18 – Passeando até à Suiça 2012 – Alpes, Davos e Monstein…

10 de Agosto de 2012 – continuação

No meu caminho ficava Viamala-Schlucht! Ok, ficava porque eu quis que ficasse!

Viamala é uma garganta monumental pela sua espetacularidade! As paredes estreitas chegam a proporcionar autenticas nesgas de 300 metros de profundidade!

Aquilo fica perto de Thusis, no percurso do Reno na zona, e é digno de uma visita!

Aquelas coisinhas azuis à direita da foto, são carros! A minha motita estava lá também. Por ali se vê a dimensão do abismo!

A tradução para o nome é de “mau caminho” e, se olharmos bem para o desfiladeiro, entendemos bem porque lhe chamaram assim!

O caminho é conhecido desde a época dos romanos e já presenciou e participou em momentos altos na história da zona!

Eu pus-me a olhar para a profundeza daquilo e para a pequena multidão que se aglomerava para fazer o percurso e decidi ver “por fora” e um dia faze-lo na totalidade!

Uma daquelas promessas que faço a mim mesma, durante uma viagem, e que tempos depois me fazem sair de casa para as cumprir! 😀

E segui para Monstein passando por Tiefencastel, uma terrinha deliciosa que fica tão bem nas fotografias com o vale verde e os montes ao fundo! Postal ilustrado!

Os castelinhos nos montes dão um ar tão romântico quanto misterioso à paisagem! Mais tarde eu iria aproximar-me para ver alguns de perto e tirar fotos tipo agencia de viagens! 😉

Entretanto alcancei um grupo de motociclistas italianos muito bem ordenado e simpático, no meu caminho, que andava a apreciar as belezas do país vizinho!

A verdade é que aquela zona é digna de visita por toda a beleza que proporciona ao nosso olhar!

Com a Ruine Belford, um castelo medieval do séc. XII a despertar o imaginário!

E os montes a imitar tão bem um cenário pintado!

Cheguei a Monstein, a aldeia onde se produz uma deliciosa cerveja, com o seu nome, na fábrica de cerveja a maior altitude da Europa!!

A minha escolha de Monstein para passar 3 noites não foi casual! Na realidade, não achando eu Davos uma cidade bonita, procurei uma localidade tipicamente alpina para pernoitar e viver o espirito da zona!

Encontrei Monstein, localizada a 1620 m de altitude numa vertente do monte voltada ao sol, no vale de Landwassertal, rodeado de picos impressionantes, lindas pastagens alpinas e extensa floresta por todos os lados!

O hotel Ducan apresentava-se nas fotos como um postal habitável! Um chalé em madeira, cheio de flores nas janelas, com esplanada e terraço pitorescos e barato! E era mesmo tudo isso, para além da grande simpatia dos funcionários e de, na realidade, ainda ser mais “mimi” do que nas fotos!

Pousei as tralhas e fui dar uma volta à aldeia, que é pequenina mas cheia de vida!

Na realidade ainda apresenta as características inconfundíveis de uma aldeia típica dos Alpes. Casinhas, espigueiros, celeiros e cabanas são construídas em madeira, alguns têm mesmo o teto em telhas de madeira tradicionais e são forradas com pequenas escamas também em madeira.

Ali começam trilhos de percursos e caminhada que, no inverno serão caminhos para esquiadores!

Ainda me aventurei por alguns caminhos onde apenas caberia eu e a minha motita!

Era cedo para jantar, por isso ainda fui dar uma vista de olhos a ver se Davos continuava na mesma ou se tinha mudado muito! Não mudou o suficiente para eu gostar mais dela do que de costume! O mais bonito que tem é o lago, do outro lado da cidade!

Aqueles caminhos são sempre interessantes de fazer, com Schmitten a embelezar o regresso a Monstein!

Iria passar ali varias vezes ao dia, nos dias seguintes, sem perder nunca a vontade de fotografar a aldeia!

Decidi voltar para o hotel e jantar lá! Não me apetecia de todo andar de lado para lado à procura de um sítio para comer!

E o jantar foi uma agradável surpresa! A sala do restaurante era linda, os empregados simpáticos e a comida deliciosa!

