13. Escandinávia 2017 – Passeando pelo norte da Baviera

5 de Agosto de 2017

A Alemanha é um país tão bonito que sempre me custa atravessa-la sem explorar um pouco, por isso parei em Nuremberga para visitar um pouco em redor. Um dia não é muito tempo para uma zona tão bonita como aquela, mas teria de chegar, veria o que pudesse sem pressas nem stress, e deixaria o resto para outra vez! É sempre assim que eu me contento com o que posso ver ou fazer, prometendo a mim mesma que voltarei.

O café não é grande coisa por aqueles lados, mas no hostel pelo menos não era muito caro, o que já era uma boa qualidade, porque pior do que um fraco café é pagar caro por ele!

A minha Negrita ia-se revelando, para alem de uma boa parceira de estrada, uma boa mesa de apoio também!

Dinkelsbühl foi o primeiro ponto de interesse que visitamos. Uma cidade medieval que eu queria visitar havia imenso tempo. O seu centro histórico parece todo ele um imenso cenário, de tão bonito e bem cuidado que está!

As casas pintadas em cores vivas e com frisos e pormenores decorativos são tão bonitas que apetece disparar fotos em todas as direções!

No centro da cidadezinha, por entre charretes e tendinhas de bugigangas, ficava a St. Georgs Kirche, uma belíssima igreja gótica que condiz tanto com o ambiente em redor!

Linda!

Com os tetos nervurados e altares entre estilos gótico e neo-gótico perfeitos!

Com o calor e o ambiente em redor tão inspirador, não havia como evitar para numa esplanada mesmo à porta da igreja e tomar uma cerveja refrescante!

Afinal estávamos no país da boa cerveja!

E a vontade era de explorar cada recanto em redor e acrescentar novas casas lindas à minha já longa coleção de casas europeias!

Tão bonito o ambiente de uma cidade sem prédios nem edifícios enormes apenas casinhas individuais!

E as portas da cidade foram mantidas e conservadas até hoje

Finalmente lá seguimos para Rothenburg ob der Tauber, uma cidade muito bonita que só peca pela fama que a faz estar sempre banhada de turistas.

As suas portas são espetaculares!

Quando os sítios são bonitos nunca há pressa em ir embora. O que quer se seja para ver a seguir pode esperar, se o tempo for pouco, fica para outra vez. De nada adianta andar a correr de lado para lado sem se dar tempo de apreciar cada local!

E não faltava nada por ali, até ursinhos para o rapazola brincar! 😉

E no meio das nossas explorações, sem contar encontrar mais nada do que todo o encanto de cada rua…

Encontramos uma loja de Natal espantosa!

A loja tem um museu, mas apenas as varias salas com exposição de mil e uma coisas para o Natal foi suficiente para nos prender a atenção por muito tempo!

Não se podia tirar fotos mas ninguém consegue controlar muito bem o meu telemóvel nem a rapidez com que ele capta uns e outros!

Confesso que sou uma fascinada pelo Natal, como uma criancinha!

E há sempre um bonequinho, ou um bonecão, para fazer par com o Filipe!

Parece que lá na terrinha são típicas umas bolas enormes de doce de diversas cores.

Não sei o que aquilo é mas não me inspirou confiança, tinha ar de coisa muito doce e eu sou mais de salgadinhos

mas o meu amigo é todo doceiro e parecia tão feliz a devorar aquilo!

Poucas ruas estavam livres de multidões o que era uma pena, pois a arquitetura é linda!

A sorte é que os turistas enchem as ruas famosas, onde se podem captar as perspetivas que aparecem na internet, e poucos perdem tempo com as ruinhas paralelas e desconhecidas.

mesmo que nelas esteja a beleza mais genuína!

E o pedaço mais famoso do local estava cheio de gente, claro! Espera-se uma infinidade de tempo para vagar um pouco, ou só se verá gente e é o que se vê no fim, gente!

Nunca há pressa quando se vêem coisas bonitas, se não houver tempo para ir ma muitos lados, haverá para ir a poucos, mas que sejam bem vividos!

E nesta treta de ficar uma pouco quieta a apreciar o momento, descobri que existe Iced Tea com gás! Uma bosta!

Com grandes nuvens a formar-se, mas com toda a boa disposição de quem quer continuar a ver coisas bonitas, fomos até Lauf an der Pegnitz.

