33. Passeando por caminhos Celtas – The Wembley Stadium!…

24 de agosto de 2014

O prazer de nada fazer também se faz sentir em viagem, por isso é que eu vou deixando dias vazios no meu caminho para preencher com aquilo que eu quiser fazer no local. E aquele dia foi, literalmente, um dia para o que me deu na telha!

Um dos locais que eu queria ver era os estúdios de Abbey Road, desde a última vez que estive na cidade que deixei para outra vez… e ainda não foi desta que os visitei por dentro. Terá de ficar para a próxima, planeando direitinho e fazendo a marcação da visita antecipadamente.

Abbey Road, foi também o nome de um dos álbuns dos Beatles, gravado nos estúdios e, se estes já eram famosos tornaram-se então míticos pelo mundo inteiro!

Quando se passa ali durante o dia, percebe-se logo que estamos junto de um recanto famoso para caramba, cheio de chineses e turistas frenéticos que só querem ser fotografados perto!

As grades do pátio do edifício estão cobertas de inscrições, que me fizeram lembrar as inscrições do pátio da casa de Julieta em Verona! Uma loucura!

Há cartazes a pedir para não escreverem mas o povo é louco nestas coisas! Pus-me a apreciar a obra!

Não havia ninguém aquela hora da manhã por ali, por isso aproveitei para tirar uma ou dias fotos com a minha moto na passadeira mais famosa do mundo!

Esta passadeira foi considerada património britânico em 2010 e diariamente ali passam milhares de pessoas pelo momento mítico da foto do disco dos Beatles que se fizeram fotografar ai há 45 anos!

A minha motita esteve parada mesmo na porta dos estúdios! Numa próxima vez que lá volte, ficará estacionada dentro do pátio mesmo, enquanto eu visitar tudo por dentro, prometi-lho terei de cumprir!

Depois pus-me a curtir a condução pelas ruas pouco concorridas àquela hora da manhã, aproveitando que estava sol e era Domingo! Um belíssimo dia para se andar sem preocupações pela cidade e arredores! Boa, arredores! Wembley, I’m coming!

“Visitar o Wembley era um objectivo já antigo. O estádio mítico onde se realizaram concertos que ficaram para sempre na história, como Live Aid em 1985 e os nomes são muitos e grandes: Metallica, Coldplay, Green Day, George Michael, Foo Fighters, Madonna, Oasis, Take That, AC / DC, Nuse, ou os Bon Jovi. Sim, os eventos desportivos são míticos também, mas foi a música que me levou ali, ao maior estádio do Reino Unido, com capacidade para 90.000 pessoas… eu queria sentir a sensação de ali estar, conhecer a história, catar os recantos, mesmo não tendo podido lá ir no tempo o antigo, esse sim, o do Live Aid ele mesmo…”

(in Passeando pela vida – a página)

Lá estava ele! Dizem que aquele arco é visível a partir de toda a cidade!

Como a minha motita era pequenina junto daquele monstro de betão, metal e vidro!

Só para lhe dar a volta demorei um bom tempo! Porque é grande, porque a área de estacionamento é imensa e porque não conseguis simplesmente seguir em frente sem parara todo o momento para olhar para ele!

Estacionei algures junto das portas principais, onde os adeptos se separam por diverso níveis de entradas para se dirigirem aos seus lugares e fiz eu mesmo um percurso de entrada, embora solitário.

Claro que entrei pela porta principal, aquela que dá para o museu e exposição de troféus, claro!

A estátua de Bobby Moore à porta, um dos maiores jogadores de Inglaterra…

Linhas de mármore ou granito polido, separam as grandes lajes de cimentos, com gravações de todos os grandes eventos ali realizados, desde que o primeiro estádio foi edificado.

E lá estava ele…

Eu voltaria a entrar na bancada, mas a sensação de ver o campo logo, apanhou-me quase de surpresa! É enorme como prometido!

Não resisti quando alguém se ofereceu para me fotografar com o estádio de fundo!

Então perdi-me na galeria das fotos dos momentos míticos do estádio, com imagens do antigo estádio que foi inaugurado em 1923 e demolido em 2003, para ceder lugar ao novo Wembley!

ou da abertura dos Jogos Olímpicos de 1948.

A visita do Papa João Paulo II em 1982 com 70.000 pessoas presentes

ou o tributo a Nelson Mandela em 1990…

Mas também, e sobretudo, os concertos míticos que ali tiveram lugar como o Live Aid em 1985 para 70.000 pessoas,

Madonna, em 1990 actuando para 74.000 pessoas

Os U2, em 1993, o ano em que os vi, cá em Alvalade, pouco antes de eu partir para estudar na Suíça.

David Bowie, em 1987

Os Rolling Stones em 1982

Os Metallica em 2007

Os Coldplay em 2009

Pronto, ok, eu não vou mostrar aqui todas as imagens fantásticas que contam a história daquele estádio… mas foi muito por elas que eu lá fui…

E fui também para ver tudo, então chegamos à sala de conferência de imprensa e eu fui a primeira a ser convidada para a fotografia no lugar nos técnicos! Fixe!