Pedi um prato vegetariano, pois não me apetecia nem carne nem peixe e serviram-me um prato lindo e aromático. A princípio pensei que se tinham enganado, pois o prato que eu pedira era composto por queijo, lá da terra, com batatas e legumes, mas o que veio parecia-me peixe!
Embora ao comer o sabor fosse agradável mas indeterminado!

Só à 3ª ou 4ª garfada é que percebi que aquilo não era peixe e sim queijo! Uma delícia, porque o queijo embora panado, não derretera nem ficara enjoativo, pelo contrário, era fofo e… espantoso!

Adorei!

Fim do décimo segundo dia de viagem

17 – Passeando até à Suiça 2012 – de Lugano a Davos passando pelo Sant Bernardino Pass

10 de Agosto de 2012

Estava na hora de sair do Tecino e seguir para Davos, mais propriamente para Monstein, onde passaria 3 dias. Davos está longe de ser uma cidade bonita, embora também não seja feia de todo! O seu encanto reside, não da sua beleza como cidade, mas sim na sua envolvência! Por ser a cidade mais alta da Europa é rodeada por montes e estradas serpenteantes e Cols e Pass de fazer perder a cabeça! E os que não ficam perto de si, também não ficam longe, porque naquele país parece que tudo é perto de tudo!
Segui então alegremente para uma das minhas zonas preferidas na Suíça!

Claro que pelo caminho havia muita coisa que eu queria ver! Bellinzona, por exemplo! Afinal eu andara ali pela redondeza e deixara a capital do Ticino para visitar à partida para Davos!

Uma cidade com 3 castelos, o que a torna única e o seu conjunto o mais espantoso dos Alpes! O que fica mesmo no centro da cidade, o Castelgrande é o mais antigo dos 3, estava fechado aquela hora da manhã, mas podia-se ver a cidade a partir da sua muralha!

Andei por ali a cuscar um pouco… O castelo é do séc. X e XI e é mesmo grande, mas eu só o veria da encosta do outro monte.

A cidade cá em baixo é cheia de encantos e recantos!

O Palazzo Cívico, a câmara local, um edifício do início do séc. XX

Muito bonito por fora, com a sua torre

mas ainda mais bonito por dentro, com um pátio interior a lembrar um claustro!

A Igreja de Collegiata dei Ss Pietro e Stefano, que não me apeteceu visitar! (às vezes acontece-me sobretudo quando se trata de igrejas posteriores ao séc. XV… e está é do séc. XVI!)

Ao lado da Collegiata existe uma ruinha que sobe, sobe até ao castelo Montebello, mas a coisa seria muito mais interessante indo pela estrada aos SS de moto! 😀

e lá estava o segundo dos 3 castelos!

Não se paga para visitar este castelo, apenas se entra e anda-se por onde se quiser!

A paisagem a partir das ameias é muito bonita e permite ter uma ideia mais geral do “Castelgrande”, lá em baixo!

Duas torres são bem visíveis, a Torre Nera de 28m e a Torre Bianca de 27m, sobressaindo no meio do recinto muralhado!

Em ambos os castelos funcionam hoje museus! Deixei o castelo de Montebello

E segui para cima, para o castelo Sasso Corbaro e de lá pude ver o castelo de Montebello na sua totalidade! É sempre de uns que se vêm melhor os outros!

E como o Sasso Corbaro é o ultimo não havia mais nível superior para o ver!

Mas de lá podia ver toda a cidade de Bellinzona!

E pronto, estava na hora de continuar. Embora Bellinzona fique junto ao maciço de St Gottard eu não iria fazer o Pass, não me apetecia desviar do meu caminho para fazer a estrada, embora por momentos me tenha passado pela cabeça faze-lo…

Por aqueles dias andavam muitos militares nas ruas de moto, 2 a 2, de colete laranja!

E foi nessa sequência que apanhei a minha Magnífica na Cama!

E logo à frente encontrei a Sorte, o que foi uma alegria para mim, depois dos dias de azar que vivera antes da partida! 😀

As paisagens rurais por ali são simplesmente deliciosas e apetece parar a cada quilómetro para tirar mais uma foto!

E vai-se subindo e os montes vão espreitando!

E não há o que lamentar por não se ter feito um Pass, pois haverá logo outro mais à frente à nossa espera!

