49 – Passeando até à Suiça 2012 – Passeando pelo Rio Mosel…

24 de Agosto de 2012 – continuação

Tudo é interessante de ver numa viagem, sobretudo o que desconhecemos, por isso deixar Estrasburgo teve tanto de “triste” como de regresso à aventura!

Dali seguiria para o rio Mosel!

Desde a viagem do ano passado, quando passei em Trier vinda da Escócia, que tinha este rio em mente! Como eu dizia na crónica “ninguém se espante se um dia surgir um «Passeando pelo Mosel» na minha vida!” e pronto, era o que eu ía a caminho de fazer!

Isso faria um longo caminho até ao início da rota dos vinhos do Rio Mosel e depois, uma filinha de pequenas terras vinhateiras!

Logo a seguir não pude deixar de registar uma terra com o nome do meu moçoilo! Não é toda a gente que tem uma terra com o seu nome: Filipesburgo (em português)!

Logo à frente um grande trambolho era transportado, escoltado por um segurança em moto amarela que me fez uma festa!

Ficou ali à conversa comigo e eu a ver o mostrengo a aproximar-se!
Queria saber de onde eu vinha, que potencia tinha a minha moto, onde estavam os meus amigos e até fez pose para a foto! Muito simpático e deslumbrado por eu andar ali sozinha (mal ele sabia ao tempo que eu andava por ali e por acolá!)

E lá vinha a coisa gigante que fazia lembrar uma lata de cerveja monstruosa!

Quilómetros acima no mapa, lá cheguei ao belo rio! O Mosel é um dos maiores afluentes do Rio Reno, com 545km de extensão.

O rio é espantoso pelas curvas que desenha em todo o seu percurso, pelas suas encostas forradas de vinha e pelas aldeias e castelos edificados ao longo de todo o seu caminho e em ambas as margens!
Na realidade ele passa por 3 países: França, Luxemburgo e Alemanha. Mas eu seguiria apenas o seu percurso por terras alemãs.

Ao chegar a Bernkastel-Kues somos recebidos pelo castelo em ruinas no topo de uma colina forrada de vinha.

Mas fôra a cidadezinha medieval que me chamara ali!

Bernkastel-Kues é uma cidade com mais de 700 anos, famosa pelos seus vinhos.

As casinhas de travejamento exterior lembram o quanto a arquitetura da Alsácia é influenciada pela arquitetura alemã!

A Praça do Mercado Medieval é linda, cercada por casas bem conservadas, com os seus travejamentos exteriores que as tornam encantadoras! A Rathaus renascentista construída em 1608, à direita na foto é linda e diferente!

A “Spitzhäuschen”, ou “Casa Pontiaguda”, do séc. XV, é muito conhecida e visitada

É fácil de imaginar como me deliciei a passear-me por ali!

Depois o Mosel continuava na berma do meu caminho, com as vinhas que parecem forrar todas as encostas que o ladeiam!

Em Traven-Trarbach a porta que dá acesso à ponte é do séc. XIX, em arquitetura “romântica” com elementos de Arte Nova, aliás, as construções “Art Nouveau” são comuns ao longo do rio, testemunhas da riqueza que o comércio de vinho deu à região durante o séc. XIX.

Claro que andei para lá e para cá a ver a “coisa” de todos os ângulos!

Depois veio Enkirch…

e Zell, sempre terras que vivem do vinho e da vinha, desde o tempo dos romanos!

Passeei-me por ali, num ambiente em que toda a gente parecia ter saído à rua para beber um copito de vinho!

Mesmo antes de lá chegar eu já sabia da existência desta “casinha de bonecas” que é uma casa particular bem original! Uma casa do Arquiteto Walter Andre que é conhecido pelos seus edifícios orgânicos de poupança e recuperação de energia.