Por ali tudo é bonitinho e Lauf an der Pegnitz é um pequeno encanto, tão perto de Nuremberga que num instante se passa lá!

O centro é pequeno mas bonito, ideal para parar um pouco a tomar qualquer coisa enquanto o rapaz se punha a namorar ao telemóvel!

Claro que enquanto ele andava de um lado para o outro nas suas conversas, eu tinha de me entreter com alguma coisa, na esplanada mais bem situada lá do local, com a porta da cidade a fazer cenário de fundo!

A cerveja continuava a ser boa por aqueles lados!

Então de repente as nuvens chatearam-se à brava e ficaram mesmo negras de raiva!

E desatou a chover com toda a força!

Um momento raro, quando há sol de um lado e as nuvens ficam negras do outro, por isso, quando toda a gente se abrigava debaixo dos guarda-sóis eu fui procurar o melhor angulo para captar o contraste!

O Filipe não entendia nada do que andávamos a fazer a olhar para a chuva e apanhar com ela na testa! Oh rapaz, para a próxima tens de usar um chapéu! A mim a chuva não me perturbou nadinha! 😀

Eu tinha de registar aquele momento, em que o céu estava negro e as casas cheias de luz!

Porque a natureza não nos dá muito tempo para registarmos algumas das suas habilidades mais belas!

E lá fomos para Nuremberga, com as motos lavadinhas de fresco!

Aproveitando para percorrer outras ruas da cidade cheias de encanto!

A cidade é atravessada pelo rio com o seu nome, o Pegnitz, que cria recantos e perspetivas muito bonitas nas suas margens.

É preciso ter-se alguma paciência para me acompanhar, quando paro a qualquer momento para fazer mais uma foto!

E finalmente fomos para Nuremberga encher-nos de salsichas, que estávamos na terra delas! Eram deliciosas!

Numa esplanada a atirar para o medieval onde parecia que ainda era Natal!

Ali nasceu e morreu Albrecht Dürer, o grande artista do renascimento, e lá estava a sua estátua…

Nuremberga é uma cidade onde tenho de voltar com mais tempo, é linda e cheia de história. O seu centro histórico é grande e eu tenho de o explora melhor.

Na Espanha todas as cidades têm uma Plaza Mayor, na Bélgica têm uma Grand-Place, na Alemanha têm uma Hauptmarkt! E a Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora) ficou na minha agenda para visitar um dia, era linda em contraste com a noite!

Amanhã iriamos para Hamburgo, o ultimo ponto de paragem antes de seguirmos caminhos diferentes e eu entrar em terras escandinavas…

12. Escandinávia 2017 – de Iseltwald até Nuremberga

4 de agosto de 2017

A cada sitio que a gente pára dá vontade de ficar mais um pouco, mas a excitação de ver o que vem a seguir é sempre o combustível que dá energia e vontade de arrumar tudo nas malas e pôr rodas ao caminho. E o meu caminho seria ainda tão longo, que tudo o que via sabia sempre um pouco a prefácio de algo mais longínquo e mais novo!

E demos mais um passo para norte, que a Escandinávia fica lá para cima!

Uma viagem é feita de moções e, apenas o facto de olhar para uma paisagem com a sensação de ir ficar ali mais um dia, é complemente diferente de olhar para ela ao partir.

Há uma serenidade num lago ao amanhecer, quando não há vento e tudo parece tão quieto, como se as águas fossem sólidas, de espelho, que o ritmo do coração abranda cá dentro e todo o resto do mundo parece afastar-se!
Que coisa linda!

E a aldeia fica ali mesmo, do outro lado da rua, com os chalés de madeira lindíssimos a completar o quadro de perfeita beleza.

Apanhei o meu companheiro de viagem a encolher a barriga para ficar mais elegante na foto.

E logo a seguir fica a cidade, que parece uma aldeia grande, de Interlaken. Aquele ponto onde todos os destinos de ski confluem, já que fica no centro da melhor zona de montanha do país.
Mas no verão é calma e colorida, com o rio Aar a atravessa-la ligando os dois lagos, Brienzersee e Thunersee, que a ladeiam.

E a cor do Aar voltou a fascinar-me, sempre me fascina!

O Filipe à sombra da bananeira… não, à sombra do candeeiro sobre o rio!

