27 – Passeando até à Suiça 2012 – Laufenburg, o Lago dos Quatro Cantões e as termas de Vals

15 de Agosto de 2012

Tirei o dia para não fazer nada de especial, para além de conduzir!

Há sempre dias destes nas minhas viagens: tiro um dia para não conduzir, ou um dia para ficar em casa, ou um dia só para conduzir! Enfim, tiro os dias que me apetecem para fazer o que me apetece e acabo sempre por ver coisas giras, mesmo saindo de casa para não ver nada de especial! 😀

Depois não ver nada é difícil por aquelas bandas pois, mesmo sem se querer, “o que ver” está por todo o lado! Então fiz um desenho louco, de vai e volta no meu mapa!

Primeiro fui numa direção qualquer e atravessei uma terrinha fofinha, com uma porta de entrada em torre, Sempach. Fica na margem do lago Sempachersee onde fica também Sursee que não fui visitar embora saiba que é uma terra interessante!

Esta é uma terra histórica na Confederação Suíça, pois ali se travou uma grande batalha contra os austríacos, lá atrás no séc. XIV, quando a confederação se expandia!

Tem também uma porta em torre para sair!

Segui o meu caminho sem destino, embora tivesse um nome em mente: Laufenburg.

Eu sabia que passaria ali perto dali a dias, mas apeteceu-me ir visitar com calma naquele momento!

Laufenburg era uma terra que eu não conhecia, como há muitas pela Suíça, e que irei cata-las um dia ou outro. E o que me despertou o interesse foi o facto de haver uma homónima na Alemanha e logo ao lado uma da outra!

Deixei a mota na Alemanha e fui procurar onde a cidade deixava de ser alemã e começava a ser suíça!

A entrada faz-se por baixo da própria Rathaus!

E ao chegar-se ao fim da rua aparece o rio Reno e a Suíça e Laufenburg, na outra margem!

Na realidade as duas Laufenburg foram a mesma cidade desde o séc. XIII até 1800, quando Napoleão as dividiu. Hoje ainda, as pessoas sentem-se e vivem como se da mesma cidade e do mesmo país se tratasse!

A ponte velha foi desativada para o trânsito dado que se tornara insuficiente. É uma ponte muito bonita, medieval com esculturas a meio!

E do outro lado do rio, outra Rathaus!

Ruínhas muito bonitas com pormenores deliciosos!

E ninguém diria que passamos de uma cidade para outra e de um país para outro e que voltamos atrás, sem nem a língua mudar!

Na realidade andamos entre Laufenburg pertencente a Baden-Württemberg e Laufenburg pertencente ao Cantão de Aargau!

Decidi voltar para o centro da Suíça passando por Brugg, ainda no cantão de Aargau, onde passa o rio Aar a caminho do Reno!

Brugg é uma cidadezinha muito interessante que fica na confluência de 3 rios: O Reuss, o Aar e o Limmat!

Com ruínhas curiosas de passeios elevados onde as esplanadas têm mais graça!

Comi uma belíssima refeição numa esplanada, com direito a sombra e musica ambiente mesmo a calhar!

De onde estava instalada avistavam-se pormenores curiosos!

E voltei a pegar na moto para dar mais umas voltinhas de condução relaxante, passando pelo lago de Zug.

A Suíça é um país cheio de lagos, alguns deles deslumbrantes, outros mais vulgares, mas todos com os seus encantos particulares e histórias mais ou menos felizes. O lago de Zug é considerado o lago menos limpo do país, devido às zonas de cultivo que vão afetando os rios que o alimentam. É no entanto também um assunto em permanente estudo e cuidado, acreditando-se que a sua situação será revertida a médio prazo, já que as questões ambientais sempre foram de primeira importância para o país. O lago não deixa no entanto de ser muito bonito, com a cidade de Zug a dar-lhe o nome e enriquecer-lhe a paisagem!

E o Zugersee tem recantos encantadores em que ninguém diz que aquelas aguas não são tão limpas assim! Na realidade é preciso ter-se uma ideia do que quer dizer “o menos limpo” para os suíços pois, na realidade, têm padrões de limpeza de aguas mesmo muito elevados!

Mas o lago que eu queria visitar era o Lago dos Quatro Cantões, logo ali a seguir!