Não me surpreenderia se o proprietário fosse um criador de histórias infantis! 😀

Bullay, logo a seguir

Onde encontrei vários motociclistas acampados num terreno junto ao rio! Curioso como era tão cedo e já estavam abancados junto às tendas, com motos e bagagem como quem já está pronto para pernoitar!

Os enquadramentos que o rio proporciona são lindos, apenas faltou um pouco de sol e céu azul!

Em Bremm fica uma das curvas fantásticas do rio, um “U” bem apertado, que faz qualquer barco “retorcer-se” para dar a volta!

E a seguir Cochem, uma cidade linda e cheia de festa por aqueles dias!

Depois de subir o rio Mosel chega-se a Cochem e lá em cima da colina, bem na berma do rio e da cidade, o Castelo Imperial, impressionante, assim declarado pelo rei Konrad III em 1151. Um castelo que andou um pouco de mão em mão, entre alemães e franceses, acabou destruído e abandonado até ao séc. XIX, quando foi restaurado por um industrial berlinense. Hoje é um imponente marco histórico sobranceiro à cidade, o seu orgulho e o prazer dos visitantes! Por momentos fica-se ali a olhar para ele, como se de um cenário se tratasse. Deslumbrante!

Mas eu estava cheia de fome e tinha de tratar de comer! Cheirava a salsichas assadas e o meu estomago roncou! Puxa, ao tempo que eu não comia! Comprei um cachorro com uma salsicha quatro vezes maior que o pão!

Foi uma luta, tive de puxar do canivete suíço e corta-la aos pedaços para tentar que ela coubesse mais ou menos no pão! Era divinal! Afinal estava na terra das salsichas e não muito longe da cidade onde dizem que nasceram: Frankfurt!

Fui caminhando enquanto lutava com a salsicha e o pão, por ruelas que levavam a um ambiente que se pressentia no ar.

Pois é, eu nem sei alemão, mas pelas imagens de cartazes e pelo ambiente não era difícil entender que havia ali uma festa do vinho!

E na Praça do Mercado lá estava toda a gente e aqueles alemães sabem fazer a festa! O que eu me diverti naquela tarde no meio daquela gente animada!

Havia uns balcões todos enfeitados onde as pessoas estavam a pedir vinho! Ora era mesmo o que me estava a faltar para acompanhar o cachorrão!

A gente comprava o copinho de 2dl por 1.20€ e depois cada vez que o enchia pagava 1€. Tinham 5 vinhos à escolha, desde o mais doce até ao mais seco. Escolhi o do meio, nem muito doce nem muito seco, para nem enjoar nem me agredir o estomago! E era divinal!

Então a música subiu de tom, havia 2 grupos que se tocavam à vez, um mais maltrapilho, outro mais compostinho em uniformes iguais, mas os dois de partir o côco a rir!

Apesar dos seus trajes coloridos e apalhaçados, tocavam bem e cantavam também!

Então entrava o segundo grupo, todo em uniformes iguais e tocando igualmente bem e animadamente!

Por esta altura eu já ía no 2º cachorro e no 2º copito de vinhinho (também era tão pequenino o copito!)

Começaram a meter-se comigo, não os entendia, mas acho que foi porque eu andava de um lado para o outro a rir-me, a fotografar e a comer, pelo menos o homem parecia que queria comer o meu delicioso cachorro! eheheheh

Fui buscar o meu último copito de vinho

As pessoas eram tão simpáticas que não me apetecia sair dali!

Ainda dei uma voltita pela cidade, mas nem pensar em ir visitar o castelo! Ele estará lá quando eu voltar um dia certamente!

E fui-me sentar numa outra praça, junto ao rio, a curtir a festa e a boa disposição, que era minha também!

Lá estava a minha Magnífica na berma da estrada, com o castelo que não visitaria lá em cima! Que se lixe, já bastam as obrigações do tempo de trabalho! Em férias a única obrigação que levo comigo é a de me divertir e fazer o que me apetecer!

Só muito tempo depois é que me decidi continuar o caminho, calmamente e sem preocupações!

