16 – Passeando até à Suiça 2012 – Ponte dei Salti, Lago de Lugano, Lago Maggiore

9 de Agosto de 2012

Antes que o dia aquecesse estupidamente, teria de tratar de ver o que mais queria naquelas paragens, pois mal o tempo começasse a ficar demasiado quente, a vontade de parar desapareceria e não haveria mais paciência para catar pormenores!

E foi o que aconteceu, acabei por dar uma bela volta de moto, mas parando pouco e apreciando mais as panorâmicas gerais que os recantos da paisagem

Existem diversos lagos ali pela zona, mas nem eles são suficientes para refrescar o ambiente! O lago de Lugano (o Ceresio) é bonito e proporciona enquadramentos muito bonitos, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer!

As localidades nas suas margens são interessantes e parecidas, arquitetonicamente, mais com as italianas do que com as suíças!

Fui andando na direção de Locarno, subindo o rio até ao lago de Vogorno, com as aldeiazinhas nas encostas a lembrar Piódão!

O que eu queria visitar por ali era a Ponte dei Salti, uma ponte de origem medieval, com duas arcadas e que faz um efeito extraordinário sobre as pedras esculpidas e as águas verdes do rio Verzasca!

O conjunto forma um cenário de rara beleza e algo irreal!

Chamam-lhe frequentemente ponte romana, mas não é verdade, é muito posterior à presença romana na Suíça!

As águas do rio parecem falsas!

Toda a envolvência é deslumbrante, como dizem por lá “O charme de Verzasca está no coração do rio”

A ponte liga Lavertezzo a Verzasca e conduz a diversos percursos pedestres de grande beleza!

O rio talhou a pedra de formas belas e inesperadas!

A praia “dura” de miúdos e graúdos!

Tirei as botas e também fui chapinar!

Mais à frente, casas isoladas do outro lado do rio têm as suas próprias pontes privadas, que fazem a ligação ao lado de cá!

Lavertezzo é logo ali e tem o seu encanto, com o rio a passar-lhe aos pés, num ponto onde se lhe juntam outras aguas e outros riachos.

Dois casais de motociclistas preparavam-se para partir, tinham passado ali a noite. Cada um tinha a sua moto e meteram conversa comigo. Ficaram muito espantados por eu andar em viagem sozinha, nenhum deles o tinha feito nunca, pois viajavam sempre em grupo. Achei muito giro cada um conduzir a sua moto, eles e elas!

Eu fui mais rápida a parar, dar uma volta e fotografar do que eles a prepararem-se para partir!

Quando cheguei ao lago de Locarno ou Lago Maggiore o calor já era meio sufocante, lá se foi a vontade de parar e caminhar!

Fui contornando a sua margem lá por cima, por entre montes e arvores. Eu não aguentaria o aperto do trânsito com aquele calor!

E como em viagem eu faço só o que me apetece, fartei-me de fazer quilómetros lá por cima e fazer enquadramentos quase aéreos da paisagem citadina cá em baixo!

Subi pelo caminho do monte Bré, mas nem pensar em subir lá acima a pé! Aquela é considerada uma das zonas mais solarengas da Suíça!

E que bem que me soube!

Na descida encontrei o santuário da Madonna del Sasso, que nem pensei em visitar dado que teria de caminhar até ele por uma ruinha “sobe-e-desce”!

Uma construção do séc. XV, destino de grandes peregrinações, edificada em cima de um penhasco.

Tive de voltar à cidade para continuar o meu caminho, circulando junto de carrinhos de brincar muito bonitos!

Era cedo para voltar para “casa” era demasiado calor para andar na rua mas, mesmo assim, continuei a passear pelos lagos em redor. Então lembrei-me da promessa que fizera ao meu moçoilo, de ir visitar o museu Guzzi e tirar muitas fotos lá dentro!

Azar o meu! Alem de haver obras pelo caminho com filas infinitas de trânsito ao calor, que eu tive de furar “que se lixe, afinal os suíços daqui não são parecidos com os italianos? Então não deverão estranhar que eu fure pelo meio dos carros!” o museu fecha a partir dos primeiros dias de Agosto até final do mês… Bolas!