Lucerne fica na berma de um dos lagos mais extraordinários da Suíça, o Lago dos Quatro Cantões. O seu nome deve-se ao encontro dos quatro cantões fundadores da Suíça: Uri, Scwyz, Unterwalden (que hoje é divido em dois: Ibwald e Nidwald, o que faz que o lago seja hoje, afinal dos 5 cantões!) e Lucerna. A grande beleza do lago deve-se às montanhas que o rodeiam e o tornam um lago em fiord! A verdade é que as paisagens nos surpreendem a cada quilómetro percorrido e a gente pára aqui, encosta ali, tira dúzias de fotos e nunca se sente satisfeita, pois a vontade é traze-lo todo para casa! Deslumbrante e apaixonante…

E ele é lindo… e eu fotografei-o até à exaustão!

E mesmo assim sei que deixei muito para fotografar das próximas vezes que lá passar!

Bendita moto que permite parar em qualquer recantozito da estrada e disparar mais uma ou duas fotos onde ninguém poderia parar!

E cheguei a Altdorf, a capital do cantão de Uri, famosa pela lenda de Guilherme Tell e a sua estátua está bem no centro da praça.

Reza a lenda que Guilherme era conhecido pela sua habilidade no manejo da besta.

“Na época, os imperadores da casa de Habsburgo lutavam pelos domínios de Uri e, para testar a lealdade do povo aos imperadores, Herman Gessler, um governador austríaco tirano, pendurou num poste um chapéu com as cores da Áustria, numa praça de Altdorf. Todos os que por lá passassem teriam de fazer uma vénia como prova do seu respeito. O chapéu era guardado por soldados que se certificariam que as ordens do governador eram cumpridas.

Um dia, Guilherme e seu filho passaram pela praça e não saudaram o chapéu. Foram imediatamente presos e levados à presença do governador que, reconhecendo-o, o fez, como castigo, disparar a besta a uma maçã pousada na cabeça do seu filho. Tell tentou demover Gessler, sem sucesso; o governador ameaçava ainda matar ambos, caso não o fizesse.

Tell foi assim trazido para a praça de Altdorf, escoltado por Gessler e os seus soldados. Era o dia 18 de Novembro de 1307 e a população amontoava-se na expectativa de assistir ao desfecho do castigo. O filho de Guilherme foi atado a uma árvore, e a maçã foi colocada na sua cabeça. Contaram-se 50 passos. Tell carregou a besta, fez pontaria calmamente e disparou. A seta atravessou a maçã sem tocar no rapaz, o que fez a população aplaudir e admirar os dotes do corajoso arqueiro.

Ao observar que Guilherme trazia uma segunda seta, Gessler perguntou por que ele a trazia. Tell hesitou. Gessler, apressando a resposta, assegurou-lhe que se dissesse a verdade, a sua vida seria poupada. Guilherme respondeu: “Seria para atravessar o seu coração, caso a primeira seta matasse o meu filho”.”

Guilherme Tell ficou para sempre associado à libertação da Suíça das mãos do império Habsburgo da Austria.

E depois? Era cedo para ir para casa, por isso fui passear para os montes!

Passei no Rundweg Schöllenen, o percurso do Gotthard Pass através do canyon Schöllenen, que é lindíssimo, com paredes íngremes e caminhos rudimentares e sinuosos construídos pelas populações do vale do Urseren, um caminho para eu me dispor a explorar um dia.

É impressionante a facilidade com que a gente perde a noção da dimensão das coisas por ali!

Ao aparecer o comboio é mais fácil entender a dimensão do rochedo, não?

E decidi ir até Vals, não era no meu caminho mas apeteceu-me!

São mais umas estradas de montanha, algumas em terra batida, que estavam a cuidar delas antes que o inverno chegasse e depois de muita ruela em sucessão de SS, lá apareceu a vilazinha! Como dizem por lá: “Vals é a última aldeia no vale, depois é só montanha e céu!”

Depois de tais caminhos nem parece provável encontrar uma vila tão interessante e movimentada! Mas, a principal razão para eu lá ir é a mesma que leva ali tanta gente: As Termas de Vals!