Em Treis-Karden voltei a parar, apetecia-me passear um pouco a pé e encontrei uma igreja linda, onde estavam a preparar uma outra festa do vinho! Aquela gente não perde tempo! 😀

A igreja era diferente de tudo o que vira e as senhoras, muito simpáticas, foram acender as luzes para eu a ver melhor!

Continuo a achar os alemães muito simpáticos, contra tudo o que ouço muita gente dizer!

Depois veio Schleuse-Müden, onde toda a gente parecia ter ido para a festa de Cochem, pelo menos não havia vivalma em lado nenhum!

E fui passear para o meio da vinha, encosta acima! Achei tão giro o caxo de uvas desenhado no chão, indicando o caminho do vinho e da vinha!

O que eu gosto destes caminhos! Fiz uma pequena coleção de percursos vinícolas só nesta viagem: França, vários na Suíça e agora Alemanha!

Alken lá ao fundo, uma das cidades mais antigas do vale do Mosel, habitada desde 450 aC pelos Celtas! Lá em cima da encosta o castelo de Thurant, do séc. XII que tenho de visitar um dia, que vá para aqueles lados!

Na cidadezinha de Gondorf, passa-se por baixo do Castelo do príncipe Von der Leyen, do séc. XII. É, na verdade a estrada nacional passa-lhe por baixo, fazendo ele de túnel!

Claro que andei ali para trás e para a frente! É que ele tem uma primeira “porta”, por onde entramos no seu espaço interior e depois tem uma segunda por onde saímos! Curioso!

E o sol abriu finalmente, dando às vinhas uma cor deslumbrante! Tal como os suíços e os portugueses do Douro, os alemães trabalham a vinha até ao topo das encostas mais íngremes! Parece que até as paredes dão vinho para quem sabe “da poda”!

E segui para Koblenz, onde ficava a minha casa naquele dia!

Fim do vigésimo sexto dia de viagem!

48 – Passeando até à Suiça 2012 – Estrasburgo e a bela catedral!

24 de Agosto de 2012

Estrasburgo é uma cidade adorável e que eu adoro!

Uma cidade que não me canso de visitar a cada vez que passo perto!

Uma cidade que conjuga o antigo e o moderno de forma encantadora, cheia de simbolismo, por ter sido por tanto tempo centro de discórdia e divisão entre dois países, é hoje símbolo da união entre os povos europeus, albergando em si a sede do parlamento europeu!

A sua catedral… bem, a Cathédrale Notre-Dame-de-Strasbourg é um monumento à beleza gótica, por muitos considerada a mais bela catedral do mundo!

Parece que fica ali, quase entalada entre os prédios, mas na realidade o seu espaço envolvente é amplo e cheio de vida durante todo o verão e animação em tempos frios de inverno.

A rua em frente, a Rue Mercière, é ladeada por lojas e cafés, com montras cheias de doces coloridos e dos famosos biscoitos de manteiga, com as mais variadas e coloridas decorações.

E ela lá está, imponente, vermelha e linda! Eu também a considero a mais bela que conheço…

Mas ela não é apenas espantosa por fora, lá dentro reside grande parte do seu espanto! Na realidade ela tem uma nave extraordinária com 64m de comprimento e 32 m de altura!

Dizem que foi inspirada na catedral de Saint-Denis, mas certamente apenas no interior, porque no exterior é muito mais bela que a dita catedral!

Foi construída entre 1240 e 1275 em estilo gótico francês puro. Impossível não se ficar em êxtase perante a dimensão e beleza da construção!

O órgão parece um joia gigantesca lá em cima! É verdadeiramente gótico, do séc. XIV, e surpreende pelas suas cores vivas e a sua decoração extraordinária!

Anda-se ali para trás e para a frente e todas as perspetivas são espantosas e sentimo-nos pequenos perante tamanha dimensão!