Agarrei na moto e fui-me embora pelo caminho mais longo, mas sem carros, apenas disfrutando do prazer de conduzir e do ventinho que, embora quente, era facilmente suportável! A conduzir não há calor que me incomode!

Ao entardecer a temperatura voltou a ficar mais aceitável junto ao lago de Lugano…

Voltei a tirar as botas e a chapinar na agua!

E esperei o entardecer na sombra mais fresca até voltar para casa que naquele dia ainda era em Lugano!

Fim do décimo primeiro dia de viagem…

15 – Passeando até à Suiça 2012 – de Sion a Lugano passando pelo Simplon Pass

8 de Agosto de 2012

Era hora de seguir para outro pouso, naquele dia iria de Sion para Lugano, onde passaria os dois dias seguintes.

Cá para nós o Ticino nunca foi a zona Suíça que eu mais gostei! De facto a zona alemã é, sem dúvida a mais bonita do país, (também é a maior), depois é a francesa e a italiana é a seguinte. Claro que isto é a minha opinião e, a cada vez que me passeio pelo Ticino algo acaba por reforçar a minha ideia!

Claro também que isto não quer dizer que aquela zona seja feia, longe disso! É lindíssima, as pessoas são simpáticas e assemelham-se aos italianos, não apenas na língua!

Claro que a caminho de Lugano fui dando uma vista de olhos a algumas coisas lindas que se encontram no caminho!

Começando pela despedida da cidade de Sion e as ultimas fotografias à sua paisagem!

Depois voltei a subir os montes, que é o que mais gosto de fazer por ali!

As estradas de montanha são deliciosas de fazer e ainda por cima têm paisagens lindas, por isso não há como evitar ir fazer mais uma ou outra!

E, já agora, encontrar recantos de paraíso que sabia estavam por ali! Como a barragem de Moiry, o seu lago e o glaciar!

A barragem tem 148 m de altura, pode-se ver a imponência do seu muro! Foi concluída em 1958, dando origem a um lago lindíssimo!

O lago tem uma área de 1400 m ² e fica a uma altitude de 2.249 m, isto é, acima da nossa Serra da Estrela! A sua profundidade máxima é de 120 m.

De lá de cima do muro pode-se ver a estrada para um lado e o lago para o outro.

A estrada que nos leva até lá, entre os montes, sempre a subir e a curvar, fica bem lá em baixo!

As águas do lago são de um azul turquesa que parece artificial, mas a cor deve-se à quantidade extraordinária de calcário concentrada nela!

Olhando para as margens quase perdemos a noção da dimensão daquilo, até vermos uma pessoa no meio das pedras e percebermos como tudo é grande! Alguém vê o pescador?

Ok, eu fiz um zoom com a máquina. Está ali, vêm-no agora? 😀

E o glaciar de Moiry espreita lá ao fundo!

Era lá que eu queria ir a seguir, não sem antes dar uma olhada ao lago visto no sentido contrario, com o muro da barragem ao fundo.

Não importa de que ângulo se olhe as aguas, elas mantêm a sua cor espantosa! E se chovesse e o céu estivesse cinzento, a cor manter-se-ia!

O riacho que alimenta o lago e vem desde o glaciar é branco.

E a agua por lá também! Como se ainda não fosse filtrada e ainda não se tivesse convertido em turquesa!

E lá está ele, um glaciar de 5km de extensão! As pessoas caminham até ele e ao seu refúgio a Cabane de Moiry, que fica a mais de 2800m de altitude!

Também ali perdemos a noção da dimensão das encostas mas, se observarmos as pessoas que caminham por elas até ao glaciar, podemos ter uma melhor noção!

Eu não sou de grandes caminhadas, sobretudo por ali que é um caminhar sem fim, que não é para quem quer fazer mais coisas no mesmo dia! Mesmo assim ainda dei uma boa volta aos lagos, por caminhos quase invisíveis!

Apreciei as florinhas alpinas e tudo, embora nunca tenha avistado a famosa edelweiss!