Uma obra do arquiteto Suiço Peter Zumthor, considerado um dos mais importantes arquitetos do mundo! A obra, é um espetáculo! Uma pena que não a tenha podido fotografar por dentro, pois sei que é belíssima!

Na realidade no início de 1980 a comunidade de Vals comprou um hotel falido composto por três edifícios, da década de 1960, e contactou Peter Zumthor para projetar umas novas termas. Se no princípio isso até abalou a estrutura financeira da comunidade, rapidamente o edifício se tornou um sucesso na Suíça e apenas dois anos após a sua abertura, tornou-se um edifício protegido.

Hoje podem-se encontrar fotografias dele em qualquer tipo de revista no país, o nome do arquiteto é bem conhecido para o cidadão comum de Grisões e a vila de Vals está orgulhosamente no mapa, não só da Suíça mas também do mundo!

É curioso a forma como o edifício se integra na paisagem, sem a ferir ou perturbar sequer!

Por baixo do fino relvado a vida pulsa…

quase sem darmos por nada…

Uma pena não poder entrar para fotografar. Teria de ir fazer eu mesma um spa, mas nem assim poderia fotografar, pois o ambiente é quente e húmido lá dentro, nada próprio para uma máquina fotográfica…

E estava na hora de voltar para casa, por mais montes e curvas e uma deliciosa dança do ventre até Lucerne!

Passando de novo um pouco pelo Gottharpass

Embora não o tenha feito totalmente o que o põe na minha agenda para uma futura passagem, pois é um dos Pass do meu coração!

E o pôr-do-sol quase chegava primeiro do que eu a casa!

Fim do décimo sétimo dia de viagem…

26 – Passeando até à Suiça 2012 – Thun e o castelo de Oberhofen.

14 de Agosto de 2012 – continuação

Depois de me passear longamente pelas ruelas de Grindelwald, desci até Thun e o seu lago, o Thunersee. Thun é uma cidade muito antiga, fundada no século XII, que fica no ponto onde o Rio Aar sai do lago para seguir o seu caminho para Berne.

Aproveitei para comer qualquer coisa ali mesmo na beira do rio, em ambiente muito simpático e refrescante!

Ali à beirinha fica uma das 2 pontes cobertas em madeira, cheia de flores, que atravessa o rio fazendo um “L”, ligando a pequena ilha onde estamos à margem.

A Schleuse am Mühlenplatz, ou Eclusa de Mühlenplatz, que faz uma represa por baixo com a maquinaria dentro da ponte.

A água é tão límpida que os peixes não têm nenhuma privacidade, pelo menos a gente vê-os com toda a clareza, cá de cima!

O efeito das águas em movimento é muito bonito pois a sua cor torna-se ainda mais luminosa!

A segunda ponte é mais à frente, a Obere Schleuse, ou Eclusa de Obere, à primeira vista até parece a mesma!

Se não tivéssemos de caminhar um bom bocado até ela poderíamos achar que apenas déramos a volta e chegávamos ao mesmo sítio!

Também ela tem a represa por baixo e a maquinaria dentro!

Na realidade estas represas, ou eclusas, vão servindo para controlar a intensidade com que o rio Aar sai do lago e passa pela cidade contornando a sua ilha, dado que quando a sua corrente é muito forte provoca mesmo inundações pois a saída das águas é estreita!

Depois vão-se fazendo umas fotos tipo postal suíço, com as flores em primeiro plano e a igreja gótica ao fundo, que não visitei pois nem me apetecia sair da beira do rio!

O centro antigo da cidade é simplesmente delicioso! A rua Odere Hauptgasse é estreitinha no “rés-do-chão” mas larga em cima, onde passeios e esplanadas se estendem em cima das lojas avançadas, formando num nível alto, uma segunda linha de comércio!

Este tipo de ruas é comum em varias cidades suíças, mas em Thun tem o seu encanto particular.

Lá à frente fica a Rathausplatz , a praça da Rathaus, de onde ficam alguns edifícios bem bonitos, como o hotel Krone ou a propria Rathaus.

Dali se avista o castelo que eu não iria visitar! Eu sei que é lindo, um castelinho do séc. XII onde hoje funciona um museu muito interessante, mas que eu já visitei em tempos e desta vez, nem a magnifica paisagem que se avista lá de cima, me fez subir as escadas que parecem infinitas, vistas cá de baixo!