Ao lado do altar fica o Pilar dos Anjos com o Relógio Astronómico atrás. Naquele dia estava fechada a grade e não pude chegar perto!

O relógio gigante marca os anos bissextos, os equinócios, a hora solar, os meses do ano, os signos do zodíaco, os dias da semana, as fases da Lua, calcula as festas móveis e os eclipses da Lua e do Sol, exibe ainda um planetário de Copérnico e as horas são marcadas com grande precisão!

Os vitrais são espantosos!

E a rosácea extraordinária!

A fachada é considerada uma obra-prima do gótico e é magistralmente decorada com milhares de figuras em pormenores que lembram o filigrana!

Vitor Hugo refere-se a ela como uma “gigantesca e delicada maravilha”.

Até 1874 foi a edificação mais alta do mundo, com 142 metros de altura, sendo ultrapassada, nessa altura, pela catedral de Colonia que demorou 6 séculos a ser concluída.

Ainda não tive a coragem para subir lá acima… afinal são 326 degraus, como subir a mais de vinte andares! Só o farei um dia que fique o tempo suficiente na cidade para recuperar os músculos das pernas para poder voltar a conduzir! 😀

Em dias de céu limpo a catedral é visível ao longo das planícies da Alsácia e pode ser vista desde a Floresta Negra, do outro lado do Reno.

Na Place de la Cathédrale, ali ao lado, fica a maison Mammerzell, um dos edifícios medievais mais famosos e mais bem conservados da cidade. Um dia gostaria de dormir ali… mas a diária é caríssima para uma pessoa apenas! Terei de levar o meu moçoilo comigo, pois o preço para dois é quase o mesmo que para um! 😮

E a beleza arquitetónica continua por ali!

O centro histórico de Estrasburgo é como uma ilha cercada pelo rio Ill que torna tudo deslumbrante!

Depois segue-se por ruas “normais” que nos levam para fora daquele paraíso… custa-me sempre ir embora quando visito Estrasburgo!

(continua)

47 – Passeando até à Suiça 2012 – Colmar, Eguisheim e o amigo Miguel Bacalhau!

23 de Agosto de 2012 – o fim do dia…

Eu tinha ficado de, ao visitar Colmar, conhecer o meu amigo do Facebook Miguel Bacalhau, mas ainda bem que não tinha marcado o dia antes com ele, pois tinha pensado passar no dia anterior, quanto tudo aconteceu, desde tretas com a moto até tretas com a máquina fotográfica!

Assim combinei, finalmente, na noite anterior, entre a recuperação de fotos do cartão e o amuo de ter ficado sem gasolina para dar mais uma voltita, que estaria em Colmar ao fim da tarde! E assim foi! Depois de um dia cheio como um ovo, de coisas lindas e experiências fantásticas!

Ao chegar à cidade fui recebida pela Estátua da Liberdade em ponto pequeno. Uma curiosa homenagem da cidade a Frederic Auguste Bartholdi, o autor da escultura original, oferecida à América pelo governo francês em 1886. O artista nasceu em Colmar e a escultura comemora o centenário da sua morte!

Depois, como sempre que desconheço a organização de uma cidade, dirigi-me à catedral, pois é em torno dela que uma cidade se desenvolve, por isso é sempre por lá que começa o centro histórico!

A catedral é uma Collegiale consagrada a Saint Martin, ou o nosso São Martinho! É um belíssimo edifício em estilo gótico com alguns elementos românicos ainda, construído entre os séculos XII e XIV em grês amarelo.

Muito bonita no interior, cheia de vitrais extraordinários.

A pia batismal ocupa um lugar de destaque, no altar-mor! Coisa curiosa, dado que normalmente fica à entrada!

Toda a zona é encantadora, com as casinhas de travejamento exterior, as “maisons à colombages” medievais.

Seguindo o rio Lauch, quando ele é quase apenas um pequeno canal, passamos pelas ruinhas mais encantadoras e as casas mais bonitas.