Um senhor seguia-me pelo trilho, mas com tanta dificuldade que comecei a ficar preocupada se ele não iria cair nos calhaus!

É inspirador passear por ali, não haja duvida!

Mas lá me decidi a descer o monte e continuar o meu caminho!

Porque quando tudo é bonito apetece ficar em todo o lado, mas não faltarão oportunidades de lá voltar!

As aldeias nas encostas dos montes são sempre tão bonitas e os chalés tão arrumadinhos, todos para o mesmo lado!

Parece que olham para nós, lá de cima, de um anfiteatro!

A estrada d’Anniviers é muito bonita!

E termina numa descida deliciosa até ao grande vale, numa sequência de curvas linda, que nos faz descer em SS como que de degrau em degrau! As árvores não nos deixam ver todo o percurso, mas houve um momento em que não resisti e encostei a moto à berma e apanhei o ziguezague em que eu seguia! Adoro passear pelos Alpes!

Eu tinha pensado ir até Zermat e visitar o Mont Cervin (ou Matterhorn, em alemão) mas “perdera-me” pelo Moiry e o tempo já não era muito. Ainda fui até Tach, a 5 km de Zermatt, depois não poderia passar com a moto, apenas de táxi ou comboio.

Era ali que eu gostaria de embarcar no comboio e ir até ao Mont Cervin, como fazia quando ia skiar, em tempos… mas era já muito tarde, dado que a viagem, passeio e regresso demora um bocado…

Prometi a mim mesma que da próxima vez farei todo o Glassier Express, uma das viagens de comboio mais bonitas do mundo… e cara também!

Ao longe via-se um pouquinho do glaciar mais famoso da Suíça…

Dei uma voltinha por Tach, uma terrinha que nunca tinha merecido uma visita minha! Apenas passava e seguia para Zermatt!

E eu que gosto tanto das casinhas rurais e de armazenamento de materiais agrícolas e cereais daquelas terras, já para não falar nos chalés lindíssimos que por ali há!!

E lá segui, pelo Simplon-Pass para Lugano que, por ali, é mais fácil aceder atravessando terras italianas do que dar a volta por terras suíças!

Este Pass não é nada difícil nem cheio de curvas acentuadas! O que o torna especial, são as paisagens lindíssimas e a altitude a que chegamos sem nos darmos conta!

Parece que estamos a passear por um livro de postais alpinos, daqueles que se compram só com imagens extraordinárias!

E lá estava no Pass, com partes cobertas que nos fazem ver o mundo por uma janela!

O rasgão provocado pelo Pass na encosta da montanha parece quase uma linha reta!

E a sua águia gigante, construída em grandes blocos de pedra, a marcar na memória de quem passa o Pass onde passa!

Adoro águias!

Depois é o deslumbramento dos Alpes a cada curva!

Próximo do cume do Simplon Pass pode-se avistar o Hospício Stockalpers, fundado por monges agostinianos em 1235, reconstruído e ampliado em 1666 e restaurado novamente em 1968. É imponente lá em baixo!

Cá para nós eu acho que os monges já andavam de moto de pau e por isso faziam os Hospícios sempre no topo dos Pass que hoje são tão famosos pelas gasadas que eles davam por ali abaixo!

Depois do fresquinho do Simplon Pass, veio o calor infernal de terras italianas e do Ticino! Quase morri! Lembro-me que ao passar em Ascona sentir um brisa fresca deliciosa e, ao olhar para o termómetro da moto ele acusava 30º! Dá para imaginar, se 30º são frescos, as temperaturas que eu já apanhara em cima!

Nem o lago me acalmou a mioleira esturricada!

Não parei em lado nenhum, quase nem tirei fotos, tudo o que eu queria era saír daquele verdadeiro inferno! Tudo o que eu queria era um banho, uma bebida fresca e uma sombra…

E cheguei a Lugano, onde me escondi na pousada de juventude, até começar a anoitecer e a baixar a temperatura! Uf…

Bendita noite, bendito lago, bendita frescura!