Mas encantadora mesmo é a rua Odere Hauptgasse, cheia de lojinhas de tudo, que na parte superior quer na inferior, ao nível da rua!

Achei piada à loja dos cata-ventos que os tinha de todas as cores e feitios! Até em forma de moto! E as rodas giravam ao sabor do vento e tudo!

Engraçado que os beirais dos telhados, lá em cima, são largos para caramba! Embora altos presume-se que protejam as pessoas, pelo menos nas janelas, da chuva! O efeito é curioso!

A rua é mesmo engraçada e movimentada, sem ser barulhenta nem stressante!

Descendo um pouco pela margem do rio chegamos ao lago de Thun, o Thunersee, um lago extraordinário de águas profundamente azuis alimentado pelo glaciar Steingletscher através do também azul rio Aar.

A menos de meia dúzia de quilómetros, na margem do lago, fica o belíssimo de Castelo de Oberhofen, do séc. XIII, que está aberto ao público e que eu nunca tinha visitado!
Havia uma secção exterior em obras o que estragava um pouco a beleza do enquadramento!

Mesmo assim a sua beleza permanece quase inalterada!

Aquele castelo já teve um fosso, ou antes, uma reentrância do lago que o contornava, mas foi fechada para proteger os seus alicerces, já que as águas do lago podem ser bastante agressivas em subidas abruptas nos degelos.

Estava perto da hora de fechar por isso fizeram-me tarifa reduzida, o que quer dizer que paguei uma ninharia!

Achei tanta graça ao sinal na porta da casota do cão! Deliciosa!

O que as pessoas não sabem é que eu nem tive de correr para ver o castelo todo, pois simplesmente eu sou rápida a fazer uma visita! Por isso acabei por sair antes mesmo dos visitantes que por lá andavam e, se calhar, vi tudo até melhor que eles! Eheheh

A primeira coisa que se visita é, naturalmente a torrezinha sobre a água que, curiosamente não é tão pequena quanto parece!

Passa-se por um corredor, que é afinal um túnel sobre a água.

E ao fundo fica uma salinha que não me importava de ter, só para mim!

Com direito a uma vista deslumbrante sobre o lago!

Todo o castelo é encantador, com salas lindíssimas, espaços temáticos e masmorras e tudo!

Ali se pode ver como se vivia em tempos feudais por aquelas bandas!

No topo do edifício fica um “oásis turco” a que chamam sala de fumo!

Acho que povo da casa ia lá para cima estender-se nos colchões no chão e fumar daquilo que faz rir!

Lá de cima, da janela, as paisagens são bem bonitas!

Os jardins são muito bem cuidados e coloridos e apetece mesmo andar por ali a passear

Cheios de flores e a lembrar os jardins ingleses!

E lá está a “tourelle du Lac”, que afinal é uma sala bem bonita onde se podia até mobilar como quarto e dormir ali! Acho que era o que eu fazia se a casa fosse minha! 😉

E os jardins continuam por ali fora,

em volta do castelo e pela borda do lago!

O lago é muito apreciado por marinheiros e praticantes de windsurf, dado que oferece sempre uma brisazinha agradável e útil!

Não faltam por ali também embarcações que proporcionam passeios lindíssimos pelo lago onde também se pratica uma série de desportos aquáticos.

A mim bastou-me aprecia-lo em toda a sua calma e beleza, com os pés enfiados na sua água fresca, enquanto miúdos e graúdos se banhavam mais à frente…

E tratei de voltar para Lucerne, porque bonito é passear de dia naquele país! Fazer trajetos de noite é sempre e afinal um desperdício de paisagem!

As casinhas da zona bernense são muito bonitas e têm telhados que parecem chapéus! Cada uma é mais bonita que a outra!

Algumas motos acompanharam-me no caminho para “casa” entre elas uma Pan prima da minha Magnífica!

E jantei em Lucerne, bem na berma do rio, com a Pont de la Chapelle como paisagem!

Uma lasanha deliciosa, que eu gosto muito de comida italiana!

E fiquei por ali à espera do anoitecer!

Passei na estação central de caminho-de-ferro, intervencionada por Calatrava… e fui para casa, que naquele dia era em Lucerne!