Ali no meio é o ponto onde termina Interlaken e começa Unterseen.

Uma localidade de cada lado do rio

A gente tinha parado as motos em Unterseen, logo a seguir ao rio e à ponte, ou antes aos rios e às pontes, já que o Aar de multiplica ali formando uma longa ilha o que dá a sensação de se tornar em vários canais. E as motos ficavam tão bem no ambiente em redor!

Já não sei quantas fotos tirei junto daquelas casas, nem com quantas motos o fiz! E a tradição cumpriu-se de novo!

E seguimos para norte. As paisagens sucedem-se encantadoras e é gratificante seguir atravessando-as. Como eu costumo pensar nestes momentos “que belo dia para passear!”

Então, de repente algo prendeu a atenção. Estávamos numa espécie de xona industrial e havia formas enormes no exterior de um armazém que eu tinha de ver de perto!

Simplesmente WoW!


Tratava-se de um atelier de escultura com materiais reciclados!

Chama-se Recycle Art e ali se fazem esculturas espantosas e únicas, usando peças de automóveis e motos, porcas, parafusos e rodas dentadas, tudo meticulosamente soldado.

E fazem-nas em todas as dimensões, algumas intimidam mesmo pelo seu pormenor, realismo e dimensão!

As esculturas são feitas à mão, de acordo com estudos prévios, depois polidas e lacadas.

E os resultados são verdadeiramente impressionantes!

O Filipe adorou o burro do Shreck, quase aparafusava a língua para ficar mais parecido com ele!

Eu identifiquei-me mais com os monstros, dragões e bicharocos meio monstruosos, devo ser mais monstruosa do que ele, cá no meu intimo!

E eles executam qualquer escultura de reciclagem sob encomenda, através de fotos ou desenhos desde veículos, animais, figuras fantásticas ou móveis. ADOREI!

Havia um carro em dimensão real pronto para ser entregue. Era impressionante!

Às vezes as coisas acontecem assim, numa viagem, a gente fica imenso tempo a ver o que não estava previsto e passa ao lado do que previra! E foi assim com Baden, olhamos para ela lá de cima da rua, mas a vontade de descer e ir ver de perto não era nenhuma, por isso ficamos com registos gerais, até voltarmos a passar com vontade de explorar!

Eram os últimos registos da Suíça, antes de entrar mos na Alemanha e o tempo estava a ameaçar dar-nos uma molha. Parece que vai ser sempre assim, quando entrar na Alemanha com o Filipe! Claro que a culpa era toda dele, já que no ano passado, quando me acompanhou até Estugarda, também apanhamos uma molha ao entrar no país!

A minha esperança era que ele levasse a chuva com ele quando nos separássemos, tal como fez noa ano passado, quando andou a nadar pela França, enquanto eu me deliciava com o sol dos países de leste.

Sinto-me sempre um embrulho quando visto toda a tralha de chuva!

E chegamos a Schwäbisch Gmünd. Uma cidade tão encantadora quanto uma cidade medieval alemã pode ser.

Há algumas construções religiosas por ali que eu gostava de visitar por dentro, como a igreja Românica Johanniskirche, mas não eram já horas de visitas, por isso só restava ver por fora e apreciar as fontes pintadas nas praças…

e a casas com pinturas no exterior, que sempre me fascinam!

Bem no coração da praça do mercado havia uma praia de areia montada para a miudagem brincar.

Um ambiente divertido que despertava a curiosidade a qualquer menino!

E as casinhas em redor são tão antigas e bonitinhas que tornam cada rua um cartão postal

Em redor da catedral, parece que se anda mesmo para trás no tempo!

A Heilig-Kreuz-Münster – Catedral da Santa Cruz – estava aberta para um concerto, por isso os banais mortais não podiam entrar! Uma pena porque, a considerar pelo seu aspeto exterior, deve ser linda, como todas as construções góticas o são!

E havia pequenos pormenores bem mais modernos curiosos e divertidos para explorar pela cidade

Mas os sofás cor de laranja fascinaram-me!

Que bem fica o preto sobre laranja!

Quando chegamos a Nuremberga estava a noitecer. O centro histórico é grande e fascinante, no dia seguinte teríamos de explorar aquilo tudo mas, para já, a urgência era mesmo ir comer!