Estávamos a descer até ao nível dos balneários onde nos espaços de cada jogador são colocadas camisolas de grandes jogadores que já ali jogarem!

Naturalmente aquilo tem tudo muito bom aspeto, afinal o estádio tem apenas 7 anos de uso, tudo é novo por ali!

E chegamos ao relvado! Ninguém o pode pisar! É perfeito e alto em relação ao solo onde estamos, como uma imenso altar verde!

E a sensação é que somos tão pequeninos!

Quando há concertos ali eles tapam o relvado com placas perfuradas e a relva cresce através delas, dando a sensação de que o relvado está desprotegido, pois de longe fica tudo verde.

Os 107 degraus que levam até à tribuna para entrega dos troféus! Já foram 39, no antigo estádio! O que os campeões têm de correr para chegar lá acima, apenas antecipa o momento de glória tornando-o mais duradouro!

E a grande taça (confesso que não sei qual é nem se é verdadeira) está ali para quem quiser ser fotografada junto, numa foto à venda à saída.

Esqueci-me de procurar a minha!

Na entrada, que também era saída, havia leões feitos dos mais diversos materiais!

Como um centro comercial, onde a gente vê uma exposição de leões, coisa banal! 😀

O leão da casa inspirador: Arrisque tudo!

Voltei ao mundo real ou pegar na moto de novo, fui deslizando pela rua sem saber ainda onde iria, quando passei do outro lado da via rápida do Ace Café!

Ainda havia tanta coisa que eu queria ver naquele dia!

(continua)

32. Passeando por caminhos Celtas – Londres!…

23 de agosto de 2014

Tirei o dia para ver Londres!
Melhor, para ver o que não tinha visto de Londres, porque a cada vez que ali passar terei sempre coisas novas para explorar.
Só assim uma cidade nunca perderá o interesse para mim… Eu não estava hospedada muito longe do centro, mas não poderia deixar a moto onde estava, tinha hora marcada para poder ficar estacionada, até às 8.00h da manhã. Por isso peguei nela e foi para o centro. As motos ainda são os veículos que mais facilmente podem circular pela cidade, todos os outros têm bastantes restrições.

Eu gosto muito de conduzir pela cidade, andar no meio do trânsito, mesmo que seja caótico. Gosto de ver como funciona a cidade, como se comportam as pessoas, como vestem, o que fazem pela manhã…

Era fim-de-semana, a cidade encher-se-ia de turistas e de gente a passear, porque quando está sol, não há inglês que se prese que não venha para a rua aproveitar o sol e o céu azul!

Naquele dia eu iria encontrar-me com um amigo do Facebook a viver em Londres no Ace Café, por isso passei por lá a ver se ainda sabia o caminho, não fosse à última da hora perder-me na noite e não dar com ele!

Entrei.

Não havia muita gente por lá, mas havia a gente suficiente para um ambiente simpático.

Quando saí, um casal observava atentamente a minha moto, conferia os autocolantes e apreciava-a de todos os ângulos. Eram galegos e fizeram-me uma festa! Fizemos uma festa todos a bem dizer! Eles entendiam muito bem o português, como galegos que eram, e ficaram muito felizes por descobrir que a moto era mesmo portuguesa e a condutora uma mulher!

Os presentes olhavam divertidos para nós os 3 sem entenderem a nossa conversa mas percebendo a nossa alegria. Aproveitei para tirar umas fotos com a moto em frente ao café, que das últimas vezes que lá estivera não conseguira por ser de noite!

Claro que não faltou quem me tirasse fotos a mim também junto da moto! Fantástico! Eu, que nunca fico nas fotos, ao menos que tenha uma foto junto da moto no Ace Café para a posteridade!

As motos estão por todos os lados na cidade e eu lá me fui arriscando a levar com uma multa nos olhos por fotografar de cima da minha!

Havia coisas que eu queria ver na cidade que ainda não tinha visto! Há sempre afinal! Como a Westminster Cathedarl! Porque da Westminster Abbey não falta assunto é famosa pelos eventos reais que lá se realizam, é anglicana e faz uma diferença de 9 séculos em relação à Catedral, que é católica e bem mais recente. A Abadia é do séc. XI para a Catedral do séc. XX.

O edifício é muito bonito, todo em tijolo vermelho no exterior e, no interior, cheia de mosaicos impressionantes. Estava a realizar-se um casamento e não era permitido andar muito pelo interior, por isso limitei-me a dar uma volta lá por dentro…

Impressionante!

Tentei tomar atenção à celebração, acho sempre piada ouvir as mesmas orações em línguas diferentes! Eram em tudo iguais às nossas!

As capelas laterais dedicadas a diversos santos são tão impressionantes quanto a nave principal!

Havia ali um parvo qualquer que chamava a atenção de todos os que entravam para não se aproximarem da frente da igreja por causa do casamento, claro que para estar à porta a ser indelicado com quem entrava, não podia andar atrás de quem passeava, por isso deve ter tido vários ataques do coração a cada vez que eu ia mais um pouco até à frente! Mas quando as pessoas são estúpidas comigo eu tendo a ser um bocado indiferente às suas ideias… sorry!