Fim do décimo sexto dia de viagem…

25 – Passeando até à Suiça 2012 – O Vale Lauterbrunnen e Grinderwald

14 de Agosto de 2012

Iria ficar 3 dias em Lucerne o que me dava tempo para tudo, até para perder tempo a fazer o que me desse na telha! E o que eu gosto de perder tempo a vaguear sem preocupações de depois ele não chegar para ver tudo!

Comecei por subir o Mont Pilatus, que fica logo ali pertinho da cidade, e que no dia anterior estava coberto por um grande chapéu de nuvem, mas que naquela manhã prometia alguma visibilidade, apesar da névoa matinal sobre o lago!

A névoa acaba sempre por dar um ar de mistério às paisagens e o lago parecia vindo de uma outra realidade.

Enquanto o monte estava bem descoberto e iluminado pelo sol!

As ruínhas são deliciosas pela encosta, ladeadas por relvados imensos.

E o mundo lá em baixo, mágico!

Chama-se frequentemente Lago de Lucerna àquele lago, mas o seu verdadeiro nome é Lago dos Quatro Cantões, mas ele seria assunto para um outro dia quando eu lhe dei a volta!

Naquele dia apenas me passeei pelas encostas para o apreciar ao amanhecer!

E segui por outros lagos, que por ali são frequentes e frequentemente lindos, como o de Lungern que vira ontem a caminho de Lucerne.

E segui para Brienz, uma terrinha muito mimi, com o seu lago espantoso, o Brienzersee.

O lago de Brienz, ou Brienzersee, é um lago lindíssimo de águas cor de esmeralda. As suas margens são íngremes e quase nunca se lhe vê o fundo pois é bastante profundo!

Recebeu o seu nome da aldeia de Brienz, de onde partem passeios de barco ou de comboio para as visitas mais encantadoras ao Oberland Bernense!

Tudo é lindo por ali e a atmosfera é de calma e serenidade, como se o tempo parasse na aldeia onde se fabricam os verdadeiros e únicos relógios de cuco suíços….

Todos os caminhos são bonitos, todos os montes são deslumbrantes, a caminho de Lauterbrunnen.

Lauterbrunnen fica no vale com o mesmo nome, um vale em U, escavado nas montanhas mais impressionantes dos Alpes, entre gigantescas encostas rochosas e picos montanhosos.

Dizem que tem 72 quedas de água, cada vez que lá vou descubro mais uma ou duas até que um dia terei visto todas! 😉

O Vale Lauterbrunnen é uma das maiores áreas de conservação da natureza de toda a Suíça e um “recanto” que venho prometendo a mim mesma explorar mais a fundo, um dia! É que há recantos que eu simplesmente ainda nem sei lá ir, pois conheço-os de comboio, não sei nem se há rua!! 😮

O nome Lauter Brunnen inspira já por si, querendo dizer algo como Fonte Pura ou Muitas Fontes!

E lá estão elas a cair em força por altitudes por vezes de 200 metros, sobre o vale!

Encostas escarpadas que mais parecem muros que ladeiam o vale!

A gente vê as longas linhas brancas pelos penhascos, de águas em queda e sente-lhe o som e a vida, mesmo de longe!

O rio Weisse Lütschine atravessa a cidadezinha e o vale, com as águas brancas típicas dos rios de grande altitude.

E todas as águas se lhe juntam em força!

Por ali tudo é lindo e muito fica para se visitar a cada vez que lá se volta!

Pertinho fica Grinderwald, um alto paraíso de montanha que visito sempre que posso porque a sua beleza é inesgotável!

Um dia tenho de me dispor a subir ao glaciar de Grinderwald, para isso terei de pernoitar uns dias na vila, para caminhar quanto baste por ali acima, por caminhos, escadas e pontes de madeira e ir até ao seu coração!

Desta vez limitei-me a andar pelas ruínhas estreitas das encostas com a minha motita!

E recolher imagens gerais dos topos mais espantosos!

E são caminhos deliciosos de fazer, com cascatas em ruas ingremes e estreitas onde não passaria muito bem um carro por mim!

Autênticos caminhos do paraíso!

(continua)

24 – Passeando até à Suiça 2012 – A bela Lucerne!

13 de Agosto de 2012 – continuação

Claro que não fui quietinha e sem uma foto até Lucerne! Afinal a beleza do caminho não se esgotava ali!

