34 – Passeando até à Suiça 2012 – Friburgo, Avenches, Basel

18 de Agosto de 2012

A história deste dia é curta e com alguma preocupação. Um dia de muito calor em que a moto começou a fazer um barulho que me intrigou! Não era um barulho constante nem previsível e dada a história recente da minha motita, não me deixava nada sossegada! Por isso o percurso acabou por não ser longo!

Passeei um pouco pela cidade, que visitara recentemente, mas deixara a catedral para ver com calma noutra altura. Era esta a altura!

A Catedral de St-Nicolas, construída entre os séculos XIII e XV, começou em estilo românico e acabou em gótico, como tantas catedrais da época, entre estilos. É um edifício lindíssimo com uma torre muito caraterística que, segundo a lenda, não foi concluída porque se acabou o dinheiro!

O portal é extraordinário com um baixo-relevo ilustrando o Juízo Final.

Lá dentro a atmosfera é serena e o espaço é lindo!

E o órgão, famoso e extraordinário ao fundo.

Na realidade ela conserva elementos de todas as épocas porque passou desde o início da sua construção, incluindo elementos barrocos!

A catedral fica situada num ponto elevado, bem no centro da cidade medieval e é facilmente visível a partir das margens do rio Saarne, em enquadramentos muito bonitos!

É sempre emocionante percorrer com as nossas próprias rodas caminhos medievais tão bem conservados!

E lá está a catedral e o rio que também é chamado de Sarine!

E a zona histórica, uma das mais bem conservadas da Europa!

Um dia tenho de lá voltar para subir a torre da catedral, pois a paisagem lá de cima é deslumbrante, e eu não a tenho encontrado aberta!

O meu destino naquele dia seria Basel, sem nada de especial para fazer pelo caminho para além de cismar no barulho da minha moto! Voltei a passar no Lac Morat, por caminhos estreitinhos e isolados!

Com pormenores retirados de contos infantis!

Parei em Avenches, uma cidadezinha muito interessante que já foi um importante posto avançado romano: Aventicum

Há vestígios da cidade romana um pouco por todo o lado e os estudos e escavações continuam.

A importância da cidade pode-se ver pelo anfiteatro, que é ainda hoje usado para espetáculos, (naqueles dias decorria o Rock Oz’Arènes), com as suas bancadas mistas, entre cadeiras de plástico e degraus de pedra. Imponente!

Pensa-se que um anfiteatro tão grande só se justificava para uma cidade com 200.000 habitantes! Muito maior população do que a que a cidade tem hoje, menos de 3.000!

Mesmo à beirinha fica o castelo do séc. XIII, onde funcionam serviços da comunidade.

Muito bonito, pena ter carros estacionados por todo o lado!

Ali mesmo junto ao anfiteatro!

Acabei por me sentar numa sombra, junto à ruinas romanas, a comer maçãs de uma enorme macieira que ali havia! Eram boas!

Depois foi a sequencia de casinhas medievais deliciosas, tão características naquele país, lindas!

De repente avistei uma oficina Honda! Era a boa oportunidade de ver como estava a minha velhinha e de descobrir que barulho era aquele que ela andava a fazer!

Descobri que tudo estava bem na minha motita, ninguém diria que já levava tanto quilómetro em cima dos tantos que já trazia! E o que eu não queria acreditar que fosse, era mesmo o que ela tinha… tinha as pastilhas de travão completamente gastas!

Só então me lembrei que ela não fizera a revisão no sítio do costume e, para quem não sabia o quanto eu iria andar, ter as pastilhas a meio daria para muitos quilómetros… e deram, mas não para toda a viagem!

Era sábado, a oficina estava mesmo a fechar, eu teria de continuar viagem não iria ficar ali à espera que fosse segunda-feira! Teria de evitar travar com o travão de trás, que não tinha pastilha de todo e usar o da frente pouco, pois tinha apenas um milímetro de pastilha, e o melhor seria ir pôr as pastilhas na Alemanha pois na Suíça eram muito caras, disse-me o mecânico.

Estava muito calor, eu estava muito preocupada, nem pensar em ficar sem travões, já experimentara uma manete de travão que encravou e não queria voltar a passar pela sensação de travar e não parar! Por isso fui muito direitinha para Basel para o Hostel simpático e fresco, que contrastava profundamente com o 39 graus cá fora!

A minha Magnífica fez sensação, “discretamente” estacionada entre as bicicletas.