Em frente fica uma construção imensa em vidro, um centro comercial que, não sendo nem fechado nem ao ar livre, proporciona perspectivas interessantes da sua arquitectura de vidro. Curiosamente não é permitido fumar ali, embora não seja um espaço fechado.

A bem dizer o Reino Unido anda a tomar medidas drástica contra o tabaco, já que está a tratar de legislar a proibição de fumar mesmo dentro de automóveis particulares! Um dia não se poderá fumar nem dentro da própria casa…

E fui passear para o centro, onde tudo se passa e onde está tudo o que um turista quer ver! Olhando de longe por cima da multidão e da trapalhada, podia-se ver logo um pouco de tudo!

As voltas que eu dei até conseguir parar a moto sem transgredir nada! Nessa procura de um lugar passei por uma moto de emergência médica. O homem ficou a olhar para mim e eu voltei a temer levar com uma multa por o estar a fotografar de cima da minha moto, mas ele não veria a minha matrícula e estava demasiado ocupado para me registar… digo eu! Eu simplesmente não podia ficar indiferente, ainda por cima a moto era uma Pan European prima da minha! Linda!

E lá estava, agora sim, a Westminster Abbey, a famosa!

“A Westminster Abbey é aquela construção que é quase uma personagem na história do Reino! Ali se coroam, se casam, se enterram os monarcas! Pertinho do parlamento e do famoso Big Ben, é um apontamento de história antiga que se visita com todo o respeito. Andei por ali como quem passeia por uma imagem de televisão ou um postal ilustrado, não fossem as muitas pessoas que perturbavam o clima cénico do espaço. A construção é gótica, do séc. XI, e está cheia de túmulos! A quantidade de gente que ali está enterrada enchia um cemitério convencional. Quando me questionarem como não me incomoda passear num cemitério, eu perguntarei como não incomoda passear numa catedral medieval cheia de túmulos? Não se pode fotografar lá dentro, mas eu roubei uma ou duas fotos… apenas para registar o momento! A catedral é linda e é como um grande livro de história, que se conta a cada passo que se dá pelo seu interior…”

(in Passeando pela vida – a página)

A gente leva o áudio-guia e vai catando por ali, no meio de uma multidão de turistas, sem poder apreciar cada recanto como seria desejado… uma pena!

Ao menos nos claustros ninguém nos impede de fotografar e, claro, não faltam turistas frenéticos a tentar subir nos parapeitos e nos muros para tirar fotos, como se estar no chão não fosse coisa boa para a foto…

À saída ainda roubei uma foto do Trono de Eduardo, o Confessor. King Edward’s Chair, o trono onde todos os reis britânicos são coroados desde o séc. XII.

É sempre estranho passar-se por cima do tumulo de uma grande personalidade, como Winston Churchill, para se entrar e sair de um local…

Na fachada de uma catedral gótica é comum encontrarem-se figuras, como na catedral de Notre Dame de Paris com a sua Galeria dos Reis. Ali as figuras representam os mártires do século XX, aos quais se juntam a Verdade, a Justiça, o Perdão e a Paz, em formas humanas, uma simbologia que pretende abarcar todos mártires que continuam a existir a todo o momento, pelo mundo fora

“Eu estive tanto tempo dentro da Westminster Abbey, ouvi todas as histórias e explicações do áudio-guia, fui e voltei, “roubei” alguma fotos e deliciei-me! Quando saí era já dos últimos visitantes e as pessoas saiam diretas para o portão que se fecharia a seguir, mas eu queria ver mais um pormenor ali ao lado. Junto do muro, no chão, no pátio que se forma aos pés da catedral, uma discreta mas lindíssima homenagem a quem morreu inocente, vítima de opressão, violência e guerra… Muitas pessoas passaram sem ver e tentavam fotografar através das grades da parte de fora do muro. Há pormenores que me prendem a atenção, mais que alguns grandes monumentos…”

(in Passeando pela vida – a página)

O céu continuava lindo cá fora e as perspectivas da fachada da catedral ficavam deslumbrantes em contraste com o céu azul! Eu tinha de aproveitar aquela luz e cor para ver a redondeza!

Que lindo dia para passear e para desenhar! Eu tinha de ir ver as coisas do outro lado do Tamisa e, quem sabe, tentar desenhar um pouco, se não estivesse tudo cheio de turistas!

Londres é linda com sol!

O Big Ben é impressionante! Foi construído no séc. XIX em estilo neogótico e foi baptizado com o apelido do ministro das obras publicas que ordenou a sua construção! Curioso, se fosse baptizado com o nome do homem chamar-se-ia Benjamin, como levou a alcunha ficou Big Ben até hoje! eheheheh

E lá estava ele em contraluz, visto do outro lado, mesmo por cima da ponte!

Curiosamente a torre tem vindo a inclinar com o tempo, sendo hoje de meio metro no topo em relação à base. Parece que não é nada de preocupante nem nada que a faça vir a ficar parecida com a torre de Piza, mas como se desconhece a razão, há que investigar, não vá ela aumentar o ritmo de inclinação que já leva e que é, segundo dizem, de quase 1 milímetro por ano.

Fui atravessando a Westminster Bridge e olhando para o perfil do parlamento magnífico! O sol e as nuvens criam enquadramentos verdadeiramente dramáticos e impressionantes!