Desci o Pass na companhia de uma Glodwing de gente simpática.

Entrei no cantão de Obwalden, que contem o centro geográfico da Suíça e, para mim, é o cantão mais bonito do país!

Lá em baixo Lungern e o seu lago Lungerersee, um lago esmeralda lindíssimo que me prende sempre o olhar, cada vez que passo ali!

Parei e não mexi mais por muito tempo! Fiz um picnic ali e tirei meio milhão de fotos repetidas e iguais a tantas outras que tirei noutros anos…

E depois de horas a comer, a beber e a tirar fotos repetidas, lá me forcei a descer o monte até Lucerne, ainda com o verde do lago no olhar!

O lago de Lucerna é um dos lagos mais belos do país, por isso a perda não era significativa!

O hostel era num sítio estratégico da cidade, por isso fui largar a trouxa e a moto e fui passear a pé pela cidade, pois há ali recantos lindos que já não visitava há anos!

A rua das traseiras do hostel era gira, com paredes pintadas em “tromp l’oeil” que davam a sensação de que a rua continuava! O que eu gosto daqueles murais!

Ali à beirinha fica o monumento Löwendenkmal, ou monumento do Leão

Mark Twain falava do monumento como “a mais lúgubre e tocante peça em pedra no mundo.”

Uma escultura em relevo construída em homenagem aos guardas suíços que foram massacrados em 1792 durante a Revolução Francesa.

A inscrição superior diz “Helvetiorum Fidei ac Virtuti” que quer dizer “à lealdade e bravura dos suíços”

A inscrição em baixo diz os nomes dos nomes dos oficiais, e o número aproximado dos soldados que morreram (DCCLX = 760), e sobreviveram (CCCL = 350)

O monumento é muito visitado e estão sempre a chegar pessoas em grupos para o verem e fazerem-se fotografar em frente dele!

Achei curioso a quantidade de grupos de indianos que passaram por lá enquanto eu ali estive sentada a apreciar.

Os Alpes são um destino muito procurado pelos indianos para rodar muitos dos seus filmes. A Suíça faz muito boas condições para as equipas que vão filmar no país, com impostos, alugueres e licenças especiais, rápidas e baratas, que nenhum outro país alpino consegue superar!

Acabam por só ganhar com isso pois, alem dos ganhos que as rodagens trazem ao país, pois embora paguem barato pagam muito, pois são muitas pessoas e equipamento por muitos dias a circular no país, trazem depois toda a multidão de pessoas comuns que querem ver com os seus olhos os locais onde os seus heróis foram filmados!

Mais à frente fica um recanto bem antigo da cidade com a sua igreja Hofkirche Sankt Leodegar, uma igreja do séc. XVII, renascentista, construída sobre uma outra românica, que ardeu, e de que restam ainda as duas torres pontiagudas. St. Leodegar é o santo padroeiro da cidade.

Em volta da igreja fica uma espécie de claustro que é cemitério! É curiosa a forma como dispõem as sepulturas em torno da igreja e dentro das arcadas, como se de um jardim se tratasse!

Outras sepulturas são apenas assinaladas com pequenas lápides na relva!

A Cidade Velha fica logo ali em volta com chalés de madeira e vestígios de muralhas em alguns sítios.

Mas as casinhas de madeira ou com o travejamento de madeira exterior colorido, é que são mais comuns.

Há coisas nas montras de souvenires que me espantam! Gostava de ver o MacGyver transportar um canivete suíço destes no bolso! Isto nem é uma arma branca, é mesmo uma arma de arremesso!

Só para encontrar o instrumento que se procura é preciso um mapa do canivete!

Depois fui andando pela margem do lago na direção do Rio Reuss, lá onde fica, entre muitas outras coisas, a famosa Kapellbrücke ou Pont de la Chapelle, uma das pontes de madeira mais antiga da Europa.

O Rio Reuss nasce no maciço de Aar-Gothard, perto do St Gothard Pass, e é afluente do rio Aar, que é afluente do Rio Reno! É tudo família por ali, entre rios e lagos!

A Pont de la Chapelle, do século XIV, é o ex-libris da cidade e uma das pontes de madeira mais antigas da Europa.