E chegamos à Petite Venise, um quarteirão do paraíso, que deve o seu nome ao alinhamento de casinhas medievais pelas margens do rio.

Tudo parece perfeito e belo por ali!

Nem faltam as esplanadas na berma do rio, nem os barquinhos a passear!

Mas havia uma outra cidadezinha que eu queria visitar e teria de o fazer antes de me ir encontrar com o meu amigo ou não poderia visita-la mais nesta viagem! Por isso fui numa corrida até Eguisheim!

Uma das comunas mais bonitas que visitei na Route, cheia de pormenores e recantos encantadores!

E de gente também! Gente que passeava por aquelas ruinhas de encantar calmamente, como se fizesse parte delas!

Adoro aqueles traçados medievais extraordinários que resultam em ruelas com casinhas ao meio como a casinha da Rue du Rempart.

Casas que são quase tão estreitinhas como paredes!

Tirei mais um milhão de fotos e lá fui encontrar-me com o Miguel Bacalhau, junto à catedral de Colmar, e lá estava ele mais a sua “amante” (como ele lhe chama) a sua V-Strom!

Primeiro abancamos ali mesmo numa esplanada para uma cervejola e depois bora lá buscar as meninas!

E não é que a sua menina fez birra e não quis andar?! O que vale é que há sempre um amigo por perto, ou a passar, para ajudar, pois eu não tinha nem jeito nem força para empurrar a miúda!

E o amigo empurrou e a motita não pegou!

Então o amigo montou na sua própria moto e fez um “empurranço moto-moto”, coisa que eu nunca tinha visto, mas o certo é que funcionou!

Ora siga para casa para conhecer e jantar com a família Bacalhau!

Lá em casa esperava-me gente muito simpática! O amigo do meu amigo, o João, o feliz proprietário de uma Africa Twin!

Para acompanhar a conversa foram umas minis cá da nossa terra, geladinhas e inspiradoras, enquanto o amigo Miguel punha fim à cegueira parcial da minha Magnifica, que já vinha com um olho fechado há mais de uma semana! E que jeito que aquela nova luz me fez durante o resto da viagem!

Claro que nos pusemos na frente da motita, para a foto, para não se ver o grande estalo que ela levara na cara!

E a Sandra, a simpática esposa do Miguel, que fez um delicioso jantar para a gente, muito bem regado com uma garrafinha de vinho alentejano, Monte Velho!

Conversamos animadamente até às tantas, veio chuva e trovoada e a conversa continuou, até que por fim lá tive de ir embora e cheguei a casa, que ainda era em Estrasburgo, sem apanhar chuva!

E foi o fim do vigésimo quinto dia de viagem

45 – Passeando até à Suiça 2012 – o château du Haut-Koenigsbourg

23 de Agosto de 2012 – continuação

Há muito tempo que queria visitar o château du Haut-Koenigsbourg! A cada vez que passava em Estrasburgo e via brochuras de divulgação eu prometia a mim mesma “na próxima vez vou lá!”

Desta vez ele “atravessou-se” no meu caminho na Rota dos vinhos da Alsácia! Lá estava ele, rosado, imponente, fantástico, no topo do monte, que o torna visível a grande distância, por entre os vinhedos!

Um castelo com origem no séc. XII (aquando da formação da nossa própria nacionalidade), destruído e reconstruido, melhorado e acrescentado chega à ruina e abandono total até ser restaurado no princípio do séc. XX e hoje permanece cheio de esplendor! Vale a pena passar umas horas por ali!

O nome “Haut-Kœnigsbourg” resulta de uma adaptação do nome alemão “Hohkönigsburg” , que quer dizer “alto castelo do rei”

É um dos locais mais visitados da França e entende-se bem porquê, pois desde a primeira vez que vi uma imagem sua que o quis ver!

Um castelo que andou de mão em mão, entre franceses e alemães e acaba em ruinas e abandonado. Em 1901 começa o seu restauro que provoca ainda hoje alguma controvérsia.