Com direito a lago e tudo! O Lago Dosso em Sant Bernardino Pass!

E o Pass continua cheio de beleza!

Todo enrodilhado pelo monte acima!

Lindo e delicioso de fazer, de curva em curva!

E no topo do Pass um outro lago nos espera, lindo e a grande altitude: O Laghetto Moesola!

E estava no cantão de Grisões, o cantão maior do país e o único onde se falam 3 línguas, para além de ser um dos mais bonitos da Suiça! As línguas que ali se falam são, o alemão, o italiano e o romanche (uma língua muito antiga que deriva do latim).

Já gora os cantões que compõem a confederação Suíça são 26, já que há quem pense que são 3 ou 4 de acordo com o numero de línguas que se fala no país! A prova é que num cantão apenas como os Grisões se falam 3 línguas!

E toca a descer do outro lado, pois o Pass continua por ali abaixo, delicioso!

O aspeto dele na imagem do GPS era lindo!

Mais à frente o lago de Sufnersee espera-nos, mais uma barragem lindíssima!

(continua)

16 – Passeando até à Suiça 2012 – Ponte dei Salti, Lago de Lugano, Lago Maggiore

9 de Agosto de 2012

Antes que o dia aquecesse estupidamente, teria de tratar de ver o que mais queria naquelas paragens, pois mal o tempo começasse a ficar demasiado quente, a vontade de parar desapareceria e não haveria mais paciência para catar pormenores!

E foi o que aconteceu, acabei por dar uma bela volta de moto, mas parando pouco e apreciando mais as panorâmicas gerais que os recantos da paisagem

Existem diversos lagos ali pela zona, mas nem eles são suficientes para refrescar o ambiente! O lago de Lugano (o Ceresio) é bonito e proporciona enquadramentos muito bonitos, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer!

As localidades nas suas margens são interessantes e parecidas, arquitetonicamente, mais com as italianas do que com as suíças!

Fui andando na direção de Locarno, subindo o rio até ao lago de Vogorno, com as aldeiazinhas nas encostas a lembrar Piódão!

O que eu queria visitar por ali era a Ponte dei Salti, uma ponte de origem medieval, com duas arcadas e que faz um efeito extraordinário sobre as pedras esculpidas e as águas verdes do rio Verzasca!

O conjunto forma um cenário de rara beleza e algo irreal!

Chamam-lhe frequentemente ponte romana, mas não é verdade, é muito posterior à presença romana na Suíça!

As águas do rio parecem falsas!

Toda a envolvência é deslumbrante, como dizem por lá “O charme de Verzasca está no coração do rio”

A ponte liga Lavertezzo a Verzasca e conduz a diversos percursos pedestres de grande beleza!

O rio talhou a pedra de formas belas e inesperadas!

A praia “dura” de miúdos e graúdos!

Tirei as botas e também fui chapinar!

Mais à frente, casas isoladas do outro lado do rio têm as suas próprias pontes privadas, que fazem a ligação ao lado de cá!

Lavertezzo é logo ali e tem o seu encanto, com o rio a passar-lhe aos pés, num ponto onde se lhe juntam outras aguas e outros riachos.

Dois casais de motociclistas preparavam-se para partir, tinham passado ali a noite. Cada um tinha a sua moto e meteram conversa comigo. Ficaram muito espantados por eu andar em viagem sozinha, nenhum deles o tinha feito nunca, pois viajavam sempre em grupo. Achei muito giro cada um conduzir a sua moto, eles e elas!

Eu fui mais rápida a parar, dar uma volta e fotografar do que eles a prepararem-se para partir!

Quando cheguei ao lago de Locarno ou Lago Maggiore o calor já era meio sufocante, lá se foi a vontade de parar e caminhar!

Fui contornando a sua margem lá por cima, por entre montes e arvores. Eu não aguentaria o aperto do trânsito com aquele calor!

E como em viagem eu faço só o que me apetece, fartei-me de fazer quilómetros lá por cima e fazer enquadramentos quase aéreos da paisagem citadina cá em baixo!

Subi pelo caminho do monte Bré, mas nem pensar em subir lá acima a pé! Aquela é considerada uma das zonas mais solarengas da Suíça!

E que bem que me soube!