Fiz amizade com uma série de pessoas que foram metendo conversa comigo por causa de eu andar a viajar sozinha de moto e aprendi algumas coisas sobre países onde quero passar um dia destes. E não voltei a sair, porque em viagem não me obrigo a nada!

Fim do vigésimo dia de viagem…

33 – Passeando até à Suiça 2012 – Le mont Moléson, Freddie Mercury e Lausanne

17 de Agosto de 2012 – continuação da continuação

O Moléson é um monte escarpado que atinge os 2002 metros de altitude e que pertence aos Rochers de Naye que eu visitei quando subi pela encosta em Montreux!

Existe um funicular que faz a primeira parte da subida e um teleférico que faz o topo.

Aquelas encostas, como muitas outras pelo país, são exploradas pelo turismo de inverno com ski alpino, ski de fond e caminhada com raquetes; e pelo turismo de verão com caminhadas, alpinismo e parapente.

Subir no funicular é uma experiência muito bonita, como em muitos outros nos Alpes, porque percorre a montanha serpenteando e revelando pouco a pouco diversas perspetivas da paisagem.

O vale de Gruyères vai ficando para baixo, permitindo ver-se ao longe o lago com o mesmo nome. Um lindo lago artificial provocado por uma barragem.

Ao chegarmos ao fim do funicular, subimos 1.109 metros, depois temos de apanhar o teleférico para subir aos 1.520 metros! E aí já vemos o Moléson, um enorme rochedo proeminente e impressionante!

Ali de cima o vale já é bem distante e pequeno!

Sentimo-nos no topo do mundo e a colina do castelo, lá em baixo, é quase imperceptível!

Lá está o lago ao longe.

Ali de cima, até o que está em cima parece baixo!

E os Alpes estão por todo o lado!

Olhando para sul, por cima dos montes onde alguns parapentes animam a paisagem, a longa mancha branca provocada pelo Lac Leman!

Afinal estamos num ponto alto a poucos quilómetros, a direito, de Lausanne e Montreux!

A sensação de estar-se ali, com uma cerveja fresca na mão e uma paisagem de cortar a respiração… é inesquecível!

Lá tive de me forçar a descer dali, horas depois, depois de muito paleio com alguns caminhantes que se foram sentando perto de mim!

É curioso ver o trilho do funicular pela encosta abaixo, numa paisagem perfeita!

Voltei a passar perto da colina do castelo, para me dirigir para o Lac Leman mais uma vez nesta viagem.

É sempre tão reconfortante passear pelas margens daquele lago!

E fui até Montreux!

Porque estava perto e porque tinha prometido ao meu amigo Rui Vieira tirar uma foto com a minha Magnífica junto da estátua de Freddie Mercury.

Quando lá cheguei havia feira no local! Feira de venda de coisas e feira de gente em volta da estátua do homem!

Bolas, como iria eu fazer para levar a moto até ali com todo aquele povo?

Muito simples! Há um fator que nos permite fazer qualquer coisa sem que ninguém reaja: o fator surpresa!

Por isso fui buscar a moto, subi o passeio, atravessei toda a zona pedonal por entre tendas e povo que me olhava espantado e levei a Magnífica até onde quis!

Freddie Mercury passou em Montreux os seus últimos tempos de vida, onde gravou até morrer…

Diz a placa por baixo da escultura, (numa tradução direta e básica, sem floreios):

“Freddie Mercury, nasceu com o nome de Farrokh Bulsara na ilha africada de Zanzibar, tornou-se um dos maiores artistas de rock da nossa época. A sua carreira de cantor, durante vinte anos, no seio do grupo Queen permitiu-lhe vender mais de 150 milhões de álbuns no mundo inteiro. Visionário, musico fora do comum, ele deixa para trás de si uma herança inestimável assim como uma enorme influencia para as gerações de artistas rock posteriores.

Graças aos Mountein Recordin Studios, adquiridos pelo grupo Queen em 1978, Freddie soube criar até à sua morta, laços muito fortes com a cidade de Montreux.

Apreciador da simpatia e da discrição dos seus habitantes, Freddie considerava Montreux como o seu lar adotivo e um refúgio de paz propício à elaboração das suas últimas obras.”