Pus-me a passear quase pelos quintais das casinhas na encosta, estava uma temperatura amena e eu sabia que, se no dia seguinte estivesse o mesmo calorão daquele dia, eu não iria ter paciência para ver nada, pois só há uma coisa que eu gosto de fazer com tanto calor que é conduzir! Parar, nem pensar e então caminhar, nunca!

Fim do décimo dia de viagem…

13 – Passeando até à Suiça 2012 – Grand San Bernad Pass, Aosta

*

7 de Agosto de 2012 – continuação

O dia continuava lindo e era tão cedo ainda! Toca a seguir por ali fora, pois iria voltar a subir as montanhas do outro lado!

Lá ao fundo, depois de Martigny, os montes são famosos!

A estrada começa a encaracolar sobre si própria

E sobe-se, rodopia-se e volta-se a subir

Até aos 2473 metros de altitude!

Cheguei ao topo e nem parei no Hospice du Grand St. Bernard, passei o lago, passei a fronteira italiana e segui! Estava a saber-me tão bem a estrada!

Mas acordei para o mundo ao olhar a estrada que me esperava do lado italiano, “que me lembre não há de comer aqui perto para este lado e eu estou cheia de fome!”

Dei meia volta e voltei para trás, tinha de comer primeiro e eu vira uma festa com comida junto da fronteira!

Foi a decisão mais acertada que podia ter tomado! Juntei-me à festa, fiz amizade com um lindo e simpático São Bernardo e tudo!

O cãozinho era um fofinho!

O São Bernardo é uma raça muito antiga que vem desde os Romanos e que os monges do Hospice protegeram e conservaram desde o sec XVII.

O cão tomou o nome do Hospice onde foi treinado para defender o local mas também para salvar pessoas perdidas ou soterradas nas neves. Faziam estes resgates em grupos de 3 ou 4 cães, que aqueciam as vítimas com os seus corpos enquanto um deles ia buscar ajuda humana.

O verdadeiro cão tem o pelo curto (como este), existe uma variação provocada pelo cruzamento com o Terra Nova, com o pelo longo que torna o cão inútil para andar na neve, já que a neve cola ao pelo e o torna demasiado pesado para qualquer missão!

Hoje o cão mais usado nos resgates nos Alpes é o Pastor Alemão, por ser mais pequeno e leve e ter um faro equivalente.

E lá tirei as primeiras fotos ao Hospice do outro lado do lago!

Um grupo muito simpático de italianos e suíços estavam na mais alegre festa, a festa da amizade! Vestidos em trajes de época, dançavam e riam e brincavam com as pessoas! Uma animação!

Havia uma espécie de balcão onde se servia comida. Aproximei-me “Isto é a festa da amizade? E posso ser vossa amiga?” perguntei “claro!” respondeu um dos senhores “então posso comer convosco? Quanto custa?” , “custa quanto quiser dar” respondeu ele.
A comida cheirava divinalmente!

Havia um garrafão em cima do balcão onde tínhamos de por o dinheiro pelo gargalo!

Andava toda a gente atrás de dinheiro para por no garrafão! Lá pus uns 6 ou 7 francos e siga com o tabuleiro recheado!

Aquilo era mesmo bom! O acompanhamento era uma massa tipo polenta que combinava super-bem com a carne estufada!

O vinho era ótimo e à discrição! Estava em grandes garrafas de 1,5l espalhadas por todas as mesas! Ao tempo que eu não bebia vinho! Que bem que me soube!

Eu estava preocupada porque a festa era mesmo à beirinha da fronteira e os polícias viram-me sentar e comer e beber… para depois pegar na moto e seguir o meu caminho! Estava a pensar que eles podiam-me mandar parar e não deixar seguir, quando se juntaram a mim, na minha mesa!

Juntaram-se na minha mesa também os bailarinos, todos bem vestidos e animados!

Fartamo-nos de falar, soube que vinham de Aosta, ali perto em Itália, onde eu queria ir. Foram horas de paleio, risota, comida e bebida, até que tive de me ir embora! Despedi-me com uma fotografia da mesa!