Na descida encontrei o santuário da Madonna del Sasso, que nem pensei em visitar dado que teria de caminhar até ele por uma ruinha “sobe-e-desce”!

Uma construção do séc. XV, destino de grandes peregrinações, edificada em cima de um penhasco.

Tive de voltar à cidade para continuar o meu caminho, circulando junto de carrinhos de brincar muito bonitos!

Era cedo para voltar para “casa” era demasiado calor para andar na rua mas, mesmo assim, continuei a passear pelos lagos em redor. Então lembrei-me da promessa que fizera ao meu moçoilo, de ir visitar o museu Guzzi e tirar muitas fotos lá dentro!

Azar o meu! Alem de haver obras pelo caminho com filas infinitas de trânsito ao calor, que eu tive de furar “que se lixe, afinal os suíços daqui não são parecidos com os italianos? Então não deverão estranhar que eu fure pelo meio dos carros!” o museu fecha a partir dos primeiros dias de Agosto até final do mês… Bolas!

Agarrei na moto e fui-me embora pelo caminho mais longo, mas sem carros, apenas disfrutando do prazer de conduzir e do ventinho que, embora quente, era facilmente suportável! A conduzir não há calor que me incomode!

Ao entardecer a temperatura voltou a ficar mais aceitável junto ao lago de Lugano…

Voltei a tirar as botas e a chapinar na agua!

E esperei o entardecer na sombra mais fresca até voltar para casa que naquele dia ainda era em Lugano!

Fim do décimo primeiro dia de viagem…

15 – Passeando até à Suiça 2012 – de Sion a Lugano passando pelo Simplon Pass

8 de Agosto de 2012

Era hora de seguir para outro pouso, naquele dia iria de Sion para Lugano, onde passaria os dois dias seguintes.

Cá para nós o Ticino nunca foi a zona Suíça que eu mais gostei! De facto a zona alemã é, sem dúvida a mais bonita do país, (também é a maior), depois é a francesa e a italiana é a seguinte. Claro que isto é a minha opinião e, a cada vez que me passeio pelo Ticino algo acaba por reforçar a minha ideia!

Claro também que isto não quer dizer que aquela zona seja feia, longe disso! É lindíssima, as pessoas são simpáticas e assemelham-se aos italianos, não apenas na língua!

Claro que a caminho de Lugano fui dando uma vista de olhos a algumas coisas lindas que se encontram no caminho!

Começando pela despedida da cidade de Sion e as ultimas fotografias à sua paisagem!

Depois voltei a subir os montes, que é o que mais gosto de fazer por ali!

As estradas de montanha são deliciosas de fazer e ainda por cima têm paisagens lindas, por isso não há como evitar ir fazer mais uma ou outra!

E, já agora, encontrar recantos de paraíso que sabia estavam por ali! Como a barragem de Moiry, o seu lago e o glaciar!

A barragem tem 148 m de altura, pode-se ver a imponência do seu muro! Foi concluída em 1958, dando origem a um lago lindíssimo!

O lago tem uma área de 1400 m ² e fica a uma altitude de 2.249 m, isto é, acima da nossa Serra da Estrela! A sua profundidade máxima é de 120 m.

De lá de cima do muro pode-se ver a estrada para um lado e o lago para o outro.

A estrada que nos leva até lá, entre os montes, sempre a subir e a curvar, fica bem lá em baixo!

As águas do lago são de um azul turquesa que parece artificial, mas a cor deve-se à quantidade extraordinária de calcário concentrada nela!

Olhando para as margens quase perdemos a noção da dimensão daquilo, até vermos uma pessoa no meio das pedras e percebermos como tudo é grande! Alguém vê o pescador?

Ok, eu fiz um zoom com a máquina. Está ali, vêm-no agora? 😀

E o glaciar de Moiry espreita lá ao fundo!

Era lá que eu queria ir a seguir, não sem antes dar uma olhada ao lago visto no sentido contrario, com o muro da barragem ao fundo.

Não importa de que ângulo se olhe as aguas, elas mantêm a sua cor espantosa! E se chovesse e o céu estivesse cinzento, a cor manter-se-ia!

O riacho que alimenta o lago e vem desde o glaciar é branco.