Na realidade tudo aquilo já esteve em ruinas e há ainda quem defenda que em ruinas deveria ter permanecido.

Efetivamente restaurar não é reconstruir e tudo aquilo foi, afinal, reconstruido!

A obra foi entregue a um arquiteto que também era historiador, e há quem defenda que os seus estudos foram razoáveis e próximos das possibilidades medievais.

Provavelmente há por ali pormenores um pouco “demais” para a época, mas a verdade é que resulta muito interessante!

As torrezinhas/escada são lindíssimas! Mas consideradas um excesso decorativo para épocas medievais!

Os interiores são espetaculares!

A fama que o castelo tem, de ser visitado para caramba, concretizava-se aquando da minha visita! Foi curioso encontrar por ali tanta gente, depois de tanta estrada pela Route du Vin D’Alsace sem transito quase nenhum nas estradas!

A dada altura eu queria era subir ao topo e ver tudo o que pudesse lá de cima!

E tudo era deslumbrante! O castelo é impressionante visto de qualquer ângulo!

A planície do Reno pode ser vista até se perder no horizonte. Tudo aquilo é vinhedo!

Não conseguia parar de tirar fotos!

Sentia-me no topo de um dragão e fotografando o seu pescoço escamoso lá de cima!

Numa exposição patente no castelo podem-se ver algumas fotos do “antes e do depois” do restauro e pode-se também constatar do quanto foi reconstruido e não apenas restaurado!

Gostei muito de ver de perto o resultado do trabalho que ali foi feito, mesmo sendo eu avessa a intervenções muito profundas em edifícios arruinados!

O povo estava sempre a chegar, vindo não sei de onde já que só ali os encontrei!

Um dos pomos de discórdia sobre o restauro reside na construção de um moinho no topo de uma torre de forja de artilharia! Cá para nós o resultado é surpreendente e inesperado! E parece que o homem tinha razão e os seus estudos, por bizarros que resultem, não andaram muito longe da realidade perdida!

Outro desacordo esteve na torre quadrada dado que numa gravura de época ela aparece redonda. Mas hoje sabe-se, pelos alicerces, que o arquiteto estava certo, ela era mesmo quadrada!

E pronto, catei tudo o que pude e segui o meu caminho, apreciando o castelo que continuou visivel durante boa parte do caminho !

(continua)

44 – Passeando até à Suiça 2012 – La Route des Vins D’Alsace

23 de Agosto de 2012

Havia tanta coisa que eu queria ver na Alsácia que deixara, na minha planificação da viagem, tempo suficiente para ver no dia seguinte o que não pudesse ver no dia anterior… e ainda bem que o fiz porque, assim naquele dia, tinha todo o tempo para cobrir os pouco mais de 100km de estrada de vinhas e aldeias e percursos lindíssimos, até Colmar!

Tudo é lindo na Route du Vin D’Alsace! Não é preciso procurar muito nem fazer grandes estudos prévios pois basta apenas seguir a Route, muito bem sinalizada, e deixar-nos deslumbrar com o que aparecer no nosso caminho!

No entanto eu tinha feito o trabalho de casa, o que me facilitou a vida, pois sabia desde o início que eram muitas as aldeias a ver e sabia também quais as que mereciam uma visita mais cuidada e quais as que bastava ver de passagem! Este trabalho de casa é que me garantiu a possibilidade de ver tudo o que faltava num dia apenas!

Segui de Estrasburgo direta até ao ponto onde fora obrigada a parar no dia anterior!

E ali recomecei o meu caminho e a filinha de terrinhas e aldeiinhas que visitei foi longa, ora vejamos:

B. Mittelbergheim
C. Andlau
D. Itterswiller
E. Dambach-la-Ville
F. Châtenois
G. Château du Haut-Koenigsbourg
H. Saint-Hippolyte
I. Bergheim
J. Ribeauvillé
K. Hunawihr
L. Zellenbreg
M. Riquewihr
N. Colmar
O. Eguisheim

São curiosos os nomes das terras por ali, percebe-se facilmente que não têm nada a ver com nomes franceses! Na realidade por ali fala-se uma língua entre o francês e o alemão: o alsaciano.