Hora de parar e descansar e comer, antes que fosse tarde demais e tivéssemos de ir dormir de barriga vazia!

Aquino era tudo vontade de comer mesmo!

Amanhã estaremos ainda em Nuremberga, porque há algumas coisas bonitas que quero ver por ali…

11. Escandinávia 2017 – passeando pelo centro da Suiça…

3 de agosto de 2017

Passear um pouco pela Suíça é sempre tão pouco!
Mas o meu destino não era aquele, estava apenas numa pequena pausa de passeio por ali e tinha de me contentar com isso e seguir. Por isso daríamos uma volta pelo Bernese Oberland, e seria uma belíssima forma de matar saudades da montanha e do país.

Acordar com uma paisagem inspiradora, põe qualquer pessoa de boa disposição. Aquela água é um gelo, mas o povo não parecia importa-se e, àquela hora, já havia gente na mais amena cavaqueira enfiado nela como se fosse uma sauna!

Quando me passeio por sítios assim, o pensamento que me ocorre sempre é que há gente que vive naquele paraíso toda a sua vida!

Com o lago ali mesmo ao lado da rua, com aquela agua incrivelmente turquesa a inspirar para nunca mais sair dali!

Making off da foto de uma GTR junto ao lago!
E sim, a minha Negrita cobria-a completamente, são aqueles momentos em que a minha moto é maior que as outras todas, questão de perspetiva! eheheheh

E eu tinha de aproveitar o facto de ter alguém que me fotografasse para me captar naquele cenário de sonho!

Andar por ali de moto é tão bonito!

E fomos subindo para o Grimselpass, como quem vai subindo para o céu!

As águas que se tornam turquesa em Interlaken são cinzentas e turbas por ali, porque estamos a aproximar-nos do seu glaciar! Lindo!

Quando se chega lá acima há sempre motos junto ao Tonensee e há um bar onde fomos tomar café. Quase todos os empregados são portugueses e isso chocou-me, porque já la fui tanta vez e nunca me tinha apercebido!

Frequentemente as pessoas falam de que encontram portugueses por todo o lado e eu sempre me surpreendo porque não tenho essa experiência. Ou eles são turistas em bando e falam alto e eu vejo que existem, ou não me lembro de encontrar portugueses por todo o lado como muita gente diz! E de repente andava a encontra-los a torto e a direito! Como era isso possível?

Claro que a resposta foi obvia e imediata!
Quando viajo sozinha não tenho com quem falar português, logo ninguém percebe de onde sou. Como andava sempre a tagarelar com o Filipe as pessoas percebiam facilmente de onde eramos e falavam e brincavam connosco! Básico e adorável, e de repente, havia portugueses por todo o lado!

Então fomos ao meu cantinho encantado, onde pouca gente vai, junto ao glaciar do Aar e o seu Obeaarsee, percorrendo um dos caminhos de alta montanha mais bonitos que conheço…

Muita gente que vai até ali, pousa os carros e vai caminhando até ao glaciar, por isso havia carros mas pouca gente, como eu gosto!

Mas havia gente para pedirmos que nos fizessem uma foto aos dois, nas nossas motos, como o coração do Aar ao fundo.

Um momento de descontração e de apreciação do penteado que o capacete desenhou na cabeça do Filipe!

Sim, está lindo, com um carrapito à Tintim em cima e tudo!

A infinidade de montanhas espantosas em redor com tanta coisa para ver e sentir, quase nos tiram o fôlego!

Caminhos espantosos!

Caminhos que estão por todos os lados, de tal maneira se retorcem sobre si próprios de monte em monte!

E de um Passo de montanha vê-se o outro e o glaciar que iriamos visitar a seguir!

Por estrada os dois glaciares estão a pouco mais de 12 quilómetros, o que quer dizer que, a direito, a nascente do Rio Aar (que segue para a capital, Berna), e a nascente do Rio Rhône (que segue para Genève), estão tão perto como o nascimento de dois irmãos gémeos!

“Há muitos anos atrás eu visitei o Glacier du Rhône e há muito tempo que o queria voltar a ver de perto. É sempre uma sensação poderosa, para mim, estar tão perto de um glaciar, como se se tratasse de um vulcão, cheio de vida. Caminhar pelo gelo, que parece mais pedra rija, sentir o seu pulsar debaixo dos pés… Muito mudou aquele gigante, desde a primeira vez que o vi, está bem menor, meio esventrado e o efeito do calor é tão visível! Mas continua tão majestoso e impressionante…”

(in Passeando pela Vida – Facebook)

E ali em baixo fica a caverna de gelo, que vai sendo protegida do calor e ameaça desaparecer a cada verão!