E outra do lago, embora eu soubesse que lá voltaria a passar no regresso de Aosta.

E segui pelo Passo que a partir dali se chama Passo del Grand San Bernardo, pois estamos em Itália

Com o famoso Vale de Aosta a aparecer mais à frente

O calor tornava-se infernal lá em baixo o que tornava a paisagem glaciar mais surrealista!

E cheguei a Aosta meio derretida e com a blusa colada às costas. Iria dar uma volta pela cidade mas estava decidida a pôr-me a andar dali antes que caísse para o lado com o calor!

(continua)

12 – Passeando até à Suiça 2012 – Sion – Montanhas e vinhas!

7 de Agosto de 2012

Pois é, quando o dia acorda lindo e eu acordo na Suíça nunca sei muito bem o que me apetece fazer para além de passear para um lado e para o outro! Como sempre que não sei para onde ir, acabei por ir para todo o lado!

O mapa geral do que fiz nesse dia mostra como andei para um lado e para outro mas, a verdade, é que fui ver do que mais bonito se pode ver em 12 horas!

Primeiro fui passear pelo meio das vinhas que se estendem pela encosta dos montes em redor, não apenas de Sion, mas de todo o imenso vale! Por isso é melhor apresentar o mapa por partes!

De lá de cima: Sion com as suas colinas proeminentes acima da cidade.

Parecem duas maminhas ali no meio da planície, bem visíveis numa imagem panorâmica! Deslumbrante o que os caprichos da natureza podem fazer!

As estradinhas entre as vinhas são alcatroadas e muito giras de se fazer. A paisagem então, é qualquer coisa de extraordinário!

Depois engrenei por uma ruela que prometia ser interessante, pelo menos o meu Patrick dizia que era toda aos SS por ali acima! A paisagem começou a mudar e as altas montanhas a aparecer, lá ao fundo! Lindo! Era mesmo isso que eu procurava!

Eu gosto de experimentar os pequenos passos de montanha desconhecidos do turismo, normalmente são ruinhas frequentadas por ciclistas, estreitas e ingremes, e eu gosto disso!

Apetece parar a cada momento para tirar mais uma foto, para usufruir calmamente do momento!

Uma indecisão, por vezes, entre curtir a condução, ou curtir a paisagem! Vai-se tentando fazer as duas coisas!

Escolhi uma outra ruinha e subi! Seguiria pelo Col du Sanetsch até à barragem.

Um caminho muito bonito que só tem um defeito, não ter saída! Por isso somos obrigados a regressar pelo mesmo caminho… isto é, mais ou menos o mesmo caminho!

Finalmente, ao fim de tantos anos a passear pelas montanhas, consegui fotografar uma Marmota! Tão fofinha! Eu já as tinha visto, mas nunca tinha conseguido fotografar uma, pois são irrequietas e rápidas! Desta vez eu fui mais rápida do que ela! 😀

E lá estava o lago provocado pela barragem de Sanetsch.

Achei curioso ainda ter uns farrapinhos de neve na encosta do monte!

Há sempre um rochedo com uma cruz por aquelas terras, se não for no monte é no meio de um lago!

E a bandeira! Num país com tantas fronteiras, às vezes faz jeito a bandeira, para termos a certeza que ainda estamos na Suíça! Ali não era o caso.

Subindo ao topo do monte, logo acima da barragem, vemos a paisagem que fica do outro lado! Há ali um teleférico que leva e traz pessoas de lá de baixo do vale de outro lado. Lindo!

Cá em baixo a minha Magnífica conversava com uma amiga Deauville!

O que eu acho giro é encontrar autocarros que fazem estes caminhos! E é giro também passar por eles e termos ambos de “encolher a barriga” para passarmos! Os condutores de autocarro são supersimpáticos e até saem um pouco da rua, se puderem, para não perturbar quem passa!

Voltei a descer o col, agora mais cuidadosamente para fotografar o caminho e a paisagem. No regresso as curvinhas eram mais visíveis, até foi giro voltar a faze-lo!