E ainda aproveitando o tal fator surpresa, tirei as fotos que quis, dando-me até ao cuidado de mudar a motita de posição! Só não a pus em frente à estátua porque aí existe um passadiço de madeira desnivelado e não era mesmo nada aconselhável arriscar a desce-lo com a moto, senão…

Quase em frente da estátua fica uma plataforma circular onde as pessoas aproveitavam para fazer praia e banhar-se no lago a partir dali. Muito interessante!

E pronto, estava cumprida a promessa da foto por isso pus-me a passear por ali. Não me apetecia visitar a cidade, apenas curtir o lago, que o calor era demasiado!

E tratei de seguir caminho, pois com muito calor prefiro andar de moto que a pé! Segui pela margem do lago até Lausanne, logo ali a menos de 30 km.

A cidade estava cheia de gente e de movimento e de calor! Também não me apetecia visita-la de novo já que a tenho visitado em viagens recentes! Mas havia ali algo que eu queria ver: a catedral!

A Cathédrale protestante Notre-Dame de Lausanne é uma construção espantosa do séc. XIII que esteve recentemente em obras de restauro durante muito tempo!

A última vez que a visitei ela estava em obras de recuperação. É um exemplar lindíssimo de arquitetura românica já com elementos góticos, pois foi construída em várias fases! No séc. XVI foi dedicada ao Calvinismo aquando da Reforma Protestante!

Quando fui visita-la, era tarde, deveria estar fechada… mas fui na mesma! Havia uma porta lateral aberta, espreitei, estavam dois homens lá dentro. Perguntei se podia visitar a catedral. “Está fechada menina, só está aberta para quem vem assistir ao concerto! Terá de vir ver o concerto para ver a catedral!” disse um deles “Mas eu não posso, tenho de ir embora!” disse eu. Então um dos senhores disse-me que me deixava ir até ao centro da igreja e voltar. Estávamos exatamente ao nível do início do altar. Fui e tirei 3 ou 4 fotos! Todas as cadeiras estavam voltadas para o novo órgão, (que é uma aquisição relativamente recente e de grande qualidade), no fundo da catedral. A catedral estava linda, mesmo voltada assim “ao contrario”! Tive uma imensa vontade de ficar para assistir ao concerto…

Não podendo ficar, tirei varias fotos a partir do mesmo sitio que o senhor me permitira alcançar!

Aquele teto é mesmo diferente e lindo!

E fui para casa que naquele dia era em Friburgo!

Fim do décimo nono dia de viagem!

32 – Passeando até à Suiça 2012 – O Château de Gruyères

17 de Agosto de 2012 – continuação

Depois do museu Giger continua-se o caminho até à entrada do castelo propriamente dito, um edifício do séc. XIII cheio de encanto que o torna um dos mais importantes do país!

O castelo funciona desde há muito tempo como museu, desde os anos trinta do seculo passado.

Ali existem diversas obras de arte curiosas e exposições permanentes e temporárias, sendo comum encontrar esculturas no percurso que vamos fazendo.

Os 2 escudos na entrada do castelo são deslumbrantes, um representa Marte e a guerra, outro representa Vénus e o amor (o da foto).

O castelo é uma delícia de viagem por 8 seculos de história e estilos que se sucedem de canto em canto e de sala em sala!

Os interiores são uma delícia de decoração que vai desde a época da construção…

até diversos estilos decorativos que documentam momentos da história do castelo e dos seus donos, como a Sala dos Cavaleiros que documenta os feitos dos condes de Gruyères!

Lá em cima, a caminho da varanda florida que dá para o jardim francês, há uma exposição de pintura permanente, pelo menos está lá desde a minha visita há 8 anos!

Com pinturas surrealistas muito interessantes!

Gostei sempre particularmente desta pintura com o castelo de Gruyères lá em cima do monstro verde!

E da bonita varanda florida pode-se ver a bela paisagem sobre o jardim e os montes fora das muralhas!

La Dent de Broc logo ali, qual dente gigante saído da terra!

É giríssimo percorrer os recantos do castelo, por corredores e muralhas, passadiços de madeira inspiradores cheios de flores!

Dá-se a volta e cada recanto é cheio de encanto!

E de repente, na muralha, encontramos La Tour du Prisionnier, com a obra de Patrick James Woodroffe, composta de imagens que parecem saídas dos contos infantis!

O castelo é muito bonito e muito bem enquadrado!

Pormenores de um castelo que vale a pena visitar!

Da muralha vê-se a envolvência, a igreja de St.-Théodule lá em baixo com o cemitério pequenino! Mais uma terra onde morre pouca gente?!