E a agua por lá também! Como se ainda não fosse filtrada e ainda não se tivesse convertido em turquesa!

E lá está ele, um glaciar de 5km de extensão! As pessoas caminham até ele e ao seu refúgio a Cabane de Moiry, que fica a mais de 2800m de altitude!

Também ali perdemos a noção da dimensão das encostas mas, se observarmos as pessoas que caminham por elas até ao glaciar, podemos ter uma melhor noção!

Eu não sou de grandes caminhadas, sobretudo por ali que é um caminhar sem fim, que não é para quem quer fazer mais coisas no mesmo dia! Mesmo assim ainda dei uma boa volta aos lagos, por caminhos quase invisíveis!

Apreciei as florinhas alpinas e tudo, embora nunca tenha avistado a famosa edelweiss!

Um senhor seguia-me pelo trilho, mas com tanta dificuldade que comecei a ficar preocupada se ele não iria cair nos calhaus!

É inspirador passear por ali, não haja duvida!

Mas lá me decidi a descer o monte e continuar o meu caminho!

Porque quando tudo é bonito apetece ficar em todo o lado, mas não faltarão oportunidades de lá voltar!

As aldeias nas encostas dos montes são sempre tão bonitas e os chalés tão arrumadinhos, todos para o mesmo lado!

Parece que olham para nós, lá de cima, de um anfiteatro!

A estrada d’Anniviers é muito bonita!

E termina numa descida deliciosa até ao grande vale, numa sequência de curvas linda, que nos faz descer em SS como que de degrau em degrau! As árvores não nos deixam ver todo o percurso, mas houve um momento em que não resisti e encostei a moto à berma e apanhei o ziguezague em que eu seguia! Adoro passear pelos Alpes!

Eu tinha pensado ir até Zermat e visitar o Mont Cervin (ou Matterhorn, em alemão) mas “perdera-me” pelo Moiry e o tempo já não era muito. Ainda fui até Tach, a 5 km de Zermatt, depois não poderia passar com a moto, apenas de táxi ou comboio.

Era ali que eu gostaria de embarcar no comboio e ir até ao Mont Cervin, como fazia quando ia skiar, em tempos… mas era já muito tarde, dado que a viagem, passeio e regresso demora um bocado…

Prometi a mim mesma que da próxima vez farei todo o Glassier Express, uma das viagens de comboio mais bonitas do mundo… e cara também!

Ao longe via-se um pouquinho do glaciar mais famoso da Suíça…

Dei uma voltinha por Tach, uma terrinha que nunca tinha merecido uma visita minha! Apenas passava e seguia para Zermatt!

E eu que gosto tanto das casinhas rurais e de armazenamento de materiais agrícolas e cereais daquelas terras, já para não falar nos chalés lindíssimos que por ali há!!

E lá segui, pelo Simplon-Pass para Lugano que, por ali, é mais fácil aceder atravessando terras italianas do que dar a volta por terras suíças!

Este Pass não é nada difícil nem cheio de curvas acentuadas! O que o torna especial, são as paisagens lindíssimas e a altitude a que chegamos sem nos darmos conta!

Parece que estamos a passear por um livro de postais alpinos, daqueles que se compram só com imagens extraordinárias!

E lá estava no Pass, com partes cobertas que nos fazem ver o mundo por uma janela!

O rasgão provocado pelo Pass na encosta da montanha parece quase uma linha reta!

E a sua águia gigante, construída em grandes blocos de pedra, a marcar na memória de quem passa o Pass onde passa!

Adoro águias!

Depois é o deslumbramento dos Alpes a cada curva!

Próximo do cume do Simplon Pass pode-se avistar o Hospício Stockalpers, fundado por monges agostinianos em 1235, reconstruído e ampliado em 1666 e restaurado novamente em 1968. É imponente lá em baixo!

Cá para nós eu acho que os monges já andavam de moto de pau e por isso faziam os Hospícios sempre no topo dos Pass que hoje são tão famosos pelas gasadas que eles davam por ali abaixo!

Depois do fresquinho do Simplon Pass, veio o calor infernal de terras italianas e do Ticino! Quase morri! Lembro-me que ao passar em Ascona sentir um brisa fresca deliciosa e, ao olhar para o termómetro da moto ele acusava 30º! Dá para imaginar, se 30º são frescos, as temperaturas que eu já apanhara em cima!