Esta ponte foi parcialmente destruída em 1993, quando eu estava na Suíça, por um fogo provavelmente provocado por um cigarro que caiu num barco que pegou fogo à ponte! Foi um susto nacional na época!

Na época existia um ancoradouro de barcos por baixo da ponte que foi proibido depois do incidente.

A ponte foi restaurada e inaugurada em 94

Nota-se ainda a parte velha chamuscada e a nova após o fogo.”

A torre da Água, do séc. XIII, octogonal, já foi prisão e câmara de tortura noutros tempos!

É muito bonito passear por ali, porque todos os ângulos da ponte são bonitos e únicos. Depois há esplanadas animadas por todos os lados e a gente nunca se sente só!

E cheguei à outra ponte de madeira sobre o Rio Reuss, a Spreuerbrücke, ou ponte dos despejos, do séc. XV.

Na idade média apenas ali era permitido lançar despejos no rio. Tal como a Pont de la Chapelle, é adornada por pinturas

Por baixo dela e em seu redor há uma espécie de represas que fazem efeitos muito bonitos nas aguas do rio.

Depois o percurso de regresso é sempre bonito pelas casas pintadas que se encontram por ali, cada uma mais bonita que a outra!

A torre do relógio da Mairie, que continua em obras desde a última vez que lá passei, há 2 anos!

Há casas que enchem os olhos como a Casa Gremial, devia estar ligada aos padeiros pelos desenhos e inscrições, em alemão arcaico

E o rio é logo ali

com as águas irrepreensivelmente límpidas para um momento de rara beleza ao entardecer, antes de voltar para casa, que naquele dia era em Lucerne!…

Fim do décimo quinto dia de viagem!

23 – Passeando até à Suiça 2012 – Oberalppass / Furkapass / Grimselpass

13 de Agosto de 2012

Naquele dia seguiria para Lucerne, o caminho não é longo como quase nenhum caminho é naquele país! É como se tudo fosse tão perto que em 200 ou 300 km a gente pudesse alcançar meio país! Mas ali todo o percurso é deslumbrante por isso não deverá haver pressa para chegar a lado nenhum!

Então decidi fazer 3 dos Pass que mais gosto por aquelas paragens, em passo de passeio, porque aquelas paisagens são lindas e inspiradoras, sobretudo com todo aquele sol e o céu magnificamente azul!

Despedi-me do meu hotelzinho lindo de montanha

E fiz-me à estrada que é sempre deliciosa e com as bermas “alcatifadas” de relvinha verde

Atravessei o Distrito de Surselva que é lindo e uma das poucas zonas onde se fala o Romanche. Ali perto forma-se o rio Reno com a junção do Vorderrhein e do Hinterrnhein.

O vale do Vorderrhein é deslumbrante!

A estrada parece uma prateleira na encosta escarpada do monte com o paraíso logo ali à nossa direita!

Depois os vales sucedem-se, por vezes a grande altitude.

E chegamos a Oberalppass, sem darmos por ela, na apreciação da estrada e das paisagens!

O Oberalppass é uma estrada fantástica, um alto passo de montanha que faz a ligação entre os cantões de Grisões e de Uri e atinge a bonita altitude de 2046m! É uma estrada extraordinária não apenas por causa das suas agradáveis curvas mas, sobretudo, pelas suas belíssimas paisagens!

Por momentos a gente tem até pena que não seja possível parar a todo o momento para apreciar tudo o que a estrada tem para nos mostrar e, quando a gente pensa que a descida será o fim do prazer, o grande vale de Urseren estende-se aos nossos pés!

Lá em baixo atravessamos Andermatt e continuamos pelo longo vale.

E há um momento, lá por Hospental, em que o Overalppass se transforma em Furkapass!

E do outro lado fica o passo fantástico, o Furkapass, e é desde a sua subida que temos a noção da estrada que acabamos de percorrer!

Há momentos de pausa por aqueles caminhos, quando os veículos são maiores que o espaço da curva!

Ao fundo o Oberalppass deslumbrante depois do grande vale!

E a subida continua e o deslumbramento está de ambos os lados do monte

O Furka Pass é uma estrada que nos permite ter, para além de um grande prazer de condução, o deslumbramento da paisagem.