Parece que o abominável homem das neves andava por ali!

E a abominável mulher também!

Em alguns pontos mais finos, onde o gelo foi escavado par colocar a luz, ele podia assemelhar-se ao gelo dos nossos frigoríficos, mas só aí!

O gelo do rio não é branco porque a textura petrificada pelos resíduos naturais o faz parecer mais pedra do que gelo e eu conseguia caminhar por cima da crosta rugosa como se de rocha se tratasse!

E onde ele abre o azul é absoluto!

E a perspetiva do glaciar é linda…

Cá fora estamos no Furkapass, com paisagens incríveis sobre o Grimselpass e a sucessão de montes até perder de vista! Sou uma privilegiada e, em tantas vezes que ali passei, sempre tive direito a bom tempo e boa visibilidade, e sempre me encantei!

O Filipe a arranjar a gravata para a nobre foto!

Claro que fiz a foto da praxe com aminha motita em tão belo enquadramento!

E aproveitei ter quem me fotografasse para aparecer também! Eu gosto sempre mais das fotos em que não estou em pose.

O tempo para dentro de mim com uma paisagem assim…

Depois de uma sequência de estradas em obras, que nos fizeram agradecer a sorte de estarmos em moto, chegamos ao lago dos quatro cantões em perspetivas de fiordes e reflexos quase irreais.

Lucerna fica a seguir, sempre encantadora, não importa quantas vezes a visite!

Com as suas coisas especiais para turistas…

mas também o que de mais genuíno tem de seu!

Um dia, ao passar à porta daquele bar, fui abordada por um bando de fulanos eufóricos, que fazia algazarra em torno de mim e me oferecia cerveja e eu não entendia nada porque falavam alemão. Só depois percebi que era por eu ser parecida com a fulana que é imagem do bar, uma versão da Penélope!

Não sei para onde aqueles dois olhavam, mas devia ser algo muito interessante, a considerar pela atenção!

E as pessoas apreciavam o fim de tarde na margem do Rio Reuss…

que tem perspetivas espantosas, com os desníveis e represas que mostram a sua cor e pureza.

Lucerna fascinar-me-á para sempre…

A perspetiva sobre Samersee é sempre aquela beleza que nos enche o coração no caminho de Lucerne para Interlaken

Que belo caminho para casa!

No dia seguinte seguiríamos para o sul da Alemanha…

10. Escandinávia 2017 – de Annecy até Iseltwald…

2 de agosto de 2017

O trajeto não seria longo naquele dia.
Não é preciso fazer muitos quilómetros para me encantar com a Suíça e eu queria ter tempo para a atravessar mais uma vez. Com um dia de sol, qualquer percurso é agradável e simpático por ali. Iriamos passar em Genève, onde eu não tinha passado no ano anterior, e pelo menos ir até ao Jato de Água, era “obrigatório”.

E como sempre que se faz a ligação entre Annecy e Genève, lá estava a Pont de la Caille para tirar a foto da praxe com a minha Negrita, que ainda não tinha lá passado. Todas as minhas motos passaram ali, à excepção da primeira que nunca foi tão longe.

O Filipe também nunca lá tinha ido…. Nota-se!

Mas já tinha ido a Genève muita vez e ficou todo contente na mesma, por lá voltar!

Eu sempre gosto de ir “tomar um banho” pelo cais do jato, mesmo quando a agua cai por cima dele. Desta vez caía para o outro lado, mas foi um banho na mesma!

Eu tinha posto os braços de fora na esperança de queimar um pouco e deixar o bronzeado à trolha, mas não adiantou muito, continuaram de duas cores.

Facilitou a tarefa de me enxugar com a toalha da moto depois do banho!

Quanta alegria debaixo de uma torre de água de 140 metros de altura!

O dia estava mesmo bom para macacadas, banhos e fotos por ali!

Mas a cidade estava meio desarrumada e cheia de gente, no rescaldo das festas, por isso apenas demos uma voltinha até à ONU e seguimos para paragens mais serenas.