Nem o lago me acalmou a mioleira esturricada!

Não parei em lado nenhum, quase nem tirei fotos, tudo o que eu queria era saír daquele verdadeiro inferno! Tudo o que eu queria era um banho, uma bebida fresca e uma sombra…

E cheguei a Lugano, onde me escondi na pousada de juventude, até começar a anoitecer e a baixar a temperatura! Uf…

Bendita noite, bendito lago, bendita frescura!

Pus-me a passear quase pelos quintais das casinhas na encosta, estava uma temperatura amena e eu sabia que, se no dia seguinte estivesse o mesmo calorão daquele dia, eu não iria ter paciência para ver nada, pois só há uma coisa que eu gosto de fazer com tanto calor que é conduzir! Parar, nem pensar e então caminhar, nunca!

Fim do décimo dia de viagem…

14 – Passeando até à Suiça 2012 – Aosta – Monstreux – Sion

7 de Agosto de 2012 – continuação da continuação!

Então o resto do dia foi mais um “andar para a frente e para trás” espetacular!

Aosta é uma cidade muito interessante, mesmo pertinho do Tunel du Mont Blanc (um túnel que nunca quis fazer de moto, cruzes!). a cidade está cheia de vestígios romanos e é a capital do belissimo Vale de Aosta (que ainda hei-de visitar em pormenor, um dia que esteja menos calor!)

A Collegiata di Sant’Orso é um conjunto do séc. XI que quero visitar mais calmamente, pois é extraordinário e diferente do que se construiu por cá na mesma época.

Naquele dia estava fechada e apenas pude visitar o espaço de culto, pois o claustro estava fechado, o que foi um oásis de frescura junto dos quase 40º grau que se faziam sentir lá fora!

Curioso que, no altar tem uma “janela” no chão que nos permite ver um mosaico do sec XII por baixo, que foi descoberto apenas há 12 ou 13 anos!

O mais bonito (e mais fresco) foi a cripta, que tem sempre um efeito curioso sobre mim! Normalmente é a parte mais antiga de uma igreja e este deve ser da época do mosaico, sec. XII.

Se pensarmos que é do tempo da fundação da nossa nacionalidade!
Lindo!

E voltei para o calor infernal e para as ruas pitorescas e cheias de gente!

Encontra-se este tipo de esculturas também pela Suiça, quando têm de derrubar uma árvore, fazem por vezes com o seu tronco ainda ligado à terra, esculturas que resultam parecidas com tótemes, muito giras!

Estão em escavações sob a Porta Pretoria, a porta da cidade romana que se chamou Augusta Praetoria Salassorum, e que foi construi da no ano 25 aC!

A gente passa pela porta e assiste aos trabalhos de varanda!

Ali ao lado fica o teatro romano, onde havia também um anfiteatro, o que faz da cidade romana uma grande e extensa cidade de grande importância!

O calor estava a torrar-me os miolos, mesmo com o chapéu! Eu não iria mais longe… Aosta lá ficará para quando eu voltar, esperando que o calor seja menos sufocante!

Devia ter feito como os chinocas fazem que visitam as cidades de guarda-chuva, assim o sol não chegaria com tanta força até mim!
O glaciar, lá ao longe, por cima das casas, estava a chamar-me para o fresquinho!

Voltei para a moto, por ruas muitos giras, cheias de artesanato e souvenirs.

E voltei ao paraíso! Lá em cima estava uma temperatura agradável, comparada com o calorão de Aosta, cerca de 24º, o que resultava fresquinho!

A festa tinha acabado e, se não tivesse estado nela, nem perceberia que tinha sequer existido! Reinava a paz e o sossego por ali!

Então fui visitar o Hospice de St Bernard por dentro.

Ali foram recebidos peregrinos e viajantes que atravessavam de ou para Itália, pois o caminho (Pass) é a distancia mais curta entre os 2 países!

Napoleão passou por ali em 1800 com as suas tropas a caminho de Itália, por isso há quem lhe chame rota imperial.

Lá dentro os espaços religiosos são bonitos e típicos da época, a igreja com decoração barroca é dedicada a Saint Nicolas.