Do outro lado, ao longe o London Eye, que não visitaria, afinal já lá estivera da última viagem ao país!

E são momentos mágicos como este que me fazem sentir uma privilegiada por vezes, quando o mundo em meu redor se silencia por completo e eu me deslumbro com um cenário de paraíso, como se ele fosse criado para mim e ninguém mais existisse para além dele e eu!

Peguei no meu livrinho panorâmico e desenhei…

A tinta-da-china era a técnica que mais me inspirava para captar aquele contraluz espantoso, que recortava o edifício do palácio de Westminster contra um céu luminoso e fantástico! O problema era só que ela demora um bocado a secar e havia gente demais perto de mim. Peguei no outro livrinho e desenhei de novo mas num enquadramento mais próximo! Escrevia eu no meu Facebook:

“Desta vez eu passeei tão calmamente por Londres que me fartei de desenhar, mas os desenhos em silhueta foram os que mais gostei de fazer, as nuvens inspiradoras provocavam este tipo de enquadramentos, quer na máquina fotográfica quer nos meus livrinhos. Encostava-me ao muro na berma do Tamisa, pousava nele o meu livrinho de folhas demasiado longas para me permitir desenhar decentemente em cima dos joelhos e, com a caneta e o pincel, o perfil do parlamento e do Big Ben aparecia tão facilmente, que apetecia fazer uma dúzia de pinturinhas semelhantes, em cada perspetiva da paisagem. As pessoas aproximavam-se para ver o que eu estava a fazer, umas vezes eu afastei-me, mas outras deixei-as ver e voltei a ter clientes para comprar as minhas mini-obras! Ahahahah”

Não, não vale comparar os desenhos com as fotos que eu não sou uma máquina fotocopiadora!

E por aquela ponte a gente pode ver tudo! Desde uma fulana que tirou a roupa toda, ficando em biquíni para uma foto com o Big Bem como fundo (claro que era gira senão não o faria, ainda por cima nem estava calor nenhum!) até casamentos, cheios de convidados, noivos e fotógrafos a tentar apanhar os melhores enquadramentos por entre o meio dos turistas aos milhares!

E a infinidade de fotos que eu fui tirando por ali!

Até chegar à estátua de Ricardo coração de leão!

“Junto ao Palácio de Westminster, fica a estátua de Ricardo I. Um belíssimo enquadramento para o rei tão querido e lembrado, tanto no Reino como na França, onde viveu a maior parte do tempo em que estava quieto e não andava em batalha. Um herói eternamente respeitado, que mesmo antes de ser rei, era já conhecido e respeitado como Ricardo Coração de leão, o título que o identifica na escultura equestre. As casas do Parlamento servem-lhe de cenário e as grades de protecção, que têm todo o ar de provisórias, mas estão ali em serviço perante, para ordenar as longas filas de visita ao edifício, não deixam ninguém aproximar-se da estátua, uma pena para quem a quer ver de perto, uma sorte para quem a quer ver sem ninguém por perto.”

(in Passeando pela vida – a página)

O palácio estava fechado… terá de ficar para uma próxima visita à cidade!

Aquilo parece uma igreja! Na realidade aquele palácio é um dos parlamentos mais míticos, maiores e mais espantosos do planeta! Por isso eu terei de lá voltar para o ver por dentro!

Dizem que tem 1.000 salas e 100 escadarias! Ui! O estilo gótico dá-lhe aquele ar de catedral impressionante, foi reconstruído, ou construído, dado que o anterior fora destruído pelo fogo e este foi feito de raiz, no séc. XIX, mas a sua fama e importância faz parecer que sempre existiu!

Não resisti a desmontar da moto rapidamente, enquanto esperava que as pessoas passassem na passadeira e tirar uma foto à minha Ninfa com o coração de Londres como fundo!

E fui passear por aquela que é uma das maiores cidades da Europa! A 3ª, dizem!

Há muito que a London bridge deixou de me impressionar, desde que a vi pela primeira vez e percebi o quanto ela fica aquém do que as imagens me transmitiam!

Mas atravessa-la é sempre uma sensação única. Até porque não há outra igual!

E estava na hora de ir até ao Ace Café, onde eu começara o dia e onde o acabaria!

Mas não foi lá que jantamos. O simpático casal Jose Garcia e a Silvia levou-me até ao Centro Galego de Londres!

Onde pude matar saudades da comidinha e da cerveja galega que é muito boa!

O movimento do restaurante/bar é bem ao estilo ibérico, nada british! Eheheh

A minha motita ficara no Ace Café, com aquela gente a questionar-se se eu a teria simplesmente abandonado ali! Quando a fui buscar não havia lá ninguém.

Os londrinos não são tão noctívagos como nós!

E fui para casa, que naquele dia ainda seria em Londres, e foi o fim do 26º dia de viagem.

31. Passeando por caminhos Celtas – de Cardiff até Londres!…

22 de agosto de 2014

Tinha chovido de noite, mas nem assim o ambiente era menos bonito no hostel onde eu ficara. Recantos de jardim, com flores e plantas, sempre me atraem para ficar um pouco, acompanhada de um chá quente e o meu caderninho de desenhos!