Eu sempre gosto de passar em Gruyères para matar saudades dos pratos de queijo Suíços. A cidadezinha é linda e a tradição manteve-se!

A sua beleza medieval é sempre tão acolhedora, desde o momento em que a vi pela primeira vez e, a cada vez que volto, é como se voltasse para trás no tempo também. Reconfortante!

Estava mais do que na hora de comer por isso enfiamo-nos no Chalet, o restaurante mais típico lá do local, onde tudo é tão bonitinho e pitoresco

e comemos um fondue de queijo divinal!

Aquela cara não é de duvida ou insatisfação, é mais de “quando param as fotos para eu poder comer?”

E era tão bom como eu me lembro de ser!

O almoço foi caro, mas o momento foi único, com uma menina portuguesa simpática a atender-nos e um ambiente bem típico e agradável! Acho que vou continuar a lá voltar, a cada vez que passe!

Só passear por ali me dá vida!

A povoação fica numa colina e a perspetiva do vale, lá em baixo, é tão bonita, que sentamos na relava e ficamos a apreciar. Claro que a barriga estava tão cheia de fondue, que sentar ou deitar na relva era tudo o que apetecia fazer!

O que eu gosto nestes países, França e Suíça, é o cuidado de terem espaço especial para motos, em cantos agradáveis, para que não esturriquem ao sol!

E quando a barriga já se tinha acomodado com o almoço, veio o caminho serpenteante, para ajudar à digestão!

Eu sempre me encanto com as perspetivas daquelas ruas, com paisagens apaixonantes, mesmo quando há motos na minha frente! 😉

O destino era o Brienzsee, um dos lagos de Interlaken, onde iriamos ficar por duas noites.

“Brienzersee é um dos belos lagos suíços que parecem saídos do paraíso. A gente passeia pela sua margem com a relva a chegar até às águas onde podemos molhar os pés ou tomar banho livremente. Mas sentar num banco e ficar a olhar, tentando fazer parte da paisagem, sem nada a perturbar, é do mais relaxante que posso fazer por ali. Interlaken é logo ali, cheia de vida e movimento, tanta paz e tanta agitação, nada falta para fazer qualquer pessoa feliz!”

(in Passeando pela Vida – Facebook)

Avistava-se neve, no topo dos montes para lá de Interlaken!

E, de Interlaken até Iseltwald, o caminho era junto ao lago, com direito a paisagens privilegiadas e sensações únicas.

Iseltwald é uma povoação minúscula, de origem que se perde no tempo de tão antiga que é, que fica quase sobre o lago, por isso ele está por todo o lado ali…

em perspetivas de campos cultivados e jardins, mesmo na sua margem!

E as casas são chalés de madeira, bem tradicionais e lindos!

Um ambiente perfeito para conversas ao entardecer, com o sol a pôr-se para lá dos montes, no fim do lago…

“Registos de viagem – 1

Hoje o quarto é uma tenda no Hostel! É uma sensação curiosa acampar sem armar barraca! A paisagem é um dos lagos de Interlakem lindo, rodeado de altas montanhas. “Trago comigo” o amigo Filipe Marques que vai a caminho da Alemanha e é curiosa a sensação de ter com quem partilhar belezas inenarráveis, quando se está habituado a viajar a solo. Vamos passear para as paisagens mais bonitas deste país pelos passos de montanha mais inspiradores.
Até logo”

(in Facebook)

Tão bom estar de volta a este país… amanhã iremos passear um pouco em redor!

9. Escandinávia 2017 – até Annecy

1 de agosto de 2017

A França é sempre tão inspiradora que apetece ficar mais um dia e outro no mesmo lugar, para poder explorar em redor todos os pequenos recantos anónimos que não constam nos roteiros dos turistas e que são cheios de encanto e história.

Mas haverá sempre mais uma série de outras viagem em que passarei por ali, para explorar mais um pouco. A noite seguinte seria ainda passada em terras de França, com algumas curiosidades a explorar pelo caminho, por isso a beleza continuaria!

O céu estava encoberto e cheio de grandes nuvens cinzentas, mas não ameaçava cair-nos em cima, o que era uma grande coisa!

Despedida da hospedagem daquela noite!