Cá fora, patinhas amarelas de São Bernardo guiam-nos para caminhos a percorrer, muito giras! Claro que tirei uma foto à minha Magnífica junto à placa, para memória futura! (as patinhas amarelas vêm-se no chão junto à moto)

E desci o Pass…

Há dias cheios de beleza e que ainda por cima parecem nunca mais acabar!

Quando desci do St Bernard Pass o sol estava tão alto e ainda faltava tanto para anoitecer, que pus-me a pensar “como é que eu já fiz tanto e ainda tenho tanto tempo para mais?”

Perguntei ao meu Patrick o que havia por ali perto para eu ver, antes de voltar lá para baixo e ele “falou-me” de um lago: Champex-lac em Verbier – St Bernard! (quem inventou o GPS deverá ter direito ao céu!)

Aquele nome não me era estranho, tinha ideia que era coisa bonita… bem por ali acho que tudo é bonito! E lá fui!

O lago é bonito e havia gente relaxadamente na relva junto à água, onde me fui estender também, não sem antes comprar algo fresco para me acompanhar. Uma escultura curiosa de um coelho humanoide olhava para nós, dentro da água.

Pus-me a brincar com os miúdos, tirei as botas e fui chapinar na água com eles! Eheheh

Continuava a ser dia claro quando voltei à estrada. A descida parecia uma linha num bolso, na imagem do GPS!

Pelo GPS faltavam 3 horas para o sol se por, por isso decidi ir vê-lo a um lugar muito especial, daria tempo, porque naquele pais é tudo perto!

Passei por muitos motociclistas simpáticos e cordiais que circulavam perfeitamente ordenados! Muito bem!

Passei por carros “especiais de corrida” que por ali existem em número remarcável!

Passei pelo Château d’Aigle, do sec. XII, onde hoje funciona o Museu da Vinha e do Vinho.

Mas eu só queria rodeá-lo e aprecia-lo de todos os ângulos, porque é lindo!

Chama-se Castelo da Águia porque fica numa comuna que se chama mesmo Águia

E continuei até Montreux! Era ali que eu queria ir ver o sol descer!

Junto à cidade de Montreux há uma pequena estrada que sobe o monte, até perto de um rochedo que fica lá no topo, le Rochers-de-Naye!

Encontrei o caminho com uma facilidade espantosa e comecei a subi-lo e a fotografar cada etapa da subida!

O Lac Leman consegue fascinar-me em qualquer ângulo, mas naquele dia deixou-me em êxtase!

Cheguei ao fim do caminho e fiquei ali, a olhar…

O rochedo fica mais acima um bom bocado, mas só se pode aceder a ele depois de uma longa caminhada quase a pique! Não era coisa para mim e, o que via dali para o lago… era suficiente deslumbrante!

Há placas indicativas para os caminhantes informando dos trilhos

Mas eu fiquei ali, quieta, mais a minha Magnifica, a deslumbrar-me apenas…

Ainda olhei para trás na descida, o rochedo esta ali, tão perto!

Mas a beleza que eu procurava estava para baixo, não para cima!

E o sol ainda não se pusera!

Decidi descer e vir cá abaixo vê-lo do nível das aguas, assim não teria de descer às escuras!

Agora entardecia mais rapidamente!

Fui passear para junto do Château de Chillon, o castelo mais emblemático da Suíça e um dos mais conhecidos do mundo.

Foi construído sobre um rochedo no lago por isso este faz de fosso para o castelo!

Construído no séc. XII, mas com antecedentes bem mais antigos que podem ser visitados no seu interior.

Visitei-o há muitos anos, agora o que eu procurava não era vê-lo por dentro (até porque já estava fechado)! Eu queria vê-lo por fora com o lago e o pôr-do-sol…

Deslumbrante!

Então acabei o meu dia numa corrida até Sion onde fiz uma festa com os amigos que fizera na pousada de juventude, a que se juntou um grupo de motociclistas holandeses que iriam descer, no dia seguinte, até Nice, o caminho inverso ao que eu fizera dias antes.

Fizeram todo um espanto por eu andar por ali sozinha com uma moto tão grande! Nem queriam acreditar onde eu iria a seguir!

Fim do nono dia de viagem!