Lá em baixo a vila de Gruyères, pequena como todas as vilas suíças!

Voltei a passar pelo museu e bar Giger, pois Le Chalet é mesmo ali à beirinha e eu iria lá almoçar!

Le Chalet é um restaurante típico que eu adoro e onde vou almoçar ou jantar sempre que passo perto.

Ali se comem a Raclete e o Fondue mais deliciosos, afinal estamos na terra do grande queijo suíço.

A senhora que serve o fondue já faz parte da imagem do restaurante, trata-nos como se fosse nossa mãe e vem oferecer mais comida quando a gente acaba!

Como eu queria vinho, mas não muito, trouxe-me a canequinha mais gira de um bom e fresco vinho branco. A canequita era pouco maior que o copo e o vinho era delicioso!

A raclete é composta por queijo, batatas cozidas e carne fumada. O queijo é derretido ao calor e espalho depois de fundido sobre as batatas e carne e é um conjunto delicioso!

Saí dali de barriga cheia preparada para continuar as minhas explorações, que eu funciono muito melhor depois de comer!

Ao fundo da rua via-se o Mont Moléson e eu iria visita-lo logo a seguir!

Deixei o castelo para trás, em cima da sua colina e iria vê-lo de longe, a cada momento da subida.

O teleférico fica perto da vila e é fácil de encontrar pois o monte espreita todo o tempo por cima de tudo!

(continua)

31 – Passeando até à Suiça 2012 – Romont, Moudon e Gruyères – Museu Giguer!

17 de Agosto de 2012

Friburgo é uma cidade que conheço bem e que visitei recentemente por isso serviria mais para “pouso” para dar a volta e ir a uma das regiões do meu coração: La Gruyère!

Claro que o caminho faz-se caminhando, no meu caso rolando, e até, lá fui vendo o que me aparecia na berma da estrada!

Parei logo em Romont para ver a sua Colegiada de Notre-Dame de l’Assomption.

Linda por dentro, muito mais do que prometia por fora!

A cidade é medieval (com origem no séc. X) e a sua Colegiada também, linda e cheia de cor e encanto, gótica do séc. XIII!

Quase em frente fica o castelo chamado de Grand Donjon, pois mais à frente há uma outra torre do Donjon Petit.

Neste Grand Donjon funciona o museu do vitral

Da muralha vê-se ao longe a torre cilíndrica do Donjon Petit.

Em frente fica o parque de estacionamento da cidade, onde eu estacionei e me pus a apanhar sol, que isto de andar sempre de capacete ou chapéu estava a pôr-me a cara de 2 cores: clara de meio para cima e escura de meio para baixo!

Continuei o meu caminho apreciando as paisagens que me apareciam a cada curva do caminho.

Caminhos daqueles que eu gosto, por entre campos alcatifados de verde e quintinhas de contos de fadas!

Ao longe Lucens e o seu Castelo do séc. XIII, faziam da paisagem um cartão postal!

E cheguei a Moudon, mais uma cidade de origem medieval e com os seus encantos e o rio Broye a atravessa-la!

Ruínhas antigas que gosto de percorrer!

Com escolas a funcionar há séculos em edifícios históricos!

E o meu destino estava já ali à frente! O Pays de la Gruyère é uma zona rural de médias montanhas, pois fica nos pré-Alpes, cheia de encanto pelas suas paisagens ondulantes e verdes!

É muito fácil alguém se apaixonar por aquela paisagem encantada e encantadora!

E cheguei à cidade medieval de Gruyères! A cidadezinha visita-se a pé, mas tem parque pertinho, sem que sejamos obrigados a fazer uma longa caminhada até ela!

Deixei a minha motita na conversa com uma série de outras motitas e lá fui, 8 anos depois da minha ultima visita, passear por aquele mundo medieval …

A cidade deu o seu nome à região e ao queijo, um dos queijos suíços mais famosos no mundo!

Ao fundo La Dent de Broc, os montes a lembrar dentes.

A capela Le Calvaire, ao centro da cidade!

Olhando para trás, um outra perspetiva da rua larga, (quase praça) central da cidade, com o Moléson a espreitar ao fundo. Eu tinha de subir àquele monte mais uma vez e seria naquele dia, pois o céu estava limpo e com grande visibilidade.

Mas eu tinha muito tempo por isso havia uma série de coisas a visitar antes de pensar em subir montes! Como o castelo, um dos castelos mais famosos da Suíça!