Acho sempre mais fácil e interessante fazer um Pass em subida, pois não necessito de usar tanto o travão e a condução é mais equilibrada, mas para fotografar é descendo, sem dúvida, que se fazem os melhores enquadramentos!

Na subida tinha passado por este restaurante giro mas, como estava fechado, segui. Mas na descida não resisti! Tão giro!

E não é só por cá que há terras com nomes curiosos ou bizarros! Ali cheguei a Le Nez, que é o mesmo que dizer que cheguei a O Nariz!
Não sei se era o nariz do monte, ou da terrinha!

Logo a seguir voltei a encontrar o vale de vinha!

E foi por entre o vinhedo que eu fui percorrendo o caminho que me levaria a um outro Pass.

Porque ali pela encosta as paisagens são muito bonitas! Podem-se ver os glaciares e altos picos nevados, ao mesmo tempo que em primeiro plano se vê uma paisagem de verão!

Aquele vinho tem de ser bom, inspirado por tanta beleza envolvente!

E crescendo e amadurecendo, não só nas encostas, mas também nas “paredes” rochosas dos montes! Aquilo é trabalho de alpinistas!

O vinho do Valais, tal como a fruta (alperces) é muito famoso, já provei e gostei!

Vinha e montanha!

(continua)

11 – Passeando até à Suiça 2012 – de Thonon-les-Bains até Sion

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6 de Agosto de 2012

E a manhã estava ruim! Havia nesgas de sol para um lado e nuvens monstruosas para o outro. Quando não há tempo melhor temos de sair com o que temos! A distância que tinha de percorrer não era muito grande, bastava não me perder a visitar muita coisa e chegaria facilmente e cedo a Sion… Acabei por seguir ao sabor do tempo!

Por isso lá fui como as moscas atrás da luz, tentando evitar as nuvens mais negras, mas era certo que iria apanhar uma molha, mais aqui ou mais ali!

Eu costumo dizer que me chateia para caramba andar a passear o fato de chuva pela Europa! Se o levo comigo que seja para usar! E a oportunidade de o voltar a usar aproximava-se a cada quilómetro!

Acabei por passar em Megève, uma cidade alpina que apenas conhecia cheia de neve e de gente famosa. Foi ali, há muitos anos que me cruzei com o George Michael, numa noite cheia de neve e luzinhas, em que parecia que estávamos todos no meio de um filme infantil de Natal!

Desta vez foi a chuva que me recebeu e aquilo tudo era tão diferente sem neve!!

Mal reconheci a praça onde eu já passara de skis nos pés!

Chovia tanto que me enfiei num café e fiquei ali, a tomar café (de litro) e a conversar, esperando que a chuva abradasse… mas tive de seguir mesmo assim ou passaria ali o dia!

A paisagem envolvente seria bem mais bonita se não chovesse, tenho a certeza, pois todas aquelas montanhas são deslumbrantes cobertas de neve, no verão serão forradas a verde e igualmente deslumbrantes!

Acabei por passar em Chamonix e entrar no Valais por Matigny! Nada se via do Mont Blanc, era como se ele tivesse tirado férias e nada houvesse no seu lugar! O longo vale só se tornou visível a partir de uma certa altitude para baixo, quando passei a cortina das nuvens densas para descer para Martigny!

Lá ganhei coragem e puxei da máquina fotográfica, que estava bem escondida dentro do blusão, para tirar uma ou duas fotos!

Mas a chuva não queria mesmo foto nenhuma! Agua e máquinas não dão nunca o casamento perfeito!

Ao ver pingos de água na lente desisti, não valia de nada andar por ali a arriscar afogar uma nova maquina, por isso fui direta à pousada de juventude de Sion disposta a ficar quieta e amuada por lá até a chuva parar!

Pus as minhas coisas a escorrer, puxei do computador e dispus-me a viajar pela net, enquanto o tempo não me permitisse viajar de moto!

E a chuva parou!

Voltei a sair, mais leve e mais bem-disposta!

Sion é a cidade mais antiga da Suíça e um dos locais pré-históricos mais importantes da Europa, pois ali há vestígios de ocupação humana que remontam a 6.200 aC!