A sensação de mudar de casa quase diariamente sempre me agrada e enche de curiosidade! Quando faço as reservas crio imagens dos locais na minha mente, baseada nas fotos do site e nos comentários de outros hospedes, depois descobrir cada sitio é uma novidade diária que me entusiasma! E, se aquele sitio onde pernoitamos era curioso, tinha mais uns 24 ou 25 para descobrir até ao regresso a casa!

A parte mais chata é sempre encaixar tudo direitinho na moto, como quando saí de casa, para que a bagagem não se transforme numa tralha bagunçada por todo o lado! Nem me estou a imaginar a acampar e ter de montar, desmontar e arrumar tudo na moto a cada paragem, mas um dia hei-de experimentar, numa viagem em que fique vários dias no mesmo sitio e não tenha de repetir a operação 30 vezes!

Ali perto, no nosso caminho, ficava Tulle. O transito era tão complicado que nem apetecia andar muito por lá, foi mais uma pausa para tomar café e ver a igreja e pouco mais. Há dias em que não apetece de todo andar na luta no meio dos carros!

Eu já tinha estado na cidade, mas nem me lembrava mais! A Catedral de Notre-Dame de Tulle merecia uma vista, ao menos por ali não havia nem transito nem bandos de turista, era tudo paz!

A catedral, gótica, está mutilada no seu altar onde faltam o transepto, o deambulatório e o próprio altar. Contrariamente ao que se possa pensar, já que Tulle foi palco de momentos terríveis aquando da Segunda Grande Guerra, a ruína de parte da igreja é muito anterior a esses acontecimentos. Ao que parece no século XV já havia problemas com o seu estado e, muito antes do século XX, foi saqueada, abandonada convertida em armazém e só não foi demolida porque a obra ficaria muito cara e ela não valia a despesa… como as mentalidades foram mudando ao longo da história até se começar a dar valor ao que é de preservar, para lá da religião ou da politica!

Em frente à catedral havia uma esplanada ótima para sentar e tomar café, que isto de não ter café decente torna difícil controlar o sono!

E o café era mais aparato do que sabor! Aparato e preço sempre em alta, qualidade e sabor sempre uma bosta!

E o dia seria feito de belas paisagens naturais, porque nem só de cidades e aldeias se enchem os olhos por ali!

As perspetivas da paisagem, verde e ondulante, com as povoações a aparecerem de quando em quando ao lado da nossa rua, tornam aqueles percursos um encanto permanente!

Depois vêm os montes e as estradas inspiradoras que os percorrem, como eu tanto gosto!

Atravessar o Parc des Vulcans d’Auvergne foi muito bonito!

É dos tais percursos que a gente não sabe se deve curtir a estrada ou parar a todo o momento para curtir a paisagem!

Sentia-me perseguida o tempo todo!

Ok, de vez em quando também me sentia perseguidora!

Então parávamos para picnic

E mais uma “mijoca” de café!
Não faças essa cara que, quando não há melhor não se põe defeito!

Então chegamos à bela Annecy!

E foi no momento mais encantador que ela pode ter para mim, ao entardecer, quando o céu ainda é luminoso, mas já acentua os contrastes nos brilhos das águas dos canais, com as luzes que se começam a acender.

Annecy está ligada à minha história como um paraíso onde me refugiei muitas vezes, vinda de Genève na minha pequena motoreta, para passear, relaxar, ler e desenhar, nos meus tempos de estudante…

E a sua aura nunca se quebrou, continua a saber a paraíso encantado a cada vez que lá volto, mesmo quando está repleta de turistas e movimento.

Nós já só tínhamos em mente encontrar as “Moules Frites” que nos vinham a fazer salivar há dias! Mas seguramo-nos, como gente civilizada, para visitar um pouco a cidadezinha antes de escurecer completamente. Claro que a gente segurou-se porque não faltavam menus com os ditos mexilhões um pouco por todo o lado, por isso era garantido que nos iriamos deliciar numa esplanada qualquer, dali a nada. Aguenta mais um pouco Filipe!

E lá veio um panelo de mexilhões para cada um, que coisa boa!

Oh p’ra ele, parece um menino feliz!

Annecy nunca me desiludirá, sempre bela, sempre com as comidas típicas de lá que eu adoro…

Uma ultima foto nas portas da cidade…

E fomos dormir que amanhã seguiríamos para o centro da Suíça…