A sua entrada fica mesmo ao lado do chalé que se chama Chalet, onde se come uma deliciosa raclete e um não menos delicioso fondue de queijo… ui as duvidas que eu iria ter ao escolher o meu almoço ali, umas horas mais tarde!

As casinhas medievais em torno da praça são espantosas e bem conservadas. Parece que recuamos diversos séculos e só falta olhar por mim abaixo e envergar longas saias até aos pés, a condizer com a envolvência!

A cidade foi sendo restaurada e mantida em toda a sua beleza até aos dias de hoje e a verdade é que um bom trabalho foi ali feito!

E lá estava o chalé chamado Chalet! Às vezes que eu já la fui, posso ser considerada uma cliente da casa!

Logo a seguir à porta das muralhas do Castelo de Gruyeres, fica o edifício chamado de castelo de Sainte-Germain, onde fica o museu Giger!

E era ali que eu queria ir! Já há muito tempo que eu o visitara e apetecia-me voltar a ver a obra do grande criador de monstros!

Hans Ruedi Giger, ou H.R.Giger, como aparece referenciado, é um artista suíço surrealista que cria os mundos e personagens mais estranhos e inquietantes que se possa imaginar! Não é por acaso que é tão plagiado!

Foi ele quem criou o monstro e os decors do filme “Alian, o 8º passageiro” de 1972, que lhe valeram um Oscar!

Aquele museu sempre me impressionou pelo pormenor e riqueza coerente decorativa que contem! Aquele chão é espantoso!

Cá fora duas esculturas sugestivas

É proibido fotografar lá dentro, por isso todas as fotos que aqui aparecem… foram distrações da minha parte e das câmaras de segurança, por isso podem não ter a melhor qualidade de focagem! 😮

Não consigo deixar de me deslumbrar com as suas criações!

Parece que tudo deriva de interiores orgânicos, de ossos, ou vísceras! Olhando pela janela até a decoração do jardim faz parte do mundo Giger!

A sua obra é composta por pintura, escultura, design de comunicação e de interiores e cenários cinematográficos!

A receção é sugestiva, num ambiente negro e cheio de personagens alienígenas. Infelizmente não poderia fotografar de outro ângulo, pois as personagens são muito bonitas.

Encontrámos várias esculturas pelo museu, construídas em materiais que as fazem parecer corpos petrificados!

Aquela decoração de sala de jantar sempre me fascinou! Apetece mesmo sentar ali. Se bem que o espaldar das cadeiras é rugoso e com textura óssea!

Lá em baixo, em frente ao museu, do outro lado do caminho, fica o bar Giguer, deslumbrante também!

Também ali não gostam que se fotografe, aquilo é um bar não é um cenário para fotos! Mas venha lá alguém impedir-me de fazer meia dúzia de fotos!

Porque aquilo é lindo! Parece que estamos dentro da barriga da Moby Dick!

E são confortáveis aquelas cadeiras!

Tive de me forçar a sair dali, ou ainda por lá estaria hoje a tirar fotos aos molhos, como os chineses!

(continua)

30 – Passeando até à Suiça 2012 – Yverdon-les-Bains, Estavayer-le-Lac e Murten.

16 de Agosto de 2012 – continuação da continuação

Ali mesmo à beirinha fica a catedral embrulhada, numa zona nobre da cidade no topo da colina que domina toda a redondeza.

A catedral espera pelo dia certo para mostrar toda a beleza da sua fachada renovada, por enquanto mantem a sua mascara de beleza!

Em frente fica a estátua de Guillaume Farel, segundo as inscrições no pedestal morreu com 76 anos, em 1565, e foi o grande reformador, pastor da igreja de Neuchatel.

Na realidade ele foi um dos grandes fundadores da igreja reformada, uma variante da igreja protestante, que surge na sequência da excomunhão de Martinho Lutero da Igreja Católica, e se mantem até hoje como grande doutrina em países como Suíça (país de origem), Holanda, África do Sul, Inglaterra, Escócia e Estados Unidos.

Era de origem francesa e amigo de Calvino, a quem aparece associado, e juntos tornaram Genève a “Roma Protestante”, para onde fugiram todos os protestantes perseguidos na França.

Desci calmamente pela cidade e segui pela beira do lago.

Por muitos lagos que haja naquele país (dizem que são perto de 7.000 lagos, rios, nascentes e cataratas) a gente nunca se cansa de passear pela borda de mais um!