Para mim bastava-me ver de perto os seus dois castelos! Na realidade é um castelo e uma basílica fortificada que ficam no topo das duas colinas contiguas, quase no centro da cidade!

Mas eis que voltou a chuva!

A pé não há qualquer problema, fui a um supermercado e comprei um guarda-chuva! Sem fotos é que eu não iria ficar!

E lá fui procurar o caminho para os castelos!

É sempre uma sensação curiosa pisar caminhos medievais para mim!

Chegando verdadeiramente ao início das subidas há que decidir se vamos para o château Valère (a basílica), ou para o castelo Tourbillon! Como o castelo me parecia mais uma série de muros e fica atrás da abadia, em relação à cidade, decidi-me pela abadia, o château Valère, que isto de subir a um e depois a outro estava fora de questão! Gosto de ver mas não gosto de subir, que dá-me cabo das pernas e depois custa conduzir!

A meio da subida a chapelle de Tous les Saints, do séc. XIV, linda!

O castelo na outra colina tornava-se numa paisagem muito bonita, com as vinhas pela encosta! Certamente a paisagem vista do castelo não seria tão bonita porque a basílica (deste lado) estava em obras e tinha uma parte envolvida em panos! Por isso eu fiz a boa escolha! 😀

Ao chegar lá acima, em espaço aberto, a paisagem era deslumbrante! Não só porque é linda mas também porque o sol voltava a espreitar por entre as nuvens e provocava o tal efeito que me fascina depois da chuva!

Para trás de mim o castelo e a capela completavam o quadro!

Fiquei ali deslumbrada a deslumbrar-me com o que os meus olhos viam e a minha máquina captava!

Mas ainda não tinha chegado ao topo, a basílica ficava mais acima!

Entrei finalmente nos seus domínios!

A basílica de Valère foi construída entre os séc. XII e XIII como uma igreja fortificada, comuns na época, por isso lhe chamam castelo.

Lá de cima tudo é deslumbrante!

As vinhas, na encosta, com o sol tangente, pareciam resplandecer!

A cidade aos meus pés e o longo vale a seguir!

O aeroporto internacional, mais à frente

A basílica, que não dá para ver de perto pois está embrulhada para obras!

Dentro há uma segunda zona fechada, ouviam-se as pessoas a rezar lá dentro, por isso nem tentei entrar!

Naquele dia o deslumbramento estava cá fora, por isso fui-me embora dali.

O vale é deslumbrante visto de lá de cima, para o outro lado também!

O sol desaparece mais cedo quando estamos entre montes muito altos!

Voltei a descer à cidade que tinha mais 2 ou 3 coisas que eu queria ver…

para além dos caminhos pitorescos típicos de uma cidade medieval!

Como a Cathédrale de Notre-Dame du Clavier, uma construção lindíssima que tem origem lá pelo séc. VIII, numa pequena igreja carolíngia posteriormente alterada no séc. XI, e chega até nós com as proporções e beleza góticas, mantendo o campanário românico.

Logo ao lado fica a Eglise de Saint-Theodule, também gótica, muito menos interessante mas cheia de história, já que é dedicada ao primeiro bispo de Sion, lá pelos anos 500, que abençoa as vinhas do Valais!

Tinha umas esculturas de plástico, ou fibra de qualquer coisa, à porta que davam um ar bizarro ao conjunto!

Em redor das duas igrejas fica o centro histórico e as ruelas mais estreitinhas

Deve ser curioso viver-se sobre um canal! Por aquelas terras é mais ou menos comum, dado que tem de se escoar as águas do degelo!

E fui para a pousada, onde a paisagem era uma casa no meio da vegetação. Se alguém me dissesse que vivia numa casa cor-de-laranja com venezianas roxas eu pensaria que era louco, mas afinal até fica bem o conjunto!

Bebi uma Super Bock, que na Suíça é mais barata que muitas outras cervejas (e melhor), e fiz amigos para conversar e passar parte do serão!

Fim do oitavo dia de viagem..