Os nomes pouco franceses devem-se ao facto de aquela região ter andado de mão em mão, entre a Alemanha e a França, durante diversos períodos, alguns bem longos!

Naturalmente não poderei publicar imagens de todas estas localidades, não porque não mereçam ou porque não sejam encantadoras, mas porque nunca mais acabaria! Depois há coisas tão parecidas em cada uma delas que pareceria sempre a mesma! Mas vou tentar registar os pormenores mais encantadores e as aldeias mais bonitas, porque são deslumbrantes!

Ora lá estou eu, de manhã, prontinha para catar tudo o que não pudera catar no dia anterior! 😀

A primeira terrinha a seguir a Barr (visitada no dia anterior) foi Mittelbergheim, com as suas quintinhas de produção de vinho encantadoras!

Acho sempre curioso o que é diferente do que é nosso e as quintas são deliciosas. Não é por acaso que Mittelbergheim foi classificada como uma das aldeias mais bonitas do país!

Aliás, quase todas as aldeias na Route estão catalogadas e premiadas como sendo das mais belas de França e, à medida que vamos passando por elas, vamos entendendo porquê!

A natureza também tem os seus elementos únicos por ali! Fui apanhada de surpresa pela grande dimensão deste chorão!

O Salgueiro-Chorão era tão espantoso que tive de tirar uma foto com a minha motita a servir de escala! Assim percebe-se melhor a sua dimensão!

A seguir foi Andlau, mais uma aldeia de origem que se perde no tempo e na história, cheia de elementos bem antigos!

Não parei em todo o lado mas fui registando as terrinhas paralelas à estrada, lindas lá no meio das vinhas!

Itterswiller, logo à frente e as suas caves encantadoras onde apetecia entrar.

Dambach-la-Ville, não estava nos meus planos visitar, mas atravessei-a porque fica no caminho da Route!

É histórica, é medieval, é florida e é linda!

Valeu a pena lá passar!

As casinhas são deliciosas e bem conservadas e a vila está situada por entre o maior vinhedo a Alsácia, de quase 500 hectares!

A caminho de Châtenois os castelinhos na encosta dos montes, aliás a Alsácia conta com uma série de castelinhos, grandes castelos e fortes!

Châtenois é uma cidadezinha pequenina e encantadora que eu queria absolutamente visitar!

Tem origens e vestígios desde os celtas que convivem com construções medievais e renascentistas num conjunto muito bonito!

Como em quase todas as cidadezinhas e vilas por ali, anda-se pelas ruas encantando-nos com os edifícios com que cruzamos!

Até chegarmos à Eglise St Georges, construída no séc. XVII no lugar de uma igreja românica que deixou de herança a belíssima torre sineira!

Foi aquela torre que chamou a minha atenção e me fez ir a Châtenois! É deslumbrante!

Pertinho fica um dos recantos mais pitorescos e belos da cidade, a Tour des Sorcières (torre das bruxas), do séc. XV. O nome ficou-lhe por ter servido de prisão para as pessoas acusadas de bruxaria.

Curioso o pormenor do ninho de cegonha lá no topo, que deixa uma mancha branca por baixo de si. Encontram-se frequentemente ninhos no topo de casas daquelas aldeias. As casas têm mesmo o suporte para facilitar a construção dos ninhos!

Logo ao lado ficam as casinhas mais fofinhas da cidade! Tão bonitas que nem pareciam casas de habitação!

A seguir fica Kintzheim, mais uma vila curiosa com um castelinho na encosta, mas apenas a atravessei, pois o castelo que eu queria ver era outro, era mais à frente e era muito mais bonito!

(continua)