Ao tempo que eu não desenhava a caneta sépia, uma cor que eu usava muito antigamente, quando o espaço na moto era muito pouco e eu levava apenas um lápis, uma caneta e um caderninho de desenho! Depois o espaço foi aumentando e os materiais diversificando, mas volto àquela cor a cada passo, em desenhos rápidos e gosto!

Depois de uma noite de chuva, o céu estava límpido e azul, como se ela tivesse lavado tudo muito bem! Do outro lado do rio Taff ficava o Millennium Stadium, que é o principal estádio do País de Gale. É enorme, já foi o maior do Reino, julgo que o maior hoje é o Wembley.

Imponente! Tinha de lhe dar a volta cada vez que saía de casa, por isso naquele dia dei-lhe mais uma volta, já que não o visitei, vi-o de todos os ângulos por diversas vezes!

Naquele dia eu iria até Londres. A sensação de estar a voltar para casa era tão presente que só me apetecia dar mais uma volta e outra e não voltar!

Mas daria uma volta e outra e seguiria para a capital, que esta vida não se faz apenas de passeio… infelizmente!

E uma das voltas que eu daria, seria para tentar ver a Llandaff Cathedral por dentro, já que quando lá estivera 2 dias antes ela estava fechada!

Desta vez desci a rua que leva até pertinho dela, com direito a todo o espaço do mundo para a minha bonequinha ficar enquadrada com a igreja!

E se o exterior era aquela imponência antiga que eu já conhecia..

o interior da igreja era curioso, com uma construção cilíndrica lá em cima, como que a encimar um pórtico! Aquela gente lembra-se de cada coisa!

Alguém tocava órgão enquanto eu me preparava para passar aquela espécie de fronteira sagrada para um lado qualquer!

Apesar das coisas que lhe acrescentaram a igreja é linda e o altar luminoso com o sol nascente, como numa igreja deve ser!

Aquele santo enorme em cima da entrada para o altar é que não me deixava sequer raciocinar!

E era ao lado do santo enorme que o tocador de órgão estava! Aquela catedral tem uma grande tradição de organistas e coros!

Ali ao lado ficava uma parte bem mais civilizada do cemitério, que eu tive de espreitar rapidamente!

Oh, e lá estavam as cruzes celtas lindas! Afinal Cardiff é a capital do País de Gales, que é um dos caminhos celtas!

E só então comecei o meu caminho na direcção da capital!

A paragem seguinte estava marcada na minha agenda havia muito tempo, por isso não foi por acaso que eu passei ali, subindo o mapa em vez de ir direta a Londres! Havia algo que eu queria muito ver em Tewkesbury…

E lá estava ela, no meio de uma belíssimo relvado com árvores centenárias a fazer a receção a quem chegasse!

Sim, era mais uma igreja que eu queria ver, mas não era uma igreja qualquer!

Era só uma das igrejas mais bonitas que se possa imaginar!

“Há momentos gloriosos numa viagem, quando a beleza transcende os nossos sentimentos e provoca profundas emoções! Assim aconteceu quando entrei na Tewkesbury Abbey, a Abbey Church of St Mary the Virgin, um monumento à beleza e à grandiosidade da obra humana para elevar a obra de Deus! Sinto-me sempre tão pequena e insignificante junto de uma construção daquelas, um exemplar único da arquitetura românica no reino com pormenores únicos na Europa, como a grande torre central. Quantos anos tem? 900? Uma beleza antiga e eterna…”

(in Passeando pela vida – a página)

“A Abbey Church of St Mary the Virgin, ou simplesmente Tewkesbury Abbey, é um edifício espantoso! Construída entre os séc. XI e XII, possui a maior e mais espantosa torre românica de toda a Europa. O seu interior é deslumbrante, tudo combinava para me encantar, desde as luzes até à música que se fazia ouvir. Andei por ali a vaguear, fotografei-a de todos os ângulos, tentei desenha-la, mas o que eu queria mesmo era estar ali, apenas estar! Um espelho, estrategicamente posicionado no início da nave, permite apreciar o magnífico teto sem erguer a cabeça, mas eu andei por ali de nariz no ar até ficar com tonturas! Tudo é tão bonito…”

(in Passeando pela vida – a página)

Que coisa mais bonita!

Não sei quanto tempo fiquei por ali, mas foi muito, a considerar pelas horas que passam nas fotos que tirei!

E a fachada é impressionante, com enormes janelas em vez de uma rosácea!

Finalmente lá me pus a andar dali para fora! Estava cheia de fome e o tempo a passar sem que eu fizesse o menor esforço por ir comer! Uma coisa boa que aquele país tem para comer, são as empadas! Uma delícia, com recheio de carne e legumes, não são nada enjoativas e são enormes!

Bora lá às empadas que têm espeto de rissóis mas são gigantes! Eu já as conhecia de outras andanças, quando estivera em Stratford-upon-Avon da última vez!

Stratford-upon-Avon, a terra de Shakespeare!

Desta vez consegui fotografar a casa do homem sem uma multidão de pessoas a fazer pose em frente, para a fotografia!

