer uma estrada toda “engelhada” de montanha!

Voltei a subir Flüelapass, que já era quase a avenida de minha casa, para ir para Bernina Pass e seu glaciar!

As neves eternas espreitam-nos por cima dos montes, por entre as arvores e eu queria vê-las de perto!

O Bernina Express passava por caminhos perto dos meus e acompanhei o comboio até a sua linha se afastar de mim.

“Não há praticamente nenhum topo de montanha na Suíça onde não se possa chegar facilmente de comboio. Cerca de 670 comboios e funiculares permitem o acesso aos mais maravilhosos recantos nas montanhas. Alguns em funcionamento há mais de 100 anos. O comboio é o meio de transporte mais utilizado para viajar pelo país e alguns fazem percursos considerados dos mais bonitos do mundo!”

E o Passo del Bernina não é exceção, mas chegar lá de moto é, sem dúvida, muito mais interessante!

O ponto alto do Pass é interessante, com o glaciar a espreitar logo ali em cima, o lago esbranquiçado e as vaquinhas a pastar. Encontrei uma vaca em stress que mordia tudo o que encontrava!

Acho que o seu grande boi a tinha abandonado ou lhe tinha posto um par de chifres e ela mastigada a frustração! Há as vacas loucas e as vacas passadas!

E o deslumbramento estava por todo o lado!

Logo ali fica Livigno e, para quem quer mais Stelvio, começa mais à frente a subida para Bormio.

Livigno é uma cidade que fica aninhada e isolada, em filinha, entre montes durante grande parte do ano o que a faz não se reger pelas leis nacionais e não ter iva! Dai o meu espanto ao ver os preços da gasolina! Ninguém acredita que num país onde os preços da gasolina 95 andam pelos 1.78 haja um recanto nos Alpes em que custa apenas 1.164! Mas é mesmo verdade! A pena que eu tive de não ter o depósito vazio!

A cidade é comprida pelo vale alongado.

Ainda fui passear um pouco para os montes para gastar gasolina… mas tive de voltar mesmo com o depósito a meio e enche-lo mesmo assim.

Encontram-se muitas motos e motociclistas pelas ruas e, de entre todos, cruzei com um casal giríssimo, que viajava em 2 motos, cada um transportando um filho à pendura! Adorei! Só não tirei fotos porque não tenho feitio para seguir as pessoas e eles seguiam em sentido contrario ao meu!

Mais tarde viria e cruzar com um outro casal semelhante, em que apenas as crianças eram mais novitas.

Os motards são bem-vindos por ali!

Passeei mais um pouco, porque a montanha é sempre fascinante para se conduzir uma moto

E voltei ao Passo del Bernina pois queria visitar o seu glaciar de perto!

Ali na redondeza há 2 ou 3 teleféricos, mas eu não iria subir mais do que um, por isso embarquei no que me levaria ao Diavolezza, que sobe dos 2.093 m (onde deixei a motita) até aos 2.978 m de altitude (onde fica o glaciar)

Sempre gostei muito de andar de teleférico, então quando aquelas paisagens estão todas brancas é uma sensação de verdadeiro êxtase, subir ao glaciar!

Lá em cima fica um restaurante simpático que apoia caminhantes, no verão e skiadores, no inverno!

Lá fora as pessoas comem e descansam ao sol, que é quente, embora a temperatura do ar seja fria. É uma sensação parecida com a do inverno, quando tudo é branco, o ar é gélido, o ar condensa-se quando falamos e no entanto o sol é quente e esturrica-nos a pele!

e depois do “patamar” em pedras soltas, onde a esplanada se instala… la Diavolleza espreita…

Caminhantes amontoam pedritas aqui e ali, em montículos maiores e menores e eles ficam ali, na berma do declive até a neve voltar a cair e tudo cobrir…

A sensação é que não há maquina que consiga registar toda a imensidão que é aquele mundo branco, com o seu rio estático, de neve que parece querer descer o monte…

Escrevia eu, ainda em viagem, na minha pagina “Passeando pela vida”:

“O glaciar de Bernina, la Diavolezza… numa foto panorâmica, pois não há outra forma de mostrar toda a sua grandiosidade!

Conheci diversos glaciares, sempre no inverno para fazer ski, mas ir até eles em pleno agosto é… avassalador! Há um pulsar por trás do silêncio das neves eternas, como se uma “alma aquosa” se mantivesse acordada, enquanto a grande entidade dorme! Ouve-se mesmo um leve restolhar de água longínquo vindo do mar de gelo e quase ficamos à espera que ele se mova…

Ele absorve todos os ruídos, como o deserto e uma paz absoluta se apodera de mim…”

Nenhum ruido chega até mim, desde a esplanada, como se não houvesse lá ninguém!

Não sei quanto tempo fiquei ali, mas foi muito!

Até finalmente ganhar coragem para me afastar e descer ao mundo real…

Há lagos que se formam com o desaparecimento das neves e a gente quase perde a noção da sua dimensão, no meio de tanta imensidão!

Mas, se olharmos com mais cuidado, a setinha vermelha aponta uma tenda “igloo” na borda do lago, e a setinha branca aponta uma filinha de varias pessoas que percorrem o caminho.

Outro lago mais abaixo, o mesmo que já fotografara na subida…

“Quando os glaciares se sucedem e se tornam paisagem acessível, o paraíso parece que desceu à terra ou que nós ascendemos ao paraíso! Lá, no topo dos Alpes, com o glaciar de Bernina a encher-me os olhos e o coração, eu acreditei no paraíso mais uma vez!

Por aqueles dias eu li num blogue de um motociclista brasileiro, Lineu Vitale, a seguinte frase e, depois de um sorriso aberto, tive de concordar com ele:

“Se você se comportar e for um bom motociclista, cuidar bem da sua moto, trocar o óleo no tempo certo e ajudar seus companheiros de viagem, quando você morrer vai para os Alpes como recompensa.”

E voltei à estrada fantástica!

(continua)