Mais à frente ficam as Gorges de l’Areuse. É curioso pensar em gargantas quando não há montanhas à vista, mas a verdade é que elas aparecem e parte das correntes de água e das escarpas são mais escavadas do que entre montes.

Um percurso feito de paz e frescura num ambiente bonito e com o som da agua como musica de fundo. Relaxante!

Fiz apenas um pouco do percurso e pus-me a apreciar os jovens animados na brincadeira no rio. Não me apetecia andar muito, por isso não fui até às gargantas, apenas sentei, lanchei e apreciei a animação e beleza do local.

A rapaziada era simpática e ainda me ri um bocado com eles!

Depois voltei para trás, de barriga cheia e com vontade de dar mais uma volta, pois naquele momento Friburgo estava do outro lado do lago e eu queria ver umas coisas até chegar lá!

Passei numa escola lindíssima que não resisti a fotografar!

Cá pintam-se, e muito bem, as paredes das escolas, os miúdos gostam, fazem uma festa e fica giro. Mas lá pintam-se as venezianas! E fica deslumbrante! Adorei!

Que pena que eu tive que a minha escola não tivesse venezianas que iria divertir-me à grande a pinta-las com os meus alunos! 😀

Depois não é preciso ir particularmente atento à paisagem para descobrir pormenores encantadores pelos caminhos que se fazem! Como o castelo de Vaumarcus do séc. XIII que está a funcionar como restaurante. E o que me apeteceu parar e ir la dentro catar!!

E depois veio Yverdon, ou Yverdon-les-Bains, que os suíços e os franceses chamam “les-Bains” às terras que têm termas e, neste caso, trata-se de uma cidade conhecida pelas suas ótimas águas termais, desde antes dos tempos romanos!

Estava no Cantão de Vaud, a que pertence também Lausanne.

Havia festa por lá naqueles dias, mas estava em pausa! Iria voltar à vida ao anoitecer!

La place de la tannerie estava toda preparada para quem viesse!

As ruas estavam alegremente calmas e a festa pairava no ar.

O castelo do séc. XIII fica ali no meio, imponente, num ambiente arquitecturalmente eclético, com construções de épocas diversas, em harmonia!

Segui passeando pela margem do lago e encontrei Estavayer-le-Lac, onde fui recebida com sapinhos giríssimos, pendurados no meio das ruas!

Adorei! Havia-os de muitas cores e decorações diferentes e eu ia conduzindo e fotografando! Não é fácil conduzir por ruelas estreitas a olhar para o céu e a tirar fotos ao mesmo tempo!

Estavayer, embora fique na margem sul do lago de Neuchatel, pertence já ao Cantão de Friburgo.

Uma cidade com uma longa história e preservada em toda a sua beleza antiga!

La Collegiale de Saint-Laurent, gótica!

E o castelo lindo, na margem do lago!

O Castelo de Chenaux do séc. XIV é delicioso, e estava ali para ser visitado, podemos andar por todos os recantos exteriores sem que ninguém nos peça nada ou tome conta daquilo, como se tivessem a certeza de que quem vem, vem por bem!

Bonito e relaxante passear por ali ao entardecer!

Ali funciona La Prefecture et Service Financiere, segundo indicações no local! Que sorte trabalhar-se num local assim!

E as portas medievais da cidade, como seria de esperar em ambiente tão bem conservado!

Então segui para Murten, acompanhada por um grupo de motards que iam para Berna, gente simpática!

Murten fica noutro lago, um dos 3 que se ligam naquela zona: O lago de Biel, o lago de Neuchatel e o lago de Murten!

É mais uma cidade medieval que preservou o seu aspeto original de forma muito agradável e harmoniosa!

Uma cidade de 800 anos, com arcadas em habitações antigas e encantadoras, onde apetece morar!

As casas cheias de flores e recantos com cadeirões e almofadas, do lado de fora das portas, onde nada é roubado e onde se passam calmos fins de tarde, antes que o frio venha e tome conta de tudo!

E o tempo parece que não passou por ali!

As casas medievais com as suas arcadas tradicionais, cheias de esplanadas e flores e proteção quando chove ou neva. Fazem lembrar as ruas de Bern…

E finalmente estava na hora de pegar na minha motita e ir para casa, que naquele dia era em Friburgo!

Fim do décimo oitavo dia de viagem!