O famoso bobo, retirado de uma peça de Shakespeare, à entrada da rua antiga…

Acho que toda a gente que vai a Stratford tem uma foto junto do bobo e outra junto da casa do homem!

Toda a gente, nem por isso! Eu não tenho!

Peguei na minha empada, que não tinha fim, e fui-me sentar junto da casa mais famosa daquela terra e pude acompanhar um bom pedaço do que é o dia ali: fotos e mais fotos junto da casa!

Em frente fica uma loja onde é sempre Natal! Pelo menos é tudo o que lá se vende: enfeites de Natal, mesmo em agosto!

Lá também havia quem se pusesse em pose para a foto!

E aquela rua é uma permanente animação, com gente que vai e vem todo o tempo!

Não admira, porque para além de ser uma terra famosa pelo seu habitante mais ilustre, é muito bonita, cheia de construções medievais extraordinárias, com pormenores encantadores!

A gente pode até imaginar o próprio Shakespeare a passar ali ao lado, de tão perfeito enquadramento da época se preservou!

Quando voltar a passar ali vou ficar num hotel daqueles!

Desta vez eu não tinha tido qualquer dificuldade em estacionar a minha motita, bem no meio da rua, junto de outras “coisas com duas rodas”!

Ela tinha despertado alguma atenção, havia gente parada a olhar para ela quando eu cheguei perto! Fico sempre orgulhosa quando isso acontece!

E sai uma selfie enquanto espero para passar no meio do transito!

Havia outra coisa que eu queria visitar ali: a Anne Hathaway’s Cottage.

Ali tive de pagar parque, fica original a minha motita com um bilhete pendurado nela!

E lá estava a casa!

“A Anne Hathaway’s Cottage é considerada uma das casas mais românticas da Inglaterra porque ali Shakespeare namorou Anne, a sua futura esposa. Uma casa do séc. XV com algumas atualizações posteriores, já que pertenceu à família até ao séc. XIX. Shakespeare tinha apenas 18 anos quando casou com Anne, que era mais velha uns 8 anos do que ele. Já na época ela engravidou e eles tiveram de casar rapidamente, pois era inaceitável haver filhos fora do casamento em pessoas de bem! Embora mais velha que o marido, ele faleceu 7 anos antes dela. A casa é muito bonita e os jardins muito grandes, cheios de árvores de fruto que eu fui “depenicando” ao passar. Perto da casa há um banco que é uma escultura, que lembra uma gôndola, e foi criada inspirada no “Mercador de Veneza”, uma peça de teatro de Shakespeare.”

(in Passeando pela vida – a página)

Os jardins são interessantes e levam-nos em passeio romântico de uns lados para os outros!

A casinha é tão encantadora que eu simplesmente não conseguia afastar-me dela!

Fotografava-a e voltava a fotografar, desenhava-a e voltava a desenhar, e quase me esquecia de ir ver por dentro!

E se por fora parece uma casinha de bonecas, por dentro ela é mesmo!

da “gôndola” o enquadramento era tão bonito!

E dali eu fiz alguns desenhos também, para além de me fazer fotografar!

Mas na redondeza tudo é tão bonito, até as simples casas de habitação dos vizinhos!

E o dia estava tão bonito que eu não resisti a ir a outro destino que tinha em mente havia muito tempo!

Lower Slaughter, mais uma terrinha de histórias de encantar que eu queria tanto ver!

Mas nada do que esperava se assemelhava realmente ao que encontrei! Porque, para além de uma vilazinha linda, que eu pensei que era apenas uma aldeia, as pessoas eram tão acolhedoras e simpáticas que me apeteceu ficar por ali mais tempo! E foi o que acabei por fazer!

Quando cheguei, pela margem direita do rio, as pessoas pararam! Eu tive a sensação de que tudo parou, pois quem estava na rua do outro lado do rio, ficou a olhar, seguindo a moto à medida que eu passava à procura de um lugar para parar. Fiquei apreensiva com a reacção, mas depois as pessoas sorriam para mim quando eu comecei a caminhar por ali, de máquina fotográfica em punho!

O rio Eye parece apenas um pequeno riacho desenhado por medida para atravessar a localidade, com a dimensão certa, sem perturbar nada e ainda tornar tudo mais encantador!

A igreja dedicada a St. Mary the Virgin, de origem ni séc. XII, mas reconstruída no séc. XVIII, também está lá “por medida”!

Uma terrinha linda não estaria completa sem uma igreja encantadora!

E as casinhas nas margens do rio espantosamente perfeitas, em pedra clara iluminando o ambiente!

Então quando cheguei ao moinho de água, com a sua roda e a chaminé, e puxei do meu livrinho, acho que foi o espanto total! Eu já nem sabia se devia desenhar ou seguir o meu caminho, pois varias pessoas se chegaram descaradamente a mim para ver!

Acabei por lhes dar o prazer de me verem desenhar o que era património seu! E foram momentos bem passados no final, acabando por conversar um pouco com as pessoas e desenhar outras casas na redondeza!

E sim, havia por ali gente, mas fizeram o favor de se afastar para eu poder tirar fotos e desenhar sem ninguém na frente! Tão queridos! Claro que me servi da sua simpatia e desenhei algumas perspectivas com pessoas na frente!