Sobe a mais de 2400 metros de altitude, com uma série de curvas fechadas e paisagens extraordinárias sobre o maciço de St Gottard e o Vale de Ursen.

Ali se filmou partes do filme de James Bond, Goldfinguer.

De lá de cima pode-se ver o Grimselpass, o terceiro Pass delicioso que iria fazer naquele dia.

E a descida do Frukapass ainda tinha tanta beleza para proporcionar até chegar ao Pass seguinte!

A sua famosa curva “suspensa” fica daquele lado. Lá estava ela.

Por aquelas paragens é por vezes um “não sei se vá, não sei se fique” com tanta beleza que nos rodeia!

Tiro mais umas quantas fotos (repetidas) e sigo o meu caminho, pois então!

Ali está a curva “suspensa” na minha frente!

E os rasgões da estrada na encosta que eu acabava de descer.

O glaciar de Furka ou o glaciar do Rhone.

Há ali uma gruta de gelo que eu visitei há muito tempo, terei de lá voltar um dia, quando as minhas finanças me permitirem fazer visitas (e viagens de comboio também, pois este ano nem pensar!)….

O Grimselpass é um dos meus Pass do coração. Há muito que não lhe dedicava a atenção que queria, mas passeei muito por ali em tempos e este ano quis matar saudades, já que o tempo estava bom e com boa visibilidade!

A última vez que ali passei o topo nem se via, com as nuvens baixas que formavam um chapéu lá em cima!

A estrada que acabara de fazer parecia uma linha num bolso lá em baixo!

Lá em cima mais um ponto de encontro de motards!

O Totesse, um lago simpático e lindo com uma pequena ilhota e o glaciar a espreitar ao fundo,

Um francês, que me viu passar e depois tirar fotos ao lago e à moto, veio-me perguntar se eu não queria que me tirasse uma foto!

Aproveitei a simpática oferta. Ficamos ali um pouco a conversar, ele andava a passear com a esposa e chamou-lhe a atenção eu andar por ali sozinha. A sua surpresa aumentou quando percebeu que eu era de longe e iria seguir para mais longe! Gente simpática!

Temos a sensação de estarmos mais uma vez no topo do mundo!

Ali ao lado há uma estradinha estreita de montanha, de circulação alternada controlada por semáforo, que vale a pena visitar. A gente espera um pouco e vai em paz por ali fora, pois temos 15 minutos para chegar ao outro extremo. Uma vez lá, teremos de esperar pela nossa vez para voltamos.

Só vale a pena faze-la se estiver o tempo limpo pois com muita visibilidade conseguimos ver o coração do glaciar ao longe!

Para lá não estava muito à vontade pois levava um carro atras de mim e cheguei à barragem com poucas fotos. Mas no regresso trataria de não levar ninguém atrás de mim a stressar-me!

O glaciar de Oberaar e o seu lago Oberaarsee é uma das nascentes do rio Aar, o rio turquesa que atravessa Interlaken e a capital da Suíça: Bern.

Não havia ninguém por ali, parece-me que continua a ser um caminho desconhecido da maioria dos turistas! O que foi uma boa noticia para mim! 😉

Um glaciar com mais de 4km e acima dos 2.500 de altitude, que parece ao alcance da nossa mão!

Depois o caminho de regresso a Grimsel foi feito nas calmas a aproveitar bem os 15 minutos que tinha para o fazer!

Apenas havia um carro para fazer o mesmo caminho e eu deixei-o ir à frente. Curioso que também ele circulava bem devagarinho, as pessoas deviam ir lá dentro, como eu, a tirar fotos e a apreciar a paisagem deslumbrante!

O tempo deu-me para tudo, até para fazer 2 pequenos filmes do caminho!

É sempre curioso ver os lagos de montanha turbos e baços, parecendo impossível que aquela agua se venha a tornar azul-turquesa e transparente mais à frente!

A dada altura já se via o Grimselpass a serpentear lá em baixo!

E segui para Lucerna, relaxadíssima e cheia de paz!

Ao chegar ao lago ainda tinha muito tempo pela frente para rever a cidade que, para mim, é uma das mais bonitas da Suíça, mas para muita gente é mesmo a mais bela!…

Os cisnes estavam a tratar do jantar! 😀

(continua)