Foi tão bom ter ido ali! Deixou um sabor tão agradável de simpatia e gentileza, que fiquei com vontade de lá voltar!

E o dia estava a acabar em paisagens tão inspiradoras, como eu gosto tanto que aconteça em viagem!

E então segui para Londres, sem querer fazer mais nada senão saborear todos os encantos daquele dia. Eu estaria em Londres tempo suficiente para não precisar de me apressar em visitar a cidade a correr naquela noite!

E foi o fim do 25º dia de viagem…

30. Passeando por caminhos Celtas – Land’s End…até ao fim da terra!…

21 de agosto de 2014

Entre alguns erros frequentes que cometo estupidamente em viagem, está o esquecer-me de pensar em quilómetros quando leio milhas, e isso aconteceu-me naquele dia, tudo me pareceu mais perto do que realmente era, e não processei logo que as cerca de 500 milhas que faria naquele dia eram, na realidade, quase 800 km!

Claro que quando dei conta, nada mudou nos meus planos e continuei alegremente o meu caminho, apenas passando ao lado de algumas pequenas coisas que gostaria de ter visto, para poder chegar onde queria! Nada que me matasse de cansaço ou infelicidade, portanto, e fui até ao fim da terra, Land’s End!

Esta viagem ficaria marcada, entre outras coisas, pelos estádios que visitei e aqueles onde passei à porta, definitivamente! E o hostel onde eu pernoitava era bem em frente do estádio do Cardiff, o Milénium Stadium, da sala de estar eu podia ver a minha bonequinha em frente da janela, com o estádio do outro lado do rio Taff!

Ora naquele dia eu rumaria para sul, muito para sul, milhas e milhas a sul…

Sair de Cardiff em direcção a sul é aquela seca de dar uma grande volta. Em torno do recorte que a terra faz em torno do Bristol Chanel até ao river Severn, onde fica finalmente a primeira ponte para começar a descer o mapa!

E a estrada é uma seca, ao estilo de uma via rápida mas, na realidade, não se podem passar as 50 m/h (80km/h), o que torna a coisa lenta e morosa para caramba, dado que a estrada até é rápida e larga e a paisagem nada tem de inspirador!

Quando finalmente sai daquele carrossel chato, tratei rapidamente de me meter pelas ruelas do costume, aquelas que  parece que são de apenas um sentido mas na realidade são de dois!

Porque havia por ali uma vilazinha que eu queria visitar desde a minha ultima visita ao Reino Unido! Uma vila piscatória, por isso a costa seria o meu percurso de encanto!

E as perspectivas do mar ali de cima eram paradisíacas!

Clovelly é uma vilazinha piscatória no Devon.

Eu sabia que ela era encantadora, senão teria desistido de a visitar logo à chegada, ao perceber que tinha de pagar bilhete para entrar… mas além de eu saber que valeria a pena, as pessoas foram verdadeiramente simpáticas comigo, oferecendo-me espaço para deixar o capacete e o blusão e poder visitar tudo descontraidamente.

Então depois veio a descida, e que descida! A vilinha fica lá no fundo, depois de um percurso por ruelas a pique, pavimentadas em pedras redondas do mar, que nos fazem caminhar “ a travar” todo o tempo, sob o risco de escorregar e descer aquilo tudo de rabo pelo chão.

E tem degraus e nenhum veiculo ali pode circular, a não ser uma espécie de tobogãs, como na ilha da Madeira, que deslizam por ali abaixo com as cargas. Para as pessoas, só resta caminhar ou descer de burro! E chega-se ao ponto em que, numa curva apertada que passa por baixo de uma casa, se vê lá em baixo o portinho!

Parei e, não fosse o tempo fresco que por ali se fazia sentir, a sensação fazia lembrar a visita às Cinque Terre em Itália, no ano passado. Que bonito tudo por ali!

Tudo parece artificialmente perfeito ali, desde as casinhas, as ruelas, o porto e o próprio mar!

Pessoas de idade sofriam para chegar até ali, descendo com dificuldade a rua íngreme, pavimentada com pedras redondas que magoavam os pés!

Mas a descida valia a pena! Lá em baixo o ambiente era sereno, com as pessoas relaxadamente sentadas junto ao mar!

Do cais a perspetiva da vila, pelo monte acima, é vertiginosa e parte do casario não se pode mesmo ver cá de baixo!

Sentei-me empoleirada no mais alto degrau de pedra e tentei desenhar um pouco, mas havia muita gente atenta ao que eu estava a fazer, afinal ali no meio de toda a cor, eu parecia o zorro, toda vestida de preto, só me faltava a capa, e isso despertava as atenções!

Não estava calor nenhum, uns 17 ou 18 graus, mas aquela gente está habituada a aproveitar o sol e o bom tempo!

O pormenor da “areia” sempre me fascina! Olha-se para a praia e tem-se a sensação de se estar a olhar para a areia com uma grande lupa, pois ela não é mais que um mar de calhaus redondinhos!

E os visitantes enchiam o ambiente de cor…

Tinha de começar a subida… e isso já me estava a deixar cansada, mesmo antes de começar!

Dá-se a volta por trás das casas em frente à praia e volta-se a descer à areia, do outro lado!

E foi ali, depois da grande rampa de descida dos barcos, que eu me pus a fazer o meu montinho de pedras!

“Material” não faltava para fazer o montinho! Podia até decidir a sua dimensão pela escolha das pedrinhas apropriadas!

Havia lá outros já feitos, mas o meu ficou muito mais bonitinho!

E então, finalmente, comecei a subida! Não podia adiar mais se queria ir longe depois!

Os pormenores de cada casa eram encantadores!

Casinhas de brincar, era o que pareciam!

Como eu imaginara ao descer, a subida era vertiginosa e as casas vistas de baixo acentuavam essa sensação!

Tudo ali mereceu o bilhete que tive de pagar para visitar!

É um verdadeiro privilégio viver-se ali e vir-se à rua e ela ser assim!

Há ali hotéis, mas hospedar-me ali isso assustou-me um pouco! Como conseguiria eu hospedar-me numa vila onde a minha motita não poderia entrar?

E cá em cima, à saída da vila, encostei-me ao muro e pus-me a recuperar energias comendo amoras! Naquele país há tanta amora, coisa que adoro!

E então seguir para a Cornualha, o ultimo reduto celta do Reino Unido, para mim, que vinha de norte!

Eu tinha vontade de ir a Tintagel, uma outra pequena vila na costa atlântica, onde fica, segundo a lenda, o castelo do rei Artur! O caminho para lá valeu a pena, ruinhas estreitas, ladeadas de muros feitos de terra revestida a palha acabada de cortar e onde dois carros mal passavam um pelo outro!

Mas acabei por desistir de visitar o castelo! Ele ficava longe da vila e eu teria de caminhar até ele. A disposição para caminhar era pouca e o tempo menos ainda… por isso segui pelas ruelas até ao mar, numa praia de rocha dura, entre Treknow e Trebarwith. Em frente eu podia ver o Gull Rock, aquela pedrinha no meio do mar!

Eu precisava de tempo para ficar…

É naqueles momentos que eu tenho a sensação que nem que eu vivesse varias idas seguidas, nunca conseguiria ver e viver tudo o que queria… e eu tinha de ir embora, se queria ir até ao fim, naquele dia!

Voltei à estrada nacional, onde muitas coisas acontecem!

E depois de quilómetros de estrada, seguindo em filas de carros que seguiam para destinos no caminho do meu destino, cheguei!

“Cheguei a Land’s End ao anoitecer, o ponto mais ocidental da Cornualha e de toda a ilha. Um ponto mítico no Reino, usado frequentemente para definir eventos beneficentes com percursos entre os dois extremos, desde o norte – John O ‘Groats, até ao sul – Land’s End, de “end-to-end”. O céu era uma luta de nuvens que deixavam transparecer uma luminosidade quase surreal. Havia gente por ali, e festa e tudo, mas ninguém parecia reparar naquele céu deslumbrante! O fim da Inglaterra estava lindo!”

(in Passeando pela Vida – a página)

Ao longe podia ver a famosa “última casa da ilha”!

E junto a mim a famosa placa!

Não resisti, como não gosto de selfies, que deformam a cara toda à gente por serem tiradas de muito perto, depois de montes de pessoas me pedirem para lhes tirar fotos, pedi eu também que me tirassem uma foto a mim!

E captei uma imagem para fazer conjunto com a placa de John o’Groats!

Por ali não faltava festa, coisas para comprar e gente a passear, apesar do frio e do vento!

Também não faltavam registos de eventos passados, personalidades que foram até ali!

E o registo da distância entre Land’s End e a terra de cada viajante que ali se desloque! Fiz uma rodinha vermelha na foto…

… e ampliando a coisa, na rodinha vermelha que eu fiz na foto, lá estamos nós: Faro, Lisboa e Porto!

Captei uma última perspectiva do local, estava a noitecer e eu tinha de voltar a subir até Cardiff… O cenário tornou-se perfeito para mim, a placa, a ultima casa, as nuvens inspiradoras! Foi um bom momento, aquele em que me despedi!

Atravessei a festa de piratas que havia por lá,

E fui encontrar a minha bonequinha acompanhada por uma BMW americana de Oregon que, pelo aspeto e pelos autocolantes, já percorreu mais de meio planeta!

E tinha um autocolante de Portugal!
Uma pena não ter encontrado o condutor que, pelos 2 capacetes visíveis, estaria acompanhado com pendura! Provavelmente estariam hospedados no hotel, já não estava ninguém com aspeto de motard por ali em volta!

Para memória futura, a minha bonequinha e o Hotel Land’s End!

Mais à frente encontrei os vestígios celtas que faltavam para marcar a tradição!

Lá estavam as célebres cruzes!

E tinha quase 400 km para fazer até Cardiff, podia vê-los no GPS!

Cheguei de noite a casa, depois de algumas peripécias na estrada, que me deixaram a sensação de que receberia mais dia, menos dia uma multa de excesso de velocidade em casa… até hoje não chegou, mas ainda pode vir a caminho… ainda pode vir!

E foi o fim do 24º dia de viagem